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sábado, junho 15, 2013

terça-feira, novembro 20, 2012

Ainda a "manif" de 14 de Novembro e a violência

  1. Quem participa numa manifestação que se afasta dos objectivos que presidiram à sua convocação ou adopta comportamentos com os quais discorda, tem apenas duas coisa a fazer: em primeiro lugar, tenta fazer voltar a manifestação aos seus propósitos iniciais e a observar comportamentos com os quais se identifica; caso não o consiga fazer, resta-lhe uma alternativa se não quiser, com a sua presença, caucionar esses novos objectivos e comportamentos: abandonar a manifestação. Aliás, e segundo relato do próprio, foi este o comportamento adoptado por Daniel Oliveira e por alguns outros manifestantes. Quem ficou caucionou e deu o seu apoio tácito àquela 1/2 dúzia, uma dúzia ou poucas dezenas de energúmenos que se dedicaram a atirar calhaus, garrafas de água, sacos de tinta e etc à PSP. Ao caucionar, com a sua presença, esse comportamento ilegal e violento, sabia que se arriscava, de um lado ou de outro ou até apanhado entre dois fogos, a acabar por poder ser vítima dessa mesma violência que tacitamente apoiou. Pelo que vi nas televisões, terá sido o que aconteceu.
  2. Teria sido possível isolar os manifestantes violentos, tal como acontece com as claques de futebol, recorrendo mesmo aos tais "agentes infiltrados"? Enfim, não posso ser demasiado assertivo, mas existe aqui uma diferença importante e que deve ser salientada: no caso das claques de futebol, a violência começa normalmente por ser dirigida pelos membros de uma claque contra a outra, ou, em alguns casos, contra a propriedade de terceiros, e não directamente contra as forças policiais. No caso na manifestação do passado dia 14, a violência foi desde o início dirigida directamente contra a força policial encarregue de assegurar a ordem e a legalidade no local, o que poderia dificultar esse isolamento dos promotores da violência e colocar em sério risco a integridade física dos agentes da PSP que o tentassem fazer. Posso entender tenha sido isso que o impediu e acho, a ser assim, a PSP o deveria explicar.
  3. Poderia ter sido evitado o uso da violência policial já longe do local da manifestação e, a crer nos testemunhos, contra cidadãos que nada tinham a ver com os acontecimentos? Apesar de ter visto nas televisões caixotes do lixo a arder já ao fundo da Avenida. D. Carlos I, junto ao Largo Vitorino Damásio, o que significa que alguma violência por parte de manifestantes se estendeu a uma área vasta, não me custa a crer, já fora dos escrutínio das TVs em directo, alguns agentes da PSP tenham exagerado, o que, a ter acontecido, será condenável e denotará menor profissionalismo e menos respeito pela legalidade e pelo Estado de Direito.  
  4. Poucas dúvidas tenho, dado o historial de poucas ou quase nenhumas garantias para quem, em Portugal, tem o azar de ser detido numa esquadra pelas forças policiais, que terão existido atropelos aos direitos de alguns detidos. Fez bem, portanto, a Ordem dos Advogados em denunciar os eventuais atropelos à legalidade, e deve agir em conformidade com essa denúncia levando a sua acção às últimas consequências. O respeito pelas garantias dos detidos e o cumprimento estrito das normas legais quando e durante a sua detenção é um dos indicadores mais relevantes para se avaliar da qualidade da democracia e do grau de civilização de um país e de um povo. Convém não esquecer...

domingo, maio 04, 2008

Maio de 68

Maio de 68 perdeu ou ganhou? É estúpido colocar a questão deste modo. Em primeiro lugar porque Maio de 68 não foi uma revolução no sentido clássico do termo, conduzida por uma classe ou aliança de classes cujo objectivo essencial fosse derrubar e substituir as estruturas do Estado por estas terem deixado de corresponder aos interesses e relação de forças da sociedade, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, na Revolução de Outubro ou na Revolução Francesa. Em segundo lugar, e pessoalmente acho só isso permite compreender integralmente o que se passou, Maio de 68 é apenas mais um acontecimento, embora talvez o que assume uma proporção mais dramática e mais concentrada no tempo, de algo que começa em meados dos anos cinquenta com a emergência do rock and roll e daquilo que ficou conhecido como a “deliquência” juvenil e se prolonga pela década de 60 com a “swinging London”, o movimento “Mod”, a cultura pop, a Primavera de Praga, a luta pelos direitos cívicos e contra a guerra do Vietnam, o movimento Hippie, o LSD e o psicadelismo, o Black Power e acaba, em apenas algumas das suas formas minoritárias e marginais, no desespero dos Bader-Meinhoff e das Brigadas Vermelhas: a luta da geração dos pós guerra, dos baby boomers, contra valores e instituições anteriores à WW II, e que em nada correspondiam ás aspirações, desejos, valores sociais e culturais de uma nova geração. Neste sentido, sim, tratou-se de choque com posterior reajuste, não entre Estado e sociedade mas entre gerações, entre valores, entre culturas, entre modos de vida e formas de ver e entender o mundo. Daí o ter sido essencialmente um movimento protagonizado por jovens estudantes, muitos deles oriundos de classes sociais favorecidas, mesmo quando, conjunturalmente, conseguiu agregar a si outros extractos sociais. Daí, mesmo no caso da luta anti-segregacionista nos USA, ter nascido e ter-se sedimentado nos campus universitários. Daí a influência do maoísmo, mesmo que muitas vezes reduzido apenas a algum do seu folclore, visto como algo anti-sistema por via da revolução cultural e nascido, também ele, no pós guerra, aparentemente combatendo e subvertendo o rejeitado conservadorismo tradicional do movimento comunista de inspiração soviética, vindo do período entre as duas guerras.

Por isso, colocar a questão do poder em algo que nada tinha ver com ele - pelo menos no sentido do poder de “estado”, já que tinha a ver com o poder na sociedade, se é que a expressão permite fazer compreender o que estava em causa e as diferenças -, como o faz alguma esquerda mais radical do BE, é um erro de quem percebeu pouco do que se passava. Daí serem tão importantes para entender Maio de 68 nomes como Daniel Cohn Bendit e André Glucksmann, como também Dylan, Timothy Leary, Mary Quant, Mick Jagger, Luther King, Janis Joplin, Tommy Smith e John Carlos, Alexander Dubcek e Andy Warhol. Tantos outros... Já agora, “A Taste of Honey” e Rita Tushingham. Alguém conhece?