quarta-feira, julho 31, 2013

4ªs feiras, 18.15h (45) - "Sword & Sandals" (V)

"Ercole alla Conquista di Atlantide" (aka "Hercules and the Captive Women"), de Vittorio Cottafavi  (1961)
Filme completo c/ legendas em português

Chansons historiques de France (6)

Pierre Dac - "Chant des Waffen SS" (1943/44)
Canção que satiriza as mais eminentes figuras do colaboracionismo, como Pétain, Laval e Darnand, bem como a tristemente célebre divisão francesa Charlemagne, das Waffen SS. A música utilizada é a do "Horst Wessel Lied", também conhecida por "Die Fahne Hoch", hino do NSDAP, partido nacional-socialista ou nazi.

terça-feira, julho 30, 2013

Passos Coelho: pode o Estado pagar "para fazer o que não é preciso"?


Pois está errado o senhor primeiro-ministro. Pelas funções muito específicas que desempenha, políticas, económicas e sociais, por não ser uma empresa nem dever ser gerido como tal, pela necessidade de prosseguir objectivos como assegurar o bem-estar geral e a coesão económica e social, pugnar pelo interesse geral dos cidadãos, etc, etc e ainda mais etecéteras que qualquer mediano manual de ciência política explica, o Estado é mesmo das poucas instituições numa democracia liberal que, por vezes e em determinadas circunstâncias, aqui e ali até eventualmente de forma permanente, pode e até deve mesmo "pagar para fazer o que não é preciso", o que não é, de modo algum, sempre sinónimo de esbanjamento dos dinheiros públicos. Antes pelo contrário: pode, por vezes, ser até sintoma de boa gestão política. Ficamos assim, senhor primeiro-ministro?  

Motor City (3)

Eddie Holland - "Merry-Go-Round" (Fevereiro 1959)

O negócio Roberto "contado às crianças e explicado ao povo"

Está agora bem à vista (se é que não esteve sempre) o modo como o SLB resolveu o "caso" do guarda-redes Roberto. Na realidade, ao afirmar que recuperou os direitos do jogador por incumprimento do contrato por parte do tal fundo BI Plan, o SLB deixa bem à vista que a venda do passe de Roberto Jimenez no ano passado não passou de um negócio fictício, para limpar a imagem do clube perante sócios, adeptos e "media", cujo "acerto/compensação" se terá realizado agora com a compra do passe do jogador Pizzi (imediatamente emprestado) e talvez também no ano passado com a transferência de Eduardo Salvio. Nome incontornável neste tipo de negócios, nos quais, aliás, o futebol e o desporto estão longe de deter o exclusivo, o do empresário Jorge Mendes, que até já teve direito a vídeo de promoção na SIC. .

No fundo, o que todo este imbróglio vem demonstrar é o enorme poder adquirido pelos empresários num mercado completamente desregulado e perante, por um lado, o "dinheiro novo" abundante que circula no futebol, ávido de promoção mas com enorme "déficit" de conhecimentos técnicos sobre o jogo e sobre esse mesmo mercado, e, por outro, a existência de muitos clubes em situação financeira frágil, como o são o SLB e o FCP, que para se manterem numa certa "alta roda" enveredaram por um "modelo de negócio" que acaba por ser bem sucedido, no curto-prazo, mas os deixa demasiado dependentes das "compras e vendas" e, portanto, completamente expostos aos "agentes FIFA" e a este tipo de negócios. Regulamentação, precisa-se.

segunda-feira, julho 29, 2013

"Va Pensiero", "Senso", o "Risorgimento" ou aprender com a História

Giuseppe Verdi - "Va Pensiero" (da ópera "Nabucco")

Não sou um "Verdiano". Costumo mesmo dizer que de Giuseppe Verdi prefiro o Requiem às óperas. Mas a Alda Telles teve a simpatia de me chamar a atenção para este vídeo em que o coro "Va Pensiero", da ópera Nabucco, é interpretado pelo Coro e Orquestra do teatro de Ópera de Roma dirigidos por Riccardo Muti. E a chamada de atenção da Alda (que agradeço) não tem fundamentalmente a ver com a qualidade interpretativa, embora esta esteja presente, seja excelente, e, acrescento, o mesmo acontecendo com a beleza plástica da cena. A razão da Alda Telles prende-se bem mais com a intervenção política de Muti (a partir dos 7'), recuperando uma tradição do "Resorgimento" quando as letras que compõem o apelido Verdi eram lidas como Vittorio Emanuele Re d'Italia e "Va Pensiero", o coro em que os escravos hebreus evocam a sua pátria, foi transformada numa canção patriótica, que, aliás, como as óperas de Verdi, que eram grandes êxitos populares, era cantado nas ruas e corria de "boca em boca". Penso que esta espécie de retorno ao "Risorgimento" dá bem a medida da situação política e social que se vive na Itália de hoje.

Por sinal, o vídeo não deixou de me fazer lembrar uma outra ópera de Verdi, "Il Trovatore", e a sequência inicial daquele que é seguramente um dos filmes mais operáticos da história do cinema, "Senso", de Luchino Visconti. É também aproveitando a representação de "Il Trovatore" num teatro La Fenice cheio de militares austríacos, então ocupando o norte da península, que os patriotas italianos desafiam o poder ocupante gritando "Viva Itália" e fazendo voar das galerias (a ópera era um espectáculo popular e os lugares nas galerias vendidos a preços relativamente acessíveis) panfletos de propaganda da sua causa. Qualquer semelhança com a actualidade, nos países do sul da Europa, talvez não seja apenas mera coincidência.

"Senso", de Luchino Visconti - excerto da sequência inicial

domingo, julho 28, 2013

Fernando Martins (1917 - 2013)

O que posso dizer sobre Fernando Martins é que esteve longe de ser um grande presidente na História do Sport Lisboa e Benfica. Sou mesmo de opinião que foi durante os seus mandatos e por erros da sua gestão que o "Glorioso" perdeu a hegemonia do futebol para o FCP. Teve o mérito de ter contratado Eriksson, claro, que tinha vencido a Taça UEFA com o IFK Göteborg, e isso faz parte dos seus activos, mas não soube capitalizar o regresso a uma final europeia e trocou uma grande equipa pelo aumento da capacidade do estádio quando tudo indicava o futuro pertencia já às televisões e a estádios mais pequenos e confortáveis. Para além disso, talvez ainda mais grave, estabeleceu um acordo ruinoso com o FCP de Pinto da Costa quando o SLB era ainda dominante financeira e desportivamente. Erros que ainda hoje estamos a pagar. 

Devemos-lhe, contudo, todos nós, benfiquistas, o respeito por quem tentou servir o clube o melhor que soube e com indiscutível dedicação.

A "espessura" de Seguro

António José Seguro acusa o governo de "não ser um governo de palavra", uma vez que "promete uma coisa e faz outra". Tem toda a razão o líder do PS: comparando as afirmações pré-eleitorais de Passos Coelho com a actuação do governo a que preside, a contradição é evidente e até o George W. Bush das "armas de destruição maciça" quase parece ter sido um um principiante na arte da manipulação. Mas tendo dito isto, o problema de Seguro é que sabendo nós o primeiro-ministro é mentiroso, nunca sabemos muito bem se o que diz o secretário-geral do PS é efectivamente o que ele pensa e se o que ele pensa é fruto das circunstâncias ou  tem mesmo a ver com as suas convicção e de princípios que assume, já que é perfeitamente capaz de anunciar o fim do mundo com o mesmo tom de voz e expressão com que poderia anunciar o seu contrário. Quer isto dizer que ao votarem Passos Coelho os portugueses sabem muito bem qual o (mau) "retorno de tal investimento", ao passo que se o fizerem em Seguro, podem ter o benefício da dúvida, sim, mas arriscam-se sempre a passar um cheque em branco. É que António José Seguro não tem "espessura", mas talvez tenha sido por isso mesmo que chegou a secretário-geral do partido.

Matiné de Domingo (36)

"12 Angry Men", de Sidney Lumet (1957)
Filme completo c/ legendas em inglês

A "União Nacional" de Massamá

Quero pensar - quero mesmo - que o apelo de Pedro Passos Coelho a uma "União Nacional" nada tem de desprezo pela democracia, de apelo ao esbatimento das naturais e saudáveis diferenças ideológicas e programáticas entre os portugueses. Quero pois acreditar nas convicções democráticas do primeiro-ministro e desta gente que nos governa, incluindo as do próprio Presidente da República. Quero acreditar, embora esteja longe de de assumir manifestações de fé e absolutas certezas.

Por isso mesmo, acho o que estas palavras de Passos Coelho denotam é uma enorme e escandalosa falta de conhecimentos e estudo da História das Ideias e de Cultura Política, o que não é exactamente o mesmo do que ter aprendido nas "jotas" os esgares da "petite politique", as "tricas" e a ciência das pequenas e saloias conspirações de poder das concelhias e distritais. Infelizmente, neste campo está o político de Massamá bem mal acompanhado, quer por gente da sua geração, dentro e fora do seu partido (Seguro navega nas mesmas águas), quer por gente, como Cavaco Silva, para quem esse tipo de leituras e aprendizagem deve constituir pouco menos do que um longo bocejo e enorme maçada. Se lhes juntarmos gente como Moedas e Borges, formados em escolas de excelência técnica mas onde se despreza a política ou esta passa muito ao largo, temos cozinhado o "caldo de cultura" que nos vai governando e mantendo à míngua. No fundo, talvez um curso parisiense de filosofia e ciência política não lhes fizesse assim tão mal.