"Trova do Vento que Passa" (Manuel Alegre - Adriano Correia de Oliveira/António Portugal) - 1963
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quarta-feira, junho 05, 2013
terça-feira, junho 04, 2013
BBC "House of Cards" (4/4)
Finalmente! Com legendas em castelhano, o "Gato Maltês" apresenta (devia dizer "orgulha-se de apresentar") a 1ª parte da trilogia, produzida pela BBC, "House of Cards" (1990), "To Play the King", "The Final Cut", baseada no romance de Michael Dobbs. Sem dúvida uma das melhores séries de TV de sempre. A não perder e a ver e rever.
segunda-feira, junho 03, 2013
João César das Neves propõe o regresso ao século XIX
Deixemos de lado o apelo implícito de César das Neves para que voltemos ao século XIX e à despesa pública correspondendo a cerca de 5% do PIB, isto é, a um país sem Estado Social, saúde e ensino públicos, segurança social ausente, hospitais entregues às instituições religiosas e à caridade e as comunicações reduzidas a estradas de terra batida e comboio de Lisboa ao Carregado. Convém não se dê demasiada importância aos "tontinhos da aldeia" ou aos "bobos da corte". Mas segue César das Neves dizendo que, como estamos a falar de uma despesa pública de cerca de 50% do PIB, "existe muita gente a viver do dinheiro alheio". Como disse? Que eu saiba, esse dinheiro não é alheio a ninguém, não nasceu nas árvores plantadas por alguns proprietários: é de todos e é exactamente por isso que é ao Estado, eleito por todos os cidadãos, que compete a respectiva gestão. E é também por esse mesmo motivo que compete a esses mesmos cidadãos pedir contas ao Estado sobre o destino dado a esse dinheiro - que é de todos - o que fazem usando a sua liberdade de expressão, manifestação e capacidade eleitoral. Em última análise, e sempre que tal se justifique, também com o recurso aos tribunais, ou seja, recorrendo a todos os mecanismos que o Estado Democrático põe à sua disposição.
Mas continua César da Neves com o seu chorrilho populista de mentiras: "um padeiro sabe que depende daquilo que produz". Não é verdade. Depende disso, claro, mas o que produz depende também da capacidade da sociedade para comprar o pão que esse padeiro fabrica; da possibilidade de ter serviços de saúde que assegurem o seu bem-estar, para que possa trabalhar mais dias com maior eficácia; do Estado que lhe assegurou a formação escolar e profissional (talvez mesmo o ajudou a recorrer a financiamento com condições mais favoráveis) e, por último, da existência de caminhos públicos que lhe permitam distribuir o pão que produz ou aos compradores deslocarem-se até à sua padaria. É nisto - e em muito mais - que se traduz a complexidade dos estados e das sociedades contemporâneas civilizadas e que, pretendendo voltar ao século XIX, César das Neves não quer, quanto a mim de forma pouco honesta, compreender.
Mais à frente afirma ainda o professor (pobres alunos...) da Universidade Católica: "Um médico de um grande hospital, mesmo privado, receita exames e tratamentos que omitiria se ele ou o doente tivessem que pagar a conta". Eu, por mim, diria que ainda bem que assim é. Claro que existem demasiadas vezes exageros das prescrições médicas. Sem dúvida. Mas deixando de lado o facto do doente em causa ter contribuído para o custo desses tratamentos com o pagamento dos impostos que o Estado em devido tempo lhe exigiu, aqui está todo um programa político: tem direito a aceder à saúde quem, no momento em que se realiza o acto médico, tiver dinheiro para o pagar. Assim mesmo, de forma nua e crua.
No fundo, estas afirmações de João César das Neves, ás quais muitos responderão com o encolher de ombros destinado a quem não se pode levar muito a sério, acabam por sintetizar na perfeição o pensamento da direita ultraliberal actualmente dominante na Europa e no país. É bom que se levem mesmo a sério e tenhamos bem consciência do perigo que representam.
BBC "House of Cards" (3/4)
Finalmente! Com legendas em castelhano, o "Gato Maltês" apresenta (devia dizer "orgulha-se de apresentar") a 1ª parte da trilogia, produzida pela BBC, "House of Cards" (1990), "To Play the King", "The Final Cut", baseada no romance de Michael Dobbs. Sem dúvida uma das melhores séries de TV de sempre. A não perder e a ver e rever.
domingo, junho 02, 2013
Do fracasso da mobilização popular
É inútil negar que as últimas movimentações populares contra o governo e a actual política de empobrecimento se saldaram por rotundos fracassos. E não vale sequer a pena invocar desculpas estúpidas como o bom tempo para a praia, ou mais razoáveis como algum cansaço e medo instalados, para os justificar, já que desde o 25 de Abril os portugueses sempre se movimentaram, inclusivamente quando das recentes manifestações contra o agravamento da TSU, sempre que acharam com tal acção conseguiam mudar a sua vida "para melhor". Exactamente por isso, parece-me que a verdadeira causa que explica a fraca mobilização popular mais recente terá exactamente a ver com a convicção assumida da sua impotência: as pessoas não saem à rua porque acham, talvez até com razão, que uma alternativa ao actual "estado de coisas" não é evidente e, portanto, este tipo de protestos de rua pouco ou nada contribuem para uma melhoria significativa das suas condições de vida. Porque reconhecem o país pode pouco contra a actual política recessiva europeia e não vêem possibilidades de levar a cabo uma verdadeira acção internacional concertada? Talvez... Mas também porque não conseguem ver no actual regime, entre o radicalismo do BE, o marxismo-leninismo do PCP e uma social-democracia e uma democracia cristã a quem, tendo governado durante os últimos 35 anos, responsabilizam por o que consideram ser (muitas vezes sem razão) o fracasso da democracia, uma alternativa pela qual valha a pena lutar. Este é o drama, mas também a responsabilidade política e social que podemos assacar aos dirigentes do país dos últimos anos vinte anos.
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