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quinta-feira, março 22, 2012

A avaliação das escolas

Diz o "Público" que na avaliação externa das escolas, no parâmetro "Liderança" 53.6% foram classificadas com "Bom" e 33.8% com "Muito Bom". Para quem é mau em contas, isto dá um total de 87.4% classificadas com "Bom" ou "Muito Bom". Acresce que 70% das escolas obtiveram a classificação de "Bom" no parâmetro "prestação do serviço educativo". Se isto correspondesse a qualquer realidade, estaríamos no melhor dos mundos, claro.

Espero a partir de agora todos percebam para que servem as quotas e aceitem que sem a sua introdução não existe qualquer possibilidade de uma avaliação honesta do que quer que seja.

domingo, agosto 22, 2010

Fecho de escolas à "vol d'oiseau"

Na vida dos negócios e das empresas, normalmente a primeira abordagem a um novo projecto ou ideia que nos são apresentados é feita no sentido de verificar se o que nos é proposto “faz sentido”; se no seu racional, na sua correspondência com o ambiente externo e interno, no modo com aborda os problemas, nas soluções propostas e na adequação da estratégia e acções apresentadas aos objectivos em vista (e nos próprios objectivos em si mesmos), etc, etc, tudo parece consistente e não contraditório, nada fere a lógica. Se isso acontece, numa primeira e rápida análise muitas vezes efectuada “à vol d’oiseau”, confiamos que o projecto ou ideia merecem que se gaste algum tempo com ele, partindo-se então para uma sua análise mais profunda e detalhada. De modo mais ou menos formal, é assim que as coisas se passam.



Embora sendo parcos os meus conhecimentos de organização e gestão escolar, de pedagogia e acção educativa, o que essa tal lógica me leva a concluir do projecto que prevê o fecho de escolas com menos de vinte alunos é que, analisadas as questões que acima referi, no seu todo ele “faz bastante sentido”, merecendo por isso que se passe ao patamar seguinte do seu desenvolvimento. Algumas acções serão mais complicadas de resolver, outras desencadearão alguns problemas, outras, ainda, necessitarão de um estudo mais aprofundado? Não duvido; mas fazendo o projecto globalmente “sentido”, serão sempre questões subsidiárias a necessitar de resolução e, eventualmente, de alteração nos seus detalhes e processos de implementação. Nunca algo que sirva de pretexto para que se mude o essencial.

segunda-feira, março 22, 2010

As estranhas concepções didáticas da Fenprof

Tanto quanto sei, a direcção da Fenprof é constituída por professores, embora à maioria deles da sala de aula e dos alunos nada mais deva restar do que uma vaga ideia. Mas pensava ser essa longínqua e vaga ideia o suficiente para não esquecerem a pedagogia e, assim, não tentarem resolver os problemas da indisciplina e da violência nas escola tratando os alunos, crianças e adolescentes, como criminosos. Ficamos, pois, assim a saber quais as concepções didáticas dominantes na Fenprof, estrutura sindical onde um partido e um militante que se dizem de esquerda têm influência determinante. Brilhante!

O problema da indisciplina e violência nas escolas, algo cujo tratamento deixo aos especialistas acentuando que não sou partidário da escola laxista assim como também não o sou do modelo escola/campo de concentração dominante em algumas delas no tempo da ditadura, é uma questão demasiado complexa para ser enfrentada com medidas avulsas e apenas de um ponto de vista coercivo. Direi ainda mais: ele não é isolável do modo como a gestão da escola pública está organizada. Insisto, uma vez mais: com o actual sistema de eleição das direcções das escolas, algo que apenas fomenta o corporativismo mais conservador, e sem que essas mesmas direcções sejam nomeadas por estruturas de proximidade e perante elas respondam e se responsabilizem pelo modo como exercem as suas funções, nada de essencial irá mudar. Mais: sem que as escolas tenham autonomia suficiente para poderem ter uma palavra a dizer na escolha dos docentes mais adequados e preparados para o meio e condições onde irão exercer as suas funções, podendo cada escola, dentro de limites pré-estabelecidos a nível nacional pelo ministério, oferecer condições salariais diferenciadas e adequadas à dificuldade e complexidade das tarefas de cada um, será muito difícil alterar algo que, de per si, já constitui um problema cuja solução está longe de ter êxito garantido. Por último, algo que a Fenprof e os professores devem ter em mente: ao contrário do que as estruturas sindicais têm sistematicamente afirmado na sua contestação, a tarefa de um professor não é apenas ensinar, “dar aulas”. Está mesmo muito longe disso. É contribuir para que a escola seja uma instituição que fomente a integração social dos seus membros, o que inclui um ensino bem sucedido, o desenvolvimento das potencialidades de cada aluno enquanto cidadão, mas também a sua preparação integral para enfrentarem a vida futura.

sexta-feira, março 12, 2010

A escola de Fitares (Rio de Mouro) ou como há sempre algo a aprender com as tragédias (caso se queira, evidentemente...)

Se em vez de serem colocados de modo burocrático e impessoal por um computador do Ministério da Educação as escolas tivessem alguma autonomia e uma palavra a dizer no processo de contratação dos seus docentes, incluindo uma entrevista individual, era muito provável que escola básica de Fitares (Rio de Mouro) tivesse chegado à conclusão prévia de que o candidato a professor de música não reunia o perfil indicado para o exercício da profissão a que se candidatava.

Se a direcção da escola de Fitares, em vez de eleita pelos seus pares, fosse responsavelmente nomeada por uma entidade local, de proximidade, à qual teria de prestar contas em vez de o ter de fazer a um distante e burocrático ministério pelo qual não tinha sido nomeada, talvez tivesse sido obrigada a agir a tempo de evitar que os alunos tivessem perdido o seu tempo com um professor a quem não respeitavam e em cujas aulas o aproveitamento se deve ter aproximado do nulo e só terão contribuído para a criação de um ambiente de indisciplina e laxismo na escola.

Se ambas as condições, que acima descrevo, se tivessem verificado, talvez um cidadão emocionalmente frágil mas qualificado, que bem poderia realizar-se e ser feliz numa outra profissão e assim contribuir com o seu trabalho para a sociedade, para o seu país e para si próprio, não tivesse chegado ao ponto extremo de preferir o suicídio à vida.
Fica o recado dado, tanto ao inefável sindicalista Nogueira como à profissional de relações públicas que actualmente exerce as funções de ministra da educação.

quarta-feira, maio 20, 2009

Educação sexual nas escolas: existe mesmo necessidade de controvérsia?

Estou muito longe (acho) de poder ser considerado um conservador, não professo qualquer religião e Deus nunca me deu provas da sua existência. Mais ainda, votei favoravelmente a lei da IVG e sou favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tendo dito isto, isto é, tendo claramente demarcado o meu território e pedindo desde já desculpa por qualquer ignorância que, do ponto de vista da pedagogia, se possa depreender das minhas palavras (os meus filhos já deixaram a escola há muito e os netos ainda vão no pré-escolar e de “nuestros hermanos”), alguém me explica da necessidade de um programa específico e autónomo de educação sexual nas escolas? Não seria bem mais simples, e menos (ou nada) susceptível de controvérsia, que o assunto fosse integrado no estudo da reprodução animal (onde também se estudariam as especificidades inerentes ao género humano, claro está) incluído numa cadeira de biologia, ciências naturais, zoologia, ou lá o que quer que fosse, onde, inclusivamente, se poderia - e deveria - falar da contracepção, das doenças sexualmente transmissíveis e dos diversos métodos para evitar a sua propagação? E se deixasse a distribuição gratuita de preservativos para os centros de saúde e tutti quanti, para onde os alunos deveriam ser encaminhados em caso de necessidade?

Esta questão não está a ser apenas agitada para dar um “ar” de “olha, tão modernos e liberais que nós somos!”, a que não corresponde um conteúdo efectivo nem uma resposta eficaz aos problemas que se propõe resolver?

Alguém me responde mesmo?