Documentário da BBC (2003)
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sábado, dezembro 01, 2012
sexta-feira, novembro 30, 2012
Zorrinho e a "carta-aberta"
É óbvio que Mário Soares, apesar dos demasiados "faux pas" do seu percurso recente, e alguns dos signatários da "carta-aberta" a pedir a demissão do governo (não direi todos) estão mortos de saber quais a disposições constitucionais que podem levar à demissão de um governo. Sabem também que "cartas abertas" e outras quaisquer petições do mesmo teor não estão entre essas disposições constitucionais e que o actual governo, apesar de ter chegado ao poder escudado numa conspiração presidencial e apoiado na maior fraude programática de que há memória na democracia portuguesa, continua a ter legitimidade democrática. Por isso, o que Mário Soares e os restantes signatários pretendem com esta sua acção é, pois, numa acção legítima e legal, concorde-se ou não e eu não simpatizo demasiado com tais iniciativas, minar o terreno da acção governativa, contribuir para ampliar na sociedade portuguesa a contestação anti-governamental, radicalizando-a, pressionar a acção do Presidente da República em relação ao orçamento de Estado de 2013 e ao tal corte de quatro mil milhões e, last but not least, tentar empurrar o Partido Socialista para uma oposição mais consequente. Que a direita mais radical e "tea partyana" interprete o documento à letra e reaja em conformidade, faz parte do seu ADN, que nunca primou pela inteligência nem pactuou com pensamentos demasiado elaborados. Que Carlos Zorrinho reaja de igual modo já é bem mais triste e sintomático de que vale a actual direcção do PS e do incómodo que tal "carta aberta" lhe terá causado. É que mais valia, tout simplement, ter optado por responder: "touché"!
quinta-feira, novembro 29, 2012
A inoportunidade de uma entrevista
Perante a perspectiva de conceder ontem uma entrevista a uma estação de televisão, Passos Coelho tinha duas alternativas para demonstrar ser um político inteligente: aproveitar a oportunidade para tentar ampliar um pouco a debilitada base social de apoio do seu governo, ou pelo menos conseguir alargar o grupo dos que se assumem como mais ou menos "neutros", conseguindo demonstrar aos portugueses existir algum capital de esperança ou ténues perspectivas de prosperidade futura, ou, pura e simplesmente, ficar calado e optar por não fazer, neste momento, quaisquer declarações. Não optou por qualquer delas e afundou ainda mais os portugueses no desespero, contribuindo com essa sua atitude para mergulhar mais um pouco o país na recessão. Demonstrou, deste modo, completa de ausência de clarividência e tacto político. Pior é sempre possível, mas foi de facto muito mau.
quarta-feira, novembro 28, 2012
Pedro Passos Coelho: um retrato de incapacidade política
Um dia após a aprovação de um orçamento de Estado que até nas fileiras da maioria é contestado e no qual parece apenas uma parte do governo se revê, a entrevista de Pedro Passos Coelho à TVI constituía uma excelente oportunidade para este conseguir algum crédito para si e para o governo que dirige junto dos portugueses, apresentando perspectivas que pudessem diminuir o ambiente de tensão e tentassem aligeirar as nuvens negras existentes. O resultado foi exactamente o contrário: a oportunidade foi desaproveitada e nem nas hostes dos comentadores normalmente mais simpáticos para o governo, talvez apenas com excepção de um ou outro ideologicamente mais radical, Passos Coelho conseguiu obter crédito acrescido. Muito menos tal terá sido conseguido junto dos cidadãos, aos quais, isso sim, foram prometidos mais "cortes" e a eternização dos sacrifícios. Inépcia comunicacional? Não: pura e simples incapacidade política.
O "empobrecimento" veio para ficar
Para os que ainda tinham dúvidas... A redução dos salários destina-se fundamentalmente a tornar a economia portuguesa mais competitiva para que assim possa voltar a crescer? Seria demasiado estúpido, mesmo para a actual maioria governativa, já que está mais do que provado nunca poderá ser esse o caminho e os ganhos de competitividade obtidos desse modo serão pouco ou nada mais do que marginais. No fundo, trata-se tão só de diminuir o rendimento disponível das famílias e assim "encolher" o nível de actividade económica para que a redução das importações possa equilibrar as contas com o exterior. O "empobrecimento" será pois estrutural, o que significa veio mesmo para ficar.
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