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segunda-feira, outubro 29, 2012

"Untermenschen"?

Ponto prévio: aviso já que vou ser um "bocadinho" demagógico, mas, que raio!, por vezes isso alivia...

Na Alemanha nazi, os "untermenschen" (judeus, ciganos, deficientes, etc), estando ou devendo ser, por opção própria, decisão política do Estado ou impossibilidade prática, afastados da participação social, deixando de ser considerados cidadãos, tornaram-se num "custo" que o Estado, mais a mais numa economia de guerra, não queria continuar a suportar. Restava-lhes, portanto, morrer com o menor custo possível para o Estado - industrializando a sua eliminação -, após terem prestado alguns últimos serviços tais como trabalho escravo e utilização como cobaias em algumas experiências pseudo-médicas e pseudo-científicas. Eram desperdício, e como tal foram tratados, tendo essa lógica sido assumida como nunca antes e, na prática, levada às suas últimas consequências.

Claro que nos separam setenta anos de democracia e de progresso, um mundo de evolução, mas ao ver os beneficiários do RSI, os desempregados e os pensionistas pobres poderem ser objecto de medidas de redução pelo governo das subvenções de solidariedade que recebem da sociedade, de todos nós, através do Estado, espero não esteja aqui contido, mesmo que de forma subliminar, qualquer (pre)conceito contra aqueles que, por opção (muito poucos) ou contra a sua vontade (uma enorme maioria), vivem nas margens da sociedade e se tornaram, numa lógica puramente contabilística, um "custo". Espero que não esteja aqui contida, mesmo que de forma não explícita, nenhuma decisão que os considere "expendable", um desperdício, um custo que a sociedade não tem obrigação de suportar e deve reduzir a níveis mínimos de subsistência ou até menos. O problema é que perante tais decisões, tenho dúvidas a lógica não seja essa. 


domingo, agosto 26, 2012

Da "redenção" pelo trabalho

Vendo bem, em termos do conceito que lhes está subjacente (felizmente estamos bem longe dos respectivos aspectos práticos) não existirão assim diferenças tão grandes entre pôr os beneficiários do RSI a limpar matas e a a tratar dos "velhinhos" e a "redenção e reeducação pelo trabalho", muitas vezes "junto do (bom) povo", tão cara aos regimes totalitários, comunistas ou de extrema-direita. Em ambos está presente uma certa penalização dos que, de uma maneira ou de outra, por pensamento ou origem, mas sempre "por sua própria responsabilidade", se mantiveram longe do "main stream" social, da "linha justa", tornando-se "marginais" face à ordem estabelecida. A alguns, haverá que fazer tudo para os "corrigir", fazer voltar ao "redil", evitando que se tornem um "mau exemplo", uma praga que se arrisque a contaminar, com esse seu mau exemplo, sectores mais vastos, os chamados "portugueses pacientes", a tradução de "bom povo" para novilíngua. Resta saber qual a cor do triângulo que lhes está destinado, se os os amarelos sobrepostos formando a estrela de David, se o verde dos criminosos, o encarnado dos políticos, o castanho dos ciganos, etc, etc. Pois, lá vão dizer que sou um exagerado...

quinta-feira, agosto 23, 2012

Uma decisão que envergonha o governo, o ministro e o país

Das duas uma - e independentemente de razões de liberdade, dignidade, trabalho e salário dignos que parecem não preocupar muito o governo:
  1. Ou os beneficiários do RSI, agora obrigados a limpar matas e jardins ou a tratar de velhinhos nas IPSS, vão ocupar postos de trabalho realmente disponíveis e para os quais não terão qualificações nem vontade, contribuindo, deste modo, para a falta de eficácia desses serviços e para que o desemprego não diminua.
  2. Ou não vão na realidade efectuar qualquer trabalho útil (o que me parece estar bem mais perto da verdade, sendo a decisão apenas expressão de uma vontade punitiva sobre os mais fracos) e o Estado, além do pagamento do RSI respectivo, ainda verá os seus custos agravados com o valor do subsídio de almoço, transporte e seguro.
Conclusão: a não ser que a intenção seja mesmo obrigar alguns beneficiários do RSI (poucos, já que uma larga maioria se encarregará de arranjar maneira de se incluir nas excepções) a recusar poupando assim uns míseros euros à custa de alguns dos valores essenciais da dignidade humana, tomar decisões apenas por razões ideológicas e para agradar ao "Correio da Manhã" e ao "povo da SIC", alinhando pelas posições do populismo mais rasca e mais ignorante da sociedade portuguesa, nem sempre constituirá também a opção mais inteligente em termos de eficácia governativa. Felizmente, excepto talvez aqui e ali, em situações muito raras e concretas, nada disto vai funcionar e até talvez se venha a voltar contra os seus proponentes. Espero bem que sim: terão o que merecem. 

sexta-feira, abril 13, 2012

E um pouco mais de respeito, Srª ministra Assunção Cristas

Não sei se existe ou não falta de gente para trabalhar na agricultura, mas o que sei e conheço é muita gente que procura qualquer trabalho, qualquer um, mais ou menos adequado às suas qualificações ou ao seu ramo de experiência e conhecimentos, e não o encontra. Em termos gerais e abstractos, é esta a situação, bem demonstrada pela taxa de desemprego mais elevada de sempre no país.

Mas, ao fazer estas afirmações, a ministra Assunção Cristas está tudo menos preocupada com veracidade do que diz e com a sua correspondência à realidade. O que pretende é, isso sim, juntar à sua voz à ideologia dominante neste governo - especialmente no CDS e que serve de justificação acrescida para o corte nas transferências sociais - que tenta passar a mensagem de que os portugueses são "uma cambada de preguiçosos", que "não se dispõem ao trabalho duro" e "gostam é de viver à sombra e à conta dos subsídios estatais". No fundo, que pelo menos uma parte deles é responsável pelo seu próprio desemprego. 

Trata-se, está bem de ver - e não vou ter medo das palavras -, da mais rasteira demagogia populista da direita radical, digna da família Le Pen, e se os portugueses têm compreendido e aceite com notável resignação que, no estado actual do país, é necessária alguma moderação e até refluxo em algumas das transferências sociais que já muitos se vêm forçados a receber - e para as quais também muitos deles descontaram uma vida, note-se - teriam pelo menos todo o direito a verem reconhecida essa sua atitude por parte do governo e, no mínimo, a não serem insultados pela ministra.

segunda-feira, julho 28, 2008

Parece que o governo decidiu convocar o "Congresso da Asneira"

Em crianças e adolescentes, quando lá por casa as discussões entre nós, os mais pequenos, deixavam de ter o cérebro como “comandante supremo” o meu pai tinha por hábito interrompê-las, chamando-nos à pedra e à razão, com a lapidar frase “entrámos no congresso da asneira”. Pois parece que foi isso exactamente o que aconteceu ao PS com a silly season, que já não pode servir de desculpa para tudo e para todos. Mas vamos por partes.

A resposta à argumentação racional (pode ser questionável e rebatível, mas é racional, isto é, parte da razão) de João Cravinho sobre a questão da corrupção, utilizando (essa resposta) uma argumentação(?) baseada num qualquer superioridade moral, não se sabe, neste caso, conquistada onde ou quando, peca por dois motivos básicos: não parte do racional, da razão e do raciocínio, contra-argumentando politicamente, e esquece que foi em nome de superioridades morais várias que se cometeram algumas das maiores atrocidades da História. Em democracia dispensa-se bem tal arma de arremesso. “Congresso da Asneira” nº 1, pois.

Caso idêntico se passa com a resposta às considerações de Paulo Portas sobre o “Rendimento Social de Inserção” (RSI). Começo por fazer notar que, ao contrário de PP e do PP, sou um defensor do RSI como último recurso para os que a nada mais podem recorrer. Algo assim ajuda, entre outras coisas, a distinguir a civilização da barbárie. Mas o RSI contém em si algumas perversidades que se podem tornar, perante a sociedade, no seu pior inimigo. Deve, por isso mesmo, estar continuadamente sujeito a escrutínio público e investigação governamental dos seus beneficiários, garantindo a sua genuinidade, direito de acesso e carácter transitório para os que a outra situação estão em condições de aspirar. Caso contrário gera em si mesmo o vírus da injustiça e da sua própria destruição. Pois PP e o PP, muitas vezes culpados, com razão, pela demagogia mais rasteira, têm neste caso todos os motivos para exigir que se investigue e se reduzam ao mínimo as perversidades, o que o governo não deveria deixar de fazer pelas boas razões que presidiram e presidem à criação e manutenção do RSI. Mas parece que, pela resposta, o governo preferiu o “Congresso da Asneira” nº 2. Lamentável