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segunda-feira, abril 23, 2012

Um 25 de Abril mais pobre

Claro que a Associação 25 de Abril tem todo o direito de assumir as opções políticas e ideológicas que entender e Mário Soares a solidarizar-se com elas. Quem sou eu para lhes negar tal direito, principalmente ao segundo, personalidade que merece a minha maior admiração e respeito. Mas tendo sido a instauração de um regime democrático o principal objectivo do 25 de Abril e tendo Mário Soares empenhado toda uma vida na sua defesa intransigente, não podemos negar ser o actual governo, gostemos mais ou menos dele, concordemos ou discordemos da sua ideologia e prática política, uma emanação dessa mesma democracia, tendo sido eleito através do voto legítimo e inquestionável dos portugueses e, no essencial, não tendo até ao momento deixado de respeitar as regras e instituições do Estado democrático. Exactamente por isso, preferia que os militares de Abril e o Presidente Mário Soares, independentemente da opinião que tivessem e têm todo o direito a exprimir sobre o actual governo, honrassem, com a sua presença nas cerimónias oficiais, essa mesma democracia e a decisão legítima dos portugueses.  

domingo, novembro 13, 2011

Manifestações de militares e democracia

Por muito que existam razões ideológicas de fundo - e outras - que me distanciem do actual governo - e existem em número suficiente -, existe uma, essencial e inultrapassável, que me separa de concordar com manifestações de militares, por muita razão que lhes possa assistir: a defesa da democracia e do Estado de Direito, para mim incompatível com tal tipo de acções. Encolher os ombros e condescender perante manifestações da militares contra ou a favor de qualquer governo legítimo e democraticamente sufragado, por muito que possamos simpatizar ou antipatizar com os visados nessas suas acções, constitui pois, em minha opinião, o primeiro passo para capitular perante o desrespeito e a subversão das mais elementares regras que definem o Estado de Direito Democrático e ter deste uma concepção puramente instrumental. É passo que não dou e barreira que não transponho.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Viva o general Tapioca; abaixo o general Alcazar!!! (ou será vice-versa?)

Todos já ouvimos falar de “pronunciamentos“ militares, mas temo poucos conheçam a origem do termo. Eu próprio desconheço se a sua origem é espanhola ou sul-americana (inclino-me mais para esta hipótese), mas a palavra original é “pronunciamiento” e a “coisa” passava-se mais ou menos assim: descontentes com um governo, um grupo de oficiais declarava a sua intenção de derrubá-lo e estabelecer uma ditadura militar, assim daquelas tipo general Alcazar e general Tapioca. Aguardava-se, então, para ver se havia apoio suficiente por parte dos seus “camaradas de armas” (isto é, contavam-se as espingardas: melhor, as vozes) e, caso existisse, o assunto estava arrumado e lá se arranjava um general adequado (ou seja, suficientemente bronco e incompetente) para chefiar o novo governo. Caso não existisse esse apoio maioritario, lá a “coisa” fiava mais fino e os revoltosos, na melhor das hipóteses, acabariam na reserva ou no exílio. E assim sucessivamente, qual filme em “pescadinha”. A grande vantagem do assunto, do dito pronunciamento, é que não havia lugar a combates, mortos e feridos, essas coisas sanguinolentas e outras eventualmente ainda mais desagradáveis e chocantes.

Parece que por cá o pronunciamento, pelo menos neste momento, se limita aos generais na reserva. Acho boa ideia: é assim como quando, em adolescentes, sem nos expormos, intercedíamos junto de um irmão mais velho para este pedir em nosso nome, ao pai ou à mãe, para que nos fosse concedida qualquer benesse, mesmo que face a uma nota menos boa nos estudos, fosse a chave do carro no sábado à noite ou um aumento da mesada. Não têm os nossos generais na reserva armas nem comandam tropas? Paciência: como também já estão na “reserva” não haverá grandes consequências se o “pronunciamento” falhar. Mas, já agora, uma pergunta. Tal como em 1956 bricávamos, eu e os meus amigos de então, no recreio do colégio, aos húngaros e russos, substitutos ocasionais dos polícias e ladrões, porque não organizam os nossos generais na reserva um torneio de paintball? Uns seriam pelo Sócrates e outros, os “jovens mais impulsivos”, pelo General Tapioca, a breve trecho substituído pelo seu rival Alcazar. Haveria poucos a “alinhar” pelo Sócrates? Pois, calculo, mas também nas nossas brincadeiras de colégio era uma chatice arranjar quem quisesse ser pelos russos! Mas lá se arranjava, pois claro, caso contrário não haveria brincadeira, o que era o pior dos castigos!