Recusando-me a acreditar tudo não passa de uma birra entre adolescentes, de "catraios" ou de "gaiatos", como se diria no vernáculo "tripeiro" muito adequado para definir certo tipo de situações, não retiro nem uma linha ao raciocínio que aqui exprimi. Acontece que a estratégia de Portas não terá sido bem compreendida ou, o que é bem mais provável, não terá sido bem recebida pelos orgãos dirigentes do CDS, que não terão querido correr os riscos inerentes, e Paulo Portas viu-se assim obrigado a recuar nas suas intenções. O problema é que se a estratégia inicial de Portas comportava riscos, mas também, se bem gerida, continha potencialidades para uma afirmação do CDS como partido preferencial do voto da direita, o actual recuo arrisca-se a arrastar o CDS num muito possível processo de "pasokização" do PSD, comportando enormes riscos para a democracia e para o regime. Veremos o que nos reservam as próximas sondagens.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, julho 04, 2013
quarta-feira, julho 03, 2013
Paulo Portas e o cenário de "pasokização" da direita.
Pode Paulo Portas ser acusado, como o faz a facção mais radical dos apoiantes do actual governo moribundo, de ter pensado mais nos seus interesses e nos do partido a que preside do que num qualquer "interesse nacional" identificado com a manutenção do "status quo"? Mais devagar, e principalmente não entremos por raciocínios simplistas e redutores que só menorizam quem os produz, embora seja esse o caminho que mais favorece a ainda actual "vanguarda" dirigente.
Como qualquer general competente que vê dificilmente as suas forças conseguirão vencer a batalha em curso, desde a chamada crise da TSU, de Outubro de 2012, que Portas percebeu que o governo tinha entrado na sua curva descendente, decidindo então afastar-se dele o suficiente e tentando assim, recuando em boa ordem, salvaguardar o máximo possível do seu exército e dos seus homens, reservando-os para batalhas futuras travadas em condições mais favoráveis. Os sinais foram muitos e bem evidentes e o demolidor comunicado das associações patronais contra o governo, em conjunto com um quase-apelo à greve geral e com a aproximação entre a UGT e a CGTP, foi visto - e bem - por Paulo Portas como o toque a finados pelo governo em exercício. Faltava - tal como nos rompimentos conjugais - um pretexto, mesmo que fútil, e esse foi a nomeação de Maria Luís Albuquerque, como poderia ter sido qualquer outro. A decisão estava tomada.
Mas atenção: se esta decisão pretende salvaguardar Paulo Portas e o CDS de um desastre mais do que anunciado, tentando salvar o que resta do partido para futuras batalhas e assim prejudicando o PSD e Passos Coelho, ela tem um objectivo bem mais vasto e consequente: perante um possível cenário de "pasokisação" do PSD, que poderia arrastar consigo o CDS caso este se mantivesse em comunhão plena com Passos Coelho, evitar uma enorme crise de representação política na direita portuguesa, o que seria dramático para o regime e para a democracia. Tendo isto em atenção, embora neste momento, numa reacção primária e ainda demasiado a quente, alguns possam ver em Paulo Portas o carrasco executor do actual projecto político, a prazo, o espaço ideológico que normalmente se reconhece na direita, mas também todos os outros, à esquerda ou á direita, que se revêem no actual regime, ainda um dia se mostrarão gratos à inteligência e perspicácia políticas reveladas pelo cidadão Paulo Sacadura Cabral Portas. veremos se tenho razão.
terça-feira, julho 02, 2013
Paulo Portas: a oportunidade de uma vida
No fundo, é assim: Pedro Passos Coelho tenta a todo o custo evitar que Paulo Portas e o CDS retirem dividendos políticos e eleitorais da demissão deste último de ministro um governo impopular e sem apoio social. Com este sua atitude, bem patente na comunicação de hoje ao país, o actual líder do PSD tenta simultaneamente minimizar futuras perdas eleitorais do partido, lutando assim contra a fuga de votos dos eleitores de direita para o CDS e, simultaneamente, pela sua sobrevivência política. Mas existe uma diferença entre ambos: Passos Coelho talvez não o reconheça, mas está politicamente morto; Paulo Portas e o CDS, se gerirem bem a situação, podem ter aqui a oportunidade de uma vida.
A demissão de Paulo Portas à "vol d'oiseau"
- Estamos perante a maior derrota daquele que é talvez, enquanto político, o maior "bluff" da democracia portuguesa: Aníbal Cavaco Silva. Digamos que em função da sua actuação, presente e passada, a merece inteiramente.
- Ao decidir-se pelo arquivamento do processo contra Miguel Sousa Tavares, o Ministério Público talvez não imaginasse que o futuro próximo, apenas um par de horas depois, lhe viria a dar total razão.
- Como sempre, a política acabou por vencer a mera visão economicista e tecnocrática da governação. Só se pode espantar quem despreza ou minimiza a cultura política e o seu primado na abordagem das questões relativas ao funcionamento das sociedades.
- Já agora, e "fishing for compliments", era fácil prever.
"E pur si muove"
Quase vinte e quatro horas depois da demissão de Vítor Gaspar, o Sol continuou a nascer a leste, a Terra não parou e até os juros da dívida, apesar do esforço de alguns títulos da imprensa para demonstrarem um nexo de causalidade, não dispararam, tendo apenas sofrido esta manhã alta muito ligeira (0.08 e 0.1pp) e só nos prazos mais longos. Até na sua demissão, o mundo teima em não obedecer ao Excel de Gaspar e às previsões mais pessimistas de alguns dos seus profetas do Apocalipse, entrados de repente em luto carregado. Aguardemos.
segunda-feira, julho 01, 2013
4 pequenas notas sobre o "swap" Gaspar/Albuquerque
- Maria Luís Albuquerque, uma secretária de Estado fragilizada pelas dúvidas (ou mais do que isso) suscitadas pela sua actuação no caso dos contratos "swap", irá levar consigo essa fragilidade para um governo já de si mesmo muito fragilizado pela demissão de Vítor Gaspar e pelo descrédito dos resultados obtidos em dois anos de governação. De tudo isto apenas poderá resultar uma ainda maior debilidade desse mesmo governo. Assim sendo, a oposição tem agora a oportunidade para subir à rede e acabar o ponto com um violento "smash". Se tem agressividade suficiente para o fazer é dúvida que persiste.
- Quando um primeiro-ministro, perante a demissão de um dos membros do seu governo, apenas consegue preencher essa vaga recorrendo a um dos seus secretários de Estado, entrando assim em processo acelerado de autofagia política, demonstra urbi et orbi que a capacidade de atracção e credibilidade desse mesmo governo, mesmo perante as elites políticas e tecnocráticas, se esgotou. O sinal está dado de forma bem clara.
- Continuo a ouvir alguns "media" falarem de "remodelação governamental", revelando algum incómodo perante a saída de Vítor Gaspar. Como diria José Pacheco Pereira, "língua de pau". Na verdade, convém esclarecer que não se trata de uma remodelação, no tradicional sentido do termo, mas da demissão, a seu pedido, do número dois do governo. Faz a sua diferença.
- Focou hoje bem demonstrado para que servem os tais "briefings" diários do governo: para nada, ou melhor, não passam de uma manobra de baixo ilusionismo. Se os jornalistas - e peço desculpa pela expressão - "os tivessem no sítio", amanhã não punham lá os pés.
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