quarta-feira, setembro 05, 2012

Um cenário politicamente incorrecto

Tal como a Procuradora Geral Adjunta Cândida Almeida (que aqui critiquei duramente por outras razões), sou dos que pensa que os grandes casos de corrupção em Portugal serão bem menos do que aqueles que se julga, isto é, serão bem mais as "vozes do que as nozes". Claro que apenas um já será sempre demais, mas parece-me que o número de casos significativos, efectivamente existentes, será em número bem menor do que aquele que as sistemáticas campanhas mediáticas, criando um clima de alguma histeria (desculpe lá pela apropriação do termo, senhor primeiro-ministro), pretendem fazer crer,  isto é, a percepção que temos da grande corrupção será claramente superior à realidade.

Mas... E se - cenário extremista e hipotético - um destes dias existisse o risco de se provar em tribunal um grande crime de corrupção que implicasse a condenação efectiva de um número significativo de dirigentes, ministros e ex-ministros dos chamados três partidos do "arco da governação", o que, indiscutivelmente, poria em causa o próprio regime político e até a democracia? Pondo de parte os "justicialistas" do costume, para os quais está tudo bem desde que se "pendurem" os políticos (principalmente se não forem "os nossos") e mais uns "ricos e poderosos" ("Ah, ça ira, ça ira, ça ira; les aristocrates à la lanterne!..."),  quem e quantos estariam dispostos a exigir justiça até ao fim e sem contemplações, sabendo com essa sua atitude estariam a enterrar a democracia e condenar a liberdade? Todos? Eu, por mim, não teria assim tanta certeza e digo desde já, escandalize-se quem quiser, que pensaria bem no assunto.

terça-feira, setembro 04, 2012

As capas de Cândido Costa Pinto (82)


Capa de CCP para "O Homem do Fato Castanho", de Agatha Christie, nº 100 da "Colecção Vampiro"

The Big Easy (2)

Clarence "Frogman" Henry - "Ain't Got No Home"

O SLB e os seus equilíbrios

Com um jogador com as características de Javi Garcia como "pivot" defensivo o SLB via-se obrigado a "sair a jogar", maioritariamente, pelos flancos, precisando para isso de laterais com características ofensivas, que "rompessem" e combinassem bem com os respectivos alas. Sempre que necessário, Javi compensava nas alas esse adiantamento dos laterais. Com Matic, que é melhor com a "bola nos pés" e sai melhor a jogar, mas também por isso mesmo tende a desposicionar-se com mais facilidade e maior frequência, essa situação altera-se um pouco e Jorge Jesus terá que fazer algumas correcções nos princípios de jogo e equilíbrio geral da equipa. Algum maior cuidado com a disciplina defensiva terá que ser imposto aos laterais e os centrais, que não são um modelo de rapidez, também poderão sentir a falta da "muleta" Javi Garcia à sua frente. A equipa também ganha assim alguns princípios ("sair a jogar" pelo "miolo") que não eram muito habituais no modo como jogava. Enfim, isto do futebol, não sendo ciência oculta, tem contudo que se lhe diga. Está agora chegado o momento de Jorge Jesus provar do que é capaz... 

Mas digamos que sem Witsel, que "filtrava" o jogo a meio-campo, defensiva e ofensivamente, o problema é bem mais grave e não vejo, nem grande nem pequena, solução para o problema. Jesus poderia adiantar Matic para "8", o seu lugar de origem, e encontrar uma solução para "6" posicional, onde seria mais fácil "desenrascar" uma alternativa dentro do plantel (Miguel Vítor?), mas seriam demasiadas alterações e tal iria "obrigar" a equipa a jogar em 4x2x3x1 (Matic não é Witsel), apenas com um "ponta de lança" e um "10" a pautar o jogo. Olhando para o futuro, pede-se principalmente não se precipitem no mercado de Janeiro. Depois de tanta asneira, mais uma seria intolerável.

segunda-feira, setembro 03, 2012

3 notas que tentam ser sensatas sobre as transferências de hoje

Sobre a questão do mercado continuar aberto com os campeonatos em curso já está tudo dito. Mas três notas me sugerem os acontecimentos de hoje:
  1. Existirem datas diferentes para o fecho dos vários mercados torna o assunto das transferências ainda mais desigual e iníquo. SLB e FCP vêem-se perante o facto consumado da venda de dois dos seus principais activos - e no caso do SLB/Witsel sem hipótese de recusa - já sem possibilidade de recorrerem ao mercado para tentarem suprir a sua falta. Até há pouco tempo, o assunto passava despercebido, dada a pouca relevância dos mercados russo e turco. Tudo isso mudou de há meia-dúzia de anos a esta parte, e a UEFA terá que regulamentar rapidamente o assunto. É que, por si só, o "fair play" financeiro não será remédio para tudo...
  2. Os clubes vendem os lugares de época aos seus associados a determinado preço e estes compram-nos em função das suas expectativas sobre o comportamento das equipas nas competições que vão disputar. Alterar substancialmente o quadro de jogadores já depois de muitos lugares de época estarem vendidos, reduzindo unilateralmente o valor do produto oferecido, é, no mínimo, um logro, e, no máximo, prefigura uma situação de burla. Assim sendo, os associados de SLB e FCP com lugares de época deveriam exigir uma renegociação do preço dos lugares que adquiriram, ou a devolução do dinheiro despendido. Aliás, é isso que acontece em outros espectáculos quando ocorrem situações semelhantes.
  3. E agora o meu clube... O SLB conhecia desde há muito os jogadores transferíveis. Aliás, mesmo que de modo informal e sabendo precisava de realizar mais-valias para se financiar, o próprio clube os tinha colocado no mercado por via mediática: Cardozo Gaitán, Witsel e Javi. Investiu entre 20 e 25 milhões em Sálvio, Ola John e Lima (não está em causa o seu valor enquanto jogadores), lugares onde, mesmo que com características não exactamente iguais, existiam opções, e esqueceu o meio-campo. Apesar de tudo, ainda existia uma alternativa a Javi, embora personificada por um jogador um pouco diferente (Matic), mas este passou agora a ser a única opção disponível. E se Matic ainda parece constituir uma opção credível para o lugar de Javi Garcia, o mesmo não poderei dizer de Carlos Martins, que pela sua irregularidade, características e historial de lesões, não me parece constituir opção com suficiente qualidade para preencher o lugar deixado vago por Witsel. Estamos perante um enorme erro estratégico na gestão do plantel que o clube poderá vir a pagar bem caro. Veremos como Jorge Jesus irá minimizar o problema. Agora é que chegou mesmo a altura de "inventar".

The Big Easy (1)

Jelly Roll Morton - "King Porter Stomp"

domingo, setembro 02, 2012

A Procuradora Geral Adjunta e a "madrassa" do PSD

  1. Como é que os portugueses aceitam que a Procuradora Geral Adjunta Cândida Almeida, devendo ser o Ministério Público, na sua imagem e modelo de actuação, exemplo de isenção e independência, participe numa iniciativa partidária como é a Universidade de Verão do PSD? (nota para os mais "excitáveis": podia ser qualquer outra).
  2. Como é que Cândida Almeida se digna sequer a responder a uma pergunta com o conteúdo daquela que foi colocada por uma das "alunas" (ver aqui a partir dos 8', mais ou menos), pergunta essa que estaria bem mais apropriada na boca de um membro de uma qualquer "madrassa" (ficamos, contudo, a conhecer bem o que se ensina na tal universidade de Verão e qual o nível político e de cidadania dos participantes).
  3. Como é que a hierarquia do Ministério Público aceita que no final da sua intervenção a Procuradora Geral Adjunta seja aplaudida por uma claque partidária que a considera já, "de facto", como Procuradora Geral?
  4. Será que os partidos da oposição, sempre tão demasiado céleres a pedir a demissão de governantes, muitas vezes por "dá cá aquela palha", vão deixar passar em claro um facto desta gravidade?
  5. Deverá um magistrado do Ministério Público pronunciar-se em público e durante uma iniciativa partidária sobre o modo como são eleitos (escolhidos, nomeados, etc) os juízes do Tribunal Constitucional?
  6. Por último, será que, perante isto, ninguém pede a demissão imediata desta senhora?

Clássicos de cine-esplanada - filmes completos (8)

"Mary Of Scotland", de John Ford (1936)
Filme completo c/ legendas em português

sábado, setembro 01, 2012

"A Bola": um mito urbano?

Perante uma notícia como esta, digna de um primeiro de Abril, e mantendo-se o jornal, maioritariamente, na posse dos seus proprietários de sempre, pergunto-me se "A Bola", hoje em dia um tablóide cuja falta de qualidade o bom senso e e o bom gosto me impedem de qualificar, alguma vez terá sido um jornal de irrepreensível qualidade, credível, escrito por uma plêiade de jornalistas que constituía o escol da profissão, ou se tal não será mais um daqueles mitos urbanos em que Portugal é fértil.

O "fecho do mercado" e o modelo de negócio dos clubes portugueses

A principal lição a reter depois de fechado o mercado de transferências ensina-nos que o meu clube precisa de realizar alguns ajustamentos no seu modelo de negócio depois de um período em que, com alguma facilidade, conseguiu realizar mais-valias significativas, o que, aliás, e como se depreende das declarações de hoje de Jorge Jesus, parece estar já a ser feito, investindo na formação e na equipa B. Depois de uma meia-dúzia de anos em que o mercado se inflacionou por via do dinheiro emergente de russos e árabes e pela tentativa do Real Madrid se tornar competitivo face a um "novo" F. C. Barcelona, a crise financeira e algum abrandamento nos investimentos realizados pelos clubes em causa, agora em fase de maturação, tornou mais difícil a adopção e concretização do modelo "compra barato e vende caro". Demonstra-o aliás o facto de, salvo negócio de última-hora com o mercado russo, o SLB apenas ter conseguido realizar uma mais-valia significativa à beira do fecho do mercado e quase em desespero de causa, o que acaba por colocar em maior risco o equilíbrio e estabilidade do plantel. Algo de semelhante se terá passado com o FCP: o negócio Moutinho não era muito interessante para o FCP face aos montantes a pagar a terceiros e as fanfarronadas de Pinto da Costa no caso da recusa de venda de Hulk não passaram disso mesmo: fanfarronadas.

Para além do investimento na formação e na equipa B, e face a um mercado publicitário recessivo que não tornará muito fácil uma renegociação "em alta" dos direitos televisivos, um objectivo de Luís Filipe Vieira, parece essencial e urgente uma redução da massa salarial, não sendo, portanto, de descartar dispensas futuras. Aguardemos por Janeiro e, entretanto, também pela receptividade do mercado sul-americano a empréstimos de jogadores de lá oriundos.