sábado, março 30, 2013

Documentário de sábado (9 - a)

Servants: The True Story of Life Below Stairs (1/3)
Dr Pamela Cox looks at the grand houses of the Victorian ruling elite - large country estates dependent on an army of staff toiling away below stairs."

quinta-feira, março 28, 2013

"Só Dylan é Dylan" - homenagem a "Em Órbita" (9)

Bob Dylan - "4th Time Around"
Do álbum "Blonde On Blonde" (1966)

Ainda a entrevista de José Sócrates

  1. José Sócrates tem toda a razão do seu lado nas afirmações que fez ontem sobre Cavaco Silva - acho Manuel Alegre já o disse. Mas como não são a razão ou a justiça que fazem "andar o mundo", essas suas afirmações não foram apenas movidas por uma questão moral e/ou de reposição da verdade, de defesa da sua imagem, embora isso esteja também bem presente. Ao confrontar as atitudes do Presidente da República com uma frontalidade que nem a esquerda radical e comunista têm ousado, José Sócrates está também a conquistar e ampliar o seu espaço político, capitalizando o desgaste do Presidente da República mais fragilizado e contestado em 39 anos de democracia e colmatando assim o "gap" existente entre uma opinião publicada demasiado "atenta, veneradora e obrigada" face a Belém e o pensamento mais radical de muitos portugueses sobre a actuação de Cavaco Silva. Política, pois claro.
  2. Tal como aqui tinha afirmado (sim, estou "fishing for compliments"), e contrariamente aos comentários que ouvi de muitos jornalistas "cãezinhos de Pavlov", José Sócrates pouco ou quase nada se referiu ao PS. Limitou-se a lamentar que ninguém tenha se tenha consistentemente oposto à "narrativa" dominante e mesmo assim teve o cuidado de integrar tal atitude do PS na normal necessidade de uma direcção recém eleita olhar preferencialmente o futuro. Mas o facto é que não precisa de se referir à actuação actual seu partido: basta conhecer as audiências de ontem das televisões, consultar hoje a imprensa e os "blogs"para concluir que - e usando uma feliz expressão de Francisco Proença de Carvalho - "um joga na Champions League e os outros andam pelas distritais". Digamos que todos jogam à bola, marcam golos, cometem erros e perdem jogos, mas a capacidade técnica, o ritmo e a intensidade de jogo e até a capacidade para produzir espectáculos atractivos são bem diferentes. Digamos que Zorrinho e Seguro se devem sentir hoje um pouco acabrunhados.   

Passos Coelho só é capaz de governar contra a lei?

Passos Coelho está a exercer pressões e, mais do que isso, chantagem sobre o Tribunal Constitucional? Claro que sim, mas não me parece seja isso o mais grave: pressões e chantagem política, desde que não entrem por caminhos do tipo "fiz-lhe uma proposta que ele não pode recusar", fazem parte da vida política, da democracia e os juízes do Tribunal Constitucional não são "meninos de coro" que não saibam lidar com tal coisa nem, por sua vez, se coibirão de usar tais métodos quando julgarem conveniente. Mais grave, muito mais grave é que, a ser verdadeira a ameaça de demissão do seu governo caso algumas normas integrantes do Orçamento de Estado sejam consideradas inconstitucionais, Passos Coelho está a declarar que só é capaz de exercer as suas funções contra a lei fundamental da República, isto é, recorrendo ao arbítrio e à ilegalidade. Goste-se ou não da Constituição da República, é isto, e não as sempre tão demasiado estafadas "pressões", que é de uma gravidade extrema. 

A entrevista "à vol d'oiseau"

Com razão em muitas coisas, evitando outras para si mais incómodas e onde a sua acção como governante poderia ter sido positivamente diferente, a entrevista de José Sócrates teve um mérito fundamental: "oficializou", deu força, impacto mediático e digamos que trouxe à luz do dia uma "contra-narrativa", até aqui apenas com expressão fundamental nas redes sociais, que contesta e contrasta com aquela que tem sido a narrativa (vamos lá utilizar a expressão da moda) dominante sobre a crise, a acção do Presidente da República e a actuação dos dois anteriores governos do PS e da então oposição do PSD. Nesse sentido, foi uma espécie de meteorito cujo impacto vai fazer estremecer tudo e todos aqueles que, de uma ou outra maneira, com mais ou menos "nuances", deram guarida, de modo quase exclusivo, à narrativa oficial: governo e partidos apoiantes, PS, Presidente de República e, de modo muito particular, comunicação social. Foi uma lufada de pluralismo e uma contribuição para o enriquecimento democrático que só se pode saudar.

Só uma pergunta: qual vai ser, a partir de agora, a atitude do PS de António José Seguro em relação a Belém? Continuará a dominar a ideia do PS voltar ao governo pela mão de Cavaco Silva ou alguma dignidade, que mesmo em política por vezes é boa conselheira, tomará o lugar que lhe deveria competir?

quarta-feira, março 27, 2013

4ªs feiras, 18.15h (27) - "Cinema Militante" (3)


"Triumph des Willens", de Leni Riefenstahl (1935)
Filme completo c/ legendas em inglês

Victor Palla (9)


Capa do livro "O Pão da Mentira", de Horace McCoy
Colecção "Os Livros das Três Abelhas", Editorial Gleba (1952)

Pensamento no dia S

Uma coisa já concluí desta histeria com o "regresso" de José Sócrates à cena política. Se, um dia, a democracia estiver em perigo, sei poderei contar para a defender com alguns dos adversários de José Sócrates, à sua esquerda e à sua direita. Mas também sei que nunca poderei recorrer para tal coisa aos cerca de 150 000 signatários de uma petição que, além de anti-democrática, mais parece um atestado de menoridade intelectual passado pelos seus subscritores a si próprios. E desses, há muito aprendi há que desconfiar ou fugir mesmo a sete pés. 

terça-feira, março 26, 2013

A selecção

Não tendo tido oportunidade de ver o jogo da selecção portuguesa com Israel, devo dizer existiram no jogo de hoje no Azerbaijão, logo no seu início, duas jogadas que explicam bem porque a equipa portuguesa tem sofrido muitos golos com Paulo Bento, desde que subiu as suas linhas para conseguir rentabilizar Ronaldo e passou a assumir mais o jogo. Em ambas essas ocasiões, a equipa adiantou-se em bloco e foi apanhada completamente desposicionada e com poucos jogadores atrás da linha da bola ou capazes de assumirem rapidamente o seu posicionamento defensivo, tal como tinha acontecido no jogo da Rússia, problema aí agravado por ter perdido a bola em zona proibida. Nestas duas ocasiões, valeu a equipa azeri ser tecnicamente incipiente, o que dificultou a sua acção atacante colectiva. Falta à equipa um bom "pivot" defensivo, que a organize defensiva e ofensivamente nessa zona do campo, e um Raul Meireles dos velhos tempos, com ritmo e intensidade de jogo. Mas com Vieirinha (boa exibição), Danny e Postiga no ataque, ter marcado dois golos está acima das minha expectativas.

Nota pelas 19.45H: Acabei de ouvir David Borges falar da "casmurrice" de Paulo Bento. Pois... neste país quem tem ideias, acredita nelas, não bajula, nem muda ao primeiro sopro de vento ou é "casmurro" ou arrogante.

Blindness (16)

"Blind" John Davis (1913-1985) - "Every Day I Have The Blues"

"5 Noites 5 filmes": bom cinema, mal tratado.

A RTP 2, na sua rubrica "Cinco Noites, Cinco filmes" tem vindo a apresentar algum bom cinema na sua programação. Antes de mais, saúda-se. Mas saudando-se, não se compreende porque bom cinema é tão maltratado pelo serviço público de televisão, certamente por gente que não gosta de filmes. Por exemplo, não existe qualquer coerência no critério de escolha dos filmes. Se na semana passada tivemos direito a um mini-ciclo Clint Eastwood, não se compreende qual a ligação existente entre os excelentes "western spaghetti" de Sergio Leone, operáticos, barrocos, excessivos e gongóricos (desculpem o excesso de adjectivos), Leone a dever constituir por si só um ciclo (já agora, porque faltou "A Fistful of Dollars"?), e um "western" mais clássico, embora igualmente excelente, como o é "Pale Rider". Outro exemplo. Ontem, a RTP 2 passou "The Postman Always Ring Twice" original, de Tay Garnett com Lana Turner; hoje prepara-se, salvo erro, para exibir o "2001" de Kubrick e amanhã o fabuloso "Senso" de Visconti, talvez o filme mais representativo do romantismo operático. Qual a coerência? Apresentado deste modo, sem qualquer explicação adicional, conseguirá o cinema conquistar o público mais novo e torná-lo cinéfilo? Já não falo da falta de informação sobre os filmes, uma sinopse que seja como existe nos canais do cabo. Seria mais caro? Não me parece... Infelizmente, parece-me bem mais revelador do modo descuidado, sem qualquer rigor, autenticamente "à trouxe-mouxe" e ao estilo "cabe sempre mais um" como demasiadas vezes se fazem as coisas em Portugal. Encher chouriços", pois claro.

segunda-feira, março 25, 2013

Arthur Boyd Houghton & "The Arabian Nights" (1)

The Sultan Pardons Scheherazade

Dylan & Byrds (6)

Bob Dylan - "All I Really Want To Do"
Do álbum "Another Side of Bob Dylan" (1964)

A versão dos Byrds, incluída no seu 1º álbum "Mr. Tambourine Man" (1965)

"Bonus track" - a excelente versão de Cher (1965)

O PS e um governo a três

Contabilizados "prós e contras", confesso não entender muito bem, existindo um governo maioritário, qual o saldo positivo de um eventual governo que incluísse PS, PSD e CDS. Descredibilizaria qualquer oposição, remetendo-a para os partidos radicais, fora do chamado "arco governativo"? Pode ter o seu quê de verdade, mas parco consolo, já que reduziria o PS a uma caricatura e bloquearia ainda mais qualquer alternativa política num país em que as sondagens já mostram algum bloqueamento ao reconhecerem os portugueses a dificuldade do PS em corporizar uma alternativa credível. Por outro lado, "chutar" ainda mais PCP e BE para as margens do sistema (mais do que eles próprios já o fazem), marginalizando-os, traria consigo, para além do tal bloqueamento político acrescido, o perigo de um endurecimento autoritário do regime, o que, se para muitos pode ser desejável, empobreceria a democracia e contribuiria para uma enorme radicalização social. Em muitos aspectos e no limite, arriscar-se-ia a transformar o regime democrático num arremedo de ditadura mais ou menos disfarçada. Digamos que reconhecendo-nos ou não na sua ideologia e nas suas práticas políticas, agindo correcta ou incorrectamente no modo como faz oposição, simpatizem os portugueses mais ou menos com as suas lideranças e os governos que tem corporizado, tenhamos opinião mais ou menos negativa sobre a capacidade política dos seus dirigentes, o Partido Socialista é neste momento, e tem-no sido ao logo do tempo, uma espécie de "seguro de vida" da democracia e de uma sociedade mais aberta. No governo ou na oposição, consoante a vontade de todos nós, cidadãos, convém tal não se perca.   

domingo, março 24, 2013

SCP: no rescaldo da eleições

Parece-me ser ponto assente que, na sua actual situação e num futuro pelo menos a médio prazo, o SCP não terá outra opção senão voltar-se para a sua academia, de onde saíram alguns dos melhores talentos do futebol português nos últimos vinte anos. A academia tem sido, aliás, um dos "strenghts" do clube, talvez mesmo o mais valioso, se bem que depois não aproveitado em todo o seu potencial. Mas se isto é verdade, convém também não sobrevalorizar demasiado o papel que a formação pode vir a assumir no futebol e na inversão do declive negativo em que caiu o clube, pois se existe um potencial a aproveitar, existem também algumas limitações a essa função. Por exemplo? Bom...
  1. Com o seu actual modelo de negócio, baseado fundamentalmente no recrutamento de jovens talentos (e alguns menos jovens) da América do Sul e de alguns países europeus como a Holanda e a Bélgica, SLB e FCP actuam num vastíssimo campo de recrutamento, onde o SCP não tem qualquer capacidade para competir em condições, já não diria de igualdade, mas pelo menos comparáveis. Verá, portanto, o seu campo de recrutamento limitado ao que conseguir formar em Alcochete e a alguns jogadores "esquecidos" pelos rivais. Por muito que a sua capacidade nestes campos fosse maior que a de SLB e FCP - e na área de "scouting" estes levam bastante avanço -, o seu "source of business" terá uma dimensão muito inferior, já que sabemos a "colheita" nem sempre tem a mesma qualidade.
  2. Para valorizar jogadores é necessário ganhar enquanto equipa. E ganhar não apenas ao Moreirense e ao Rio Ave, mas consegui-lo na Champions League (principalmente) e na Liga Europa. Basta olhar para o que fez o FCP e, nos anos mais recentes, o SLB. Mas então, perguntarão: os clubes compradores não têm equipas de "scouting" omnipresentes, que observam jogadores nos confrontos nacionais? Sim, claro que isso é verdade, mas também não deixa de ser verdade que uma coisa é jogar bem nestes jogos e outra, muito diferente e com maiores garantias de sucesso futuro, fazê-lo nas grandes competições internacionais, onde a pressão, ritmo e intensidade de jogo são muito diferentes. É o mesmo que fazer bons jogos na pré-época ou depois, quando começa a competição "a doer". E esta será, nos próximos anos, uma das limitações do SCP: muito dificilmente poderá ultrapassar as pré-eliminatórias da Champions League (quando lá chegar e admito tal possa vir a ser possível a prazo de duas ou três épocas)  e mesmo na Liga Europa, para onde se poderá classificar sem demasiadas dificuldades, terá alguns problemas em conseguir "dar nas vistas".
  3. Acresce, e o SCP sabe disto por amarga experiência própria, que é difícil manter jovens jogadores numa equipa que não ganha títulos, com a agravante de não poder competir, mesmo que apenas internamente (externamente, nenhuma das equipas portuguesas o consegue), em termos salariais. Este será mais um "handicap" a ter em conta. 
Estas são as dificuldades, e "falar verdade" aos sócios e adeptos do meu tradicional e mais antigo rival não é apenas dizer-lhes que nos próximos anos não irão ser campeões: é também mostrar-lhes que mesmo na estratégia mais adequada à actual situação do clube existem enormes dificuldades. Mas enfim, futebol são onze de cada lado, quarente e cinco minutos cada parte, a bola é redonda e no fim já nem sempre ganha a Alemanha. Boa sorte, caros amigos "lagartos".

Estará o PS a agir correctamente?

Não sei se António José Seguro o fez ou não. Mas antes de ter enveredado por atitudes mais radicais no modo como faz oposição, para logo de seguida efectuar uma espécie de semi-retirada escrevendo cartas ao FMI e instituições europeias, numa atitude que os portugueses terão alguma dificuldade em compreender, teria sido avisado fazer um estudo de mercado tentando perceber as verdadeiras razões pela quais uma maioria dos portugueses não consegue ver no PS uma verdadeira alternativa ao actual governo. Serão questões relacionadas com o perfil e personalidade do seu líder? Com o modo como tem feito oposição? Por acreditarem na situação actual a margem de autonomia de qualquer governo é quase inexistente? Por acharem "quem manda" é mesmo a chaceler Merkel e as instâncias internacionais? Por atribuírem grandes e fundamentais responsabilidades ao PS na génese da crise actual? Por ainda não terem vislumbrado no PS uma opção programática e estratégica consistente? Por qualquer outra razão? E qual? Claro que o tipo e peso das respostas a cada uma destas perguntas teria de dar origem, por parte do PS e de Seguro, a respostas, em termos de opções e comportamentos políticos, diferenciadas. Caso contrário, funcionando apenas a "sensibilidade" e a "intuição", pode estar o PS "a dar tiros no escuro" e a gastar inutilmente os seus recursos.  

Matiné de Domingo (19)


"Limelight", de Charlie Chaplin (1952)
Filme completo c/ legendas em português

Políticos/comentadores e audiências: uma combinação perversa.

Não é só a independência que está em causa com a proliferação de comentadores/políticos nas televisões, o que, em certa medida (uma medida que se restringe ao chamado "bloco central"), até poderia ser equilibrado com recurso a personalidades de vários partidos. O problema é que, enquanto políticos, esses soit disant  "comentadores" têm uma agenda política própria e, por isso mesmo, muito mais do que tentarem fazer compreender aos portugueses a situação, o passado e presente de Portugal e do mundo, mesmo que naturalmente condicionada pela ideologia que perfilham, interessa-lhes "fazer política" e, assim, limitam-se, no seu próprio interesse, a tentar debitar um ou dois "soundbites" por programa de modo a entrarem facilmente "no ouvido" e serem replicados e reproduzidos nos jornais e telejornais do dia seguinte. Como este apelo aos comentadores/políticos tem na sua base a luta sem quartel pelas audiências e estas são mais facilmente conquistáveis pelo espectáculo e pelo número de menções (ao estilo "Facebook" ou "Twitter")  do que pela inteligência, interesse e conteúdo das intervenções, está criada um tempestade mais ou menos perfeita. Sugiro faça como eu: não oiça. Felizmente, ainda existem nas rádios, jornais e televisões jornalistas e académicos cujos comentários são suficientemente interessantes para valerem o nosso tempo.

sexta-feira, março 22, 2013

Friday midnight movie (34) - Sci-Fi (VI)

"Attack of the Crab Monsters", de Roger Corman (1957)
Filme completo c/ legendas em castelhano

T.C. "leaks"?

Esta notícia deveria merecer um imediato, completo e veemente desmentido pelo Tribunal Constitucional, devendo este afirmar não ter qualquer fundamento nem ter sido ainda tomada qualquer decisão ou existir sequer uma tendência definida quanto ao conteúdo do acordão. Não o tendo sido deste modo, parto do princípio ter sido fornecida à TVI e ao "Sol" propositadamente e com determinadas intenções (quais?), o que deveria dar de imediato origem a uma investigação com todas as consequências daí pudessem advir. Inacreditável!

Regimental Ties (22)


Royal Pioneer Corps Regimental Tie

Royal Pioneer Corps March

José Sócrates na RTP

  1. A chegada de José Sócrates a comentador político televisivo deveria ser pretexto para discussão aprofundada do tema "ex-dirigentes partidários transformados em comentadores televisivos", ou seja, gente com uma agenda política própria transformada em estrela do espectáculo e a quem é oferecida antena mediática. Comentário político é bem outra coisa e deveria ser exclusivo de jornalistas (especializados nas diversas áreas), académicos e politólogos. Infelizmente, a tradicional "fulanização" da política e a histeria "anti-socratista" impede tal coisa. Lamento.
  2. A RTP é "serviço público de televisão" e como tal deve prescindir de tal coisa? Bom, teoricamente deveria ser esse o caso, mas, para além de me parecer o problema está a ser também aqui "fulanizado" (se o nome fosse outro ninguém o levantaria), o tal serviço público", que não está definido mas não me parece possa excluir o debate político, social, cultural e de temas económicos, não pode ser transformado numa televisão "sem cor e sem cheiro", até porque a RTP, com as limitações já conhecidas no tempo que pode preencher com publicidade, não pode deixar de competir em termos de audiências, sem que essa competitividade signifique a disseminação de "Preços Certos" ou a tablóidização da informação. Caso contrário, não só nunca poderá cumprir com as obrigações que o serviço público lhe impõe, como muito menos financiar os seus custos de funcionamento. E depois, claro, lá viria a "lenga lenga" de que o país não poderia suportar tal coisa.
  3. José Sócrates, talvez o cidadão português mais investigado dos últimos anos, não é suspeito, acusado ou sequer indiciado de qualquer crime ou acto ilícito. Não concordando eu com a figura do "comentador/ex-dirigente partidário", muito menos submetendo-me às decisões dos julgamentos populares do Correio da Manhã e quejandos, tem tanto direito a sê-lo como Marques Mendes, Rebelo de Sousa, Jorge Coelho, António Vitorino and so on. Tem responsabilidades políticas na situação actual do país? Terá, tal como Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia), António Guterres (Alto Comissário da ONU para os refugiados) e Cavaco Silva (Presidente da República). Tem-nas em maior grau do que qualquer destes seus antecessores? Disso já tenho sérias e fundadas dúvidas, ousando mesmo considerar que, apesar de alguns erros e outras tantas opções erradas que fui apontado, o primeiro governo de José Sócrates (disse, "o primeiro") terá sido mesmo o melhor governo de Portugal desde o "bloco central" de Soares, Mota Pinto e Hernâni Lopes, que preparou a adesão do país à então CEE. As pessoas teimam em ver a árvore e esquecer a floresta.
  4. Estamos perante uma armadilha preparada pelo governo e pelo ministro Miguel Relvas contra Seguro e contra o PS? É provável, mas tendo em atenção os "tiros no pé" e acções dignas de "aprendiz de feiticeiro" do ministro Relvas e do actual governo, ficaria bastante admirado se desta vez acertassem. Além do mais, José Sócrates é um homem suficientemente frio e inteligente e um político com experiência suficiente para não se deixar cair na "esparrela". Para já, este seu "comeback" terá também jogado o seu papel numa decisão do PS e de Seguro que em nada favorece o actual governo: a decisão do partido de avançar com uma moção de censura, transmitindo para a opinião pública uma pouco comum (pelo menos, nos últimos tempos) agressividade política e unidade partidária. Acho que quem, numa típica atitude "wishful thinking", espera José Sócrates assuma de modo prioritário um papel  de desestabilização do PS e de radical criticismo face ao Presidente da República arrisca-se a estar a pensar de forma demasiado imediatista.
  5. A presença televisiva de José Sócrates irá fazer avivar nos portugueses a imagem dos "responsáveis pela crise", ele próprio e o PS? Enfim, passada a fase da novidade e do auge da cruzada anti-socratista (assim, pelo menos, deixarão de se preocupar como o modo como se sustentava em Paris), que durará pouco e se transformará, rapidamente, numa espécie de vanguarda mais ou menos radical e folclórica ao estilo "31 da Armada", "Hare Krishna ou "Amigos de Olivença", penso que a presença de José Sócrates em Portugal e nas televisões acabará por contribuir, a prazo, para alguma distensão e normalização do ambiente e convivência democráticas, o que, excepto para os tais radicais, só poderá ser de saudar. Eu, desde já saúdo seja essa a consequência.  

quinta-feira, março 21, 2013

Secrets of the Manor House (4/4)

"A look back at the British aristocracy and how the first World War changed the entire financial, social and political landscape of the aristocracy."

quarta-feira, março 20, 2013

Secrets of the Manor House (3/4)

"A look back at the British aristocracy and how the first World War changed the entire financial, social and political landscape of the aristocracy."

4ªs feiras, 18.15h (26) - "Spaghetti" (2)

"For a Few Dollars More", de Sergio Leone (1965)
Filme completo c/ legendas em inglês

Seguro e a Comissão Nacional extraordinária

Ao afirmar que "estamos perante uma situação de tragédia" e ao convocar, por essa razão, uma Comissão Nacional extraordinária, António José Seguro tem de saber que dela só pode sair uma decisão em conformidade com o que anuncia, isto é, uma posição significativamente mais dura e até radical no relacionamento do PS com o governo. Caso contrário, a sua credibilidade e a do seu partido perante os portugueses, já de si em baixa, sofrerá mais um enorme golpe, deixando ainda mais enfraquecida qualquer hipótese de alternativa consistente e democrática ao actual governo. 

Mas quando ontem ouvi Augusto Santos Silva colocar nas mãos de Presidente da República a resolução de um problema que deveria pertencer em primeiro lugar ao PS, como principal partido da oposição, e para a qual o partido deveria dar contribuição fortalecida; quando, apesar disso, a teoria e prática do partido e do seu actual líder se têm mostrado incapazes de construir uma alternativa que a maioria dos portugueses sinta como sua; vejo com dificuldade o que tal reunião possa acrescentar à situação existente. É que se estamos perante mais uma atitude do género "agarrem-me senão vou-me a ele", mais vale estar quieto. 

Belmiro e Marco de Canavezes

Belmiro de Azevedo, ao contrário de uma sua conterrânea que mudou o nome de Carmo para Carmen, foi para o Brasil e depois para Hollywood, tornou-se milionária e cidadã do mundo, símbolo de cosmopolitismo e não mais voltou à sua terra natal, nunca deixou de Marco de Canavezes e, apesar de rico e bem sucedido empresário que começou nos agora chamados "bens transacionáveis" para abraçar o que "estava a dar" no momento (grande distribuição e novas tecnologias), manteve a mentalidade mesquinha e tacanha que seria a da "terrinha" onde nasceu dos anos 30, o que bem se reflecte em alguns tiques de notoriedade e autoritarismo gratuitos que teima em não deixar de exibir. Digamos que continua Belmiro, ou seja, bem mais Ferreira Torres do que Siza Vieira, para falar de dois nomes, embora de de modos diferentes, ligados à terra onde nasceu. Alguns chamar-lhe-ão autenticidade e fidelidade ás origens. Eu prefiro designar tal coisa por aquilo que efectivamente é: provincianismo no mais puro e genuíno sentido do termo.

terça-feira, março 19, 2013

Secrets of the Manor House (2/4)

"A look back at the British aristocracy and how the first World War changed the entire financial, social and political landscape of the aristocracy."

Chipre ou o pensamento do dia

Uma parte significativa dos depósitos nos bancos cipriotas é oriunda das máfias russas? Dizem que sim e a afirmação parece ser verdadeira. Mas uma parte não menos significativa pertencerá a empresas e cidadãos da UE, incluindo cipriotas, mas essas origens pouco vejo discriminas. No fundo, a repetida menção às máfias russas tem aqui uma função ideológica bem definida: tornar o confisco de uma percentagem dos depósitos existentes nos bancos de Chipre política e moralmente mais aceitável; apetece-me dizer, mais "tragável". Felizmente, parece não o estão a conseguir.   

segunda-feira, março 18, 2013

Secrets of the Manor House (1/4)

"A look back at the British aristocracy and how the first World War changed the entire financial, social and political landscape of the aristocracy."

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (7)

The Fourmost - "Hello Little Girl" (Lennon-McCartney)

The Yardbirds - "I Wish You Would" (Billy Boy Arnold)

Mais contrastante exemplo entre o "merseysound" e o "rhythm & blues" seria difícil encontrar. De um lado temos os Fourmost, um grupo de Liverpool cujo "manager" era também Brian Epstein e que, assim, tinha acesso ás chamadas "giveaway songs" de Lennon e McCartney; do outro, um grupo, os Yardbirds, cuja tarimba vinha do Crawdaddy Club, o "manager" era Georgio Gomelsky e, à data, incluía Eric Clapton. Para tornar as diferenças ainda mais vincadas, neste seu primeiro "single" (1964) os Yardbirds optaram por um tema de Billy Boy Arnold, um "bluesman" de Chicago. Para quem ainda tinha dúvidas de que isto da chamada "british invasion" não era tudo "farinha do mesmo saco".

3 notas 3 sobre a actualidade política

  1. Passos Coelho vem novamente a terreiro com a "velha e relha" história da "oportunidade": o desemprego é uma "oportunidade", a emigração uma "oportunidade" é, a crise "idem idem" e agora o programa de rescisões amigáveis na função pública "aspas, aspas". Um destes dias, a morte será também uma oportunidade, quanto mais não seja para os herdeiros. Esta gente não aprende a mudar um discurso (uma "vulgata" retirada do jargão empresarial) que perdeu qualquer tipo de credibilidade.
  2. A propósito das rescisões amigáveis, espero estar cá para ver, na conjuntura actual, quantos funcionários públicos irão aderir ao programa. Aguardemos. As intenções parecem-me boas, mas temo os resultados venham a ser pífios. Para além disso, fala o primeiro-ministro em fazer "um levantamento exaustivo de todos os suplementos recebidos pelos funcionários públicos e de que (acho Passos Coelho queria dizer "do qual") deverá resultar uma simplificação". Ou seja, traduzindo, e embora admita e esteja mesmo convicto que muitos desses recebimentos não têm razão de ser e se destinam apenas a aumentar disfarçadamente o salário, estamos perante uma solução expedita para reduzir a massa salarial na função pública. Penso o tal levantamento tem toda a razão para ser feito e eventuais distorções causadas por tais suplementos corrigidas, mas resta saber não só da legalidade dos procedimentos, como se o racional em que se irão basear (cortar o mais possível) não irá introduzir injustiças gritantes e criar problemas escusados.
  3. Marcelo Rebelo de Sousa é conselheiro de estado. Se já me parece tal função pouco ou nada compatível com a actividade de comentador político ou animador de televisão (definição que me parece mais correcta), pior ainda se no "talk show" (ou será "stand up comedy"?) de que é animador se referir ao ministro das Finanças como "astrólogo". O pior é que perante a descredibilização de Vítor Gaspar e um país transformado num gigantesco "twitter" todos acham muita graça. Como conselheiro de estado e usando este tipo de linguagem, o que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer é a contribuir para o desprestígio das instituições da República, entre as quais o do próprio Conselho de estado a que pertence. Pobre país...

domingo, março 17, 2013

Matiné de Domingo (18)

"Lancelot and Guinevere", de Cornel Wilde (1963)
Filme completo c/ legendas em francês

E a loucura espalha-se como mancha de óleo que impregna tudo à sua passagem

  1. Agora imagine lá que, de repente, lhe diziam que a sua conta bancária - grande, média ou pequena, não importa -já não era de x euros mas, por decisão de terceiros - governo, UE, FMI e por aí fora -, passaria a ser de x menos y (ou menos z, se o montante dos seus depósitos fosse superior a um dado valor). Não, leu bem, não estou a falar dos juros gerados por esses seus depósitos, ou dos impostos a que se obrigaria por os ter, mas do dinheiro que você tem no banco, à guarda deste. Vão-se a ele e...zás, dá cá uma parte. Assim a modos que um género de BPP, mas em grande, e sem que você pudesse sequer suspeitar de nada ou ter escolhido entre a concorrência disponível. E você não tem tempo para "tugir nem mugir", pois quando chega ao Banco para levantar "o seu"... não há nada para ninguém até lhe "raparem" a fatia em causa, que  será de 9.9% se você tiver mais de 100 000 euros ou 6.7% se o valor for inferior (ora faça lá as continhas...). Pois, acredite ou não, é isto que está a acontecer em Chipre, país da União Europeia e da zona Euro, para o caso de estar esquecido. O sistema bancário cipriota estava "inchado" e era sede de lavagem de dinheiro das máfias russas? Pois, dizem que sim, mas que culpa tem o cidadão disso, que, na sua boa fé, lá depositou as suas economias e os seus rendimentos? Ou as empresas, que lá têm os seus fundos para pagamentos e investimento? Vai tudo raso, "o bom, o mau e o vilão". Imagina a raiva dos nossos concidadãos cipriotas, não imagina? Pois...
  2. Não é só a credibilidade bancária na UE que está em causa, principalmente nos países sob intervenção ou perigo dela, o que levará à fuga de capitais para os países "sólidos", pelos que o podem fazer, e para dentro do colchão, pelos outros. Não é apenas o carácter recessivo da medida que está em causa e a falta de confiança que irá gerar, é toda a credibilidade das instituições, políticas e financeiras, a partir deste momento arvoradas num género de Irmãos Metralha legalizados, que está em causa, sejam a Banca, os governos, a Comissão Europeia, o BCE, o Eurogrupo, o FMI e tutti quanti. E sabe você onde isso nos pode levar? Olhe, a Grande Guerra começou, em 1914, numa pequena cidade (Sarajevo) do então Império Austro-Húngaro. Espero o fim da Zona Euro e da UE não tenha começado numa pequena ilha do Mediterrâneo de menos de um milhão de habitantes.  

sábado, março 16, 2013

Documentário de sábado (8)

Battlefield Britain - Hastings (1066)

A decisão da FPF sobre a Taça da Liga

Porque é que a decisão do Conselho de Justiça da FPF foi favorável à continuidade do FCP na Taça da Liga? O "sistema" e tudo aquilo com ele relacionado a que nos fomos, ou não, habituando? Penso que neste caso nem tanto. Bem mais o facto da Taça da Liga precisar desesperadamente de patrocinadores e uma final sem SLB (já eliminado) ou FCP, limitando enormemente as audiência televisivas, não ser grande cartão de visita para os vir a conseguir. E, claro, não conseguindo patrocinadores que a financiem e permitam assim recompensar devidamente os clubes, ela poder vir a tornar-se para estes ainda menos atractiva.

sexta-feira, março 15, 2013

Friday midnight movie (33) - Giallo (V)


"La Ragazza Che Sapeva Troppo" (aka "The Evil Eye"), de Mario Bava (1963)
Filme completo c/ legendas em português

"Mais Futebol" e a História de Inglaterra


Tudo muito interessante, caros amigos do "Mais Futebol", mas com uma enorme ressalva: os normandos não eram gauleses, mas sim, como o nome indica ("northmen" - homens do norte), "vikings" que se estabeleceram num ducado do norte de França no século X. Claro que em 1066, data da batalha de Hastings, presumo já falariam um pouco da língua, muito influenciada pelo latim da ocupação romana anterior, que seria então já dominante naquilo que é (mais ou menos) a França actual. Mas gauleses é que nunca. Jamais

Já agora, os normandos, ou a "House of Normandy", não reinaram em Inglaterra durante séculos, mas sim apenas durante três reinados e até 1135. Foram sucedidos pela dinastia plantageneta, originária de França, mas da Aquitânia. De qualquer modo, é normalmente reconhecido que a partir de João Sem Terra (início do século XIII) se pode deixar de falar de reis de Inglaterra que consideravam França como o seu país de origem (digamos assim). Tanto que durante a crise de sucessão portuguesa de 1383-85, o rei de Inglaterra apoiou as pretensões ao trono do Mestre de Aviz contra os interesses de Espanha e França (que apoiava Juan de Castilla tendo nobres franceses combatido a seu lado em Aljubarrota), tendo D. João I acabado por casar com Philippa of Lancaster, irmã de Henrique IV de Inglaterra. Fiquemos por aqui...

Nota acrescentada às 15.30: Pela ordem de ideias do "Mais Futebol", os alemães ocupam actualmente o trono de Inglaterra, já que não só a actual dinastia é a de Hanover (George I de Inglaterra, o fundador da dinastia actual, era filho do Príncipe Eleitor de Hanover), como, ainda por cima, Vitória se casou com um alemão, Albert Saxe-Coburg Gotha. Como é bem conhecido, o nome da dinastia só foi mudado para Windsor durante a Grande Guerra.

Uma sociedade bloqueada

Segundo a última sondagem da "Católica" (CESAP), que ainda só vi de relance, 77% dos inquiridos consideram o governo "mau" ou "muito mau", mas apesar disso 61% acham nenhum partido da oposição faria melhor. 60% opinam a actual estratégia não vai desenvolver o país ou torná-lo mais competitivo e o PSD sobe mesmo quatro pontos percentuais nas intenções de voto, enquanto o PS se mantém nos 31% e CDS, PCP e BE descem. Claro que em função destes números não existe uma opinião francamente favorável à demissão do governo, sendo que apenas 45% (contra 46%) a defendem. Nem sequer o Presidente da República, que a si próprio se define como "provedor dos portugueses" e instituição muitas vezes vista como uma espécie de válvula de escape do sistema político, escapa a uma avaliação negativa.

Comentário. É a uma situação de bloqueio que a ideologia e estrutura políticas actualmente dominantes no seio UE estão a conduzir o país - e muitos outros Estados europeus, acrescente-se: uma sociedade sem esperança, descrente e um sistema político bloqueado, sem alternativas, situação que aliena todos os valores positivos das sociedades abertas e democráticas, as suas capacidades para se regenerarem e reformarem. E todos sabemos o que acontece aos recipientes sob pressão que não encontram a sua válvula de escape: tendem a encontrar uma saída à força, de forma violenta, explodindo ou gerando o caos.

quinta-feira, março 14, 2013

SLB: queriam ópera?

O SLB ganhou hoje em Bordéus com uma defesa e um meio-campo constituídos por jogadores que no início de época nunca se imaginaria pudessem vir a ser titulares. André Almeida andava pela equipa B, onde jogava no meio-campo; Roderick estava emprestado ao Depor, onde não jogava; Jardel seria o suplente de Luisão ou Garay; Melgarejo era extremo e aguardava-se a chegada de alguém para o lado esquerdo da defesa; Matic era o suplente de Javi Garcia, saído para o City à última hora, e Enzo Perez era extremo, sendo adaptado ao meio-campo, para substituir Witsel, como solução de último recurso. Não defendemos bem? O quê?, queriam ópera? Vão a São Carlos!

Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre (4)

Manuel Alegre - Adriano Correia de Oliveira/António Portugal (1963)

A lesão de Moutinho, a expulsão de Defour o modelo de jogo do FCP

Certo, o FCP perdeu (ainda bem, tento não ser hipócrita) porque cedo ficou privado de Moutinho (pelo menos a 100%) e jogou toda a 2ª parte com dez jogadores. Pelo menos é isso que que oiço e leio na imprensa desportiva. De acordo, mas e se tentássemos ir um pouco mais longe? So what? Será que ver-se privada de um seu jogador nuclear do meio-campo, por lesão (Moutinho), e ser obrigada a jogar com apenas dez jogadores por expulsão de outro centro campista (Defour), situações em qualquer caso penalizadoras, afecta mais uma equipa que assenta o seu jogo na "posse e circulação de bola" e menos equipas que joguem em "transições rápidas", como é o caso, só para ir ao concreto, de Real Madrid e SLB. Será que imponderáveis (até certo ponto) deste tipo atingem mais no seu âmago, no "santo dos santos" da sua ideia de jogo, equipas que joguem "em posse" e não tanto as que optam preferencialmente por transições rápidas, que em casos semelhantes optam por baixar e juntar as suas linhas e tentam desequilibrar através de passes longos e de contra ataques rápidos, muitas vezes com recurso ao "um para um", situações que fazem parte do seu ADN, digamos assim? Não tenho certezas absolutas, mas parece-me o tema suficientemente interessante para valer um "post" e gastar algumas "little grey cells".

Nota: acho que as imagens do golo anulado ontem a Maicon e de um idêntico validado o ano passado no SLB-FCP vão passar a fazer parte de todos os cursos de formação de árbitros nos quais participe Pedro Proença. Pedagogia comparada... 

Duas reflexões de um ateu sobre a eleição papal

  1. A Igreja Católica pode vir a admitir a ordenação de mulheres e o fim do celibato dos padres (que, aliás, parece ter na sua base questões bem materiais relacionadas com os bens da Igreja) sem perda da sua essência e identidade? Eu, ateu desde que me conheço, acho que nada obsta a tal coisa. Pode modificar a sua atitude em relação à homossexualidade também sem prejuízo dessa mesma essência? Não vejo porque não possa adoptar uma atitude de maior abertura. De igual modo, pode admitir o aborto, a eutanásia e o casamento "gay"? Eu, ateu que votou a favor da lei do aborto, que admito a eutanásia e sou favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, já me parece serem essas questões essenciais à fé católica e à sua concepção da vida, não me parecendo a Igreja possa vir a modificar a sua posição sem perda dessa mesma essência e da sua concepção de Deus e da vida.
  2. Mais importante do que a origem geográfica do Papa (que não nego tenha a sua importância, como aconteceu com Karol Woytila), me parece ser o conhecimento do seu percurso, como homem e sacerdote, das suas ideias, da sua personalidade, da sua acção pastoral e política (a hierarquia da Igreja é também política). Começo por dizer que as suas alegadas ligações à ditadura de Videla, à qual pelo menos não existe conhecimento se tenha oposto, me parecem preocupantes, mas como o Papa não dá entrevistas, não participa em debates, nem organiza conferências de imprensa, seria interessante a investigação jornalística começasse por aí para finalmente conhecermos Jorge Bergoglio.

quarta-feira, março 13, 2013

Malagueña salerosa!

A Comissão de Trabalhadores da RTP

Governo e Administração chegaram à conclusão a RTP precisaria de diminuir a sua massa salarial em 28%. Tendo em atenção a crise do mercado publicitário, as limitações da RTP a este nível, a necessidade de cumprimento das obrigações do serviço público e a actual quebra das audiências da estação, bem como questões históricas relacionadas com o seu modelo de gestão e funcionamento, não tenho demasiadas dúvidas sobre essa necessidade - já terei mais dúvidas sobre  a RTP que aí vem, principalmente ouvindo o ministro Relvas, mas isso são "outros quinhentos". Para se conseguir essa redução salarial, tutela e Administração da empresa colocam como opção prioritária a negociação de rescisões amigáveis com os seus trabalhadores; penso que tal seria suficiente para que a Comissão de Trabalhadores decidisse sentar-se à mesa tentando negociar soluções que não penalizassem demasiado os trabalhadores por si representados: o exemplo da AutoEuropa prova que esse é um caminho difícil mas compensador. Infelizmente, a Comissão de Trabalhadores da RTP parece ter optado por uma atitude radical, fundamentalista e pouco dialogante. Calculo de onde parte, e também não me custa imaginar o barulho será muito mas as consequências as piores.

4ªs feiras, 18.15h (25) - "Visconti" (I)

"La Caduta Degli Dei" (aka "The Damned") - 1969
Filme completo c/ legendas em castelhano

As eleições e as "listas de cidadãos"

Considero sábia a decisão dos constituintes em limitar aos partidos políticos as eleições para a Assembleia da República. Estávamos em pleno período revolucionário - e, depois, pós-revolucionário - e, nestas circunstâncias, abrir as eleições legislativas a listas de cidadãos constituiria um risco para a consolidação da democracia representativa e do regime. Também concordo se tenha aberto excepção para as eleições autárquicas, onde a ideologia adquire por vezes um papel subalterno e a política de proximidade, o tipo de problemas e o seu conhecimento directo, bem como o dos candidatos, pode ter um papel decisivo. Mesmo assim, muitos dos exemplos que temos, principalmente em concelhos de maior dimensão (Oeiras, Gondomar, Felgueiras), estão longe de se terem tornado edificantes e de contribuírem para provar a justeza da decisão.

Por isso mesmo, num momento em que a demagogia populista e a histeria anti-partidos fazem o seu caminho em toda a Europa (com responsabilidade não despicienda dos próprios partidos, acrescente-se), custa-me a entender que cidadãos com forte formação política, mas também académica e empresarial (Rui Tavares, Henrique Neto, José Adelino Maltez, etc) que toda a sua vida fizeram dessa mesma política, de uma maneira ou de outra, modo de vida, escolham este momento para vir propor a abertura das eleições para a Assembleia da República a estruturas não partidárias. Não se reconhecem nas ideologias e práticas de nenhum dos partidos existentes? Bom, são pessoas de sólida formação política, ideológica e cultural, acrescido o facto de serem bem conhecidos da cena mediática, não se percebendo porque não formam um partido político para concorrerem às próximas legislativas. Não é o grupo ideológica e politicamente suficientemente homogéneo para que todos se pudessem reconhecer num só novo partido? Então em que base e com que programa político se candidatariam? Será que se candidatariam apenas com base numa plataforma programática dita "moralizadora", ao estilo do defunto PRD? Não chegou esse exemplo, como também não chegou o de Fernando Nobre? Ou, pior ainda, estão apenas a agir como aprendizes de feiticeiro desconhecendo - o que não acho possível - que não estariam a fazer mais do que a abrir caminho aos Beppe Grillos ou, muito pior ainda, aos candidatos a caudillos deste mundo? No meio de todas estas dúvidas, podemos ter apenas uma certeza: estariam a contribuir para tornar o país ingovernável. Ainda mais.

Relvas e a "Angola connection": disposto a tudo

Admito a importância e a indispensabilidade de Portugal manter boas relações com Angola. No momento, acho mesmo fundamental. Mas tendo dito isto, parece-me completamente despropositado que essa necessidade chegue ao ponto de um ministro, neste caso Miguel Relvas (who else?), se rebaixar, a si (é o menos), ao governo e ao país, assinando um artigo no Jornal de Angola, orgão pertencente ao Estado angolano e que se tem caracterizado por editoriais de natureza racista, que chantageiam e desrespeitam Portugal, o Estado de Direito e vários políticos, intelectuais e dirigentes portugueses. Como cidadão português, sinto-me envergonhado, mas do ministro Miguel Relvas há que esperar tudo. Aliás, não foi mesmo o estar disposto a tudo que o conduziu ao poder?

terça-feira, março 12, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (16 - último)

4. Survival of the Fittest: 1970 - 1997-4ª parte (1997)

Gilbert & Sullivan (15)

Gilbert & Sullivan - "The Mikado"
"Behold the Lord Executioner"

Está visto que o PS gosta de escrever cartas...

Sou, por princípio, contrário a qualquer coligação ou acordo de governo entre o PS e os partidos ditos à sua esquerda, PCP e Bloco de Esquerda, pelos menos enquanto estes mantiveram a ideologia e comportamento políticos que os têm caracterizado. Separam o PS de PCP e BE concepções de sociedade e democracia que, salvo em condições muito, mas muito excepcionais, me parecem inultrapassáveis. O mesmo já não direi de acordos autárquicos, a nível local, com ou sem partilha de executivos camarários, desde que baseados em condições muito específicas e com objectivos bem definidos. E é em função destas diferenças que me parece despropositado ser a direcção nacional do PS a vir a terreiro propor, publicamente e com grande alarde, alguns acordos autárquicos a PCP e Bloco, sendo minha opinião que, embora tais iniciativas e discussões devessem ser sempre sujeitos a controle e aprovação da direcção nacional, elas deveriam partir e ser tratadas a nível local, em função dos problemas e condições específicas de cada concelho ou freguesia. Assim, ao optar por esta metodologia, parece-me estar a direcção do PS mais interessada em tentar mostrar uma imagem "de esquerda", para alguns sectores dentro e fora do partido, do que em genuinamente tentar constituir uma alternativa aos partidos à sua direita em algumas autarquias onde tal possa fazer sentido. Digamos que esta proposta do PS, nos moldes em que foi apresentada, me parece pouco séria ou, como bem afirma o PCP - que às vezes até tem razão -, nada mais que um "fait divers".

João Rocha, o SCP e o unanimismo

Desconfio de unanimismos. Por sistema e por convicção. Sempre que vejo demasiado unanimismo em relação a um acontecimento ou a alguém, tendo logo a pensar no que estará mal, onde estará o problema. Acresce que Portugal é um país de unanimismo fácil, facto potenciado por uma comunicação social que tende demasiadas vezes a seguir a metodologia "copy/paste", venha a notícia original da Lusa ou de uma qualquer agência de comunicação (ou de ambas).

 Vem isto a propósito do papel de João Rocha enquanto presidente do Sporting Clube de Portugal. Já tive aqui oportunidade para me interrogar sobre se a sua opção pelo ecletismo, independentemente dos êxitos desportivos nas modalidades ditas "amadoras" que indiscutivelmente trouxe ao clube a até ao país, terá sido a mais correcta para o futuro do clube; se, com essa opção, soube interpretar o "ar do tempo" ou não terá ela contribuído para acelerar, ou pelo menos para não conseguir inverter, um declínio que vinha já dos anos 60. Ontem, devo dizer que "en passant", ouvi algures, numa rádio ou num canal de TV, não me lembro, que durante a presidência de João Rocha o SCP tinha quadruplicado ou quintuplicado o número dos seus associados. Não duvido, claro está. Mas pergunto-me, referindo-me ao tempo e do modo como esse crescimento se terá processado (gostaria de saber, por exemplo, quantos dessas admissões não teriam acontecido apenas para os novos sócios poderem praticar ginástica e natação), se tal seria sustentável ou, contrariamente e como aconteceu em tantos outros casos, tal não passaria de um balão que se iria esvaziando à mesma velocidade a que tinha enchido. Porque digo isto? Bom, porque penso só existe uma estratégia para fazer crescer sustentadamente o número de associados de um clube, e essa estratégia assenta no investimento e nas vitórias e conquista de títulos no futebol. Parece-me ser também essa estratégia a única que  transforma associados em espectadores casuais, estes em espectadores assíduos - de estádio e de TV - e, por fim, todos eles em consumidores de "merchandising". Aliás, foi deste modo, alicerçados nas conquistas nacionais e europeias das suas equipas de futebol, que SLB (nos anos 60) e FCP (nos anos 80) cresceram e se tornaram naquilo que são hoje. O facto do SCP não ter conseguido trilhar percurso semelhante e atravessar hoje graves e reconhecidos problemas devia, pelo menos, levar quem se debruça sobre estas coisas da "bola" a pensar se não existirá nisso uma relação causa/efeito. Mas isto de pensar parece estar mesmo pela "hora da morte".    

segunda-feira, março 11, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (15)

4. Survival of the Fittest: 1970 - 1997-3ª parte (1997)

Seguro e o IVA da restauração

António José Seguro acha mesmo que, nesta conjuntura, o recuo do IVA da restauração dos actuais 23 para os anteriores 13% iria traduzir-se, em termos médios, numa redução proporcional dos preços praticados? António José Seguro também acha que se essa redução se efectuasse e fosse genericamente reflectida nos preços, de modo proporcional, isso se iria traduzir num aumento significativo da procura dos serviços oferecidos pelos estabelecimentos de hotelaria e restauração, num período de enorme redução do rendimento disponível das famílias e de extrema incerteza quanto ao seu futuro? António José Seguro está mesmo certo que, num sector onde abunda a economia informal, tal proposta de redução se iria reflectir num aumento, ou pelo menos na manutenção, dos valores do IVA actualmente cobrados no sector? Ou seja, António José Seguro (ou alguém por ele) fez contas, avaliou comportamentos (também é disso que se trata se não quer fazer de aprendiz de feiticeiro, imitando Vítor Gaspar) e pode provar, ou pelo menos ter fortes indícios, de que uma eventual redução do IVA da restauração iria ter um impacto de tal modo positivo na economia do país que valeria a pena travar essa batalha? Eu, por mim, tenho algumas dúvidas de que o aumento de 13 para 23% tivesse sido, no momento escolhido, medida acertada, mas tenho ainda maiores dúvidas uma sua redução contribuísse para resolver o que quer que fosse. Excepto, talvez, fazer entrar nas urnas uns milhares de votos para o PS. 

Ex-votos (10)


História(s) da Música Popular (208)

The Alley Cats - "Puddin' N' Tain"

Phil Spector (VI)

Pois estes Alley Cats, sobre os quais não tenho nenhuma informação relevante (acontece) excepto que tinham como "manager" Lou Adler que mais tarde se transferiria para os Mamas and The Papas e também  daria uma ajuda na gestão da carreira de Carole King, enquanto intérprete, gravaram este "uptempo" (ou seja, um "rapidinha") "Doo Wop" em 1962, com arranjos do grande Jack Nitzsche. Segundo o "booklet" (é bem mais um "calhamaço") da caixa "Back To Mono", tê-lo produzido foi um "favorzinho" que Spector fez ao seu amigo Lou. Enfim, não parece tenha muita ou mesmo pouca história para contar.

Já agora: o termo "puddin' n' tain" é um trocadilho que tem origem numa "lenga lenga" ("children's rhyme") popular americana. é mais ou menos intraduzível (acho).

sábado, março 09, 2013

Documentário de sábado (7)

Winston Churchill - The Path to Power

Um outro lado da sondagem do "Expresso"

Normalmente, quando lemos sondagens sobre intenções de voto e imagem dos políticos, a primeira coisa que nos chama a atenção, e para a qual os "media" nos remetem nos seus títulos, é a variação nas intenções de voto nos partidos, muitas vezes insignificantes e sem qualquer relevância estatística. De seguida, com alguma sorte, olhamos o que se passa com a imagem de cada político e respectiva variação, quase ao estilo dos "likes" e "dislikes" do Facebook. São questões importantes e pertinentes, não o nego, mas muitas vezes também susceptíveis de rápida mudança em termos demasiado conjunturais: basta uma medida mais "simpática" e popular de um qualquer governo ou ministro, um qualquer "fait divers" ou o "desaparecimento" oportuno de um político da cena mediática, durante umas semanas, para que as intenções de voto ou as opiniões populares possam sofrer alterações importantes. 

Mas deixem agora, nesta última sondagem do Expresso, essas duas áreas e vejam o que se passa com a opinião dos portugueses sobre as instituições da República, que, enquanto tal (instituições), são bem menos susceptíveis de variação conjuntural, constituindo um dado estrutural e movendo-se de forma bem mais lenta. Todas elas, AR, Ministério Público, Juízes e Governo são avaliadas de forma extremamente negativa pelos portugueses. E se até podemos entender a imagem negativa do Governo como sendo muito influenciada pela actuação "deste" governo, especificamente, nos restantes casos - AR, Juízes e Magistrados - enquanto instituições e estrutura do Estado, não estão certamente os portugueses a referir-se à composição desta ou daquela Assembleia da República, deste ou daquele grupo de Juízes ou Magistrados, mas a instituições que, em termos abstractos, avaliam bastante negativamente. No fundo, com esta avaliação de instituições que, enquanto tais, não são susceptíveis de significativa mudança no curto-prazo, de modo a poderem ser avaliadas de modo diferente em próximas/futuras sondagens, é a República e o regime que se estão a ser postos em causa pelos cidadãos. Nada que já não soubéssemos ou de que não suspeitássemos; mas uma situação que esta sondagem põe claramente a nu na sua dimensão extrema e talvez de forma bem mais visível do que aconteceu com o célebre "ovo da serpente". 

sexta-feira, março 08, 2013

Friday midnight movie (32) - Grindhouse/Slasher (V)

"Black Christmas", de Bob Clark (1974)
Filme completo c/ legendas em francês

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (14)

4. Survival of the Fittest: 1970 - 1997-2ª parte (1997)

João Rocha e o SCP

Enquanto Pinto da Costa, apoiado na importância política, económica e social que o norte adquiriu após a revolução de Abril, investia tudo no futebol para, através dele, tornar o FCP a potência desportiva hegemónica em Portugal e o SLB se entregava nas mãos do presidente responsável pelo seu declínio desportivo (baixar salários, estabelecer um pacto com o FCP e delapidar uma equipa de futebol que tinha chegado à final da Taça UEFA para fechar o "terceiro anel" foram decisões de gestão catastróficas), João Rocha, presidente do histórico rival do meu "Glorioso" num período tremendamente difícil, de grandes transformações para os clubes e para o país, sem dúvida que tornou o SCP no clube mais eclético de Portugal, com vitórias nacionais e internacionais significativas em várias modalidades. Mas, quanto a mim, com essa sua opção pelo ecletismo, sem dúvida que bem intencionada, terá percebido mal o "ar do tempo", o que não terá contribuído para atenuar um declínio futebolístico que vinha já dos anos 60 e evitar a hegemonia portista. Sendo um "self made man", foi talvez o último presidente do SCP que teve do e para o clube uma visão aristocrática. 

quinta-feira, março 07, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (13)

4. Survival of the Fittest: 1970 - 1997-1ª parte (1997)

The Satellite/Stax records story (15)

The Mar-Keys - "Foxy" (1961)

Isto não é a defesa de Cavaco Silva...

Vou propor-lhes um pequeno exercício. Ponham lá agora de parte, por muito que isso vos custe, as simpatias ou antipatias, políticas ou pessoais, por muitas que elas sejam, para com Cavaco Silva - e as minhas simpatias são nenhumas e antipatias quase todas. Façam ainda um exercício mais difícil e coloquem-se no lugar de Presidente da República. Já estão? Pois agora digam-me lá se, com o país sob resgate financeiro e sem uma alternativa credível e consistente, de política e de governo, corporizada pelo Partido Socialista, arriscariam algo mais do que umas críticas de circunstância, aqui e ali, ao actual governo, para além de alguma actuação de bastidores em termos de facilitador de consensos?

Ok, nada nos diz que se alternativa existisse o comportamento de Cavaco Silva poderia ser diferente; provavelmente não seria, mas isso entra já no domínio da especulação. Ou não será assim? 

terça-feira, março 05, 2013

Mourinho em Old Trafford

Ao afirmar, com desassombro, que em Old Trafford não ganhou a melhor equipa, Mourinho tem razão, mas não está apenas a querer ser justo e simpático. Conhecendo todos nós a sua atracção pela Premiership e falando-se da possibilidade de regressar a Inglaterra na próxima época, Mourinho quer fazê-lo pela porta grande, como um grande senhor e personalidade "bigger than life" que pretende ser. Com estas suas afirmações começou, e muito bem, a abrir a porta.

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (11)

3. Letting in the Hoi Polloi: 1945-1970 - 3ª parte (1997)

Faltam as minas da Panasqueira...

Vinho, azeite e cortiça à conquista do mercado indiano - TSF



Desculpem "qualquer coisinha" mas tenho de fazer comparações. No tempo dos governos de José Sócrates, com todos os erros e responsabilidades que não podem deixar de lhes ser apontados (ressalvo para os mais sensíveis), o objectivo era exportar tecnologia e produtos de elevado valor acrescentado, incluindo o tão execrado, vá lá saber-se porquê, Magalhães. Bem ou mal (ingenuamente?), com muito voluntarismo à mistura e muitas vezes com meros objectivos propagandísticos, a Finlândia era o termo de comparação. Mas pelo menos, com a Finlândia como horizonte, mesmo que utópico, estava assim definido um padrão de excelência cultural, civilizacional e de desenvolvimento. Agora, parece que o foco é o azeite, a cortiça e o vinho e, independentemente dos sectores do vinho e do azeite serem dois casos de reconversão de inegável sucesso, os produtos para exportação regressam às lições de geografia da minha infância e o país parece (só parece?) voltar à pobreza triste de há 50 anos. Para completar o ramalhete ficam a faltar as minas da Panasqueira, mas parece que o ministro Álvaro Santos Pereira também tem andado a tratar disso... 

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (6)

The Rolling Stones - "Going Home"

Considero "Aftermath" o melhor ábum dos Stones e, seguramente, um dos melhores álbuns de sempre da música popular. Um dos temas emblemáticos do álbum, um dos primeiros de um grupo rock a ultrapassar os normais 3 ou 4' de uma gravação (tem 11' 35'') e um dos meus preferidos, é este "bluesy" e "homesick focused" (sentimento tão caro aos "bluesmen") "Going Home", de Mick Jagger e Keith Richard, que nos remete notoriamente para as origens do grupo no Crawdaddy e no Marquee. Quanto a mim, um monumento e uma enorme homenagem às suas raízes.

The Beatles - "A Day In The Life"

Se os "blues" são a fonte quase única de inspiração de "Going Home", um dos temas emblemáticos do álbum homólogo - digamos assim, sem demasiadas preocupações de rigor - dos Beatles, "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", a faixa "A Day In The Life", que, quanto a mim e em alguma medida, estará para "Sgt Pepper's..." como "Going Home" está para "Aftermath", até na sua duração, é um bom exemplo, pelo contraste, das diferenças entre os dois grupos. Com "A Day In The Life" estamos na presença de uma música complexa, que mistura em doses variáveis "vaudville", psicadelismo e rock sinfónico, e uma letra que nos remete para o surrealismo, bem longe da simplicidade repetitiva, mas extraordinária, da temática de "Going Home". É um bom exemplo de como os Beatles souberam amalgamar em doses certas " rock n' roll", experimentalismo e diversas influências contidas na chamada "música ligeira". Estamos já longe do "merseysound", mas poderiam ter chegado aqui com outras origens?

O parlamentarismo, uma vez mais...

Discutia-se hoje no "Fórum TSF", e pela enésima vez, o mandato de Cavaco Silva. Confesso não ouvi até ao fim, já que me parece, chegados à situação actual, interessará bem pouco e nada de significativo poderá mudar no futuro discutir a "qualidade" do mandato de Cavaco Silva enquanto Presidente da República, embora já possa ser mais interessante indagar sobre as razões de um certo temor reverencial evidenciado por alguns directores dos "media" em relação ao actual Presidente e sobre o que levará tanta gente que se diz de esquerda, e até mesmo da esquerda radical, numa clara manifestação de impotência e menoridade políticas, a implorar ao inquilino de Belém que ponha o governo na ordem. A História julgará Cavaco Silva, e espero não seja benévola.

Mais interessante, agora que o segundo mandato de Cavaco Silva vai caminhando para o seu fim, seria interrogarmo-nos sobre a arquitectura constitucional e o regime semi-presidencialista nela contido. Continuará a fazer sentido? Não terá vindo a oscilar, ao sabor dos tempos e dos detentores do cargo, entre um elemento desestabilizador e disfuncional do sistema político e a irrelevância pura e simples? Não poderia o cargo ser atribuído, com vantagens ou pelo menos sem desvantagens, ao Presidente da Assembleia da República e o país adoptar assim o parlamentarismo como regime, tal como acontece na maioria da Europa civilizada e nas democracias mais maduras (as excepções são a França, desde 1958, e a Finlândia, ambos por razões históricas muito específicas)? Não será chegado o tempo de olharmos para a floresta em vez de nos deixarmos enfeitiçar pela árvore?   

segunda-feira, março 04, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (10)

3. Letting in the Hoi Polloi: 1945-1970 - 2ª parte (1997)

A medalha da atleta Sara Moreira

Não sou grande entusiasta de atletismo. Mas sigo a modalidade o suficiente para perceber que campeonatos do Mundo e da Europa de pista coberta são assim um género de provas de preparação para a época de "ar livre" e de onde muitos dos grandes nomes da modalidade estão normalmente ausentes ou comparecem em má forma. Assim sendo, a medalha de ouro da atleta Sara Moreira tem com certeza o seu mérito, mas este andará muito longe da "charivári" que por aí se faz com direito a felicitações do primeiro-ministro e do Presidente da República. Ela que me desculpe, mas é assim mesmo. Quando é que este país aprende a deixar de ser provinciano? 

The Big Easy (10)

Fats Domino - "Whole Lotta Lovin'"

A "manif." de sábado

Há enorme ruído e existem demasiadas opiniões ditadas pelas barricadas onde cada um se entrincheira a propósito da manifestação do passado sábado. A movimentação popular foi grande e deve ser lida pelo governo como sintoma do descontentamento que grassa na sociedade portuguesa? Sem dúvida. É bom que os cidadãos participem e assim exprimam a sua revolta, contribuindo para mudar o actual estado de coisas? É mesmo indispensável, embora seja de opinião que o radicalismo do "slogan" "que se lixe a troika" possa contribuir para afastar muitos dos potenciais descontentes com o governo - e é pena pois a "rua" não pode ser monopólio da esquerda radical. Mas é também importante ter em conta duas coisas: a repetição do mesmo tipo de acções acaba por vulgarizá-las, enfraquecendo-as e conferindo-lhes um selo de "déjá vu"; e o facto de não existir uma medida concreta, de curto-prazo, a exigir revogação, como foi o caso da TSU em Setembro, que visivelmente caiu "ensanduichada" entre a movimentação popular e a contestação de uma parte significativa das elites políticas, pode também trazer consigo alguma frustração.