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sábado, novembro 10, 2012

De Louçã a Jonet: duas notas sobre a política de fim de semana

  1. Foi a todos os títulos lamentável, mesmo tendo em conta o ambiente "comicieiro", o discurso de ontem de Francisco Louçã na abertura da Convenção do Bloco de Esquerda. Optar por um discurso radical, comparando Angela Merkel a um pirata e a sua visita a uma operação de rapina, mesmo discordando das suas opções políticas (e eu discordo maioritariamente delas), é, para além de uma ofensa desnecessária a um governante de um país civilizado, desenvolvido e democrático, parceiro de Portugal na União Europeia, um monumental erro político num momento em que no país e na Europa cresce em várias áreas políticas, da esquerda radical à direita conservadora, o apoio a soluções alternativas ao "empobrecimento" e à super-austeridade recessiva. Mas, claro, sobre o radicalismo do Bloco de Esquerda e a sua incapacidade para lançar pontes e procurar consensos, já devíamos estar todos vacinados.  
  2. Correm na "net" petições de sinal contrário pedindo a demissão ou a continuidade da Isabel Jonet na direcção do Banco Alimentar Contra a Fome. A minha posição de desacordo face às afirmações políticas e ideológicas (sim, é disso que se trata) de Isabel Jonet é conhecida, o que não me impede de considerar tais petições como mais um sinal preocupante de uma certa e bem visível infatilização da política nos tempos mais recentes. Nada disto ajuda à dignificação da política.  

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Ópera não é só música para operários (10) - Também para deputados?

Wolfgang Amadeus Mozart: "As Bodas de Figaro" - "Non son più, cosa son, cosa faccio"

No debate quinzenal de hoje na Assembleia da República, Francisco Louçã mencionou esta ária das "Bodas de Figaro", interpretada pelo personagem Cherubino. Aqui fica, para quem não a conhece (e acho 95% dos deputados não a conhecerá), na interpretação de Gabriele Sima.

quinta-feira, julho 22, 2010

Louçã e a constituição

Já ouvi hoje, na TSF, Francisco Louçã afirmar que no PS só Manuel Alegre é confiável na “defesa da constituição”. É, por um lado, a posição conservadora, de ver a constituição como “vaca sagrada” na qual é sequer proibido tocar (existem disposições constitucionais obsoletas e outras melhoráveis que podem e devem ser eliminadas ou modificadas). Por outro lado, quando existe para o eleitorado potencial do BE a possibilidade de o PS começar a ser visto como o último reduto do Estado Social, Francisco Louçã teme isso se traduza numa derrota pesada do seu partido em futuras eleições. Compreende-se...

quarta-feira, maio 05, 2010

Tretas...

Peço desculpa pelo plebeísmo, mas deixemo-nos de tretas, de brincar às virgens ofendidas... O que é menos importante no caso da candidatura de Manuel Alegre é se as suas posições políticas dos últimos tempos se têm oposto, normalmente, às do PS; se o candidato está mais perto do “Bloco de Esquerda”; como é que Louçã e José Sócrates poderão estar lado a lado no apoio ao mesmo candidato; como é que o partido do governo apoia um candidato que critica o PEC e etc, etc.

O que é efectivamente importante e o PS vai ter que determinar é se, e de que modo, a candidatura de Alegre serve ou não, neste momento específico e num futuro próximo, maioritariamente, os interesses do partido. Se o partido concluir pela positiva, e como desde Maquiavel a moral pouco ou nada tem a ver com a política, haverá sempre uns sapos bem conhecidos, quais tenras coxinhas de rã, prontos a serem deglutidos. Essa é que é essa!

sábado, janeiro 23, 2010

O abraço de morte de Louçã a Alegre

Manuel Alegre terá que decidir se quer ser o candidato do “Bloco de Esquerda” à Presidência da República, sem quaisquer hipóteses de ganhar, ou se quer antes ser um candidato independente apoiado pelo PS e, eventualmente, por outros partidos, com algumas hipóteses de chegar a Presidente da República. Neste último caso, seria absolutamente necessário que começasse a demarcar-se do autêntico abraço de morte com que Louçã o vai tolhendo, mais interessado o “Bloco” em colocar problemas ao PS do que em ver Alegre eleito.

sexta-feira, novembro 20, 2009

O Estado e os seus investimentos publicitários

Nos últimos tempos (digamos que nas duas últimas décadas, para não ir mais longe), com o desenvolvimento e crescente sofisticação dos mercados publicitários e, principalmente, da actividade de “sponsorship”, generalizou-se a prática de o Estado, através das empresas e instituições que controla ou onde o seu peso é determinante, transferir valor para outras empresas, instituições ou eventos - financiando-os - recorrendo a essas mesmas actividades acima nomeadas. Como? Por exemplo, ao ter contratado Luís Filipe Scolari como “endorsee” de uma campanha de publicidade para a Caixa Geral de Depósitos o Estado estava, de facto, a contribuir para o pagamento do salário do treinador, uma vez que todos sabemos esses valores entravam na contabilidade dos seus proveitos garantidos quando a FPF fazia as suas contas ao salário a pagar a “Filipão”. Outro exemplo? O patrocínio da Santa Casa da Misericórdia ao Rallye Dakar era garantia indispensável para assegurar a sua partida de Lisboa com a subsequente exploração do facto, em termos de popularidade, pelo governo de então. Também por alguma razão encontramos a TAP, empresas do grupo PT e o Grupo Espírito Santo, estes dois últimos associados na própria PT onde o Estado detém acções com direitos especiais, como patrocinadores principais do Estoril Open, possibilitando a realização de um evento que o Estado assume prestigia o país. Claro que poderemos sempre contra-argumentar dizendo que a esse investimento corresponde uma contrapartida para a empresa/instituição patrocinadora. Em alguns casos isso até pode ser verdade. Mas não só o a avaliação desse retorno não é facultada a muitos dos accionistas das empresas onde o Estado, de facto, manda (os contribuintes), como muitas vezes nem sequer é efectuada ou o é recorrendo a técnicas que quase ousaria classificar como fraudulentas, como é o caso da avaliação recorrendo ao valor bruto em publicidade do espaço/tempo ocupados pelas menções encontradas nos “media” (ver aqui).

No caso da publicidade a questão é mais complicada, já que não só técnicas sofisticadas de avaliação e controle estão desde há muito mais desenvolvidas e implementadas, como também, distribuídas as campanhas por vários “meios”, isso torna mais difícil e menos imediata uma análise pelo cidadão comum.

Significa isto que o Estado não possa, nas campanhas de publicidade desenvolvidas pelas empresas que controla, beneficiar os “media” amigos e prejudicar os “inimigos”. Claro que não, não significa, pelo menos dentro de alguns limites enquadráveis na avaliação. Estou mesmo certo isso, aqui e ali, acontece. Mas também significa que não é o facto de Francisco Louçã solicitar uma listagem dos investimentos do Estado em publicidade nos últimos anos (presumo que incluindo a sua distribuição pelos vários “media”) ou de José Pacheco Pereira afirmar, na “Quadratura do Círculo”, a sua estupefacção pelo facto do Estado preferir o DN e o JN ao “Público”, nas suas campanhas, alegando a maior tiragem deste último, que levará a oposição parlamentar a qualquer conclusão válida que possa colocar em causa as decisões do governo nesta área. O assunto é muito mais complexo e qualquer mediano técnico de "marketing" dessas empresas/instituições, munido dos elementos necessários, soltará uma boa gargalhada perante a argumentação apresentada e rebatê-la-á com a facilidade com que Eusébio marcava um “penalty”. Quanto aos deputados Louçã e JPP, talvez fosse o tempo de se informarem devidamente antes de falarem do que não sabem, começarem a fazer política com seriedade e deixarem de ser actores de um espectáculo que acaba por só favorecer o governo.

segunda-feira, maio 11, 2009

Bairro da Bela Vista: é bom lembrar como tudo começou

Disse-o aqui, Louçã tem razão ao criticar as declarações incendiárias de Paulo Portas, de uma total e espantosa irresponsabilidade para um homem que já foi ministro de um governo de um estado democrático. Também afirmei que esta minha crítica e a razão concedida a Louçã não isentava de responsabilidades os autores dos desmandos e que estes, usando as polícias de todo o bom senso possível e a força que se revelasse proporcional e necessária, deveriam ser presentes à justiça que os julgaria de acordo com as leis do país, isto não significando que medidas de fundo, sociais, económicas e políticas, não fossem futuramente tomadas.

Tendo dito isto gostaria de acrescentar duas notas:
  1. As leis são gerais e abstractas e, portanto, não existem leis para “essa gente” e leis para “esta gente”. Do mesmo modo que não existem leis para brancos e outras para pretos, leis para quem habita nos bairros sociais e leis para quem mora em condomínios de luxo, leis para nómadas e leis para populações sedentárias. Nem o rigor de aplicação das leis deve variar em função desses parâmetros. Esta é uma ressalva necessária em função do que por aí já tenho ouvido ao “povo da SIC”(o tal que exige que a lei seja igual para todos quando se trata dos “ricos e poderosos” mas depressa se esquece disso quando se trata de penalizar pretos e ciganos!) e a quem, acima de tudo, gosta de lhe agradar.
  2. Em segundo lugar gostaria de lembrar que as alterações da ordem havidas no Bairro da Bela Vista começaram após o enterro de um jovem baleado na nuca pela polícia durante uma perseguição a um bando que tinha assaltado uma caixa Multibanco. Significa isto que, mais uma vez, a polícia excedeu as suas atribuições, desta vez não só fazendo justiça pelas próprias mãos e de forma desproporcionada (não me consta tenha agido em legítima defesa e que compita à polícia julgar e aplicar a pena – neste caso, de morte), como arranjando um sarilho que poderia ter tido repercussões bem mais graves. Para que conste, e para que os viciados no “securitarismo” – os partidários do “todo o poder às polícias” - tenham bem a noção para onde a sua irresponsabilidade pode conduzir o país.

domingo, maio 10, 2009

A razão de Louçã

Francisco Louçã tem razão nas críticas que dirige a Paulo Portas e às suas incendiárias declarações de Famalicão (e às quais acho a farinha Maizena e a inútil discussão sobre o Bloco Central tiraram relevância mediática), dignas de um qualquer Le Pen e indignas de um democrata e homem de Estado, sobre os incidentes no Bairro da Bela Vista em Setúbal. O assunto exige que o tratem com pinças e a sua resolução requer enorme bom senso e seriedade, e não a sua exploração populista. Mas atenção: independentemente de todas as medidas de ordem social e política que devam ser tomadas (e Louçã não deixará de chamar a atenção para o assunto), tal não significa que as forças policiais, com o tal bom senso e o profissionalismo que o caso requer e me parece até aqui têm mostrado, não mantenham a ordem pública e que os responsáveis pelos desacatos, por muito que sejam os "mais pobres dos pobres" (e poderão sê-lo, de facto), não sejam detidos, responsabilizados e presentes à Justiça que os julgará de acordo com as circunstâncias agravantes e atenuantes. Assim o exige o Estado de Direito Democrático e também a prevenção de incidentes futuros.

terça-feira, abril 01, 2008

A televisão ao minuto e os jornais ao centímetro

Nada que me espante, o facto do governo ser favorecido e a oposição (ou alguma oposição: aquela que corresponde, ou deveria corresponder, a uma alternativa ao governo) prejudicada nos tempos de exposição mediática nos orgãos de comunicação detidos pelo Estado: sempre assim foi e sempre assim será, existindo estes e, como consequência, a tentação (que é grande e à qual, segundo Oscar Wilde se deverá sempre ceder) de agradarem ao respectivo accionista.

Também, claro, nada que me espante, uma vez mais, já que é, em princípio, muito mais fácil ao governo criar acontecimentos de interesse mediático (nem que seja o “corropio” de inaugurações e visitas oficiais ou, até, as asneiras e tiros no pé de alguns ministros e outros responsáveis dos orgãos de Estado) do que à respectiva oposição, pelo menos àquela que se convencionou denominar de mais “responsável”.

Já o que me espanta, ou melhor, não me espanta mas apenas me entristece, é a profunda mediocridade que envolve toda esta discussão, já que tudo se resume a uma mera questão quantitativa, ao minuto ou ao centímetro, da qual, por definição, todos os aspectos qualitativos estão ausentes. Será que o partido A, ou B, ou C, gostaria de ter maior tempo de exposição se esta fosse num enquadrada num contexto desfavorável que gerasse uma opinião negativa junto dos cidadãos? Será que a notoriedade é, por si só, um valor? Não será que são os ministros com maior exposição mediática, por gerirem pastas mais controversas e políticas vistas como mais impopulares, que apresentam uma imagem mais negativa, junto da opinião pública, nas diversas sondagens? Colocando uma questão concreta: a enorme exposição mediática do ministro Correia de Campos ajudou ou não à impopularidade que o conduziu à demissão? Uma outra pergunta: uma maior exposição mediática de Luís Filipe Menezes será, neste momento, favorável à afirmação do PSD enquanto oposição? Não serão mais eficazes para o desgaste do actual governo e do PS as afirmações de Jaime Gama ou as manifestações dos professores do que as “arengas” de Louçã, a defesa de Pequim por Jerónimo de Sousa, ou as “trapalhadas” do CDS no tempo em que Portas era ministro?

Uma pergunta final: “não será já tempo de todos sermos um pouco mais sérios”?