quarta-feira, outubro 31, 2012

4ªs feiras, 18.15h (6) - "Cinema Militante" (I)

"Salt Of The Earth", de Herbert J. Biberman (1954)
Filme completo c/ legendas em inglês

Onde se fala da proposta "refundadora" e da sua semelhança com a Batalha das Ardenas

Parece-me ser visível algum desconforto do PS face ao convite de Pedro Passos Coelho para uma "refundação" do MoU, o que, como aqui disse, significa, em versão descodificada, uma proposta para reduzir drasticamente o Estado Social, uma conquista civilizacional de todos os europeus (socialistas, sociais-democratas, conservadores, cristãos-democratas, liberais e comunistas). Por um lado, o PS não pode recusar-se ao diálogo sob pena de ser acusado por PSD e CDS de tudo o que o profeta Maomé disse do porco (escuso-me de exemplificar); mas deve também convencer-se que essa cedência ao diálogo pode, de imediato, ser vista, logo à partida, como indício de fragilidade e possível sinal de capitulação. De igual modo, caso se mantenha intransigente na defesa das suas posições em favor do Estado Social será acusado pela actual maioria governamental de ser o responsável pela manutenção de um nível de impostos acima do suportável, arriscando-se a assistir a uma possível erosão, no mínimo, a  algumas hesitações ou até enfraquecimento sério das suas bases de apoio social e eleitoral, onde a classe média tem enorme relevância e a cultura política está longe e ser sólida. Por outro lado, a mínima transigência para com as propostas de PSD e CDS, para além de também não ser isenta de riscos em termos eleitorais, principalmente na perspectiva do PS poder vir a reconquistar eleitores perdidos para o BE ou potenciais abstencionistas, será vista por muitos sectores do partido e da sociedade como inaceitável e colocará a frágil liderança de Seguro em perigo e até o partido em sério risco de desagregação.

Digamos que é entre estes dois parâmetros que o PS terá, com inteligência e tacto político, de fazer o seu caminho, mas convém admitir desde já que esta proposta de PSD e CDS é assim um pouco a modos que a "Batalha das Ardenas" do governo: apanha o adversário relativamente desprevenido e distraído no seu impulso atacante, fá-lo abanar e hesitar e, não chegando para ganhar a guerra, poderá atrasar o seu fim e, entretanto, causar-lhe alguns importantes dissabores. Convém portanto que o PS não menospreze o assunto.

Victor Palla (6)


Capa do romance "O Cais das Colunas", de Tomaz Ribas, nº 9 da Colecção "Autores Portugueses" da Editora Arcádia (1959)

terça-feira, outubro 30, 2012

Fernando Ulrich: o banqueiro "pop star"

Fernando Ulrich sempre cultivou a imagem do banqueiro "informal", "terra a terra". Talvez por personalidade ou por necessidade estratégica de contrastar com a sobriedade formal e o recato que são normalmente, e quanto a mim bem, paradigma dos seus pares. É esta última atitude que esperam os cidadãos daqueles a quem dão a gerir o seu dinheiro. Durante muito tempo tal imagem funcionou, e Fernando Ulrich quase se tornou estrela "pop", animador convidado de debates e fóruns televisivos, arriscando mesmo incursões na antecâmara do comentário político. Acontece que hoje terá perdido o controle sobre essa sua imagem e a criatura usurpou finalmente o lugar do criador. É frequente tal acontecer quando sistematicamente se joga no risco, se caminha no fio da navalha, se arrisca em equilíbrios à beira do abismo, coisa que banqueiros avisados e experientes sempre evitaram fazer. Se tal fosse ainda necessário, ficou hoje provada a sua razão. 

Les Belles Anglaises (66)




Vanwall - o mais bonito F1 alguma vez construído
Vencedor do mundial de construtores em 1958

Dylan & Byrds (1)

Bob Dylan - "Lay Down Your Weary Tune" (tema escrito e gravado em 1963 mas apenas editado por Dylan em 1985)

A versão dos Byrds editada no álbum "Turn! Turn! Turn!", o 2º do grupo, em Dezembro de 1965

"The Body Farm"


"The Body Farm" substitui a partir de hoje "DCI Banks", que vê terminada a sua primeira temporada. Não é uma estreia, mas ainda não tive oportunidade de ver qualquer episódio. Para os mais ou menos familiarizados com os policiais britânicos, direi que se trata do "spin off" de uma das melhores séries policiais da BBC e certamente uma das minhas favoritas ("Waking the Dead", histórias do "cold case unit" dirigido pelo Detective Superintendent Peter Boyd), como minha favorita é também Tara Fitzgerald, a doutora Eve Lockhart das últimas temporadas de "Waking the Dead" e também deste "The Body Farm". Como ainda não vi, não faço juras de amor eterno ou sequer de um "flirt" fugaz. Mas convém estar atento, até porque, em matéria de séries do lado de lá do Canal, "Downton Abbey" é cada vez mais uma entediante desilusão.

Constituição e ideologia

Não sou um defensor ferrenho de alguns dos aspectos mais datados e retóricos da actual Constituição. Não a considero "vaca sagrada" mas também não penso ela seja um entrave a um desenvolvimento equilibrado e sustentável que torne o país mais progressivo, civilizado e menos desigual. Aliás, foi com esta Constituição, com todos os seus defeitos e virtudes, que Portugal viveu aquele que foi talvez o período mais progressivo da sua História e ultrapassou, julgava-se que para sempre, muito do seu atavismo civilizacional e pobreza endémica que o caracterizaram durante séculos e para os quais, agora, parece nos querem reenviar. Com todos os seus defeitos, penso que este facto fala por si e pela defesa de muitos dos valores essenciais que propõe, pelo menos em termos gerais. 

E para aqueles que acusam a Constituição da República Portuguesa de ser demasiado ideológica, o que não contesto tenha o seu quê de verdade embora, de um modo geral, todas o sejam, costumo sempre lembrar que a Constituição dos Estado Unidos da América é talvez, historicamente, a mais ideológica de sempre, pelo menos entre os países democráticos, condensando em si muitos dos valores mais avançados, direi mesmo revolucionários do seu tempo e que estiveram na génese da Revolução Francesa e do fim do Antigo Regime.E tal não só não impediu, como antes se tornou num impulso decisivo para tornar os Estados Unidos da América, também com todos os seus defeitos e virtudes, naquilo em que o país se tornou ao longo de mais de dois séculos de História: uma sociedade pujante, um país de acolhimento para os deserdados da Europa, a maior potência mundial e uma democracia presidida por alguém oriundo de uma minoria étnica à qual, há menos de cinquenta anos, ainda eram legalmente negados, em alguns dos seus Estados, os direitos humanos mais básicos. Acho que estes factos também falam por si.  

segunda-feira, outubro 29, 2012

Chansons historiques de France (2)

Paul Barré - "Le Sire de Fisch Ton Kan" (Paul Burani - Antonin Louis)

Canção escrita e cantada durante a Comuna de Paris contra o imperador Napoleão III e o seu Estado-Maior de militares considerados incompetentes e responsáveis pela derrota do exército francês em Sedan durante a Guerra Franco-Prussiana (1870). O título da canção é um jogo de palavras feito com a frase "fiche le camp" (ou "fiche moi le camp" ou "fiche ton camp"), que em português se pode traduzir livremente por "desaparece", "põe-te a milhas" ou, em linguagem pós-moderna, "baza daí".

"Untermenschen"?

Ponto prévio: aviso já que vou ser um "bocadinho" demagógico, mas, que raio!, por vezes isso alivia...

Na Alemanha nazi, os "untermenschen" (judeus, ciganos, deficientes, etc), estando ou devendo ser, por opção própria, decisão política do Estado ou impossibilidade prática, afastados da participação social, deixando de ser considerados cidadãos, tornaram-se num "custo" que o Estado, mais a mais numa economia de guerra, não queria continuar a suportar. Restava-lhes, portanto, morrer com o menor custo possível para o Estado - industrializando a sua eliminação -, após terem prestado alguns últimos serviços tais como trabalho escravo e utilização como cobaias em algumas experiências pseudo-médicas e pseudo-científicas. Eram desperdício, e como tal foram tratados, tendo essa lógica sido assumida como nunca antes e, na prática, levada às suas últimas consequências.

Claro que nos separam setenta anos de democracia e de progresso, um mundo de evolução, mas ao ver os beneficiários do RSI, os desempregados e os pensionistas pobres poderem ser objecto de medidas de redução pelo governo das subvenções de solidariedade que recebem da sociedade, de todos nós, através do Estado, espero não esteja aqui contido, mesmo que de forma subliminar, qualquer (pre)conceito contra aqueles que, por opção (muito poucos) ou contra a sua vontade (uma enorme maioria), vivem nas margens da sociedade e se tornaram, numa lógica puramente contabilística, um "custo". Espero que não esteja aqui contida, mesmo que de forma não explícita, nenhuma decisão que os considere "expendable", um desperdício, um custo que a sociedade não tem obrigação de suportar e deve reduzir a níveis mínimos de subsistência ou até menos. O problema é que perante tais decisões, tenho dúvidas a lógica não seja essa. 


sábado, outubro 27, 2012

Refundação?

Aquilo a que Pedro Passos Coelho se refere como "refundação do memorandum da troika" significa, em versão descodificada, a intenção do governo em reduzir drasticamente o Estado Social, acusando-o de ser o responsável pelos altos impostos pagos pelos portugueses. Para tal não deixa de oferecer a maçã envenenada ao Partido Socialista, pedindo a sua colaboração para a "empreitada", e, sabendo que este não poderá deixar de recusar a "oferta", irá então acusar o PS de ser o responsável último pela impossibilidade de baixar os impostos pagos pelos portugueses. É esta a ideia, tentando introduzir uma clivagem entre os sectores da classe média com maiores rendimentos (que não recorrem ao ensino público e ao SNS) e os restantes, e é bom que António José Seguro prepare resposta adequada.    

sexta-feira, outubro 26, 2012

Friday midnight movie (13) - Nazi Exploitation (I)

"Salon Kitty", de Tinto Brass (1976)
Filme completo c/ legendas em castelhano

SLB: o voto pela "arreata"?


Nas eleições do meu clube houve muitas coisas de que não gostei. Aliás, difícil seria nomear aquelas de que gostei e que segui com atenção. Assim de repente, e que me lembre, talvez a única interessante tenha sido a entrevista de Domingos Soares de Oliveira ao jornal "Record" do passado domingo. Mas do que não gostei mesmo nada foi desta ida a votos, em excursão, dos jogadores do plantel com o treinador à frente, assim a modos que "voto pela arreata" dos tempos de antanho. Francamente, esperava não ter de assistir a isto no Portugal do século XXI. Não honra o clube nem as suas tradições populares e democráticas.

Chansons historiques de France (1)

"Chanson contre la Poisson" (1750)

Madame de Pompadour (Jeanne-Antoinette Czernichovscki Poisson) uma mulher de origens humildes e paternidade duvidosa, foi a amante mais famosa de Luís XIV e, por via disso, uma das mulheres mais poderosas e também odiadas do seu tempo. O que talvez muita gente não saiba é quando falamos em "peixeirada" não nos estamos só a referir, pelo menos originalmente, às bem conhecidas discussões que por vezes ouvimos no mercado entre simpáticas e de "pelo na venta" vendedoras de peixe. É que o termo, se pode ter sido adaptado posteriormente para definir tais discussões, terá a sua origem nas "poissonades", versos, textos, canções e poemas satíricos, por vezes mesmo injuriosos, dedicados a escarnecer Madame de Pompadour, née "Poisson" (peixe), o seu poder e as suas humildes e duvidosas origens. Pois esta canção histórica, cujo autor terá sido o dramaturgo Antoine de Ferriol de Pont-de-Veyle, é mais uma dessas famosas "poissonades", direi mesmo que das mais "soft".

"Alice in Wonderland" by Sir John Tenniel (19)

Cook, Duchess, Cheshire Cat, Baby And Alice

quinta-feira, outubro 25, 2012

História(s) da Música Popular (201)

The Teddy Bears - "Don't You Worry My Little Pet"

The Teddy Bears - "To Know Him Is To Love Him"

Phil Spector (I)

Francamente, não me apetece começar por aqui a contar a história e as histórias da vida de Phil Spector (as últimas são por demais conhecidas), a sua importância na música popular e no "rock n' roll" e o modo como o seu nome quase se tornou sinónimo de "produtor" e elevou esta categoria ao estatuto de "rock star". Isso são factos que toda a gente que se interessa por estas coisas do "rock n' roll" está podre de saber. Por isso, vamos lá aos Teddy Bears, a primeira incursão digna desse nome de Phil Spector no mundo da música e onde Spector tinha o papel de intérprete e produtor, simultaneamente. 

Pois os Teddy Bears eram Spector e mais três amigos de liceu (em americano diz-se "high school"), Marshall Lieb, Harvey Goldstein (atenção: Spector também é de origem judaica, do Bronx, pois claro) e Annette Kleinbard, embora a presença de Goldstein no grupo tenha sido efémera. E a sua primeira gravação, como acontecia nestes casos e nesta época (1958) com alguma frequência, foi paga por eles próprios, com "dinheirinho" amealhado (certamente com custo). E não, a sua primeira gravação não foi o conhecido "To Know Him Is To Love Him", mas "Don't You Worry My Little Pet", embora ambas tenham sido editadas como "A" side e "B" side, respectivamente, do primeiro "single" do grupo. O resto é história: "To Know Him Is To Love Him" chegou a #1, lançou Spector para o sucesso, mas o que é curioso é que - e agora digo eu, que também gosto de dizer coisas - é em "Don't You Worry My Little Pet" que mais  se fazem já notar os traços e características do "Phil Spector Wall of Sound", que haveria de individualizar Spector como produtor. Desculpem, estou a ser muito injusto: tal como existe "cinema de autor", Spector também pode ser considerado, com toda a justiça, mais do que um intérprete, compositor, produtor e etc no campo da música popular. Se, neste campo, alguém justifica o nome de "autor musical" é ele, Spector, "lui même".

British Beat Before The Beatles (3)

Shane Fenton & The Fentones - "Why Little Girl" (Março 1962)

O juiz Rangel

Alguém poderá vir a respeitar qualquer decisão de um juiz da Relação que a propósito das eleições de um clube desportivo (por sinal, o meu, mas poderia ser qualquer outro) se envolve numa troca de insultos, numa discussão de baixo nível, numa "peixeirada" e numa lavagem de roupa suja que envergonha qualquer cidadão respeitável? Como foi possível ter sido autorizado pelo Conselho Superior de Magistratura a participar nestas eleições? Será possível que terminada esta "pouca vergonha" o seu destino profissional não venha a ser o da aposentação compulsiva? 

Depois de vermos o juiz Rui Rangel discutir política na televisão todas as quartas-feiras; assistirmos a juízes envolvidos nos Conselhos de Disciplina e de Justiça de federações desportivas; depois de todos os "casos" conhecidos (como o "Freeport", Casa Pia, etc) em que, com directa ou indirecta participação da magistratura judicial, se queimaram cidadãos na praça pública; depois de se ter divulgado, com clara violação do segredo de Justiça, que o actual primeiro-ministro tinha cometido o "grave delito" de falar ao telefone com um banqueiro sobre privatizações; depois da Associação Sindical de Juízes "mandar palpites" em público sobre a constitucionalidade das leis, só nos faltava mesmo mais esta. E o mais grave é que,  apesar de se tratar de uma questão essencial do Estado de Direito Democrático, pouca gente parece muito preocupada com o assunto.

quarta-feira, outubro 24, 2012

4ªs feiras, 18.15h (5) - "Western" (I)


"The Outlaw", de Howard Hughes (1943)
Filme completo c/ legendas em francês

O governo Kasbah

Confesso não entender muito bem o que terá o governo a ganhar com esta táctica de anunciar umas medidas inaceitáveis e muito penalizadoras para de seguida recuar em desordem. É uma táctica negocial que lhe permitirá ganhos depois de lançar para a mesa das negociações propostas que sabe serem inaceitáveis pelos seus interlocutores e pela sociedade em geral? Talvez, mas essa, como disse no "twitter" o deputado João Galamba, é a táctica do vendedor de tapetes, o que apenas ajuda a descredibilizar o governo que a faz sua. Vistas as coisas, este estilo "Kasbah" tem muito mais de penalizador:
  1. Logo à partida, em função das expectativas negativas criadas, ajuda a gerar um ambiente social e económico ainda mais depressivo e recessivo.
  2. Depois, cria ao governo uma imagem de quem anda à deriva, sem ter uma estratégia clara e bem definida.
  3. Em terceiro lugar, consolida a convicção de que vale a pena protestar, pressionar, pois o governo, medroso e fraco, logo recua.
  4. Mais ainda: medidas como a anunciada redução do valor mínimo do subsídio de desemprego vincam ainda mais, se necessário fosse, a opinião dos cidadãos de que estamos perante um governo com enorme insensibilidade social e disposto ou mesmo ansioso por destruir o Estado Social. 
  5. Por último, e com tudo isto, o governo perde o respeito dos cidadãos ou melhor, já o tendo perdido, cava ainda mais o fosso dessa falta de respeitabilidade e da sepultura anunciada em que se deixou cair.
Enfim, um completo desastre.

E agora o SCP e Domingos Paciência

E se, ao contrário do que oiço por aí, o problema do SCP não fosse ter despedido Domingos mas ter contratado Domingos? Expliquemo-nos:

Na base da contratação de Domingos Paciência pelo SCP está, mesmo que muitas vezes não assumido de modo explícito mas apenas em termos subliminares, a tentativa de replicar, num contexto e a uma instituição totalmente diferentes, senão mesmo antagónicos, o "modelo" Sporting Clube de Braga, e para tal nada melhor do que importar desse clube o seu treinador e um ou outro dos seus jogadores fundamentais. Claro que tal opção, ao bom estilo "copycat", tinha tudo para dar errado e, como se esperaria, não sobreviveu aos primeiros resultados negativos, tendo sido de imediato abandonada. A questão a colocar é a seguinte: se a direcção do SCP tivesse tido a inteligência suficiente para perceber não podia replicar no clube o modelo SC Braga teria contratado Domingos? Seria Domingos Paciência o treinador indicado para um qualquer outro modelo de gestão desportiva ou até para a ausência de um qualquer modelo coerente? Ficam as perguntas, embora me pareça terá sido esse, na conjuntura, o pecado original da direcção de Godinho Lopes e da SAD dos SCP.

SLB: as opções de Jorge Jesus

Quando uma equipa perde dois jogadores essenciais aos seus princípios, modelo e sistema de jogo, tem duas opções caso não possua no plantel ou não tenha possibilidades de contratar jogadores com características semelhantes:
  1. Uma é manter esses princípios, modelo e sistema procurando no plantel quem possa, com sucesso, ser adaptável.
  2. Outra é efectuar as alterações necessárias nessas vertentes do jogo em função das características dos jogadores que efectivamente possui.
Tendo perdido Javi Garcia e Witsel, Jorge Jesus tem optado pela primeira alternativa o que, se podemos compreender em função das suas ideias enquanto treinador e das mecanizações já conseguidas ao fim de quatro épocas, não me parece esteja a conseguir resultados muito positivos: Matic não é Javi (é bom jogador mas é "macio" e mais "8" do que "6"), Perez não é Witsel e ainda não vi a equipa realizar esta época uma exibição acima da mediania tendo muitas, como a de ontem, ficado mesmo muito abaixo desse patamar. Restam agora a Jorge Jesus três opções:
  1. Mudar alguns dos princípios, modelo e sistema de jogo, o que me parece bem complicado em função das ideias de jogo do treinador, do "chip" da equipa e estando a época a decorrer há mais de dois meses.
  2. "Puxar" André Almeida e André Gomes, o que por lá existe mais parecido com Javi e Witsel, para a primeira equipa, se achar têm qualidade para tal.
  3. Convencer a SAD a contratar no mercado de Janeiro e tentar até lá ir "segurando as pontas".
Nota: Já agora: Miguel Vítor não é melhor "central" do que Jardel? Não terá a mesma "imponência" física, mas é bem melhor tecnicamente, mais rápido e tem uma noção mais evoluída do jogo.

terça-feira, outubro 23, 2012

Songs of the WW II (24)

"Erika" (aka "Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein")
Uma marcha composta por Herms Niel nos anos 30 do século XX para as tristemente célebres Waffen SS 

Lixo jornalístico

Como diria José Pacheco Pereira, "mau trabalho". Eu diria mesmo mais: péssimo trabalho; criminoso, mesmo. Disponibilizar o Canal Parlamento a todos os portugueses, através da TDT, é verdadeiro serviço público; é um serviço prestado ao país e à democracia (que custa dinheiro), contribuindo, deste modo, para a aprofundar. Era isto que deveria ser salientado em título pela TSF, e não "Canal Parlamento em sinal aberto vai custar 420 mil euros por anos". Tratar o assunto deste modo é uma afronta à democracia e aos cidadãos, à inteligência e um apelo nada velado à emergência de uma qualquer ditadura. Envergonha a TSF, a sua direcção e o jornalista(?) autor da notícia. Depois, senhores jornalistas, queixem-se dos cortes, dos despedimentos, da venda de orgãos de informação a grupo angolanos e assim sucessivamente. Terão razão, mas para melhor justificarem essa razão talvez fosse importante começarem por realizar um trabalho digno da profissão que exercem em vez de produzirem lixo. Estamos entendidos?  

segunda-feira, outubro 22, 2012

Uma muito breve síntese do problema de curto-prazo do Sporting Clube de Portugal

Assim muito num relance, e sem entrar numa análise mais "fina" e qualitativa dos respectivos balanços, esta infografia do Jornal de Negócios dá bem para entender, "à vol d'oiseau", muito do que separa SLB e FCP, de um lado, e SCP, do outro. Enquanto a diferença entre activo e passivo (capitais próprios) é no SLB apenas de -14.4 milhões de euros (411-426) e no FCP de -12.6 milhões (210-223), no SCP essa diferença chega aos -75.5 milhões (144-220). Acresce, como diz o Jornal de Negócios, que as vendas de Witsel, Javi Garcia e Hulk não estão ainda reflectidas nestes valores, enquanto o SCP não realizou vendas significativas nem - acrescento eu - se prevê possa vir a valorizar significativamente, no curto-médio prazo, algum dos seus activos dos quais, maioritariamente, apenas já detém percentagens que rondam os 20 a 30%.

Esta infografia serve também para demonstrar o falhanço do modelo de negócio do SCP neste últimos anos: ao contrário de SLB e FCP, que conseguem um maior equilíbrio nas suas contas de exploração graças aos proveitos da Champions League e às receitas extraordinárias conseguidas com a venda de jogadores, o SCP, fruto de opções erradas na sua estratégia de recursos humanos e dos maus resultados desportivos que o afastam da disputa da Champions, vê sistematicamente reduzidas essas duas fontes de receita. Digamos que o SCP tem aqui um problema muito sério. 

Zarzuela (6)

"La Rosa del Azafrán", de Jacinto Guerrero - "Las Espigadoras"

domingo, outubro 21, 2012

As escutas

Entendamo-nos: nesta questão das escutas a Pedro Passos Coelho claro que gostaria de ter ouvido ao primeiro-ministro palavras mais veementes condenatórias da violação do segredo de justiça, em vez de uma muito "popularucha" afirmação de que "até teria prazer na sua divulgação". Mas Passos Coelho é quem é, vale o que vale (pouco) e tais afirmações foram feitas de modo relativamente informal, o que, não servindo de desculpa total, serve pelo menos de atenuante. De qualquer modo, mesmo que "en passant", o primeiro-ministro sempre lá foi dizendo que "se aquilo que esse jornal [Expresso] refere tem aderência à realidade significa uma quebra do segredo de justiça. É porque alguma coisa que estava em segredo de justiça deixou de estar e, desse ponto de vista, é preciso saber o que se passou para que essa ilegalidade tivesse acontecido". Enfim, se não foi brilhante, sempre deu para ter um dez e passar.

Mas não nos enganemos: neste caso, a questão fundamental não é essa, como também não é o facto, que reputo de normal, de um banqueiro falar ao telefone com membros de um governo tentando fazer valer os seus pontos de vista sobre a privatização de uma empresa na qual está interessado. Questões fundamentais são mesmo a violação reiterada do segredo de justiça, a sua manipulação à medida dos interesses políticos do aparelho judicial e a transformação pelos "media" de uma "não notícia" (a conversa telefónica de José Maria Ricciardi com o primeiro-ministro) numa notícia, explorada à exaustão, que pretende deixar no ar a dúvida sobre a participação de Pedro Passos Coelho em alguma ilegalidade, a possibilidade deste poder estar implicado em negócio menos claro ou, no mínimo, tentando demonstrar a "tal" "promiscuidade" entre os "negócios a a política". E sobre esta exploração mediática populista de uma "não notícia" vejo pouca gente incomodada. 

Já agora: e se discutíssemos política, que até me parece ser algo bem mais susceptível de incomodar Pedro Passos Coelho do que uma simples conversa telefónica com um banqueiro?

Tango aus Berlin (15)

Erna Sack - "Ich bin Verliebt, ich weiß nicht, wie mir geschah"

Francisco Van Zeller e os estaleiros

Sempre tive de Francisco Van Zeller a ideia de pessoa sensata e, fruto da sua passagem pela presidência da CIP, politicamente experiente. Para além disso, nunca notei enfrentasse dificuldades em termos de comunicação, nem fosse um radical nas suas ideias ou propostas. Exactamente por isso me causam alguma perplexidade estas suas afirmações em entrevista ao Diário de Notícias. Por achar não tem razão? Enfim, não conhecendo de perto o problema não me custa acreditar que exista nos estaleiros de Viana do Castelo uma maioria de mão de obra "muito antiga, muito desactualizada e cheia de maus hábitos". Mais ainda, também é notória a existência de uma núcleo sindical combativo e, provavelmente, demasiado identificado com o tipo de sindicalismo radical, nada dado à negociação e muito menos aberto ao futuro praticado pela maioria da CGTP, embora chamar-lhe "violento", como o faz Van Zeller, constitua quanto a mim um claro exagero. 

Mas é óbvio que, mesmo partindo do princípio possa existir alguma dose de verdade nas afirmações do ex-presidente da CIP, aquilo que disse só poderia ter como resultado a sua demissão. E das duas uma: sendo um homem sensato e politicamente experiente, Van Zeller, depois de ter conhecido de perto ao que ia, quis forçar essa sua demissão e ver-se livre da alhada em que se tinha metido; ou o actual governo possui o estranho dom, contrário ao de Midas, de desvalorizar tudo aquilo em que toca e todos aqueles que com ele ousam colaborar. Embora reconhecendo a segunda premissa como verdadeira, neste caso permito-me  inclinar mais para a primeira.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Friday midnight movie (12) - Gothic (I)


"The Tomb of Ligeia", de Roger Corman (1964)
Filme completo c/ legendas em português

"Land Girls" (25)

5º episódio - "Destinies" (parte V de V - final)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

R&B from the Marquee (7)

Cyril Davies & His Rhythm & Blues All Stars - "Country Line Special"

Nota do "Gato Maltês": as semelhanças de alguns trechos de harmónica com o tema dos Kinks "Revenge", que foi indicativo do "Em Órbita", são bem evidentes.

Controlinveste e privatização da RTP

A mais do que provável venda da Controlinveste (TSF, JN, DN, O Jogo) a um grupo angolano (recorde-se que o grupo da mesma nacionalidade Newshold já detém o "Sol" e, pelo menos, 15% do capital da Cofina - Record e CM), originário de um país onde a liberdade de expressão e independência empresarial são uma miragem, vem mais uma vez provar a inoportunidade da privatização ou concessão da RTP a privados. Depois da venda da EDP e da REN ao Estado chinês (não, não foi uma privatização) e da provável alienação da TAP a um empresário de reputação duvidosa (ou outro dia alguém me dizia, com certeiro sentido de humor, que a reputação do dono da Avianca era tudo menos duvidosa, já que não existia qualquer dúvida sobre a sua falta de respeitabilidade empresarial), a perspectiva de destino idêntico para a RTP é de fazer gelar o sangue a qualquer cidadão amante da liberdade e da democracia. Penso que até o governo, ao prever a hipótese de recuo na venda da TAP, poderá já ter percebido, até por questões de encaixe financeiro aquém do esperado, da inoportunidade de alguns destes negócios. Pois tem agora, face ao negócio da venda da Controlinveste e ao terramoto que parece abalar o sector da comunicação social (Lusa, "Público", Newsweek, El País), uma boa oportunidade para pensar duas vezes e demonstrar as suas convicções democráticas (se é que as tem), adiando sine die o negócio RTP. Assim tal seja ainda possível em função de compromissos eventualmente já assumidos.

quinta-feira, outubro 18, 2012

"Land Girls" (24)

5º episódio - "Destinies" (parte IV de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (39)

"Goin' Back" (Gerry Goffin - Carole King)
 1ª gravação do tema por Goldie (Zelkowitz), dos Goldie & The Gingerbreads (1966)

A excelente e bem conhecida versão de Dusty Springfield (#10 no UK em 1966)

A "convicção" da António Barreto

António Barreto não é um cidadão qualquer. É um académico conceituado, com obra publicada. Foi opositor à ditadura, ministro, deputado, tem um percurso de comentarista político conceituado e é co-autor de um documentário televisivo incontornável para se entender o Portugal contemporâneo. É também presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos, instituição com trabalho relevante na edição de trabalhos de teor político e na colecção, organização e edição de dados sobre o país. Por tudo isto se lhe exigiriam maiores responsabilidades nas afirmações produzidas e, especialmente - estamos a falar de um sociólogo para quem o valor dos dados estatísticos e a análise dos factos sempre foi assumida como fundamental -, não falasse sem que o que afirma pudesse ser confrontado com a realidade e comprovado mediante a apresentação de provas e dados irrefutáveis. Vir a público afirmar existirem "cláusulas secretas nas parcerias público-privadas" para de seguida sentenciar não ter provas do que afirma e tudo não passar de uma sua "convicção" (estamos no domínio da fé...) acaba por colocar em causa não apenas o próprio Barreto e o seu percurso académico como também evidenciar, por extrapolação, a crise e o descrédito a que parecem ter chegado algumas das elites e "opinion leaders" que nos habituámos a escutar e, concordando ou discordando, a respeitar. Por mim, leitor habitual de António Barreto desde o seu (com Carlos Almeida) "Capitalismo e Emigração em Portugal" (1970), lamento que alguém com a sua cultura e percurso académico venha agora engrossar as fileiras do populismo dominante. Espero, pelo menos, o tenha feito por lapso e não por por qualquer tipo de "convicção".

O dilema do CDS (2)

Entre duas possibilidades extremas, o CDS tenta viver no melhor de dois mundos: comer o bolo e ficar com ele. Digamos que no curto-prazo a opção tem potencialidades, mas a prazo arrisca-se a ser desastrosa, já que "é possível enganar alguns todo o tempo ou todos durante algum tempo", mas "é impossível enganar todos todo o tempo". Paulo Portas sabe-o bem, mas a tentação de adiar é grande e "enquanto o pau vai e vem"...

quarta-feira, outubro 17, 2012

Loja Real


"Land Girls" (23)

5º episódio - "Destinies" (parte III de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

4ªs feiras, 18.15h (4) - "Licht und Schatten" - o expressionismo alemão no cinema (III)

"Dr. Mabuse, der Spieler"de Fritz Lang (1922) 
Parte II - "Inferno: Ein Spiel um Menschen unserer Zeit" 
Filme completo c/ intertítulos em inglês

The Satellite/Stax records story (9)

Prince Conley - "All The Way" (1961)

O dilema do CDS

O CDS está perante um dilema: por um lado, tem perante si a melhor "oportunidade de negócio" da sua vida com Paulo Portas, podendo aproveitar a actual extrema fragilidade do PSD, maior partido de um governo que bate recordes de impopularidade, para crescer como nunca o fez, embora para tal tivesse de abandonar esse mesmo governo; por outro, receia que a quebra da coligação possa ser tomada pelo país e por uma parte do seu eleitorado tradicional como causa de uma indesejável crise política que mergulhasse o país na incerteza, com as respectivas consequências penalizadoras em futuras eleições. No fundo, serão estes dois parâmetros extremos, em conjunto com os interesses empresariais mais directos de alguns dos seus dirigentes (Pires de Lima, por exemplo), que irão definir qualquer decisão do CDS sobre a sua continuidade  no actual governo. Aceito seja para Paulo Portas uma decisão muito difícil.

terça-feira, outubro 16, 2012

"Land Girls" (22)

5º episódio - "Destinies" (parte II de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

Rúben Postiga e Helder Micael

Uma selecção que tem a sua zona central de organização e finalização entregue a Rúben Micael e Helder Postiga, jogadores que na época passada eram suplentes utilizados do Real Zaragoza, uma equipa que lutou pela manutenção até à última jornada, um lateral-esquerdo sem pé esquerdo (Miguel Lopes), suplente do FCP, sem experiência do futebol de alto nível e que, por ausência do pé útil, não ajuda nos desequilíbrios ofensivos, não pode ter grandes ambições de ganhar a equipas com qualidade acima do Luxemburgo ou Azerbaijão. É esta falta de jogadores categorizados e desequilibradores, em conjunto com a péssima forma de outros (Nani), que constitui, de facto, o problema principal da selecção portuguesa quando tem de jogar contra equipas em "bloco baixo" e com um nível futebolístico já mediano, e não a não-convocação de Eliseu, o "sistema alternativo" e outras invenções da crítica. No fundo, os jogos com a Rússia e a Irlanda do Norte não foram assim muito diferentes: mais de 70% de "posse de bola" mas enorme lentidão de processos e consequentemente poucas oportunidades claras de golo. Na fase final de um Europeu, contra equipas de nível elevado, que jogam "de igual para igual", contra as quais é possível jogar em transições rápidas pelas alas e quando é possível treinar a mecanização colectiva durante algum tempo, o problema torna-se bem menos evidente, até porque também é possível "igualizar" mais a forma dos jogadores. E atenção a Israel...

British Beat Before The Beatles (2)

Alma Cogan - "I'm In Love Again" (1956)

Serviços públicos: impressões de um "utente"

Impressões de cerca de duas horas passadas na sala de espera de um serviço público (Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres):
  1. Os "mitos urbanos" continuam em alta, desde o "ouro que Salazar deixou e não autorizou que os americanos levassem", passando pela "qualidade" desse ouro (acho que em quilates) que "nada tem a ver com o que temos hoje" (hoje é e qualidade inferior, claro), até uma qualquer história com Vítor Constâncio que é um género de traidor pois sempre fez o que a "Europa" quis pois já sabia que ia para a tal "Europa". 
  2. Deu para re-confirmar que a qualidade dos serviços públicos foi das coisas que melhorou exponencialmente no Portugal dos últimos anos. Profissionalismo, organização, razoável eficiência e funcionários que nos tratam como iguais que apenas, na circunstância, estão do outro lado do balcão. Esperei pouco mais de hora e meia e tinha quarenta e duas senhas à minha frente. Entretanto, informado do tempo de espera, deu para dar uma volta e "arejar" um pouco.
  3. Se os serviços não funcionam ainda melhor tal deve-se, em grande parte, à iliteracia de muitos cidadãos e à sua pouca disciplina. Não preparam os documentos, têm dificuldades em perceber as instruções e em preencher os impressos, são pouco pacientes e muito desorganizados. Herança de centenas de anos de pobreza (a pobreza não é só ter fome e frio) e de um país cujo processo de urbanização é recente. Espero não nos enviem de volta ao passado.

Dispensável

Na actual situação, e não vale a pena adjectivá-la, existem duas coisas absolutamente dispensáveis na já por si pré-caótica conjuntura: 1. Cenas como as de ontem junto à Assembleia da República, protagonizadas por marginais aos quais a polícia, na sua obrigação de manter a ordem pública, nem sempre consegue responder com o profissionalismo e calma desejáveis; 2. Partidos políticos (principalmente, e neste caso, o PSD, com a agravante de ser o principal partido do governo) em risco de se tornarem reféns de autarcas e candidatos a tal. 1. No primeiro caso estamos perante acontecimentos que, se mal resolvidos, podem ampliar-se e degenerar em violência incontrolável com resultados dramáticos, apenas desejáveis pelos seus protagonistas. 2. No segundo caso, não me parece que grandes cedências à, demasiadas vezes pouco rigorosa, gestão autárquica seja um bom exemplo de controle da despesa e de rigor nas contas públicas, apesar de reconhecer o papel das autarquias no emprego local e o efeito multiplicador de algumas das suas actividades.

segunda-feira, outubro 15, 2012

"Land Girls" (21)

5º episódio - "Destinies" (parte I de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

Bernardo Marques (22)

Capa de Bernardo Marques para a revista "Panorama" (1943)

Alguém pediu um "governo de salvação nacional"?

Peço imensa desculpa, mas esta coisa de um "governo de salvação nacional", ou de "iniciativa presidencial", contém em si mesma um certo tom de regresso aos passado oitocentista, ao que se chamava na altura "governar em ditadura", fechando ou subalternizando o parlamento durante um prazo previamente definido, mas mantendo o essencial das liberdades, da acção legal dos partidos políticos, etc, etc. A de João Franco teve como consequência o regicídio e, dois anos mais tarde, uma revolução e a mudança de regime.

Gostemos ou não (e eu não me revejo nele), o partido maioritário do actual governo ganhou as eleições, tem maioria absoluta no parlamento e, assim, tem toda a legitimidade para governar. Caso tal se revele de todo em todo impossível, e como dificilmente o PSD aceitará propor um outro primeiro-ministro, não legitimado  pelo voto popular, deverá o Presidente da República convocar eleições e formar-se um novo governo, maioritário ou de coligação, que respeite os resultados eleitorais. E não inventem, se fazem favor.  

British Beat Before The Beatles (1)

Adam Faith - "Made You" (1960)

domingo, outubro 14, 2012

Dennis Potter's "Pennies From Heaven" (9)

"Sweet So And So"

Ironias...

O que não deixa de ser irónico no que esta "história" da Tecnoforma/Passos Coelho/Relvas revela, é ser um primeiro-ministro que na sua vida profissional nada mais fez do que saltar do Estado para a gestão(?) de empresas cuja existência e actividade dependiam exclusivamente desse mesmo Estado e das benesses do poder político a ter vindo propor, em campanha eleitoral, a "retirada do Estado da vida das empresas", "a diminuição do peso de "Estado", a "libertação da sociedade civil" e outras orientações do mesmo teor. É que das duas, uma: ou se tratou de um muito católico arrependimento pelos pecados cometidos, de uma bem mais "maoísta" autocrítica revolucionária com regresso "à linha justa" ou então, pura e simplesmente e tal como a promessa de não aumento de impostos, estivemos perante mais um estratagema, infelizmente não virgem em Portugal, para arrecadar mais um "votitos" nas eleições, que isto da vida custa a todos.

Mas atenção: é este o "ambiente" em que esta gente cresceu e se habituou a viver e, por isso mesmo, é bom estar atento ao que se passa nas privatizações e na futura e provável concessão da RTP, que de Miguel Relvas depende. Isto caso não queiramos ver substituído o saudável - em termos genéricos - princípio de o "Estado sair das empresas" por um outro, no mínimo, bem menos higiénico e ainda mais promíscuo, das "empresas a entrar no Estado". "Rapidamente e em força", claro.

A "originalidade do nosso processo"

Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, comentadores residentes de um canal de televisão, fazem campanha eleitoral nos Açores pelo principal partido do governo; um juiz-desembargador (Rui Rangel), não se contentando em discutir política, semanalmente, num dos canais do serviço público de televisão, integrado num painel onde pontifica o bastonário da Ordem dos Advogados, ainda decide candidatar-se a presidente de um clube de futebol (por sinal, o meu), enquanto a sua associação sindical ameaça enviar o orçamento de Estado para o Tribunal Constitucional onde a respectiva conformidade com a constituição da República será apreciada pelos seus pares, embora de uma instância superior. Nos "gloriosos" tempos do PREC chamar-se-ia a isto a "originalidade do nosso processo". Dispenso-a...

sábado, outubro 13, 2012

Ópera não é só música para operários (12)

W. A. Mozart: "Die Zauberflöte" - "Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen"

Diana Damrau - Queen of Night
Dorothea Röschmann -  Pamina
Uma produção da Royal Opera House - Direcção de orquestra Sir Colin Davies

sexta-feira, outubro 12, 2012

Friday midnight movie (11) - Sci - Fi (I)

"Plan 9 From Outer Space", de Edward D. Wood, Jr (1959)
Filme completo c/ legendas em castelhano

"Land Girls" (20)

4º episódio - "Trekkers" (parte V de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

A selecção

Digamos que com jogadores como Éder, Miguel Lopes, Rúben Micael e Postiga, um Ronaldo preso por arames e Nani ausente em parte incerta esta selecção portuguesa lá vai fazendo o que pode. E é óbvio que, apesar do profissionalismo de Paulo Bento e dos jogadores, nestas condições pode (pôde) pouco. Digamos que dá o que tem, e a mais não pode ser obrigada. 

Passos Coelho e o PCP

Se existem organizações em Portugal que, em caso de agudização da contestação política, podem evitar a explosão indiscriminada e incontrolada da violência, elas são o PCP e a CGTP. A História, inclusivamente a História recente, demonstram-no à exaustão. Por isso mesmo não se compreende, e é de uma enorme estupidez revelando total analfabetismo político, que Pedro Passos Coelho escolha o PCP como alvo das suas acusações de incitamento à violência. Começou o tempo da caça às bruxas?

Vieira e Moniz

Não sei se existe ou não algum acordo entre Luís Filipe Vieira e José Eduardo Moniz para que este possa vir a prazo a substituir, total ou parcialmente (por exemplo, e como já aqui o disse, passando LFV a "chairman - mas existem outras soluções), o actual presidente do Sport Lisboa e Benfica. Desconheço, portanto, se existem razões de fundo para a questão colocada ontem por José Rodrigues dos Santos a Moniz, na RTP1. Mas devo dizer que ter na direcção e na administração da SAD alguém com a capacidade de coadjuvar e substituir LFV, sempre que necessário, sem grandes rupturas ou soluções drásticas de continuidade me parece uma excelente ideia na actual situação do SLB. Exactamente por isso, e salvo algum enorme imprevisto de última-hora, a solução merece pois o meu apoio, apresentando-se, entre as possíveis, como a que melhor serve os interesses do meu clube. Sem prejuízo, escusado será dizer, da minha total independência e liberdade críticas, pois claro, das quais não abdico. 

quinta-feira, outubro 11, 2012

"Land Girls" (19)

4º episódio - "Trekkers" (parte IV de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

Zorrinho e os Dinky Toys

Quando vejo e oiço Carlos Zorrinho vir dar estas explicações ridículas, mais a mais utilizando uma rede social, sobre os carros atribuídos ao Grupo Parlamentar do Partido Socialista, pergunto-me: mas não existe uma política da carros de serviço definida para utilização dos diversos grupos parlamentares na Assembleia da República, incluindo tipo de carro, características, preço máximo, cilindrada, cores autorizadas, modalidade de aquisição, etc, etc? A existirem, essas normas, tal como quaisquer outras destinadas a reger o funcionamento da Assembleia da República, não são públicas? É deixado ao livre arbítrio de cada Grupo Parlamentar decidir, total ou parcialmente, sobre este assunto, mesmo que cumprindo o respectivo orçamento?

É que só perante a inexistência de uma política normativa para a matéria - o que a acontecer seria inacreditável -  se pode entender Zorrinho se sinta na necessidade de vir a público - mal - dar explicações patéticas sobre um assunto em relação ao qual se deveria limitar a remeter para as normas existentes, poupando-se, e poupando-nos, ao ridículo da situação de ver um deputado e alto dirigente partidário vir para o Facebook discutir marcas de carros, modalidades da respectiva aquisição e preços dos mesmos.

Claro que a reacção de Zorrinho também é bem demonstrativa do nível de alguns dos dirigentes políticos que vamos tendo, mas isso já é conversa por demais conhecida. 

Ex-votos (8)

Helena Matos e o trabalho sexual


Claro que a prostituição não é uma actividade como "outra qualquer", tal como não o são jogador de futebol, mineiro, empregado bancário, bailarino, motorista de ligeiros ou pesados, caixeiro viajante and so on. Todas estas, e quaisquer outras, têm as suas especificidades. Mas o que Helena Matos está a fazer ao colocar de um lado, isolando-a, a prostituição e do outro, indiscriminadamente, o conjunto formado por todas as outras profissões é, pura e simplesmente, a discriminar negativamente, e por oposição, a actividade sexual, lançando-a à partida para um gueto, no limite tornando-a maldita. Infelizmente, é esta a diferença entre o conservadorismo tradicional e os  pseudo-liberais que nos governam: enquanto os primeiros assumem normalmente uma posição hipócrita, fingindo não verem e não existir o que os incomoda, os pseudo-liberais "ex-maoístas" reconhecem-no para o poderem oficialmente discriminar. Assim não vamos longe...


quarta-feira, outubro 10, 2012

"Land Girls" (18)

4º episódio - "Trekkers" (parte III de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

4ªs feiras, 18.15h (3) - "Licht und Schatten" - o expressionismo alemão no cinema (II)

"Dr. Mabuse, der Spieler", de Fritz Lang (1922) - Parte I - "Der grosse Spieler: Ein Bild der Zeit "
Filme completo c/ intertítulos em inglês

Seguro e a lei eleitoral

Por mais voltas que se lhe queira dar, o pré-anúncio por António José Seguro de uma proposta para reduzir o número de deputados só pode ter um objectivo, nu e cru: sabendo que o PS não tem à sua esquerda um partido com o qual se possa coligar ou estabelecer acordos de governo, conseguir, por via de uma nova lei eleitoral mais favorável e aproveitando o populismo anti-partidos e anti-parlamento que por aí vai, tornar mais fácil a possibilidade do PS vir a alcançar maiorias absolutas. É exactamente com isso que Seguro conta para vencer a (saudável) resistência de uma boa parte do partido e, mesmo que fale, "pour épater le bourgeois", da manutenção da proporcionalidade, estará sempre a referir-se a "alguma proporcionalidade", que não elimine mas diminua a representatividade de PCP e BE.

Independentemente das questões de oportunismo populista que Seguro resolveu cavalgar e que acabarão, como sempre, por ter consequências funestas para o PS e para o regime, Seguro  passa ao lado de duas questões importantes no médio/longo-prazo, porque para si inconvenientes:
  1. Uma das razões para o afastamento entre eleitores e eleitos é este tradicional "chico-espertismo" partidário, olhando essencialmente para os seus próprios interesses, para o seu umbigo e para o imediatismo, em vez de assumirem uma actuação de Estado e de privilegiarem os interesses estruturais do regime que deferiam também defender. Mais tarde ou mais cedo os portugueses perceberão o logro, seja porque Seguro será obrigado a recuar, seja porque acabarão por concluir quem serão os beneficiários da proposta.
  2. Na actual situação de crise, que tenderá ainda, e sem qualquer dúvida, a agudizar-se, em vez de excluir ou menorizar a representação parlamentar de algumas forças políticas, principalmente as situadas nos extremos ou nas franjas da sociedade, manda o bom-senso que essas correntes de opinião sejam integradas no chamado jogo político e parlamentar, da democracia representativa, evitando, ou minorando, a já de si existente tendência para a radicalização e para a violência. 
Acontece que nada do que aqui se diz é novo e quem não o percebe é bem melhor que vá para casa ou mude de profissão.

Boas notícias das televisões

  1. "A Guerra", série de Joaquim Furtado, estreia hoje pelas 22.40h, na RTP 1, a sua 4ª e última série de programas. "Chovendo no molhado" digo que é do melhor (senão mesmo o melhor) que se fez em televisão nos últimos anos. Isto sim, Serviço Público sem qualquer dúvida.
  2. "Downton Abbey" estreia a sua 3ª temporada na próxima 2ª feira, pelas 21.25h, no canal Fox Fife. Confesso a série, um género de "Upstairs, Downstairs" em versão actualizada e em "grande produção", mas já sem o impacto iniciático da sua antepassada, me desiludiu um pouco por via de um enredo cheio de "coedelinhos" e demasiado "telenovelesco". Mas, apesar disso, tenho sido um espectador atento. Recomendável, e não só aos anglófilos.
  3. "DCI Banks" continua em exibição no Fox Crime, todas as 3ªs feiras pelas 22.15h. Uma excelente série policial inglesa da BBC, sombria, despojada, de uma violência contida.
  4. "Midsomer Murders" (sábados, Fox Crime, 21.30h) consegue casar, de modo excelente, a intriga policial, no seu género "dedutivo", em que a inteligência e a experiência do investigador estão no centro da acção, com um sentido de humor inteligente e personagens de grande realismo, que podiam ser os nossos vizinhos ou os conhecidos que encontramos na mercearia. No seu retrato do campo inglês, embora transportado para a actualidade, tem qualquer coisa de herança de Miss Marple.
  5. A canal História tem passado uma excelente série sobre os Reis de Espanha. O último episódio traçou o retrato de Fernando VII e de uma Espanha, no início do século XIX, essencial para se compreender o que se segue até à Guerra Civil de 1936/39. E era bom que os portugueses aprendessem um pouco mais sobre a História, a política e a sociedade do país aqui ao lado.

terça-feira, outubro 09, 2012

"Land Girls" (17)

4º episódio - "Trekkers" (parte II de V)
Legendas em castelhano
BBC - 2009

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (13)

Chuck Berry por ele mesmo - "Sweet Little Sixteen" (1958)

E a adaptação do tema à "surf music" pelos Beach Boys, c/ letra de Brian Wilson - "Surfin' USA" (1963)

Função Pública: sindicatos e despedimentos

Confesso estar um bom bocado farto de ouvir dizer, principalmente aos sindicatos, que é preciso incentivar os trabalhadores da Função Pública, isto normalmente significando aumento de salários e mais rápida progressão nas carreiras. E porque estou farto?
  1. Em primeiro lugar, porque essa afirmação está errada: o que é preciso, na Função Pública ou em outra qualquer actividade, é incentivar os mais qualificados (para as funções que exercem, evidentemente), os mais eficazes e interessados, os que apresentem melhor desempenho e melhores prestações, mais capazes de cooperar com os seus colegas, aqueles com melhores perspectivas de progresso. Inclusivamente, aos que situarem nos antípodas, e se verificada a impossibilidade reiterada de mudança nos seus comportamentos, será mesmo melhor "desincentiva-los", tentando assim que se afastem e sejam exemplo, pela negativa, de que o bom trabalho compensa.
  2. Em segundo lugar, porque têm sido, ao longo do tempo, os sindicatos do sector os primeiros a lutar contra qualquer hipótese de implementação de um sistema de avaliações e de progressão nas carreiras credível, que efectivamente premeie os melhores, de racionalização dos serviços e dos seus efectivos. São pois esses sindicatos uma das entidades responsáveis (embora não a única) por o governo se propor agora despedir 40 ou 50 mil funcionários públicos tendo como único critério o seu vínculo laboral, em vez de outro tipo de racional que, para além da diminuição de custos, pudesse atender também a factores como a melhoria dos serviços prestados, o incentivo aos melhores funcionários e a racionalização dos recursos. Viram a árvore, mas esqueceram-se da floresta; e quando assim é...

domingo, outubro 07, 2012

Regimental Ties (21)

17th / 21st Lancers Regimental Tie



17th Lancers (Quick March)

"The 17th Lancers (Duke of Cambridge's Own) was a cavalry regiment of the British Army, notable for its participation in the Charge of the Light Brigade in the Crimean War. Various amalgamations have resulted in its absorption into the Queen's Royal Lancers (which also incorporates the 5th Lancers16th Lancers and 21st Lancers)."

Carta aberta os meus amigos "lagartos" (2)

(continuação)

Esta estratégia, se permite ao SCP durante a primeira década do século XXI um ascendente em termos de resultados desportivos face ao SLB, contém, no entanto e em si mesma, uma debilidade fundamental, os genes que a levarão ao colapso: para ser bem sucedida, depende demasiado de variáveis externas que o clube não controla, mormente duas cuja alteração se viria a revelar decisiva: a gestão do SLB e o número de clubes com acesso directo à Champions League. É o forte investimento do SLB no final da década, com a melhoria evidente dos resultados desportivos alcançados, e o facto do segundo classificado na Liga portuguesa deixar de ter acesso directo à Champions League que começam a criar instabilidade e a colocar em causa  a estratégia sportinguista. A tudo isto junta-se o crescimento do Sporting Clube de Braga, alicerçado numa região em expansão e potenciado por uma Câmara Municipal que se assume como autêntica "dona" do clube. 

Fruto da ausência dos resultados desportivos esperados, a "rua sportinguista" começa a movimentar-se e a pôr em causa treinadores e direcções, o que tem como consequência o clube, como resposta, entre numa situação de indefinição ou mesmo de inversão de estratégia: "abandona" a Academia e volta-se para a contratação de jogadores nos mercados externos, onde não só não consegue competir com SLB e FCP por questões financeiras e de menor atractividade desportiva enquanto clube (não disputa a Champions League), como isso o vai obrigar a um esforço financeiro que excede as suas possibilidades e para os quais, em plena crise financeira mundial, já não existem nem a capacidade nem a oportunidade de endividamento dos anos anteriores. Digamos que, em certa medida, estamos perante algo de vagamente semelhante ao que levou à implosão da União Soviética: os investimentos do SLB dos últimos anos levaram o SCP a um esforço financeiro para o qual não tinha "músculo" suficiente e que o poderão conduzir à "débacle". Isto é ainda mais grave porque, olhando para o plantel do SCP, para além da excepção Carrillo não vemos onde o clube possa realizar mais-valias significativas, sabendo, para além disso, que, fruto das suas debilidades financeiras, o SCP não detém, em termos gerais, mais de 25 a 40% dos direitos económicos da maioria dos seus jogadores profissionais.

Assim sendo, perguntar-me-ão vocês, caros amigos "lagartos", o que poderão fazer. Digamos que não conheço o vosso clube o suficiente para lhes indicar um caminho, embora, como descrevi, me pareça este só possa conduzir ao desastre. Investidor estrangeiro? A Liga portuguesa não tem visibilidade para atrair investidores ávidos de protagonismo, sejam eles árabes, chineses ou pertencentes às máfias russas. Angolanos? Talvez aí a possibilidade seja mais real, mas os sportinguistas lá saberão o que querem para o futuro do seu clube. Mas para já, sabendo que o exemplo SC Braga não é repetível numa cidade como Lisboa e num clube com o passado, a "heritage", a "pressão" e o "caldo de cultura" do SCP (julgar que tal poderia acontecer foi outro erro), talvez fosse boa ideia reprogramarem os vossos objectivos, redefinirem uma estratégia coerente com esses mesmos objectivos, voltarem à Academia (onde foram felizes) e dizerem aos vossos sócios e simpatizantes que - e utilizando a linguagem do momento - o clube vai ter que se "reajustar" (de uma maneira ou de outra, todos terão), "empobrecer", viver com o que tem, até porque, por muito glorioso que seja o seu passado (e é) e por muito relevantes que sejam os seus entusiastas e adeptos, um clube de futebol ainda não é bem um país. E entretanto, conselho de amigo, esqueçam-se lá de nós por uns tempos e tentem mas é ganhar aos "tripeiros". Estes vossos amigos "lampiões" agradecem.