terça-feira, dezembro 04, 2012

A RTP e a "Angola connection"

Tendo em atenção as conhecidas ligações de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Ângelo Correia e Alberto da Ponte à chamada "Angola connection", e dadas as ausências de liberdade de expressão e iniciativa empresarial nesse país, a confirmar-se a venda de 49%, com o Estado no papel de "silent partner" e "facilitador" abdicando da respectiva gestão, do grupo RTP à Cofina, alanvacada pelo grupo angolano Newshold, ou seja, pelo próprio Estado angolano, estamos perante aquele que pode vir a ser um dos maiores, se não mesmo o maior escândalo da democracia portuguesa.

Fico a aguardar a posição do PS em relação ao negócio, mas suspeito a resposta seja o silêncio. Ensurdecedor, pois claro.

British Beat Before The Beatles (5)

Johnny Kid & The Pirates - "Please Don't Touch" (1959)

segunda-feira, dezembro 03, 2012

The Saturday Evening Post Xmas (IV série - 1)

Norman Rockwell

The One & Only Rolling Stones (4/4)

Documentário da BBC (2003)

RTP: "tirar o Estado das empresas"?


Não sei se estou a perceber bem, mas o que me parece é que o comprador (por certo um grupo de investidores "amigo", talvez com ligações à "Angola connection"), tendo apenas de desembolsar um pouco menos de metade do valor do grupo de empresas, fica efectivamente a "mandar" no negócio e ao Estado resta o papel de "silent partner" e de eventual "facilitador" quando isso der jeito? Será assim que se pretende "tirar o Estado das empresas" ou esta é mais uma daquelas tentativas "toca e foge" a que o governo nos vem habituando?

Das razões do sucesso do "Banco Alimentar"

Independentemente dos méritos de gestora e relações públicas de Isabel Jonet, existem duas facetas fundamentais e independentes da sua presidente que estiveram na base do sucesso do Banco Alimentar Contra a Fome:
  1. Em primeiro lugar o facto da contribuição ser em géneros, em produtos alimentares, logo, destinados a combater a "fome" (cujo objectivo, aliás, está inscrito no próprio nome da instituição, reforçando o fim a que se destina), sempre tida, a par com a doença, como "o maior flagelo da humanidade". Ao contrário das contribuições em dinheiro, que podem ser aplicadas consoante a vontade ou as necessidades dos destinatários, neste caso o "dador" sabe, à partida, a que tipo de ajuda o seu donativo se irá destinar. Para além disso, existe na sociedade portuguesa (pelo menos, na portuguesa) uma tradição, muito judaico-cristã, assistencialista, da "sopa dos pobres" e de nojo ao dinheiro, não poucas vezes ligado à ideia que poderá ser gasto "na taberna" ou esbanjado sabe-se lá onde: vinho, jogo, mulheres, isto é, coisas ligadas ao vício pagão e não à virtude cristã. Isto para não falar dos "pobres ao cuidado de cada família", que nos batiam à porta com regularidade e aos quais de dava habitualmente como esmola roupa e comida. Assim existia a garantia da "genuinidade" da pobreza. Independentemente dos méritos da sua acção - que os tem - é toda esta tradição e valores que o Banco Alimentar recupera, adaptando-a à contemporaneidade. 
  2. Depois, a metodologia utilizada, de recolha nos supermercados, locais de enorme concentração (por alguma razão políticos em campanha privilegiam mercados e feiras), com voluntários muito jovens e quase sempre em número excessivo face ao trabalho necessário, com pilhas de produtos doados colocados à porta já prontos para serem distribuídos, dá enorme visibilidade e um certo ar de "festa" à acção, potenciando a sua mediatização televisiva e quase "forçando" os cidadãos a contribuir (será uma quase vergonha se alguém não alinhar com a maioria numa causa tida por justa a altruísta). Digamos que, tal como as reuniões femininas definem o conceito "Tupperware" e fizeram o êxito da marca, é a recolha nos supermercados e o modo como é efectuada que definem o conceito "Banco Alimentar",a sua "uniqueness", e muito contribuíram para o sucesso da instituição. Pena que Isabel Jonet, que não foi a criadora do conceito mas terá tido a sua quota-parte de mérito no desenvolvimento da instituição, se sirva de uma marca de indiscutível sucesso e de meritória actividade para a sua militância política. Mas isso são já "outros quinhentos"... 
Nota: os responsáveis pela comunicação do Banco Alimentar Contra a Fome fizeram este fim de semana um excelente trabalho, conseguindo minimizar os efeitos das (no mínimo) polémicas declarações anteriores de Isabel Jonet.

domingo, dezembro 02, 2012

The One & Only Rolling Stones (3/4)

Documentário da BBC (2003)

PCP e BE: pode alguém ser quem não é?


Ou seja, como verdadeiro partido marxista-leninista que nunca deixou de ser, temos aqui mais um bom exemplo do "frentismo" hegemonizado pela classe operária e pelo seu partido, que vem desde os tempos do MUD, passando pelo MDP e pelas tentativas de criar, durante o PREC, o então chamado PBX ("Partido Berdadeiramente Xuxialista"). Perante isto, o Bloco de Esquerda continua também ele prisioneiro da "grande unidade das forças de esquerda", tão cara ao "trotskismo" ou pelo menos a algumas das suas correntes, oferecendo-se em holocausto para o papel de "capuchinho vermelho", mas sem final feliz, engolido pelo Lobo Mau do costume. E para que tudo fique ainda mais igual, temos da parte do PCP a catilinária  habitual expressa no "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" ou no "Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista"), cujo papel deixou de ser assumido pelos grupos maoístas e pelo PRP-BR de antanho e passou agora para os "indignados" e "ofícios correlativos". Digamos que nos tempos que vão correndo, e - arrisco - nos que hão-de chegar num futuro previsível, tudo isto é demasiado ridículo e de uma inutilidade absoluta. E, passados os "salad days" de muitos, já nem divertido é...

Matiné de Domingo (4)

"Les Girls", de George Cukor (1957)
Filme completo c/ legendas em português