- Claro que o que vou dizer é totalmente especulativo, mas fiquei ontem com a sensação de que seria mais fácil para uma muito boa equipa que jogasse no contraste, que fizesse da "posse" e circulação de bola o seu modelo de jogo, eliminar o Borussia, em vez de um Real Madrid que faz das transições rápidas, das cavalgadas pelos flancos, de um futebol muito físico e dos passes longos e tensos o modelo em que assenta o seu jogo. Acho até que Mourinho percebeu isso e fez alinhar Modric, que é essencialmente um jogador que gosta de ter bola e de a fazer circular. Mas, claro, esse não é o modelo dos "merengues" e, assim sendo, Modric, mesmo possibilitando à equipa algumas nuances no modo como joga, parece ser quase sempre uma peça que encaixa mal naquele mecanismo. Pode alguém ser quem não é?
- Durante a estada de José Mourinho no Santiago Bernabéu os jogos do Real Madrid passaram a ser, para os portugueses, uma espécie de Portugal - Espanha dos tempos do "hóquei patriótico". Só que, oh ironia das ironias, o Madrid passou a ocupar o lugar que antes pertencia a Portugal e os seus adversários o de Espanha. Não deixa de ser curioso.
- Já o disse neste "blog": José Mourinho, com o seu estilo de gestão desafiante e pelo conflito, de ruptura, parece-me ser um treinador mais adequado a um "challenger" (como o Chelsea, por exemplo, ou até como o Internazionale, o PSG ou até mesmo o FCP da linha ideológica Pedroto/Pinto da Costa) do que para "aristocratas" do futebol como o são o Real Madrid, o Manchester United, o A. C. Milan ou o Bayern. Em qualquer destes clubes será sempre alguém incomodado com regras que não são as suas.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quarta-feira, maio 01, 2013
A eliminação do Real Madrid
"Eu não fui eleito coisíssima nenhuma"
A desrespeitosa resposta (para com a deputada Ana Drago e para com a Assembleia da República) de Vítor Gaspar ("eu não fui eleito coisíssima nenhuma") sobre um dos maiores escândalos do regime (talvez mesmo o maior depois do caso BPN) põe a nu um problema fundamental da democracia portuguesa: o facto de, ao contrário do que acontece no Reino Unido (por exemplo), poderem ocupar lugares no governo personalidades não eleitas, que assim se eximem ao escrutínio democrático dos cidadãos. Só isso explica e permite a resposta arrogante de Vítor Gaspar, alguém para quem a democracia é um empecilho que fragiliza a actuação ministerial em vez de a fortalecer por via do mandato obtido.
"Abrir os partidos à sociedade", aos não-militantes (embora qualquer cidadão possa livremente aderir e ser militante do partido do qual se sente mais próximo e assim participar activamente na sua vida interna e externa) , pode ter a sua importância política, não o nego, mas acontece muitas vezes parte importante da solução estar bem mais próxima do que à primeira vista pode parecer. Talvez não fosse mau começar por aí, colocando como condição prévia à ocupação de um lugar no governo o ter sido eleito deputado pelos cidadãos-eleitores deste país.
terça-feira, abril 30, 2013
Siameses
Há uma coisa que PSD e PS parecem ainda não ter percebido: as "trapalhadas", os "escândalos" e as situações pouco claras em que cada um dos partidos se envolve acabam sempre por atingir o outro e, sendo ambos partidos estruturais da democracia, vão minando o próprio regime. Será assim tão difícil os seus dirigentes entenderem isto ou também preferem que lhes faça um desenho?
Os adeptos do Sporting e o CS Marítimo - SLB
Sendo o CS Marítimo adversário directo do SCP na luta por um lugar na Liga Europa, e por isso mesmo sendo conveniente para este último a vitória do SLB na Madeira, não encontrei um único adepto do SCP que não desejasse fosse o SLB a perder pontos nesse jogo. Ok, já sei me vão dizer que o SLB é o grande rival do clube de Alvalade e, sendo assim, estrategicamente seria desejável a sua derrota no campeonato, evitando o seu fortalecimento enquanto velho rival. Vistas curtas e insistência nos erros que trouxeram o clube à beira da extinção: não tendo qualquer hipótese de competir com SLB e FCP nos próximos anos, o objectivo estratégico do SCP é conseguir estancar ou reverter a actual situação financeira do clube e recuperar algum do valor não tangível e élan perdidos, sendo que, por ambos os motivos, a participação na Liga Europa, até pela visibilidade que permite dar a alguns talentos emergentes, seria de extrema importância. Mas o futebol, antes de negócio e indústria, é terreno de domínio das emoções. Que fazem o seu encanto, mas também, quando se sobrepõem a tudo o resto, se costumam pagar caro.
segunda-feira, abril 29, 2013
domingo, abril 28, 2013
Seguro e as eleições
Se existe uma linha de continuidade no guião político de António José Seguro ela é a tentativa de chegar ao poder o mais cedo possível, mesmo que para tal tenha de seguir uma política ziguezagueante e dar primado ao tacticismo. Primeiro, foi a tentativa de o fazer, mesmo que por interposto "governo de iniciativa presidencial", colando-se a Cavaco Silva. Depois, um pedido de eleições antecipadas sem que se vislumbrasse estarem reunidas condições para a queda do governo. Agora, no congresso, um terceiro ou quarto remake" dos Estados Gerais, um pedido extemporâneo de maioria absoluta e uma ideia de futura coligação governamental sem que existam indicações consistentes de que a actual legislatura possa não chegar ao fim. No fundo, percebe-se esta permanente fuga para a frente de Seguro: sabe é um líder fraco (o que, aliás, é bem visível na sua cedência aos sindicatos eleitorais locais na nomeação dos candidatos do partido às próximas eleições autárquicas) e, por isso, quanto mais tarde forem as próximas eleições menos probabilidades terá vir a ser primeiro-ministro.
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