quinta-feira, janeiro 31, 2013

Duas notas sobre o momento político

  1. A acreditar no que dizem os jornais (o que constitui cada vez mais um enorme ponto de interrogação), António Costa terá dado a Seguro um prazo até 10 de Fevereiro (é um Domingo) para "unir o partido". Desconheço como Seguro o comprovará, se com certificado passado pela secretaria do PS, com selo branco e tudo, se com um qualquer documento assinado com sangue por todos os militantes, com Costa e Seguro à cabeça. Mas ao deixarem-se cair nesta situação ridícula, estão a arrastar o partido e, por acréscimo e por ausência de oposição credível, os portugueses para o a abismo. Seguro já tinha perdido qualquer espécie de credibilidade e António Costa, até aqui uma espécie de reserva política do PS, arrisca-se a ir pelo mesmo caminho. Uma desgraça nunca vem só?
  2. Em vez de aceitar negociações tentando assim minimizar os eventuais problemas que a anunciada restruturação da RTP possa trazer para os seus trabalhadores, a Comissão de Trabalhadores da RTP optou por uma posição radical acusando o presidente do Conselho de Administração da empresa, que até assumiu uma posição relativamente moderada, de "terrorismo". Não sei onde pretende chegar a dita Comissão de Trabalhadores, nem quais os benefícios que espera obter dessa sua atitude. Aconselho-a a fazer um estágio com António Chora e a sua congénere da AutoEuropa. Estou certo aprenderá alguma coisa. Se a tal estiver disposta, claro!

quarta-feira, janeiro 30, 2013

4ªs feiras, 18.15h (19) - Comédia Italiana (1)

"Brutti, Sporchi e Cattivi", de Ettore Scola (1976)
Filme completo c/ legendas em português

Esta gente não se enxerga

Claro que percebo ser António José Seguro um líder do PS bem mais confortável para o PSD e para o governo e também entendo da necessidade de apoucar António Costa, já que da vitória ou derrota em Lisboa muito dependerá, para PS e PSD, o êxito ou inêxito das eleições autárquicas. Mas afirmações deste tipo só revelam vistas curtas, pois, perante a existência de um governo claramente impopular, o pior que pode acontecer à liderança de Seguro é ser identificada como mais favorável ao PSD, ao mesmo tempo que as críticas deste partido constituirão uma boa ajuda para a eleição de Costa em Lisboa. Esta gente - falo destas personagens menores dos partidos que pululam nas concelhias e distritais e deste modo acabam por dirigir o país - definitivamente não se enxerga.  

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (41)

"Don't Throw Your Love Away" - o original do grupo americano The Orlons (1963)

A bem conhecida versão dos Searchers, #1 no UK (Abril de 1964)

Lisboa e as hesitações de António Costa

A razão das hesitações de António Costa é uma e só uma e chama-se Lisboa, uma autarquia que o PS não pode arriscar perder sem que isso ponha em risco um eventual clamor de vitória nas eleições autárquicas e Costa também não, sem que se lhe cole uma imagem de perdedor e de causador das desgraças do partido. Vejamos:
  1. Se Costa se candidatasse a secretário-geral do PS e desistisse da candidatura a novo mandato na presidência da Câmara da capital, o PS ficaria sem um candidato que lhe pudesse assegurar, sem margem para muitas dúvidas, a vitória sobre Seara, um nome já com experiência autárquica e notoriedade mediática. 
  2. Se António Costa resolvesse candidatar-se a secretário-geral e, simultaneamente, à presidência da CML, aconteceria uma de duas coisas:
  • Se ganhasse a corrida à liderança do PS e assumisse as suas funções de secretário-geral e futuro candidato a primeiro-ministro seria sempre visto como um presidente da CML a prazo, enfraquecendo assim o seu "ticket" eleitoral e colocando em sério risco a vitória do PS em Lisboa.
  • Caso perdesse para António José Seguro lançaria sobre si mesmo um anátema de "perdedor" e a sua candidatura à presidência da autarquia da capital sairia sem dúvida enfraquecida.
Digamos que ao não ter conseguido gerar um candidato alternativo suficientemente forte à CML, nem sequer alguém, para além do actual presidente da Câmara lisboeta, com possibilidades de desafiar Seguro, o PS se deixou cair na armadilha que o próprio partido montou e não soube desactivar a tempo. Na prática, enfraquecendo notoriamente esta solução a existência de uma alternativa credível ao governo da actual maioria PSD/CDS, o Partido Socialista terá optado por Lisboa e desistido, pelo menos para já, do país. Mas Lisboa continua a ser o país, não é assim?...

Nota final: se há um perdedor nesta história toda, ele também foi um e só um: os "media", que ao anunciarem a candidatura de Costa a secretário-geral continuaram a sua tarefa diária de perda de credibilidade contribuindo assim para o aprofundamento da sua crise.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Tartans (5)





Ferguson tartan

"Merseysound" e "Rhythm & Blues" (1)

The Searchers - "Needles And Pins"

The Animals - "I'm Crying"

Desculpem lá se vou simplificar um pouco as coisas, mas se não nos importarmos muito com essa simplificação, talvez um pouco abusiva para os mais puristas, podemos dizer que a cena do pop/rock britânico dos anos 60 tem origem em dois grandes ramos da música popular: o chamado "merseysound", nascido em Liverpool e que deve o seu nome à região e ao seu rio homónimo, e o "rhythm & blues", que não se pode dizer tenha uma região ligada ao seu nascimento, mas em cuja génese Londres e os seus Marquee e Crawdaddy Clubs, este último em Richmond, nos subúrbios da capital, tiveram papel preponderante. Talvez, e também sem demasiado rigor, se possa dizer que o "skiffle" assume na génese do "merseysound" um papel que não teve no "rhythm & blues", onde a influência dos nomes do "blues" americano (John Lee Hooker, Muddy Waters e até um dificilmente classificável Bo Didley) foi decisiva. Claro que o "rock" americano se mistura em doses variáveis por ambos, como não podia deixar de ser, e claro também que isto foi no princípio e depois as coisas foram evoluindo e tornaram-se mais complexas ("mods", "psicadelismo", rock sinfónico, influências do "vaudeville", da música indiana, etc, etc), mas o que me interessa aqui são mesmo esses dois grandes ramos genéticos.

O que pretendo agora numa série de "posts" é pôr em evidência as diferenças entre os dois "estilos" iniciais, (digamos assim), mais "duro", mais gritado e menos melódico o ""rhythm & blues", com frequente recurso ao orgão, e o mais tendencialmente melódico e talvez com maiores ligações à música ligeira tradicional "merseysound". Claro que poderia começar por Beatles e Rolling Stones, no seu início os dois grupos mais emblemáticos destes géneros, mas preferi pôr em confronto a música dos Liverpudlians Searchers e dos Geordies (de Newcastle) Animals. No primeiro caso, a versão de um original de Sony Bono e Jack Nitzsche, "Needles And Pins", interpretado originalmente por Jackie DeShannon; no outro, "I'm Crying", um original de Alan Price e Eric Burdon, os dois principais membros dos Animals. Agora oiçam e vejam lá bem as diferenças!... 

Sara e os comentadores "embedded"

Sara Carbonero é jornalista. Para além disso é namorada de Iker Casillas. Não obstante tal situação dever obrigá-la a um certo recato em tudo o que diz respeito ao Real Madrid, Sara não se coíbe de comentar em público e na sua condição de jornalista assuntos internos do clube cujo conhecimento será apenas acessível a jogadores, técnicos, dirigentes e alguns funcionários da agremiação do Paseo de La Castellana. Parece que esta promiscuidade de jornalistas e comentadores "embedded" está a deixar de constituir-se como exclusividade lusitana.

Arménio Carlos para o MDP/CDE. Já!

Arménio Carlos não é um qualquer cidadão: é o secretário-geral da maior central sindical portuguesa e membro do Comité Central do PCP. É, portanto, um sindicalista reputado e um político com notoriedade. Mais, não estava a conversar com os seus amigos e/ou correligionários no bar da Soeiro Pereira Gomes ou da Vítor Cordon, entre um café com "cheirinho" e uma "Macieira" em balão. Arménio Carlos estava num evento organizado pela central sindical a que preside e dirigia-se, em discurso oficial e no exercício das suas funções de secretário-geral, aos que a esse acontecimento se tinham querido juntar no exercício dos seus direitos de cidadania, na sua maioria professores, o que não é indiferente para a gravidade do que se passou. Assim, ao designar Abebe Selassie por "escurinho", e embora não acreditando Arménio Carlos seja racista, estava a transmitir aos manifestantes sinais errados e que poderiam ser interpretados como manifestação de xenofobia ou intolerância étnica. Para além disso, o modo como se referiu ao membro do FMI foi de mau gosto e roçou (ou ultrapassou, mesmo) a grosseria, mesmo descontando as liberdades de linguagem compreensíveis numa manifestação de protesto. Arménio Carlos também não poderia ignorar que estava a dirigir-se a uma manifestação de professores, o que só agrava o seu comportamento até porque é de admitir muitos dos participantes possam ter sido reconhecidos, via TV, pelos respectivos alunos. Por ter contado em público e no exercício das suas funções uma anedota de mau gosto sobre alentejanos, aceitável numa mesa de café, um ministro já foi demitido e por uma piada de idêntico teor sobre o presidente Obama já o inenarrável Berlusconi foi, com toda a razão, "grelhado" na praça pública. No mínimo, Arménio Carlos deveria vir a público pedir desculpa a todos, incluindo a Abebe Selassie, e talvez não fosse má ideia o PCP tomar em relação a este seu militante e membro do comité central decisão idêntica à que, em tempos, era regra para os militantes com comportamentos considerados "menos dignos" de um comunista: enviá-lo de castigo para um qualquer MDP/CDE. "Bora" lá, Jerónimo?

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Norm Eastman (3)

British Beat Before The Beatles (6)

Paul Raven - "All Grown Up" (1961)

Jaime Neves

Ele há frases assassinas!... E a de Jaime Neves, homem do 25 de Abril e do 25 de Novembro a quem a democracia por isso deve estar agradecida, foi a proferida no dia 25 (ou 26) de Novembro, afirmando, em perfeito contraste com a defesa do PCP e desse modo da democracia plena feita por Melo Antunes, que "os comandos ainda não estavam satisfeitos". A ser levada à letra no terreno, a democracia, em vez de assegurada, como o foi, nessa data, teria ficado a partir daí seriamente comprometida. 

Talvez tal se tenha ficado a dever ao seu entusiasmo de "operacional" e à sua muito pouca preparação política, quero admiti-lo, em perfeito contraste com Melo Antunes. Mas o que é um facto é que, apesar das suas acções decisivas no terreno em defesa da democracia, essa frase não me saiu da memória e sempre me fez duvidar da genuinidade e profundidade das suas convicções democráticas. Mas talvez esteja a ser injusto, admito-o. É que, além de tudo o mais, não há heróis impolutos, não é assim?

domingo, janeiro 27, 2013

A agonia de Seguro

Sim, eu sei que em política as ressureições são frequentes e a experiência mostra que, neste campo da actividade humana, é errado enterrar os vivos ou matar alguém antes de tempo. Mas tendo dito isto, não me parece, depois desta sua semana negra, António José Seguro e o PS por si dirigido possam alguma vez vir a recuperar a credibilidade enquanto alternativa de governo, muito menos a gerar algum entusiasmo entre os cidadãos-eleitores. Mantê-lo como secretário-geral deixará o PS entregue a uma triste e lenta agonia. O seu ar apavorado enquanto pronunciava o "qual é a pressa, qual é a pressa?" colaram-se a si como um anátema, uma "assinatura" que o marcará para sempre. O problema de fundo é, no entanto, o que várias vezes tem sido apontado por muitos: a organização e o modelo de funcionamento dos grandes partidos de "poder" (PS e PSD) favorecem a eleição como líderes deste género de nulidades. E já não bastava Passos Coelho...

Matiné de Domingo (11)

"Yellow Submarine", de George Dunning (1968)
Filme completo c/ legendas em francês

3 pontos 3 sobre o SC Braga - SLB

O que ainda não se disse sobre a vitória do SLB em Braga.
  1. Ao contrário de épocas anteriores, a equipa não se deixou intimidar pelo ambiente, normalmente adverso, (e desta vez foi-o menos); não entrou a jogar sobre brasas nem se deixou arrastar para um jogo de nervos; para questões laterais ao futebol jogado ou para acções susceptíveis de acção disciplinar, para além das inerentes ao próprio jogo.
  2. Um golo logo aos 5' deu confiança a uma equipa que nestes jogos com o SC Braga normalmente não a tem.
  3. As incidências do jogo, que nas últimas épocas não têm favorecido o SLB, desta vez tiveram efeito contrário: Beto deu dois "frangos", do outro lado Artur deu confiança e o árbitro tomou a decisão correcta na expulsão de Hass, o que nem sempre acontece em situações semelhantes - muitas vezes limitam-se, mal, ao amarelo.
O resto foi futebol, e aí, nesse campo, o SLB dos últimos anos será sempre superior. Uma boa lição para o jogo, talvez decisivo, no Porto.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Friday midnight movie (26) - BD (I)

"Diabolik", de Mario Bava (1968)
Filme completo c/ legendas em castelhano

O clube modelo...

Então o clube que é um modelo de organização, que sabe sempre o que faz e está muito a frente dos outros, que tem uma estrutura e um presidente que nunca falham e "blá, blá, blá" (isto é o que dizem sempre os jornalistas), está em sério risco de desclassificação na Taça da Liga por utilização irregular de jogadores? Ai se fosse o meu "Glorioso", o que para aí se não diria!...

Mozart e Jos Van Immerseel* (5)

Wolfgang Amadeus Mozart - Concerto para piano nº 13 em Dó Maior KV 415
1. Allegro
2. Andante
3. Allegro-Adagio-Allegro
Orquestra Anima Eterna. Piano: Jos Van Immerseel*

Mourinho e o Real Madrid

Os tão na moda problemas de José Mourinho no Real Madrid têm uma origem bem mais profunda e radical (de raiz) do que aquela a que a comunicação social parece querer reduzi-la. Assim sendo, a alegada "conspiração" dos capitães, as discussões no balneário, as hipotéticas "campanhas" de contestação da  "Marca", os desencontros com Valdado, o azar" de ter como contemporânea esta equipa do Barça e assim sucessivamente, que fazem as manchetes dos jornais desportivos e as delícias das discussões ente adeptos, não são mais do que efeitos de uma realidade um pouco mais escondida . No fundo, eles - esses problemas - limitam-se a reflectir e a resultarem de um estilo do gestão pelo confronto, de ruptura, em certa medida mesmo belicoso, contestatário, que, fazendo parte do "way of doing the things" de José Mourinho e sem que tal constitua qualquer espécie de crítica, se manifesta bem mais adequado e comprovadamente bem sucedido quando falamos de "challengers" como o Chelsea ou o Inter, de clubes como o Futebol Clube do Porto que alicerçaram nesse comportamento o seu sucesso e o integraram na sua cultura, do que a instituições "aristocráticas" e habitualmente dominadoras, como o são o Real Madrid (principalmente), o AC Milan ou o Manchester United, por exemplo. Digamos que o estilo de gestão de José Mourinho e a cultura de um clube como o Real Madrid são incompatíveis, não "encaixam" e dificilmente tal alguma vez poderia ter acontecido. Daí o desconforto de ambos e o não reconhecimento mútuo quando se olham nos olhos. Mourinho pode vir até a ganhar o Champions League, novamente a Taça do Rei, a acabar a Liga muito mais perto do FC Barcelona (ganhá-la é impossível), mas continuará sempre a ser um corpo estranho num clube que, mais do que qualquer outro, é o símbolo da tradição aristocrática no futebol. Ambos - Mourinho e o Madrid - continuarão a ser "grandes", mas confortavelmente longe um do outro.

Relvas, Zorrinho e a RTP

Depois de uma das maiores sucessões de trapalhadas a que já assisti vindas de um governo, este tomou finalmente uma decisão sobre o presente e o futuro do grupo RTP. E, na conjuntura, embora "tarde e a más horas", a decisão adequada, incluindo nela o aproveitamento do "goodwill" gerado por uma decisão que parece ter o apoio de uma maioria dos portugueses para dar início a uma restruturação da empresa, adaptando-a, inclusivamente no seu "headcount", a um país e um mercado em crise. Nasceu torto - muito - mas contrariando o ditado, no essencial e no seu fim o processo lá se "endireitou". Estamos na semana em que tudo parece correr bem ao governo, mesmo quando pouco terá feito por isso.

Enfim, mas como o ministro Miguel Relvas tem o estranho condão de transformar em lixo tudo aquilo em que toca, ao mau estilo "king Midas in reverse", em vez de "gozar o momento" (malgré-lui, evidentemente) e ter-se limitado a anunciar na TV, em "prime time", a simples e necessária restruturação da empresa que teria de se seguir, resolveu desde logo adjectivá-la como "dolorosa", alertando tudo e todos para a hipótese - bem real - de uma redução importante de efectivos, começando assim e desde logo a transformar uma indiscutível boa decisão do governo num novo problema que este irá ter de enfrentar. Um exemplo de má gestão da comunicação e de como a verdade deve escolher o momento exacto para ser anunciada.

Mas pior, bem pior terá sido a reacção do PS, anunciando, bem ao estilo PCP, que não permitiria "operações de cosmética" para "emagrecer" a RTP. O que quer então o PS? Ter o melhor de dois mundos, isto é, manter o grupo RTP na esfera pública sem qualquer reorganização e restruturação que permita torná-lo mais "cost effective"? Ficar com o bolo (a boa decisão de manter a RTP no sector público) e simultaneamente comê-lo, isto é, esbanjar recursos inutilmente? É que deixando de ter subvenções do Estado e passando apenas a viver da taxa do audiovisual e das receitas de publicidade (neste caso com as limitações conhecidas e que não se aplicam "às privadas"), a RTP, mesmo salvaguardando o "serviço público", "está no mercado", e assim como não pode, dentro dos limites do razoável, deixar de pagar bem às suas estrelas do espectáculo (atenção aos populismos e demagogias sobre os "salários milionários"...), também não se poderá furtar a ter uma estrutura de custos, incluindo nestes os recursos humanos, que lhe permita ser concorrencial. 

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Seguro? "Au suivant, au suivant"

Não sei com que antecedência António José Seguro terá sabido da possibilidade do governo fazer Portugal "regressar aos mercados" antes da data prevista - e já agora, em Janeiro. Mas se não o soube antecipadamente, se nem sequer terá tido uns "zum-zuns", isso já revela uma imperdoável falta de informação, algo que em política e na guerra se costuma pagar bem caro. Mas, querendo ser benevolente, vamos esquecer isso agora, por uns instantes. 

De qualquer modo, mesmo sem tal informação, nem mesmo ao estilo "a little bird told me", mandariam as mais elementares regras da prudência e sentido político que, antes de se decidir a lançar numa louca ofensiva pelo poder - pelo que agora se conclui, sem resguardo - Seguro, em vez de fazer tocar as trombetas, tivesse esperado pelos números do "déficit" de 2012 e pelos resultados da execução orçamental do primeiro trimestre deste ano. Seria, talvez, essa a sua oportunidade, ou pelo menos a altura certa para avaliar o que fazer. Não o tendo feito ("qual foi a pressa"? A constatação das suas próprias limitações, talvez?), comportou-se como um principiantes, saiu acabrunhado "pela esquerda baixa" e, muito, mas muito pior do que isso, deixa no rasto desse seu disparate um partido descredibilizado e com as divisões que lhe eram reconhecidas agora ainda mais evidentes. Pior ainda: isola-se daqueles que, na área democrata-cristã de PSD e CDS, viam no PS um possível companheiro para uma futura alternativa de governo, deixando assim boa parte do país sem uma oposição na qual se possa reconhecer. A imagem que ontem transmitiu - repetindo perante as câmaras, com ar assustado e acossado, "qual é a pressa, qual é a pressa" - no dia em que o governo conseguia talvez a sua primeira vitória significativa, irá colar-se a si como um estigma de derrota. "Au suivant, au suivant"...

The Satellite/Stax records story (13)

Barbara Stephens - "I Don't Worry" (1961)

quarta-feira, janeiro 23, 2013

4ªs feiras, 18.15h (18) - "Nouvelle Vague" (1)

"Que La Bête Meure", de Claude Chabrol (1969)
Filme completo c/ legendas em inglês

O mito dos jogadores jovens

Confesso estar bastante farto dos que, no futebol, pensam o recurso às Academias, à Formação e às equipas "B" resolveria de uma penada os problemas das equipas portuguesas de topo. Não é verdade: todos sabemos perfeitamente, em cada geração, mesmo nas melhor sucedidas, quantos jogadores (muito poucos) conseguem ultrapassar a transição do futebol jovem para o futebol adulto e quantos apenas surgem já ultrapassados os 20/21 anos de idade. Não existem oportunidades? Também não é verdade: nunca no futebol português existiram tantas oportunidades, bastando para isso ver o número de jogadores portugueses a alinhar em toda a Europa por equipas onde podem ter melhores condições de trabalho do que nos Aroucas e Freamundes desta terra. Para além disso, a importância actual do empresário Jorge Mendes no mercado do futebol permite abrir algumas portas internacionais a jogadores jovens, de outro modo fechadas. O problema, o verdadeiro problema é que, por uma razão ou outra - ou um conjunto delas -, jovens jogadores portugueses têm tido dificuldade em se afirmar no "grande futebol", sendo, que me lembre, o último caso bem sucedido o de Fábio Coentrão, se considerarmos João Moutinho (27 anos em Setembro) já não é propriamente um jovem. Querem agora comparar com a Bélgica, que até nem é uma grande potência futebolística? Pois aqui vai...

  • Thibaut Courtois (20) - Atlético Madrid
  • Vincent Kompany (26) - Manchester City FC
  • Jan Vertonghen (25) - Tottenham Hotspur FC
  • Moussa Dembélé (25) - idem
  • Steven Defour (24) - FCP
  • Marouane Fellaini (25) - Everton FC
  • Eden Hazard (22) - Chelsea FC
  • Axel Witsel (24) - Zenith
  • Christian Benteke (22) - Aston Villa FC
  • Kevin Mirallas (25) - Everton FC
  • Romelu Lukaku (19) - West Bromwich Albion (emprestado pelo Chelsea FC)
Mais palavras para quê? Ficamos por aqui ou acham ainda não chega?

Ainda o café em "pastilhas"

Ora agora imaginem lá que os vinhos passavam a ser identificados não pelo seu "terroir", pela sua denominação de origem, pelas castas com que são produzidos, produtor, enólogo responsável e assim sucessivamente, mas apenas pelas suas características, sejam, "taninoso", "encorpado", tipo de aromas e cor, "frutado", etc, etc. Achavam graça? Era essa a informação fundamental que queriam ter? Cá por mim, não acharia graça nenhuma, mas é isso que já acontece com o "café em pastilhas", que é identificado não pela sua origem, variedade (arábica ou robusta), lote de composição, etc, mas pelos adjectivos de "suave", "aromático, "encorpado" e por aí fora. Gostam assim? Pois, talvez gostem, mas o problema para mim é que beber café em casa de amigos (quase todos aderiram às "pastilhas") se tornou uma verdadeira tortura.

Digamos que a "coisa" até foi bem feita...

Não vou voltar ao tema "tout court" do "regresso aos mercados", já que me parece tudo ou quase tudo já foi dito. Do que por aí circula, recomendo o editorial do "Jornal de Negócios" de hoje, de Pedro Santos Guerreiro, e o que aqui escreve José Pacheco Pereira. Quem for preguiçoso nas leituras, escusa de se esforçar muito mais; tem aqui o suficiente.

Mas resta-me acrescentar que as consequências políticas no curto-prazo são evidentes, potenciadas pelos, mesmo que "arranjados", números do "déficit" que hoje chegarão, desde o desconforto de António José Seguro, externa e internamente no partido, até à contra-ofensiva dos comentadores afectos ao governo, como JMF e António Costa - o do "Diário Económico". De caminho, Vítor Gaspar ganha credibilidade interna e ainda maior peso político, o governo, depois dos "faux pas" que foram a conferência do Palácio Foz e o relatório do FMI, ganha respeitabilidade e sentir-se-à mais à vontade para passar à ofensiva no caso da "refundação" do Estado, o"share of voice" do governo subirá em flecha nas televisões nos dias que se vão seguir e algumas hesitações não deixarão e surgir em muitos cidadãos que se não reconhecem nas opções do governo, principalmente no sector cristão-democrata do PSD e em algumas vozes críticas do CDS, mesmo dos que estão no governo. Digamos que, neste particular, o "truque" até foi bem feito, principalmente para quem desdenhava das acções de propaganda dos governos de José Sócrates. Duvido, contudo, que tal como acontece com os truques de magia, tudo isto resista ao tempo. Mas, para já, deixa muita gente embasbacada, e um "óóó..." de admiração não deixará de se fazer ouvir durante uns tempos.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Jorge Jesus e a "perfeição"

Escusado dizer estou em desacordo com Jorge Jesus quando este diz "fizemos uma primeira volta quase perfeita". Num campeonato muito desequilibrado, em que os jogos entre os teoricamente candidatos ou equipas mais fortes serão decisivos, o SLB empatou os seus dois jogos em casa, enquanto o FCP já conseguiu quatro pontos nas suas deslocações a Braga (3) e à Luz (1). Para além disso, nas quatro épocas que Jorge Jesus leva como treinador do SLB, nunca conseguiu vantagem sobre o FCP nem uma vitória em Braga, acrescendo que na época em que foi campeão conseguiu ganhar os dois jogos na Luz contra FCP e SCB, ambos por 1-0. Tem no próximo sábado oportunidade para se redimir (convém lembrar que perdeu para o SCB uma 1/2 final da Liga Europa), ganhando em Braga e assim provando é treinador para as grandes ocasiões. Escuso também de dizer que espero bem o faça.

John Philip Sousa (1)

Três vitórias do governo e um problema para Seguro?

Para já, a questão fundamental é esta, e deve ser posta de uma forma muito clara: tendo obtido o governo mais tempo para pagar a dívida, mesmo que tenha sempre jurado "a pés juntos" nunca o faria; conseguido voltar aos mercados ainda este ano, mesmo que saibamos subliminarmente tal depende muito pouco das suas acções; cumprido o "déficit" de 5% acordado com a "troika", mesmo que com a ajuda da receita extraordinária obtida com a  privatização da ANA, estamos perante achievements que a linha oficial do governo - Passos, Gaspar, Relvas - não deixará de agitar e poderão vir a reflectir-se na opinião dos portugueses e no resultado de próximas sondagens. Se tal acontecer, acho António José Seguro verá o chão a fugir-lhe um pouco debaixo dos pés e a sua estratégia de forçar eleições poderá vir a ter aqui um sério problema - e por acréscimo, talvez também a sua liderança.  

segunda-feira, janeiro 21, 2013

História(s) da Música Popular (207)

James Baskett - "Zip-A-Dee-Doo-Dah" 

Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "Zip-A-Dee-Doo-Dah"

Phil Spector (V)


Pois a partir de agora, nesta rubrica de "História(s) da Música Popular) dedicada a Phil Spector, vou seguir a ordem daquela que é, sem dúvida, a colectânea de referência da obra de Spector: a caixa "Back to Mono", com quatro CDs e um "booklet" que é uma autêntica enciclopédia. E a tal ordem manda que apresente aqui um original de um filme da Disney, de 1946, "Song of the South", tema vencedor de um Academy Award - o tal de "Oscar" - para a melhor canção original. Nesse original o tema era interpretado por um tal de James Baskett, que, confesso a minha ignorância, desconhecia. Mas fica também aqui, para não me acusarem de os querer manter nessa mesma ignorância.

Nesta versão produzida por Phil Spector (1962), com arranjos do grande Jack Nitzsche, quem se encarrega do tema é Bobby Sheen, com Darlene Love e Fanita James, das já por aqui faladas Blossoms. Chegou a #10, nos USA, mas, para ser franco, não vejo grandes ou pequenas razões para tal. Acontece... 

domingo, janeiro 20, 2013

Matiné de Domingo (10)

"Les Demoiselles de Rochefort", de Jacques Demy (1967)
Filme completo c/ legendas em português

Seguro e a velha história de frei Tomás

António José Seguro declarou ontem no seu discurso de encerramento do Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (que raio de nome!) que o PS queria que "os portugueses voltassem a acreditar na política e nos políticos". E acrescentou queria contribuir para tal "com actos e não com palavras". Deixemos de lado que ao anunciar tal intenção por palavras Seguro esteja desde logo a contradizer-se, mas sejamos complacentes neste ponto. Mais importante é que o secretário-geral do PS é um político, experiente (aliás, nunca fez outra coisa na sua vida profissional, e isto não é uma crítica), e não sendo a confiança nos políticos e na política uma questão de fé ou crença, Seguro tem forçosamente de assumir uma papel muito importante na construção dessa ligação de confiança, que - diz - pretende seja baseada em actos e não em palavras,

Ora mesmo não dando demasiada importância a não se perceber muito bem como se materializaria, na actual conjuntura europeia, a tal "agenda para o crescimento" proposta pela direcção do PS (não basta ter razão, é preciso apresentar medidas concretas e ter a capacidade e a possibilidade de as aplicar), o que tivemos da parte de Seguro, nos últimos tempos, foram dois "faux pas" comprometedores, que desmentem essa "soit-disant" sua intenção de fazer com que os portugueses voltem a acreditar na política e nos políticos: em primeiro lugar, a "gaffe" da ADSE, com a dupla Seguro/Zorrinho a fecharem o assunto a cadeado enquanto Correia de Campos e Álvaro Beleza, que não são personagens menores mas "apenas" dois dos dirigentes do PS melhor preparados nessa área, abriam uma necessária e estimulante discussão; em segundo lugar, a candidatura de João Cordeiro, presidente quase eterno da Associação Nacional de Farmácias e "inimigo jurado" do ministro Correia de Campos, à presidência da Câmara Municipal de Cascais, reveladora de total falta de memória e/ou escrúpulos políticos e de uma completa promiscuidade entre os negócios, o partido e a política. Aliás, ao ouvir João Cordeiro na sua entrevista deste fim de semana à TSF, tive até dificuldade em perceber se o entrevistado falava como presidente da ANF, candidato autárquico ou assumindo ambos os papéis, à vez ou simultaneamente. 

Estamos, portanto, e uma vez mais, perante a tal velha história de frei Tomás, desta vez aplicada a António José Seguro: "ouve o que ele diz, mas não faças o que ele faz". O pior é que, em política, sabemos demasiado bem onde isso nos trouxe ou poderá ainda vir a conduzir.

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Friday midnight movie (25) - Grindhouse/Slasher (IV)

"Faster, Pussycat! Kill! Kill!", de Russ Meyer (1965)
Filme completo c/ legendas em castelhano

Charlie Gracie (2)

"Just Lookin' (1957)

"Doping" e moralismos

Perguntas:
  1. Quantos espectadores se entusiasmariam com a Volta a França sem o Tourmalet, o Aubisque, Alpe d'Huez, o Galibier e etc? Como uma vez disse Joaquim Agostinho, acham que essas montanhas se sobem de bicicleta, em competição, "só a comer bifes com batatas fritas"?
  2. Alguém se interessaria por uma final olímpica dos 100 metros em que todos os participantes fizessem tempos à volta dos 10 segundos e tal? Acham se corre esta prova em nove segundos e una pózinhos só a tomar vitaminas?
  3. E de provas olímpicas de natação sem os Mark Spitz, os Ian Thorpe e os Mike Phelps deste mundo? São todos uns anjos? 
  4. Quantos dos hipócritas que agora acusam e condenam Lance Armstrong o aplaudiram e endeusaram quando das suas vitórias sabendo todos nós, desde sempre, o que agora foi revelado?
  5. Para os jornalistas cá do sítio: e se um destes dias fosse revelado que algum dos heróis olímpicos indígenas, como Rosa Mota, Carlos Lopes, Francis Obikwelu e por aí, tinham recorrido a "ajudas"? Alguém põe as "mãos no fogo"?
Desabafo: vão-se lixar com os moralismos...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Chansons historiques de France (4)

Georgius - "Il Travaille du Pinceau" (1939)
Canção satírica em alusão ao expansionismo nazi e à falhada carreira de pintor de Hitler

Gilbert & Sullivan (14)

Gilbert & Sullivan - "The Mikado"
"I've Got a Little List""

Governo, "vanguarda" e consenso

Continuo a ficar espantado quando oiço da admiração de jornalistas, politólogos e comentadores pela falta de procura de um consenso político alargado por parte do governo, e do manifesto desinteresse deste em o alcançar. Vejamos...

O governo e, mais propriamente, o grupo político que actualmente dirige o PSD assumem-se como uma vanguarda ideológica, radical, e basta ter estado atento ao que foi publicado nos últimos anos nos "blogues" ultra-liberais e o apoio entusiástico destes às medidas mais radicais do actual governo para o entender. Ora qualquer "vanguarda" política, quer à "direita", quer à "esquerda", por definição destinada a produzir uma ruptura drástica e rápida na sociedade, nunca se pretendeu afirmar, ao longo da História, nem o poderia fazer face aos objectivos propostos, pelo recurso ao consenso, nem fez, excepto em casos muito pontuais e em ocasiões críticas (e estou a lembrar-me das tréguas entre o Kuomintang e o Partido Comunista da China quando da guerra sino-japonesa, mesmo assim nem sempre cumpridas), da procura de consensos estratégia sua. Pelo contrário, esta passa, preferencialmente, pelo afrontamento e pela ruptura, destinados a implementar uma qualquer "ordem nova" ou a construir o "homem novo". Aliás, até mesmo nas chamadas "frentes populares", que pretenderam representar no passado um certo tipo de consenso abrangente face a um inimigo comum, normalmente os nazi-fascismos, a "dominância "e controle por parte de uma "vanguarda", historicamente assumida pelos partidos comunistas com exclusão dos que a ele não se sujeitavam, é um exemplo por demais conhecido e até trágico. Significa isto que, assumindo o actual grupo dirigente do PSD esse papel de "vanguarda" política e ideológica, reclamando para si, embora de forma "soft" face a alguns exemplos históricos mais "hard", essa "missão", esse consenso, os acordos como os de concertação social, por exemplo, a negociação política ou até mesmo esse consenso de última instância na sociedade portuguesa que define os parâmetros do Estado Democrático e dá pelo nome da Constituição da República, são empecilhos e entraves à sua acção "vanguardista", dotada de um papel assumido como "messiânico". É esta, pois, a herança genética do grupo que actualmente dirige o PSD e o país, e é em função dela que o governo vai agindo, sendo talvez pertinente, neste ponto, perguntar se "pode alguém ser quem não é"? Não me parece tal seja possível...

O FCP, Liedson e o poder

O que pretende o FCP ao contratar em catadupa jogadores do Sporting Clube de Portugal? Moutinho, num negócio ruinoso para o SCP em termos de "brand equity", é, em certa medida, mas não totalmente, um caso à parte, pois encontrava-se em plena posse das suas capacidades técnicas, físicas e atléticas, embora em sub-rendimento por litígio com o seu clube de então. Mas Izmaylov, um caso clínico, e Liedson, no ocaso da sua carreira? Pura e simplesmente, pelo menos no curto-prazo e até se avaliar do verdadeiro rendimento dos jogadores, afirmar o seu poder enquanto clube, ao ponto de conseguir contratar jogadores e ex-jogadores emblemáticos e históricos de um "grande", tradicionalmente rival. Tal significa, utilizando o jargão dos negócios, que vai reforçando a sua "brand equity", ao mesmo tempo que vai minando e destruindo a do ex-rival (acho posso usar o termo). Como estratégia de poder, devo dizer tiro o meu chapéu, embora tal me custe. 

Não sei se a direcção e os adeptos do clube de Alvalade já entenderam o que está em jogo ou se estão à espera do choque de, um dia destes, verem Rui Patrício seguir o mesmo caminho. Será tarde, se é que já não o é.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

4ªs feiras, 18.15h (17) - "Licht und Schatten" - o expressionismo alemão no cinema (IV)


"Das Cabinet des Dr. Caligari", de Robert Wiene (1920)
Filme completo c/ intertítulos em inglês e castelhano

Charlie Gracie (1)

"Fabulous" (1957)

José Manuel Fernandes tenta comprar lã mas sai tosquiado

Tentando provar que em Portugal se gasta demasiado em educação com resultados medíocres, José Manuel Fernandes faz publicar hoje no "Blasfémias", sem quaisquer comentários, o "mapping" que acima reproduzo. Deixando de lado, por comodidade de raciocínio, embora esteja longe de ser irrelevante, o ponto de partida de cada país (Portugal no início do século XX tinha cerca de 85% de analfabetos), a condição socio-económica, muito diferente em cada país, e a evolução nos últimos anos (estamos perante uma análise estática), coisas determinantes mas pelas quais JMF passa como "cão por vinha vindimada" apenas porque tal não convém à tese que pretende demonstrar, saliento o seguinte: não sendo, com certeza, objectivo para o país passar para o quadrante "despesa reduzida com maus resultados", sendo o salto para o quadrante "despesa reduzida com bons resultados" um passo demasiado grande no curto-prazo, portanto impossível de realizar, cabe a Portugal fazer um esforço para conseguir "saltar" para o quadrante "despesa elevada com bons resultados", aquele que mais parece ao alcance do país, aumentando assim, por via da melhoria dos resultados conseguidos, a eficácia do seu investimento nesta área. Ora não só não me parece seja essa a política actualmente prosseguida pelo ministro Nuno Crato - e que JMF defende - como é fácil concluir, olhando para o passado recente, que terão sido, em termos gerais, as políticas e reformas tentadas e/ou implementadas no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues as mais adequadas para que o país conseguisse dar esse salto. Infelizmente, por cedência ao conservadorismo sindical, foram interrompidas demasiado cedo e agora abandonadas e, em certos casos, revertidas por este governo.

terça-feira, janeiro 15, 2013

O VFC - FCP, Meyong e a "verdade(?) desportiva"

O jogo Vitória Futebol Clube - FCP, correspondente à 12ª jornada da 1ª Liga, que deveria ter sido disputado no passado dia 14 de Dezembro de 2012, foi adiado devido ao mau tempo. Na altura, Meyong, melhor marcador do VFC e actualmente um dos dois melhores da Liga portuguesa, era jogador do clube setubalense. O jogo vai agora ser repetido no próximo dia 23 de Janeiro, já não actuando o jogador Meyong no VFC por entretanto ter sido transferido. Alguém me explica onde está a verdade desportiva ou tal coisa tem apenas a ver com as "novas tecnologias"?

Michel Giacometti (6)

O gaiteiro Chico Gato

Victor Palla (8)

Capa do volume dedicado a Erskine Caldwell na colecção "Antologia do Conto Moderno".
Atlântida Livraria Editora (1946)

O que têm de comum o governo, Godinho Lopes e Seguro/Zorrinho

O Partido Socialista da dupla Seguro/Zorrinho tomou nos últimos dias duas decisões que mostram não tem princípios nem ideologia - não sendo por isso confiável - provando assim que o seu único interesse é chegar ao poder e dando razão aos que pensam ser António José Seguro, no seu percurso político, uma espécie de "copycat" de Passos Coelho. Estou a referir-me, claro, à indigitação de João Cordeiro, representante do poderoso lobby das farmácias e inimigo jurado de Correia de Campos, contra quem fez campanha, como candidato do partido à presidência da Câmara Municipal de Cascais e à trapalhada e afirmações contraditórias sobre a extinção da ADSE, duas despudoradas atitudes de "vale tudo" numa "caça ao voto" que não respeita valores nem o passado e presente dos seus próprios militantes. Claro que assim não pode esperar que os muitos portugueses descontentes com este governo - e serão quase todos - lhe dêem o seu voto e façam o partido descolar nas sondagens. Um destes dias, se é que não já, a direcção do PS estará na mesma situação do governo e da direcção do SCP: mantêm-se no poder por inércia, apesar de toda a gente os querer ver pelas costas. 

segunda-feira, janeiro 14, 2013

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (41)

"I Can't Let Go" - o original da americana Evie Sands (1965)

O sucesso dos britânicos Hollies, #2 no UK em 1966

Um país sob ocupação?

Agora imaginem lá que o país está sob ocupação e que os seus recursos, incluindo os humanos, são expropriados em favor da potência estrangeira administrante. E imaginem também que o governo em funções, formado por colaboracionistas, é o representante dessa mesma potência ocupante. Salvaguardadas as distâncias, assim "a modos" como o governo de Vichy na WWII. Estou a exagerar? Claro, um pouco ou até talvez muito. Mas, que querem, há dias em que o raio da ideia não me sai da cabeça. Talvez partilhando-a isto passe.

Ainda o SLB - FCP

Não se dando manifestamente bem com o modelo de jogo do FCP, deve o "Glorioso" mudar o modo como habitualmente joga? Não acho, nem estruturalmente e muito menos quando defronta o FCP ou adversários com uma ideia de jogo semelhante ao perfilhado por este: o SLB nunca jogou "em posse", muito menos no consulado de Jorge Jesus, uma equipa não pode mudar de modelo de jogo consoante o adversário e o FCP desde os tempos de Pedroto que joga de forma mais ou menos idêntica. Seria pois um disparate o SLB começar agora do zero e tentar jogar imitando o adversário. De certo modo, seria como se o Real Madrid tentasse passar a jogar "à Barça".

Mas pode fazer adaptações estruturais que, não modificando a sua ideia de jogo, a tornem mais eficaz quando defronta equipas do seu campeonato, sem prejuízo significativo da suas prestações nos 95% de jogos em que o desequilíbrio é evidente. Quais? Bom, uma das hipóteses é colocar à frente de Matic um jogador com maior capacidade para recuperar e ter a bola. Na época passada tinha Witsel e contra o FCP as coisas não correram lá muito bem, dirão... Pois, é verdade, mas tinha Javi Garcia em vez de Matic, e este é bem melhor com a bola nos pés e no passe. Além disso, Javi era mais posicional, o que obrigava Witsel a  jogar em terrenos mais recuados, e a equipa não tinha alas desequilibradores como tem este ano Salvio e Ola John. Outra hipótese é um ala que feche no meio e "roube" bolas sem perder eficácia atacante, como o era Ramires. Gaitán sabe fechar no meio e ter bola, mas a sua capacidade defensiva é limitada e é menos um jogador de passe e mais de condução de bola, com perigos evidentes da sua perda em terrenos proibidos contra equipas que sabem pressionar alto. Mas é por um destes caminhos que o SLB deve ir, para além, evidentemente, de conseguir entrar no jogo sem ser a caminhar sobre brasas e assim dar abébias". Mas para isso, para tal conseguir são precisas vitórias, e as últimas derrotas em casa contra o FCP deixaram com certeza as suas marcas.

domingo, janeiro 13, 2013

SLB - FCP: o contraste

Estes jogos entre o SLB e o FCP estão a tornar-se demasiado previsíveis: o FCP adianta o seu bloco para o meio-campo contrário, jogadores muito juntos e grande pressão e segurança na circulação de bola, e o SLB tem dificuldades em sair a jogar nas suas habituais transições rápidas pelos flancos, sendo obrigado a optar pelo passe longo e o jogo directo. O resto, o que varia, são as incidências de cada jogo, e neste o SLB resolveu dar avanço. Mas é um contraste interessante entre dois modelos de jogo antagónicos e o meu "Glorioso" nunca se dá muito bem com equipas que jogam no modelo do FCP. Para além disso, e infelizmente, falta-lhe ainda um bocadinho de consistência para estar ao nível do FCP. Lá chegará.

O "pecado" de Paulo Baldaia

Ora vamos lá ver... Conceder a cidadãos que ocupam cargos políticos condições especiais de acesso à reforma foi um subterfúgio utilizado para não ter que lhes pagar - a esses cidadãos - salários superiores, mais consentâneos com a responsabilidade e qualificações das funções que ocupam ou ocuparam. Tratou-se, in illo tempore, de uma cedência ao populismo mais rasteiro, tentando tapar o sol com uma peneira e evitar qualquer reacção, também ela populista, dos restantes portugueses contra os "salários milionários" dos políticos. Claro que quem alimenta o populismo às suas mãos lhe morre, e agora temos meio mundo a protestar contra a presidente da Câmara de Palmela por esta ter direito a uma reforma aos 47 anos de idade, inclusivamente alguns jornalistas e comentadores que deveriam ter a obrigação de saber esclarecer quem os lê. Vamos ser claros... O que os portugueses têm de escolher é o seguinte: querem ter gente na política a auferir salários compatíveis com as funções que exercem ou com salários baixos e recompensas escondidas "por debaixo da mesa"? Querem ter gente competente e qualificada na política, servindo o interesse público, ou mulheres e homens medíocres que tentam utilizar a profissão em proveito próprio? Querem viver em democracia ou em ditadura, que é onde esta saga anti-política e anti-políticos corre o risco de nos conduzir? Ou será que os frequentadores dos fóruns de opinião e alguns jornalistas incompetentes ou pouco escrupulosos acham que fariam bem melhor se e quando os convidassem para cargos públicos auferindo o vencimento correspondente? É que os poucos exemplos que disso temos tido até são de molde a provar bem o contrário...

Matiné de Domingo (9)

"Derzu Uzala", de Akira Kurosawa (1975)
Filme completo c/ legendas em português

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Friday midnight movie (24) - Giallo (IV)

"Reazione a Catena" (aka "A Bay Of Blood"), de Mario Bava (1971)
Filme completo c/ legendas em português

Jet Harris & Tony Meehan (2)

"Diamonds" - #1 no UK em 1963

E o que propõe o PS?

Faz bem o PS em recusar-se a integrar uma comissão eventual parlamentar sobre a reforma do Estado? Enfim... pelo modo como a discussão foi armadilhada pela maioria e pelo governo, não me parece restar-lhe melhor alternativa. Mas, ao recusar, deveria deixar bem claro em que parâmetros e condições, baseado em que princípios e com que objectivos aceitaria integrar uma qualquer comissão no parlamento com tais desígnios e, inclusivamente, apresentar algumas propostas concretas com as ideias do partido sobre o assunto. É que do "outro lado", bom ou mau, bem feito ou mal feito, existe um documento escrito que reflecte uma atitude ideológica e uma intenção política sobre o assunto, apresentando propostas, ideias e soluções, e discutir as funções do Estado em abstracto, sem uma base ou um ponto de partida, até mesmo sem algumas propostas concretas em cima da mesa, é mais ou menos como discutir o sexo dos anjos, como aliás se tem visto até aqui. Penso que o PS, como partido que se reclama da herança da social-democracia europeia e num momento em que a deriva radical do PSD está mesmo a deixar quase orfãos os portugueses que se reconhecem na democracia-cristã, está aqui a perder uma boa oportunidade para se afirmar ideologicamente, pela afirmativa e não apenas pela recusa. Se o partido quiser perceber porque não descola nas sondagens, não terá que ir muito longe. 

Duas perguntas...

  1. O já muito celebrado estudo do FMI sobre o corte de 4 mil milhões de euros pretende, entre outras coisas - diz - tornar o Estado mais eficiente. Ok, certo, todos sabemos que, com cortes ou sem eles, existe com certeza espaço para tornar alguns sectores do Estado mais eficientes; nada disto é teórico e, apesar do enorme progresso verificado (saliente-se), defrontamo-nos todos os dias com situações onde a eficácia de funcionamento da chamada máquina do Estado deixa algo a desejar. Mas se uma sua maior eficiência de funcionamento é importante, o objectivo do Estado é, fundamentalmente, prestar serviços aos cidadãos: promover o seu bem-estar, individual e colectivo, assegurar a segurança, a saúde pública, o desenvolvimento das capacidades de cada um e de todos em conjunto, promover a coesão social e por aí fora. E agora pergunto: e se, aqui e ali, e não sendo a eficiência uma noção abstracta nem o Estado uma empresa, para cumprir cabalmente com esses objectivos o Estado tiver que sacrificar, por vezes, alguma dessa chamada eficiência, da optimização dos recursos que os cidadãos lhe disponibilizam? Acho vale a pena pensar um pouco sobre o assunto.
  2. Já alguém (jornalista, acrescento) se lembrou de perguntar ao secretário de Estado Carlos Moedas, ao ministro Vítor Gaspar ou até ao primeiro-ministro (caso o encontrem por aí...), qual o cenário político, económico e social que traçariam para o que seria o país daqui a dois, cinco ou dez anos se a grande maioria das propostas do estudo do FMI fosse implementada? Talvez não fosse má ideia...

quinta-feira, janeiro 10, 2013

Nursery Rhymes (12)


Taça da Liga

  1. A primeira parte do jogo de ontem, contra a AAC, deu para concluir que os princípios e modelo de jogo do SLB, este ano com um extremo "à antiga" como o é Ola John, mais de "centro" para a área do que de finalização, convivem mal com um sistema de ponta de lança único, faltando gente na área, de último toque, para a conclusão. Foi esse problema que a entrada de Kardec, ajudado por um extremo finalizador e que joga em diagonais, como Salvio, veio resolver. Espero os comentadores encartados tenham percebido isso.
  2. Estou farto de ouvir esses mesmos comentadores desportivos protestar contra o actual modelo da Taça da Liga por ele facilitar a vida às melhores equipas (SLB, FCP, SCB e RAFC estão nas meias-finais). Esquecem-se que também nas provas de clubes da UEFA e nos Europeus e Mundiais vigora o sistema de cabeças de série e isenções das pré-eliminatórias, com bons resultados gerais, e que existe a nível interno uma outra competição (a Taça de Portugal) organizada na base de um modelo de maior "abertura". Ser a Taça da Liga um "copycat" da Taça de Portugal acabaria por subalternizá-la e dificultar ainda mais a capacidade de atrair patrocinadores e assim gerar dinheiro. Por isso, não me parece fosse lá grande ideia.

Um governo em forma de McKinsey?

O facto de ter como autor o FMI constitui simultaneamente a força e a fraqueza do estudo que está a pôr o país (quase) em estado de sítio. Expliquemo-nos...

Ao contratar o FMI - uma das instituições que compõem a "troika", recorde-se - para a execução deste estudo, o governo quis dar-lhe a força e a intenção políticas que ele não teria caso tivesse sido adjudicado a uma das grandes consultoras mundiais, qualquer delas mais do que apta a realizar um trabalho deste tipo. O problema é que neste caso tal seria visto apenas como mais um devaneio tecnocrático, sem qualquer força política ou relação com a realidade, onde o governo teria resolvido esbanjar algum do nosso já pouco dinheiro. Não teria direito, pois, a grandes títulos nem a ocupar muito tempo nas análises de jornalistas, politólogos e comentadores. Mas o problema é que, levantando algumas questões pertinentes e que merecem discussão séria (ninguém negará que vale a pena discutir e reavaliar a dimensão e composição das forças armadas e de segurança, a idade da reforma, a número de professores e de funcionários públicos, o papel das avaliações e do mérito nas carreiras ou até algumas - nem todas nem optando pelos co-pagamentos - taxas moderadoras da saúde), o documento, pelo seu radicalismo, voluntarismo ideológico e completa falta de noção da realidade económica e social (as medidas mergulhariam o país numa tremenda espiral recessiva e no caos social), falha pela total ausência de sensibilidade e sentido políticos, algo que o governo, cuja função é exactamente "fazer política", deveria ter tido em atenção e corrigido antes do documento ter sido tornado público. O problema é que, com Gaspar, Moedas e Borges (pelo menos estes), parece temos um governo em forma de McKinsey, onde essa coisa da política é uma chatice que só serve para atrapalhar. Ou então, e vou ser benevolente, talvez a intenção fosse mesmo o "choque e pavor", o que pode convir à estratégia de "toca e foge" habitual no governo, de avaliar primeiro o impacto do bombardeamento massivo para depois recuar aqui e ali, mas envenena à partida qualquer discussão política séria das várias propostas.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

4ªs feiras, 18.15h (16) - Spaghetti (1)

"Django", de Sergio Corbucci (1966)
Filme completo c/ legendas em português

"Choque e pavor"? Sim, mas a proposta do FMI merece mesmo um debate

Depois de ter lido "de fio a pavio" o que o Jornal de Negócios publica sobre a proposta do FMI para a redução dos tais quatro mil milhões de euros na despesa pública, tenho de concluir que, concordando-se ou discordando-se das medidas propostas, parcialmente ou na sua totalidade, o documento levanta algumas questões pertinentes e merecia por isso uma discussão aprofundada e um debate sério. Não tem em consideração a existência de condições políticas e sociais necessárias à implementação das medidas que propõe? Claro, mas nem tem que ter: a análise e preocupação com esse tipo de questões é da responsabilidade dos orgãos de soberania: governo, Assembleia da República, Presidente da República e Tribunal Constitucional, e o problema é que aí qualquer possível debate começou desde logo a ser afastado pela estratégia de "choque e pavor" escolhida pelo governo, já que só a este podem ser atribuídas responsabilidades pelo modo como foi divulgado. O seu conteúdo, mesmo não vindo a ser implementado, é potencialmente recessivo? Sem dúvida que sim, é deitar gasolina no fogo; mas o que está aqui em causa, muito antes desta proposta poder ser discutida e considerada, é a justeza da política de austeridade e "empobrecimento" para a resolução da crise portuguesa e europeia, da qual este documento é apenas mais um instrumento. 

Uma coisa é bem evidente: ao contrário de algumas propostas de carácter exclusivamente populista, congeminadas e "paridas" pelo governo, como pôr os desempregados a tratar dos "velhinhos", viajar em "económica", andar de Renault Clio, não usar gravata, optar por um governo "mínimo" ou cortar nas "gorduras do Estado", este é um documento sério e que, por isso, levanta e analisa um conjunto relevante de questões. As divisões que parece estar a suscitar no governo, com o grupo mais radical Gaspar/Moedas para um lado e CDS e ministros do PSD tradicional para o outro, só provam mesmo a sua importância.

Proposta do FMI ou da JSD?

O FMI é frequentemente tido pelos comentadores como o parceiro da "troika" mais preocupado com o crescimento, com a coesão, menos entusiasta com a austeridade recessiva, em suma, manifestando maior abertura e menor ortodoxia na "receita" para Portugal. Agora, perante a proposta de que se faz porta-voz privilegiado e que, independentemente de concordâncias ou discordâncias com cada uma das medidas sugeridas, pode ser considerada, no seu conteúdo e expectativas que gera, hiper-recessiva e destrutiva de qualquer ideia de coesão social, pelo menos no curto/médio prazo, pergunto-me se alguns dos alertas que habitualmente nos habituámos a ouvir na voz de Christine Lagarde são mesmo para levar a sério em face de um documento que, pelo seu voluntarismo, radicalismo ideológico e  modo como divide os portugueses entre "bons" e "maus", mais parece saído de um qualquer congresso ou reunião da JSD. Aguardemos... 

terça-feira, janeiro 08, 2013

As "cameo appearances" de Hitchcock

Ontem, bem a propósito da reexibição de "Vertigo" em cópia restaurada, entre um grupo de amigos tentávamos nos lembrar de algumas das várias "cameo appearances" de Alfred Hitchcock nos seus filmes. Uma excelente oportunidade para as recordarmos aqui depois de uma breve busca no "you tube".

Norm Eastman (2)

Dylan & Byrds (5)

Bob Dylan - "He Was A Friend Of Mine" (tema tradicional) - gravação de 1962 incluída no álbum The Bootleg Series Volumes 1-3 (Rare & Unreleased) 1961-1991.

A versão dos Byrds, com letra de Jim McGuinn, editada no seu segundo álbum, "Turn! Turn! Turn! (1965)

Godinho Lopes e Jesualdo Ferreira

O "timing" escolhido por Godinho Lopes para a substituição de Franky Vercauteren por Jesualdo Ferreira tem apenas um objectivo (um e só um, como na matemática): ganhar tempo no momento em que actual presidente do SCP se encontra pressionado para a demissão, se prepara uma assembleia geral do clube com essa exclusiva intenção e o populismo (chame-se ele Bruno Carvalho ou dê por qualquer outro nome) ameaça a sobrevivência do clube. Jesualdo Ferreira, um género de Carlos Queiroz no perfil e na "boa imprensa" que o ampara (vá lá saber-se porquê), vai permitir criar alguma esperança nos adeptos do SCP, aliviando o nó que que começava já a apertar demasiado em tono do pescoço de Godinho Lopes e ameaçava de caminho também o BES e o Millenium. O folhetim, esse, continuará nas próximas semanas, restando ao clube apenas voltar à Academia, negociar com a Banca, desinvestir fortemente e preparar-se para uma década na qual apenas poderá aspirar a classificações entre o terceiro (se tudo correr muito bem) e o sexto lugares, com, se tiver sorte, uma ou outra Taça de Portugal e/ou da Liga de permeio. É a vida, caros amigos "lagartos", e quem lhes prometer outra coisa está a mentir.  

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Norm Eastman (1)

The Big Easy (9)

Fats Domino - "Blueberry Hill"

E se este governo cumprir a legislatura?

Por muito mal que se comporte este governo, e a não ser em caso de cataclismo sério, que não me parece se vislumbre (graves alterações da ordem pública, por exemplo), existe uma condição "sine qua non" para que possa ser encarada a sua substituição antes de cumprida a actual legislatura: que o PS descole finalmente nas sondagens e assim consiga apresentar aos portugueses uma clara alternativa de governo (o que não quer dizer necessariamente de política), o que significa poder alcançar uma maioria absoluta em eleições legislativas antecipadas. Deste modo, discordo dos que dizem que tudo dependerá, pelo menos de forma directa, da execução orçamental, dos resultados das eleições autárquicas, do comportamento da economia, etc, etc. Claro que uma muito má execução orçamental, péssimos resultados nas eleições autárquicas por parte de PSD e CDS, continuação da recessão e tudo o resto a correr mal poderão contribuir para uma mudança significativa nas intenções de voto dos portugueses, no comportamento do CDS, da facção cristã-democrata do PSD e nas pressões populares e mediáticas sobre o governo. Mas sem que dessa mudança significativa das intenções de voto dos portugueses resulte a possibilidade clara do PS poder vir a formar governo sem grandes dificuldades, não me parece possível o actual governo não venha a cumprir a legislatura. É que por muito que nos custe - e neste caso custará - o voluntarismo na política está longe de ser bom conselheiro.

domingo, janeiro 06, 2013

Matiné de Domingo (8)

"Zulu", de Cy Endfield (1964)
Filme completo c/ legendas em português

Enquadramento histórico: O filme recria um dos episódios mais marcantes da chamada guerra "anglo-zulu" (1879), a defesa de Rorke's Drift (23 e 23 de Janeiro desse ano) que teve lugar umas horas depois da severa derrota das forças britânicas na batalha de Isandlwana, onde cerca de 1300 soldados das forças coloniais perderam a vida. É essa mesma batalha de Isandlwana, considerada talvez a maior derrota de sempre de um exército colonial em África, que se encontra retratada num outro filme com bastantes semelhanças com este, "Zulu Dawn" (1979). Logo que consiga uma sua versão completa e legendada numa língua compreensível, não deixarei de aqui a trazer. Entretanto, a 4 de Julho desse mesmo ano as forças britânicas acabaram por obter uma vitória decisiva na batalha de Ulundi. 

Trocas de jogadores e "direitos económicos"

Quem me lê, sabe que sempre me manifestei contra o empréstimo de jogadores entre equipas que disputam a mesma competição: não faz qualquer sentido e adultera a verdade desportiva um jogador ter contrato com um determinado clube, que, além do mais,  lhe pode pagar, total ou parcialmente, o ordenado, e alinhar por um outro, por vezes mesmo contra o clube ao qual se encontra vinculado. Do mesmo modo e por razões semelhantes, sempre achei não deveria ser permitido aos clubes efectuarem contratações com as competições já a decorrerem, seja no início da época seja no chamado mercado de Janeiro. No limite, admito elas pudessem ocorrer apenas no mercado de Janeiro desde que entre equipas que não disputassem a mesma competição. Agora, e segundo tudo leva a crer, descobriu-se um novo "modelo de negócio": dois clubes disputando a mesma competição trocam jogadores partilhando uma percentagem elevada dos chamados "direitos económicos" dos mesmos. Tudo isto, claro, perante a complacência de FIFA, UEFA e LPFP e com a crítica desportiva exultando com a "invenção" e aplaudindo a troca de jogadores entre os "grandes". Para não lhes chamar incompetentes ou acusá-los de conivência com a falsificação da tal "verdade desportiva", que pelos vistos só é invocada quando se trata das novas tecnologias, direi que devem andar muito distraídos...   

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Friday midnight movie (23) - Grindhouse/Slasher (III)

"The Hills Have Eyes", de Wes Craven (1977)
Filme completo c/ legendas em português

História(s) da Música Popular (206)

The Crystals (ou Darlene Love & The Blossoms) - "He's A Rebel"

Phil Spector (VI)

Bom, a história, ou a "trafulhice", é das mais conhecidas da música popular, e eu próprio já a contei por aqui uma vez: "encontrando-se as Crystals em LA e Spector em NY, nada melhor do que gravar quanto antes com Darlene Love e as Blossoms, uma vez que teria chegado aos ouvidos do nosso bom amigo Phil que Vicky Carr se preparava para gravar o tema. E como nos negócios “tempo é dinheiro”, nada melhor que usar o que se tem mais à mão. E se bem o pensou, melhor o fez, claro.

Bom, o problema, o pequeno problema, é que a partir daí “He’s a Rebel” teve de passar a fazer parte do repertório “ao vivo” do grupo e a voz de Barbara Alston nada tinha a ver com o registo de Darlene Love. Mas como neste mundo, e principalmente para Spector, tudo tem uma solução, “La La” Brooks passou de imediato a lead singer".

Mas voltemos um pouco atrás... Phil Spector tinha produzido já um dos temas de Gene Pitney, "Every Breath I Take", e alguém lhe terá soprado qualquer coisa sobre "He's a Rebel", uma composição de Pitney. E pronto, foi assim, e por isso, que Phil passou das palavras aos actos, em boa hora pois o tema chegou rapidamente a #1 corria o ano de 1962. Crystals ou Blossoms pouco importa, já que de "trafulhices" destas também se fazem as histórias da música popular, do "rock & roll" e de Spector em particular.

O PS e a sua estratégia "me too"

PS com as mesmas dúvidas de Cavaco Silva


Nem mais uma nem menos uma? Nem sequer uma simples vírgula? E na redacção? Seguem ambos o novo acordo ortográfico? Mais a sério... Estamos perante um clara e assumida colagem ao Presidente da República (que, aliás, não é de agora, mas tem marcado a liderança de António José Seguro), um exemplo de falta de autonomia programática ou um simples sinal de cobardia política receando o Tribunal Constitucional reconheça validade às dúvidas de Cavaco Silva e a recusasse a  quaisquer questões adicionais  que o PS eventualmente pudesse vir a colocar? No jargão empresarial denomina-se esta estratégia de "me too", apanágio de quem não aspira à liderança mas tenta conquistar uma quota de mercado secundária seguindo na esteira do líder. Digamos que estamos perante uma estratégia que nunca perde, mas também pouco ou nada ganha: se o Tribunal Constitucional declarar a conformidade das normas em análise com a Constituição da República o derrotado maior será sempre Cavaco Silva. Mas no caso contrário, isto é, decretada a inconstitucionalidade de tais normas, nada mais restará ao Partido Socialista do que colocar-se em "bicos de pés" e gritar o mais alto que puder: "me too, me too". Poucos o ouvirão.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Patti Page (1927 - 2013)

Patti Page - "(How Much Is) That Doggie in the Window"

Texto publicado neste "blog" a 5 de Janeiro de 2010 a propósito do capitulo dedicado à "bubblegum music" e incluído na rubrica "História(s) da Música Popular".

"Mastigar e deitar fora? Talvez, mas já alguém imaginou o prazer que nos dava enquanto mastigávamos, fazíamos balões (os mais talentosos) e mesmo quando, bem a propósito, cuspíamos ou as guardávamos sob o tampo das carteiras para o intervalo seguinte? Ou quando as comprávamos antes de entrar na sala de cinema no tempo em que estes tinham bar e bengaleiro? Quem se atreve, portanto, a dizer mal desses prazeres simples que povoavam e preenchiam a nossa adolescência? Mas o que é facto é que a "bubblegum music" (ou as "bubblegum songs"), simples, repetitiva, por vezes até um pouco acéfala, obra de produtores e muitas vezes de medíocres músicos de estúdio, não foi assim cuspida com tanta facilidade e desprendimento. Agarrou-se à sola dos nossos sapatos, até hoje, e – “morra quem se negue” - continua a dar-nos (ou a dar-me) prazer igual àquele da primeira dentada quebrando a capa de açucar com mais ou menos “peppermint flavour”. E, desculpem lá os puristas, é perfeitamente possível gostar simultaneamente de Wagner e dos Ohio Express - dar-nos gozo diferente mas semelhante - tanto como o é usar com prazer uns sapatos Church ou umas havaianas nos tempos livres. A “bubblegum music”, para grande raiva dos “snobs”, tornou-se um clássico e os verdadeiros clássicos são a antítese daqueles a quem a nobreza (qualquer nobreza) nunca tocou. Melhor ainda, tornou-se provocatória das boas consciências e dos guardiões do conservadorismo. 

 Há quem diga que o verdadeiro percursor da “bubblegum music” terá sido este tema de Patti Page, (“How Much is) That Doggie in the Window”, de 1952. Vamos admitir que sim, que foi ele o percursor dos Ohio Express, dos Royal Guardsmen, dos 1910 Fruitgum Company, dos Archies, etc, etc. Mas quantos grupos pop/rock dos anos 60, normalmente não incluídos nos clássicos do género, se deixaram seduzir, aqui a ali, pela música de mastigar e deitar fora mas que se colou a nós até hoje? Mais, pergunto: não seria, não foi, o "rock and roll" – todo ele - expressão importante da cultura adolescente e da ruptura com o passado? Apetece-me, pois, lançar daqui um grito de libertação. Viva a "bubblegum" e abaixo as más consciências!!!"

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