domingo, novembro 04, 2012

É isso mesmo, Drª Ferreira Leite!

"O projecto europeu não tinha isto subjacente, da ajuda aos pobrezinhos. Tinha subjacente a ideia de que todos em conjunto desenvolviam políticas de desenvolvimento, em que cada um passaria a ter acesso a aspectos básicos como a saúde, a educação, a habitação. Esse é o projecto europeu, é esse projecto que se ruir põe, com certeza, questões graves à democracia", sustentou Manuela Ferreira Leite. 

Ora nem mais, dizia um dos meus avôs quando concordava com alguma coisa que um dos netos dizia. E é esse mesmo tipo de concordância que agora expresso para com Ferreira Leite e que há dois dias, neste "post", já tinha tentado explicar quando afirmava, referindo-me aos governos, que me "estava nas tintas" para que tivessem ou não a chamada "sensibilidade social" e que o que queria era "um Estado e governos que, por ideologia e convicção, assumam e implementem políticas que tornem o país mais desenvolvido e mais igualitário, mais culto e instruído, mais solidário sem perda do individualismo e da livre iniciativa de cada um, que elimine a pobreza, que dê oportunidades aos cidadãos - mesmo àqueles que têm problemas graves - para desenvolverem todas as suas potencialidades e capacidades, que premeie os melhores sem deixar de permitir que todos progridam".

Digamos que foi uma plataforma deste tipo que esteve na base do desenvolvimento da nossa democracia e da integração europeia que a consolidou, congregando à sua volta pelo menos 80% dos portugueses. Fez bem Ferreira Leite em a ter recordado, tão esquecido ela anda e tão posta em causa tem vindo a ser pelas "vanguardas iluminadas" do ultra-liberalismo.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Friday midnight movie (14) - Gothic (II)

"The Devil Rides Out", de Terence Fisher (1968)
Filme completo c/ legendas em português

A resposta "dura"

O facto de o Partido Socialista se ter visto na necessidade de deixar escapar uma "inconfidência" sobre o tom "duro" da carta/resposta de António José Seguro à proposta de Passos Coelho para uma "refundação" do MoU diz bem do desconforto do partido face ao assunto, da insegurança da direcção de Seguro e da dificuldade que o PS tem tido em definir, ao longo deste tempo, uma linha política única e coerente face à crise da dívida e à "austeridade". Prova também que as dificuldades da direcção de Seguro não advêm apenas do facto de ter assinado e estar comprometido com o MoU; elas são bem mais profundas, estruturais e têm uma conotação ideológica bem determinada. 

Dylan & Byrds (2)

Bob Dylan - "Spanish Harlem Incident". Do álbum Another Side Of Bob Dylan (Agosto de 1964)

A versão dos Byrds, incluída no seu primeiro álbum Mr. Tambourine Man (Junho de 1965) 

"Sensibilidade social"?

Eu estou-me nas tintas para que um governo tenha "sensibilidade social". Essa tal "sensibilidade social" tem demasiado a ver com a "caridade", com as instituições de solidariedade social, com os Bancos Alimentares e organizações semelhantes que desenvolvem uma actividade meritória mas que deverá ser sempre supletiva - e quanto mais o for, melhor. Essas organizações não são o Estado, não lhes compete definir e implementar políticas, não representam os cidadãos e a sua vontade democraticamente expressa. O que eu quero é um Estado e governos que, por ideologia e convicção, assumam e implementem políticas que tornem o país mais desenvolvido e mais igualitário, mais culto e instruído, mais solidário sem perda do individualismo e da livre iniciativa de cada um, que elimine a pobreza, que dê oportunidades aos cidadãos - mesmo àqueles que têm problemas graves - para desenvolverem todas as suas potencialidades e capacidades, que premeie os melhores sem deixar de permitir que todos progridam. E não quero que isso aconteça pelo facto do governo ter "sensibilidade social", gostar de proteger os "pobrezinhos" ou os "mais "desfavorecidos, mas por achar que essa é a concepção política-base correcta, aquela a que os portugueses devem ter direito e que deve ser perfilhada para fazer do país um lugar decente e civilizado para os portugueses viverem. Pode parecer que não, mas são duas coisas muito diferentes.

"Refundação"? "Nuts"!

Já que tenho comparado (aqui e aqui) esta história da "refundação" do MoU com a Contra-Ofensiva ou Batalha das Ardenas, com o governo a fazer o papel da Wehrmacht (atenção aos espíritos mais sensíveis, não estou a chamar nazi ao governo, já que nem a Wehrmacht era, em bom rigor e no seu todo, nazi), sugiro o PS responda ao governo como o fez o general McAuliffe, comandante da 101ª Divisão Aerotransportada, cercada em Bastogne, à proposta de rendição dos alemães: "nuts"!

quinta-feira, novembro 01, 2012

A "assessoria" do FMI

Não deixo de achar "tocante" a ingenuidade de Constança Cunha e Sá quando afirma (hoje, nas notícias da 21h, na TVI 24) que "o governo não é capaz de cortar na despesa e precisa da assessoria técnica do FMI". Vamos ser claros: o governo não precisa da assessoria técnica do FMI para coisa nenhuma, muito menos para os tais cortes na despesa; precisa é do respaldo do FMI (1/3 da "troika") e, se possível, do BCE e da Comissão Europeia (os restantes 2/3), para mais facilmente conseguir impor aos portugueses, como se de uma inevitabilidade se tratasse, os tais cortes de quatro mil milhões de euros na despesa. Não se trata, portanto, de uma questão de incapacidade técnica, mas de um confesso acto de cobardia política. 

The Big Easy (6)

Wynton Marsalis - Concerto para trompete e orquestra em mi bemol maior de Joseph Haydn (1732-1809)
1. Allegro
2.Andante
3. Allegro
Boston Pops Orchestra dirigida por John Williams

Marques Mendes ou a bóia de salvação

De facto, se o convite do governo ao PS para colaborar na "refundação" do MoU e na reforma do Estado tinha deixado o destinatário numa posição difícil e defensiva, pelo menos num primeiro momento (disse-o aqui, comparando-o à contra-ofensiva das Ardenas na WW II), as declarações de Marques Mendes, ontem à TVI, informando já existem negociações em curso com o FMI sobre o assunto, ofereceram da mão-beijada e em bandeja de prata ao PS o pretexto para a recusa de qualquer sua colaboração, dando contribuição significativa para afastar o partido de António José Seguro da posição difícil em que tinha sido colocado. Digamos que com amigos como Marques Mendes, por certo o governo não precisa sequer de inimigos. Definitivamente, nada sai certo a este governo.

O SCP e a estatística

Agora, com Frank Vercauteren, o SCP vai finalmente começar a ganhar? Sim. Com o treinador belga ou qualquer outro, tendo o terceiro orçamento da Liga, dizem as probabilidades que o SCP irá começar, mais jogo menos jogo, a conseguir os resultados "normais" para esse investimento, o que significa ganhar uma maioria dos jogos "em casa" e fazer resultados variáveis (vitória, empate e derrota) nos jogos disputados "fora", de modo a, no final do campeonato e de acordo com o seu orçamento, vir a situar-se entre o 3º (o melhor a que pode aspirar) e o 6º (difícil ficar abaixo mesmo com tantos problemas) lugares. Mas atenção: nada disto significa que os  problemas do clube estejam em vias de resolução, nem que o treinador belga seja melhor do que os anteriores; trata-se apenas de uma questão de estatística.