quarta-feira, setembro 03, 2014

4ªs feiras, 18.15h (89) - Comédia Italiana (II)


"I Nuovi Mostri", de Mario Monicelli, Dino Risi e Ettore Scola (1977)
Filme completo c/ legendas em francês

Mercado e bilhetes de época

Têm toda a razão os adeptos do AS Monaco. Os bilhetes de época só deveriam ser postos à venda depois do mercado fechado e definido o plantel de cada clube, o que é manifestamente impossível nas condições actuais (renovei o meu "Red Pass" no início de Julho). Isso permitiria a cada clube ajustar o preço do bilhete às expectativas dos adeptos e a estes (ou pelo menos a alguns deles) permitiria também uma decisão de compra mais racional. Actualmente, é quase como se comprássemos um bilhete sem saber muito bem quais os artistas e qual o espectáculo a que teremos direito.

A lista

Com a notável (até pela sua justeza) excepção de Augusto Santos Silva, ontem, no seu espaço de comentário na TVI24, não vi nem ouvi até agora qualquer comentário, crítico ou não,  vindo da oposição, sobre a inenarrável proposta do governo, gravemente atentatória dos Direitos, Liberdades e Garantias, promotora da formação de autênticas milícias populares de vigilância de bairro, que autoriza a consulta pública de uma lista contendo os nomes e outros elementos de cidadãos condenados por crimes de pedofilia. Digamos que só falta obrigar esses cidadãos, que cumpriram as penas a que foram condenados pela sociedade depois de terem sido julgados pelos tribunais competentes, a usarem um qualquer sucedâneo de uma estrela de David ou então a verem assinalos, de modo bem visível, os locais de residência ou onde exerçam a sua profissão. Se a pedofilia é um crime abjecto (sem dúvida que o é), esta proposta, porque vinda de um Estado que se diz democrático e representa a sociedade organizada, é-o ainda mais. Mas, claro, percebo, embora não aceite, o silêncio de PS (incluído Costa), PCP e BE, sempre tão críticos - e muitas vezes com razão - das opções do governo: a proposta é popular (direi melhor, populista), vai ao encontro da "vox populi" e exprimir uma opinião negativa arrisca-se a ser penalizadora em termos de intenções de voto. "Que se lixe", pois, a democracia.

Nota: já agora, gostaria de saber quantos dos que "rasgam as vestes" em defesa da inocência de Carlos Cruz, que, pelo menos, inocente ou culpado "de facto", teve direito a ser julgado com todas as garantias de defesa e foi condenado por um tribunal competente da República, não serão agora os defensores mais acérrimos da proposta do governo. Pois...

terça-feira, setembro 02, 2014

Zombieland (2)

The Zombies - "You Make Me Feel Good" (1964)

O SLB depois do fecho do mercado

E o meu clube? Como ficou o seu plantel comparativamente à época anterior?

Bom, considerando que as saídas de Oblak e Markovic são bem colmatadas pela entrada de Júlio César e pela recuperação de um Sálvio mais consistente e regular do que Markovic (e, face à época passada, ainda há Ola John e o "projecto" Bebé); considerando que Cristante, Samaris e Talisca preenchem bem os impedimentos de Fejsa e Amorim e a saída de André Gomes (e atenção a João Teixeira e Dawidowicz), as maiores debilidades centram-se nos centros da defesa (Jardel não é Garay, claro, e Lisandro veremos como evolui) e do ataque. Se, pelo menos para consumo interno, Jardel vai chegando e o facto de Lisandro ter integrado a lista de "30" da Argentina e ter feito uma boa época no Getafe dá alguma confiança, estará no centro do ataque o problema mais "bicudo" para  Jorge Jesus resolver. Percebo que não queira desviar Gaitán da sua posição do lado esquerdo, para não ter que mexer em duas posições e no que está bem, mas terá rapidamente de tirar um qualquer coelho da cartola. Estará à espera da recuperação de Sulejmani, que defensivamente dá mais e maiores garantias do que Ola John, para deslocar Gaitán para o meio? Poderá jogar só com um "ponta de lança" sendo, neste caso, Derley a opção mais adequada? Tenho sérias dúvidas opte por uma mudança tão radical. Mas terá que "inventar" bem e depressa, pois este é o "nó górdio" do SLB 2014/15.

Reflexões sobre o fecho do mercado

Fechado o mercado e serenado o frenesim, fim posto a esta autêntica "silly season" futebolística que vai de Junho a Setembro, tempo para uma reflexão mais ou menos aprofundada. Tentemos...
  1. Este frenesim dos últimos ou do último dia só é possível pelo poder adquirido pelos agentes dos jogadores no mercado, cujo negócio só se efectiva na compra e venda dos passes desses mesmos jogadores. Para os mais "distraídos": o objectivo dos agentes é de curtíssimo prazo; só ganham dinheiro se transacionarem os passes dos jogadores que representam e para tal têm de aproveitar o período de abertura do mercado até ao último momento. Esse poder, recentemente adquirido, alicerça-se fundamentalmente na globalização permitida pela lei Bosman, já que antes dela vigorar os clubes estavam limitados, consoante os países, a dois ou três estrangeiros por equipa e a natureza quase "paroquial" do negócio, a pequenez dos mercados nacionais limitava a capacidade de actuação dos "empresários". Para além da lei Bosman, a criação da Champions League, possibilitando o acesso de vários clubes do mesmo país à prova máxima da UEFA, e o "dinheiro novo" que em certa medida e por esse motivo alguns clubes conseguiram atrair, vieram contribuir para potenciar ainda mais o poder desses mesmos "empresários", não raramente acabando por se transformar em financiadores dos clubes, quer directamente, quer através dos tão falados "fundos" em que participam.  
  2. É todo este negócio, e não apenas a questão mais restrita, mas também relevante, das datas de abertura e fecho do mercado, que carece, como qualquer outra actividade comercial, industrial ou financeira, de regras que regulamentem a sua actividade, para que o futebol não se transforme numa indústria sem regras ou com estas ditadas na circunstância e ao sabor dos interesses de cada um. Seja, em algo mais parecido com a forma de actuação de uma "máfia" e menos com um negócio digno. Note-se: não se trata de condenar o futebol enquanto negócio, longe disso (o futebol tornou-se até num desporto bem mais atractivo e espectacular nos últimos anos), mas de o fazer obedecer a certas regras que o tornem mais transparente, equitativo e permitam não só o retorno a um maior equilíbrio entre poderes (clubes e agentes de jogadores, por exemplo), como a sua monitorização plena pela sociedade (sócios, accionistas e "stakeholders") e pelos poderes públicos.
  3. Fica também cada vez mais claro que o poder adquirido por alguns "empresários" e "fundos", com o apoio da comunicação social e cavalgando um negócio completamente desregulamentado, chegou ao ponto de certos clubes se transformaram em autênticos "parques de estacionamento", de curto ou longo prazo, para jogadores e treinadores a eles ligados, com todos os perigos que daí advêm para a sustentabilidade desses mesmos clubes. Basta olhar para o Depor, Valência e Mónaco e perceber que Jorge Mendes será "a mão que embala o berço". 

segunda-feira, setembro 01, 2014

Zombieland (1)

The Zombies - "She's Not There" (Agosto de 1964)

Artur Moraes e os disparates de Gaspar Ramos


Esta afirmação disparatada de Gaspar Ramos, que foi um importante dirigente do futebol do SLB, vem mais uma vez provar o estilo "paninhos quentes e mimos", digno do pior amadorismo, que presidia, e continua demasiadas vezes a presidir em Portugal, à relação entre dirigentes e treinadores, por um lado, e jogadores profissionais de futebol, por outro. Estivessem Júlio César, Manuel Neuer ou Thibaut Courtois no banco de suplentes, ou até mesmo um saudoso e ressuscitado Lev Yashin, o que Artur Moraes tinha de provar era ter estrutura psicológica para ser guarda-redes titular do Sport Lisboa e Benfica ou de um outro qualquer clube com dimensão ou aspirações. Ainda bem, pois, que Júlio César estava no "banco", pois tivemos assim a prova cabal de que Artur Moraes não conseguiu vencer essa prova de fogo e não reúne, portanto, essas condições. Pagámos - todos nós, sócios e adeptos - um preço elevado por isso, mas antes agora que mais tarde e de forma irrecuperável. 

Homenagem a Gerry Goffin (1939 - 2014) - My favourite Goffin & King songs (10)

The Tokens - "He's In Town" (1964)

A versão "British Invasion" (a minha favorita) dos "midlanders" Rockin' Berries (1964)

O "jogo interior" do SLB

Os quatro golos marcados até agora pelo SLB versão 2014/15 foram todos obtidos por jogadores que actuam nas alas: Maxi, Sálvio, Eliseu e Nico Gaitán. Não me parece tal tenha acontecido por acaso. Sem Rodrigo ou o Cardozo dos bons tempos a apoiarem Lima, com Enzo ausente jogo e meio e, quando jogou, em condição física discreta, com Talisca ainda "a ver se dá", com a saudade de Saviola (lembram-se?) e com Amorim a contas com mais uma lesão grave, o jogo interior do SLB perde uma boa parte da sua eficácia  e capacidade desequilibrante, só recuperada quando os alas se movimentam "para dentro". Jorge Jesus tem aqui um problema que o último dia do mercado dificilmente resolverá.