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quinta-feira, junho 26, 2014

O negócio Garay

É óbvio que ninguém de boa fé e no seu perfeito juízo acredita que o SLB vendeu o passe do jogador Ezequiel Garay por seis milhões de euros. E se quisermos ir um pouco mais longe, "idem, idem, aspas, aspas", no que diz respeito aos quinze milhões arrecadados com a venda de André Gomes. No primeiro caso, e face aos valores correntes no mercado, o valor peca por defeito; no segundo, suspeito que por excesso. Podemos apenas especular dizendo que "isto anda tudo ligado" ou que o SLB assim se escapa de pagar ao Real Madrid 50% do valor real da transacção do internacional argentino, e o que mais adiante ainda neste defeso por certo se verá.

O problema é que a CMVM engole isto tudo sem pestanejar, embora, aparentemente, possamos não estar aqui perante uma ilegalidade "pura e dura" (devo dizer que desconheço a legislação), mas apenas perante um processo de engenharia financeira assaz primitivo, do tipo "tira daqui, põe ali". Mas, se provar o que quer que seja me parece difícil - e até o esclarecimento cabal a sócios e accionistas da SAD me parece problemático sem pôr a nu os contornos do negócio - competiria pelo menos à entidade reguladora mostrar que existe, num mercado que movimenta milhões mas onde a regulamentação e a transparência tardam em chegar, como o prova também um negócio promovido pelo FCP há mais de dez anos que ainda se encontra sob investigação. Mas que mais se poderá dizer quando FIFA e UEFA, a quem competia dar o exemplo, permitem "compras e vendas" já com as competições a decorrerem e onde o empréstimo de jogadores entre clubes que disputam essas mesmas competições é prática corrente?

Já agora: não vi ainda nos jornais desportivos "online" e no "Record" em papel (o único que já folheei) qualquer tentativa de análise do negócio. 

segunda-feira, agosto 12, 2013

Futebol: "media", mercado e regulamentação

É óbvio que o Sport Lisboa e Benfica - SAD deve explicações aos seus accionistas (e não aos "media") sobre toda a sua actividade e negócios realizados, mais ainda quando eles envolvem procedimentos menos imediatamente perceptíveis ou até aparentemente - ou mesmo eventualmente - , prejudiciais à boa gestão da SAD, como acontece com algumas compras e vendas de passes de jogadores. Espero o faça e rapidamente. Mas atenção:

  1. No caso de algumas transacções de passes de jogadores, como  são os casos mais conhecidos de Roberto, Pizzi e Fariña, todos sabemos que estamos perante negócios destinados a camuflar compensações, financiamentos e outras operações do mesmo tipo com empresários e agentes dos jogadores, de cujos bons ofícios clubes como o SLB e o FCP largamente dependem para o sucesso dos seus modelos de negócio. É "rabo escondido com todo o resto do gato de fora" e só não se entende como alguns "media", tão céleres a produzir e emitir documentários sobre o sucesso de alguns desses mesmos agentes, são muito mais comedidos ou mesmo omissos quando se trata de os interrogar e confrontar com alguns desses negócios.
  2. Também custa a entender como os "media", igualmente rápidos a apontar o dedo acusador aos clubes (e até admito algumas vezes com razão para tal), não confrontam FIFA e UEFA sobre a implementação do "fair play financeiro", sobre um mercado opaco, pouco ou nada regulamentado, com compras e vendas de jogadores com as competições a decorrer, empréstimos de jogadores a clubes que disputam as mesmas competições e assim sucessivamente. Enfim, sobre um espectáculo e uma indústria que funcionam ao sabor do "salve-se quem puder".
  3. Também custa a perceber qual o papel da CMVM no mercado do futebol, mais parecendo uma autêntica entidade espectadora que se contenta com meia dúzia de "patranhas" explicativas, mal alinhavadas, enviadas pelas SAD dos principais clubes. Já algum "media" (e estou a falar, por exemplo, dos especializados em assuntos de natureza económica e financeira) confrontou os responsáveis da CMVM sobre o assunto e exigiu explicações condizentes com a importância do problema? É que talvez não fosse má ideia, mas acontece que o que vende, numa cena mediática cada vez mais tablóide a que se junta  uma enorme incompetência, são as contratações e as dispensas, os escândalos e suspeições sobre os clubes.