segunda-feira, outubro 06, 2014

O discurso de Cavaco

Hoje, do "Fórum TSF", ao "dar a deixa" para o comentário de Davis Dinis (a TSF está transformada numa quase sucessora do "Diário da Manhã", com Paulo Baldaia no lugar de Barradas de Oliveira e David Dinis no de João Coito), Manuel Acácio interrogava Dinis sobre se Cavaco Silva, no seu discurso de ontem, não teria assumido o lugar dos habituais participantes no "Fórum". Nada mais certeiro: no seu discurso do 5 de Outubro, o actual Presidente da República, cuja principal preocupação é e tem sido sempre o seu futuro político, a sua imagem e os seus índices de popularidade, tentou cavalgar a "crista da onda" do discurso populista, qual Marinho e Pinto em versão "soft core" em função do lugar institucional que ocupa. De caminho, avisou que não dará posse a um governo minoritário, presumivelmente do PS, saído de futuras eleições, o que, sendo correcto, vem demasiado tarde - já não o deveria ter feito quando do segundo governo de José Sócrates - e, por isso, apenas tem como objectivo, e mais uma vez, "limpar" um pouco a sua já muito desgastada imagem. Tudo isto, claro, embrulhado no habitual "celofane com laçarote" dos inúteis apelos, em período pré-eleitoral, a um consenso cujo conteúdo nunca expressa.

Que consiga acabar o seu mandato com a dignidade com que nunca o cumpriu, são os meus sinceros votos.

sábado, outubro 04, 2014

Documentário de sábado (38 - I)

Public School (BBC - 1979) - 1/9

A convocatória

A primeira convocatória de Fernando Santos, mais do que obedecer a critérios estritos de natureza técnico-táctica, tem na sua base uma estratégia bem definida, que ultrapassa os citados critérios: agradar um pouco a toda a gente, prolongando o clima de apaziguamento e anti-crispação já claramente presente na sua conferência de imprensa de apresentação. Estamos aqui perante uma espécie de amnistia presidencial, de proposta de "fresh start", que me parecendo, para já, estratégia adequada no sentido de construir uma imagem de Fernando Santos nos antípodas do seu antecessor, não me parece susceptível, no seu período de vigência, de ultrapassar o muito curto-prazo, sem que o critério acabe por se reflectir negativamente no comportamento desportivo da selecção portuguesa.

Desportivamente, oferece, contudo e para já, uma vantagem: as chamadas de Tiago, Danny e Adrien permitem dar ao meio-campo português um outro andamento e uma bem maior intensidade, algo que já não estava ao alcance de Veloso e Meireles (de Veloso nunca esteve) e que não me parece William Carvalho seja capaz de oferecer. Quanto ao futuro, no entanto, convém Fernando Santos perceba que a selecção portuguesa irá precisar de bem mais do que apenas um estado de espírito.  

quinta-feira, outubro 02, 2014

Zombieland (5)

The Zombies - "A Kind of Girl"
Nota: tema que abriu 1º primeiro "Em Órbita" a 1 de Abril de 1965

5 recados 5 para Jorge Jesus

  1. Não sou treinador do SLB, não assisto aos treinos e por isso gosto pouco de entrar por este tipo de análises. Mas, inclusivamente, nunca tendo visto jogar Lizandro Lopes com "olhos de ver", e face às sucessivas medíocres prestações de Jardel, será que o jogado argentino, já com experiência europeia, não se adapta, com vantagem, às especificações requeridas por Jorge Jesus para o lugar? Repito: não conheço as características do jogador, mas, não obstante, seria bom que o treinador do SLB desse uma explicação aos sócios e adeptos.
  2. Já agora. Face às dificuldades em preencher a contento o lugar "6", informo Jorge Jesus que existe na equipa "B" um rapaz chamado Pawel (lê-se "paveu" porque o "l" tem um "tracinho" que não encontro no meu teclado) Dawidowicz que tem dado boas indicações em função daquilo que o treinador do SLB pretende para o lugar. Sim, eu sei que a equipa "B" é outra coisa, bem diferente. Mas estranho nunca tenha sido sequer chamado a treinar com a equipa principal. Começa-se por aí, não é, Jorge Jesus?
  3. Jorge Jesus afirmou na conferência de imprensa que o Bayer Leverkusen foi melhor (esqueceu-se de acrescentar "muito"). Era escusado, já que toda a gente viu e até um néscio na matéria seria capaz de tal afirmação. O que espero de um treinador do meu clube é que explique o porquê e diga o que vai fazer para que o problema se não repita. É para isso, e não para dizer o óbvio, que todos nós - sócios - lhe pagamos (e não é pouco - o que pagamos e o que ele recebe). Que raio, do outro lado não estava o Real Madrid!
  4. Estive a ver o Zenit - Mónaco. Jogando com um bloco médio-baixo, as linhas juntas, fazendo circular a bola, equilibrando a equipa e pressionando a meio-campo, o Mónaco quase anulou Hulk e o Zenit poucas oportunidades criou. Faltou ao Mónaco aquilo que... não tem: capacidade para romper e desequilibrar na área contrária. Mas provou-se que, fazendo o trabalho de casa, este Zenit é anulável, mesmo pelo actual 12º classificado da Liga francesa. Mas o que é preciso mesmo é não esquecer de fazer o trabalho de casa. Vale?
  5. Jorge Jesus sabe que com este modelo de jogo, muito eficaz internamente contra equipas "menores" mas inadequado ao nível de uma Champions League, muito dificilmente consegue ultrapassar a fase de grupos. Por isso desvaloriza a competição, preferindo o campeonato e a Liga Europa, onde pode ganhar (no primeiro caso) e fazer o chamado "brilharete" (no segundo). Esquece-se que, em receitas, os 1/8 de final da Champions League valem tanto ou mais do que a final da Liga Europa e que esta, mesmo chegando à final, não deixa de ser uma competição secundária, onde o último vencedor foi o Sevilla FC, precisamente contra o SLB, e a cuja final até já SC Braga e Fulham chegaram. Certo?

quarta-feira, outubro 01, 2014

SLB: um desastre!

  1. A questão é sempre a mesma, e como tal é de fundo: este modelo de jogo de Jorge Jesus até funciona internamente, principalmente nos anos em que apanha um FCP ou um SCP enfraquecidos. Na Liga Europa vai também fazendo o seu caminho, com maior ou menor dificuldade. Mas na Champions League é um desastre, como os resultados comprovam: só uma vez o SLB conseguiu ultrapassar a fase de grupos e este ano dificilmente o resultado será diferente, correndo mesmo o risco de deixar as competições europeias já em Dezembro.
  2. Jardel tem muitas limitações, claro. São conhecidas. Mas jogar a central do lado de Eliseu convenhamos que é problema acrescido.
  3. O SLB contratou dois nºs "6". Mas o que melhor se adapta às "especificações" de Jorge Jesus continua a ser André Almeida. Leva tempo a adaptação de Cristante e Samaris? Javi Garcia e Fejsa adaptaram-se de imediato, pelo que o problema me parece ser outro: alguém conhecia bem os jogadores contratados?
  4. Percebo Derley tenha jogado. Face à enorme pressão que se sabia o Bayer utilizar, seria de prever a necessidade de jogo directo. Mas lançar Cristante num jogo fora da Champions League? Só a brincar.
  5. Voltámos a Julho, quando era evidente o SLB precisava de um  nº "6", um defesa-esquerdo e um avançado. Por cá, a "coisa" vai-se atamancando, mas na Champions League tem sido o que se vê.

4ªs feiras, 18.15h (93) - Pasolini (I)

"Teorema" (1968)
Filme completo c/ legendas em inglês ou castelhano