Parece que foi ao neo-deputado do BE José Gusmão que ouvi uma referência no debate sobre o Orçamento de Estado às “marteladas” a que o documento teria sido sujeito por Teixeira dos Santos para manter o “déficit” nos valores previstos, depois deste ter apresentado a tal errata onde se inscreve um agravamento da despesa na ordem de 830 milhões de euros. Bom, sobre tal “errata” já muita gente se pronunciou... Deixem-me apenas sublinhar, com ironia, o facto de o deputado do BE ter utilizado nas suas críticas um termo (“martelada”) claramente retirado do jargão do “management” empresarial, onde é utilizado em circunstâncias semelhantes.
Duas notas:
- Do modo como se apresentou, não estou a ver alguém numa empresa organizada tivesse sequer coragem de sugerir tal “martelada”, muito menos a pudesse propor a quem quer que fosse como um exercício de gestão normal e aceitável. Por não existirem? Nada disso: como afirmei, o termo até é de utilização corrente nas empresas, e em circunstâncias semelhantes, e até passei por uma onde, numa manifestação bom humor, o objecto inspirador (martelo) tinha mesmo existência física dentro de uma daquelas vitrines “partir em caso de necessidade”. Mas, claro, requere-se uma bem maior dose de subtileza nas propostas e de segurança nos resultados.
- Seguindo o exemplo do deputado Gusmão, estou bem a ver um dia destes os deputados do CDS socorrerem-se, em pleno debate parlamentar, daquelas coloridas frases maoístas que nos habituámos a ler (assim o[a]s senhores[a] da minha idade, claro) nos cartazes do MRPP do pós-25 de Abril, do tipo “o povo elevará bem alto a bandeira da luta contra o governo “vende-pátrias”. Ou será que o Presidente da República, em tal caso, viria a terreiro, no “Facebook”, manifestar a sua repulsa pelo tom tão pouco elevado do debate?
Caro JC
ResponderEliminarNo estado em que estamos se calhar só lá vamos "à martelada" (em sentido literal).
Uma república de bananas...sem as ditas.
E já agora porque não usar também um daqueles slogans do pós 25 de Abril: "Os ricos que paguem a crise".
república das Bananas é na Madeira; em todos os sentidos! Mas enfim, tb tem excelentes vinhos: um bom Madeira é insuperável. Recomendo uma visita ao Artur Barros & Sousa para provar o seu Terrantez, embora alguns deles tenham preços para ricos. Assim eles não só pagam como bebem a crise!
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