segunda-feira, abril 30, 2012

Beat (12)


"See it was like this when" - a poem by Lawrence Ferlinghetti

See
it was like this when
we waltz into this place.
A couple of papish cats
is doing an Aztec two-step
And I says
Dad let’s cut
but then this dame
comes up behind me see
and says
you and me could really exist
Wow I says
Only the next day
she has bad teeth
and really hates
poetry

O Plano Quinquenal

De duas afirmações importantes contidas no Plano Quinquenal do governo (desculpem, no "Documento de Estratégia Orçamental 2012-2016"), uma consagra uma verdade inquestionável, porque apenas depende do governo (os funcionários públicos e pensionistas só verão as suas retribuições repostas na totalidade em 2018 - e mesmo assim...) e outra (crescimento de 2.5% em 2016), nesta incerta e imprevisível conjuntura, é apenas uma questão de fé ou, como se diz na gíria empresarial, "o papel aceita tudo". Fico a aguardar Vítor Gaspar explique como tem por certo o milagre (devem ser as tais "reformas estruturais"); mas como de milagre se trata duvido seja explicável, porque milagres não são do domínio da razão.

As capas de Cândido Costa Pinto (77)

Capa de CCP para "O Caso do Gato do Porteiro", de Erle Stanley Gardner, nº40 da "Colecção Vampiro"

O SLB e as eleições de Outubro

As eleições de Outubro irão colocar o SLB numa situação de demasiada vulnerabilidade. Por uma lado, a actual direcção tenderá a querer resolver o problema da continuidade, ou não, da equipa técnica muito em função dos seus interesses nessas eleições. Por outro, também essa mesma direcção se movimentará no sentido de fazer todos os possíveis para que a equipa comece bem a próxima época, mesmo que tal prejudique o resto da temporada, enquanto, interna e externamente, outros haverá que utilizarão os seus poderes em sentido contrário. Haveria datas mais propícias? Tenho dúvidas, já que realizá-las no final das temporadas coloca outro tipo de problemas relacionados com a preparação da época seguinte. Maior autonomia da SAD em relação ao clube de modo a evitar que estes sobressaltos possam ter tão grandes reflexos no futebol profissional? Não conheço a legislação e estatutos em pormenor, mas em teoria parece ser uma solução que pode fazer algum sentido. No fundo, o que isto demonstra é que em Portugal os clubes de futebol profissional ainda carregam demasiadamente a sua herança fundadora de sociedades recreativas. Por razões muito próprias que têm a ver com o seu passado e percurso, foi o FCP de Pinto da Costa quem melhor e mais cedo se conseguiu desembaraçar dessa herança, com os resultados que se conhecem.

domingo, abril 29, 2012

SLB: ponto final

Na segunda volta do campeonato, nos jogos fora o SLB conseguiu duas vitórias, ambas muito sofridas (P. De Ferreira e Feirense), três empates (Académica, Olhanense e Rio Ave) e sofreu duas derrotas (SCP e VSC). Ou seja, se a aritmética não me falha, em sete jogos (falta ainda o jogo com o VFC da última jornada) conseguiu nove pontos em vinte e um possíveis. Querem que acrescente mais alguma coisa?

Bobby Fuller (3)

Bobby Fuller - "Love's Made A Fool Of You"

Jorge Jesus e o FCP

Ao contrário do que oiço muitos "comentadores" afirmarem, evitar que Jorge Jesus possa ser contratado pelo FCP deve ser o último, ou seguramente um dos últimos argumentos a favor da sua continuidade como treinador do SLB. Decidir em função disso será colocar os interesses do SLB em segundo ou terceiro planos e ceder ao eleitoralismo e também à chantagem latente que se esconde (já pouco) por detrás desse tipo de argumentação. Como tenho afirmado, tal decisão deve ter fundamentalmente em conta uma avaliação, por parte da SAD, sobre se, dentro das opções possíveis, Jorge Jesus será ou não aquela que melhor serve a estratégia e objectivos actuais e futuros do futebol do clube. Ou seja, uma decisão baseada em premissas que coloquem os interesses do "Glorioso" à frente de tudo o resto.

PS: seria saudável que os cretinos que se dizem benfiquistas e andam a escrever frases pelas paredes dos estádios se assumissem. Assim poderíamos discutir o clube cara a cara, com argumentos. Mas será que têm ambos?

O PS e a "negociação"

Não é implorando, ameaçando com uma tal "ruptura democrática" ou colocando-se ao abrigo do escudo presidencial que o PS e António José Seguro conseguirão obter maior disponibilidade do governo para uma negociação e consenso que efectivamente valham a pena e tenham algum significado. Para isso o PS terá que demonstrar e impor, pela sua actuação, comportamentos e peso na sociedade portuguesa,  incluindo no plano sindical, a indispensabilidade dessa negociação e da sua presença nela sem ser como mero adorno para Alemanha e mercados verem. Ora é exactamente isso que não se tem conseguido vislumbrar até ao momento, e assim sendo...   

sexta-feira, abril 27, 2012

Vítor Gaspar e Pedro Passos Coelho

Se o ministro Vítor Gaspar continuar a insistir muito na tese de que a Terra é o centro do Universo, de que Deus criou todas a criaturas do mundo tal como hoje as conhecemos, para não falar e que a Terra é plana contra todas as evidências ou, para ser mais justo, de que o seu poder é uma espécie de emanação divina, o primeiro-ministro vai ter, mais dia menos dia, de se demarcar de tais afirmações. Aguarda-se esse "Galileico" momento  "e pur si muove" de Pedro Passos Coelho com especial ansiedade.

Hammer (6)


"Quatermass II", de Val Guest (1957)

O que me disse o Athletic Club - SCP via TV

  1. Pronto, lá voltámos ao tempo das vitórias morais. A "coisa" já tinha ressuscitado na Champions League quando da eliminatória do "Glorioso" com o Chelsea, um pouco potenciada pela boa exibição do SLB em Stamford Bridge e pelo facto de ter conseguido chegar ao empate a jogar com dez elementos durante mais de metade do jogo. Agora, com esta eliminatória do SCP na Liga Europa, cresceu de dimensão: lá tivemos mais uma vez o "sonho europeu", a "gesta leonina" e dislates do género, como se não fosse absolutamente normal e até exigível às principais equipas portuguesas (Portugal é 5º no "ranking" da UEFA, convém lembrar) atingirem fases bem adiantadas da Liga Europa, assim um género de II divisão europeia. Foi este tipo de mentalidade responsável por décadas de atraso do futebol português, a que só Sven Goran Eriksson pôs cobro no início dos anos 80 do século passado.
  2. Tive vergonha de assistir aos comentários da SIC no jogo de ontem. Aliás, tenho sempre quando nada mais me resta senão ver um jogo nesta estação de televisão. Patrioteirismo bacoco em doses pornográficas, ausência de qualquer rigor de análise e de conhecimentos do jogo, foco permanente na arbitragem e um comentador (Paulo Garcia, não é?) que, pelo tom de voz e tipo de comentários, mais parece um "pintas" da Picheleira ou do Casal Ventoso de antanho. Digamos que os conhecimentos de futebol de João Rosado também não ajudam, mas este acaba por ser o responsável menor. O que pretendo dos comentários de um jogo de futebol é informação que me ajude a ver e entender o jogo, e não uma claque organizada em favor de quem quer que seja. Se nem nos jogos da selecção portuguesa admito tal coisa, muito menos o aceito quando se trata de uma equipa de clube (qualquer uma, para ninguém ficar nervoso).
  3. Quem sofre quatro golos numa eliminatória europeia não pode ter aspirações ao apuramento. Acho que isto resume o comportamento do SCP nesta meia-final.

quarta-feira, abril 25, 2012

Real Madrid - Bayern

Este Real Madrid-Bayern teve qualquer coisa de SLB-FCP. Tal como o SLB, o Madrid, embora  jogue com dois "pivots" defensivos, perfilha as transições rápidas pelas alas, o jogo muito estendido no campo, as jogadas individuais, a intensidade de jogo e a insistência no "um para um". Muitas vezes também o passe longo. Por sua vez o Bayern, tal como o FCP, prefere os sectores e jogadores mais juntos, pressiona em todo o campo - o que lhe permite ganhar bolas em terrenos subidos - e privilegia as transições em "posse", com Robben, embora num outro estilo bem diferente, a fazer os desequilíbrios que competem a Hulk. Por isso pouco me admirou que o Madrid experimentasse semelhantes às que o SLB costuma experimentar contra o FCP, sem ou com poucas linhas de passe, falhando por isso muitos, e perdendo muitas bolas na sua própria linha média.

O Real Madrid cansado? Talvez sim, mas cansaço esse também potenciado por se sentir pouco confortável no jogo que o Bayern lhe impôs e ao qual os modelos perfilhados por "merengues" e "águias" sentem particular alergia. 

Regimental Ties (19) - especial 25 de Abril

Royal Marine Corps Tie


Royal Marines Quick March - "A Life On The Ocean Wave" (a célebre marcha do MFA)

David Borges e o Barça

Ontem, nos seus comentários na SIC Notícias ao jogo Barça-Chelsea, David Borges, que parece ser de opinião que qualquer derrota do Barça é injusta, referiu duas questões relativas ao futebol do FC Barcelona que retive. Em primeiro lugar, em tom de elogio, afirmou que o futebol de "Pep Guardiola & Seus Jogadores Amestrados" quase parecia "ballet". Depois, como crítica, que a equipa não tinha um "plano B" para pôr em execução quando o plano habitual não funcionasse. Ora vamos lá ver, cada coisa de sua vez:

  1.  Onde vê David Borges razões para elogio, vejo eu razões para crítica. Porquê? Bom, quando quero ver bailado vou à Gulbenkian, ao Olga Cadaval ou onde quer que o possa fazer. Se vou a um estádio é para ver futebol, bom futebol, algo que tem expressão atlética e beleza próprias que se não confundem com quaisquer outras, muito menos com "ballet". A analogia é tão ou mais estúpida quanto aquela "boutade" de Artur Jorge de ouvir música erudita quando via um jogo na televisão. Quando o faço, o que quero é ouvir os sons dos estádio, os cânticos dos adeptos, os gritos de incentivo dos treinadores. Convém no entanto lembrar que este tipo de analogias com a dança tem raízes profundas, pois dizia-se do Brasil de antigamente que jogava como se sambasse. Enfim, prova-se que a parvoíce passa facilmente através das gerações.
  2. O Barça não tem um "plano B" porque com aquela ideia de jogo muito específica, ultra-mecanizada, tão diferente de qualquer outra, e com os jogadores contratados, formados e formatados para ela, o tal "plano B", qualquer que ele fosse, nunca funcionaria com um mínimo de eficácia. Alguém está a ver esta equipa do Barça, de repente e a meio de um jogo, começar a jogar em transições rápidas (com a equipa contrária acantonada na sua área?) ou, com jogadores de 1,70m, em correrias até à linha de fundo e centros para a grande-área? Enfim... era melhor que David Borges pensasse um pouco antes de dizer coisas destas.

Os cravos e o governo

Sim, eu sei que vão ser acusados de oportunismo e o que mais adiante se verá. Mas gostei de ver os membros do governo ostentando cravos encarnados (mas atenção, manda o "dress code" ser na lapela e não no bolso) na sessão comemorativa de hoje da Assembleia da República. Já há muito teria sido tempo de todos aqueles que se reconhecem na liberdade e na democracia assumirem o 25 de Abril e o seu símbolo mais emblemático também como seus. Espero que um dia todos decidam também associar-se às comemorações de rua, retirando ao PCP e seus vários "compagnons de route" de ocasião o respectivo monopólio.

terça-feira, abril 24, 2012

"Pep Guardiola & Seus Jogadores Amestrados" estão "out"

  1. Confesso não entender como há gente que se diverte e gosta deste género de andebol jogado com os pés de "Pep Guardiola & Seus Jogadores Amestrados", em que uma equipa fica na "rabia", acantonada junto à sua área dos sete metros (desculpem, grande-área), enquanto a outra vai trocando a bola até um dos seus jogadores entrar na área e rematar à baliza sem oposição. Mas pronto, ele há gente para tudo.
  2. Mais uma vez assistimos à arbitragem do costume, mas, felizmente, nem isso valeu desta vez. Tenho esperança que um dia a UEFA chegue à conclusão que a sua escandalosa protecção ao Barça acabará por ter um efeito contrário ao pretendido, afastando os espectadores do circo (desculpem, do jogo). Se querem ganhar sempre, façam como os Harlem Globetrotters: organizem "tournées" para mostrar as habilidades e contratem um "sparring partner" para abrilhantar o "show".
  3. Peço desculpa, mas estava farto de aturar os meus amigos "lagartos" a dizerem que o "Glorioso" tinha sido eliminado pelo Chelsea mais fraco dos últimos anos e blá, blá, blá. Ora tomem!

Bobby Fuller (2)

Bobby Fuller - "Rock House"

O "provedor do cidadão"

Confesso que me desagrada esta quase permanente tentativa de transformar o Presidente da República numa espécie de "provedor do cidadão", qual figura tutelar da pátria à qual o povo recorre em última instância. No fundo, trata-se de um sintoma de falta de maturidade democrática, de fraqueza da impropriamente chamada "sociedade civil" que remete para um populismo messiânico ao mau estilo terceiro-mundista, vício também potenciado por um regime semi-presidencialista disfuncional e anacrónico. Sejamos claros: na arquitectura constitucional portuguesa compete ao governo governar, e está nas mãos de organizações como os partidos políticos, sindicatos, associações patronais e de cidadãos e outras exercerem, de modo legal, o seu legítimo poder sempre que se sentirem prejudicadas pelas decisões do executivo, tentando suspendê-las ou alterá-las. Seria bom que os trabalhadores da Alfredo da Costa pensassem um pouco sobre isto... 

Pedro Passos Coelho e mais uma afirmação infeliz

Confesso que mais infeliz e despropositada que a decisão da Associação 25 de Abril e de algumas figuras políticas de relevo de estarem ausente das comemorações oficiais da revolução, só mesmo a resposta do primeiro-ministro acusando personalidades-chave da luta pela democracia antes e depois do 25 de Abril, como Mário Soares e Manuel Alegre, de pretenderem protagonismo. Não lhe bastaria afirmar que cada um é livre de tomar as decisões que entende e que esse é, de facto, um dos legados essenciais da revolução? Ou será que, pura e simplesmente, não consegue estar calado e perante personalidades com a dimensão política das citadas, concordemos ou não com a sua decisão (e eu não concordo), tem obrigatoriamente de se pôr em bicos de pés para se conseguir fazer ouvir?

segunda-feira, abril 23, 2012

Um 25 de Abril mais pobre

Claro que a Associação 25 de Abril tem todo o direito de assumir as opções políticas e ideológicas que entender e Mário Soares a solidarizar-se com elas. Quem sou eu para lhes negar tal direito, principalmente ao segundo, personalidade que merece a minha maior admiração e respeito. Mas tendo sido a instauração de um regime democrático o principal objectivo do 25 de Abril e tendo Mário Soares empenhado toda uma vida na sua defesa intransigente, não podemos negar ser o actual governo, gostemos mais ou menos dele, concordemos ou discordemos da sua ideologia e prática política, uma emanação dessa mesma democracia, tendo sido eleito através do voto legítimo e inquestionável dos portugueses e, no essencial, não tendo até ao momento deixado de respeitar as regras e instituições do Estado democrático. Exactamente por isso, preferia que os militares de Abril e o Presidente Mário Soares, independentemente da opinião que tivessem e têm todo o direito a exprimir sobre o actual governo, honrassem, com a sua presença nas cerimónias oficiais, essa mesma democracia e a decisão legítima dos portugueses.  

Bobby Fuller (1)

Bobby Fuller Four - "I Fought The Law"

As eleições francesas e algum desconforto dos "media" portugueses

Pareceu-me sentir algum desconforto da maioria da cena mediática portuguesa face ao resultado de Sarkozy na primeira-volta das eleições francesas. Não por Sarkozy, lui-même, mas porque, de facto, Sarkozy é o candidato do governo português, aquele cuja vitória mais convém à ideologia e prática políticas actualmente dominantes na direita cá do sítio. Por isso, prefere-se colocar em destaque o resultado de Marine Le Pen, como se não se soubesse que nele está contido muito voto de protesto, anti-sistema e típico de uma primeira volta, voto esse criado exactamente pelas opções da política europeia dos últimos anos e da qual Merkel e Sarkozy são expoentes. E depois fazem-se contas estúpidas, somando os votos de esquerda, de um lado, e direita, do outro, como se a segunda volta, a dois, não se traduzisse em mais do que uma soma aritmética dos votos da primeira, e assim se concluir de imediato que Sarkozy sairá na frente. Se assim fosse, não seria necessária uma segunda-volta, bastando tal exercício matemático para se eleger o presidente, poupando-se tempo e dinheiro. Bem melhor fizeram os "media" franceses, realizando sondagens para determinar quais seriam as transferências de intenções de voto na eleição do próximo dia 6 de Maio.

Com a ressalva de que o rigor de sondagens para aferir as intenções de voto numa segunda-volta realizadas antes de uma primeira-volta e, principalmente, no dia dessa mesma primeira-volta deixará algo a desejar, o que é facto que até hoje nenhuma sondagem dá Sarkozy à frente, variando a vantagem de François Hollande entre 4 e 6 pontos percentuais. São pois estas - as sondagens sobre o resultado de dia 6 e sobre as possíveis transferências de voto - as únicas contas válidas para aferir como partem os candidatos para mais quinze dias de campanha e são elas que irão condicionar o seu comportamento. Hollande gostaria a segunda-volta fosse já amanhã, e tentará conservar a vantagem jogando na defensiva, isto é, ao centro, tendo garantidos à partida quase o pleno dos votos da esquerda (são as sondagens que o dizem). Sarkozy terá de recuperar o terreno perdido jogando à sua direita, onde, também segundo as sondagens, a transferência de voto não é tão avassaladora (na casa dos 60%). Mas ao fazê-lo poderá também perder alguns ao centro, terreno dos eleitores de Bayrou. Digamos que a posição de Hollande é bem mais confortável (só tem de não cometer erros), mas jogar ao ataque e à direita é o terreno de eleição de Sarkozy. Prognósticos? Esses só mesmo no fim do jogo.  

O ex-inspector Cristovão e o seu "assassinato público"

O vice-presidente do SCP e ex-inspector da Polícia Judiciária Paulo Pereira Cristovão, tal como qualquer outro cidadão, é inocente até prova em contrário deduzida por tribunal competente com sentença transitada em julgado. Ponto final. Mas não deixa de ser irónico que Paulo Pereira Cristovão venha agora falar em "assassinato público, via jornais e televisão", nada mais, nada menos, do que o método preferido pela polícia da qual fez parte para julgar e linchar na praça pública cidadãos tão inocentes como ele. E nem sequer vale a pena apresentar exemplos...

Paulo Pereira Cristovão está agora a provar do seu próprio veneno, mas como veneno de cobra nunca matou a própria cobra (mas pode matar os que a cercam) não me parece venha daí a tirar as ilações devidas. Pois é, "malagueta  no cu dos outros não arde"...  

domingo, abril 22, 2012

Catch the Wave (9)

Dick Dale & His Del-Tones - "Surfing Drums"

O "cavaleiro andante" Paulo Portas

O golpe de estado na Guiné-Bissau caiu como sopa no mel a Paulo Portas e ao CDS. Permite-lhes assumir protagonismo político fora das questões de ordem económica que quase hegemonizam a actividade governamental e penalizam os portugueses, desvia as atenções do recente "faux pas" (diria mais, "trambolhão") do ministro Mota Soares a propósito da segurança e social e, "last but not least", transforma o Ministro dos Negócios Estrangeiros numa espécie de "cavaleiro andante" de armadura reluzente na defesa da democracia, honra, justiça e paladino do "império do bem". Vendo bem, até  é um fato feito à medida do ministro Portas. 

sexta-feira, abril 20, 2012

Moondog Alan Freed - the Alan Freed* story (3/3)

A vitória do SCP e a continuidade de Jorge Jesus

Se o SCP elimina o Athletic Club e se qualifica para a final da Liga Europa (ontem jogou tão bem quanto os bascos mal) e se, depois disso, consegue ainda ganhar a final, está arranjado mais um berbicacho para Luís Filipe Vieira resolver, já que dificilmente os benfiquistas desculparão a Jorge Jesus o insucesso da época passada, quando a equipa foi eliminada pelo SC Braga das meias-finais da mesma competição. Endereçando já desde aqui as minhas felicitações aos meus amigos "lagartos" pela exibição e garra demonstradas (têm motivo para se sentirem orgulhosos por isso), peço, no entanto, desculpa por não lhes poder desejar a vitória: problemas relacionados com a decisão sobre a continuidade de Jorge Jesus já lá nós temos que cheguem. Dispensamos de bom grado mais um. 

A eleição para o Tribunal Constitucional e a democracia

O processo de eleição pela Assembleia da República de três novos juízes, propostos por PSD, PS e CDS, para o Tribunal Constitucional é bem emblemático do modo como os partidos políticos, por inépcia, falta de bom senso ou simples inércia de funcionamento, acabam por potenciar, em vez de atenuar, o ambiente anti-política e anti-partidos (direi, anti-democrático) que faz caminho na sociedade portuguesa. Não vou aqui discutir (não sou jurista, muito menos constitucionalista) a necessidade de existência de um Tribunal Constitucional, alternativas e modelos de nomeação e eleição dos respectivos juízes: existirão, embora nenhuma das alternativas para já propostas me tenha totalmente convencido. Convém no entanto não esquecer o seguinte: que a Constituição da República é um documento político, e como tal deve ser interpretado; que em democracia os partidos políticos são a expressão legítima das ideologias e interesses, tantas vezes conflituais, existentes na sociedade; e aqueles que julgam que um orgão desse tipo composto apenas por membros nomeados por juízes e magistrados, excluindo os partidos ou os "políticos" da participação na sua escolha, seria mais independente ou isento, como que hegienizado ou bacteriologicamente puro, livre de influências político-partidárias vistas como mal-sãs, está profundamente enganado: basta ler alguns acordãos dos tribunais, analisar a actuação dos sindicatos do sector nos últimos anos e o modo como se aproveitaram de imediato desta situação para a sua luta política para concluir que nunca seria assim. E com uma agravante: nos partidos políticos, ao contrário do que acontece com a magistratura, votamos, podemos pedir-lhes satisfações pelos seus actos e penalizamos ou recompensamos a sua actuação em eleições, assistimos livremente aos seus debates e até deles podemos ser membros de pleno direito. Assim sendo, penso que algum bom-senso e decoro, algum recato nos processos seria com certeza procedimento suficiente para evitar que esta e futuras eleições se transformassem em oxigénio para atear mais um pouco a fogueira onde vai ardendo a democracia.

quinta-feira, abril 19, 2012

Moondog Alan Freed - the Alan Freed* story (2/3)

As capas de Cândido Costa Pinto (76)

Capa de CCP para "A Aldeia de Vidro", de Ellery Queen, nº 100 da "Colecção Vampiro"

Ora aproveitem lá a "bola" para aprenderem alguma coisa

Castelhano: "Todo está preparado para la disputa del partido entre el Sporting Clube de Portugal y el Athletic Club, correspondiente a la ida de la semifinal de la UEFA Europa League (21:05, Jonas Eriksson -SWE-, José Alvalade, C+1).

El jueves 19 de abril, como es habitual en la normativa UEFA, se ha celebrado en las instalaciones del José Alvalade, desde las 10:30 horas, la reunión organizativa bajo la dirección del delegado de la UEFA, el noruego Odd Flattum, y con la presencia del cuarto colegiado, el sueco Daniel Stålhammar, en representación del árbitro Jonas Eriksson, los asistentes Stefan Wittberg, Mathias Klasenius; y Markus Strömbergsson, Stefan Johannesson, árbitros asistentes adicionales y todos ellos suecos.

Entre las decisiones adoptadas en la misma, además de las relativas a las normas deportivas, administrativas y de seguridad a seguir durante el partido, se han definido las vestimentas que portarán ambos conjuntos. Por parte del Athletic Club, nuestro equipo utilizará su tercera indumentaria, camiseta negra, pantalón negro y medias rojas. Los porteros vestirán camiseta, pantalón y medias azul celestes. 

Por parte del Sporting, sus jugadores lucirán camiseta verde y blanca a franjas horizontales, pantalón blanco y medias verdiblancas, mientras que sus porteros lo harán con camiseta verde, pantalón blanco y medias verdes."



Basco: "Dena prest dago Sporting Clube de Portugal-Athletic Club UEFA Leagueko finalerdiei dagokion joaneko partidarako (21:05, Jonas Eriksson –SWE-, Jose Alvalade, C+1).

Apirilaren 19an, eta ohikoa den legez, 10:30etatik aitzina bilera antolatzailea burutu da Jose Alvaladen bertan, Odd Flattum UEFAko delegatu norvegiarraren agindupean. Bertan ere, besteak beste Daniel Stålhammar laugarren epaile suediarra presente egon da, Jonas Eriksson epailea, Stefan Wittberg eta Mathias Klasenius epaile laguntzaileak; eta Markus Strömbergsson, Stefan Johannesson epaile laguntzaile osagarrien izenean.

Bileraren ondorioz talde bietako janzkeraren koloreak zehaztu dira. Gure aldetik hirugarren elastikoa eramango dugu, kamiseta eta praka beltzak eta galtzerdi zurigorriekin; atezainek elastiko, praka eta galtzerdi urdin argiaz joango dira. Sportingen aldetik kamiseta orlegia eta zuria, zerrenda horizontaletan, praka zuriak eta galtzerdi zuriorlegiak eroango dituzte. Atezainei dagokienez, kamiseta orlegi argai, praka zuriak eta galtzerdi zuriorlegiak jantziko dituzte."

Sword & Sandals (12)


"Duel of the Titans", de Sergio Corbucci (1961)

Frivolidades ou "coisas de gajo": "dress codes" (15). Camisa e casaco sem gravata

É cada vez mais comum, até entre jornalistas e comentadores da TV, ver gente vestindo camisa sem gravata, a maior parte das vezes usando também casaco ou até fato. O problema não é a ausência de gravata, mas o facto de não saberem como o fazer. Algumas dicas:

  1. Não se deve usar camisa aberta, sem gravata, com fato, excepção feita a um fato mais desportivo, de flanela cinzenta, por exemplo.
  2. O ideal será vestir um "blazer", casaco de "tweed" ou, no Verão, um casaco "mil raias" ou outro desportivo, daqueles de algodão ou linho, por exemplo.
  3. Para usar sem gravata o ideal será sempre uma camisa com um colarinho "button-down", que "cai" melhor e é menos formal. Não é imperativo, mas é normalmente mais estético.
  4. "Idem" para camisas fabricadas com um tecido mais informal, como, por exemplo, "oxford". 
  5. Também é preferível optar por punhos simples. Mas se forem duplos, com "blazer "jaquetão" e camisa "cutaway collar", sempre usando botões de punho muito simples e despretensiosos, de preferência "silk knots".
  6. Por último, o mais importante: nunca se desaperta apenas o primeiro botão, o do colarinho, mas os dois primeiros. Este é talvez o erro mais comum e visível, no qual jornalistas, políticos e comentadores de TV insistem a despropósito. Desapertar apenas o primeiro botão é um "faux pas" tão grave como desapertar três botões e mostrar os pelos do peito.

quarta-feira, abril 18, 2012

"Moondog Alan Freed" - the Alan Freed* story (1/3)

O sonho de Ferreira Leite...

Ora agora imaginem lá que aquele desabafo, sonho quase desejo de Manuela Ferreira Leite - o de interromper a democracia por seis meses - se tornava realidade? E quase de forma tácita e consensual, sem golpes de estado, dramas, derramamento de sangue, alteração da ordem constitucional e, até, dos actores políticos... Estou a delirar? Talvez nem tanto. Ora vejam lá bem...

O governo actua quase como quer, a seu belo-prazer. A oposição, presa a um MoU que assinou e à sua própria inépcia (PS), ou ao seu tradicional radicalismo inconsequente (PCP e BE), não existe ou não tem credibilidade política (ou ambas as coisas). Na área sindical, a UGT aderiu ao governo e, agora, entrou num delírio ao estilo "agarrem-me senão eu rasgo o que assinei", algo em que ninguém no pleno gozo das suas faculdades acredita. Já a CGTP faz aquilo que sempre fez com as inconsequências do costume: umas manifestações e umas greves "ditas" gerais que só ela e a esquerda radical acham vitoriosas. A cena mediática parece enfim pacificada, salvo cada vez mais raras excepções, com Marcelo Rebelo de Sousa e o populismo de Marques Mendes a dominarem o que era feudo de Moura Guedes. Na Assembleia da República vive-se a paz dos cemitérios, que só não é total porque alguns deputados do PS teimam, por vezes, em sair das catacumbas. Os sindicatos dos magistrados e juízes vivem em romântica "lua de mel" com a ministra e os agricultores, e todo o país com eles, até já começaram a "achar uma graça" e a tratar por "fofa" a ministra Assunção Cristas. Ah!, os professores! Mas alguém ainda se lembra que há professores, Fenprof e Mário Nogueira? Enfim, vai-nos valendo a Igreja Católica, que parece não ter achado lá muita graça àquela história do corte dos feriados de 15 de Agosto e 1 de Novembro. Ditadura, no sentido impositivo do termo, talvez não seja, mas na prática, tacitamente assumida, olhem que anda lá bem perto e parece quase ninguém se importa. E se isto continua assim, ainda seremos todos obrigados a uma visita a Paris para gritar bem alto à porta da Sorbonne: "Sócrates, volta. Perdoado não estás, mas vem cá abaixo por uns dias para ver se isto anima"!

terça-feira, abril 17, 2012

Coentrão - lo peor



Pois é, uma coisa é o campeonato português, outra, bem diferente, as 1/2 finais Champions League. Para todos perceberem um pouco melhor os exageros do jornalismo desportivo português e os "critérios" a que ele "obedece".

"Frivolidades ou "coisas de gajo" - tudo o que você gostaria de saber sobre sapatos e não tinha onde aprender

O meu exemplar foi oferta. Mas sei foi comprado em saldo, por preço acessível, numa loja da cadeia de conveniência VIPS, no Paseo de la Habana, em Madrid, nos idos de 2005.
Tem tudo o que é preciso saber sobre sapatos para homem e também pode ser comprado na net 

D. Juan Carlos, o elefante e a unidade de Espanha

Penso que os portugueses se esquecem com demasiada frequência que a Espanha, ao contrário do que acontece com Portugal, é um Estado multinacional, em que a sua unidade enquanto país não se alicerça numa língua e cultura únicas e num longo percurso histórico contra um inimigo comum. Ou mesmo como os USA, cuja unidade nacional foi em grande parte construída pelo facto de neles terem encontrado oportunidade de liberdade e de uma vida mais digna os pobres e perseguidos da Europa - mas também de alguma Ásia. Digamos que, raspada alguma camada superficial acumulada por umas poucas centenas de anos de vida em comum, muitas vezes forçada, continua um galego a ter mais a ver com um português do que com um catalão ou um basco, ou qualquer destes com um castelhano. Mais ainda, é muitas vezes esquecido que a sua guerra civil do século XX não opôs apenas a esquerda liberal, socialista, comunista e anarquista, à direita conservadora, fascista e ultra-católica, o trabalho e o capital, mas também as nações basca e catalã ao resto de Espanha e, principalmente, ao domínio de Castela.

Tendo dito isto, é bom lembrar que a precária unidade da Espanha actual muito deve ao rei Juan Carlos e ao seu papel na chamada "transição democrática", que estabeleceu as bases mínimas nas quais a grande maioria dos espanhóis se pôde rever, independentemente da respectiva nacionalidade, língua materna, opção politica ou de regime. Por isso mesmo, o que está agora em causa na tão badalada caçada aos elefantes do rei Juan Carlos, no Botswana, não é apenas uma questão moral pelo facto do rei ter decidido esbanjar uns milhares de euros, numa actividade frívola, num momento de austeridade para a grande maioria dos seus concidadãos. Muito menos uma questão, também ela moral, de ver o seu rei envolvido na crueldade ou brutalidade de uma actividade como a caça grossa, facto que não deixará de chocar muitos dos espanhóis. Embora ambas as questões não deixem de ter o seu peso, o que está fundamentalmente em causa e delas deriva é uma questão política e, neste aspecto, um erro crasso do rei que, ao arriscar com este seu acto colocar em causa a instituição monárquica, que com ele se confunde, não deixará, dado o papel que esta tem desempenhado desde a "transição", de contribuir também para enfraquecer a unidade do pais e o precário  equilíbrio multinacional em que esta tem assentado nos últimos anos. Numa república, o eleitorado não deixaria de lhe indicar qual o próximo caminho a seguir. Mas também tenho dúvidas que sem Juan Carlos e a monarquia a Espanha tivesse conseguido percorrer o mesmo caminho que iniciou em 1976 e fosse um país igual ao que é hoje. Mas cumprido esse papel, teremos que nos interrogar se o rei de Espanha ainda faz parte da solução ou, pelo contrário, se tornou num problema que é necessário resolver.

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (10)

Bob Dylan pelos Byrds - "My Back Pages"
Original de Dylan incluído no álbum "Another Side of Bob Dylan" (1964) e versão dos Byrds no álbum "Younger Than Yesterday", 4º do grupo (1967)

segunda-feira, abril 16, 2012

Três questões sobre Pablo Aimar e o SLB

  1. Quantos jogos importantes já não ganhou o SLB sem Aimar, o último dos quais ao Zenit, a melhor exibição da equipa nos últimos dois meses?
  2. Para os que se queixam da falta de alternativas a Aimar, Gaitán e Bruno César, que jogavam nos seus clubes de origem no lugar que Aimar actualmente ocupa, não o são? (se Jorge Jesus não os utiliza nessa posição e porquê, isso já é outra conversa).
  3. Quando o SLB é obrigado ou opta por privilegiar o jogo directo, o que acontece com alguma frequência, para que serve um jogador como Aimar?

She had a farm in Africa...

"Tabu", de Miguel Gomes

Claro que não há existe o "glamour" do par romântico Streep/ Redford (nem era suposto isso existir - livra!), o brilho do "Technicolor (claro que o filme teria de ser a "preto e branco") ou a "patine" aristocrática da baronesa Karen Blixen (o que restava da aristocracia portuguesa no final dos anos 50 do século XX caçava no Alentejo), mas Portugal teve colónias em África e a sua história não se restringe à guerra colonial:  antes e durante existiu o colonialismo possível de um país periférico, pobre e provinciano até à medula, mas onde também coexistiram amores e desamores, paixões e traições, pequenos e grandes dramas de amor e alguma morte. Foi a "grandeza" possível captada num filme que parece feito com uma daquelas câmaras de 8'' (só poderia ser assim  e por isso é quase todo em "off") com que em tempos se filmava o real, para mais tarde recordar. Se tal for possível, isto é, se estiver disponível em DVD, aproveite para ver também "A Costa dos Murmúrios", de Margarida Cardoso. 

Les Surfs - "Tu Serás Mi Baby" (versão em castelhano do original "Be My Baby", das Ronettes)
Da banda sonora de Tabu", filme de Miguel Gomes

Nomes...

Ora aqui está um excelente exemplo de como os conceitos podem mudar o seu valor ao longo do tempo. Na Idade Média, quiçá, para ser mais preciso, no tempo das cruzadas, o nome da juíza proposta pelo CDS para o Tribunal Constitucional, Fátima Mata Mouros, seria com certeza motivo de orgulho para quem o ostentasse e de admiração positiva para terceiros. Um apelido ganho, certamente, por um seu antepassado que se terá distinguido na luta contra os "infiéis" de antanho, imagino. Hoje, trata-se de um apelido politicamente incorrecto, e gostaria de saber o que farão ao nome da senhora se, porventura, ela tiver de se deslocar um qualquer dia em missão oficial ao norte de África. Bom, mas também já houve um general Buceta Martins, de seu nome, só que não sei se alguma vez se terá deslocado ao Brasil...

domingo, abril 15, 2012

Grand Prix (4)


Os "serviços de inteligência" leoninos

Confesso que sempre me fez alguma confusão o facto de alguém como Paulo Pereira Cristovão, sem peso ou prestígio no universo sportinguista e com um percurso pessoal e profissional que suscita, no mínimo, alguns reparos, ter acabado cooptado para uma lista "oficial" e potencialmente vencedora das eleições para os orgãos dirigentes do SCP, clube onde me habituei a ver uma maioria de gente que considero respeitável. Acho que, com os acontecimentos dos últimos dias, finalmente se percebem as razões de tal cooptação e qual o papel que Pereira Cristovão e as suas empresas se terão proposto desempenhar no universo e estratégia "leoninas": assim um género de misto das actividades do MI 5 e o MI 6 britânicos adaptado às limitações de um ex-polícia português profissionalmente não muito bem sucedido. Enfim, digamos que se comparados com as "sturmabteilung" do FCP, estes "serviços de inteligência" sportinguistas têm pelo menos a virtude de tentarem usar mais o cérebro. Mas quando ele é fraco... 

sexta-feira, abril 13, 2012

História(s) da Música Popular (198)

Cliff Richard - "Mean Streak" (Abril 1959)

Cliff Richard - "Never Mind" (Abril 1959)

British Rock & Roll (IX) - Cliff "rocker" (4)

Quarto "single" de Cliff, editado, tal como o seu primeiro álbum (lá iremos), em Abril de 1959, é extremamente homogéneo no que ao "rock n' roll" diz respeito: tanto a lado "A" ("Mean Streak", de Ian Samwell) como o "B" ("Never Mind") são dois bons exemplos do Cliff "rocker", não existindo no disco o lugar normalmente destinado a uma balada ou "slow". Pese embora gostar muito de "Move It", o lado "A" do seu primeiro "single", no seu conjunto este é talvez o meu favorito. E atenção ao extremamente impressivo "riff" de "Mean Streak"...

E um pouco mais de respeito, Srª ministra Assunção Cristas

Não sei se existe ou não falta de gente para trabalhar na agricultura, mas o que sei e conheço é muita gente que procura qualquer trabalho, qualquer um, mais ou menos adequado às suas qualificações ou ao seu ramo de experiência e conhecimentos, e não o encontra. Em termos gerais e abstractos, é esta a situação, bem demonstrada pela taxa de desemprego mais elevada de sempre no país.

Mas, ao fazer estas afirmações, a ministra Assunção Cristas está tudo menos preocupada com veracidade do que diz e com a sua correspondência à realidade. O que pretende é, isso sim, juntar à sua voz à ideologia dominante neste governo - especialmente no CDS e que serve de justificação acrescida para o corte nas transferências sociais - que tenta passar a mensagem de que os portugueses são "uma cambada de preguiçosos", que "não se dispõem ao trabalho duro" e "gostam é de viver à sombra e à conta dos subsídios estatais". No fundo, que pelo menos uma parte deles é responsável pelo seu próprio desemprego. 

Trata-se, está bem de ver - e não vou ter medo das palavras -, da mais rasteira demagogia populista da direita radical, digna da família Le Pen, e se os portugueses têm compreendido e aceite com notável resignação que, no estado actual do país, é necessária alguma moderação e até refluxo em algumas das transferências sociais que já muitos se vêm forçados a receber - e para as quais também muitos deles descontaram uma vida, note-se - teriam pelo menos todo o direito a verem reconhecida essa sua atitude por parte do governo e, no mínimo, a não serem insultados pela ministra.

Vichy (3)


quinta-feira, abril 12, 2012

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 6/6

O PS e a sua "tradição europeísta"

Ok, nas actuais circunstâncias (desnecessário descrevê-las) até percebo o PS vote a favor do novo Tratado Orçamental da União Europeia, embora tenha algumas dúvidas pudesse ser esse o meu voto de cidadão independente. Só não entendo é o PS o faça invocando a sua "tradição europeísta", já que me parece o Tratado cria, ele próprio, uma ruptura, uma descontinuidade numa tradição europeia marcada pela hegemonia de duas famílias políticas fundadoras (Democracia-Cristã e Social-Democracia) que dificilmente se reconheceriam na ortodoxia e matriz ideológica subjacentes ao Tratado. Ou será que a tal "tradição europeísta" (digo eu, que me assumo federalista) serve agora para o PS aprovar, de olhos fechados e mesmo que isso desrespeite a sua ideologia, tudo o que venha de Bruxelas ou Berlim? 

Sim, eu sei que sim, que a situação é complexa e há sempre uns sapos (e não umas pernas de rã) que nos esperam ao vir da esquina, mas pelo menos algum respeito pela História e pela tal "tradição".

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (31)

"La Complainte Du Partisan" - o original de Anna Marly (1943)

A versão de Leonard Cohen - ("The Partisan") 
Do álbum "Songs From a Room" (Abril de 1969) 

Não tarda, voltam a nascer bebés em ambulâncias.

Confesso que esta história da contestação ao encerramento da maternidade Alfredo da Costa tem, para mim, um certo ar de "surto de bebés a nascerem em ambulâncias" ou de "crime lesa-pátria por as crianças portuguesas irem nascer a Badajoz", quais Miguéis de Vasconcelos (pobre homem...) em potência. Não que duvide os profissionais da MAC sejam dos melhores que por cá existem, nem que a instituição preste um serviço de excelência; sei que isso é verdade e tal me tem sido desde há muito confirmado. Mas não consigo entender porque razão tal qualidade não pode continuar a ser regra em outras instituições que a substituam se a transferência de serviços e competências for, também ela, feita com rigor e respeito por profissionais e utentes dos serviços. Até me conseguirem provar tal não será possível "não dou para o peditório", tal como nunca dei para o anterior. 

Nota: já agora, parece que os fregueses de São Sebastião da Pedreira - ou quem por eles fala - não querem que a freguesia deixe de ostentar o nome de São Sebastião depois da fusão prevista com Nª Senhora de Fátima (ficará a chamar-se Avenidas Novas). Dizem que ficam orfãos do santo, ou qualquer parvoíce do género... De facto, a estupidez de certa gente não tem limites e a da comunicação social (TSF) que dá guarida a estes disparates, também não.

quarta-feira, abril 11, 2012

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 5/6

Country Life (17)




Hanbury Hall - Worcestershire

Parque Escolar: conversa a mais

Peço imensa desculpa - principalmente a Maria de Lurdes Rodrigues, a melhor ministra da Educação do Portugal democrático -, mas o que está em causa nas audições parlamentares e tem de ser apurado não é se as obras realizadas pela Parque Escolar eram ou não necessárias e se foram as adequadas (em ambos os casos, não me custa admitir que sim), se o seu custo por metro quadrado foi inferior ou superior ao de outros países, se as obras foram ou não importantes e indispensáveis para reanimar a economia em tempo de crise (na altura, toda a gente achava que sim e eu ainda hoje tenho a mesma opinião) e outras coisas do mesmo género. O que está em causa e deve ser apurado é se as obras cumpriram ou não o orçamento aprovado para a sua realização (e se não cumpriram quais as razões para tal, que até podem ser relevantes e aceitáveis), se existiram ou não irregularidades ou ilegalidades na sua aprovação e execução, enfim, se cumpriram o que estava legal e contratualmente estabelecido e se isso não aconteceu quais as justificações respectivas - que, repito, até podem ser relevantes. O resto, desde as explicações das ex-ministras para justificar a bondade das obras às perguntas demagógicas de PSD/CDS/PCP e BE para tentar tramar os governos PS, será com certeza politicamente muito interessante e deve ser discutido, mas nada tem a ver com o objecto das audições, que deveria estar centrado no conteúdo do relatório do Tribunal de Contas. Mas gostam todos muito de se ouvir...

1ª Liga: orçamentos 2011/2012

Na época de 2009/2010, realizei neste "post" uma análise comparativa da classificação das equipas da 1ª Liga e dos respectivos orçamentos, concluindo que, na generalidade, a classificação final reflecte esses mesmos orçamentos, sendo poucas e não muito relevantes as excepções. Entretanto, só agora consegui números que possibilitem efectuar análise semelhante para esta época, o que farei no final do campeonato já que só deste modo se poderá avaliar com rigor o comportamento de cada equipa. De qualquer modo, aqui ficam para já os orçamentos, podendo desde já concluir-se que a tendência se mantém, sendo a excepção mais relevante o SC Braga, o que terá a ver com a estabilidade da gestão do clube. Nos antípodas, o VSC (Guimarães), onde o populismo parece ter assentado arraiais e prejudicado aquele que teria hipóteses de ser o 4º clube português. Mas, como é óbvio, as contas fazem-se no fim.

(valores em milhões de euros)
FC Porto: 95
SL Benfica: 50
Sporting CP: 40
SC Braga: 17
Vitória Guimarães: 9
Maritimo: 6
Nacional: 5
União de Leiria: 4.5
Rio Ave: 4
Gil Vicente: 3.7
Académica de Coimbra: 3.5
Paços de Ferreira: 2.5
SC Beira-Mar: 2
CD Feirense: 2
Olhanense: 1.4
Vitória Setúbal: 1.3

terça-feira, abril 10, 2012

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 4/6

Mozart e Jos van Immerseel* (3)


Orquestra Anima Eterna dirigida por *Jos van Immerseel

A "verdade" e as reformas antecipadas

O que está mal não é o governo ter sonegado aos portugueses - adiando-a - a informação sobre o fim das reformas antecipadas: tratou-se de uma medida correcta de gestão da informação que, a não ter acontecido, levaria a um género de "goldrush" indígena que acabaria por colocar governo e Estado em sérias dificuldades. O problema está nessa mania de fresca data, de raiz populista, de prometer falar sempre "verdade" aos cidadãos (neste caso, aos portugueses), que, a ser levada a sério, levaria governos a abdicar da gestão da informação, algo desde sempre essencial na política e na boa governação. No fundo, algo que transformaria a política noutra coisa qualquer e conduziria as sociedades ao caos organizado.  

Digamos que, neste caso, ao ser obrigado a enfrentar as críticas (acho que injustas) da oposição e de muitos comentadores ao modo como geriu o assunto, o governo acaba por ser obrigado a provar do veneno que derramou ao prometer dizer apenas a verdade, algo que sabia nunca poderia cumprir. Que lhe sirva de lição.

Uma equipa em "surménage"

Nos últimos três jogos o SLB incorreu em três lances defensivos susceptíveis da marcação de igual número de grandes penalidades. Em dois deles (Chelsea e SCP) o árbitro assinalou a infracção e os golos daí resultantes foram chave para o resultado final do jogo e futuro do SLB nessas provas. No outro (SCB) o árbitro não assinalou felizmente a falta.

Que quero dizer com isto? Que esta sucessão de faltas graves, na área, é bem sintomática de uma equipa cansada física e mentalmente, em "surménage" competitiva. E neste estado não se podem ter ambições...

segunda-feira, abril 09, 2012

SCP - SLB: ainda a quente

Sim, eu sei que os "do costume" só irão falar do "penalty" de Luisão (bem assinalado) e do que também deveria ter sido e não foi, de Polga sobre Gaitán. Mas no resto do tempo o que se viu foi um chorrilho de asneiras do "Glorioso", que deve a Artur Moraes não ter sofrido derrota mais pesada. Mas vamos ao que mais interessa...

E o que mais interessa (ou seja, o que é estruturante) é que este SLB de Jorge Jesus parece não evoluir desde 2009/2010, não mostrando capacidade para crescer estruturada e sustentadamente, isto é, para, pegando na ideia e princípios em que o seu futebol assenta desde essa época, eliminar ou minimizar os seus pontos fracos e fazer progredir aquelas que são, desde sempre, as suas virtudes. Este parece-me ser o problema-chave evidenciado pelas últimas exibições, numa fase em que o clube também não pode contar com grandes disponibilidades para novos investimentos, ou seja, em que parece difícil sejam novas contratações a resolver este problema.

A Pirate's Tale: a história da Radio Caroline (8 e último)

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 3/6

Nota do autor do "blogue":

Interessando-me por estes assuntos da História, uma das coisas que sempre muito me impressionou na participação portuguesa na Grande Guerra (é este o nome que tradicionalmente lhe é dado) foi o modo como o CEP (Corpo Expedicionário Português), constituído na sua esmagadora maioria por soldados de origem camponesa, se teria (não)adaptado àquela que foi a primeira guerra mecanizada, também a primeira da época industrial. Este assunto é focado nesta excelente série de programas, tanto quanto as características de uma série documental de TV o permitem, mas existe ainda um outro tema que aqui não é focado e também seria de interesse nos interrogássemos um pouco sobre ele: como é que esse exército de camponeses analfabetos (de facto ou funcionais), desconhecedores de qualquer estrutura organizacional hierarquizada e complexa num país onde a indústria, sector onde prevalece esse tipo de organização, era quase desconhecida, se teria integrado num exército baseado numa estrutura deste tipo, e quais os problemas que isso teria levantado à sua operacionalidade. Fica o repto aos historiadores militares, como Carlos Matos Gomes e Aniceto Afonso

Frivolidades ou "coisas de gajo": "dress codes" (14). "Polos"


Ou: tudo o que gostava de saber sobre "polos" mas tinha vergonha de perguntar"
  1. Existem basicamente dois modelos de "polos"clássicos: o modelo americano, mais justo ao corpo e com as costas mais compridas do que a parte da frente, e o modelo mais comum na Europa, um pouco mais largo e com pouca ou nenhuma diferença de comprimento entre "frente" e "costas". Optar por um ou outro é uma questão pessoal. Prefiro o modelo americano, mas é mais difícil de encontrar na Europa.
  2. Uma "polo" clássica tem dois botões. Nem um, nem três, e ponto final. O resto são variantes que têm mais a ver com as antigas camisolas de "rugby" do que com as "polo" clássicas. Não as rejeito, e até tenho uma ou outra, mas são outra conversa.
  3. "Homens-sanduíche" a fazerem publicidade são coisa da grande depressão" (a de 29, e não esta). Por isso, essa história de andar cheio de emblemas a mostrar a marca da "polo" é para esquecer. De preferência - sim, eu sei que nem sempre é fácil - é melhor comprar "polos" apócrifas, sem jacarés, cavalinhos ou o que quer que seja.
  4. Ok, não sejamos demasiado radicais: "polos" com o emblema do colégio, da universidade, do clube ou torneio de ténis, golfe ou da regata de Henley também são admitidas.
  5. Existem "polos" (no original, "polo shirts" ou "chemises "polo") de muitas qualidades, com preços que vão dos €10 aos €100 (roughly). Desde que feitas de algodão, sem mistura de fibras, não é necessário comprar sempre das mais caras, até porque na maior parte das vezes não é compensador em termos de qualidade. Quem tiver - digamos - vinte "polos" no armário, pode ter apenas umas cinco de melhor qualidade, que não custarão mais de €50 ou €60 cada - ou menos, se aproveitar os saldos -, e as restantes pode comprá-las por aí, a preços reduzidos, na H&M, Cortefiel, Springfield, etc. Depois é usá-las conforme as circunstâncias.
  6. Ao contrário do que possa parecer, "polos" de manga comprida são mais informais do que de manga curta. E qualquer delas sempre mais informal do que uma camisa.
  7. "Polo" é camisa de veraneio. Portanto, é para usar com vestuário com idêntica personalidade, "Chinos", "jeans", "bermudas" e fato de banho. Quando usadas com "bermudas" ou fato de banho, ficam especialmente bem combinadas com as populares alpercatas, desde que não vá com elas para a água. 
  8. Para não começarem a ficar "ruças" (as de cor escura), podem ser lavadas misturando na água um pouco de vinagre (vinagre normal, e não aceto di Modena).
Como se pode concluir, nem sempre é preciso muito dinheiro para se andar decentemente vestido. Ou melhor: There are lots of things money can't buy.

sábado, abril 07, 2012

SLB: é melhor pensar um pouco nisto

Esta época, enquanto o FCP fez 10 pontos em 12 possíveis nos jogos contra os adversários directos no campeonato, o SLB fez apenas 5. Na época passada, o SLB perdeu ambos os jogos com o FCP para o campeonato, foi eliminado na Taça de Portugal por esse mesmo clube e da Liga Europa pelo SCB. Mesmo na época em que foi campeão, não conseguiu vantagem sobre os outros dois candidatos, FCP (1-0 e 1-3) e SCB (0-2 e 1-0) . É mais nisto - que me parece uma questão estrutural - e menos nos árbitros, que o meu clube deve pensar.

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 2/6

A Pirate's Tale: a história da Radio Caroline (7/8) - são oito vídeos e não sete, como por lapso indiquei

sexta-feira, abril 06, 2012

As Grandes Batalhas de Portugal - La Lys (9 de Abril de 1918) - 1/6

A Pirate's Tale: a história da Radio Caroline (6/7)

O "lapso"

Neste país, se um membro do governo conta uma anedota de mau gosto sobre alentejanos é obrigado a demitir-se. Se um outro faz "corninhos" a um membro do parlamento, idem, idem. Se um jornalista comemora em directo um golo do SLB é demitido. Enfim, assumo que, mesmo no último caso, nada de fundamental tenho a opor e compreendo as decisões. Mas se o mais importante ministro de um governo assume que se baralhou sobre um assunto que envolve um corte substancial nos salários e pensões de, no mínimo, umas centenas de milhar, para não dizer bem mais de um milhão de portugueses, tendo defraudado as suas expectativas legítimas num assunto que, mais a mais, está longe de ser consensual em termos de legitimidade constitucional, diz que foi "um lapso", encolhe os ombros, toda a gente compreende e nem sequer há lugar a um pedido de desculpas formal aos portugueses, o que seria o mínimo exigível. 

Se querem saber o que é ausência de rigor e de noção da responsabilidade, falta de sentido do dever e de brio profissional têm aqui um bom exemplo. Que serve também para explicar as razões do atraso do país, pois claro.

quinta-feira, abril 05, 2012

SLB: rescaldo da Champions League

Como sempre tenho afirmado neste "blog", o SLB cumpriu mais do que a sua obrigação nesta sua participação na Champions League 2011/2012: ganhou, sem grandes problemas, um grupo que integrava o Manchester United, eliminou o Zenit nos 1/8 de final com um dos jogos disputados em condições de extrema dificuldade e realizou dois bons jogos com o Chelsea, jogos estes onde nada esteve a seu favor. 

Mas precisa de crescer. E crescer significa cometer menos erros, ter mais cabeça fria, incluindo nas atitudes de alguns dos seus jogadores, preencher alguns dos seus pontos mais fracos (já não falando do caso do defesa-esquerdo, o actual Jardel, que na Liga portuguesa até vai cumprindo, é, pelo menos para já, insuficiente a este nível) e saber que quando chegar a esta fase dificilmente poderá contar com a complacência dos árbitros, até porque, independentemente de quaisquer eventuais favorecimentos premeditados (continuo a digerir muito mal um tal Chelsea-Barça de 2009), os adversários terão, em princípio, experiência de campeonatos onde se arbitra com critérios diferentes dos utilizados na Liga portuguesa.

E crescer significa também, para Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira, preparar a equipa para o que vai enfrentar numa fase já adiantada destas competições, e por muito que o SLB tenha razões de queixa das arbitragens em Lisboa e em Londres (e tem de sobra), insistir demasiado nesta tecla e voltar quase ao tom das "vitórias morais" também não me parece ajude a equipa nesse processo de crescimento. 

Por último, para crescer de forma sustentada a equipa tem de estar mais vezes nos 1/8 de final e nos 1/4 de final da Champions League, quiçá, aqui ou ali, também numa 1/2 final (não me parece seja realista, em condições normais, pedir mais a qualquer equipa portuguesa), e para isso é preciso criar o hábito de ganhar também internamente. E neste caso, há ainda algum caminho a percorrer. 

A Pirate's Tale: a história da Radio Caroline (5/7)

Notícias da crise (2)

O governo sabe, melhor do que ninguém, que em tempos em que se torna difícil reduzir ainda mais a despesa com as prestações sociais e sendo a saúde um assunto que está, normalmente, no topo das preocupações dos portugueses, só poderá reduzir a despesa pública de forma sustentada se diminuir a massa salarial da função pública e os pagamentos aos pensionistas. Como tal tem sempre também repercussões no que se passa no sector privado, a estratégia de empobrecimento e de redução dos salários dos portugueses, assumida pelo governo e pela UE, encontra aqui um terreno perfeito para se exprimir. Ora essa diminuição da massa salarial só pode ser feita, de modo eficaz, de duas maneiras: através de despedimentos, o que exclui os pensionistas, parece não ser constitucionalmente permitido, seria muito penalizador para o governo, mas permitiria uma reestruturação racional dos serviços e conservar os melhores trabalhadores, pagando-lhes um pouco melhor; ou através de uma redução pura e simples dos salários anuais, com o fim dos pagamento dos impropriamente chamados "subsídios". 

Tendo sido esta última a opção do governo no curto-prazo, este prepara-se agora, tal como seria de prever, para a transformar em medida de longo-prazo. Para isso, irá optar por uma estratégia dupla: lançar uma cortina de fumo passando a pagar o ordenado anual em 12 prestações mensais - o que, como já expliquei neste "blog", até  me parece ser positivo, quer para empregadores, quer para empregados, mas suspeito deixe hotelaria, turismo e comércio natalício à beira de um ataque de nervos; e escudado por essa cortina de fumo e com ela tentando uma manobra de diversão, proceder a uma efectiva redução dos salários anuais, adiando a integração dos 13º e 14º mês nas 12 novas prestações em muitos sectores e categoria profissionais da função pública e realizando-a apenas em alguns casos e à medida em que considere "existirem condições" para o fazer. Suspeito, em ano de eleições (2015), irá começar por fazê-lo, e apenas de modo parcial, para alguns pensionistas, ordenados mais baixos, talvez mesmo corporações com maior poder ou importância eleitoral, etc, etc. Isto é: à medida dos seus (governo) próprios interesses. Para já, em termos de gestão de expectativas, este anúncio não deixará de ter repercussões no comportamento actual dos portugueses, contribuindo para uma contracção da procura e o aprofundamento da recessão. Mas, muito francamente, estavam à espera de quê?

Notícias da crise (1)

Na sua dissertação sobre a necessidade de rever o modelo social europeu, um eufemismo para dizer que se quer acabar com ele, coisa que constitui um dos objectivos-chave da actual vaga política ultra-liberal, Mario Draghi, Presidente do BCE, afirmou a dado passo: "observamos que o nível de desemprego é mais elevado nos países com um mercado de trabalho protegido". Duas questões:
  1. O desemprego é mesmo mais elevado nesses países em virtude do mercado de trabalho ser mais protegido ou existem neles outras condicionantes que, efectivamente, contribuam, de forma decisiva, para essa situação?
  2. Tendo actualmente Portugal a terceira taxa de desemprego mais elevada da UE e, ao contrário do que se faz crer, sendo, desde há muito, os despedimentos colectivos - os que são efectivamente importantes para a flexibilidade e reestruturação do tecido empresarial - relativamente fáceis (até há pouco tempo, talvez caros, mas fáceis), que terá Mario Draghi a dizer sobre o assunto? Provavelmente, como uma mentira mil vezes repetida tende a tornar-se em verdade absoluta, acha que o mercado de trabalho é rígido e que esse é o problema fundamental que está na base dos 15% de desemprego em Portugal. Sobre este assunto, para Mario Draghi não perder muito tempo, aconselho-o a ler o que diz Luciano Amaral (um homem de direita) sobre o assunto no pequeno livro de divulgação sobre a economia portuguesa que escreveu para a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
No fundo, Draghi faz-me lembrar aquele aprendiz de cientista que resolveu arrancar as asas a uma mosca e depois lhe ordenou mil vezes que voasse. Como, claro, a pobre mosca se recusava a obedecer, o nosso cientista-aprendiz logo concluiu: "mosca sem asas não ouve". Pois...

quarta-feira, abril 04, 2012

O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (7) - o "aftermath"

"El Benfica hizo un partidazo. Llevó las riendas del encuentro desde el principio y llegó a tener a los ingleses encerrados en su campo pese a tener uno menos." - A Marca

O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (6) - Dignidade

Se há derrotas dignas, esta é uma delas. Durante cinco minutos, deu para acreditar. Ambiente no estádio "assim-assim" e "suporters" do Chelsea muito mal a dizer que o SLB "diving".

O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (5) - ao intervalo

Decididamente, uma eliminatória azarada. Com as lesões, com o trabalho dos árbitros (ou será da UEFA?) e com as incidências dos jogos. E alguma da habitual falta de cabeça, bem visível nas faltas de Maxi e nos protestos de Bruno César, também não ajuda. Agora, com dez e a perder, é tentar um resultado e uma exibição que não deslustrem, limitar as perdas e evitar lesões. 

O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (4) - no estádio

"Glorioso" em exercícios de aquecimento

O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (3) - bilhete


O "Gato Maltês" em Stamford Bridge (2) - antevisão

O SLB pode fazer em Stamford Bridge o mesmo que o Chelsea fez no Estádio da Luz? Bom, poder, até pode; mas as situações são bastante diferentes. Porquê? Vejamos...

Mesmo pondo de parte eventuais diferenças de valor dos respectivos plantéis, de concentração, ritmo e intensidade de jogo diferentes adquiridos em campeonatos da valia média desigual, o Chelsea conseguiu vencer em Lisboa porque o SLB foi em busca da vitória e... como é habitual, desequilibrou-se um pouco defensivamente. Quanto a mim, até desnecessariamente, porque um nulo até seria, na circunstância, um bom resultado. Ora isto é exactamente o que o Chelsea, que entra a ganhar, não vai fazer hoje, mantendo, quase aposto, um bloco médio-baixo e jogando no erro de um SLB, segundo tudo leva a crer, debilitado defensivamente. estou a ser pessimista? Não, estou a ser realista, embora saiba que as reacções humanas (e, excepto no caso do Barça, o futebol é jogado por seres humanos) nem sempre se pautam pela lógica das atitudes racionais. Vamos ver...