domingo, outubro 07, 2012

Carta aberta os meus amigos "lagartos" (1)

Caros amigos "lagartos" (espero que não se ofendam nem achem pejorativo que um "lampião" ferrenho assim se lhes dirija):

Que a questão do treinador, não este ou aquele, mas de um modo geral e abstracto, seja o problema fundamental que têm de resolver, já muita gente o negou e não vale a pena acrescentar o que quer que seja. Muitos outros remetem esse mesmo problema para a direcção ou, de modo mais abstracto, para o que designam por estrutura, que é o mesmo que dizer coisa nenhuma. Sem querer ignorar que treinador e equipa dirigente têm um papel fundamental na gestão e condução de um clube e de uma equipa de futebol, deixem-me, contudo, ir um pouco mais longe, até àquilo que poderia designar como raízes da crise e decadência do Sporting Clube de Portugal. Tenham lá um pouco de paciência para ler o "inimigo", portanto.

Em minha nada modesta opinião (deixo essa coisa da modéstia para os outros), a crise, ou, melhor dizendo, decadência do SCP, mergulha as suas raízes no final nos anos 50 do século XX quando, depois de uns anos 40 e 50 gloriosos, o clube perde para o SLB, pela mão de Otto Glória, a corrida para o profissionalismo. Pior: perde também para o SLB, por deficiente prospecção, por simples casualidade, pelo facto do SLB não poder, por tradição, contratar jogadores estrangeiros ou também por ter perdido essa corrida para o profissionalismo (se calhar, de tudo um pouco), a liderança no mercado de contratações colonial, mercado esse que constituía para os clubes portugueses uma enorme vantagem competitiva. E não foi só Eusébio. Foram Costa Pereira, Mário Coluna, José Águas e Santana, espinha dorsal da grande equipa bi-campeã europeia e que viria a disputar cinco finais da TCE durante a década de 60. Foram estas conquistas, resultado directo do pioneirismo na assumpção do  profissionalismo e do domínio do mercado colonial, que catapultaram o SLB definitivamente para o crescimento e hegemonia no futebol português, tendo o SCP apenas conseguido responder com a conquista da Taça dos Vencedores das Taças, em 1964. O que tem todo o mérito, mas é pouco face ao conseguido pelo seu rival. Entramos então na época em que o SCP apenas consegue ganhar o campeonato uma vez em cada quatro anos: 62, 66, 70 e 74.

É, portanto, já numa posição clara de segundo clube português que o SCP sofre o impacto da ascensão do Futebol Clube do Porto, apenas tornada possível pela importância política, económica e social que o litoral-norte assume no pós-25 de Abril. E, claro, estando mais enfraquecido que o seu rival lisboeta e tradicional maior a rival a nível nacional, é o SCP quem mais sofre com o impacto da ascensão do FCP até à hegemonia: apenas quatro títulos da campeão após o 25 de Abril, dois deles (2000 e 2002) aproveitando a época conturbada vivida pelo SLB, contra 12 deste último. Apesar de tudo, o SCP consegue aproveitar bem o período muito difícil e de desnorte que se vive no Sport Lisboa e Benfica na primeira metade da primeira década do século XX: define uma estratégia e um modelo de negócio coerentes (investimento na Academia - permitindo-lhe realizar mais-valias significativas - complementado por contratações "cirúrgicas de jogadores experientes - mantendo assim a competitividade da equipa - optando por treinadores conhecedores do futebol português e com vocação formativa), e consegue assim ultrapassar o SLB no número de títulos conquistados nessa década. O pior, contudo, virá de seguida. (continua).  

sábado, outubro 06, 2012

Seguro populista

Em resposta(?) a um discurso de António Costa cheio de conteúdo e intenções políticas, António José Seguro não encontrou mais nada para propor do que a reposição do feriado de 5 de Outubro (o que até aceito e compreendo mas é uma questão menor) e o populismo da redução do número de deputados. Se alguém ainda tinha dúvidas ou ilusões sobre a mediocridade e oportunismo de Seguro deve tê-las dissipado de vez. Resta saber a opinião de muita gente no PS sobre esta ideia do seu secretário-geral. No fundo, um péssimo final para umas comemorações do 5 de Outubro que já tinham começado às avessas.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Friday midnight movie (10) - Giallo (I)


"La Maschera del Demonio" (aka "Black Sunday") de Mario Bava (1960)
Filme completo c/ legendas em inglês

50 anos de "Love Me Do" - a versão com Pete Best

Para os mais fanáticos, a versão de "Love Me Do" ainda com Pete Best na bateria.
Foi a primeira a ser gravada, a 6 de Junho de 1962, e preterida em favor das versões com Ringo Starr (4 de Setembro) e com o músico de estúdio Andy White (11 de Setembro). Esta versão com Pete Best viria a ser mais tarde incluída no álbum Anthology 1, editado a 20 de Novembro de 1995.

"Land Girls" (15)

3º episódio - "Codes of Honour" (parte V de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

50 anos de "Love Me Do" - Os Beatles no cinema

"Help", de Richard Lester (1965)
Filme completo c/ legendas em castelhano

"Love Me Do" e os disparates

Johnny Kidd & The Pirates - "Shakin' All Over" (Maio de 1960)

Cada um é livre (pelo menos, por enquanto) de dizer os disparates que entende e muito mal lhe aprouver. Tendo dito isto, "Love Me Do" terá certamente muitas qualidades (a "letra simples e repetitiva, o ritmo sincopado, o som da harmónica) que fizeram do tema #17 no UK e lançaram os Beatles na sua carreira. Não se poderá dizer, no entanto, e ao contrário do que afirmava hoje Zé Pedro, dos "Xutos e Pontapés", na TSF, que contivesse algo de "revolucionário" (musicalmente falando, entenda-se) na cena do "rock" britânico. Mas enfim...

Para o ilustrar, mostrando a música que já se fazia por esses tempos na terra de Elizabeth II, nada melhor que este tema de Johnny Kidd & The Pirates, composto pelo próprio Kidd (Frederick Heath) e #1 no UK em Agosto de 1960, mais de dois anos antes da edição de Love Me Do". 

Nada disto tira ou pretende tirar valor a "Love Me Do" e aos Beatles, o que seria um enorme disparate. Mas convém sempre estar atento,  pôr as coisas nos seus devidos lugares e tentar corrigir os disparates dos outros. "Love Me Do" um marco? Claro, de enorme importância. Um tema musicalmente revolucionário? Vou ali e já venho. Então, e só para falar dos Beatles, o que serão "Strawberry Fields Forever", "Penny Lane", "Lucy In The Sky With Diamonds" ou temas de Harrison como "Love You To" ou "Within You Without You"? (e há muitos mais...).

Já agora, se a TSF queria assinalar convenientemente os 50 anos de "Love Me Do" porque não convidou o Luís Pinheiro de Almeida?

5 de Outubro de 1962 ou os 50 anos da edição de "Love Me Do"

The Beatles - "Love Me Do"

Texto deste "blog" escrito e publicado a 6 de Maio de 2009 - "Não sou um fanático ou incondicional dos Beatles. Aliás, não serei incondicional de ninguém e alguma dose de fanatismo que os já muitos anos de vida ainda não arredondaram deixo-a para o meu “glorioso”, que bem dela tem andado necessitado. Mas, voltando aos Beatles, devo dizer, de ente a sua discografia prefiro francamente os seus 1ºs "singles" e álbums (aqueles que por vezes ainda oiço na base de um acto de vontade), talvez porque, em algum do seu ainda primarismo (no bom sentido) e menor sofisticação, mais perto das raízes do "rock and roll original", o que não quer dizer os considere "os melhores", o que quer que a palavra queira dizer em todo o seu relativismo subjectivo.

O que fará então de um grupo que nem sequer se pode dizer tivesse executantes excepcionais (ao nível de um Jimmy Page, ou de um Eric Clapton, por exemplo, já não falando de um baterista como Ginger Baker) um fenómeno único na cultura dos anos 60 e do século XX? Os Beatles estavam no local certo na altura certa? Sim: como tantos outros grupos britânicos, aproveitaram a época de enorme refluxo do "rock" americano original no final dos anos 50 (dos pioneiros Elvis, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Buddy Holly, Chuck Berry, etc), do fim das restrições do pós-guerra na Europa e da abertura social e nova cultura de massas que o desenvolvimento económico gerou, para se imporem perante um América mais entorpecida pelo segregacionismo, o conservadorismo e a guerra fria (JFK tinha sido assassinado, lembram-se?), onde essa nova cultura tinha sido comprimida artificialmente numa panela de pressão cujo vapor necessitava expandir-se. Foram para Hamburgo, tocar nos bares de St. Pauli, no que também nada os distingue de tantos outros grupos da “British Invasion”. Mas fizeram algo mais que os distingue desses outros grupos: porque, ao contrário dos Rolling Stones, Manfred Mann, Yardbirds ou Animals, por exemplo, com origem fora daquilo que era nessa altura a cena dos “blues” britânicos (muito centrada no Marquee Club e em Chris Barber, John Mayall, Cyril Davies, etc), mergulhando algumas das suas raízes no Skiffle, foram aqueles que melhor souberam casar o "rock n' roll" com a música ligeira, de variedades (tão presente em algumas das suas melodias) digamos assim, e a rebeldia com o "establishment" em doses adequadas. Usavam o cabelo comprido mas não partiam guitarras em palco; tinham um ar “compostinho” mas irreverência q.b.; e procuraram sempre algum tipo de compromisso. Isso esteve na base do seu "posicionamento" único, que os fez serem aceites, em termos musicais e sociais, por sectores mtº mais alargados do que outros grupos seus contemporâneos como os Rolling Stones, por exemplo. Last, souberam, e puderam, ser musicalmente inovadores e experimentalistas sem perderem esse seu "posicionamento" original como referência. Foram simultaneamente marginais e "mainstream", num equilíbrio difícil cujo rompimento se tornou visível nos últimos tempos do grupo."

Cavaco Silva no 5 de Outubro

Peço desculpa, mas algo de grave se deve passar com o senhor Presidente da República; deve ter-se enganado na data e no local do acontecimento. Alguém lhe deveria ter explicado que estava nas cerimónias do 5 de Outubro, na Praça do Município, e não na reitoria da Universidade na abertura solene de mais um ano lectivo. Ou será que algum malvado sabotador lhe trocou os discursos? 

quinta-feira, outubro 04, 2012