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terça-feira, abril 17, 2012

D. Juan Carlos, o elefante e a unidade de Espanha

Penso que os portugueses se esquecem com demasiada frequência que a Espanha, ao contrário do que acontece com Portugal, é um Estado multinacional, em que a sua unidade enquanto país não se alicerça numa língua e cultura únicas e num longo percurso histórico contra um inimigo comum. Ou mesmo como os USA, cuja unidade nacional foi em grande parte construída pelo facto de neles terem encontrado oportunidade de liberdade e de uma vida mais digna os pobres e perseguidos da Europa - mas também de alguma Ásia. Digamos que, raspada alguma camada superficial acumulada por umas poucas centenas de anos de vida em comum, muitas vezes forçada, continua um galego a ter mais a ver com um português do que com um catalão ou um basco, ou qualquer destes com um castelhano. Mais ainda, é muitas vezes esquecido que a sua guerra civil do século XX não opôs apenas a esquerda liberal, socialista, comunista e anarquista, à direita conservadora, fascista e ultra-católica, o trabalho e o capital, mas também as nações basca e catalã ao resto de Espanha e, principalmente, ao domínio de Castela.

Tendo dito isto, é bom lembrar que a precária unidade da Espanha actual muito deve ao rei Juan Carlos e ao seu papel na chamada "transição democrática", que estabeleceu as bases mínimas nas quais a grande maioria dos espanhóis se pôde rever, independentemente da respectiva nacionalidade, língua materna, opção politica ou de regime. Por isso mesmo, o que está agora em causa na tão badalada caçada aos elefantes do rei Juan Carlos, no Botswana, não é apenas uma questão moral pelo facto do rei ter decidido esbanjar uns milhares de euros, numa actividade frívola, num momento de austeridade para a grande maioria dos seus concidadãos. Muito menos uma questão, também ela moral, de ver o seu rei envolvido na crueldade ou brutalidade de uma actividade como a caça grossa, facto que não deixará de chocar muitos dos espanhóis. Embora ambas as questões não deixem de ter o seu peso, o que está fundamentalmente em causa e delas deriva é uma questão política e, neste aspecto, um erro crasso do rei que, ao arriscar com este seu acto colocar em causa a instituição monárquica, que com ele se confunde, não deixará, dado o papel que esta tem desempenhado desde a "transição", de contribuir também para enfraquecer a unidade do pais e o precário  equilíbrio multinacional em que esta tem assentado nos últimos anos. Numa república, o eleitorado não deixaria de lhe indicar qual o próximo caminho a seguir. Mas também tenho dúvidas que sem Juan Carlos e a monarquia a Espanha tivesse conseguido percorrer o mesmo caminho que iniciou em 1976 e fosse um país igual ao que é hoje. Mas cumprido esse papel, teremos que nos interrogar se o rei de Espanha ainda faz parte da solução ou, pelo contrário, se tornou num problema que é necessário resolver.

quinta-feira, julho 29, 2010

A Catalunha, toiros e touradas

Tenho para com a corridas de toiros uma relação ambivalente: por uma lado, repudio a barbaridade de se torturar e matar um toiro em público apenas para gáudio de uns poucos, por muita arte e maestria que tal coisa possa requerer – e aviso já que não sou leigo e até tenho alguns conhecimentos da “matéria”; por outro, não deixo de me sentir atraído por alguma iconografia, linguagem e folclore de algo que, quer se queira quer não, faz parte da herança cultural de alguns povos e regiões peninsulares, Ribatejo e Andaluzia à frente de todas elas. Tudo bem pesado, no entanto, valerá para mim bem mais o repúdio pela barbaridade da tortura pública do que os “pasodobles”, as mulheres, os charutos, o fado “marialva” e o léxico muito próprio das corridas e dos respectivos “escribas”, pelo que, não sendo, ao que parece, possível substituir o toiro por um “robot”, o que satisfaria os meus desejos mais profundos, vejo com simpatia o fim de tal “arte” de “correr” toiros na arena.

Serve isto de introdução para o fim das corridas em território da Catalunha, decidido pelo respectivo parlamento nacional (sim, são uma nação!). Muito mais do que uma questão relacionada com a protecção e defesa dos animais, com o confronto entre a civilização e a barbárie, e não fazendo a corrida de toiros parte da herança cultural catalã, o que está verdadeiramente em causa é uma questão de afirmação política e nacional da Catalunha contra algo que de imediato se identifica como fazendo parte da cultura de Espanha; a necessidade de afirmação de uma imagem nacional autónoma, mas também mais europeia, contra uma cultura com raízes na Espanha profunda de Castela, Estremadura e Andaluzia. No fundo, trata-se de fazer valer a arma de arremesso político mais fácil de usar e que parece estar “mais á mão”... No microcosmos de Barrancos, por exemplo, serviu para impor a decisão contrária...

Uma lição, também, para as associações portuguesas ligadas aos direitos dos animais e activistas anti-touradas: mais do que a promoção e realização de manifestações de carácter mais ou menos folclórico à porta do Campo Pequeno (não me parece as suas congéneres de Espanha ganhassem o que quer que fosse em promover algo do género junto à Maestranza...), talvez fosse bem melhor estarem atentos às oportunidades que a correlação de forças política, aqui e ali, a nível local ou regional, lhes possa proporcionar para a prossecução dos seus objectivos, crescendo a partir daí. É um conselho...

segunda-feira, julho 12, 2010

Espanha: um Estado multinacional

Curioso que o novo campeão do mundo e a selecção deste Mundial com maior sentido colectivo, de equipa, seja simultaneamente o país mais assumidamente plurinacional na actual Europa e onde as tensões independentistas são mais evidentes.

segunda-feira, maio 19, 2008

Portugal e Catalunha

Carod-Rovira afirma que a Catalunha é Portugal sem os Restauradores. Tendo em atenção a diferença entre as nações catalã e portuguesa não sei se entendeu que, assim, está a prestar uma homenagem a Castela. De qualquer modo, fossem apenas os Restauradores a diferença e eu trataria desde já de ressuscitar Miguel de Vasconcelos.