No futebol português, quando se fala dos grandes clubes, das selecções e dos seus fracassos, responsabiliza-se-se a "estrutura", ou seja, a hierarquia e a organização que comandam e precedem a área técnica do futebol profissional. Percebe-se porquê: numa indústria da qual quase todos esperam benesses, seja um notícia em primeira mão ou colocada "a pedido", um qualquer lugar na tal "estrutura" de um desses clubes ou na FPF, uma vaga como comentador das TVs (e aí cuidado, não se vá desagradar a "quem manda") ou no próximo "site" sobre desporto, é melhor ter cuidado, e a "estrutura" é um lugar anónimo e suficiente difuso para não comprometer demasiado quem a nomeia nem desagradar directamente a ninguém. Claro que neste momento de decisões da vida do meu clube, a questão da tal "estrutura" não poderia deixar de vir "à baila", citada por muitos jornalistas e comentadores como causadora de todos ou quase todos os problemas que levaram se passassem quatro anos com apenas com um título de campeão e uma última época sem qualquer conquista e com um final desastroso. Mas, não conhecendo "por dentro" o clube e a tal "estrutura", deixem-me colocar algumas questões:
- Por acaso é a tal "estrutura" responsável por um modelo de jogo tremendamente desgastante e pelo facto da equipa acabar sempre as épocas física e mentalmente de rastos?
- Por acaso é também tal "estrutura" que impede a equipa de saber gerir adequadamente todos os tempos e ritmos de jogo, sabendo guardar a bola e resguardar-se quando necessário?
- É essa estrutura responsável pela desastrada e desastrosa comunicação do seu treinador nas conferências de imprensa? Claro que me dirão estas podem ser sempre devidamente preparadas, mas se tal pode ser verdade relativamente a entrevistas de fundo, não me parece isso possa acontecer nas conferências de imprensa após os jogos, onde é quase impossível evitar que o treinador tenha ampla liberdade para dizer de sua própria justiça. Além disso, não me parece Jorge Jesus seja muito do género de, nesse aspecto, se cingir à "rédea curta".
- Será também tal "estrutura" responsável por treinador e presidente mandarem recados um ao outro, em público, sobre a renovação do contrato daquele, entre a sala de imprensa e a "zona mista", depois de uma final europeia perdida?
- Será também a tão falada "estrutura" responsável por uma final da Taça de Portugal autenticamente gerida, do ponto de vista técnico, "com os pés"? Onde, por exemplo (e é apenas um exemplo), se colocou a defesa-esquerdo, contra um limitadíssimo VSC, um jogador sem pé esquerdo e, por isso mesmo, incapaz de dar profundidade ao flanco?
Não nego existam questões do foro da condução e gestão do grupo de trabalho - disciplinares, recursos humanos (contratações e dispensas), motivacionais, responsabilidades para com o espectáculo e os adeptos, etc - em que uma competente e profissional "estrutura" não possa fazer a diferença. No caso do SLB, uma tal "estrutura" teria talvez evitado o encontrão de Luisão ao árbitro no início da época, a triste figura após a final da Taça de Portugal e até talvez a questão da renovação do contrato com o treinador fosse tão mal gerida. Mas ponto final. Adaptando a frase de Karl Marx, a cada um segundo as suas responsabilidades. Está bem?