sexta-feira, maio 31, 2013

Friday midnight movie (44) - Gothic/Horror (VIII)

"Witchcraft", de Don Sharp (1964)
Filme completo c/ legendas em castelhano

Indiferença

Em 1969, durante a final da Taça de Portugal disputada entre a Associação Académica de Coimbra e o Sport Lisboa e Benfica, os estudantes de Coimbra, em tempo de luto académico, manifestaram-se nas bancadas do Estádio Nacional, de forma bem visível e audível, contra a ditadura. Era um tempo em que quem se manifestava corria sérios riscos de ser espancado, acabar na prisão, expulso da universidade ou incorporado á força no exército colonial. Em sentido contrário, já após a tentativa de golpe de estado de 16 de Março de 1974, no estertor do regime, muitos dos espectadores presentes num jogo SCP-SLB, realizado no estádio José Alvalade, aplaudiram Marcelo Caetano, que assistia ao jogo. Na final da Taça de Portugal do passado domingo, numa conjuntura terrível para grande parte do povo português e perante o Presidente da República da democracia com mais baixos índices de popularidade de sempre, e apesar de terem sido expressamente convidados por uma organização política a manifestarem-se e a presença da TV  incentivar ao protesto, amplificando-o, nem um só gesto de desagrado para com Cavaco Silva se fez notar ou ouvir no Estádio Nacional. Este é o retrato de um país anestesiado, adormecido, que parece permanecer absolutamente indiferente e conformado com um presente de sacrifício sem que se lhe vislumbre um sentido e um futuro de empobrecimento e retrocesso civilizacional. 

BBC "House of Cards" (2/4)

Finalmente! Com legendas em castelhano, o "Gato Maltês" apresenta (devia dizer "orgulha-se de apresentar") a 1ª parte da trilogia, produzida pela BBC, "House of Cards" (1990)"To Play the King""The Final Cut", baseada no romance de Michael Dobbs. Sem dúvida uma das melhores séries de TV de sempre. A não perder e a ver e rever.

As tentações de Luís Filipe Vieira

Pressionado ainda mais a conquistar títulos nos próximos dois anos depois da renovação do contrato com Jorge Jesus, tentando provar a sua razão, Luís Filipe Vieira poderá ser levado à tentação de investir no curto-prazo valores acima dos que o clube pode suportar, endividando-se acima do razoável e hipotecando desse modo o futuro do SLB a médio e longo prazo. Confio o não fará? Digamos que confio mais na actual situação de escassez no mercado do crédito e no bom-senso e capacidade de gestão de administradores como Soares de Oliveira, Nuno Gaioso e José Eduardo Moniz do que capacidade de LFV para não ceder às tentações. 

Digamos que não sei o que me assusta mais: se a continuação da "seca" de títulos se as eventuais tentações de Vieira.

quinta-feira, maio 30, 2013

"Unidade à esquerda"?

Não sei o que pode ter o PS (ou parte dele) a esperar de acções promotoras de uma mirífica "unidade à esquerda" com os sectores comunista e radical, com os quais o partido tem uma incompatibilidade de modelo de sociedade, mas por certo não me parece tal se possa vir a consubstanciar num crescimento do partido nas sondagens e na construção de uma alternativa sólida ao actual governo. Uma coisa são acções comuns da UGT com a CGTP - central sindical maioritariamente representante do PCP - ou até mesmo qualquer convergência táctica do PS com os partidos à sua esquerda para algumas acções comuns; outra, bem diferente, quaisquer tentativas de natureza estratégica para criar com a esquerda radical e comunista uma alternativa ao actual governo, o que me parece apenas poderá enfraquecer, aos olhos da opinião pública, a imagem do PS como partido nuclear e liderante dessa oposição. Goste-se ou não, a construção de uma alternativa consistente ao actual estado de coisas só poderá vir da colaboração do PS com os sectores cristãos-democratas do PSD (actualmente na oposição no partido) e do CDS. O resto é voluntarismo e este, na política, sempre foi péssimo conselheiro.

Loja Real

BBC "House of Cards" (1/4)

Finalmente! Com legendas em castelhano, o "Gato Maltês" apresenta (devia dizer "orgulha-se de apresentar") a 1ª parte da trilogia, produzida pela BBC, "House of Cards" (1990), "To Play the King", "The Final Cut", baseada no romance de Michael Dobbs. Sem dúvida uma das melhores séries de TV de sempre. A não perder e a ver e rever.

quarta-feira, maio 29, 2013

4ªs feiras, 18.15h (36) - "Cinema Militante" (IV)

"Johnny Got His Gun", de Dalton Trumbo (1971)
Filme completo c/ legendas em português

O SLB e as responsabilidades da "estrutura"

No futebol português, quando se fala dos grandes clubes, das selecções e dos seus fracassos, responsabiliza-se-se a "estrutura", ou seja, a hierarquia e a organização que comandam e precedem a área técnica do futebol profissional. Percebe-se porquê: numa indústria da qual quase todos esperam benesses, seja um notícia em primeira mão ou colocada "a pedido", um qualquer lugar na tal "estrutura" de um desses clubes ou na FPF, uma vaga como comentador das TVs (e aí cuidado, não se vá desagradar a "quem manda") ou no próximo "site" sobre desporto, é melhor ter cuidado, e a "estrutura" é um lugar anónimo e suficiente difuso para não comprometer demasiado quem a nomeia nem desagradar directamente a ninguém. Claro que neste momento de decisões da vida do meu clube, a questão da tal "estrutura" não poderia deixar de vir "à baila", citada por muitos jornalistas e comentadores como causadora de todos ou quase todos os problemas que levaram se passassem quatro anos com apenas com um título de campeão e uma última época sem qualquer conquista e com um final desastroso. Mas, não conhecendo "por dentro" o clube e a tal "estrutura", deixem-me colocar algumas questões:
  1. Por acaso é a tal "estrutura" responsável por um modelo de jogo tremendamente desgastante e pelo facto da equipa acabar sempre as épocas física e mentalmente de rastos?
  2. Por acaso é também tal "estrutura" que impede a equipa de saber gerir adequadamente todos os tempos e ritmos de jogo, sabendo guardar a bola e resguardar-se quando necessário?
  3. É essa estrutura responsável pela desastrada e desastrosa comunicação do seu treinador nas conferências de imprensa? Claro que me dirão estas podem ser sempre devidamente preparadas, mas se tal pode ser verdade relativamente a entrevistas de fundo, não me parece isso possa acontecer nas conferências de imprensa após os jogos, onde é quase impossível evitar que o treinador tenha ampla liberdade para dizer de sua própria justiça. Além disso, não me parece Jorge Jesus seja muito do género de, nesse aspecto, se cingir à "rédea curta".
  4. Será também tal "estrutura" responsável por treinador e presidente mandarem recados um ao outro, em público, sobre a renovação do contrato daquele, entre a sala de imprensa e a "zona mista", depois de uma final europeia perdida?
  5. Será também a tão falada "estrutura" responsável por uma final da Taça de Portugal autenticamente gerida, do ponto de vista técnico, "com os pés"? Onde, por exemplo (e é apenas um exemplo), se colocou a defesa-esquerdo, contra um limitadíssimo VSC, um jogador sem pé esquerdo e, por isso mesmo, incapaz de dar profundidade ao flanco?
Não nego existam questões do foro da condução e gestão do grupo de trabalho - disciplinares, recursos humanos (contratações e dispensas), motivacionais, responsabilidades para com o espectáculo e os adeptos, etc -  em que uma competente e profissional "estrutura" não possa fazer a diferença. No caso do SLB, uma tal "estrutura" teria talvez evitado o encontrão de Luisão ao árbitro no início da época, a triste figura após a final da Taça de Portugal e até talvez a questão da renovação do contrato com o treinador fosse tão mal gerida. Mas ponto final. Adaptando a frase de Karl Marx, a cada um segundo as suas responsabilidades. Está bem? 

Ópera não é só música para operários (13)

Richard Wagner - "Der fliegende Holländer"

Transição Actos II - III e Coro

A continuidade de Jorge Jesus vista do lado da gestão

Em termos de gestão "pura e dura", dos seus princípios, confesso não vejo uma boa razão, um racional ou uma argumentação convincente que defenda a continuidade de Jorge Jesus como treinador do SLB. Até agora, não a vi, o que não significa não exista e quem a possa defender no interior do clube não esteja na posse de argumentos decisivos nesse sentido. Mas como não detenho esses elementos, vamos lá analisar com os que tenho:
  1. Existem erros estruturais, continuados no tempo, que durante quatro anos não foram resolvidos e se vão mantendo. Não estamos, portanto, a falar de questões pontuais (uma ou outra substituição mal feita, um acto de indisciplina aqui e ali, duas ou três contratações questionáveis e outras questões de teor idêntico), mas de aspectos como modelo de jogo, mentalidade da equipa, quebras físicas e/ou mentais nos finais de temporada, uma comunicação desastrosa, etc, etc. Ora manda a mais elementar regra da gestão concluir que as mesmas acções dão necessariamente origem às mesmas consequências.
  2. Valorizam-se jogadores? Claro, e esse é um ponto em favor de Jorge Jesus, mas sem títulos e conquistas tal valorização acaba por não ser sustentável e os valor dos jogadores acabará por sofrer uma erosão. Uma das razões pela qual o FCP faz bons negócios é o facto da conquista de títulos ser uma garantia da qualidade (técnica, física e mental) dos jogadores que "vende". Uma empresa que sistematicamente é mal sucedida acaba por desvalorizar os seus activos, quem nela trabalha.
  3. Estabilidade? Como muito bem disse ontem Carlos Daniel (uma das poucas vozes mais ou menos lúcidas na análise do futebol português), na RTPInfo, estabilidade não constitui um fim em si mesmo, mas um meio importante para se atingirem os objectivos definidos. Quando estes não são continuadamente atingidos, há que descobrir e analisar as razões e fazer as alterações necessárias.
  4. Com Jorge Jesus o clube reduziu a distância que o separava do FCP? Sim, mas depois do título de campeão na primeira época, não se pode concluir essa distância tenha sido percorrida degrau a degrau, sustentadamente, numa aproximação continuada. Inclusivamente, a equipa mostrou sempre uma notória inferioridade nos jogos entre os dois clubes, situação que não foi ultrapassada, nem sequer minimizada, nos últimos anos. Além disso, não é possível comparar a organização do clube nos últimos 4 ou 5 anos e o investimento feito no plantel nos anos de Jorge Jesus, e já mesmo na época de Quique Flores, com o que acontecia em épocas anteriores. Podemos dizer que a gestão técnica de Jorge Jesus respondeu parcialmente ao acréscimo de investimento realizado, mas sem mais.
  5. Já toda a gente o disse: se as coisas correrem mal na próxima época e o clube tiver de dispensar Jorge Jesus durante a vigência do seu contrato, tal significará um prejuízo de um par de milhões de euros, não falando de eventuais perdas desportivas e em outras áreas de negócio (bilheteira, "merchandising"). No futebol existem imponderáveis e as coisas por vezes acontecem contra toda a lógica, mas renovar o contrato de Jorge Jesus será sempre uma decisão de risco, emocional, mais baseada numa "crença" do que em princípios de racionalidade. Eu não o faria...

terça-feira, maio 28, 2013

Margaret Brundage & "Weird Tales" (4)

A suspensão da democracia


Ou seja, a suspensão da democracia ou de uma parte dela, em todo o seu esplendor. Claro que já o sabíamos, mas tal nunca nos tinha sido dito de modo tão directo, com tanta crueza e por quem de direito. Um murro no estômago de António José Seguro, pois claro. Mas se é que já não o sabia, fica agora com uma certeza.

Arthur Boyd Houghton & "The Arabian Nights" (3)

The Slaves about to Destory the Guests of Zobeidè

Treinadores e presidentes prisioneiros

Podemos pensar o que quisermos de Pinto da Costa - e não vale a pena repetir o que penso de si, enquanto pessoa, e dos seus métodos - mas temos de concordar nunca cometeu o erro básico de se tornar prisioneiro, a si e ao clube que dirige, de um treinador. Não o fez, até por contingências da vida que nada tiveram a ver com o futebol, com José Maria Pedroto, com quem fundou as bases ideológicas e a cultura e filosofia de clube em que se alicerçaram a hegemonia do FCP do futuro; não o fez igualmente com Artur Jorge, que dirigiu a equipa no seu primeiro título europeu; o mesmo aconteceu com José Mourinho, que, anos mais tarde, conduziu o clube à conquista da Liga Europa e da Champions League, em anos sucessivos; por fim, não o fez com André Villas-Boas, que conquistou campeonato (sem derrotas) Taça de Portugal e Liga Europa. O FCP sobreviveu, conseguiu títulos e Pinto da Costa continuou à frente dos destinos do clube, mostrando com isso coragem e determinação e demonstrando o clube, enquanto instituição, estava acima de qualquer personalidade ou conjuntura. Luís Filipe Vieira que gaste um ou dois minutos a pensar no assunto, é o que lhe peço.

domingo, maio 26, 2013

SLB: o final

Para os que fazem o favor de me ler, reafirmo nada tenho a acrescentar, depois da derrota de hoje, ao que tenho escrito sobre o SLB, o seu futebol e Jorge Jesus. Os últimos "posts" podem ser lidos aqui, aqui, aqui, aqui,  aqui e aqui. E pronto.

Nota às 21.30: Jorge Jesus: «Pensámos que o 1-0 chegava...». Como pode um treinador do SLB fazer uma afirmação destas tendo um digno mas modesto de recursos VSC como adversário na final da Taça de Portugal?

Country Life (20)





Woburn Abbey (Bedfordshire)

Duas finais

A final da Champions League e a final da Liga Europa tiveram algo de semelhante. Em ambos os casos as equipas não favoritas (BVB e SLB) entraram bem no jogo, tiveram mais bola e deram mesmo a ilusão de poder discutir com o adversário de "igual para igual" e até de poder ganhar. No caso da Champions League, e ao contrário do que aconteceu com o SLB, o BVB conseguiu mesmo criar situações de perigo para a baliza de Manuel Neuer. Mas, no final, o desgaste por essa tentativa de olhar o adversário nos olhos e os melhores valores individuais dos adversários acabaram por prevalecer. Para os mais atentos, nada que não aconteça regularmente e não estivesse presente, mesmo que de modo subliminar, logo desde o começo dos jogos. 

Matiné de Domingo (27)

"The Lone Ranger", de Stuart Heisler (1956)
Filme completo c/ legendas em português

2 notas de domingo

  1. Curioso que sendo Miguel Sousa Tavares um adversário confesso e militante dos "blogues" e redes sociais tenha recorrido ao que têm de pior essas mesmas redes sociais (o insulto na "ponta da língua", a graçola fácil, o radicalismo gratuito) no seu ataque ao actual Presidente da República. Em função disso, claro que foi exactamente nas redes sociais que a sua afirmação sobre Cavaco Silva teve maior repercussão. Pode ser que MST fique também a dever a essas redes sociais a venda de alguns milhares de exemplares a mais do seu novo romance.
  2. Cerca de uma semana depois do chamado "golpe das Caldas", e quando ele próprio sabia o seu regime estaria "por pouco", o ditador Marcelo Caetano deslocou-se ao estádio José Alvalade para assistir a um jogo entre o SCP e SLB. Foi ovacionado e o regime caiu com estrondo passadas três semanas. Agora, passados mais de 39 anos e no dia em que se disputa mais uma final da Taça de Portugal onde - parece - Cavaco Silva marcará presença (confirmou à "última hora" talvez para evitar manifestações organizadas), já não estamos em ditadura e não é o regime que está em causa, mas o modo como o país está a ser governado e o apoio explícito do actual Presidente da República ao actual "estado de coisas". Espero alguém lembre aos portugueses presentes os acontecimentos da final de 1969, e estes descartem a cobardia e o conformismo e aproveitem tão rara oportunidade para demonstrarem ruidosamente junto do Presidente da República o que pensam sobre a sua actuação, confirmando o que dizem as várias sondagens e estudos de opinião publicados.

sexta-feira, maio 24, 2013

Friday midnight movie (43) - Sci-Fi (VII)

"The Last Man On Earth", de Ubaldo Ragona (1964)
Filme completo c/ legendas em francês

Miguel Sousa Tavares e o combate político

Um conselho a Miguel Sousa Tavares, se tal me é permitido: no combate político, em vez de recorrer à ofensa gratuita, a algum populismo que se está a tornar demasiado comum, por exemplo, na sua habitual crónica do "Expresso", prepare e sustente melhor as suas intervenções públicas. Mais ainda quando exprime uma opinião sobre Cavaco Silva, já que é bem fácil demolir politicamente o actual Presidente da República, a quem MST ofereceu agora oportunidade para "retocar" a sua imagem, sem cair na grosseria e no insulto.

MST já admitiu ter sido excessivo no termo que utilizou, o que corresponde a um género de pedido desculpas. Pois... nada mais humilhante em termos políticos e pessoais do que ter de pedir desculpa a alguém como Cavaco Silva.

As capas de Cândido Costa Pinto (87)

Capa de CCP para o nº 16 de "Vampiro Magazine"
Colaboração de João Pinheiro de Almeida

A CGTP e a "greve conjunta"

A CGTP é o "braço" do PCP no movimento sindical. Assim sendo, e arvorando-se o PCP em partido/vanguarda da classe operária e atribuindo  o marxismo-leninismo a esta classe o papel histórico do derrube do capitalismo, tal como o "partido" não se dilui na "frente" e esta só tem sentido se por ele hegemonizada, também a CGTP tem como objectivo dominar a cena sindical e fazer com que esse mesmo movimento sindical reflicta, a cada momento, as posições do "partido". E para que o PCP assuma esse papel histórico, atinja esse objectivo, nada pior do que uma UGT autonomizada do poder, mais independente, reformista e que insira a negociação na sua estratégia, não como um objectivo em si mesmo, mas como uma meio para conseguir alcançar alguns objectivos importantes para os trabalhadores e para o movimento sindical. E bastou a mudança do secretário-geral da UGT, cedendo o inconsequente João Proença o seu lugar a um Carlos Silva que, pelo menos, tenta parecer mais independente do poder, para fazer soar as campainhas de alarme e lançar a confusão na Vítor Cordon. 

Digamos que é a esta luz, e acho que apenas a esta, que se deve analisar a reacção de Ana Avoila (assim a modos que um ersatz de Heloísa Apolónia no movimento sindical) à hipótese de uma greve geral conjunta da função pública, tal como é esta mesma estratégia que tem estado na base das recorrentes tentativas do PCP para boicotar o trabalho da comissão de trabalhadores da AutoEuropa, dos poucos, ou talvez o único caso de sindicalismo reformista sério em Portugal. Ignorar isto é ignorar os fundamentos do marxismo-leninismo, a "natureza de classe" do PCP e as práticas que a ambos se subordinam. Difícil é perceber como que vem da esquerda comunista parece não o entender na plenitude. 

quinta-feira, maio 23, 2013

Um "defeso" com muito dinheiro a girar

Este "defeso" tem tudo para vir a correr de feição aos dois principais clubes portugueses e ao seu modelo de negócio: dinheiro novo na A.S. Monaco, mudança de treinadores em clubes onde esse dinheiro novo também manda - Chelsea e Manchester City - e possibilidade tal aconteça também num terceiro onde esse new money entrou recentemente - PSG.  Para além disso, Real Madrid e Manchester United mudam de treinadores e irão ás compras - certamente mais comedido e criterioso o United do que o Madrid. Muito dinheiro, portanto, a girar e mudar de mãos, sem sequer ser necessário Zenit e Anzhi façam as suas apostas. No meio disto tudo, o SCP tentará ganhar algum dinheiro com o possível negócio Moutinho e vender, mais ou menos em saldo, um ou outro passe dos seus jogadores com maior peso na folha salarial. 

Até neste campo - o das vendas de jogadores e das mais-valias assim realizadas - se espelha a diferença actual entre o clube de Alvalade e os seus rivais tradicionais. Continuo no entanto a pensar que o orçamento do SCP para a próxima época (20/25 M) será suficiente para a equipa lutar pelo acesso ao "play off" da Champions League, até porque o SC Braga também vai reduzir o seu orçamento, em Paços de Ferreira os milagres não acontecem todos os anos e pelos lados da Madeira "a tradição já não é o que era". Cumpre-se, finalmente, o statement mais acertado que ouvi nos últimos anos vindo dos lados de Alvalade, na voz de José Eduardo Bettencourt: "o Sporting investe de menos para ser campeão e demais para ser apenas terceiro". Está o problema corrigido.

Dance Craze (5)

Joey Dee & The Starliters - "Peppermint Twist"

quarta-feira, maio 22, 2013

4ªs feiras, 18.15h (35) - "Noir" (III)

"Detour", de Edgar G. Ulmer (1945)
Filme completo c/ legendas em português

5 questões 5 para a administração da SAD do meu clube pensar

  1. Se e de que modo o actual modelo de negócio é compatível com a conquista de títulos.
  2. Se é possível conquistar títulos de forma sustentada com o modelo de jogo que tem sido perfilhado pela equipa nas últimas quatro épocas e se, caso se conclua pela positiva e mantendo a actual equipa técnica, é possível corrigir alguns dos aspectos que se têm revelado mais negativos, dando à equipa maior equilíbrio, melhor controle dos tempos de jogo e originando menor desgaste físico e emocional.
  3. Se é possível - e como - melhorar a estabilidade e controle emocional da equipa.
  4. Se é possível - e como - evitar discussões públicas, tidas entre conferências de imprensa e "zonas mistas", sobre questões contratuais e outras do mesmo tipo, que deveriam ser tratadas nos tempos definidos pelo clube e de modo confidencial.
  5. Se é possível passar para jogadores, sócios e adeptos uma mentalidade de clube ganhador, que não se contenta em discutir títulos até ao fim mas cujo objectivo último é ganhá-los. 

"Back in business"

Resolvido o problema informático (digamos que é um "suponhamos"; vamos ver se, ao contrário do que aconteceu ontem, não reincide), eis-me de volta ao "trabalho". Que se passou entretanto?
  1. Bom, reuniu-se o Conselho de Estado com o único propósito de tentar melhorar a imagem do Presidente da República e a opinião que sobre têm os portugueses. E a avaliar pelas primeiras reacções, já nada vale a Cavaco Silva, a começar por si próprio. Mas diga-se de passagem que com aquele tema de discussão, mais adequado a uma tertúlia do Martinho da Arcada do que a uma reunião de um importante orgão de Estado em conjuntura grave do país, difícil seria que a sua iniciativa fosse bem acolhida pelos portugueses.  
  2. Uma boa notícia, a aprovação pela Assembleia da República da co-adopção por casais homossexuais. Faz-nos sentir num país mais livre, mais moderno e mais civilizado. Menos preconceituoso e mais respirável. Um pouco contra a corrente em tempos de estratégia oficial de empobrecimento, de exame da 4ª classe e de regresso de Cecília Supico Pinto velando pelos "soldadinhos", agora travestida de Isabel Jonet. Uma andorinha não faz a primavera, mas ajuda.
  3. A resposta do "puto" Martim a Raquel Varela, pois claro. Mas basta-me o que escreveu Daniel Oliveira, que neste artigo já disse tudo.  Muito bem, Daniel, cada vez mais social-democrata (da social-democracia europeia, e não do PSD). 
  4. Ah, e Carlos Abreu Amorim classificou-me de "magrebino". Enfim, mistura de português, francês e maltês, também com fortes ligações a Castela, convenhamos que ando lá por perto, sem qualquer problema com o facto, embora tenha nascido mais para o loiro e nunca tenha usado bigode. Mas respondendo directamente a CAA dou-lhe três hipóteses de escolha em termos de epítetos para a sua rotunda figura:
  • Carlos Abreu Amorim é "gordo, vai à baliza e cheira a supositório".
  • Carlos Abreu Amorim é "peida badocha".
  • Carlos Abreu Amorim passa a ser conhecido, não pelo seu verdadeiro nome, CAA ou Cabreu, mas pelo "gordo" da Assembleia da República, com todas as suas consequências.Vale?

sexta-feira, maio 17, 2013

Friday midnight movie (42) - Giallo (VII)


"The Whip and The Body" (aka "La Frusta e il Corpo", de Mario Bava (1963)
Filme completo c/ legendas em português

"Gato Maltês"

Uma avaria informática está a causar problemas à edição deste "blog", problemas estes que se irão manter durante o fim de semana. As minhas desculpas aos leitores (se os houver).

SLB: os jogos no Porto e em Amesterdão

Confesso estar farto de ouvir comparações entre o modo como o SLB jogou nas Antas e o fez em Amesterdão, contra o Chelsea, valorizando esta última exibição em detrimento da primeira e criticando a equipa por não ter assumido a mesma atitude no Porto. Ora não estando em desacordo a exibição no Arena foi claramente mais "vistosa", estamos a falar de coisas incomparáveis, dois modos diferentes de abordar o jogo ditados, fundamentalmente, não pela vontade da equipa mas pelos modelos de jogo antagónicos dos adversários. Enquanto o Chelsea joga com as suas linha relativamente recuadas, partindo daí para o contra-ataque ou para transições rápidas, o que obrigou o SLB a assumir o jogo, o FCP joga mais adiantado no terreno, em "posse e circulação de bola", o que teve como consequência ter o SLB sido obrigado a recuar as suas linhas tentando daí sair para o ataque nas habituais transições rápidas. No fundo, nada de muito diferente do que a equipa fez em Braga, onde ganhou. Faltou nas Antas, no entanto, e se compararmos com o tal jogo de Braga, frescura física e mental para chegar com maior perigo à área contrária. Já o jogo com o Chelsea, como tento e espero tenha conseguido explicar, foi outra coisa bem diferente.

quinta-feira, maio 16, 2013

Ensinar a Constituição?

Confesso que a proposta da deputada Heloísa Apolónia sobre a obrigatoriedade do ensino da Constituição da República aos alunos do 3º ciclo me parece conter em si qualquer coisa de "chavista", "castrista" ou de qualquer outro populismo terceiro-mundista de características mais ou menos ditatoriais - e esta minha afirmação nada tem a ver com a "carga ideológica" da Constituição ou o facto de esta ser ou não "datada".

Parecer-me-ia bem mais adequado e completo em termos formativos integrar a divulgação do essencial dessa mesma Constituição no estudo e divulgação simples das várias formas de organização política dos Estados, regimes e sistemas eleitorais, sua evolução histórica e razões que estiveram na origem de cada uma delas. Talvez assim pudéssemos contribuir para a redução de muito do analfabetismo político de que ainda sofrem os portugueses.

Norm Eastman (7)

SLB: vitórias morais e personalidades insubstituíveis

  1. Espero não esteja a fazer carreira no SLB o conceito de "vitória moral", do "merecíamos ganhar", do "jogámos bem mas tivemos azar", do "perdemos mas demonstrámos o nosso valor" e outras "baboseiras" semelhantes de que os discursos de perdedor estão prenhes. Espero o meu clube não tenha voltado ao "Portugal ataca, a Espanha marca" dos anos 50 do século passado, lembrando que foram exactamente as vitórias do "Glorioso" na TCE de então que atiraram  de vez com esse discurso para o caixote do lixo da História e o "hóquei patriótico" para a pequenez que lhe competia no âmbito do desporto mundial. Lembrar (e custa-me o que vou dizer) que esse era o cenário do FCP dos anos pré-Pedroto/Pinto da Costa e a que ambos puseram cobro, mesmo não tendo pejo em recorrer à ameaça, à fraude e ao jogo sujo que nunca quereria ver copiados no meu clube.
  2. Espero, por fim, Luís Filipe Vieira e a administração da SAD não cedam a uma qualquer eventual chantagem de Jorge Jesus na renegociação do seu contrato. Messias e Salvadores são do âmbito das religiões e personalidades insubstituíveis pertencem à história política das ditaduras.   

quarta-feira, maio 15, 2013

SLB - Chelsea FC: sorte, azar?

Não, não é só azar, ou pelo menos não o é fundamentalmente. A equipa perde dois títulos nos descontos porque não sabe controlar os ritmos e tempos de jogo e está física e mentalmente de rastos. No Porto, quando tinha o título na mão, o SLB não soube guardar a bola e "arrefecer" o jogo, permitindo o FCP chegasse junto da sua área, a dois minutos do fim, em igualdade ou superioridade numérica. Hoje, apesar da boa exibição e para além da substituição sem sentido de Melgarejo, o que deixaria a equipa desequilibrada para um prolongamento que esteve quase, um SLB em autêntica surménage mostrou mais uma vez dificuldade em controlar o jogo e falta de cabeça fria nos minutos finais, enquanto o Chelsea, com uma exibição apenas razoável, mostrou maior experiência, eficácia, consistência e maturidade. E esperou os seus momentos. Para além disso, joga num campeonato menos desequilibrado, onde não se pode falhar tanto em frente da baliza como no campeonato português: apesar da boa exibição - repito - o SLB apenas consegue marcar um golo com origem num "penalty" casual. Claro que os de Fulham Broadway tiveram a sorte pelo seu lado (mas atenção: se o árbitro tivesse marcado um "penalty" a Luisão não seria nenhum escândalo), mas quem não quiser ir pelos caminhos do "além", da sorte ou do azar, tem de ir mais fundo na procura das causas de duas derrotas muito duras. E por favor esqueçam as vitórias morais.

Nota adicional pelas 24h: Não gosto de ver esta discussão pública entre LFV e JJ sobre o continuidade deste no clube, nem a reacção emotiva de JJ na conferência de imprensa. Quer se queira quer não, estas são algumas das razões porque a equipa acaba por falhar tanto nos momentos decisivos.

Está quase...

(fotos exclusivas para o "Gato Maltês")

4ªs feiras, 18.15h (34) - "Licht und Schatten" - o expressionismo alemão no cinema (V)

Filme completo c/ intertítulos em português

Antes da final (3)


A caminho do estádio
(fotos exclusivas para o "Gato Maltês")

Antes da final (2)



Amesterdão, hoje, pelas 16.30h
Fotografias em exclusivo para o "Gato Maltês"

As "boas notícias do campo"

Ora agora, e como já não nos bastasse o toque divino de Nossa Srª de Fátima abençoando as decisões do governo e da "troika", ainda temos as "boas notícias do campo", o "puro povo do campo," ao estilo "bom selvagem" não tocado pelos malefícios impuros da urbanidade, contraposto às más notícias que são característica das grandes cidades, onde, já agora, talvez quais Sodoma e Gomorra, impere a prostituição, o vício e o pecado. Assim sendo, porque não nos "desampara a loja" e vai de vez para Boliqueime, de onde nunca deveria ter saído? Talvez lá, no respectivo poço, agora fonte, se possa purificar, embora não me pareça qualquer espécie de salvação seja ainda possível.

Antes da final

(fotografia especial para "O Gato Maltês")

Parafraseando o meu consócio Luís Marques Mendes, "sou benfiquista mas não sou estúpido". E não, não me estou a referir, ao contrário dele, ao próximo jogo do FCP em Paços de Ferreira (onde tem toda a razão no que afirma), mas ao jogo de logo à noite com o Chelsea. E citando agora uma frase habitual de António José Seguro (estou em maré de citar políticos, que querem), vou "dizê-lo com toda a clareza": a probabilidade do SLB sair vencedor em Amesterdão é, de facto, bastante escassa, ao contrário de alguma onda de euforia que a comunicação social tenta por aí criar para melhor vender o seu espectáculo. E é escassa porquê? Pela abissal diferença de orçamentos das duas equipas? Sim, também por aí, embora isso, tendo uma importância decisiva em provas longas de regularidade, seja ultrapassável num só jogo de uma prova a eliminar. Mas principalmente porque o Chelsea joga num campeonato onde o ritmo e a intensidade são outros, é campeão europeu em título tendo eliminado o Barça e ganho a final ao Bayern no estádio deste, é um cliente habitual de finais e meias-finais da Champions League e, exceptuando os dois centrais e talvez o lugar de "ponta de lança", tem na generalidade melhores jogadores e é uma equipa mais equilibrada. isto para já não falar da maior experiência internacional de Rafa benitez. Claro que o "Glorioso" pode ganhar, num jogo em que faça uma grande exibição e tudo corra a seu favor e seja adverso ao Chelsea: ainda este fim de semana o Wigan ganhou a FA Cup ao City e, para nosso mal, há um pouco mais de uma semana o G. D. Estoril-Praia nos foi tirar o título de campeão à Luz. Recuando mais no tempo, a nossa primeira final da TCE, em 1961, foi ganha quando as probabilidades de vitória do SLB eram ainda mais escassas. Mas essas são as excepções e faço votos logo ao fim da tarde aconteça uma delas. Bem merecemos.

Nota: andar neste momento a falar sobre a possibilidade do "Glorioso" estar presente na final de 2014 da Champions League, no Estádio da Luz, é, no mínimo, de quem vive no planeta XR3Y (ou outro do mesmo género). Um disparate completo.

terça-feira, maio 14, 2013

A reunião do Conselho de Estado e a "prima Georgina"

Marcelo Rebelo de Sousa, que é assim uma espécie da prima Georgina de Raúl Solnado "que gosta muito de dizer coisas", declarou hoje que a próxima reunião do Conselho de Estado irá ser um "debate muito interessante, mas em que irá haver muitos pontos de interrogação, muitas incógnitas". Acrescentou ainda que a reunião irá servir para o Presidente da República "ouvir o que os conselheiros pensam sobre o mundo, a Europa e Portugal daqui a um ano, um ano e meio, dois, três ou quatro anos".

Ora partindo do princípio que no actual "estado da arte" é possível alguém em Portugal ter alguma ideia mais ou menos precisa sobre o que quer que venha a acontecer na Europa e no mundo daqui a dois, três ou quatro anos (excepto o EXCEL do ministro Vítor Gaspar, claro), será que Cavaco Silva e os portugueses não sabem já "de cor e salteado" o que pensam Pedro Passos Coelho, Assunção Esteves, Alfredo José de Sousa, Alberto João Jardim, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa (ele mesmo), Vítor Bento, Bagão Félix, Marques Mendes, Manuel Alegre, António José Seguro e Luís Filipe Menezes, todos eles personalidades com intervenção política e mediática quase permanente, sobre o país e o mundo? Ou será que não estamos apenas perante uma tentativa de Cavaco Silva para conseguir inverter os seus actuais baixíssimos níveis de popularidade? Juízo tem Vasco Cordeiro, que deve preferir um Gorreana a um qualquer insípido Lipton servido em Belém e, assim,  já declarou se deixará ficar no conforto do seu arquipélago, já que tudo isto não passa mesmo de mais uma encenação ridícula.  

Dance Craze (4)

The Vibrations - "The Watusi" (1961)

segunda-feira, maio 13, 2013

The Satellite/Stax records story (17)

Barbara Stephens - "Love Is Like A Flower" (1962)

Barbara Stephens - "Wait A Minute" (1962)

CDS: o fim de uma história "bonita"

Numa coligação, o papel fundamental dos partidos mais pequenos e a mais valia que podem representar, para além da soma dos votos e dos deputados, é trazerem para o governo de que fazem parte a representação de grupos minoritários, alargando assim a base de apoio desse mesmo governo. Claro que o risco de alguma conflitualidade no executivo pode assim aumentar, mas o alargamento da sua base social de apoio e um certo "arejamento" de ideias, evitando o "enquistamento", que esses partidos minoritários possam trazer consigo parece-me, numa maioria dos casos, compensar esse tal risco de alguma conflitualidade acrescida. O CDS de Paulo Portas tem percebido isso e, desse modo, foi tentando, na sua história recente, arvorar-se em defensor e representante privilegiado de alguns desses grupos e dos seus interesses e reivindicações mais imediatos. Ele foram os "lavradores", os "antigos combatentes", os "pescadores", os "pensionistas" e mais alguns que não recordo. No fundo, uma pequena-burguesia digamos que esquecida pelo poder, nele pouco representada ou deixada para trás pelo desenvolvimento, pela integração europeia e globalização da qual o CDS se quis fazer representante. A inteligência e habilidade políticas de Paulo Portas, em conjunto com o seu indiscutível carisma e, porque não dizê-lo, alguma falta de escrúpulos, foram dando o seu contributo e o CDS lá se foi mantendo na sua quota eleitoral de dois dígitos.

Esta foi, para o CDS, uma história mais ou menos bonita, mas que me parece ter acabado num domingo véspera de um treze de Maio. Agora, se aos portugueses ainda lhes restar alguma memória ou discernimento político, nem uma oração, ajoelhado junto ao túmulo da irmã Lúcia, poderá salvar Paulo Portas do descrédito e o CDS de se limitar a fazer número no governo, acrescentando-lhe os seus votos e deputados. Vítor Gaspar ganhou mais uma batalha.

domingo, maio 12, 2013

Matiné de Domingo (26)

"Good Bye Lenin", de Wolfgang Becker (2003)
Filme completo c/ legendas em inglês

SLB: o clube não começou em 2009

Durante a sua já longa e gloriosa história, o SLB teve muitos treinadores: maus, medíocres, suficientes, bons, muito bons e excepcionais. Otto Glória lançou as bases dos sucessos de década de 60 e Bela Guttmann conduziu o clube à glória mundial. E, falando já dos meus tempos de adulto, o clube já teve pelo menos dois treinadores capazes de ir ganhar jogos decisivos, na luta pelo título, a casa de adversários directos: Eriksson, em 91, nas Antas, nas condições de dificuldade extrema que todos bem conhecemos, e Toni (hoje uma caricatura que me deprime sempre que o oiço), em Alvalade, em 1994. Serve isto para dizer que por muito negativa que tenha sido para o clube a primeira década deste século (e foi-o), ditada por razões que são do domínio público, a História do "Glorioso" não começou em 2009/2010, nem está dependente de quaisquer Messias ou Salvadores. Muito menos de personalidades insubstituíveis ou, por esta ou aquela razão, endeusadas ou mitificadas por uma comunicação social desportiva, com uma ou outra excepção, perto da indigência. Por muito valor que tenha demonstrado quem como profissional o serve - e alguns têm-no feito, inclusivamente nestes anos mais recentes - o presente e o futuro do nosso clube depende, isso sim, dos seus sócios e adeptos, da capacidade dos seus dirigentes e das boas e adequada decisões de gestão que ambos saibam tomar. Neste momento, há todas as razões para crer que, em conjunto, saberemos tomar as mais adequadas, quaisquer que elas sejam. 

Era só isto, pondo alguns pontos em outros tantos "is", que me apetecia dizer.

E agora, SLB?

Não tendo a derrota de hoje do SLB sido ditada por erros graves e pontuais (referentes apenas a este jogo: constituição da equipa, táctica adoptada, substituições, etc), nem devendo ser isso que está em causa quando avaliamos o trabalho efectuado nestes quatro anos por treinador e equipa técnica, o que penso sobre o momento actual do meu clube e a continuidade ou não de Jorge Jesus escrevi-o aqui, aqui e aqui na semana entre o jogo com o G.D. Estoril-Praia e o jogo de hoje com o FCP. Não retiro nem acrescento uma vírgula, a não ser que existe um crédito/capital de credibilidade e de confiança entre sócios e adeptos, por um lado, e equipa técnica, por outro, que, não devendo nem podendo o clube ser governado pela "rua", tem também  de ser avaliado e considerado no final de um ciclo já longo.

sexta-feira, maio 10, 2013

Friday midnight movie (41) - Gothic/Horror (VII)

"The Abominable Dr. Phibes", de Robert Fuest (1971)
Filme completo c/ legendas em português

The best of SUN rockabilly (19)

Glenn Honeycutt - "All Night Rock"

Acredita, SLB!

Seguro: tenha coragem política, homem!

Seria assim tão difícil ao PS e a António José Seguro declararem que se recusariam a continuar a colaborar nesta farsa das reuniões com o governo enquanto este não garantisse deixava cair medidas loucas como o corte nas pensões dos já reformados através Caixa Geral de Aposentações e o salário zero e despedimento sem direito ao respectivo subsídio dos funcionários públicos? Não seria este um sinal inequívoco da confiança de que o país necessita? Seria também pedir muito declarasse que quando o PS fosse governo acabaria com este disparatado exame do 4º ano? Não seriam estas suas afirmações um sinal de coragem política que poderia dar algum ânimo aos cidadãos? Que raio, é assim tão difícil ou quer ser ultrapassado enquanto oposição por Paulo Portas e Ferreira Leite?

quinta-feira, maio 09, 2013

Proença? Mas está tudo doido?

Ok, vou abrir uma excepção e vou falar de árbitros. Mais propriamente de um árbitro e da Comissão de Arbitragem. Nomear Pedro Proença para o FCP-SLB é uma decisão, não direi de risco, mas nas margens da loucura e que se pode vir a tornar catastrófica. Se errar contra o SLB, será "mais do mesmo" e não imagino o que possa vir a suceder; se o fizer contra o FCP será porque é benfiquista confesso e, face à história recente, resolveu entrar no "jogo das compensações". Pior: nestes três dias anteriores ao jogo vai ser já arvorado pelos "media"  em "vedeta do espectáculo".

Enfim... até pode ser o melhor árbitro português (na prática, é-o), mas David Moyes também não é melhor treinador do que José Mourinho e este não foi - e bem - o escolhido para treinar o United, pelo facto de perfis de clube e treinador não se "encaixarem". Proença seria mesmo talvez o único árbitro que nada recomendaria fosse nomeado, mas este país parece mesmo ter ensandecido. Desejo-lhe boa sorte e, como não sou hipócrita, na dúvida... (vocês sabem).  

"When I Woke Up This Morning" - original blues classics (32)

Son House - "Clarksdale Moan" (1930)

Exames do 4º ano: "stress" ou política?

Colocar o foco da oposição aos exames do 4º ano na "stress" que isso possa causar às crianças parece-me errado, e os defensores do governo nos "media" e na "blogosfera", já o tendo percebido, agarram-se à contestação de tal ideia, onde até podem ter alguma razão e recolher apoio popular, como lapa a rocha. Por algum "stress" que os exames possam causar, e não sendo eu pedopsiquiatra nem tendo conhecimentos relevantes sobre a matéria, não me parece tal seja de molde a originar, na generalidade, grandes problemas a alunos de nove anos, e não será também esse o sentimento dominante no país. Ao invés, a contestação devia estar focada, isso sim, na demonstração do facto de o país estar a alocar recursos e esforços a uma acção dirigida no sentido errado e que, por isso mesmo, nada contribui para a melhoria da formação e desenvolvimento das crianças e alunos. Essa, sim, é uma questão política, e como tal deveria ser ela  o centro da contestação ao populismo "cratista". Como muito bem o faz Daniel Oliveira.

Acabou "A Guerra"


Foi ontem exibido o último episódio da série documental "A Guerra", realizada por uma equipa dirigida por Joaquim Furtado. Sobre a excelente qualidade da série já me pronunciei várias vezes, pelo que me parece desnecessário repetir o que escrevi. Mas deixo duas perguntas:
  1. Para quando o devido reconhecimento a Joaquim Furtado, por exemplo, e agora que se aproxima o dia 10 de Junho, com a entrega de uma mais do que merecida condecoração a si e à sua equipa? Ou um qualquer grau "honoris causa" concedido por uma Universidade prestigiada em função do trabalho histórico realizado?
  2. O que me espanta, depois de ter visto a série de "fio a pavio", foi pensar como foi possível a um país europeu e ocidental como Portugal, então o mais pobre da Europa, manter durante treze anos (treze!!!) uma guerra em três frentes que se sabia nunca poderia ser vencida (ou mesmo perdida) e que só poderia terminar como, de facto, terminou: com a queda mais ou menos abrupta do regime que a sustentava. Isto prova, mais uma vez, que mesmo um regime político que se pretendia elitista, governado por uma "soit disant" elite, como pretendia ser a ditadura de Salazar e Caetano, não está imune (ele, os seus dirigentes e seguidores) a ser tomado por um ataque crónico de demência ou um surto perene de loucura. Estranho é existir quem ainda defenda que o resultado poderia ter sido outro. Prova-se que isto da loucura é mais grave do que parece e atinge mesmo alguns que, à partida, poderiam parecer imunizados. À bon entendeur...

quarta-feira, maio 08, 2013

4ªs feiras, 18.15h (33) - Hitchcock (III)


Filme completo c/ legendas em castelhano

Existe um antes e depois de Jorge Jesus?

Nota inicial: não sendo este um "blog" sobre futebol, como benfiquista, o "Gato Maltês" tem dedicado muito do seu tempo e espaço, neste últimos dois dias, ás virtudes e problemas do futebol do SLB. Nada mais natural num final de uma época que pode ser marcante, mas também depois de um resultado negativo que lançou muitas dúvidas e deu lugar a alguma decepção. Acresce que, com uma ou outra excepção, a qualidade da imprensa desportiva portuguesa é, em média, demasiado má, pelo que mais ainda se justifica esta tentativa de pensar os problemas e virtudes do clube. 

No SLB, existe um "antes" e um "depois" de Jesus? Sim, indiscutível que Jorge Jesus terá uma quota-parte de responsabilidade na melhoria dos resultados obtidos pelo clube nos últimos quatro anos, mas os sucessos ou insucessos de um qualquer clube não se podem analisar apenas em função dos méritos ou deméritos da equipa técnica ou da qualidade do plantel. Nem se pode medir a qualidade de um treinador sem avaliar o "meio" no qual os seus resultados foram conseguidos e o modo com a sua personalidade encaixa ou não na cultura e filosofia de actuação de um clube. Eles têm muito a ver, não só com outros aspectos da organização e modo de funcionamento de cada clube, como também com questões macroeconómicas e sociológicas relacionadas com o "meio" em que esse mesmo clube vive. Por exemplo, não se pode dissociar o sucesso do FCP, catapultado pela dupla Pedroto/Pinto da Costa, da importância económica, política e social que o norte adquiriu no período pós-25 de Abril. Os irrepetíveis resultados do Vitória Futebol Clube no final da década de 60 e início da seguinte sem ter em conta a pujança económica vivida pela península de Setúbal à época. O campeonato ganho pelo Boavista FC sem levarmos em linha de conta dominava à época toda a estrutura de poder do futebol português e constituiu a alavanca de poder da afirmação política, económica e social da família Loureiro. Se quisermos avançar no tempo, Domingos Paciência pode ou não ser um bom treinador (não sei), mas o seu falhanço no SCP está intimamente ligado a um projecto e uma estratégia que não faziam sentido e estavam errados desde que tinham sido traçados pela direcção do clube. Domingos era apenas uma peça errada de uma estratégia absurda e condenada ao insucesso. E, já agora, e para terminar, os problemas vividos por Mourinho no Real Madrid apenas provam que, não estando em causa a sua qualidade, não "encaixa" na cultura e "way of doing the things" do clube, tal como aconteceria se fosse o escolhido pelo Manchester United para substituir Alex Ferguson.

E que tem este enorme preâmbulo a ver com Jorge Jesus? Bom, como disse, Jesus tem com certeza a sua marca na melhoria de resultados do SLB nos últimos quatro anos, mesmo tendo em conta os erros pontuais e os problemas técnicos estruturais que aqui e aqui assinalei. Existe hoje um modelo de jogo bem definido, com virtudes e problemas, e uma política de contratações e de gestão de plantel que a ele se adequa. Valorizaram-se jogadores de modo a tornar viável o modelo de negócio do clube. Mas convém lembrar que JJ não está sozinho: a montante, o clube tem hoje um modelo de negócio coerente e estabilizado; tem investido de acordo com as suas ambições; tem definida uma estratégia empresarial que abrange várias áreas de actividade, com especial enfoque na questão dos direitos televisivos, área de essencial importância para a sustentabilidade do clube; possui uma equipa de "scouting" estruturada e uma gestão financeira credível. E podíamos continuar por aí, apesar de algumas asneiras pontuais, principalmente na área de comunicação, que por vezes teimam em manter-se. Digamos que, incluindo mas também independentemente e transcendendo a actual equipa técnica, o SLB tem hoje, enquanto clube, uma operação consolidada, o que não só tem contribuído para os resultados obtidos, como permite encarar sem dramatismos a transitoriedade desta ou daquela equipa técnica. É isto que se deve também deve estar presente quando se analisam os méritos e o trabalho de Jorge Jesus. Sem termos em conta estes elementos, o risco de uma análise parcial, que pode dar origem a conclusões incompletas ou erróneas, parece-me por demais evidente. 

terça-feira, maio 07, 2013

Ex-votos (11)


SLB: erros pontuais e questões estruturais

Em todos os campos da actividade humana, das pessoas e das instituições, existem erros pontuais e problemas estruturais. Os primeiros são quase sempre ditados por inexperiência; má avaliação, aqui e ali, das situações; lacunas de conhecimento; desconhecimento total ou parcial da realidade que enfrentamos; medo que nos tolhe ou sobreavaliação das nossas capacidades. Muitas vezes, mesmo,um conjunto destas circunstâncias. Por graves que possam ser as suas consequências, são normalmente corrigíveis com pequenos ajustamentos, sem necessidade de grandes mudanças nas organizações ou alterações significativas  nos recursos humanos envolvidos. Já quando falamos de problemas estruturais, que têm a sua raiz no modo como funcionam as organizações, na personalidade e ideias de cada um ou de quem dirige uma instituição, a situação é muito diferente, e é quase sempre preciso mexer na organização, no modo como esta funciona e, nos casos em que falamos de indivíduos, é necessária uma correcção em alguns ou em muitos aspectos da sua personalidade, para os corrigir.

No SLB dos últimos anos existiram alguns erros pontuais, cometidos por inexperiência, deficiente avaliação das situações e, até, por soberba de alguns, treinador incluído. Estou a falar, por exemplo, da soberba com que se encarou a participação na Champions League na época de 2010/2011; dos erros cometidos com a constituição da equipa em alguns jogos (Liverpool e FCP), com a colocação de David Luiz a defesa-esquerdo; da contratação pouco avisada de um guarda-redes sem "estofo" para um grande clube (Roberto); do modo deficiente como tantas vezes se "rodou" o plantel; da leviandade e pouco rigor postos na contratação de um defesa-esquerdo e mais um ou outro problema que não vale a pena enumerar. Felizmente, a frequência desses erros tem vindo a diminuir, com reflexos nos resultados obtidos.

Mas, infelizmente, sobrepondo-se a estes, existem também alguns problemas estruturais que, portanto, estão ligados ao modo como funciona o futebol profissional do clube, à organização (ou parte dela) e às ideias e "way of doing the things" de algumas pessoas que dirigem algumas das suas áreas. E estou a falar, fundamentalmente, da área técnica. Indiquei-as no "post" anterior e tenho-as focado, ao longo do tempo, neste "blog": um modelo de jogo que entusiasma, mas demasiado desgastante, que não sabe "ter bola", tem dificuldade em controlar todos os momentos e tempos do jogo e se revela muitas vezes pouco seguro (não estou a falar de "segurança defensiva", mas de "segurança de jogo"). Que tem dificuldade, pelo menos internamente, em se impor sem reservas nos grandes jogos: nunca, até agora, conseguiu vantagem directa sobre o FCP (na época passada perdeu mesmo dois jogos em casa), só esta época o conseguiu sobre o S.C. Braga, tendo mesmo perdido para este uma meia-final da Liga Europa, e, no actual campeonato, não foi além de empates caseiros com FCP, S.C.Braga e G.D. Estoril-Praia, equipas que, em princípio, se irão classificar nos cinco primeiros lugares. Por outro lado, a equipa tem-se revelado, nestas quatro épocas, emocionalmente demasiado instável, coleccionando expulsões em jogos decisivos e apresentando níveis de ansiedade demasiado elevados que parecem ser sintomáticos de alguma falta de confiança. Claro que o facto de ser um "challenger" e não um habitual ganhador potencia essa ansiedade, que tantas vezes lhe tolhe o discernimento, mas deveria competir a quem a dirige resolver um problema que me parece ser demasiado reflexo da personalidade do seu treinador.

Agora que se aproxima o fim da época, e tendo também em atenção, claro, os resultados alcançados num período de quatro anos, saber distinguir entre erros pontuais e problemas de natureza estrutural, entre, por um lado, a substituição mal feita, o jogador que poderia ou não ter jogado e, por outro, a ideia de jogo e a preparação, crescimento e mentalidade de jogadores e equipa, parece-me essencial para que as decisões a tomar na área técnica, incluindo a recondução ou não de quem a dirige, possam ser tomadas com ponderação e segurança. Existe um período de tempo já suficientemente longo para o permitir.   

Não esquecemos!


No dia 28 de Abril de 1991, o Sport Lisboa e Benfica, comandado por Sven Goran Eriksson, em condições de extrema dificuldade dentro e fora do campo, que aqui são relatadas, foi às Antas vencer por 2-0 num jogo que valeu o título. Precisava apenas de um empate, mas a equipa soube estar à altura dos pergaminhos do clube.
São estas ocasiões que permitem distinguir os campeões das apenas boas equipas, os grandes treinadores de todos os outros, os homens dos "meninos".
Lembrem-se disto.

segunda-feira, maio 06, 2013

O SLB - G.D. Estoril-Praia

Duas notas que não têm apenas que ver com o jogo com o Estoril-Praia mas foram hoje bem evidentes:
  1. O modelo de jogo do SLB de Jorge Jesus, de transições rápidas e grande intensidade de jogo, sempre com a baliza contrária nos olhos e no qual o meio-campo é apenas zona por onde a bola passa rapidamente, é, de facto, espectacular e entusiasmante. Mas o reverso é que ele se reflecte negativamente numa menor segurança de jogo da equipa, que não sabe "ter bola" e tem dificuldade em controlar todos tempos do jogo, sendo que o desgaste físico acrescido que provoca também é evidente. Mesmo quando acaba por ganhar, a equipa parece jogar sempre um pouco à beira do precipício.
  2. Apesar de uma evolução positiva, a equipa sempre teve problemas de ansiedade e controlo emocional e isso, reflectindo a personalidade do seu treinador, tem também implicações na segurança do seu jogo e no modo como aborda os  jogos decisivos. Esta época, das equipas que ocupam uma posição até ao 5º lugar, no seu estádio o SLB apenas ganhou ao Paços de Ferreira, empatando com SC Braga, FCP e Estoril-Praia. Dá para pensar um pouco.
E agora calma, já que precipitações já as houve em demasia.

Cavaco "comenta" Marques Mendes

"Cavaco marcará Conselho de Estado quando considerar útil"

Ou seja, agora, o Presidente da República comenta, altera, corrige, confirma ou o que quer que seja, notícias (ou "cachas" jornalísticas) não oficiais e inconfidências sobre a marcação de reuniões do Conselho de Estado dadas nas televisões por um qualquer dos seus membros. Isto está bonito, está! 

Já agora: sempre que oiço "encherem a boca" com a "defesa intransigente do interesse nacional", saco logo da pistola. Até porque, neste caso específico, a "defesa intransigente do interesse nacional", isto é, o sentido de Estado, exigia que o Presidente da República tivesse ficado calado.

História(s) da Música Popular (210)

Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "Why Do Lovers Break Each Other's Heart"

Phil Spector (VIII)

Dois pontos importantes: de Bob B. Soxx And The Blue Jeans", uma criação de Spector, faziam parte Fanita James e Darlene Love, ambas membros das falsas Crystals que gravaram "He's A Rebel". Depois disto que dizer? O tema (1963) é da autoria de Ellie Greenwich, sem o seu team mate  habitual Jeff Barry mas com um tal Tony Powers (não me perguntem mais sobre ele). Segundo a brochura que acompanha "Back To Mono", o tema é um tributo a Frankie Lymon, de Frankie Lymon And The Teenagers bem conhecidos pelo mega-sucesso "doo wop uptempo" "Why Do Fools Fall In Love". Foi também a primeira de muitas colaborações de Spector com Ellie Greenwich, embora, tanto quanto eu saiba, apenas uma vez mais com Tony Powers como parceiro. Mas essa é já outra história.

O "Dia da Mãe" de Paulo Portas

O pedido final de Paulo Portas, na sua comunicação de ontem, para que o deixassem ir festejar o "Dia da Mãe" foi uma espécie de "assinatura" publicitária de um produto, uma espécie de "Omo lava mais branco" ou "coisa doce tão fofinha" (das "Bombocas", para os mais novos) que serve para comunicar aos consumidores, de forma resumida e memorizável, os valores de uma marca. "What the brand stands for", para falar no "jargão" do "marketing" e dos negócios. Paulo Portas é pois aquele que, num governo onde impera a tecnocracia "dura e empedernida" de Gaspar, se preocupa com os mais fracos, os mais velhos e desprotegidos, as mães e os avós que, na actual emergência, se vêm na contingência de  "terem de valer" a filhos e netos. Aquele que é capaz de abreviar um importante assunto de Estado para correr para junto de sua mãe no dia que lhe é tradicionalmente dedicado. No fundo, para que a comunicação fosse ainda mais eficaz, apenas terá faltado aparecesse em fundo, pairando no ar como no episódio de Woody Allen nas "Histórias de Nova Iorque" ou em plano pós-packshot" de um filme publicitário, a mãe de Paulo Portas enxugando uma pequena lágrima furtiva perante tal manifestação de amor filial. Sejamos honestos: nenhum David Ogilvy deste mundo faria melhor. 

domingo, maio 05, 2013

O PS e o "ticket" político de Cascais

Bom exemplo da degradação política a que chegou a actual direcção do Partido Socialista (que, note-se, foi eleita por uma enorme maioria) é o "ticket" apresentado às eleições para a Câmara Municipal de Cascais, com João Cordeiro (ex presidente da Associação Nacional de Farmácias, um dos mais poderosos "lobbies" do país e adversário do governo de José Sócrates) como candidato a Presidente da Câmara e Ramalho Eanes, que como Presidente da República, ao formar o seu próprio partido, tentou uma espécie de "golpe" à Putin, como seu mandatário. Gostaria de saber quantos militantes, simpatizantes e habituais votantes do PS, ou até do centro e centro-direita políticos que se não reconhecem no actual PSD, se identificam com esta candidatura e estarão dispostos a entregar-lhe o seu voto. O chamado "voto útil" do PCP e da esquerda radical não conseguirão com certeza. Um desastre.  

Matiné de Domingo (25)

"His Girl Friday", de Howard Hawks (1940)
Filme completo c/ legendas em francês

O "porta-voz" do Conselho de Estado e os orgãos de soberania

Ao anunciar, "em directo e ao vivo" no seu "talk show", que o Presidente da República se preparava para convocar o Conselho de Estado para "daqui a umas semanas" , Marques Mendes, Conselheiro de Estado eleito pela Assembleia da República, deu mais uma machadada no que restava do prestígio de uma instituição já de si muito abalada na sua credibilidade desde que Cavaco Silva demorou uma "eternidade" para afastar Dias de Loureiro do cargo de conselheiro. Esperam-se, no mínimo mas sem esperança, reacções adequadas por parte da Assembleia e da Presidência da República.

Mas acrescento ainda mais. Esta é também uma machadada, talvez definitiva, no prestígio de mais uma instituição ligada à Presidência da República, cuja actuação do actual titular, desde que utilizou o cargo para conspirar abertamente contra o governo legítimo eleito pelos portugueses, apenas tem contribuído para demonstrar a completa inutilidade, e até contraproducência, do regime semi-presidencial e da eleição do Presidente da República por sufrágio directo e universal. 

sexta-feira, maio 03, 2013

Friday midnight movie (40) - Gothic/Horror (VI)

"Dementia 13" (aka, "The Haunted and the Hunted") de Francis Ford Coppola (1963)
Filme completo c/ legendas em castelhano

Final da Liga Europa? Sim, claro, mas pés na terra

O apuramento do SLB para a final da Liga Europa é seguramente muito importante: permite recuperar financeiramente das perdas de uma eliminação prematura da Champions League, cria um élan de vitórias e conquista no clube (integrantes da tal "brand equity") e (muito importante) consolida o actual projecto técnico e directivo centrado no eixo Luís Filipe Vieira/Domingos Soares de Oliveira/Jorge Jesus. Mas atenção: essa presença numa final onde já estiveram equipas como o SC Braga e o Fulham e que o SLB terá dificuldades óbvias em ganhar é apenas uma espécie de "extra" cujo valor só será verdadeiramente potenciado e optimizado se a ela se juntarem o título de campeão nacional e a conquista da Taça de Portugal, fundamentais para aquele que é o verdadeiro objectivo estratégico do clube: retirar ao FCP a hegemonia no futebol português. Tinha dito isto antes do jogo de ontem, entre amigos, e só não o escrevi para evitar dissessem estava já a arranjar desculpas para uma eventual eliminação. Mas como, felizmente, tal não aconteceu, deixo aqui bem vincado este pensamento em hora de grande e merecida euforia para todos nós, benfiquistas.

Sem palavras...


quinta-feira, maio 02, 2013

Dance Craze (3)

Chubby Checker - "Limbo Rock" (1962)

As capas de Cândido Costa Pinto (86)


Capa de CCP para o nº 5 de "Vampiro Magazine" (Julho de 1950)
Colaboração de João Pinheiro de Almeida

Angelino Ferreira e a "nova estratégia" do FCP


Angelino Ferreira, no papel, tem razão, e o papel "aceita tudo". Mas o problema subjacente a esta reformulação de estratégia é que pela ideologia que suporta e suportou o seu crescimento, pela filosofia e cultura do clube, o FCP, ao contrário do que acontece e aconteceu com o SLB e até com o SCP que são clubes nacionais e com vocação cosmopolita, nunca conseguiu libertar-se do espartilho de clube regional, representativo dos anseios, filosofia e maneira de estar e ser de uma região, tendo mesmo feito dessa ideia a sua força e razão de ser, o que limita de sobremaneira a "internacionalização da marca" e a "exploração de outros (negócios) em new media". O seu mercado potencial, mesmo em termos internacionais, está, por isso mesmo, limitado por essa "ideia", e parece-me difícil, pelo menos nos tempos mais próximos, assistirmos  a uma evolução - que teria de ser necessariamente lenta e de exequibilidade duvidosa - da sua maneira de estar e ser sem que tal se traduza numa descaracterização penalizadora.  

A propósito do 1º de Maio

  1. Nunca, desde que Portugal vive em democracia plena, os portugueses (e os imigrantes que connosco convivem) - assalariados, a grande maioria dos empresários (grandes, médios e pequenos), funcionários públicos, reformados e pensionistas, classe média, viram a sua vida, o seu presente e o seu futuro, as suas perspectivas de trabalho, desenvolvimento e rendimento, a liberdade, enfim, tão ameaçados. E, no entanto, foram estes mesmos portugueses que elegeram este PSD de Gaspar e Passos Coelho, deram duas presidências a Cavaco Silva e, excepto no caso da manifestação de 15 de Setembro de 2012, contra a TSU, se mostram incapazes de sair à rua, deixando esta entregue aos rituais, estimáveis mas repetitivos, das centrais sindicais e PCP e os protestos entregues ao comodismo inconsequente e à maledicência dos "fóruns de opinião". Não vou dizer têm o que merecem, mas lamento dizer que terão de fazer algo mais para conseguirem reverter a actual situação.
  2. Gostaria de ter visto António José Seguro e a direcção e deputados do PS nos desfiles do 1º de Maio e do 25 de Abril, em vez do partido se ter limitado à presença oficial envergonhada de um seu obscuro dirigente nas manifestações de ontem de UGT e CGTP. No fundo, grande parte do mundo do trabalho revê-se em muitas posições do PS e vota no partido, estando certo gostariam de ter visto os seus dirigentes junto de si, no desfiles, em conjuntura tão difícil. Mas enquanto o PS tiver vergonha da "rua", como se isso o inibisse ou enfraquecesse no seu indispensável papel de partido interclassista, moderado e de poder, dando primazia a jogos de bastidores envolvendo um Presidente da República que nunca escondeu ser seu adversário político, não se pode esperar nada de essencial mude.