Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, setembro 25, 2012
Futebol: "não apaguem a memória"!
quarta-feira, setembro 05, 2012
Um cenário politicamente incorrecto
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Lembram-se do "site" da PGR para denúncias de corrupção?
O “site” criado pela PGR/DCIAP para denúncia de casos de corrupção e fraude recebeu, no seu primeiro mês de vida, 347 participações das quais 69 foram arquivadas, 70 eliminadas e as restantes 208 estão pendentes.
Convenhamos que para o “povo da SIC” que diariamente se escandaliza,, nos fóruns de opinião, acusando os outros, a torto e a direito, de corruptos, os resultados estarão longe de tal correspondência, até porque não só será fácil de imaginar o conteúdo da maioria dos 208 “pendentes”, como, depois do entusiasmo inicial, a tendência será para o número de queixas (posso dizer “delações”?) sofrer uma quebra acentuada.
Não ignorando que a questão da corrupção é séria, muito mais séria do que brincadeiras deste género poderiam levar a concluir, aconselho o seguinte:
- Ao “povo da SIC” algum tento na língua, não vá o feitiço voltar-se contra o
feiticeiro. - À PGR/DCIAP concluir que o crime de delação, pelos vistos, não compensa,e que talvez seja bem melhor começar a pensar em actuar com profissionalismo combatendo, com eficácia, a corrupção efectivamente existente em vez de se dedicar a fomentar o populismo e os mais básicos instintos de alguns, felizmente, e como se pode concluir, bem poucos.
Nota de sábado, dia 18: segundo ouvi ontem no noticiário da meia-noite da TSF, apenas uma destas queixas pendentes continha matéria susceptível de ter dado origem à abertura de um processo.
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Corrupção e populismo
Não sei se a corrupção aumentou ou regrediu em Portugal nos últimos anos nem de que modo evoluiu o combate a este tipo de crime. O que sei é que este é um daqueles estudos praticamente inúteis, pois a percepção que os portugueses têm do fenómeno tem bem mais a ver com questões como a sua notoriedade nos “media”, o conhecimento ou não de alguns casos exemplares e mais mediáticos, a crise económica, a pobreza e a desigualdade, o desemprego e, por último mas não menos importante, o seu conforto ou desconforto com o regime e dirigentes políticos, do que propriamente com a evolução real do fenómeno.
Quanto à maior ou menor eficácia do combate à corrupção, para além das questões acima referidas, todos sabemos que se trata de um crime em que é normalmente difícil produzir prova em tribunal, pior ainda quando estamos a falar de casos que envolvem alto nível de sofisticação, e também sabemos quanto as questões ligadas aos direitos, liberdades e garantias são mais ou menos descartáveis para os portugueses quando se trata de julgar os “políticos” e “os ricos e poderosos”, que é realmente do que se está aqui a falar.
Voltando ao início... A corrupção aumentou ou regrediu? Não faço ideia e, dada a natureza do fenómeno, duvido alguém esteja em situação de o afirmar com rigor. Não tenho qualquer dúvida sobre o carácter pernicioso dessa mesma corrupção e sobre a necessidade de o combater sem hipocrisia e com eficácia, até porque corrupção e subdesenvolvimento costumam andar de mãos dadas. Mas o que Estado e governos não podem, de modo algum, fazer é para isso ultrapassarem os limites do Estado de Direito (ou deles “fazerem de conta”) e cederem á pressão da “rua” e da demagogia e populismo emergentes.
PS. Ouvi hoje Guilherme Oliveira Martins pedir “sanções exemplares” para crimes de corrupção. Respeito sinceramente Guilherme Oliveira Martins, mas de cada vez que oiço alguém pedir “sanções exemplares” para quaisquer tipo de crimes, fico sempre de pé atrás. Ou será que os tribunais não devem sempre julgar com isenção e independência e aplicar as leis com rigor e de acordo com a matéria provada em cada caso?
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Ainda o enriquecimento ilícito
Mas - e como oiço e leio frequentemente darem como exemplo bens de evidente ostentação – que acontece se não forem suficientemente burgessos para, em vez de mansões com “janelas à la fenêtre”, carros de “alta cilindrada” (é este o termo, não é?) e iates para a Jamaica, preferirem coleccionar arte - comprada no estrangeiro, por exemplo, para o anonimato correr menores riscos - para terem em casa e a bom recato, serviços completos Companhia da Índias, colecções de antiguidades, relógios de oiro, sapatos por medida no John Lobb ao ritmo de vários pares por mês (são €2 500 por cada par, no mínimo), passear com a família à volta do mundo em 1ª classe (a verdadeira, não essa “choldrice” da executiva...) com estadas em hoteis de luxo, etc, etc, ou seja, coisas menos tangíveis para quem não distingue um Jackson Pollock de um desenho da minha neta mais velha que está no jardim de infância ou não tem acesso à privacidade de uma casa particular? E, já agora, se resolver ser mecenas?
Admitindo tão brilhantes deputados e juristas tenham pensado em tudo isso, agradeço me esclareçam – a mim, que não sou jurista – o que fazer nos casos supra e semelhantes ou, caso contrário, vou acabar por pensar que tudo é feito apenas com o intuito de “epater le bourgeois” e o objectivo não é mais do que prender meia dúzia de “ricos e poderosos” de 3ª classe (tipo “sucateiro” Godinho) e exibi-los, de preferência numa jaula, para gáudio das multidões, enquanto aguardam imolação em auto de fé, com direito a descrição em livro de Saramago e tudo.
domingo, novembro 15, 2009
Porfírio Rubirosa e o enriquecimento ilícito
quarta-feira, novembro 11, 2009
Afinal... não estou assim tão sózinho
domingo, novembro 08, 2009
O "polvo" e a minha - talvez ingénua - confiança na democracia
A passagem do país à maioridade mediática - com o “Independente”, a abertura das televisões à iniciativa privada, os canais por cabo e a "internet" - a emergência de uma nova geração de políticos no CDS, travestido de PP, e talvez também a luta pelo domínio das novas oportunidades de negócio que os fundos estruturais e as novas tecnologias trouxeram consigo, colocaram em causa esse consenso estabelecido, e os partidos do regime viram aí aberta uma nova área de luta política para onde foram também arrastadas as polícias de investigação criminal e a comunicação social. Assim, hoje temos a sensação que tanto essa investigação criminal como o jornalismo navegam à medida dos interesses dessa luta política e partidária, servindo os interesses de uns ou outros consoante a conjuntura, a oportunidade e a correlação de forças existente no seu seio.
Aquilo que foi gerado, a seu tempo, pela necessidade de crescimento e consolidação do regime democrático pode também gerar o seu fim? Acredito que não. Apenas ingenuidade optimista? Não penso assim: as democracias e as sociedades abertas, ao contrário das ditaduras e dos regimes totalitários, contêm em si mesmas os genes geradores da sua própria renovação.
terça-feira, julho 28, 2009
O presidente do S. C. de Braga é traído pelas palavras...
Que a Liga aceite este “esquema” não admira: muitos clubes (FCP, Olhanense, V. de Setúbal, Sporting de Braga, Académica, Estrela) dele beneficiam ou beneficiaram, pelo menos no curto prazo, olhando para a árvore mas ignorando a floresta. Que o país que gosta efectivamente de futebol (existirá?) e as entidades oficiais o admitam passivamente já me parece mais estranho...
Parece-me chegou o tempo de quem de direito (FIFA, UEFA?) encarar de frente a hipótese de limitar drasticamente os empréstimos a quem dispute a mesma competição e, porque não?, agir estabelecendo um número máximo permitido de jogadores sob contrato. Tudo isto me parece bem mais importante, e barato, do que as novas tecnologias do comentador Rui Santos.
quinta-feira, abril 02, 2009
Braval
segunda-feira, julho 28, 2008
Parece que o governo decidiu convocar o "Congresso da Asneira"
A resposta à argumentação racional (pode ser questionável e rebatível, mas é racional, isto é, parte da razão) de João Cravinho sobre a questão da corrupção, utilizando (essa resposta) uma argumentação(?) baseada num qualquer superioridade moral, não se sabe, neste caso, conquistada onde ou quando, peca por dois motivos básicos: não parte do racional, da razão e do raciocínio, contra-argumentando politicamente, e esquece que foi em nome de superioridades morais várias que se cometeram algumas das maiores atrocidades da História. Em democracia dispensa-se bem tal arma de arremesso. “Congresso da Asneira” nº 1, pois.
Caso idêntico se passa com a resposta às considerações de Paulo Portas sobre o “Rendimento Social de Inserção” (RSI). Começo por fazer notar que, ao contrário de PP e do PP, sou um defensor do RSI como último recurso para os que a nada mais podem recorrer. Algo assim ajuda, entre outras coisas, a distinguir a civilização da barbárie. Mas o RSI contém em si algumas perversidades que se podem tornar, perante a sociedade, no seu pior inimigo. Deve, por isso mesmo, estar continuadamente sujeito a escrutínio público e investigação governamental dos seus beneficiários, garantindo a sua genuinidade, direito de acesso e carácter transitório para os que a outra situação estão em condições de aspirar. Caso contrário gera em si mesmo o vírus da injustiça e da sua própria destruição. Pois PP e o PP, muitas vezes culpados, com razão, pela demagogia mais rasteira, têm neste caso todos os motivos para exigir que se investigue e se reduzam ao mínimo as perversidades, o que o governo não deveria deixar de fazer pelas boas razões que presidiram e presidem à criação e manutenção do RSI. Mas parece que, pela resposta, o governo preferiu o “Congresso da Asneira” nº 2. Lamentável
domingo, julho 27, 2008
Das Origens da Corrupção no Portugal Democrático
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Os portugueses e a corrupção
A corrupção e o tráfico de influências incomodam os portugueses? Só aparentemente. Na prática, sentem-se incomodados quando elas os não beneficiam. Provas? Basta ver como os adeptos do FCP, mesmo os aparentemente mais críticos da sociedade portuguesa, se incomodam com a simples perspectiva de verem ser deduzida acusação contra o seu presidente. Como confirmar? Basta uma pequena consulta a alguma blogosfera nortenha, como o Blasfémias ou o Kontratempos. Garanto que vale a pena.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Marinho e Pinto, o mensageiro e a mensagem
Foi o facto de terem sido proferidas pelo bastonário da Ordem dos Advogados que deu valor acrescido às afirmações de Marinho e Pinto sobre casos, já de todos conhecidos e divulgados pelos media, onde se poderiam vislumbrar fumos de corrupção. Foi o seu perfil um pouco desbragado para o que é habitual no cargo, no limiar do populismo, que gerou a adesão popular e a identificação junto das “massas”. Foi também esse seu perfil que pode ter contribuído para lhes retirar alguma credibilidade junto de todos os outros.
Em todos estes casos, não será que o mensageiro foi a mensagem?