sexta-feira, maio 30, 2014

Friday midnight movie (91) - Sci-Fi (XIV)

"Bride of the Monster", de Ed Wood (1955)
Filme completo c/ legendas em italiano

Jagger & Richards por Chris Farlowe (5)

"I'm Free" - Immediate IMLP 006 (1966)

O que têm a ver o PS, a "moção de censura" e Ricardo Araújo Pereira?

Alguém entende a posição do PS face à moção de censura do PCP? Primeiro, as eleições europeias indiciaram que nenhuma maioria estável e com forte liderança de um partido (PS ou PSD) deverá sair de próximas eleições legislativas. Depois, Seguro afirma que a moção de censura é "um frete ao governo" mas decide que o seu partido iria votar a favor, mesmo sem conhecer os respectivos considerandos e fundamentação. Mais tarde, perante esses mesmos considerandos e a decisão prévia de voto a favor, o deputado José Junqueiro faz um péssimo discurso na Assembleia da República, encostado à direita e de forte contestação ao PCP, e em resposta leva uma "abada" de Jerónimo Sousa. Por fim, António José Seguro decide não estar presente na discussão da moção, sofrendo justas críticas de deputados da sua bancada e sujeitando-se a algumas críticas de oportunidade vindas da maioria. Que raio, em vez de se auto-flagelarem com consecutivos tiros nos pés e mãos, teria sido muito difícil, face aos resultados eleitorais, à correcta opinião inicial do secretário-geral ("um frete ao governo"), aos considerandos da moção, à situação actual do PS e à própria actuação política do PCP e tendo em conta a conjuntura política, optarem pela abstenção, a decisão mais lógica e consentânea com a que deveria ser a posição do partido? É de deitar as mãos à cabeça e, para me fazer soltar uma boa gargalhada, só fico à espera de um "gag" de Ricardo Araújo Pereira em conformidade. Já tarda.

quinta-feira, maio 29, 2014

Seguro, Costa e as suas diferenças políticas

Existem diferenças programáticas claras entre António José Seguro e António Costa que possam levar os militantes do PS a preferir um a outro? Estando de fora - isto é, não sendo militante do partido mas apenas um observador interessado - confesso não sei, mas se a candidatura de Costa se efectivar será então esse o tempo de tirarmos conclusões mediante o que cada um deles tiver para dizer a todos os cidadãos. No entanto, convém enfatizar desde já que a questão não se esgota em eventuais diferenças ou coincidências programáticas. Na política, mesmo perante eventuais semelhanças ideológicas e programáticas, há sempre que considerar também quem, entre vários candidatos - pelo seu perfil político e pessoal, personalidade, experiência política e governativa, imagem, etc -, inspira mais confiança e se encontra melhor preparado para implementar e levar por diante um mesmo, ou semelhante, programa. 

Não vale portanto a pena os defensores do "não há alternativa" (à actual política dominante na UE, entenda-se) "esfalfarem-se" a tentar demonstrar desde já não existirem diferenças políticas significativas entre Seguro e Costa, pelo que, depreende-se, tudo não passará de uma quiçá mesquinha luta pelo poder. Nunca menorizando a importância dos programas políticos, o assunto, pelo menos enquanto a política fizer parte da actividade humana e não se limitar a textos em Word ou programas de Excel, é bem mais vasto e complexo do que apenas uma questão programática. Felizmente.

Fats Domino & Imperial Records (6)

"Rose Mary" (Imperial 5251 - 1953)

quarta-feira, maio 28, 2014

4ªs feiras, 18.15h (81) - "Sword & Sandals" (VII)


"Ulysses", de Mario Camerini & Mario Bava (1955)
Filme completo c/ legendas em português

Motor City (20)

Mary Wells - "Bye Bye Baby (Setembro de 1960)

PS: um partido refém

Se fosse efectuada uma sondagem junto dos habituais votantes no PS e dos cidadãos em geral perguntando qual a personalidade preferida para dirigir o partido e um eventual futuro governo por ele liderado, estou certo António Costa ganharia de forma destacada. E no entanto... No entanto Costa terá sérias dificuldades, já não digo para se fazer eleger internamente, mas para conseguir sequer disputar a liderança. Este é o retrato exacto do modo como os grandes partidos estão reféns das suas lógicas internas de funcionamento, dos pequenos poderes locais, dos "sindicatos de voto", da mesquinha troca de favores e do tráfico de influências nas distritais e concelhias. No fundo, dos "gauleiters" de ocasião. Esta é, aliás, uma das razões porque se recusam a discutir o chamado voto preferencial nas listas para eleições legislativas e autárquicas (não tendo posição definida, sou dos que acham o assunto merece discussão), não fossem os cidadãos alterar, por sua iniciativa, os laboriosos acordos conseguidos no interior do aparelho.

E quando falo de "gauleiters" não o faço levianamente. Basta perder (ou ganhar) algumas horas a ler o livro de Ian Kershaw sobre os últimos meses da Alemanha hitleriana ("The End" - "Até ao Fim") para se perceber como esses poderes, essas "lealdades pessoais", esses pactos "thick and thin" muitas vezes sem qualquer conteúdo político ou programático, essa inércia de funcionamento é capaz de se manter e até intensificar mesmo quando tudo se desmorona sua volta, para esse desmoronamento inclusivamente contribuindo. Qual a alternativa a este modelo de funcionamento? Francamente, não sei, embora seja urgente procurá-lo antes que este "way of doing things" acabe por subverter a própria democracia. 

Nota: Basta ter ouvido hoje os apoiantes de António José Seguro no "Fórum TSF" para se perceber que não é só à direita que o fantasma de José Sócrates ainda ensombra. No fundo, conclui-se que o algum silêncio último da direcção de Seguro sobre o legado do ex-secretário geral e ex-primeiro-ministro não passa de manobra táctica, uma espécie de "rabo escondido com o resto do gato de fora".

terça-feira, maio 27, 2014

O que mudou no PS?

O que é que mudou no PS desde há um ano e pode levar agora António Costa à liderança do partido? A forte possibilidade do PS poder não ganhar as legislativas ou vir a fazê-lo por uma pequena margem, o que fez acender uma luz de perigo no aparelho do partido avisando os que levaram António José Seguro à liderança - o tal "aparelho" - de que pode não haver "benesses" suficientes para distribuir ou que elas podem ser bem muito escasso. Se até agora existia uma clara dessintonia no partido entre o tal "aparelho" que Seguro, no seu silêncio, foi pacientemente mobilizando em seu redor nos tempos dos governos Sócrates e muitos dos ex-dirigentes, militantes e potenciais votantes no partido, o actual secretário-geral arrisca-se agora, em função do perigo de derrota, a ver muito desse aparelho transferir-se de armas e bagagens para quem lhe possa prometer um futuro mais risonho. Tem muito disto, infelizmente, a vida partidária, circunstância agravada pelas chamadas "directas", o que não impede António Costa, Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva e mais um punhado de dirigentes e ex-dirigentes do partido de serem bem melhor opção do que os Seguro, Brilhante Dias, Zorrinho e Assis deste mundo. Aguardemos os próximos capítulos.

Jagger & Richards por Chris Farlowe (4)

"Yesterday's Papers" - Immediate 049 (1967)