quinta-feira, fevereiro 28, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (8)

2. Never the Same Again: 1919-1945 - 4ª parte (1997)

Camilo Lourenço candidato ao prémio Heinrich Himmler 2013


Ok, Camilo Lourenço, que tal fuzilar os velhos e os incapacitados e, antes disso, obrigá-los a abrir a própria cova e a pagar a respectiva bala? Era uma boa, não era? Ou então juntá-los num molhinho e espetar-lhes com uma boa dose de Zyclon B. Mas, quero ser benigno, não andará Camilo a ler ou a ver "Logan's Run" (passa por vezes no TCM) e a sua fraca mente a sentir-se perturbada? Enfim, é melhor Camilo Lourenço não ficar demasiado preocupado: todas as sociedades toleram o seu tontinho de serviço para que  nos possa divertir um bocado.

Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre (3)

"Trova do Amor Lusíada" (Manuel Alegre - Adriano Correia de Oliveira/António Portugal) - 1961

Em defesa de Jorge Jesus

  1. Quim nunca passou de um guarda-redes mediano e a sua carreira, demasiado irregular, aí está para o provar. O que esteve errado não foi a a sua dispensa pelo SLB, mas apenas o modo como foi feita, com pré-anúncio na TV. Depois do percalço Roberto, que, mesmo assim, convém lembrar, foi na época passada considerado o melhor guarda-redes da Liga espanhola, o "Glorioso" encontra-se agora bem servido de guarda-redes, com Artur no presente e Oblak na linha da sucessão. Pois lá porque Quim, com todo o mérito, alguma azelhice dos executantes e ainda alguma irregularidade à mistura, conseguiu defender dois pontapés da marca da grande penalidade no jogo de ontem, alguma imprensa desportiva (e não só) desta manhã lá se lembra de titular "guarda-redes dispensado por Jesus coloca Braga na final". Sugiro sigam a conselho do ex-secretário de Estado da Cultura.
  2. Durante estes últimos anos, Jorge Jesus foi sistematicamente acusado, com razão, de não saber fazer a "rotação" da equipa, quer por não a fazer "tout court", o que tinha como consequência a equipa chegasse à fase decisiva da época "estoirada", quer  por mudar demasiados jogadores num só jogo, perdendo esta automatismos, intensidade, etc, etc. Este ano, finalmente, Jesus tem feito uma gestão criteriosa da equipa, não sendo responsável pela ausência de soluções a meio-campo (na defesa e no ataque as coisas "compõem-se") que permitam manter um nível exibicional semelhante quando se vê obrigado ou constrangido, por necessidades dessa mesma rotação, a mudar alguma coisa nesse sector: não existe alternativa a Matic, André Gomes se verá (não sou dos mais convictos), Martins é o que é e Aimar já não tem  andamento para estas coisas. Pois agora, e pelo que vi e ouvi ontem nas televisões depois do SLB ter perdido o jogo nos pontapés da marca de grande penalidade numa prova que é a 4ª opção do clube, a crítica é por colocar em jogo atletas sem ou com pouco ritmo de jogo, etc, etc. O conselho de Francisco José Viegas é também aqui aplicável.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (7)

2. Never the Same Again: 1919-1945 - 3ª parte (1997)

4ªs feiras, 18.15h (23) - Bergman (II)

"Ormens ägg" (aka "The Serpent's Egg") - 1977
Filme completo c/ legendas em castelhano

Soares dos Santos, os partidos e as eleições


Ora vamos lá ver... O objectivo dos partidos políticos é conquistarem o poder. Numa democracia liberal é conquistarem-no através do voto. Por isso mesmo, pretender que os partidos políticos deixem de se preocupar com as eleições é pretender que abdiquem de si próprios, do seu objectivo e da finalidade para o qual existem e foram criados. No fundo, seria o mesmo que pedir à Jerónimo Martins e aos seus dirigentes que deixassem de se preocupar com os seus lucros, com a sua rentabilidade, com a sua facturação, a sua quota de mercado e os seus clientes, nos quais me incluo por reconhecer as empresas do grupo JM me prestam um bom serviço. Acho que Alexandre Soares dos Santos, que tem tanto de bem sucedido empresário como, aparentemente, de mau intérprete do fenómeno político, para além disso demonstrando uma vontade doentia de dar nas vistas, nunca teria pretendido tal coisa acontecesse nas suas empresas, e o seu sucesso empresarial é prova eloquente de quais terão sido as opções que orientaram a sua vida nessa área. 

 O problema não está, portanto, no facto dos partidos políticos se preocuparem com as eleições (ainda bem que assim é: não existir essa preocupação significaria ditadura), mas sim no facto dos eleitores não os penalizarem suficientemente com o seu voto sempre que vendem "gato por lebre", isto é, quando fazem promessas manifestamente incumpriveis e/ou não cumprem, no essencial, com os seus programas políticos. O problema está, pois, e fundamentalmente, no lado do "comprador"/cidadão (vamos designá-lo assim) e não do lado do partido/"vendedor". O que aconteceria, por exemplo, se Alexandre Soares dos Santos vendesse produtos de má qualidade, a preços não concorrenciais e recorresse a publicidade enganosa? Os consumidores, certamente, optariam por efectuar as suas compras em qualquer outro lado, o grupo Jerónimo Martins acabaria na falência e quiçá Soares dos Santos beneficiário do RSI. Compete pois aos eleitores terem atitude semelhante em relação aos partidos políticos: se em algum ou alguns deles se não reconhecem, penalizem-no(s) votando noutro, abstenham-se, organizem novos partidos ou associações políticas para concorrerem a eleições e por aí fora. As derrotas eleitorais conduzirão necessariamente o(s) partido(s) penalizado(s) a reverem os seus métodos, com o perigo de se tornarem residuais se o não fizerem. O mundo está disso cheio de exemplos e - já que é oportuno - a implosão do sistema partidário italiano do pós-guerra e a ameaça presente de nova implosão aí estão para o provar.

Quanto a Alexandre Soares dos Santos, estamos uma vez mais perante um dos actuais péssimos exemplos de bons empresários que acham é apenas necessário exportar essa sua experiência para a realidade do país para, qual varinha mágica, transformarem o mundo na terra do leite e do mel. Fazer compras no Pingo Doce e não ler nem ouvir o que diz será a melhor resposta.

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (5)

The Beatles - "Please, Please Me"

The Rolling Stones - "It's All Over Now"

Embora os Rolling Stones tenham sido, talvez, o grupo com origens na cena do R&B londrino, do Crawdaddy de Richmond ao Marquee Club de Oxford Street, onde essas raízes são menos evidentes e mais cedo se foram delas afastando (embora acabem por marcar para sempre o percurso do grupo), é bem sintomático que o seu primeiro"single" ("Come On") tenha sido um original da música negra americana, de Chuck Berry, ao contrário dos Beatles que optaram por um tema Lennon - McCartney ("Love Me Do") de clara insersão no universo do "merseysound". O contraste é ainda mais evidente quando falamos nos primeiros #1 de ambos os grupos (Janeiro de 63 para os Beatles e Julho de 64 para os Stones): uma vez mais, os Rolling Stones recorrem á música negra americana ("It's All Over Now" é um original de Bobby e Shirley Womack editado pelos Valentinos) e os Beatles a si próprios, sendo que os elementos essenciais que caracterizam o "merseysound" estão mais uma vez bem presentes no tema "Please, Please Me". Parece-me o contraste, principalmente em termos de harmonia vocal e sonoridade e papel atribuído às guitarras, é por demais evidente.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (6)

2. Never the Same Again: 1919-1945 - 2ª parte (1997)

Da renovação de Jorge Jesus

Vamos lá entrar numa das discussões de momento: deve o SLB renovar com Jorge Jesus?

Bom, a renovação com Jorge Jesus depende, quanto a mim, da estratégia seguida pelo SLB para atingir o objectivo de vir a retirar ao FCP a hegemonia no futebol português, e essa estratégia deve estar articulada em torno de várias áreas com algum grau de interdependência, fundamentalmente, modelo de negócio, gestão financeira, gestão de recursos humanos, relacionamento com os "stakeholders" (a comunidade benfiquista) e gestão desportiva do futebol profissional, nesta se integrando princípios, modelo e sistema de jogo e gestão do grupo de trabalho, para além de "scouting", área que liga muito directamente com o modelo de negócio definido. Como podem ver, não mencionei a questão do clube conseguir ou não ser campeão, pela simples razão de que estando definida uma estratégia correcta nesse sentido e reunidas as acções necessárias para a servir (de entre estas, um orçamento compatível), o objectivo da conquista de títulos acabará por ser alcançado.

Ora tendo dito isto, Jorge Jesus é ou não a pessoa certa para comandar o futebol do SLB? Muito francamente, direi que é muito difícil a quem está "de fora" ter uma opinião taxativa, mesmo tendo de possibilidade de analisar "a posteriori" o que de visível, entre o muito bom e o medíocre ou até mesmo o mau (aqui e ali também o houve), Jorge Jesus realizou no clube desde 2009. Como mera opinião, apenas posso dizer que a manter-se, no essencial, a estratégia dos últimos anos, mesmo que corrigida com um maior recurso à formação, indispensável em tempo de crise, não vejo, em função das alternativas existentes no mercado (mas até aqui, neste ponto, constitui um "handicap" negativo o "estar de fora"), muitas razões para a não renovação, salvaguardando, no entanto, não dever esta ser decidida ou conduzida em função de opiniões alheias, da comunicação social ou da chantagem, directa ou indirecta, de terceiros. Claro que existe em aberto uma questão tão importante como é a ligação com a comunidade benfiquista no caso da não obtenção de resultados desportivos satisfatórios no ano em curso. Mas tendo a equipa assegurado, desde já, a entrada directa na Champions League, estando em situação de lutar até ao fim na Liga, com uma mão na Taça de Portugal e presente nos 1/8 de final da Liga Europa, o assunto, a não ser em caso de hecatombe pouco ou nada previsível, parece-me gerível. Mas, como disse, é assunto em relação ao qual apenas a SAD terá ao seu dispor terá elementos suficientes para decidir com total conhecimento de causa.

Nota final: Espanta-me que tanta gente fale no "papão" de uma eventual ida de Jorge Jesus para o FCP e ainda ninguém se tenha interrogado sobre uma questão essencial: o modelo e ideias de jogo de Jorge Jesus estão nos antípodas daqueles que, basicamente, desde os tempos de Pedroto e com especial relevância com Villas-Boas e Vítor Pereira, são perfilhados e fizeram escola no clube mais importante da cidade do Porto. Independentemente do valor de Jorge Jesus, faria a sua contratação sentido depois da continuidade de princípios assegurada com o adjunto Vítor Pereira? Pois, mas parece que para a imprensa desportiva Pinto da Costa é um género de émulo de Cavaco Silva: nunca se engana e raramente tem dúvidas.

"got LIVE if you want it" (2)

The Rolling Stones - Lado "B" ("I'm Moving On" e "I'm Alright") do EP de 1965 gravado ao VIVO durante a digressão britânica do grupo. O EP original e completo existe cá em casa e é indubitavelmente um dos meus discos de cabeceira. Nota: não confundir com o LP homónimo no qual os gritos da assistência apenas se fazem ouvir entre as faixas e cujo som foi reconstituído em estúdio.

"L'Italia non s'è desta"

Não, esqueçam, o que mais me espanta nas eleições italianas não é a dimensão do voto de protesto consubstanciado nos 25.5% de Beppe Grillo, um fenómeno já estudado, que pouco ou nada traz de novo e que, de uma maneira ou de outra, com esta ou outra forma, se tem repetido por quase toda a Europa. O que também não me espanta é a fraca votação do partido de Mário Monti (10.5%), já que fenómeno semelhante atingiu o PASOK, um partido com uma história, tradição (para o bem e para o mal) e inserção na sociedade grega que nada tem a ver com o recém-chegado Monti. O que não deixa de me espantar (e não conheço suficientemente bem a sociedade italiana para encontrar um explicação competente, embora sejam reconhecíveis algumas causas) é que a direita italiana, tradicionalmente católica e durante décadas representada por um genuíno partido democrata-cristão, se reveja sistematicamente em alguém com o perfil político e pessoal de Sílvio Berlusconi. No fundo, juntando num molho estas três componentes, parece-me estarmos muito perto da tempestade quase perfeita ou, melhor dizendo, perante a agonia da democracia liberal tal como a conhecemos, pelo menos nos anos do pós-guerra. Prova-se assim que a austeridade sistemática e recessiva não é compatível com a democracia? Digamos que pelo menos o risco é enorme, mas desiludam-se os que pensam o perigo vem apenas daí: como o provam estas eleições italianas, o mal é bem mais vasto e profundo e a austeridade recessiva apenas  se limita a acelerar-lhe o crescimento.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

John Philip Sousa (2)

 "The President's Own" United States Marine Band

"got LIVE if you want it" (1)

The Rolling Stones - Lado "A" do EP de 1965 gravado ao VIVO durante a digressão britânica do grupo. Falta a faixa "Route 66", que não encontrei no You Tube. Mas o EP original e completo existe cá em casa e é indubitavelmente um dos meus discos de cabeceira. Nota: não confundir com o LP homónimo no qual os gritos da assistência apenas se fazem ouvir entre as faixas e cujo som foi reconstituído em estúdio.

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (5)

2. Never the Same Again: 1919-1945 - 1ª parte (1997)

Oscares

  • Sou do tempo em que os cinemas tinham balcão (1º e 2º) e plateia.
  • Do tempo em que as salas esgotavam, havia "bicha" para comprar bilhetes e por vezes acabavam "agora mesmo que estava a chegar a nossa vez".
  • Do tempo em que se telefonava a marcar bilhetes ou, por precaução, estes se compravam na agência dos Restauradores com dez por cento de agravamento no preço.
  • Do tempo em que havia "arrumadores" a quem se davam dez ou quinze tostões de gorjeta (os bilhetes custavam dez escudos ou doze e quinhentos).
  • Do tempo dos filmes para "maiores de 12" ou "maiores de 17" e de cinemas que me eram interditos em razão da sua má frequência.
  • Do tempo em que existia uma indústria cinematográfica europeia, francesa, britânica, italiana, até mesmo alemã e as empregadas do Lanalgo iam ver a Sarita Montiel ao Odeon.
  • Mas também do tempo em que os Oscares eram desvalorizados e normalmente identificados com "pastelões" bíblicos ao estilo Ben-Hur, um filme que sempre me incomodou e achei detestável.
Mas pelo que tenho visto nestes últimos anos, e passados de moda os "pastelões" bíblicos substituídos, ao que parece, pelos igualmente "pastelões" do tipo "Titanic" ou "Avatar" (a este último, pedi escusa), não tenho grandes ou pequenos motivos para mudar a minha opinião sobre os tais Oscares. Ah!, excepto que talvez ache a maioria das actrizes de agora bem mais "giras" do que algumas "gordinhas" de antanho. Mas isso deve ser por estar a ficar velho e lascivo!

domingo, fevereiro 24, 2013

Ainda o PS e os manifestantes do ISCTE

Penso não ter sido apenas o tão apontado medo de que tal lhe viesse a suceder no futuro, uma vez governo, que levou à quase violenta rejeição do PS - nas palavras de Augusto Santos Silva e Francisco Assis, principalmente - dos acontecimentos do ISCTE. Embora não me repugne acreditar que muita gente no partido esteja imbuída de uma visão conservadora da sociedade e das suas dinâmicas, que também exista na geração actual de políticos socialistas alguma (para não dizer muita) falta de cultura política e de conhecimento dos movimentos sociais, principalmente de um ponto de vista histórico, a imediata reacção do PS teve também um objectivo essencial: travar aqueles que, no partido, advogam acordos com o PCP e o BE e estabelecer pontes com alguns sectores da direita PSD e CDS menos entusiastas com o actual governo, lançando as bases de um qualquer futuro entendimento pós-2015. 

O que é curioso e talvez tenha surpreendido o PS, deixando bem à vista algum "déficit" de conhecimento e preparação políticos dos seus dirigentes e expondo um taticismo de vistas demasiado curtas que pode vir a penalizar o partido, é que, se excluirmos o apoio entusiástico do BE aos manifestantes, foi de alguns sectores liberais à direita, mais intectualizados e, em medida desigual, de algum modo críticos ou nem sempre concordantes com o governo de Passos Coelho, situação bem expressa nos comentários de Lobo Xavier e Pacheco Pereira na "Quadratura do Círculo" e no artigo de Martim Avillez Figueiredo no Expresso de ontem, que se fizeram escutar as palavras mais moderadas e até de alguma compreensão ou apoio ao modo escolhido pelos estudantes do ISCTE para manifestarem o seu desagrado para com as políticas governativas, recusando mesmo e de imediato ver nessa atitude qualquer ameaça à liberdade de expressão. O contraste com a reacção de António Costa na "Quadratura do Círculo" foi mesmo, e de algum modo, chocante, o que me leva a afirmar que o PS terá de ser mais cuidadoso no conhecimento da sociedade em que vive e no modo como estabelece as suas pontes para com possíveis aliados futuros.

Matiné de Domingo (15)

"Four Feathers", de Zoltan Korda (1939)
Filme completo c/ legendas em castelhano

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Friday midnight movie (30) - Gothic (V)

"The House That Dripped Blood", de Peter Duffell (1971)
Filme completo c/ legendas em português

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (4)

1. Born to Rule: 1875-1914 - 4ª parte (1997)

Norm Eastman (5)


Jogadores que fazem a diferença

Porque conseguiu o SLB eliminar o Bayer Leverkusen? Claro que teve a sorte do jogo (não vale a pena esconder e prefiro isso às equipas que perdem e se queixam de "muito azar"), mas fundamental, fundamental mesmo foi ter jogadores que desequilibram, que são capazes, num dado momento do jogo, de fazer a diferença. Foi assim com o golo de Cardozo, de notável execução técnica, em Leverkusen, e foi também assim, ontem, com o golo de Ola John, que juntou convicção, frieza e qualidade técnica. Aliás, foi também a categoria individual de dois jogadores (Gareth Bale e Cristiano Ronaldo) que permitiu a Tottenham eliminar o OL e ao Real Madrid manter-se ainda na eliminatória.

Pois é,  futebol tem destas coisas, um jogo colectivo onde é permitido as grandes individualidades possam acabar por resolver jogos. Ainda bem.

Nota: O FCP ganhou o seu jogo com o Málaga com um golo obtido em "fora de jogo". Tal foi unanimemente reconhecido. Ninguém, no meu grupo de amigos e conhecidos, muito menos aqui no "blog", me ouviu criticar o árbitro: o lance é de decisão muito difícil e, embora preferisse o FCP tivesse empatado ou perdido o jogo, compreendo e aceito o golo tenha sido validado. Ontem, na Luz, o árbitro anulou - bem - um golo ao Bayer Leverkusen, obtido também ele em "fora de jogo". Por sinal, um "fora de jogo" mais claro do que o de João Moutinho, embora também ele de difícil decisão. Mas, felizmente para o meu clube, o árbitro decidiu bem. Bastou-me ver o lance uma vez, já em casa (no estádio não dá para ver), para corroborar da decisão. Pois apesar disso o jornalista do DN encarregue da crónica do jogo acha que o árbitro errou. Fico-me por aqui...

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (2)

1. Born to Rule: 1875-1914 - 2ª parte (1997)

4ªs feiras, 18.15h (22) - neo-realismo (1)

"Ladri di Biciclette", de Vittorio de Sica (1948)
Filme completo c/ legendas em português

Francisco Assis: enfrentar a turba em Felgueiras não chega para fazer um bom político

Por vezes, espanto-me ao ver políticos experientes cometerem erros demasiado primários. Claro que separam PS de PCP e BE comportamentos e concepções de Estado e sociedade que inviabilizam qualquer hipótese de coligação "à esquerda". Que tornam bem mais do que improvável, e quanto a mim até mesmo indesejável, um acordo de governo nessa área. Por outro lado, é sabido falta ao PS um partido-muleta, de centro ou de esquerda, talvez ecologista à boa maneira do "Die Grünen", que permita ao PS governar em coligação. Mas tendo dito isto, não percebo qual a necessidade de Francisco Assis, a mais de dois anos de um acto eleitoral e com o governo mais impopular de sempre em funções, vir, pressuroso, e em vez de agir no sentido do partido se tentar fortalecer tendo como objectivo uma maioria absoluta, tecer considerações sobre possíveis alianças de um qualquer hipotético futuro governo liderado pelo PS. Ao dizer o que disse, Assis está precisamente a fazer o contrário: enfraquece o partido, dando sinais a uma sociedade radicalizada de que o voto no PS significará porventura a manutenção no governo de um dos actuais partidos da coligação, mesmo que expurgado (como, não se sabe) de alguns dos seus excessos "neo-liberais" (a expressão é de Assis). É que ter razão e falar verdade nem sempre é o melhor caminho para o sucesso.

Igual resultado têm as suas críticas "aos que têm apupado o governo" e os pedidos ao parlamento para utilização de "uma linguagem menos extremista". Não me revejo em alguma linguagem, aqui e ali, usada na Assembleia da República, como não partilho do radicalismo dos que se acolhem sob o "slogan" "que se lixe a troika". Mas o que estas afirmações de Assis revelam é não só uma enorme falta de cultura parlamentar (o radicalismo de linguagem, mesmo o extremar de posições, fazem parte, historicamente, da luta política e dos debates parlamentares), como um desconhecimento do modo como funcionam as sociedades abertas e democráticas, onde as manifestações de rua, os "lobbies", as acções de desobediência civil, a circulação de informação e a livre crítica, muitas vezes sob a forma de um humor iconoclasta, sempre exerceram um papel fundamental. No fundo, o que me parece é que Francisco Assis não percebe o país nem o mundo em que vive, provando que não basta dar o "peito às balas" perante uma turba enfurecida em Felgueiras para  que de tal acto nasça um bom político. 

Mais um disparate de Jorge Jesus


Jorge Jesus até pode ter razão. Ou pelo menos aproximar-se dela, embora deva estar esquecido que o FCP de Villas-Boas alcançou ambos os objectivos numa só época. Mas tendo em atenção que já definiu - e bem - o campeonato como objectivo primeiro, que vai fazer para levar esta sua afirmação às últimas consequências? Fazer tudo para ser eliminado pelo Bayer Leverkusen e dar aos jogadores instruções nesse sentido? 

Jorge Jesus tem muitas qualidades, já evidenciadas, e até eu que não sou nem nunca fui um entusiasta as reconheço. Mas uma afirmação deste tipo ultrapassa os limites do admissível e requer uma intervenção, discreta mas eficaz, de Luís Filipe Vieira junto do treinador e do grupo de trabalho, jogadores incluídos. Se, por acaso, amanhã o SLB for eliminado (longe vá o agoiro) não me parece o ambiente para o treinador do meu "glorioso" possa ficar muito amistoso, o que pode bem também vir a reflectir-se no comportamento da equipa no campeonato. É que Jorge Jesus talvez ainda não tenha entendido que "isto anda tudo ligado".

3 notas adicionais 3 sobre o caso Relvas/ISCTE

  1. Os alunos de uma universidade (ou de várias) impedirem um ministro de falar num debate público organizado por uma cadeia de televisão nas instalações da sua universidade nada tem a ver com qualquer tipo de violência exercida na rua sobre as forças encarregues de manter a ordem ou evitarem a destruição do património público ou privado. Independentemente de questões de legalidade ou de liberdade de expressão que possam ser consideradas, no seu grau ou qualidade estamos a falar de coisas muito diferentes, e mesmo quem possa estar em desacordo com a atitude dos estudantes do ISCTE tem forçosamente de levar isto em consideração.
  2. Que me lembre, historicamente ou de vida vivida, nunca  grandes acções de massas que fizeram avançar o mundo e progredir a sociedade foram levadas a cabo sem um certo grau de desobediência civil, de algum afrontamento da chamada "ordem estabelecida", fosse ela de natureza política, social, moral ou de costumes. Assim aconteceu no Maio 68, com o movimento "hippie", com a luta pelos direitos cívicos (e a França, o UK e os USA até eram e são democracias) e assim se implantou a nova cultura juvenil nos anos do pós-guerra. Indo um pouco mais longe, assim se conquistou o direito ao sufrágio universal. Sem esses actos de "desobediência civil" - algo muito diferente de revoluções ou "golpes de estado", entenda-se - Merkel não seria hoje chanceler nem Obama presidente dos USA. Nem Alberto Martins teria sido ministro da Justiça, acrescente-se para os que andam mais distraídos. 
  3. O que se passou no ISCTE, tendo como alvo o ministro Miguel Relvas, acaba por colocar na sombra uma questão também ela fundamental e que tem a ver com a liberdade de informação e a autonomia dos orgãos de comunicação social: o que leva uma das duas estações de televisão privadas, líder de audiências, a convidar o ministro encarregue da tutela, que nunca foi jornalista, não é um académico da área nem tem obra publicada sobre o tema, mais, cuja actuação no governo nada tem de recomendável para a liberdade de informar e ser informado, para um debate sobre o jornalismo do futuro realizado numa universidade? Que poderia Miguel Relvas acrescentar a tal debate? Se alguém quer começar a interrogar-se sobre a promiscuidade entre governantes e "media", debater o tema, acho pode ter aqui um bom ponto de partida. 

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Um ministro e um governo insensatos

Não sei quem terá estado pior: se a TVI ao convidar um governante (qualquer um já seria mau) com o perfil e o curriculum de Miguel Relvas para debater o futuro do jornalismo (depois queixem-se de "pressões" e etc), se Miguel Relvas e o governo ao aceitarem participar num debate numa universidade, por todas as razões, o último sítio onde o Ministro Adjunto deveria alguma vez ousar entrar. Digamos que estavam reunidas as condições para a tempestade perfeita.

Aliás, o debate de ontem em Gaia já tinha dado um "lamiré" para o que podia vir a acontecer, mas parece ninguém na área do governo se preocupou o que quer que fosse com o assunto. Bem mais avisados se revelaram Cavaco Silva e a assessoria de Belém quando da frustrada visita à António Arroio, provando que a experiência e a idade ainda podem ir valendo aos governantes. Mas enfim, a insensatez desde governo promete tornar-se lendária, e uma coisa pode desde já ficar provada: actos como estes revelam-se bem mais eficazes na oposição ao governo do que todas as manifestações que a CGTP possa já ter organizado.

BBC: "The Aristocracy" - apogeu e decadência da aristocracia britânica (1)

1. Born to Rule: 1875-1914 - 1ª parte (1997)

Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre (1)

"Fado da Promessa" (Manuel Alegre-Luiz Goes) - 1961

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

As capas de Cândido Costa Pinto (84)

Capa de CCP para "Um Grito ao Longe", de Frederic Brown, nº 105 da "Colecção Vampiro"

O Sporting Clube de Portugal e a sua Academia

Se nos dermos ao trabalho de elaborar uma  análise SWOT sobre o Sporting Clube de Portugal, é óbvio que no quadrante "S" (das "Strenghts" - Forças) não deixará de aparecer com especial relevo a capacidade do clube para formar jogadores e a tradicional qualidade da sua Academia. Do mesmo modo que no quadrante "W" (de "Weaknesses" - Fraquezas) assumirá sempre enorme relevo a quase dramática situação financeira actual do clube. Não precisamos de ir muito mais longe para percebermos que, em função disso, o investimento na Academia e o recurso a jogadores nela formados se revela a estratégia mais adequada para o clube, embora no curto-médio prazo tal possa vir a ter como consequência algum sacrifício dos resultados desportivos. Mas estamos a falar de uma questão estratégica, estrutural, que não pode ser definida nem defendida em função de uma vitória em Barcelos ou posta em dúvida ou abandonada face a uma eventual derrota num dos próximos jogos em Alvalade. É que, face à tendência sempre manifestada pela - maioritariamente acéfala - imprensa desportiva portuguesa e pelos adeptos dos vários clubes em favor dos "jovens" e dos jogadores portugueses, com igual tendência para se valorizar sempre o último jogo e esquecer as questões de fundo, convém lembrar aos sportinguistas que recorrer aos jogadores da Academia não é sinónimo de vitórias e de títulos (FC Barcelona existe um no mundo), mas, principalmente, a decisão necessária para redução dos valores da folha salarial do clube. Digamos que pode não ser muito entusiasmante, mas é pelo pelo menos um correcto e saudável recomeço.  

The Satellite/Stax records story (14)

The Mar-Keys - "Sack o Woe" (1961)

A carta...

Ok, António José Seguro resolveu escrever à "troika", o que não pode dizer-se seja uma má iniciativa. E lida a carta, também não se pode dizer no seu conteúdo não se reveja uma boa maioria dos portugueses. E no entanto... E no entanto a iniciativa não deixou de me lembrar aquelas "cartas abertas ao Senhor Presidente do Conselho" com as quais, de tempos a tempos, a oposição "reviralhista" manifestava a sua existência. Nesses tempos, em ditadura, essas cartas tinham pelo menos o condão de nos lembrar que não estávamos sós; alguma gente ilustre comungava dos nossos sentimentos, anseios e angústias e isso tinha o seu quê de reconfortante. Agora, felizmente em democracia e com o conforto da liberdade e do debate aberto de ideias, tal atitude teria pelo menos de incluir um "follow up", isto é, dizer qual o passo seguinte caso a "troika" e o governo decidam ignorar as ideias e opções propostas. E, muito francamente, não só não as vejo anunciadas como não vislumbro, em função do comportamento político das oposições (todas), quais elas possam vir a ser.

No fundo, o que parece é que com esta atitude Seguro pretende apenas "marcar território". Isto é, sabendo que o governo a a "troika", muito provavelmente, serão obrigados a levar em linha de conta os últimos indicadores quase catastróficos da recessão e do desemprego, aligeirando ou adiando algumas das medidas recessivas em elaboração, Seguro tenderá então a chamar a si alguns dos louros, fazendo-se ouvir em mais uma edição do já famoso discurso político: "Senhor primeiro-ministro, devo dizer-lhe com toda a clareza que se tivesse dado ouvidos ao PS...". Digamos que não chega, até porque o governo já demonstrou sabe  bem lidar com esse género de argumentos.     

domingo, fevereiro 17, 2013

Matiné de Domingo (14)


"Some Like It Hot", de Billy Wilder (1959)
Filme completo c/ legendas em inglês

"Ganhar na secretaria"

Vi, li e ouvi o regozijo de alguns jornalistas pelo facto do FCP "não ter perdido na secretaria o que ganhou em campo", afirmando tal até seria um bom princípio. Bom, sobre o que penso da decisão do Conselho de Disciplina da FPF deixei aqui a minha opinião, mas convém lembrar a esses jornalistas que as competições, tal como os Estados, as actividades profissionais, empresariais e por aí fora, regem-se por leis e regulamentos, naturalmente elaborados fora "das quatro linhas" (para utilizar a expressão corrente), e que caso tal não acontecesse estaríamos em pleno reino do livre arbítrio, da "bagunça", de um vale tudo que permitiria, por exemplo, um clube pudesse jogar com atletas não legalmente inscritos ou impedidos de dar o seu concurso à equipa por impedimento disciplinar (são só dois exemplos corriqueiros). Que talvez tal conviesse a alguns - os que mais facilmente conseguem impor as suas ideias e opções com recurso aos métodos "do costume" - e que estamos em época na qual a legalidade, mesmo a constitucional, parece ser vista como um empecilho, é coisa de que não tenho qualquer dúvida. Por isso mesmo, e pensando melhor e vendo bem as coisas, o Conselho de Disciplina da FPF parece ter-se limitado a agir de acordo com o "estado da arte". Quem sai aos seus...

Estado policial

Existe um fio condutor que liga a tentativa de impor uma lei que penalize o "enriquecimento ilícito" e igual tentativa de tornar obrigatório o pedido de factura pelo cidadão em qualquer compra efectuada. No primeiro caso, estamos perante uma evidente inversão do ónus da prova, transformando cada cidadão, mais ou menos enriquecido, num criminoso até consiga provar o contrário. No outro, tenta exigir-se de cada cidadão (na circunstância, o comprador) o cumprimento de uma obrigação (apresentar uma factura por cada transacção efectuada) que compete à outra parte envolvida (o vendedor) ou o exercício de uma acção fiscalizadora que compete ao Estado. E o tal fio condutor que une estas duas tentativas, parece que felizmente votadas ao fracasso, tem um nome: Estado policial. Tenham medo; tenham muito medo. 

sábado, fevereiro 16, 2013

Documentário de sábado (5)

"Val Lewton" - "The Man In The Shadows"
Documentário produzido por Martin Scorsese sobre o produtor e guionista Val Lewton (1904-1951) e a sua actividade para a RKO Pictures nos anos 40 do século XX

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Friday midnight movie (28) - Zombie (I)


"Zombie", de Lucio Fulci (1979)
Filme completo c/ legendas em português

Cinemas Socorama em insolvência


Fui ver "Django Unchained" na passada segunda-feira (recomendo, claro). Por questões de oportunidade optei pelo City Classic, Alvalade, cinema confortável mas onde raramente vou. Sessão das 15.40h num dia frio e de aguaceiros e em que muita gente não trabalhava (fim de semana prolongado de Carnaval). O filme está longe de ser para minorias e o preço (€5.50) pode ser considerado bastante aceitável. Pois contando comigo e com quem me acompanhava estávamos cinco pessoas na sala. Já quando, uma ou duas semanas antes (mais ou menos), tinha ido ver o filme da "oscarizada" Kathryn Bigelow, numa outra sala de um cinema mais central, o número reduzia-se a três, embora nesse caso existisse a atenuante de se tratar de um dia de trabalho. Dá para perceber, não dá?

Debate quinzenal e jargão financeiro

Do que ouvi hoje no debate quinzenal na Assembleia da República que guardo na memória? Em primeiro lugar mais uma prestação de Seguro que ficou aquém de uma quase envergonhada mediania, deixando que Passos Coelho o enredasse no passado. Mas isso já pouco ou nada surpreende, até porque, também na política, e por muitos documentos de Coimbra que possam ser elaborados, o mensageiro não é independente da mensagem. Em segundo lugar, e bem mais importante, o modo como o discurso e linguagem do primeiro-ministro se deixaram colonizar pelo pior jargão da vida empresarial e financeira, sinal destes tempos em que a instância política tende a perder qualquer grau de autonomia. Não que a experiência empresarial não posa levar consigo para a política elementos enriquecedores e positivos; sem dúvida que pode é bom tal aconteça. Mas isso é bem diferente de uma colonização ao nível da linguagem, análise e processos, mais a mais limitada à utilização de um jargão redutor que torna o discurso pouco ou nada escorreito e ainda menos inteligível, e o que está a acontecer acaba por contribuir, não para o enriquecimento da vida política, mas para um seu radical empobrecimento que, ao contrário do que possa parecer, acaba por resultar num cada vez maior afastamento dos cidadãos.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Margaret Brundage & "Weird Tales" (3)

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (4)

Billy J. Kramer with The Dakotas - "Bad To Me" (Lennon-McCartney)

Quase me apeteceria dizer que dos principais nomes do "merseysound" Billy J. Kramer (with The Dakotas, e não "and", mas "isso são outros quinhentos" que para o caso não interessam muito) será talvez o menos conhecido aqui no rectângulo. E, no entanto, não só os seus "manager" e produtor eram Brian Epstein e George Martin, respectivamente, como gozaram do especial privilégio de terem John Lennon e Paul McCartney como "fornecedores" de alguns dos temas, não editados pelos Beatles, que fizeram o seu sucesso como intérprete. Para além disso, Billy J. Kramer with The Dakotas alcançaram algum sucesso no UK, tendo visto três nos seus temas, todos eles da autoria dos dois Beatles, alcançarem o "top ten". Este "Bad To Me" foi o melhor sucedido (#1 em 1963) e não disfarça a sua autoria, sendo as suas semelhanças com "Do You Want To Know A Secret" bem mais do que apenas evidentes. 

The Spencer Davis Group - "Gimme Some Lovin'" (Steve Winwood, Muff Winwood, Spencer Davis)

Como grupo com origens bem marcadas no Rhythm & Blues (originalmente chamava-se The Rhythm and Blues Quartett) e tendo como etiqueta a Island Records e como produtor Chris Blackwell, não admira os  primeiros sucessos do Spencer Davis Group tenham sido dois "covers" dos jamaicano Jackie Edwards, "Keep On Running" e "Somebody Help Me", que já tiveram lugar aqui no "blog" na rubrica "ab origine". "Gimme Some Lovin'" é um tema escrito pelos três fundadores de um grupo que nos legou alguns dos "riffs" mais memoráveis da história do "r&b" e do "rock & roll" e sempre teve como referência a voz e o orgão de Steve Winwood, mais tarde integrante dos Traffic e dos Blind Faith de Eric Clapton e um dos nomes incontornáveis da história da música popular. 

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Futebol na TVI

Ter que assistir aos comentários dos jogos de de futebol transmitidos pela TVI tem-se revelado um autêntico pesadelo. Hoje, no Real Madrid-Manchester United, a determinado momento da 2ª parte José Mourinho decidiu substituir Di Maria por Modric, para grande indignação dos comentadores da TVI, João Querido Manha e o inqualificável Fernando Correia. Infelizmente, não perceberam que tendo o United recuado as suas linhas, fechando os espaços, e com a capacidade física das equipas já a acusar o desgaste de um jogo disputado com enorme intensidade, teria o Madrid de optar por aquilo que Jorge Jesus designa por "ataque posicional", para tal sendo necessário conseguir maior capacidade de circulação de bola já que esse seria o método adequado para tentar "desposicionar" a equipa contrária. E, claro, em função disso, Modric, independentemente da avaliação que dele possamos fazer enquanto jogador (e eu nunca fui grande entusiasta) seria bem mais útil que Di Maria. Isto não é assim muito difícil de perceber, pois não? Eu acho... 

4ªs feiras, 18.15h (21) - Hitchcock (II)


"Rebecca" (1940)
Filme completo c/ legendas em português

Les Belles Anglaises (69)




Sprite Speedwell (1959-1961)

A FPF e o rei Salomão

A FPF e a LPFP tentaram desesperadamente durante algumas semanas encontrar um bom pretexto e uma igualmente adequada oportunidade para manter o FCP na Taça da Liga sem que tal pudesse dar azo a grandes protestos e algazarra a condizer. Finalmente, com a arbitragem de Pedro Proença na Madeira, encontraram ambos: numa decisão tão salomónica como vergonhosa, trocaram a autêntica benesse agora concedida ao FCP por um castigo reduzido de apenas um jogo para Oscar Cardozo. Assim vai a justiça futebolística aqui na parvónia. Depois ainda querem ver gente nos estádios, não querem?

Já agora: de caminho desautorizaram completamente Pedro Proença. Como benfiquista, até posso achar andava a pedi-las - e há muito tempo. Mas como adepto do futebol e sendo de opinião que não se desenvolvem o espectáculo e a indústria sem clareza de processos, só posso lamentar. Espero para ver a reacção da APAF.

Bento XVI: uma vitória da razão sobre a fé.

Penso que a importância da renúncia de Joseph Ratzinger ao lugar de Papa está longe de se restringir à Igreja Católica ou a quaisquer outras confissões religiosas, cristãs ou não cristãs. Se tivermos em conta e a ligarmos à recente abdicação da rainha Beatriz da Holanda (penso que em plena posse das faculdades necessárias para o exercício do cargo) e as cada vez maiores pressões para que Elizabeth II tome idêntica atitude, o que estes gestos, no seu conjunto, revelam é o cada vez maior anacronismo entre os cargos políticos de natureza vitalícia, outorgados tradicionalmente (embora hoje em dia poucos o invoquem) por direito divino ou inspirados por entidade transcendental, e uma sociedade cada vez mais laicizada, onde a racionalidade e a ciência - logo, também a democracia - assumem importância decisiva. Que a decisão de renúncia venha de um Papa tido como o mais racional de entre os mais recentes, não pode pois surpreender e por certo as ondas de choque da sua decisão irão ser sentidas durante muitos anos e em muitos mais lugares da terra do que aqueles onde a Igreja de Roma exerce influência maioritária. No fundo, em em saudável contraste com o seu antecessor, estamos perante uma vitória da razão sobre a fé, o que, como não crente, não posso deixar de saudar.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Live at The Cavern (5)

The Fortunes - "She's Sure The Girl I Love"

Os cãezinhos de Pavlov

Como Bento XVI resignou aos 85 anos por se sentir velho e sem forças para o cargo, diz-se que o próximo Papa deverá se mais novo. Se o actual Papa fosse mais novo e tivesse tido problemas causados por alguma inexperiência, dir-se-ia o próximo Papa deveria ser alguém mais velho. Assim vai o mundo e assim vão os "media", dominados por gente que funciona por reflexos condicionados, quais cãezinhos de Pavlov.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Loja Real

Do Nacional - SLB, das razões do empate e da actuação de Pedro Proença

Ora vamos lá ver, agora, depois de ter dormido sobre o assunto e com o conforto do FCP ter também empatado.
  1. É óbvio que não foi por Pedro Proença que o SLB não ganhou ao Nacional, mas fundamentalmente porque decidiu, no início da época e agora na abertura de Janeiro, não investir dois ou três milhões de euros em soluções credíveis para o lado esquerdo da defesa. Note-se que laterais que saibam fazer bem todo o corredor, atacando e defendendo com eficácia semelhante, capazes de recuperarem as suas posições rapidamente durante todo o jogo, são essenciais ao modelo de jogo do SLB/JJ. Exactamente por isso, um "pivot defensivo" mais posicional como Javi Garcia, que dobrava bem nas alas e pouco ou nada se preocupava com o processo ofensivo, excepto nas bolas paradas,  era essencial para compensar esse adiantamento dos laterais. Matic é bem melhor jogador, mas é diferente. Também um central rápido como David Luiz complementava bem essas acções. Luisinho defende mal, principalmente posiciona-se muito mal nas transições defensivas, e isso ficou ontem bem evidente. Nos jogos em casa, contra equipas fracas, onde a margem de erro é maior, tal é menos evidente; mas quando a equipa contrária joga preferencialmente em contra-ataque pela alas, com jogadores rápidos e sabendo desdobrar-se muito bem, Luisinho mostra todas as suas limitações. O processo de aprendizagem de Melgarejo custou-nos dois pontos no jogo em casa com o SC Braga e o desastre Luisinho custou-nos ontem outros dois. No fundo, o meu clube mostrou falta de músculo financeiro para competir com o FCP, e assim não se ganham campeonatos.
  2. E vamos lá a Proença... Expulsar Matic é um erro demasiado grosseiro para um árbitro de elite que apitou a final da Champions League e do Europeu. Aliás, tal expulsão só se compreende pela continuada campanha, vinda dos lados do costume, contra o jogador sérvio, e que pelos vistos teve acolhimento preferencial no árbitro-assistente de Pedro Proença (já é sina...). Já quanto à expulsão de Cardozo (este não aprende a arrefecer o sangue, ou não tem quem tal lhe ensine) e segundo amarelo ao jogador do Nacional, tecnicamente a decisão é incontestável. Mas mesmo assim pergunto: num jogo da Premiership, com a metodologia utilizada pelos árbitros ingleses, teria sido necessário chegar a tal ponto? Reunir os dois jogadores e dar-lhes um pedagógico "puxão de orelhas" não teria sido suficiente, evitando as cenas que se lhe seguiram e o entornar do caldo quando o jogo estava para acabar? Um árbitro é também um gestor do jogo e com a sua decisão nesse lance Pedro Proença comportou-se como um qualquer árbitro medíocre, sem categoria, de província. Espero tenha assinado ontem a sua sentença definitiva como árbitro de jogos em que o SLB intervenha. Já chega.

domingo, fevereiro 10, 2013

Proença, o artista...

É um artista português...

Para que não existam dúvidas: não foi por ele que o "Glorioso" não ganhou o jogo, mas lá que é um grande artista... Fico à espera de uma reacção séria do meu clube.

Foram todos iguais? Sim, mas alguns, como Seguro, foram demasiado iguais


Claro que todos os governos tiveram a sua quota parte de responsabilidade na actual situação do país. A começar pelos dez anos de governação de Cavaco Silva, convém não esquecer. Em certa medida, e embora com nuances, existe uma linha de continuidade na política portuguesa nos últimos vinte e tal anos cujas bases foram estabelecidas no período do chamado "cavaquismo". Mas esta afirmação de Seguro, "metendo tudo no mesmo saco", de modo que continua envergonhado ("sim, agora reconheço que me portei mal, mas os outros meninos também"), acaba por ter ter resultado idêntico ao silêncio até agora mantido sobre o passado, passando por ele uma esponja que assim tudo limpa, fazendo dele tábua rasa. Ora sabemos que as responsabilidades não são idênticas, nem desse modo podem e devem ser atribuídas, de Cavaco a Guterres, de Barroso a Santana Lopes ou até entre os primeiro e segundo governo de José Sócrates. Em vez da esponja, convinha pois que António José Seguro tratasse antes de passar sobre o passado um qualquer reagente, daqueles capazes de reavivar as marcas deixadas, tornando-as mais nítidas, e assim, ancorando nas positivas, que existem, principalmente no primeiro governo de José Sócrates, há que dizê-lo sem medo, definir os parâmetros do desenvolvimento do trabalho futuro do partido. O problema para Seguro é que se nenhuma dessas marcas positivas tem a sua assinatura, período no qual optou por quase não existir, escondendo-se e preparando a sua "vidinha". Foram todos iguais? Sim, claro, mas alguns foram até demasiado iguais...  

Matiné de Domingo (13)

"Babettes Gästebud" (aka, "Babette's Feast"), de Gabriel Axel (1987)
Filme completo c/ legendas em português

Nota - Baseado num conto de Karen Blixen e Oscar para o melhor filme estrangeiro em 1988.

Pedro Nuno Santos, o PS e o papel de PCP e BE

Enquanto no PS há quem continue a insistir em futuras possíveis coligações ou acordos de governo com o PCP e o BE (Pedro Nuno Santos em entrevista à TSF onde, apesar disso, levanta algumas questões interessantes), teimando em não entender a verdadeira natureza de comunistas e, por razões em parte diversas, "bloquistas", o PCP responde no terreno, como é tradição e com a sua prática de sempre, não se fazendo representar no jantar dos oitenta anos de Carlos Brito, seu ex-militante (até 2003), dirigente de muitos anos, antigo deputado até 1991 e candidato pelo partido à Presidência da República. De recordar que já quando do voto de pesar pela morte de Jaime Neves (e não nutro especial simpatia pelo personagem) PCP e BE decidiram votar contra, mostrando que se mantêm obstinadamente entrincheirados nas barricadas do 25 de Novembro e não aprenderam nada com a História. Para poderem constituir-se em possíveis parceiros do PS em qualquer futuro governo, PCP e BE terão de, uma vez por todas, demonstrar na prática a sua aceitação das regras da democracia liberal e parlamentar e de um regime baseado na liberdade empresarial, independentemente da maior ou menor dimensão do sector público e da relevância que este possa assumir na dinamização da economia.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Friday midnight movie (28) - Gothic (IV)

"House On Haunted Hill", de William Castle (1959)
Filme completo c/ legendas em castelhano

O S. C. de Braga e o seu treinador

O Sporting Clube de Braga contratou um treinador (José Peseiro) adepto de uma ideia de jogo (todos o sabiam) que significava uma ruptura face ao modo como a equipa jogava nos últimos anos, com Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus ou Domingos Paciência. Porventura, esta nova "ideia de jogo" representa até um corte com a cultura tradicional do clube e da sua equipa de futebol, talvez até inadequada ao perfil do clube, em função disso desconhecendo-se  se terá condições para ser bem sucedida. Em certa medida, é como se o meu "Glorioso" passasse agora, depois de 50 ou mais anos a jogar em transições rápidas e com alas bem abertos, a jogar em  posse e circulação de bola, passe curto de "pé para pé", à boa maneira do modelo de Pedroto que fez escola no FCP. Obviamente, tal mudança no S. C. Braga iria requer, no mínimo, tempo de adaptação e, até, a contratação de alguns jogadores capazes de melhor interpretarem as ideias do novo treinador. Parece que agora as coisas não estarão a correr lá muito bem - o que não surpreende - e, como consequência, diz-se que o lugar de José Peseiro estará em perigo. Pelos vistos, tal não acontece com quem tomou a abstrusa decisão de pôr tudo de pantanas.  

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (3)

The Beatles - "From Me To You"

The Moody Blues - "Go Now"

Antes de terem descoberto as delícias do "melotron" e enveredado, a partir daí, por um tipo de música pomposa, a apelar a um misticismo de cordel e a "armar ao pingarelho", assim a modos como uma premonição musical para a cinematografia última de Terence Malick (bola preta!), música essa que acabou por fazer o seu sucesso na vida, os Moody Blues ainda com Denny Laine e Clint Warwick, até se constituíram num bem interessante grupo "R & B" britânico e o seu primeiro álbum, "Magnificent Moodies", embora não totalmente consistente em termos musicais, é do que digo um bom exemplo. "Go Now", um original "soul" gravado em 1964 por Bessie Banks e vocalizado por Denny Laine na versão dos Moody Blues, é talvez a faixa mais emblemática de "Magnificent Moodies". Para quem não tem o vinil original (tenho a edição inglesa e uma edição... grega, "igualinha"! - as voltas que a vida dá!) existe um CD da London com o mesmo nome que inclui temas-extra editados originalmente em "single" e que em Portugal apareceram, ao tempo, incluídos num EP do grupo ("Life's Not Life", "Boulevard De La Madeleine", This Is My House", etc). Uma boa opção.

"From Me To You", tema editado em "single" em 1963, é, em minha opinião, uma das canções dos Beatles que mais e melhor se identifica com a essência do "merseysound" (alô, Luís Pinheiro de Almeida!). E apesar de toda a extraordinária carreira do grupo e da sua enorme contribuição para a evolução da música popular, é talvez este som inicial, mais "puro", que ainda me faz regressar mais vezes e com maior prazer à audição do dos Beatles. Sacrilégio, se calhar...

Bonus Track: Bessie Banks - "Go Now" (1964)

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

BPN: a "Grande Reportagem" da SIC

Em vez de optar pela sobriedade e pelo rigor, mais de acordo - acho - com o tema em análise, a Grande Reportagem da SIC sobre o caso BPN (acabei agora de ver o segundo episódio) envereda por um estilo sensacionalista, conspirativo, com peças, como a entrevista com Gilberto Madaíl, sem qualquer relevância (estava lá porque é conhecido e o futebol é financeiramente sempre suspeito?), optando assim por um "piscar de olho" ao populismo e às audiências que acaba por retirar alguma credibilidade à peça jornalística, talvez porque esta também pouco ou nada acrescente ao que já se sabia sobre o caso. Digamos que em termos de conteúdo a reportagem é mesmo bastante "fraquinha" e a forma adoptada limita-se a tentar mascarar essa sua quase vacuidade. É pena, porque o caso marca uma época, é revelador de um período político (basicamente, o chamado "cavaquismo") e, por isso, é suficientemente grave e importante para merecer bem melhor em termos jornalísticos. 

Norm Eastman (4)

"Les haricots sont pas salés" - old time cajun music (19)

Breaux Frères - "Ma Blonde Est Partie" (gravação de 18 de Abril de 1929)

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A selecção

Com Paulo Bento, a selecção portuguesa mudou os seus processos de jogo, passando a jogar mais em "posse" e subindo no terreno, conseguindo assim rentabilizar Cristiano Ronaldo, pouco influente na era Queiroz. Tal foi positivo, mas, em contrapartida, parece ter perturbado todo o processo defensivo, parecendo a equipa ter passado a desvalorizar esse momento do jogo, desconcentrando-se com inusitada facilidade. Quanto ao resto, jogadores como Custódio, Amorim, Neto, Eduardo e Nelson Oliveira não têm categoria nem apresentam intensidade de jogo para uma selecção que aspira a estar no "top ten" do "ranking" mundial e soluções apenas medianas como João Pereira, Veloso e Postiga, sem que se vislumbrem alternativas credíveis para a sua titularidade (talvez apenas Eder, que também não se afasta dessa mesma mediania), são bem o espelho de uma equipa que está a anos-luz de selecções do passado e de muitos dos seus rivais actuais. Basta ter visto o França-Alemanha, o Holanda-Itália ou o Inglaterra-Brasil. Habituem-se...  

4ªs feiras, 18.15h (20) - "Cinema Militante" (II)

"La Battaglia di Algeri", de Gillo Pontecorvo (1966)
Filme completo c/ legendas em português

TGV revisitado, ou um "post" com quase 6 anos

Escrito neste "Blog" no dia 22 de Junho de 2007:

"A integração de Portugal no mercado ibérico, formando um mercado mais vasto em conjunto com as nacionalidades de Espanha e independentemente do que se vier a passar no que refere o futuro político da Catalunha, País Basco, etc, torna absolutamente imprescindível a ligação de Portugal à rede espanhola de alta velocidade, formada em estrela e centralizada em Madrid. Melhor dito, torna indispensável a ligação directa entre a maior cidade portuguesa (Lisboa) e a maior cidade da península e seu centro geográfico e económico (Madrid), ela própria já ligada ou em vias de se ligar a Sevilha, Barcelona, Valência etc. A península – ou melhor, o mercado ibérico – ficará assim dotado de uma rede de alta velocidade centralizada em Madrid e ligando as suas principais cidades distanciadas do centro entre 500 e 700 Km (”mais Km, menos Km), com no máximo duas ou três paragens intermédias, situação para a qual o comboio de alta velocidade (TGV) se tem revelado uma solução competitiva com as ligações aéreas. Este sistema é completado por um conjunto de aeroportos internacionais “regionais” localizados nas principais cidades, com o hub peninsular situado em Barajas, o que não exclui que alguns deles, como Lisboa e Barcelona, não apresentem elevado movimento internacional e possam ser base de voos intercontinentais destinados fundamentalmente a servir os seus interesses enquanto região bem como clientelas locais. Esquecer esta estrutura e a sua lógica de funcionamento, ou pretender alterá-la significativamente, é um erro fruto de voluntarismo e não de uma análise correcta da realidade e das perspectivas futuras que se apresentam, mesmo apesar das incógnitas que possam ainda oferecer algumas das suas variáveis. É este cenário que está na base da opção Portela+1. É também ele que impõe o investimento de 2.5 mil milhões de euros na linha de TGV Lisboa-Madrid (Caia), ligando o centro da península à única cidade portuguesa com dimensão ibérica .

Já me parece completamente despropositado e fora deste modelo o investimento de 4.5 milhões de euros (quase o dobro do investimento na linha Lisboa-Caia!!!) na linha Lisboa-Porto, distanciadas apenas 300 Km e, actualmente, 2.45 h por comboio pendular, tempo que pode ser encurtado (até duas horas e quinze?) através da intervenção na infra-estrutura existente o que tornaria o comboio perfeitamente competitivo com o avião. Investir 4.5 milhões de euros para poupar ½ hora num trajecto entre as duas cidades ou transformar a rede de alta velocidade numa rede regional de caminhos de ferro é um erro estratégico grave. Este é o modelo megalómano “grande plataforma litorar” da península e hub aeroportuário na Ota, para competir com Madrid, com TGV internacional a ligar-se à linha interna de alta velocidade formando o “tal” “T”, parece que entretanto já alterado(?). Não tem qualquer consonância com a realidade e é destinado ao fracasso. De si próprio e do país."

O "pool" de autarcas

Para já, a primeira e principal consequência da lei que proíbe os presidentes de Câmara de se candidatarem a mais de três mandatos consecutivos é a criação no PSD (para já, apenas neste partido, veremos o acontecerá com outros) de uma espécie de "poule" de autarcas profissionais que, qual circo, se vão deslocando de "terra em terra" exercendo a sua actividade onde der mais jeito ou for politicamente mais relevante. Claro que isto acontece fundamentalmente nas zonas urbanas onde, por via de uma maior mobilidade geográfica e de uma cultura mais individualista e cosmopolita, a ligação à autarquia é mais difusa, se processa de modo mais mediatizado e, por isso, onde o facto dos candidatos terem uma qualquer ligação familiar, tradicional ou de residência local tem uma importância muito relativa. Tentando analisar os "prós & contras" não me parece existam demasiados aspectos negativos nesta situação dos chamados "candidatos para-quedistas" e estou certo os deputados que legislaram sobre o assunto previram tal poderia vir a acontecer. Já nas autarquias rurais, mais pequenas e onde a existência de uma ligação à "terra" pode assumir carácter decisivo, os próprios partidos não deixarão de levar isso em consideração na escolha dos seus candidatos. Mas a questão principal continua a ser se deveria ou não existir uma efectiva limitação de mandatos independentemente da autarquia à qual se concorre, e sobre isso devo dizer que, olhando para o cenário do país, me inclino bem mais para um higiénico "sim".

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Margaret Brundage & "Weird Tales" (2)

O "Estádio Nacional"

Sempre fui um defensor da realização da final da Taça de Portugal no estádio do Jamor, mas no período anterior ao Euro 2004 e quando ainda não existia no país um conjunto de estádios de última geração, mais modernos e confortáveis, com melhores condições de visibilidade, acessibilidade e segurança. Era uma questão de tradição e desde sempre as tradições têm assumido um papel fundamental na valorização dos eventos e provas desportivas. O Grande Prémio de Mónaco, a ausência de publicidade (excepção à Rolex) e o "branco" dos equipamentos de Wimbledon, a final da Taça de Inglaterra em Wembley com a multidão a entoar o hino "Abide With Me" ou o "blazer" verde do vencedor do Masters de Augusta, aí estão para o provar. 

Mas devo dizer que existindo agora um conjunto de novos estádios no país, muitos deles sem utilização ou com utilização reduzida, com condições de segurança e conforto para os espectadores que em nada se comparam com as do Jamor, não consigo perceber como se vão investir alguns largos milhares de euros na melhoria das condições de um estádio para lá se disputar um jogo por ano ou, como se propõe a FPF, fazer lá jogar a selecção nacional. Pior: sabendo que a prazo o estádio está condenado e tudo o que se lá possa fazer entretanto terá um prazo de vida muito limitado. Bom, mas o defeito deve ser meu, e assim como o actual governo se propõe vir a ressuscitar o "TV Rural", talvez alguém se lembre de fazer o mesmo com o "Dia da Raça", a Mocidade Portuguesa e o seu festival de 10 de Junho no Estádio Nacional, que sempre foi o fim essencial da sua construção. Sim, vendo bem deve ser isso...

Reginald (Reg) Presley - um outro Presley (1941 - 2013)

The Troggs - "With A Girl Like You" (#1 no UK em Agosto de 1966)

O Secretário de Estado Franquelim e o jornalismo de investigação

Já toda a gente (comentadores, jornalistas e as respectivas sogras, cães, gatos e periquitos) se debruçaram sobre a insensata nomeação de Franquelim Alves para o cargo de Secretário de Estado do "empreendorismo" e de  mais não sei o quê. Mas o que seria indispensável conhecer é o que de tão importante terá levado Pedro Passos Coelho (+ Relvas + Gaspar) a "enfrentar o mundo" com uma nomeação que desde sempre saberia iria ser, no mínimo, polémica. Essa é a questão-chave, o "santo dos santos" que permitiria conhecer das razões políticas (ou outras) da decisão do primeiro-ministro. E sobre isso é o silêncio... ou quase. José Medeiros Ferreira levanta aqui o que pode ser uma ponta do véu. Mas onde está o jornalismo de investigação neste país? Reduzido à maledicência e à ignóbil Felícia Cabrita?

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (2)

Gerry And The Pacemakers - "How Do You Do It"

Them - "Gloria"

Se há grupo que exprima bem a essência do "merseysound" parece-me ele será Gerry And The Pacemakers, que com os Beatles partilhava o "manager" Brian Epstein. E se de entre os temas do grupo de Gerry Marsden poderia escolher um ou dois mais representativos do que digo, eles não seriam certamente as baladas, como "Ferry Cross The Mersey" ou "You''ll Never Walk Alone", este último um cover" de uma das canções da opereta "Carousel", de Rodgers & Hammerstein, mas temas mais "uptempo" como este "How Do You Do It", o seu primeiro #1 (1963), ou "I Like It". Algumas semelhanças com o som inicial dos Beatles ("Please Please Me", "I Saw Her Standing There" ou "From Me To You") parecem-se bem evidentes.

A primeira vez que ouvi "Gloria" (um tema de 1964), no inesquecível "Em Órbita", foi como se tivesse recebido um soco no estômago, tendo criado a partir daí uma autêntica veneração pelos Them, de Van Morrison, que, arriscaria a dizer, serão talvez o grupo britânico de nomeada (eram de Belfast, Northern Ireland, e por isso espero não se ofendam com a denominação) que mais perto sempre se manteve das raízes R&B. Quanto a mim, muito porque o grupo se centrava quase a 100% em Morrisson e fosse nesses temas que o vocalista e alma do grupo melhor poderia potenciar as suas características vocais, mais "gritadas", como um verdadeiro "blues shouter", e muito menos melódicas, no sentido tradicional do termo. Curiosamente, "Gloria" (escrito por Van Morrisson) é o "b-side" do "single" cujo "outro lado" é "Baby Please Don't Go", um original do bluesman" Big Joe Williams, mas como aconteceu algumas vezes na música popular foi o lado "b" que fez história, embora o "single" nunca tenha passado de um relativamente modesto #10..

Margaret Brundage & "Weird Tales" (1)

domingo, fevereiro 03, 2013

2 notas 2 sobre o SLB-VFC

  1. André Gomes tem aquilo a que se costuma chamar na gíria futebolística "bons pés". Sabe pisar, tem visão de jogo e bom passe à distância. Mas faz demasiadas asneiras (perdas de bola, "cartões") e joga a um ritmo e com uma intensidade e agressividade competitivas notoriamente inferiores aos dos seus colegas, o que é fatal no futebol de alto nível e no modelo de jogo do SLB de Jorge Jesus. As asneiras podem-se ir corrigindo; o resto tenho muitas e sérias dúvidas. Se me fiz entender...
  2. Esta equipa do Vitória Futebol Clube é patética de má. Se bem me lembro, fez o primeiro remate à baliza aos 87 ou 88' perante a pior exibição da época do SLB. Não sei como joga numa I Divisão. A crise está a cavar ainda mais o fosso entre os participantes na Champions League e os outros, principalmente os clubes que dependem do financiamento e apoio autárquico ou regional, que são quase todos. Rio Ave FC e GD Estoril Praia encontraram outros meios de sobrevivência. Ou a UEFA reformula o quadro competitivo europeu, permitindo a fusão de Ligas ou a criando uma Liga Europeia, ou o Liga portuguesa se transformará num longo e imenso bocejo, com as consequências previsíveis nas respectivas receitas, mesmo de SLB e FCP.