domingo, dezembro 30, 2012

Messi e a sua "zona de conforto"

Quando leio ou oiço comparações entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi há uma questão que raramente vejo mencionada. Colocando de parte as respectivas selecções nacionais, equipas demasiado intermitentes e com características muito próprias, Cristiano já foi bem sucedido jogando em campeonatos diferentes, em duas equipas de topo com ideias de jogo relativamente distintas e dirigido por dois treinadores que, para além de gostarem de bom vinho, pouco terão em comum; já quanto a Messi nunca o vimos fora da sua "zona de conforto", isto é, do Barça do "tiki taka", um modelo demasiado específico, talhado muito à sua medida, talvez mesmo irrepetível fora daquele "caldo de cultura" e onde Lionel "nasceu", cresceu e se fez jogador e homem. Conseguiria manter a mesma eficácia e brilho semelhante fora dele? Provavelmente nunca o saberemos, e os prémios da atribuídos anualmente pelas entidades e instituições do futebol baseiam-se - e bem - na realidade e não em especulações de quem gosta destas coisas da "bola".

Matiné de Domingo (7)

"Sissi", de Ernst Marischka (1955)
Filme completo c/ legendas em português

As declarações do Secretário de Estado da Saúde

Confesso não compreender o ror de críticas, principalmente porque vindas da esquerda, que se abateu sobre estas afirmações do Secretário de Estado da Saúde. Ou melhor, só as compreender pelo facto da animosidade para com governo ser já tanta que não dá, sequer, para  algum dos seus membros ousar abrir a boca para dizer o que quer que seja. E  não as compreendo porquê? 
  1. Em primeiro lugar, porque apelar a prevenção das doenças - na medida das capacidades e possibilidades de cada cidadão, está bem de ver -, independentemente de das poupanças assim geradas, é uma atitude correcta, de bom senso e que até está tradicionalmente bem presente no ADN da esquerda política. Mais o será quando o custo dos tratamentos não é suportado maioritariamente pelo utente mas pelos impostos pagos solidariamente por todos os cidadãos (e acho justo que assim o seja). 
  2.  Em segundo lugar, e falando agora do apelo de Leal da Costa para que os cidadãos recorram menos aos serviços do SNS, porque todos sabemos muita gente recorre às urgências hospitalares em casos onde tal não é necessário, sendo suficiente uma consulta no Centro de Saúde. Também porque recorrer a consultas no Centro de Saúde apenas quando tal é estritamente necessário - muitas vezes esse recurso é determinado apenas pela iliteracia, pelos baixos níveis educacionais (de que não são responsáveis, frise-se) ou por questões de solidão, quase funcionando o médico como psicólogo e a sala de espera como uma espécie de Centro de Dia - reflecte respeito pelos seus concidadãos, sejam todos os que solidariamente contribuem para o SNS, sejam os que neles trabalham, sejam, por fim, todos os que efectivamente tem necessidade real de atendimento.
Sim, eu sei que é difícil resistir à tentação de criticar este governo. Mas convém lembrar que vulgarizar as c ríticas acaba também por contribuir para lhes retirar algum valor.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Friday midnight movie (22) - Sci-Fi (IV)


"Tarantula", de Jack Arnold (1955)
Filme completo c/ legendas em português

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (40)

"Apron Strings" - o original, muito ao estilo "rockabilly", do americano Billy "The Kid" Emerson (1959)

A bem conhecida versão de Cliff Richard, "B" side do "single" "Living Doll" editado em Julho desse mesmo ano e que chegou a #1 no UK.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Zorrinho e o PS "pronto para governar"

Quem está preparado para governar não tem necessidade de o dizer; Passos Coelho e o PSD disseram-no e depois foi o que se viu. São os portugueses, os cidadãos eleitores, que terão concluir sobre quem está ou não preparado para tal através interpretação e análise do comportamento de políticos e partidos; do conteúdo das suas propostas e das perspectivas de governação que estes lhes possam ou não oferecer, numa determinada conjuntura. Acresce que fazer essa afirmação (como aconteceu hoje com Carlos Zorrinho, que nem sequer é o líder do partido) sem que exista qualquer indício o PS tenha até aqui conseguido mobilizar os portugueses em torno de uma alternativa clara ao actual executivo e no combate à sua política de "empobrecimento", sem que as sondagens sugiram o partido possa liderar uma alternativa de governo maioritária, sem que exista vislumbre de mudança na política europeia, assume o aspecto de pura bravata num momento em que a confiança nos políticos está perto do ponto zero e o país se encontra limitado por uma intervenção externa que tolhe a autonomia das suas instâncias dirigentes. Aliás, ter Carlos Zorrinho sentido a necessidade de fazer essa afirmação, colocando-se um pouco em "bicos de pés", constitui mesmo prova do bloqueio em que o país parece ter mergulhado, entre um governo e uma UE que apenas apresentam como solução o regresso a um passado de pobreza, uma esquerda radical e comunista que nunca fez, nem nunca fará, parte da solução e um Partido Socialista perdido no labirinto para o qual foi arrastado e de onde não consegue sair. Perante isto, e na perspectiva de umas eleições autárquicas que poderão constituir uma excelente oportunidade de afirmação para o PS, Zorrinho bem podia ter estado calado.

The Satellite/Stax records story (12)

The Mar-Keys - "Morning After" (1961)

Artur Baptista da Silva e o sentido de humor do regime

Enfim... eu sei que o homem tem um registo digno de nota, até parece que já cumpriu pena por desfalque (ou falcatrua do género), mas será que é caso para a Procuradoria Geral da República "se meter ao barulho"? Será que a austeridade fez desaparecer o sentido de humor, o gosto pela pequena transgressão, a atracção pelo "charme" dos Arséne Lupin de ocasião? Estou a ver que sim, excepto àquele que deveria ser o mais acabrunhado de todos, o jornalista Nicolau Santos, mas que numa pequena nota de pedido de desculpas - no seu "mood & tone" - não deixa, contudo, e pela expressão utilizada ("fui mesmo embarretado"), de esboçar um quase-sorriso e aceitar, mesmo que apenas subliminarmente, ter-se deixado seduzir pelo "glamour" do galã Artur.  Era a única atitude inteligente que lhe restava? Talvez, mas por ter sabido manter o seu sentido de humor e ter conseguido discernir, numa situação para si incómoda e quase-limite, qual a resposta adequada, já merece o meu respeito.

A este propósito convém também lembrar aos mais novos, mas também aos mais esquecidos - que os há -, que nos idos de 70 (1973, 1971, para ser mais preciso), em plena "crise do petróleo", um grupo que incluía Mário ("Nicha") Araújo Cabral, o futuro "chef" Michel Costa, "Manecas" Mocelek e Jorge Correia de Campos se fez passar por um conjunto de dirigentes árabes ligados ao principal mentor da OPEP e enganaram bem enganado o jornalista do Século José Mensurado, tendo o jornal publicado notícia de primeira página com tal extraordinário exclusivo. Pois, estávamos em plena ditadura, vivíamos numa sociedade fechada, de um conservadorismo bafiento e tudo o que "cheirava" a transgressão, mesmo que vindo de alguns "playboys" do Portugal de então, era como que uma lufada de ar fresco numa época que já tresandava a fim de regime. Mas convém também lembrar que apesar dessa mesma ditadura, do conservadorismo e do regime não ver com bons olhos qualquer transgressão à modorra instituída, não consta o governo e os poderes oficiais tivessem pedido a cabeça dos "charmeurs" de ocasião e, excepto talvez o pobre do Mensurado (e se calhar até ele, embora não conste o sentido de humor fosse um dos seus activos), todos acabámos por rir a bom rir com um acontecimento que quebrou a monotonia do país provinciano da época. O que, claro, serve de exemplo para a única coisa saudável que devíamos fazer agora.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

4ªs feiras, 18.15h (14) - Bergman (I)

"Smultronstället" ("Morangos Silvestres") - 1957
Filme completo c/ legendas em português

Um primeiro-ministro envergonhado

Quase findo "este" 2012 e a poucos dias de um já conhecido 2013, o pior (ou quase o pior) que poderia acontecer ao primeiro-ministro era ser obrigado a proferir a tradicional mensagem de Natal do detentor do cargo, onde, de acordo com a época, é suposto transmitir-se esperança, conforto, promessas de alguma abastança ou, no mínimo, de dias melhores; onde é suposto ouvir as palavras e ter a companhia dos que pelo nosso bem-estar se preocupam. Por isso mesmo, assistimos a um primeiro-ministro como que envergonhado, proferindo palavras sem qualquer convicção, a pedir interiormente a todos os santinhos e ao Menino Jesus que o tirassem dali - a ele e ao seu desconforto - o mais rapidamente possível. Nas circunstâncias presentes, obrigar Pedro Passos Coelho a dirigir-se aos portugueses no Natal foi sujeitá-lo a uma bem merecida humilhação.

domingo, dezembro 23, 2012

Afinal parece que o homem é uma fraude

Um Bom Natal para todos!

Cordell Jackson - "Rock And Roll Christmas" (1956)

Les Belles Anglaises (68 - III e IV)

The Golden Age Of British Sports Cars (3/4)

The Golden Age Of British Sports Cars (4/4)

Matiné de Domingo (6)

"Sons Of The Desert", de William A. Seiter (1933)
Filme completo c/ legendas em português

A entrevista de Artur Baptista da Silva

Tal como todas as opiniões, a de Artur Baptista da Silva é questionável, mas tem pelo menos dois méritos: vem de alguém com funções oficiais numa organização reconhecida e credível internacionalmente (ONU) e vai não só contra ideias feitas mas também contra a "vulgata" contida em algum do discurso actualmente dominante. E, para além de tudo o mais, é sempre bom conhecer o "outro lado das coisas"... 

Terá razão? Enfim, pelo menos parece sabermos já o suficiente para concluirmos que o que temos actualmente pouco ou nada resolve e que Baptista da Silva diz algumas coisas que fazem sentido, pelo há que lhe dar, no mínimo, algum benefício da dúvida. De resto, o relevo que a TSF concedeu à sua entrevista denota que talvez os "media" se estejam também já a cansar um pouco do discurso de sentido único.

Nota pelas 23.25h: parece que afinal o homem é uma fraude

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Friday midnight movie (21) - Gothic (III)

"The Terror", de Roger Corman (1963)
Filme completo c/ legendas em castelhano

Algumas perguntas a propósito da não-venda da TAP

  1. Aceitamos como "boa" a explicação sobre as garantias bancárias (parece-me bem mais um pretexto do género dos que se arranjam para acabar os namoros...) e as narrativas oficiais do governo ou será melhor investigar um pouco mais? Até agora, o que tenho visto do lado do governo, das oposições e do jornalismo é deveras pobre - e o Natal não pode servir de desculpa para tudo. 
  2. Tratando-se de uma empresa com um grande ligação emocional aos portugueses, não estaremos perante uma decisão em que os factores de natureza política foram determinantes e da qual o governo espera vir a tirar os respectivos dividendos, independentemente de  se tratar (a não-venda a Efromovich) de uma decisão correcta ou incorrecta em termos estratégicos e puramente económico-financeiros? E se estamos perante uma decisão em que as questões políticas stricto sensu podem ter sido determinantes, existirá uma moeda de troca, sendo a TAP a cenoura oferecida aos portugueses e faltando saber qual será o chicote? (RTP/Angola?).
  3. Sabendo que, em princípio, apenas de fora da Europa poderá vir um comprador que permita manter o "hub" em Lisboa, o governo tem alternativas a prazo? Quais? 
  4. Que implicações tem esta decisão e a manutenção ou não do "hub" em Lisboa - que poderá estar em causa? - na privatização da ANA? 
  5. Quem são ou foram os promotores e responsáveis pelo negócio no Brasil e como se chegou à situação actual?
  6. Qual a estratégia do governo para a ligação de Portugal ao exterior - ibérica, europeia e transatlântica - abarcando o transporte aéreo e a rede europeia de alta-velocidade? E como se articula tudo isto com a estratégia de desenvolvimento económico (caso exista), com especial enfoque no turismo e na captação de investimento estrangeiro? 
Era isto que gostaria de saber, mas tenho poucas ou nenhumas esperanças numa resposta.

Les Belles Anglaises (68 - I)

 The Golden Age Of British Sports Cars (1/4)

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Eduardo Barroso é o "tonto da aldeia"


Ou seja: na administração/direcção de uma empresa (neste caso, um clube) cujo "core business" é a produção de espectáculos desportivos de futebol profissional, não existia ninguém que percebesse do assunto. Estamos conversados e não precisamos de ir mais longe para encontrar as razões do descalabro. Ficamos assim também a perceber que quem contratou Jesualdo Ferreira nada percebe de futebol. Também faz sentido. Eduardo Barroso é assim a modos que um género de "tonto da aldeia": diz as verdades que os "respeitáveis" não ousam dizer. 

Jet Harris & Tony Meehan (1)

"Scarlett O' Hara" (1963)

O PS e o Presidente

Continuo a achar patético o constante apelo de dirigentes do PS ao Presidente da República para que este assuma  um papel interventor mais activo na actual situação política - para fazer o quê, não se percebe lá muito bem. Um Presidente da República que, note-se, conspirou abertamente contra o partido, teve responsabilidades relevantes na demissão de José Sócrates e na eleição da actual maioria e, para além de palavras de circunstância, nunca se demarcou consistentemente nem da política do actual governo nem sequer das ofensas à democracia protagonizadas por Alberto João Jardim. Hoje cabe a vez a Francisco Assis, no "Público", personalidade pela qual, aliás, não nutro qualquer empatia e que como político não me parece ultrapasse uma confrangedora mediania (a política é bem mais do que enfrentar os arruaceiros de Fátima Felgueiras).

Para lá de questões de dignidade (sim, eu sei que a moral pouco ou nada tem a ver com a política, mas também aí me parece existirem alguns limites que convém não ultrapassar), a imagem de fragilidade e impotência que o partido transmite aos cidadãos e eleitores é a todos os título confrangedora, o que, aliás, e numa conjuntura extremamente favorável, se reflecte na incapacidade para cavar um fosso em relação ao PSD nas intenções de voto dos portugueses. Em vez de tais apelos patéticos, seria bem melhor a direcção do PS tratasse de demonstrar aos portugueses poder constituir-se como alternativa credível ao actual "estado de coisas". Estou certo o país lhe agradeceria.

Bayer 04 Leverkusen - Sport Lisboa e Benfica

Para os mais esquecidos...

O "Gato Maltês" elege a dupla de ex-maoístas do ano


É sabido que muitos ex-maoístas ocupam posições de relevo da vida pública portuguesa, e até já tivemos um primeiro ministro e vários ministros oriundos dessa área. Até o presidente de uma associação patronal - pessoa que prezo, diga-se - iniciou o seu percurso político brandindo o "livrinho vermelho" e dissertando seguramente sobre "A Justa Resolução das Contradições no Seio do Povo". No jornalismo e entre os comentadores políticos a sua presença está mesmo perto de poder ser considerada dominante. Por outro lado, na chamada "esquerda radical", parte dela oriunda dos chamados grupos m-l e sucessora dos seguidores dos "camaradas" Mao Tsé Tung (escrevia-se assim) e Enver Hoxha (parece que agora já não se escreve assim), as lideranças bicéfalas estão na moda e parecem ter assumido o comando. Por isso mesmo - e sempre atento a estas coisas, acrescente-se - o "Gato Maltês" decidiu eleger a sua dupla de ex-maoístas favoritos deste ano de 2012. E pela sua luta sem tréguas em prol da definição de uma linha justa para a edificação do verdadeiro "Tea-Party" português, em que tanto se distinguiram, o prémio vai para... tan, tan, tan ,tan, HELENA MATOS e JOSÉ MANUEL FERNANDES. Longa vida aos "camaradas", pois!

quarta-feira, dezembro 19, 2012

The best of Chess Rhythm & Blues (4)

The Radiants - "Hold On" (1968)

SCP: a confusão institucionalizada


O jornalismo desportivo português está neste momento perante um dilema particularmente interessante: com a sua tradicional atitude xenófoba e a sua veneração por Jesualdo Ferreira, vai fazer tudo promover o "professor" e "tramar" Vercauteren. Mas, por outro lado, já percebeu que esta confusão que o SCP está a institucionalizar tem tudo para dar errado e, por isso mesmo, não se pode mostrar demasiado entusiasta. Por mim,  como "lampião" e não partilhando a maioria das vezes dos valores e concepções do jornalismo desportivo indígena, vou divertir-me "à grande". Apostam?  

4ªs feiras, 18.15h (13) - "Western" (II)

"Night Passage", de James Neilson (1957)
Filme completo c/ legendas em português

"Empobrecimento", terceiro-mundismo e forças de segurança

É bom lembrar aos mais distraídos que o "empobrecimento", proposto e aplicado por este governo, não tem como consequência prática "apenas" uma redução do rendimento disponível das famílias, com especial incidência na compressão da classe média. Aliás, esta "compressão" é mesmo propositada, já que pelos seus padrões habituais de consumo, e num país desenvolvido, é tradicionalmente a classe média a maior responsável pelo crescimento dos bens importados, com a respectiva contribuição para um eventual desequilíbrio externo. Mas adiante... 

Como disse, o "empobrecimento" assume-se como um objectivo estrutural e, assim, tende a reflectir-se a vários níveis da sociedade, e não só na diminuição directa do "poder de compra". Por exemplo, ele terá as suas consequências no definhamento do Estado Social (muito ligado às classes médias e ao seu desenvolvimento), substituindo a solidariedade inter-classista e inter-geracional pelo "assistencialismo" e por um sistema de pensões baseado em seguros individuais; reservando os serviços gratuitos (saúde, educação) para os mais pobres dos pobres; substituindo o ensino inclusivo pela segregação e segmentação escolares; degradando a qualidade dos vários serviços públicos, enfim... afastando a grande maioria dos cidadãos do Estado e empurrando Portugal para uma estrutura social e económica (o célebre enfoque nas exportações...) com muitas características que encontramos nos países do terceiro-mundo. Escusado dizer que tudo isto será necessariamente acompanhado de algum definhamento democrático e terá, a prazo de uma ou duas gerações, consequência inevitáveis na mentalidade, comportamentos e ambições dos portugueses, tal como a integração europeia o teve em sentido contrário: no do progresso material, cultural e civilizacional. Trata-se, pois, de um projecto estruturado de regressão civilizacional que faz tábua rasa dos legados social-democrata e democrata-cristão que conduziram a Europa do pós-guerra ao progresso e ao bem-estar social.

Vem todo este arrazoado a propósito de um tal projecto de redefinição das funções da PSP e GNR, defendendo esta última (que, recorde-se, ao contrário da PSP, é uma força militar) passe a ter funções acrescidas no "combate à criminalidade violenta e terrorismo". Por diversas vezes tenho neste "blog" manifestado a minha discordância face à existência, de facto, de duas polícias de segurança interna, uma civil e outra militar, dividindo os portugueses entre cidadãos de 1ª (os que vivem em áreas sob a jurisdição de uma PSP civil) e de 2ª, aqueles cuja segurança e apoio é da responsabilidade de uma polícia militar, como o é a GNR. Já há muito ambas deveriam ter sido fundidas numa só, de natureza civil, tal como acontece na maioria dos países europeus mais democráticos e civilizados, integrando também, como corpo especializado na investigação criminal, a actual Polícia Judiciária. Infelizmente, não foi este o caminho seguido e o actual documento propõe mesmo se caminhe em sentido contrário, militarizando a segurança dos cidadãos ao bom estilo terceiro-mundista africano e da América Latina, o que não deixa de fazer todo o sentido em função do projecto estruturado de "empobrecimento" global da sociedade que o actual governo tem para o país.

Mas problema acrescido é a resposta que o Partido Socialista tem para dar a um documento que estará nos antípodas daquela que deveria ser a concepção de sociedade de um partido de raiz ideológica social-democrata. Conforme ouvi hoje no "Fórum TSF" e li no DN, em vez de optar por uma resposta ideológica baseada em princípios políticos claros e inequívocos, a deputada Isabel Oneto embrenhou-se numa série de argumentos processuais, de explicação confusa e natureza meramente conjuntural, facilmente reversíveis e que deixam intacta qualquer opção de fundo por parte do governo. Dizer que tal é lastimável é ser demasiado benigno para um PS que parece não ter rumo nem cultura política, limitando-se a vaguear ao sabor da conjuntura esperando que o poder lhe caia nos braços.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Música? Apenas negócio.


A "coisa" funciona assim: juntam-se dois intérpretes de prestígio, um da área do fado (Carlos do Carmo) e outro da música erudita (Maria João Pires), com a popularidade de um divulgador musical (António Vitorino de Almeida) e mais uns tantos poetas conhecidos e com qualidade indiscutível (Graça Moura, Nuno Júdice, etc), embrulha-se em embalagem de luxo e está feito um CD/DVD para "papalvos" oferecerem no Natal, fazendo figura de gente culta e interessada nas artes. Claro que nada disto tem a ver com música, é negócio "puro e duro" - o que também é legítimo. Mas lá que estou aqui em "ganas", pelo oportunismo que demonstra, para lhe dar o prémio do pior disco do ano...

Da veneração mediática por Jesualdo Ferreira

Existe por parte da imprensa desportiva portuguesa uma autêntica veneração por Jesualdo Ferreira, quanto a mim inexplicável e talvez só comparável àquela que existiu durante muito tempo por Carlos Queiroz. E inexplicável porque os sucessos que Jesualdo Ferreira pode apresentar no seu "curriculum" se limitam as três títulos de campeão nacional, duas Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira todos eles conquistados ao serviço do FCP, clube onde, por todas as razões, legítimas e menos legítimas, que se conhecem, até António Oliveira e um tal Carlos Alberto Silva tiveram sucesso. Acresce que nas suas incursões europeias, Jesualdo Ferreira nada conseguiu de relevante (antes pelo contrário) na sua passagem por dois clubes da classe média ou média/baixa europeia, Málaga e Panathinaikos. Razões para tal veneração? Enfim, talvez por, tal como acontece com Carlos Queiroz, ser licenciado em educação física, optar sempre por apresentar um ar sério e ter um discurso mais ou menos complexificado mas que a maioria dos jornalistas interpreta como sendo professoral e comunicar "conhecimento", "competência", "idoneidade", "sabedoria" and so on. Um dos mitos em que o futebol português é fértil...

"When I Woke Up This Morning" - original blues classics (30)

Charley Patton - "Stone Pony Blues" (1934)

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Os USA e as armas

Fonte: Washington Post, citado pelo Paulo Querido no Twitter

Não deixando de adiantar que nos dias de hoje não faz qualquer sentido, apesar de tal ser ditado por razões históricas e culturais que não podem ser menosprezadas, existam nos USA 90 armas por cada 100 habitantes, e de eu ser um partidário convicto da alteração da lei que o permite, não me parece a simples alteração dessa lei, dificultando o acesso à compra e utilização de armas, tivesse como consequência quase imediata uma redução drástica de episódios como o de Newtown. Em países como a Finlândia e a Suiça existem mais de 40 armas por cada 100 habitantes e ambos não deixam por isso de ser países pacíficos e onde nunca ou raramente acontecem episódios deste tipo. Alterar a lei? Sem dúvida, mas as "raízes do mal" são bem mais profundas e complexas, e é melhor não nos deixarmos levar por voluntarismos demasiado fáceis.

A TAP e os símbolos nacionais

Existe uma clara diferença entre a alienação pelo Estado de empresas como a EDP a REN ou a ANA e a privatização da TAP e da RTP: nos dois últimos casos, embora de modo menos acentuado em relação à RTP, existe uma clara ligação emocional entre os portugueses e essas empresas, e no caso da TAP tal só encontrará talvez paralelo na relação que a maioria dos portugueses igualmente estabeleceu nos últimos anos com a selecção nacional de futebol. E se no caso da RTP a sua gestão tantas vezes política e as opções ideológicas de cada um - até porque uma televisão produz ideologia - ainda muitas vezes se sobrepõem e conseguem mesmo ultrapassar essa relação emocional, no caso da TAP, talvez porque demasiadas vezes vista como o pedaço de território nacional e o "porto de abrigo" em terra alheia e estranha, e até por vezes hostil, os portugueses sempre a consideraram como "sua", e é a partir dessa noção de posse que estabeleceram desde sempre a sua exigente relação com uma companhia aérea à qual sempre pediram a perfeição e nunca desculparam quaisquer falhas. 

Significa isto que esse relacionamento emocional se deve sobrepor sempre à lógica económica e financeira quando da opção ou decisão de privatizar? Digamos que não totalmente. Mas há que ter em conta que a ligação dos cidadãos a um país (e do país com os seus cidadãos) se faz muito através da sua identificação com os símbolos e valores que o representam, e desse modo será sempre indispensável ter tal coisa em consideração antes e durante qualquer opção definitiva. E, para o bem e para o mal - e não tendo eu qualquer objecção de fundo quanto à sua  privatização - a TAP, tal como a selecção nacional, conseguiu edificar-se como um desses símbolos, coisa que este ou qualquer outro governo não podem nem devem ignorar. 

Vai uma rapidinha? - classic uptempo doo wop (10)

Earl Lewis & The Channels - "My Lovin' Baby" (1957)

Franky Vercauteren, o "adjunto" de Jesualdo Ferreira

E eis senão quando - presente trazido pelo Pai Natal? -, "nada nesta mão e nada na outra", Franky Vercauteren, por artes de magia, passou de treinador principal do SCP a adjunto de Jesualdo Ferreira...

Agora mais a sério... A contratação de Jesualdo Ferreira, que como treinador nunca teve êxito em lado algum excepto onde até o Rato Mickey o teria (FCP), pode até ter sido uma questão de oportunidade no momento em que ficou sem trabalho, pode até significar uma inflexão estratégica regressando aos tempos da Academia, já que Jesualdo tem alguma experiência no futebol de formação, mas o que é um facto é que corresponde a uma despromoção de Vercauteren e define desde já o prazo de validade do treinador belga no SCP. É uma "cena" do tipo "o rabo a abanar o cão", já que a ordem das contratações foi a inversa e Jesualdo Ferreira, como responsável de todo o futebol do clube e um passado como treinador e não como dirigente, terá certamente as suas ideias em relação ao futebol que o SCP deve praticar, princípios, modelo e sistema de jogo da equipa principal e por aí abaixo descendo na pirâmide. Aliás, só por este motivo se compreende a sua contratação. E, claro, estas só por um mero acaso coincidirão com as perfilhadas por Franky Vercauteren, preferindo certamente Jesualdo contratar alguém da sua confiança e consigo alinhado em termos de ideias e, até, lealdade pessoal. Por fim, o habitualmente xenófobo jornalismo desportivo português não deixará de dar uma mãozinha a Jesualdo, fechando o círculo. Resta saber com que motivação irá Vercauteren trabalhar até final da época, mas também é sabido muito pouco já tem para conseguir.

Concluindo, e assim de uma penada, eis como Godinho Lopes baralhou e tornou a dar, o que aliás tem feito desde que despediu Domingos Paciência, também ele, pelas razões que aqui alinhavei, um manifesto erro de "casting". No fundo, o que salva o presidente do SCP é os associados do clube saberem que neste momento a alternativa a Godinho Lopes é o populismo, e de "bigodes" já por lá terem tido exemplo.

domingo, dezembro 16, 2012

London Public Houses (12)





The Red Lion
2 Duke of York Street, St. James'sLondon SW1Y 6JP
Tel :020 7321 0782

"One of London's most magnificent pubs, a realmust on any visitor's list. From the outside it looks pleasant enough, plain brick with some ornate ironwork, typical of many in town; inside there's a wonderful and surprising contrast. 


Dazzling 'brilliant-cut' mirrors cover the walls, their intricate patterns sparkle as they catch the light, giving the impression of a much bigger space. This pub is really quite small and it seems remarkable it was once divided into several smaller bars. The island counter made from rich polished mahogany adds to the glare. Glass and mirrors were very fashionable in the late 1800's and as the technology improved, the designs became more ornate and intricate. To modern tastes it may seem almost too garish. 

Built in 1821 on the site of a previous pub, the Red Lion was redesigned in the 1870's. It is often described as a 'gin palace' but was refitted long after the 'mother's ruin' gin era. This pub was designed to impress and create an aura of opulent respectability. It served the staff of the surrounding grand houses and, in its own way, provided some of the sumptuous 'above stairs' living for those 'below stairs'. 

Taken over by independent London brewer, Fullers, in 2009, it now stocks most of their regular and seasonal ales, plus guests; all in tip-top condition. The food is 'home made' and freshly cooked, with classics such as steak and ale pie, fish and chips and bangers and mash, all at a reasonable £8'ish. Good, knowledgeable staff add to a friendly atmosphere."

Matiné de Domingo (extra)

"Elephant", de Gus Van Sant (2003)
Filme completo c/ legendas em português

Nota: Por questões de evidente actualidade relacionadas com o massacre da escola de Newtown, Connecticut, o "Gato Maltês" decidiu substituir hoje a temática habitual dos filmes incluídos na "matiné de domingo" por este excelente filme de Gus Van Sant, descrevendo, de modo ficcionado, um massacre numa escola dos USA. O filme foi Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2003. Escusado dizer que é de visão mais do que obrigatória por adolescentes e familiares.

André Gomes e Nemanja Matic

  1. André Gomes tem indiscutivelmente boa técnica, visão de jogo e qualidade de passe. Sabe "pisar" e tem boa planta física. Mas falta-lhe (ainda?) algo essencial no futebol moderno e muito especialmente naquela posição (nº 8): alguma agressividade e, principalmente, uma muito maior intensidade de jogo. Terá de as adquirir se não quiser ser mais uma esperança eternamente adiada do futebol do meu clube.
  2. No antípodas está Nemanja Matic. Numa equipa que joga habitualmente com dois "pontas de lança", num 4x4x2 que é muito mais um 4x2x4 (sem nos metermos por questões de dinâmica de jogo para não complicar), sem um "10", mesmo que "moderno", ou um um construtor de jogo, um jogador como Matic, muito mais "técnico" e móvel que Javi Garcia, permitindo "começar a jogar" bem mais "cá atrás" e assumindo-se frequentemente, "à vez" ou até simultaneamente, como "6", "8" e "10", dá à equipa a possibilidade de colmatar a inferioridade numérica no "miolo" e a fragilidade gerada pela inexistência de um "8" maduro ou de raiz, como o era Witsel, ou de um construtor de jogo em zonas mais avançadas. Ontem foi simplesmente soberbo. 

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Friday midnight movie (20) - Sci-Fi (III)

"Beast From Haunted Cave", de Monte Hellman (1959)
Filme completo c/ legendas em português

Nota: trata-se do primeiro filme de Monte Hellman, hoje em dia um cineasta de culto. O "Gato Maltês" considerou o seu último filme, "Road to Nowhere", a par de "Sangue Do Meu Sangue", de João Canijo, o melhor filme estreado em Portugal em 2011.

História(s) da Música Popular (205)

The Crystals - "There's No Other (Like My Baby)"

The Crystals - "Uptown"

Phil Spector (V)

Ora bem... Em minha opinião será com as Crystals e com estes dois temas que Spector começa a aproximar-se do "wall of sound" que o deixaria rico e famoso. Ambos foram gravados em 1961 (#20 e #13 no "hit-parade", respectivamente) para a Philles Records, formada por Phil e Lester Sill (este abandonaria a parceria em 1962 ficando Spector dono a tempo inteiro) e que seria até 1967 a editora responsável por muitas das obras (é disso mesmo que se trata) de Phil Spector, incluindo os emblemáticos "River Deep, Mountain High", de Ike & Tina Turner, "He's a Rebel" e "Da Doo Ron Ron", das Crystals, e "Be My Baby" das Ronettes de Veronica Bennett, later Ronnie Spector. Ah! e como estamos na época, do mais do que célebre "A Christmas Gift For You", considerado por muitos (por mim também) como o melhor álbum de Natal de música popular de sempre.

The Saturday Evening Post Xmas (IV série - 2)

O comunicado da Newshold e o estilo "Jornal de Angola"

Mesmo pondo de parte um "novo-riquismo" ao estilo "eu tenho dinheiro, eu quero, eu compro" (que outra coisa seria de esperar?), achincalhando o Estado português, os seus empresários, cidadãos e dificuldades por que passam, encontramos no comunicado da Newshold sobre a sua candidatura à compra da RTP muito do estilo e conteúdo dos célebre editoriais do "Jornal de Angola", de que este e este são apenas dois dos mais ignóbeis exemplos. Se alguém ainda poderia ter dúvidas (o que não acredito) sobre qual o interesse do capital e do Estado angolanos (são uma e a mesma coisa) nos "media" portugueses, em geral, e na RTP, em particular, penso este comunicado da Newshold é perfeitamente self-explanatory. Eu, como cidadão português, sinto-me envergonhado com a cedência do governo (e não só: o PS escuda-se na sua posição anti-privatização para evitar falar do assunto) a este tipo de gente e de interesses.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

The Satellite/Stax records story (11)

Hoyt Johnson - "I Just Can't Learn"/ "Cindy" (1961)

O programa político dos credores

Ora vamos lá ver para que não nos tomem por parvos... A recente decisão do governo em diminuir para doze dias por ano de trabalho a indemnização em caso de despedimento, com desprezo total pelo CES e recebida com a oposição das centrais sindicais e a indiferença das organizações patronais (e até mesmo um breve desabafo crítico por parte de João Vieira Lopes, da CCP), tal como quase todas as medidas mais ou menos recentes destinadas a reduzir o valor do trabalho e a aumentar a flexibilidade laboral, não se destinam, fundamentalmente, a aumentar a competitividade das empresas. Ninguém, no seu perfeito juízo, acha que o problema português de competitividade se resolve por via salarial. Na sua essência, elas têm como objectivo, isso sim, diminuir o nível da actividade económica através da redução do consumo interno (quem não tem trabalho ou se arrisca a ser despedido com uma baixa indemnização tende a poupar em vez de gastar e com a procura em queda e a incerteza futura nenhum empresário pensa em investir) e, assim, a baixar o volume das importações, reduzindo o "déficit" externo, evitando o crescimento da dívida e facilitando o seu pagamento. É a isto (redução do nível de actividade e equilíbrio das contas externas, "custe o que custar"), a este verdadeiro programa político dos credores, que o governo e a "troika" se referem quando falam no "empobrecimento" e no "sucesso" do "reajustamento", mas para tal se tornar sustentável será necessário que o que agora pode ser interpretado como conjuntural se torne estrutural, isto é, que o "empobrecimento" tenha vindo para ficar e o crescimento se faça por via das exportações e sem que isso tenha como consequência uma pressão inflacionista sobre os salários. Estamos entendidos e sabemos o que nos espera?

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Do declínio da "bica"

Parece que a crise, o aumento do IVA e o café em "pastilhas" (vulgo "Nespresso") serão responsáveis por cerca de menos dez milhões de "bicas" vendidas este ano no chamado "on trade", isto é, fora de casa. Tudo más razões: a melhor razão para se beber mais vezes café em casa é que, se soubermos escolher um bom café e o formos moendo "au fur et à mesure" (e eu prefiro o Colômbia Supremo, o Arábica Maragogype, da América latina, ou o etíope Moka Harar), ele sabe muito melhor, feito em balão ou até naquelas pequenas cafeteiras prateadas de "ir ao lume". Para além disso, podemos bebê-lo confortavelmente sentados num sofá, a ler, conversar ou ver qualquer coisa de interessante na televisão. Só vantagens, pois claro.

4ªs feiras, 18.15h (12) - "Cinema Novo" (I)

"António das Mortes" (aka "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro"), de Glauber Rocha (1969)
Filme completo na versão original brasileira

Mário Soares e os vencidos do 25 de Abril

Mário Soares tem cometido nos últimos tempos demasiados erros políticos para alguém com o seu passado e a sua estatura de estadista, vidé as candidaturas ao Parlamento Europeu e à Presidência da República. Para além disso, sou de opinião se devia resguardar mais do espaço mediático, até porque, independentemente da razão que lhe possa assistir no conteúdo das suas intervenções públicas, o que é outro assunto que não cabe aqui discutir, acaba por se tornar repetitivo por todos conhecermos já a sua opinião, aliás relevante, concorde-se ou não, sobre o momento político presente, a nível internacional e internacional.  

Tendo dito isto, pergunto-me porque Mário Soares, que dirigiu a luta contra a hegemonia do PCP e da esquerda radical durante o chamado PREC e foi o líder indiscutível da normalização democrática, mas hoje em dia, até em função de erros políticos recentes, com uma influência já limitada na sociedade portuguesa, acaba mesmo assim por gerar tantos ódios em alguns sectores da direita menos esclarecida e mais "trauliteira". Pondo de parte a questão da descolonização e das infundadas e ideologicamente primárias acusações que alguns sectores de ex-colonos africanos lhe dirigem, questões em fade out e que já muito pouco dirão a quem tem menos de sessenta anos, parece-me a explicação só pode residir no facto de Soares e o Partido Socialista, por si tanto tempo dirigido, terem sido, durante muito tempo, o principal obstáculo ao espírito "revanchista" dos vencidos do 25 de Abril, agora  reavivado por um governo no qual, apesar de não ser "o seu", tendem a identificar alguns dos elementos da visão retrógrada que têm de e para o país. É isso que esses sectores não lhe perdoam, nem nunca lhe perdoarão. Pois por mim, apesar dos demasiados erros recentes que lhe reconheço, "que viva mil anos".   

Ravi Shankar (1920-2012)

Raga Mishra Gara

terça-feira, dezembro 11, 2012

Relvas e os "media": "um almoço nunca é de graça"


O problema é exactamente este: para garantir a sua viabilidade económica - e como "um almoço nunca é de graça" -  um grande número de orgãos de comunicação social privados não se importarão de vender a alma ao Diabo (isto é, ao ministro Relvas ou a outro qualquer ministro Relvas deste mundo), provando que a privatização não é necessariamente e por si só condição sine qua non de independência dos "media" face ao poder governamental. E, claro, prova também em como a crise, com as fragilidades que gera, constitui uma oportunidade única para uma maior interferência do Estado na vida das empresas. É que de vez em quando convém lembrar estas coisas, não vão as mais entusiastas ficar demasiado excitados...

Manoel de Oliveira, 104 anos

"Douro, Faina Fluvial" (1931)

Coerência...

Ora bem, recapitulando: o governo vendeu a EDP e a REN ao estado chinês. Agora, prepara-se para vender a RTP ao estado angolano e a TAP a um tal colombiano de nome Efromovich. Pelos vistos o "empobrecimento" passa também pelo terceiro-mundização do país. Ok, faz sentido, nada como a coerência...

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (15)

The Impressions (with Jerry Butler) - "For Your Precious Love" (A. Brooks, R. Brooks, J. Butler)
Original de 1958 para a Vee-Jay Records

A versão de Otis Reding (1965)

Isabel Jonet ataca de novo

Confesso estou aqui a torcer-me e retorcer-me tentando não responder a esta senhora da forma directa como desejaria e certamente ela merecia pelas suas continuadas provocações. Mas como acho sou pessoa educada, vou tentar evitá-lo. Mas não, não são gaffes, lapsos de comunicação, afirmações que entendemos mal. Nada disso: são mesmo provocações e esta senhora é mesmo assim. E não só não o esconde como faz gala nisso, gozando na cara com todos aqueles que, apesar de discordarem das suas afirmações, insistem em contribuir para o Banco Alimentar Contra a Fome, a instituição onde Isabel Jonet ancora o seu poder para uma intervenção política reaccionária e fortemente ideológica. E insisto: quem continua a contribuir para o Banco Alimentar, enquanto ele for dirigido por Isabel Jonet, desculpando-se com a efectiva actividade meritória da instituição (existem dezenas de IPSS, religiosas ou não, para as quais se pode contribuir em alternativa) ou escudando-se nos tais "brandos costumes" mal atribuídos aos portugueses, ou em qualquer outra desculpa esfarrapada, está a caucionar com essa sua atitude a difusão da ideologia e práticas políticas de que Isabel Jonet se faz portadora e activista. E mais não digo para não correr o risco de me exceder... 

segunda-feira, dezembro 10, 2012

SCP - SLB e os meus nervos em franja...

Sim, claro, ganhámos, e estou muito contente, mas confesso aquela primeira parte me deixou com os nervos em franja. Contra um SCP que se posicionou muito bem defensivamente, num bloco médio-baixo a explorar a velocidade dos alas e o espaço atrás dos defesas do SLB nas saídas para o ataque, o "Glorioso" mostrou as dificuldades do costume nestes casos, quando joga contra equipas "melhorzinhas": circulação de bola medíocre, ausência de acelerações no último terço do campo por falta de espaço para os habituais "um para um" dos extremos e Maxi a dar demasiado espaço nas suas costas e com isso a intranquilizar os centrais, que acabam por ter de jogar demasiadas vezes de costas para a bola. Mas isto não é bem "defeito", é "feitio", isto é, faz parte dos princípios e modelo de jogo perfilhados por Jorge Jesus e estes têm estado também na base de muitas vitórias. E "sol na eira e chuva no nabal" é coisa que não existe. Mas lá que "dá cabo dos nervos"...

Bernardo Marques (23)

Capa de Bernardo Marques para o magazine "Civilização" (Abril de 1929)

Da tablódização do "Público"

Depois e uma história qualquer que alegadamente envolvia Passos Coelho, a Tecnoforma e uma ONG com ligação a ambos, o Público", para compensar e "está-se mesmo a ver" que a pedido, contra-ataca hoje com um patrocínio indirecto ao piloto Tiago Monteiro, prometido por um dos governos Sócrates, não cumprido e etc e tal. Confesso que ambas as histórias, (ou deverei dizer, escândalos"?) pertencem à categoria de notícias que pouco ou nada me interessam, e por isso me limitei a ler ambas em rápida diagonal. Mas a moral da história é a seguinte: está o "Público", lenta ou mais rapidamente do que o esperado, a tablódizar-se? É que não me parece seja grande ideia, nem tal caminho lhe augure grande futuro?

Marques Mendes está "a gozar com o pagode"

Marques Mendes - que até foi um razoável líder político do PSD - é a prova provada da actual tendência das televisões, principalmente da TVI, em reduzir o comentário político a um conjunto de "soundbites" e quanto mais brejeiros melhor. Com Marcelo Rebelo de Sousa já tínhamos a espuma dos dias, a "petite politique" a ocupar o lugar que deveria pertencer por direito próprio à análise estruturada e lúcida; agora, com Marques Mendes, descemos mais uns degraus e estamos a chegar ao nível de quase (?) "lixo". É que, infelizmente, não é só Vítor Gaspar e o primeiro-ministro que estão "a gozar com o pagode" ou a tratar os portugueses como "atrasados mentais". Ao "empurrar" para um nível tão baixo os padrões do comentário e da análise política, em vez de contribuir para tornar mais perceptível a "causa e consequência das coisas", é o próprio Marques Mendes que está a "gozar com o pagode", isto é, está a dar a sua contribuição para a desinformação dos portugueses assim contribuindo assim para que estes aceitem de forma ainda mais passiva e acrítica que um qualquer governo ou dirigente político os trate como "atrasados mentais", substituindo uma política que promova o desenvolvimento, a civilização e a cidadania por uns quaisquer "beijos e abraços" mais ou menos Kim Il Sunguianos ou Peronistas de "afectividade"

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Friday midnight movie (19) - Grindhouse/Slasher (II)

"Sleepaway Camp", de Robert Hiltzik (1983)
Filme completo c/ legendas em português

Ravel e Jos Van Immerseel

Maurice Ravel (1875 - 1937) - "Bolero" (Parte I)

(Parte II)

A entrevista de Seguro e os "media"

Líder do principal partido da oposição e alternativa a um governo com uma base de apoio cada vez mais reduzida, mesmo nos partidos que o apoiam; um governo que impõe aos portugueses uma austeridade nunca antes vista ou sentida e que tem como desígnio assumido o "empobrecimento", a entrevista de ontem, na TVI, a António José Seguro tinha praticamente tudo para se tornar num acontecimento mediático de relevo numa comunicação social sempre pronta e disposta a gastar tempo infinito com quase coisa nenhuma (e a entrevista foi quase "coisa nenhuma"). E, no entanto, tal não aconteceu: a repercussão, mesmo nas televisões e no próprio dia da entrevista, foi pouco mais do que inexistente, ao contrário do que aconteceu com um "soundbite" do político/militante/comentador Luís Marques Mendes. Um assunto que deveria dar que pensar a António José Seguro e à direcção do Partido Socialista, mas também, e em última análise, aos responsáveis pela comunicação do partido. 

O SCP e o adiamento do "derby"

Ao pretender, sem qualquer base legal, adiar o seu jogo com o SLB para terça-feira, o SCP está a tentar criar à volta desse jogo um ambiente de conflito e crispação que - pensa -, e tratando-se de um jogo em "casa", lhe poderá trazer alguns benefícios. Tendo jogadores importantes a recuperar de lesões e apenas voltando a jogar no sábado seguinte, não vejo razões para o SLB não anuir a essa pretensão "leonina", desmontando assim o factor de diversão saloio, ao nível do que há de pior no futebol indígena, que a direcção do SCP, em dificuldades evidentes para justificar perante sócios e adeptos uma época desastrosa e uma situação financeira à beira do colapso, está a tentar criar. 

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Nuno Santos, a RTP, a árvore e a floresta

Não sei se Nuno Santos é ou não responsável por ter autorizado o visionamento e/ou cedência de imagens não editadas da manifestação junto da Assembleia da República, e duvido alguém, para lá dos intervenientes directos neste imbróglio, o saiba. Se o fez, incorreu num crime, já que apenas o poderia ter feito em cumprimento de mandado judicial. Se o não fez e foi afastado por motivos políticos, é grave, embora tal não seja caso virgem nem tipo de comportamento ao qual não estejamos, infelizmente, demasiado habituados.

Mas mesmo assumindo que terá sido vitima de uma cilada, o que torna o seu afastamento ainda mais grave, estamos perante um problema conjuntural, isto é, nada que não possa vir a ser corrigido facilmente num futuro mais ou menos próximo por este ou qualquer outro governo. Já a eventualidade do Estado ceder uma parte significativa do capital da RTP a uma entidade privada, coisa que, teoricamente ou em termos puramente abstractos, não me chocaria demasiado, é uma modificação de natureza estrutural, querendo isto significar que modifica a estrutura accionista da empresa, o seu modelo de gestão, a sua relação com os "stakeholders" e pode mesmo ter implicações decisivas na democracia e na presente e futura liberdade de informar, devendo por esse motivo ser objecto de escrutínio rigoroso pela Assembleia da República e por todos os cidadãos. Se essa cedência tiver como destinatário um grupo económico onde o poder é partilhado pela Cofina, detentora do Correio da Manhã com a sua filosofia jornalística(?) e o seu triste registo de conteúdos, aliado a capital de um país onde não existe liberdade de expressão, de informar ou sequer liberdade empresarial, e no qual nada se faz sem ou muito menos contra a elite corrupta no poder, o assunto excede em muito, na sua gravidade, o caso Nuno Santos ou, não querendo com isto aligeirar a sua gravidade (longe disso), quaisquer outros casos conjunturais do mesmo teor. É por isso que, embora se conheça demasiado bem a estratégia do governo em "atirar o barro à parede a ver se pega" e o sem número de opções que já anunciou para o grupo RTP, vejo com alguma estranheza um assunto que é estrutural ser claramente preterido, no seu tratamento político e mediático, em favor de uma questão que pode ser grave, sem dúvida, mas de natureza meramente conjuntural, vendo a árvore mas ignorando ostensivamente a floresta. "Business as usual", compete perguntar?

Dylan & Byrds (4)

"Chimes of Freedom" - o original de Bob Dylan incluído no álbum "Another Side Of Bob Dylan" (Verão de 1964)

A versão dos Byrds incluída no seu primeiro álbum, "Mr. Tambourine Man" (1965)
Nota: um dos meus temas preferidos dos Byrds

Duas notas sobre os jogos de ontem

O desequilíbrio da Liga portuguesa ficou ontem bem patente em duas áreas e dois jogos distintos:
  1. O SC Braga, que nos últimos anos foi a equipa que mais se conseguiu aproximar de SLB e FCP, não conseguiu mais dos que três pontos num grupo da Champions League que contava com "colossos" do futebol mundial como o Cluj e o Galatasaray.
  2. As oportunidades esbanjadas pelo SLB em Camp Nou não acontecem por acaso: numa Liga desequilibrada como a portuguesa, equipas como o SLB e o FCP podem normalmente dar-se ao luxo de esbanjar inúmeras oportunidades de golo por jogo sem que tal ponha em causa a sua vitória. O rigor, concentração, responsabilidade e decisão na hora de rematar à baliza adquirem-se, ou melhor, não se adquirem, aí. Já agora, e tal como eu tinha dito em tempo oportuno, o problema não foi a derrota em Moscovo, embora indiscutivelmente um mau resultado: um empate, resultado normal, teria deixado ontem tudo na mesma. O problema foi a vitória do Celtic contra o Barça, daí a justiça do seu apuramento.

FC Barcelona - SLB

Existem duas maneiras de analisar o afastamento do SLB da Champions League. Uma focada no inacreditável desperdício de oportunidades de golo em Camp Nou, a provar que a diferença entre apenas bons avançados e avançados com classe está muitas vezes na frieza, decisão e técnica de remate. A outra ensina, para o caso de ainda ser necessário, que deixar a qualificação para Camp Nou, mesmo contra um Barça de ocasião mas com a agravante do Celtic jogar em casa contra um Spartak para o qual o jogo nada adiantava, não é decisão avisada, e as probabilidades de êxito serão sempre muitíssimo remotas. E o curioso é que ambas as abordagens são verdadeiras.

Por fim, acabou por apurar-se a única equipa que conseguiu ganhar ao F.C. Barcelona, o que fez toda a diferença e, por muito que me custe, não posso deixar de considerar justo.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

4ªs feiras, 18.15h (11) - Hitchcock (I)


"The 39 Steps", de Alfred Hitchcock (1935)
Filme completo c/ legendas em português

The Big Easy (8)

Little Sonny Jones - "I'm Loaded"

O PSD e a qualidade dos seus quadros

Nos primeiros anos da democracia, um dos principais activos do então PPD era a qualidade dos seus quadros, muitos vindos da gestão das empresas (empresas "à séria" e não as "Tecnoformas" deste mundo) e dos grandes grupos económicos de então e outros com experiência política adquirida nas "margens" da ditadura ("ala liberal", por exemplo) ou em organizações "para-legais" de índole tecnocrática ou católica. O contraste com o PS era notório, já que a experiência política dos principais quadros socialistas se limitava à militância na oposição democrática e a grande maioria provinha de profissões liberais como a advocacia, que não tinha as características empresariais de hoje. Lembrei-me disto ontem ao ver a deprimente prestação televisiva da deputada Teresa Leal Coelho (PSD) perante aquele que se revelou talvez o melhor e mais preparado político socialista da era José Sócrates, Pedro Silva Pereira. Se a desqualificação do pessoal político atingiu um pouco todos os partidos, passada, pela marcha do tempo e pelo afastamento voluntário de muitos deles, a época dos fundadores e primeiros dirigentes do PSD, será caso para dizer que terá sido este o partido que mais sofreu, na qualidade dos seus quadros e dirigentes, da erosão do tempo, circunstância à qual o dinheiro fácil e a promoção da sociedade emergente dos tempos do "cavaquismo" não terão sido alheias. Pena que o actual PS de António José Seguro pareça estar já a sofrer do mesmo mal.

terça-feira, dezembro 04, 2012

A RTP e a "Angola connection"

Tendo em atenção as conhecidas ligações de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Ângelo Correia e Alberto da Ponte à chamada "Angola connection", e dadas as ausências de liberdade de expressão e iniciativa empresarial nesse país, a confirmar-se a venda de 49%, com o Estado no papel de "silent partner" e "facilitador" abdicando da respectiva gestão, do grupo RTP à Cofina, alanvacada pelo grupo angolano Newshold, ou seja, pelo próprio Estado angolano, estamos perante aquele que pode vir a ser um dos maiores, se não mesmo o maior escândalo da democracia portuguesa.

Fico a aguardar a posição do PS em relação ao negócio, mas suspeito a resposta seja o silêncio. Ensurdecedor, pois claro.

British Beat Before The Beatles (5)

Johnny Kid & The Pirates - "Please Don't Touch" (1959)

segunda-feira, dezembro 03, 2012

The Saturday Evening Post Xmas (IV série - 1)

Norman Rockwell

The One & Only Rolling Stones (4/4)

Documentário da BBC (2003)

RTP: "tirar o Estado das empresas"?


Não sei se estou a perceber bem, mas o que me parece é que o comprador (por certo um grupo de investidores "amigo", talvez com ligações à "Angola connection"), tendo apenas de desembolsar um pouco menos de metade do valor do grupo de empresas, fica efectivamente a "mandar" no negócio e ao Estado resta o papel de "silent partner" e de eventual "facilitador" quando isso der jeito? Será assim que se pretende "tirar o Estado das empresas" ou esta é mais uma daquelas tentativas "toca e foge" a que o governo nos vem habituando?

Das razões do sucesso do "Banco Alimentar"

Independentemente dos méritos de gestora e relações públicas de Isabel Jonet, existem duas facetas fundamentais e independentes da sua presidente que estiveram na base do sucesso do Banco Alimentar Contra a Fome:
  1. Em primeiro lugar o facto da contribuição ser em géneros, em produtos alimentares, logo, destinados a combater a "fome" (cujo objectivo, aliás, está inscrito no próprio nome da instituição, reforçando o fim a que se destina), sempre tida, a par com a doença, como "o maior flagelo da humanidade". Ao contrário das contribuições em dinheiro, que podem ser aplicadas consoante a vontade ou as necessidades dos destinatários, neste caso o "dador" sabe, à partida, a que tipo de ajuda o seu donativo se irá destinar. Para além disso, existe na sociedade portuguesa (pelo menos, na portuguesa) uma tradição, muito judaico-cristã, assistencialista, da "sopa dos pobres" e de nojo ao dinheiro, não poucas vezes ligado à ideia que poderá ser gasto "na taberna" ou esbanjado sabe-se lá onde: vinho, jogo, mulheres, isto é, coisas ligadas ao vício pagão e não à virtude cristã. Isto para não falar dos "pobres ao cuidado de cada família", que nos batiam à porta com regularidade e aos quais de dava habitualmente como esmola roupa e comida. Assim existia a garantia da "genuinidade" da pobreza. Independentemente dos méritos da sua acção - que os tem - é toda esta tradição e valores que o Banco Alimentar recupera, adaptando-a à contemporaneidade. 
  2. Depois, a metodologia utilizada, de recolha nos supermercados, locais de enorme concentração (por alguma razão políticos em campanha privilegiam mercados e feiras), com voluntários muito jovens e quase sempre em número excessivo face ao trabalho necessário, com pilhas de produtos doados colocados à porta já prontos para serem distribuídos, dá enorme visibilidade e um certo ar de "festa" à acção, potenciando a sua mediatização televisiva e quase "forçando" os cidadãos a contribuir (será uma quase vergonha se alguém não alinhar com a maioria numa causa tida por justa a altruísta). Digamos que, tal como as reuniões femininas definem o conceito "Tupperware" e fizeram o êxito da marca, é a recolha nos supermercados e o modo como é efectuada que definem o conceito "Banco Alimentar",a sua "uniqueness", e muito contribuíram para o sucesso da instituição. Pena que Isabel Jonet, que não foi a criadora do conceito mas terá tido a sua quota-parte de mérito no desenvolvimento da instituição, se sirva de uma marca de indiscutível sucesso e de meritória actividade para a sua militância política. Mas isso são já "outros quinhentos"... 
Nota: os responsáveis pela comunicação do Banco Alimentar Contra a Fome fizeram este fim de semana um excelente trabalho, conseguindo minimizar os efeitos das (no mínimo) polémicas declarações anteriores de Isabel Jonet.

domingo, dezembro 02, 2012

The One & Only Rolling Stones (3/4)

Documentário da BBC (2003)

PCP e BE: pode alguém ser quem não é?


Ou seja, como verdadeiro partido marxista-leninista que nunca deixou de ser, temos aqui mais um bom exemplo do "frentismo" hegemonizado pela classe operária e pelo seu partido, que vem desde os tempos do MUD, passando pelo MDP e pelas tentativas de criar, durante o PREC, o então chamado PBX ("Partido Berdadeiramente Xuxialista"). Perante isto, o Bloco de Esquerda continua também ele prisioneiro da "grande unidade das forças de esquerda", tão cara ao "trotskismo" ou pelo menos a algumas das suas correntes, oferecendo-se em holocausto para o papel de "capuchinho vermelho", mas sem final feliz, engolido pelo Lobo Mau do costume. E para que tudo fique ainda mais igual, temos da parte do PCP a catilinária  habitual expressa no "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" ou no "Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista"), cujo papel deixou de ser assumido pelos grupos maoístas e pelo PRP-BR de antanho e passou agora para os "indignados" e "ofícios correlativos". Digamos que nos tempos que vão correndo, e - arrisco - nos que hão-de chegar num futuro previsível, tudo isto é demasiado ridículo e de uma inutilidade absoluta. E, passados os "salad days" de muitos, já nem divertido é...

Matiné de Domingo (4)

"Les Girls", de George Cukor (1957)
Filme completo c/ legendas em português