Confesso não entender lá muito bem o entusiasmo de muitos portugueses pelo futsal e pelo seu campeonato do mundo, mais a mais disputado num país tão pouco óbvio para dar chutos numa bola como o é a Tailândia. Para mim, para além de desporto suburbano por excelência, disputado por equipas com nomes curiosos como Freixieiro e Fundação "não sei das quantas", futebol de salão (é esse o seu verdadeiro nome) é mais divertimento do que desporto, ligado, como está nas minhas memórias, aos jogos entre oficiais e sargentos, quando estava na "tropa", ou aos que disputava, salvo erro às 4ªs feiras, contra equipas de operários da fábrica de uma das empresas onde trabalhei. No caso da tropa, trocávamos sempre de guarda-redes com a equipa de sargentos, e assim lá se conseguiam equilibrar os jogos - rijamente disputados, está bem de ver; já no caso mais recente, nós, os "white collars", já trintões ou a roçar os "quarentas", levávamos sempre que contar do pessoal da fábrica, bem mais novos, melhor preparados e - porque não dizê-lo? - motivados para ganhar aos "betinhos" e "senhores doutores". Mas, em ambos os casos o problema era alinhar sempre na equipa "hierarquicamente superior", na qual era suposto bater forte e feio sempre que possível. Boas recordações são muitas, na mente e no físico, principalmente no meu joelho direito que ainda hoje não raramente dá sinal da má vida de antanho. Divertimento? Claro que sim, e muito. Mas, e peço por tal coisa as devidas desculpas, ninguém me consegue convencer que aquilo é desporto. E a prova é que nem sequer sei os resultados do meu "Glorioso", que até acho tem uma equipa.