quinta-feira, maio 10, 2012

5 filmes 5 sobre a WW II + um extra sobre a Guerra da Coreia (3)


"Battleground", de William Wellman" (1949)
Filme completo. Versão original s/ legendas
Nota: um dos melhores filmes sobre a WW II. Integra a lista dos meus cinco filmes favoritos sobre o tema e é de longe o melhor sobre um dos episódios mais emblemáticos do conflito, a Batalha das Ardenas (Battle of the Bulge).

Seguro mendiga

António José Seguro parece andar a mendigar a Cavaco Silva - que, recorde-se, conspirou contra o PS durante os governos de José Sócrates - um lugar no governo (hoje parece ter-se comportado como um  "menino queixinhas"). Até pode vir a consegui-lo, embora duvide, mas para além de perder a dignidade, o que não é apenas um problema dele mas do partido, não me parece, nesta situação, o PS e o país ganhem o que quer que seja com tal coisa, deixando a oposição definitivamente entregue à esquerda radical. Além disso, quanto mais mendigar mais expõe a sua fragilidade perante o PSD, tornando-se dispensável. Governo e o actual PS parecem assim ter-se tornado nas duas faces do mesmo problema. Azar o nosso.

"Grande distribuição": o "lobo mau" e o "capuchinho vermelho"?

No muito que se tem falado, nos últimos dias, sobre a "grande distribuição", esta é normalmente apresentada como o todo poderoso "lobo mau" que explora os indefesos "capuchinhos" na figura dos "pequenos e médios" fornecedores. Desculpem o talvez exagero, mas tem sido mais ou menos assim. Como já disse - e repito - existe uma situação de oligopólio no lado na "grande distribuição que lhe confere um poder desproporcionado perante muitos desses fornecedores, algo que os governos deveriam ter em atenção e regular mas que compete também a esses fornecedores minorar através da criação de associações e grupos. Mas convém também dizer, em abono da verdade, que nem sempre tal dicotomia, entre o poderoso comprador e o quase indefeso fornecedor, é verdadeira: muitos dos principais fornecedores da "grande distribuição" são grandes empresas, uma maioria agrupada na associação Centromarca e muitas delas multinacionais bem mais poderosas do que Sonae ou JM juntas, com marcas que a "grande distribuição" não se pode dar ao luxo de ignorar ou delas prescindir. Exemplos? Procter & Gamble (Gilette - quase monopolista no mercado de lâminas de barbear - Duracell, Tampax, etc), Colgate-Palmolive, Beiersdorf (Nivea), Nestlé (Sical, Nespresso, Chocapic, Cérélac, etc), LOréal (em parte detida pela Nestlé), Unilever, associada à JM (Vaqueiro, Knorr, Becel, Lipton, OMO, CIF, Lux, Rexona, Olá, Skip e dezenas de outras), Danone, Pescanova, Central de Cervejas (pertencente ao grupo Heineken), Unicer (com ligações à Carlsberg e incluindo as águas das Pedras e Vidago) e tantas outras. Vale a pena continuar?

Pois... nem tudo o que luz é oiro e nem tudo o que balança cai, e os accionistas e executivos destas grandes companhias devem estar nestes últimos tempos "a encher a barriga de gozo" por verem uma boa parte da esquerda e outro tanto da boa consciência moral nacional a agirem em sua defesa.

Oscar Cardozo

Ao contrário do que já li (e peço desculpa por não me lembrar onde) o problema de Oscar Cardozo (e, por acréscimo, do SLB) não é "apenas" o de precisar de uma equipa que jogue para ele: é bastante mais do que isso. Sendo um jogador essencialmente posicional, que não actua nem constrói em "bloco" com a restante equipa, sem poder físico-atlético para grandes arrancadas, acaba por limitar em condicionar o jogo em dois aspectos fundamentais:
  1. Naquilo a que Jorge Jesus chama o "ataque posicional", isto é, a capacidade da equipa para ter a bola e fazê-la circular com eficácia no meio-campo contrário (uma "fraqueza" no modelo de jogo perfilhado por JJ), desse modo contribuindo para provocar desequilíbrios nas equipas adversárias que jogam num bloco muito baixo.
  2. Na chamada "pressão alta", "em bloco", dificultando a capacidade da equipa contrária em "sair a jogar". Aliás, a primeira causa da equipa defender mal, sofrendo muitos golos, começa por estar exactamente aí, nas características de Oscar Cardozo e no modo como a equipa tem de jogar para potenciar as qualidades do seu "ponta de lança". 
A este propósito, e da ausência de propostas relevantes pelo passe do jogador, costumo sempre citar o caso de Peter Crouch, internacional inglês e o jogador europeu mais parecido com o "Tacuara", que nunca se conseguiu fixar numa equipa de topo, estando neste momento a actuar no modesto Stoke City. Digamos que Oscar Cardozo, com todas as suas qualidades, é o exemplo típico de um goleador "fora de moda", que condiciona todo o futebol da equipa onde actua. Um problema para o meu "Glorioso" resolver.

quarta-feira, maio 09, 2012

Luís Nazaré, as bananas e o ananás

Acabo de ouvir Luís Nazaré, dissertando na RTP Informação sobre o poder da "grande distribuição", mostrar-se escandalizado por não encontrar à venda nas grandes superfícies bananas da Madeira ou ananás dos Açores. Informo Luís Nazaré que compro regularmente (uma ou duas vezes por semana) bananas da Madeira numa grande superfície pertencente a um dos dois maiores operadores do sector e que o ananás dos Açores se tornou num produto "gourmet", vendido a um preço quatro ou cinco vezes superior ao ananás das Américas Central e do Sul . Não me parece, portanto, apesar da sua qualidade superior ou até por isso mesmo, seja o ananás dos Açores o tipo de produto que possa competir numa grande superfície "generalista", a não ser em períodos muito específicos (Natal, por exemplo).

5 filmes 5 sobre a WW II + um extra sobre a Guerra da Coreia (2)

"Nuit et Brouillard", documentário de Alain Resnais (1955)
Versão original c/ legendas em português

Blindness (13)

"Blind" Boy Fuller - "Meat Shakin' Woman"

Pequena nota sobre as afirmações de Mário Soares

Claro que ninguém no seu perfeito juízo, nem mesmo o próprio Mário Soares, pode interpretar literalmente o que disse o ex-Presidente da República sobre o compromisso do PS com a "troika". O que Mário Soares quis   com tal afirmação foi, aproveitando a eleição de François Hollande e as eleições na Grécia, isto é, sentindo o "momentum", empurrar um pouco mais para a esquerda, abrindo-o, o centro de gravidade de um debate político e ideológico que tem estado, nos últimos anos, demasiado aprisionado por uma versão europeia e tardia do neo-conservadorismo. Mais ainda: colocar de novo a política e a democracia na ordem do dia. Assim lido, digamos que faz todo o sentido.

terça-feira, maio 08, 2012

5 filmes 5 sobre a WW II + um extra sobre a Guerra da Coreia (1)

"The Enemy Below", de Dick Powell (1957)
Filme completo c/ legendas em inglês

Pingo Doce: a participação dos fornecedores

O jornalismo português, e até mesmo o "económico", descobriu agora que o "Pingo Doce" vai repercutir, total ou parcialmente, em alguns dos seus fornecedores os custos da sua promoção do 1º de Maio. Acordaram tarde, pois desde sempre tal acontece em todas as promoções da "grande distribuição", quer se tratem de localizações especiais nas lojas, descontos nos preços, inserção em folhetos, acções de promotoras ou menções em campanhas publicitárias (e por aí fora). Aliás, até já o tinha afirmado neste "blog" em comentário de resposta a algumas questões pertinentes levantadas por um leitor. No entanto, esquece-se a comunicação social de acrescentar que os próprios fornecedores também beneficiam com tais promoções, por via do acréscimo de vendas assim gerado. Compete-lhes fazer contas (e fazem-no) para verificarem se o acréscimo de vendas obtido compensa ou não o investimento que realizam ao participarem nessas acções. Claro que o que aqui digo não obsta a que não exista um desequilíbrio evidente entre a "grande distribuição" e os fornecedores, por via da situação oligopolista do lado da oferta, deixando aos fornecedores uma reduzida margem de manobra. E também, como por aqui já tenho repetido, é esse o grande problema, e não os tais "dumping", "margens de lucro escandalosas" e outros disparates que se tornaram comuns nos últimos dias e aos quais nem a impreparada ministra Assunção Cristas escapou.

Já agora... Durante todo este processo os sindicatos tiveram um comportamento patético, começando com os apelos a uma greve e um boicote que sabiam nunca seriam cumpridos e acabando agora numa queixa à Autoridade para as Condições de Trabalho por "discriminação". Ainda não devem ter percebido que este é o modo mais fácil e directo para descredibilizarem e conduzirem ao isolamento o movimento sindical, num momento em que o fortalecimento de um sindicalismo reformista seria desejável.