Arnolt - Bristol (1954-1956)
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, setembro 06, 2012
Ainda a nomeação de Alberto da Ponte para a RTP
Vamos lá tentar ser claros... O que é relevante na nomeação de Alberto da Ponte como presidente da RTP não é o facto de vir de uma grande empresa cervejeira e não ter experiência na área da comunicação social: isso é quase irrelevante e não fará dele melhor ou pior gestor da RTP. Muito menos o facto, apontado como positivo pelo populismo e propaganda governamentais, de, ao contrário do seu antecessor, vir ganhar o ridículo salário do primeiro-ministro: a bem sucedida passagem de Paulo Macedo pela Direcção Geral dos Impostos deveria ter sido suficiente para demonstrar que não raras vezes o caro acaba por sair bem barato e o miserabilismo raramente compensa. O que é relevante, para além do facto de ser um apoiante radical do actual primeiro-ministro, homem próximo de Miguel Relvas e dos interesses angolanos, é o facto de, à beira de uma pacata e dourada reforma, aceitar deixar um cargo internacional numa multinacional cervejeira, certamente pago a um nível de excelência, para ocupar um lugar problemático, ridiculamente pago, na RTP. Tarefa desinteressada em defesa da "coisa pública"? Opção de um "ego" desmesurado? Pode ser... Mas direi antes que, tendo em atenção o cadernos de encargos que lhe será entregue e a natureza e origem dos interesses em jogo, talvez até não seja assim tão estranha a sua aceitação e as compensações acabem por fim por aparecer, mais dali do que daqui, de forma bem menos transparente do que através de um salário, em função do cumprimento integral do que lhe será pedido e sempre em prejuízo da "coisa pública" e dos interesses democráticos. Mesmo que este prejuízo não se meça directamente em dinheiro, claro.
Nota: É natural que as eventuais críticas oficiosas do PS à nomeação de Alberto da Ponte (se as houver para além de uns "arremedos de manso" - tenho algumas dúvidas) se venham a centrar na sua falta de experiência como gestor público e desconhecimento da área da comunicação social. Na realidade, o PS espera no futuro vir a ser governo e dizer ou fazer algo que indisponha os governantes angolanos seria sempre um enorme problema. "Realpolitik"...
Nota: É natural que as eventuais críticas oficiosas do PS à nomeação de Alberto da Ponte (se as houver para além de uns "arremedos de manso" - tenho algumas dúvidas) se venham a centrar na sua falta de experiência como gestor público e desconhecimento da área da comunicação social. Na realidade, o PS espera no futuro vir a ser governo e dizer ou fazer algo que indisponha os governantes angolanos seria sempre um enorme problema. "Realpolitik"...
quarta-feira, setembro 05, 2012
A RTP e a democracia
- Como é possível que ao fim de 38 anos de democracia ainda seja da responsabilidade e do livre arbítrio dos governos e não da Assembleia da República, por meio de uma maioria qualificada de 2/3 ou 4/5, a nomeação das administrações da RTP, empresa responsável pelo serviço público de rádio e televisão (seja lá o que isso for)? Perante isto, que moral tem agora o PS para contestar a nomeação de um presidente para a RTP militante do PSD ("de jure" ou de facto, pouco importa, mas penso que "de jure"), um dos mais fiéis e radicais apoiantes do actual governo e do actual primeiro-ministro e pessoa com fortes ligações ao "lobby" angolano? Ou mesmo, como pode defender a manutenção de um serviço público cujo cumprimento começa e acaba por estar depende de cada governo? Talvez seja esta a prova provada de que quem não toma em devido tempo o antídoto adequado acaba por morrer de "overdose" do próprio veneno. É o caso actual do PS, mas tenho pouca esperança lhe sirva de lição.
- O perfil de Alberto da Ponte vem demonstrar, se necessário ainda fosse, que a decisão sobre o futuro da RTP está tomada. Vem ainda demonstrar à evidência, se também necessário fosse, que o actual governo perdeu completamente a vergonha ou qualquer tipo de pudor, se é que alguma vez os teve.
Um cenário politicamente incorrecto
Tal como a Procuradora Geral Adjunta Cândida Almeida (que aqui critiquei duramente por outras razões), sou dos que pensa que os grandes casos de corrupção em Portugal serão bem menos do que aqueles que se julga, isto é, serão bem mais as "vozes do que as nozes". Claro que apenas um já será sempre demais, mas parece-me que o número de casos significativos, efectivamente existentes, será em número bem menor do que aquele que as sistemáticas campanhas mediáticas, criando um clima de alguma histeria (desculpe lá pela apropriação do termo, senhor primeiro-ministro), pretendem fazer crer, isto é, a percepção que temos da grande corrupção será claramente superior à realidade.
Mas... E se - cenário extremista e hipotético - um destes dias existisse o risco de se provar em tribunal um grande crime de corrupção que implicasse a condenação efectiva de um número significativo de dirigentes, ministros e ex-ministros dos chamados três partidos do "arco da governação", o que, indiscutivelmente, poria em causa o próprio regime político e até a democracia? Pondo de parte os "justicialistas" do costume, para os quais está tudo bem desde que se "pendurem" os políticos (principalmente se não forem "os nossos") e mais uns "ricos e poderosos" ("Ah, ça ira, ça ira, ça ira; les aristocrates à la lanterne!..."), quem e quantos estariam dispostos a exigir justiça até ao fim e sem contemplações, sabendo com essa sua atitude estariam a enterrar a democracia e condenar a liberdade? Todos? Eu, por mim, não teria assim tanta certeza e digo desde já, escandalize-se quem quiser, que pensaria bem no assunto.
terça-feira, setembro 04, 2012
O SLB e os seus equilíbrios
Com um jogador com as características de Javi Garcia como "pivot" defensivo o SLB via-se obrigado a "sair a jogar", maioritariamente, pelos flancos, precisando para isso de laterais com características ofensivas, que "rompessem" e combinassem bem com os respectivos alas. Sempre que necessário, Javi compensava nas alas esse adiantamento dos laterais. Com Matic, que é melhor com a "bola nos pés" e sai melhor a jogar, mas também por isso mesmo tende a desposicionar-se com mais facilidade e maior frequência, essa situação altera-se um pouco e Jorge Jesus terá que fazer algumas correcções nos princípios de jogo e equilíbrio geral da equipa. Algum maior cuidado com a disciplina defensiva terá que ser imposto aos laterais e os centrais, que não são um modelo de rapidez, também poderão sentir a falta da "muleta" Javi Garcia à sua frente. A equipa também ganha assim alguns princípios ("sair a jogar" pelo "miolo") que não eram muito habituais no modo como jogava. Enfim, isto do futebol, não sendo ciência oculta, tem contudo que se lhe diga. Está agora chegado o momento de Jorge Jesus provar do que é capaz...
Mas digamos que sem Witsel, que "filtrava" o jogo a meio-campo, defensiva e ofensivamente, o problema é bem mais grave e não vejo, nem grande nem pequena, solução para o problema. Jesus poderia adiantar Matic para "8", o seu lugar de origem, e encontrar uma solução para "6" posicional, onde seria mais fácil "desenrascar" uma alternativa dentro do plantel (Miguel Vítor?), mas seriam demasiadas alterações e tal iria "obrigar" a equipa a jogar em 4x2x3x1 (Matic não é Witsel), apenas com um "ponta de lança" e um "10" a pautar o jogo. Olhando para o futuro, pede-se principalmente não se precipitem no mercado de Janeiro. Depois de tanta asneira, mais uma seria intolerável.
segunda-feira, setembro 03, 2012
3 notas que tentam ser sensatas sobre as transferências de hoje
Sobre a questão do mercado continuar aberto com os campeonatos em curso já está tudo dito. Mas três notas me sugerem os acontecimentos de hoje:
- Existirem datas diferentes para o fecho dos vários mercados torna o assunto das transferências ainda mais desigual e iníquo. SLB e FCP vêem-se perante o facto consumado da venda de dois dos seus principais activos - e no caso do SLB/Witsel sem hipótese de recusa - já sem possibilidade de recorrerem ao mercado para tentarem suprir a sua falta. Até há pouco tempo, o assunto passava despercebido, dada a pouca relevância dos mercados russo e turco. Tudo isso mudou de há meia-dúzia de anos a esta parte, e a UEFA terá que regulamentar rapidamente o assunto. É que, por si só, o "fair play" financeiro não será remédio para tudo...
- Os clubes vendem os lugares de época aos seus associados a determinado preço e estes compram-nos em função das suas expectativas sobre o comportamento das equipas nas competições que vão disputar. Alterar substancialmente o quadro de jogadores já depois de muitos lugares de época estarem vendidos, reduzindo unilateralmente o valor do produto oferecido, é, no mínimo, um logro, e, no máximo, prefigura uma situação de burla. Assim sendo, os associados de SLB e FCP com lugares de época deveriam exigir uma renegociação do preço dos lugares que adquiriram, ou a devolução do dinheiro despendido. Aliás, é isso que acontece em outros espectáculos quando ocorrem situações semelhantes.
- E agora o meu clube... O SLB conhecia desde há muito os jogadores transferíveis. Aliás, mesmo que de modo informal e sabendo precisava de realizar mais-valias para se financiar, o próprio clube os tinha colocado no mercado por via mediática: Cardozo Gaitán, Witsel e Javi. Investiu entre 20 e 25 milhões em Sálvio, Ola John e Lima (não está em causa o seu valor enquanto jogadores), lugares onde, mesmo que com características não exactamente iguais, existiam opções, e esqueceu o meio-campo. Apesar de tudo, ainda existia uma alternativa a Javi, embora personificada por um jogador um pouco diferente (Matic), mas este passou agora a ser a única opção disponível. E se Matic ainda parece constituir uma opção credível para o lugar de Javi Garcia, o mesmo não poderei dizer de Carlos Martins, que pela sua irregularidade, características e historial de lesões, não me parece constituir opção com suficiente qualidade para preencher o lugar deixado vago por Witsel. Estamos perante um enorme erro estratégico na gestão do plantel que o clube poderá vir a pagar bem caro. Veremos como Jorge Jesus irá minimizar o problema. Agora é que chegou mesmo a altura de "inventar".
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