sexta-feira, janeiro 04, 2013

Friday midnight movie (23) - Grindhouse/Slasher (III)

"The Hills Have Eyes", de Wes Craven (1977)
Filme completo c/ legendas em português

História(s) da Música Popular (206)

The Crystals (ou Darlene Love & The Blossoms) - "He's A Rebel"

Phil Spector (VI)

Bom, a história, ou a "trafulhice", é das mais conhecidas da música popular, e eu próprio já a contei por aqui uma vez: "encontrando-se as Crystals em LA e Spector em NY, nada melhor do que gravar quanto antes com Darlene Love e as Blossoms, uma vez que teria chegado aos ouvidos do nosso bom amigo Phil que Vicky Carr se preparava para gravar o tema. E como nos negócios “tempo é dinheiro”, nada melhor que usar o que se tem mais à mão. E se bem o pensou, melhor o fez, claro.

Bom, o problema, o pequeno problema, é que a partir daí “He’s a Rebel” teve de passar a fazer parte do repertório “ao vivo” do grupo e a voz de Barbara Alston nada tinha a ver com o registo de Darlene Love. Mas como neste mundo, e principalmente para Spector, tudo tem uma solução, “La La” Brooks passou de imediato a lead singer".

Mas voltemos um pouco atrás... Phil Spector tinha produzido já um dos temas de Gene Pitney, "Every Breath I Take", e alguém lhe terá soprado qualquer coisa sobre "He's a Rebel", uma composição de Pitney. E pronto, foi assim, e por isso, que Phil passou das palavras aos actos, em boa hora pois o tema chegou rapidamente a #1 corria o ano de 1962. Crystals ou Blossoms pouco importa, já que de "trafulhices" destas também se fazem as histórias da música popular, do "rock & roll" e de Spector em particular.

O PS e a sua estratégia "me too"

PS com as mesmas dúvidas de Cavaco Silva


Nem mais uma nem menos uma? Nem sequer uma simples vírgula? E na redacção? Seguem ambos o novo acordo ortográfico? Mais a sério... Estamos perante um clara e assumida colagem ao Presidente da República (que, aliás, não é de agora, mas tem marcado a liderança de António José Seguro), um exemplo de falta de autonomia programática ou um simples sinal de cobardia política receando o Tribunal Constitucional reconheça validade às dúvidas de Cavaco Silva e a recusasse a  quaisquer questões adicionais  que o PS eventualmente pudesse vir a colocar? No jargão empresarial denomina-se esta estratégia de "me too", apanágio de quem não aspira à liderança mas tenta conquistar uma quota de mercado secundária seguindo na esteira do líder. Digamos que estamos perante uma estratégia que nunca perde, mas também pouco ou nada ganha: se o Tribunal Constitucional declarar a conformidade das normas em análise com a Constituição da República o derrotado maior será sempre Cavaco Silva. Mas no caso contrário, isto é, decretada a inconstitucionalidade de tais normas, nada mais restará ao Partido Socialista do que colocar-se em "bicos de pés" e gritar o mais alto que puder: "me too, me too". Poucos o ouvirão.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Patti Page (1927 - 2013)

Patti Page - "(How Much Is) That Doggie in the Window"

Texto publicado neste "blog" a 5 de Janeiro de 2010 a propósito do capitulo dedicado à "bubblegum music" e incluído na rubrica "História(s) da Música Popular".

"Mastigar e deitar fora? Talvez, mas já alguém imaginou o prazer que nos dava enquanto mastigávamos, fazíamos balões (os mais talentosos) e mesmo quando, bem a propósito, cuspíamos ou as guardávamos sob o tampo das carteiras para o intervalo seguinte? Ou quando as comprávamos antes de entrar na sala de cinema no tempo em que estes tinham bar e bengaleiro? Quem se atreve, portanto, a dizer mal desses prazeres simples que povoavam e preenchiam a nossa adolescência? Mas o que é facto é que a "bubblegum music" (ou as "bubblegum songs"), simples, repetitiva, por vezes até um pouco acéfala, obra de produtores e muitas vezes de medíocres músicos de estúdio, não foi assim cuspida com tanta facilidade e desprendimento. Agarrou-se à sola dos nossos sapatos, até hoje, e – “morra quem se negue” - continua a dar-nos (ou a dar-me) prazer igual àquele da primeira dentada quebrando a capa de açucar com mais ou menos “peppermint flavour”. E, desculpem lá os puristas, é perfeitamente possível gostar simultaneamente de Wagner e dos Ohio Express - dar-nos gozo diferente mas semelhante - tanto como o é usar com prazer uns sapatos Church ou umas havaianas nos tempos livres. A “bubblegum music”, para grande raiva dos “snobs”, tornou-se um clássico e os verdadeiros clássicos são a antítese daqueles a quem a nobreza (qualquer nobreza) nunca tocou. Melhor ainda, tornou-se provocatória das boas consciências e dos guardiões do conservadorismo. 

 Há quem diga que o verdadeiro percursor da “bubblegum music” terá sido este tema de Patti Page, (“How Much is) That Doggie in the Window”, de 1952. Vamos admitir que sim, que foi ele o percursor dos Ohio Express, dos Royal Guardsmen, dos 1910 Fruitgum Company, dos Archies, etc, etc. Mas quantos grupos pop/rock dos anos 60, normalmente não incluídos nos clássicos do género, se deixaram seduzir, aqui a ali, pela música de mastigar e deitar fora mas que se colou a nós até hoje? Mais, pergunto: não seria, não foi, o "rock and roll" – todo ele - expressão importante da cultura adolescente e da ruptura com o passado? Apetece-me, pois, lançar daqui um grito de libertação. Viva a "bubblegum" e abaixo as más consciências!!!"

"When I Woke Up This Morning" - original blues classics (31)

Robert Johnson - "When You Got A Good Friend"

quarta-feira, janeiro 02, 2013

4ªs feiras, 18.15h (15) - Sword & Sandals (II)

"Gli Ultimi Giorni Di Pompei", de Mario Bonnard e Sergio Leone (1959)
Filme completo c/ legendas em português

Ainda o Moreirense - SLB e a tal "falta de empenho"

Estou farto de ouvir dizer a jornalistas e comentadores desportivos, quando um dos "grandes" joga contra um dos chamados clubes "pequenos" e este lhe causa problemas, que é tudo ou quase tudo uma questão de "atitude" (dos "grandes", entenda-se), de "empenho", tentando assim tais jornalistas e comentadores mascarar a sua falta de conhecimentos sobre o jogo e sobre o modo como ele se está a disputar. Claro que no Moreirense - SLB do passado domingo tal veio de novo à baila perante as dificuldades sentidas pelo "Glorioso" e o empate dificilmente conquistado (sim, acabou por ser uma conquista).

Mas o problema não foi a falta de "entrega" ou a ausência de "empenho", como se tornou perfeitamente visível a quem esteve mais atento. O problema foi que o Moreirense conseguiu neutralizar um dos princípios básicos de jogo do SLB - as transições pelos flancos - o que fez emperrar todo o jogo atacante benfiquista e, pelas compensações tentadas com o adiantamento da defesa e uma menor atenção de todos os jogadores às missões defensivas na ânsia de chegar ao golo, acabou também por facilitar o contra-ataque de Moreira de Cónegos. Expliquemo-nos... 

Jogando em 4x4x2 e, portanto, não jogando com um "10" tradicional, puro "construtor de jogo" (Enzo Perez não joga como tal), quando as transições pelas alas emperram o SLB sente normalmente maiores dificuldades no seu jogo atacante. Esse, aliás, foi um dos problemas da equipa na época passada, quando não tinha Ola John e Salvio e na esquerda tinha um tal Emerson. Percebendo isso em Moreira de Cónegos e tendo já Salvio e Ola John em campo, não tendo portanto hipótese de melhorar muito o problema com as substituições, a dado passo Jorge Jesus optou por um tipo de estratégia "contra-natura": povoou a área contrária de pontas de lança tirando tirar partido desse sobre-povoamento e do jogo directo. Acabou por resultar, perante alguma "surménage" que essa opção causou aos jogadores do Moreirense e que levou um deles a cometer um "penalty" evitável.   

Um "Tide" chamado "Downton Abbey"

Custa ver tanto dinheiro e tanto trabalho de produção desperdiçado numa historieta tipo "folhetim do Tide" ou da "coxinha", termos que usávamos, na minha já longínqua infância, para designar um dos primeiros teatros radiofónicos populares a ser emitido em Portugal. Infelizmente é verdade, e esta última "temporada" só o veio confirmar: "Downton Abbey" não é mais do que um romance de Corín Tellado embrulhado em papel de luxo, "trompe d'öeil" das boas séries de época inglesas. Acresce-lhe uma péssima direcção de actores, que mais parecem marionetas, mas convenhamos que o modo com Julian Fellowes (o autor da série) resolve a não renovação de contrato por parte da Dan Stevens (Matthew Crawley), matando-o no dia do nascimento do seu filho e herdeiro dos Crawley, apenas contribui para uma maior descredibilização da série. Ontem, no final, senti alguma vergonha por me ter tornado um espectador fiel.


Já agora: penso que irá existir uma nova temporada e, a acontecer tal coisa, se de cada vez que alguém fica de "esperanças" morre o bebé, a mãe ou o pai da criança, acho melhor passem todos a recorrer a métodos anti-conceptivos, que suponho já existiam na época.

5 notas 5 sobre a Mensagem de Ano Novo do Presidente da República

  1. Quem se der ao trabalho de ler ou ouvir com atenção a mensagem de Ano Novo do Presidente da República verá que toda ela é construída com um objectivo principal: conseguir um aumento significativo dos seus índices de popularidade em futuras sondagens. Está lá tudo o que é caro a uma larga maioria da opinião pública: a preocupação com o crescimento económico e o risco de uma espiral recessiva; o desemprego, especialmente dos jovens; a necessidade de conseguir crédito em melhores condições, fazendo ouvir a voz do país na União Europeia; o apelo à unidade, ao "diálogo" e ao "consenso", sempre tão do agrado aos portugueses; a preocupação com a equidade dos sacrifícios; o envio de algumas normas do Orçamento de estado para fiscalização constitucional. Que, no seu conjunto, não se vislumbre qualquer outro tipo de coerência política entre os elementos que constituem esta sua mensagem, é outra questão bem diferente, como também ignoramos se este "piscar de olho" à opinião pública se destina a fortalecer a instituição presidencial e o actual ocupante do cargo no início de um ano que se apresenta como muito difícil e pode vir a tornar-se dramático. Digamos que os "crentes" tenderão a acreditar em tal coisa. Eu, que desde longínquos tempos de relação aluno/professor não nutro por Cavaco Silva particular entusiasmo, tendo a acreditar ser mais uma questão de ego.
  2. Incongruência? Não tanto por ter dúvidas sobre a constitucionalidade do Orçamento de Estado e não ter optado pela fiscalização preventiva: enfim, algumas normas serão enviadas para fiscalização sucessiva e o facto de o Presidente da República o fazer, e não só os deputados, dará ao acto força política acrescida. Fundamentalmente por, e a levar a sério a sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva se manifestar contra a política recessiva, a equidade questionável nos sacrifícios, o desemprego jovem, a pobreza e o agravamento das divisões entre os portugueses e promulgar um orçamento que todos sabemos irá agravar tudo isso. Para ser coerente, e aqui estou de acordo com o PCP e o BE - acontece - Cavaco Silva deveria ter exercido o seu direito de veto político.
  3. Cavaco Silva faz-me lembrar a história do Dr. Frankenstein e do monstro: criou laboriosamente este governo que desde sempre tende a fugir-lhe ao controlo. Falhou-lhe Ferreira Leite.
  4. Governo de iniciativa presidencial no horizonte, seja lá o que isso for? Pelo que conheço de Cavaco Silva e pelo que todos aprendemos com a sua já longa vida de governante, quererá sempre pairar sobre a política como um não-político e, portanto, não me parece arrisque um envolvimento desse tipo. Irá navegar à "vista", esforçando-se por se manter à tona. É da sua natureza e é isso que sabe fazer bem.
  5. Será bem mais interessante ver qual o impacto que esta mensagem do Presidente da República terá na actuação política do PS nos próximos meses do que propriamente pensar nos reflexos ela irá no governo. Neste último, arrisco que nenhuns; mas o mesmo já não direi em relação ao PS, onde me parece constituirá mais um fio na teia onde a direcção do partido teima em enredar-se.