quarta-feira, outubro 03, 2012

As "cambalhotas" presidenciais

Com muitos ou poucos erros (não tantos quantos os seus detractores gostam de assinalar, nem tão poucos como os habitualmente referidos pelos seus mais acérrimos entusiastas), o país teve nos executivos de José Sócrates governos que tentaram colocar o foco do desenvolvimento do país na inovação, na criatividade e na evolução tecnológica. Nunca, nesse tempo, me lembro de ouvir ao Presidente da República uma palavra de apoio, elogio ou incentivo. Antes pelo contrário: Cavaco Silva sempre conspirou abertamente contra ambos os executivos, esperando ver no governo "os seus". Agora, talvez porque estes não seriam bem "os seus" que esperava e porque começa a chegar a chegar à conclusão de que o país talvez não vá por bons caminhos e há que "limpar" a sua imagem, o Presidente da República vem afirmar que "o crescimento não depende só da redução de custos" e resolve apelar à "inovação" e "qualidade e inovação tecnológica"

São muito interessantes e reveladoras da personalidade de Cavaco Silva, estas "cambalhotas" presidenciais...

O novo "Circo Vilanova" e os seus jogadores amestrados

Eu paguei bilhete (€55 para três jogos da Champions League e o bilhete "avulso" para sócios e para o meu sector custava €30) para ver ontem o SLB - Barça porque sou benfiquista e gosto de ver e apoiar o meu clube sempre que posso. Mas agora digam-me lá uma coisa: haverá quem, não sendo "culé" ou adepto do clube adversário, pague bilhete para ver aquele género de circo com bola, quais cãezinhos amestrados ou Harlem Globetrotters com os pés? Haverá assim tantos masoquistas dispostos a verem o FC Barcelona matar o futebol? Então aquela segunda parte foi um imenso e demasiado caro bocejo ao qual deveríamos ter sido poupados.

terça-feira, outubro 02, 2012

"Land Girls" (12)

3º episódio - "Codes of Honour" (parte II de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

O pensamento político de Pedro Passos Coelho


  1. Bom, ora pensava eu que no Estado existiam modelos de avaliação credíveis e que a progressão na carreira dos seus servidores se realizava em função dessa mesma avaliação... Também pensava que quem não cumprisse sistematicamente objectivos determinados conjuntamente se arriscava a sofrer penalizações salariais e, no limite, a perder o seu emprego. Mas, segundo Passos Coelho, parece que não será bem assim... E, infelizmente, também eu sei que não é. Compete-me então perguntar: em vez de vir para um jantar de militantes "mandar este género de palpites", queixar-se como um qualquer "piegas", sendo primeiro-ministro, porque não implementa no Estado um sistema credível de planeamento e avaliações de desempenho e progressão nas carreiras que permita reduzir e minimizar os casos de incumprimento dos objectivos fixados? Já agora, que penalizações irão este seu governo, o seu primeiro-ministro e o ministro Vítor Gaspar sofrer pelo incumprimento das metas orçamentais e cenário macro-económico traçados para este ano? Ou estaremos perante a "lei do funil" que estreita em função dos destinatários?
  2. E lá vem novamente o populismo desbragado da "penalização criminal", tentando atirar areia para os olhos do "povo da SIC" e assumindo Passos Coelho o seu momento Teixeira da Cruz. Escusado dizer que este país já tem leis que prevêem a responsabilização civil e criminal de quem as não cumpre e ninguém respeitável - repito: ninguém - estará disposto a assumir um cargo público se correr o risco de ser responsabilizado criminalmente apenas por falhar objectivos E a não ser que Passos Coelho e alguns dos seus ministros pretendam vir a ser encarcerados por não cumprirem as metas orçamentais fixadas (sou o primeiro a pedir-lhes responsabilidades políticas e serei igualmente o primeiro a lutar contra a sua responsabilização criminal caso não tenham infringido a lei), onde quer o primeiro-ministro chegar? Ou acha que num jantar de militantes pode dizer as barbaridades que entende porque, por obra e graça divina, deixa momentaneamente de ser primeiro-ministro de Portugal? O que está aqui novamente implícito é uma tentativa de subversão da democracia por parte de um governo que se assume como vanguardista e ungido por uma qualquer espécie de mandato divino ou "científico" para mudar os destinos do país. E, note-se, tal é ainda mais evidente se passarmos ao ponto seguinte.
  3. "Não podemos permitir que todos os que estão nas empresas privadas... fixem objectivos e não os cumpram". E, senhor primeiro.ministro, se tentasse não se meter onde não é chamado? Ou temos agora de volta os "planos quinquenais" soviéticos ou um regime totalitário onde não existe liberdade empresarial ou de espécie alguma? Pronto, se dúvidas existissem esta afirmação deu já para perceber que Passos Coelho apoia as afirmações do seu para-ministro António Borges e o grande sonho deste governo, que nem sequer consegue gerir a contento as contas do Estado, é também mandar nas empresas, nos empresários e na esfera privada de cada um. Tem bom remédio, senhor primeiro ministro: leve um caldeirão, um balde com umas brasas e volte lá para de onde veio, vá estabelecer o seu inferno privativo nas empresas do seu companheiro de partido Ângelo Correia. O problema é que parece já nem ele o quer. Olhe que é bem triste.

segunda-feira, outubro 01, 2012

A propósito do SLB - Barça

Ao contrário do que leio e oiço por aí, o jogo de amanhã do meu clube está muito longe de ser um dos seus  mais importantes do ano ou possa sequer constituir pedra de toque importante para aferir da categoria do SLB a nível internacional. Será mesmo um dos seus jogos menos decisivos. Porquê? Porque o valor das duas equipas está demasiado distante, muito dificilmente se poderá pensar que o FC Barcelona possa deixar de ser o primeiro classificado do grupo e, assim sendo e tendo em atenção os registos e categoria do adversário, qualquer resultado que não seja uma derrota pesada do meu clube será positivo. Claro que ganhar ou empatar seria notável e deixaria a equipa mais moralizada e descansada com o pecúlio arrecadado para o resto da actual fase da Champions League. Mas jogos importantes serão os da Liga portuguesa e para aferir do que vale a equipa nos jogos internacionais estarão aí os dois jogos com o Spartak e o jogo em casa com o Celtic, essas sim, equipas do nosso campeonato. Há que ter a noção das realidades...

"Land Girls" (11)

3º episódio - "Codes of Honour" (parte I de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

Amália Rodrigues ao vivo no Café Luso - Dezembro de 1955 (2)

"Fado da Bica" (Carlos Conde - Jaime Santos)

O PS e a moção do "Bloco"

Tal como aconteceu durante os governos de José Sócrates, o PS está novamente a sofrer o "efeito tenaz", entalado entre a esquerda radical e comunista e a direita do PSD e CDS, o levou à queda do governo minoritário de José Sócrates e torna praticamente inviável um seu regresso ao poder sem ser incluído numa qualquer versão de "bloco central" ou governo de "salvação nacional". Agora, a tentativa da esquerda radical e comunista para liderar o movimento popular de contestação, que esteve na base da manifestação do passado sábado, tende novamente a colocar o PS, de forma aguda, nessa desconfortável posição, face a uma moção de censura à qual Seguro só poderá responder pela abstenção. Num cenário de extrema radicalização de posições, sendo essa a única opção possível ela reflecte também alguma ambiguidade, pelo que tornará necessário ao PS, não só um inequívoco voto "não" no orçamento de Estado, como que o partido pense a sério na hipótese de numa futura moção de censura própria. Quanto ao resto, sobra-lhe apenas a hipótese de trabalhar a prazo para o surgimento à sua esquerda de um pequeno partido  respeitador da democracia liberal representativa, do Estado de Direito, que não tenha como objectivo último a quase total estatização do país e que possa "pescar" nas actuais águas de PCP e BE. Digamos que se em condições normais esta já seria uma verdadeira "hell of a task", na actual situação torna-se missão quase impossível. Mas é também nas situações de crise que o mundo muda mais depressa.

Os políticos e a experiência empresarial

O inenarrável Camilo Lourenço diz hoje no "Jornal de Negócios" que "um dos maiores problemas da classe política portuguesa é ter pouca ou nenhuma experiência empresarial". Espero não se estivesse a referir às de Passos Coelho e Relvas, mas certo, não nego a experiência empresarial, o seu "way of thinking" e a adopção de alguns princípios da gestão das empresas possam trazer uma contribuição positiva à política e à governação. Sem dúvida que sim, desde que o primado da política se mantenha. Mas o que me parece evidente é exactamente o contrário: o problema, o verdadeiro problema tem sido a chegada à política e a funções governativas, vindos das empresas do PSI 20, de universidades de gestão sem dúvida conceituadas e de organizações como o "Compromisso Portugal" e o "Fórum para a Competitividade" de gente sem qualquer experiência política, que, acima de tudo, despreza essa mesma política, age como se ela fosse desnecessária e pretende, não enriquecê-la com o rigor da sua experiência empresarial, mas substituí-la por princípios que lhe são estranhos e até adversos. Os Borges, Moedas e "tutti quanti" aí estão para o provar.

É que, e ao contrário do que diz Camilo Lourenço, talvez muito melhor ideia fosse as universidades de gestão mais conceituadas e as "blue-chip companies" passarem a incorporar nos seus "curricula" e "way of thinking" alguns princípios importantes da política e da boa governação. Acho ficaríamos todos a ganhar com o intercâmbio.

Esta é a Europa que nos dá alegrias!


A Europa venceu "fora" (Illinois) os USA (14 1/2-13 1/2) na edição deste ano da Ryder Cup, um dos cinco acontecimentos desportivos mais importantes a nível mundial. Foi uma "remontada" sensacional (os "sites" desportivos estrangeiros falam em "milagre") depois de, no sábado, a equipa europeia ter estado a perder por 10-4. Em Portugal, apesar do país ser um destino de golfe reconhecido internacionalmente, o acontecimento passou praticamente despercebido, e apenas o "Público" e o canal especializado, e pago, da Sport TV (transmitiu em directo) lhe dedicaram a mais do que merecida atenção. De resto, estou certo os bares do Algarve abarrotaram com turistas e residentes estrangeiros para verem em directo mais uma grande vitória da equipa europeia capitaneada por José Maria Olazábal.

A Ryder Cup disputa-se de dois em dois anos, alternadamente nos USA e num país europeu, no sistema "match play", isto é, em que cada jogador ou equipa competem com o(s) seu(s) adversário(s) directos e não contra o campo, e nas variantes "individual" (cada jogador compete contra o seu adversário directo), "foursomes" (equipas de dois jogadores com uma só bola por equipa) e "fourball" (equipas de dois jogadores jogando cada um a sua bola).