sexta-feira, março 30, 2012

"Gato Maltês" em Stamford Bridge


Sim, eu sei que as perspectivas não são as mais animadoras, mas, tal como já aconteceu em outras ocasiões idênticas, o "Gato Maltês" não vai deixar de estar presente na próxima quarta-feira, dia 4, em Stamford Bridge, para acompanhar, com emoção benfiquista, o Chelsea-SLB da 2ª mão dos quartos-de-final da Champions League. Ao longo do dia, reportagem, fotos e comentários ao jogo directamente de Londres. E alguma esperança, que é a última coisa a morrer.  

O apelo de Seguro aos portugueses


Há que explicar a António José Seguro, em primeiro lugar, que isso de apelar directamente ao povo é coisa de  caudilhista, atitude demagógica e de perversão democrática que fica muito mal a quem é líder de um partido social-democrata, mais a mais europeu e estruturante do regime político português. Para além disso, como líder desse partido e candidato futuro a primeiro-ministro e não a um qualquer cargo de natureza e perfil unipessoais, importa lembrar-lhe que o primeiro-ministro e o governo, segundo a constituição da República, dependem do parlamento, para o qual são eleitos deputados apresentados pelos vários partidos políticos, entre os quais o seu Partido Socialista. Isto, independentemente de não se esgotar aí a intervenção eleitoral partidária, pois existem eleições também para o parlamento europeu e ainda autárquicas, estas não se esgotando na intervenção dos partidos mas onde a sua importância é decisiva. Significa isto também que,  como conclusão, antes de apelar directamente aos portugueses o secretário-geral do PS deve preocupar-se em garantir que o partido que dirige e em nome do qual virá a candidatar-se se apresenta ao eleitorado com uma linha política estratégica e um programa claros, nos quais os portugueses possam confiar, e que existirão garantias de consistência suficientes para que, independentemente de naturais e saudáveis divergências de opinião internas, esse programa possa, nas suas linhas essenciais, vir a ser implementado. Este será o seu dever mais imediato e urgente. É que com este seu apelo directo aos portugueses, o que Seguro está, no fim de contas, a demonstrar é um enorme desprezo pela democracia e pelo partido que o elegeu como secretário-geral. Acho bem que arrepie caminho...

Vichy (2)


Mozart e Jos van Immerseel* (2)

Wofgang Amadeus Mozart - Concerto nº 3 para trompa e orquestra KV 447
Ulrich Hübner (trompa)
Orquestra Anima Eterna dirigida por *Jos van Immerseel

quinta-feira, março 29, 2012

O voto Seguro

Não precisando o governo do voto do PS para fazer aprovar o novo código do trabalho na Assembleia da República, apenas se deparam ao partido, agora liderado por António José Seguro, duas opções: ou entende que o novo código segue à risca as linhas de orientação do MoU, que o partido assinou e com o qual se comprometeu, e vota a favor, ou acha que ele excede claramente o que está definido nesse mesmo MoU e vota contra. O que não consigo entender é, com o documento aprovado à partida, a necessidade ou virtudes de uma possível abstenção.

Quanto à orientação do seu voto final, após debate na especialidade, não se compreende a anuncie agora, em função de "ses", mas deveria fazê-lo, isso sim, mais tarde e sempre em função das alterações que venham eventualmente a ser introduzidas e após sua consideração e valorização. Que raio!, isto é assim tão difícil de compreender?

O que o Partido Socialista de Seguro me parece está a transmitir aos portugueses com a sua actual posição é: "eu gostava muito - imenso, mesmo - de votar a favor, mas isso coloca-me numa posição uma bocado "chata". Por isso, caros amigos do governo, vejam lá se dão um "jeitinho", umas "abébias" para que, no final, possa mesmo votar a favor sem que isso me ponha muito em causa." Digamos que, assim, Seguro se está a pôr a jeito para ser desautorizado no partido e desprezado pelo governo.

História(s) da Música Popular (197)

Cliff Richard - "Livin' Lovin' Doll" (Janeiro 1959)

Cliff Richard - "No Turning Back" (Janeiro 1959)

British Rock & Roll (VIII) - Cliff "rocker" (3)

Janeiro de 1959 vê a edição de dois discos de Cliff Richard: o "single" Livin' Lovin' Doll/ "Steady With You", terceiro da sua discografia, e o seu primeiro EP, com a banda sonora de "Serious Charge", o seu primeiro filme (inédito em Portugal - pode espreitar aqui o "trailer") e onde Cliff contracena, entre outros, com Sarah Churchill, uma das filhas de... Winston Churchill. Será neste EP, na faixa "Living Doll", o primeiro tema de Cliff a alcançar o #1, que os Shadows, então ainda Drifters mas já com a formação que os lançou para a fama (Jet Harris, Tony Meehan, Hank Marvin e Bruce Welch), se fazem ouvir pela primeira vez numa gravação de Cliff. Aliás, o EP contém mesmo uma faixa ("Chinchilla", um instrumental) que constitui a primeira gravação dos Shadows sem Cliff. Como "Living Doll" é um tema por demais conhecido e não constitui um bom exemplo do Cliff "rocker" (é uma balada), aqui ficam dois temas bem mais emblemáticos.

Hipocrisia e falta de memória

Para os de pouca memória e muita hipocrisia, há que lembrar como se chegou a este estado vergonhoso e a esta atmosfera irrespirável que envolve as arbitragens e, por consequência, o futebol português:
  1. No final dos anos 70 do século passado, foi o FCP que, aproveitando uma conjuntura política, económica e socialmente favorável, incluiu o domínio da arbitragem na sua estratégia de hegemonização, a qualquer preço, do futebol português, tendo Pedroto como ideólogo, Pinto da Costa como "padrinho" e alguns homens de mão, como Adriano Pinto e outros, actuando no"back office". Claro que sempre se discutiram as decisões dos árbitros, mas não me lembro, antes dessa época, da suspeição atingir, nem sequer de longe, os níveis insuportáveis do "post-anos 70. Quem semeia tempestades colhe terramotos e "tsunamis".
  2. Grande parte da responsabilidade da actual situação cabe às televisões, que, detentoras do poder que lhes é proporcionado por transmissões com dezenas e câmaras e recurso fácil a movimentos lentos e imagens virtuais, o usam, nos tais programas dos "três estarolas" (a feliz expressão é de Jorge Baptista, comentador da SIC), com recurso a gente trauliteira de baixa qualificação moral e intelectual, para acicatar ânimos, promover o obscurantismo futebolístico e, claro, lutar pelas audiências. Infelizmente, é este tipo de gente e de programas que, apesar do actual esforço de seriedade da SportTV, definem os padrões do comentário desportivo dominante em Portugal. A promoção que televisões e jornalistas(?) fazem ou fizeram de gente como Pinto da Costa e Valentim Loureiro, este responsável por atirar para a falência um clube centenário e prestigiado em troca da sua promoção pessoal, deveria fazê-los corar de vergonha de cada fez que, agora que as coisas quase atingiram proporções incontroláveis, criticam o ambiente que eles próprios acabaram por gerar.

quarta-feira, março 28, 2012

O regresso do diploma do 2º grau

Nos meus tempos de criança (e ao tempo que isso foi...), o exame da 4ª classe servia para conferir aos portugueses um determinado grau de ensino (chamava-se, salvo erro, o 2º grau) indispensável para a obtenção de alguns certificados e para o exercício de determinadas profissões. Por exemplo, sem o 2º grau não se podia tirar a carta de condução ou ser jogador de futebol. Para quem prosseguia os estudos, nem sequer tal exame era necessário (nunca o fiz), bastando o chamado "exame de admissão aos liceus", efectuado no liceu da área de residência com direito a fato e gravata e "tudo o mais que uma família precisava".

Agora, com nove anos de ensino obrigatório, o ministro Crato resolveu desenterrar tal coisa, vá lá saber-se porquê mas quer-me parecer que por mero preconceito ideológico. Não me parecendo tal exame possa vir a contribuir para uma melhoria efectiva dos conhecimentos adquiridos e diminuição do abandono escolar, seria bem melhor que tempo e recursos fossem aplicados em acções que directamente tal fomentassem. Exemplos? Bom, não sendo nem nunca tendo sido professor, formação adequada e melhor pagamento (um diferencial positivo) aos professores que leccionem em escolas inseridas em áreas problemáticas e em turmas com dificuldades de aprendizagem, permitindo atrair para aí docentes melhores e mais qualificados, talvez fosse uma solução. De igual modo, conceder às escola maior autonomia na contratação dos seus professores, permitindo uma maior adequação dos docentes às escolas onde leccionam e identificação com o ambiente geral, métodos pedagógicos, etc, talvez também não fosse má ideia. Ah!, e não aceitar a estupidez que é a diminuição da carga horária aos professores mais antigos, aproveitando a sua disponibilidade assim acrescida para apoio aos alunos e turmas em dificuldade, talvez também pudesse contribuir. Mas qual quê! Afrontar as corporações é "cena que não assiste" a este governo.  

Mozart e Jos Van Immerseel* (1)

Wolfgang Amadeus Mozart: Concerto para piano nº 26 KV 537 - 1º andamento (allegro)
*Jos Van Immerseel - Pianoforte
Anima Eterna Orchestra

terça-feira, março 27, 2012

SLB - Chelsea: é a vida...

Pouco a dizer: o SLB foi competente e fez uma razoável exibição, Jorge Jesus não fez asneiras apesar dos disparates que alguma crítica diz sobre a substituição de Aimar (confesso que o endeusamento do argentino, que pode ser muito útil em certos jogos mas tem limitações evidentes, me começa a irritar), Gaitán desta vez até esteve bem, mas a equipa não teve a sorte do jogo e viu o árbitro decidir mal (ainda não vi na TV mas o lance é mesmo à minha frente) um lance que poderia mudar o jogo. Acontece, e também já o Chelsea lhe viu ser negado o acesso a uma final da CL, não por um, mas por uma inacreditável, e nesse caso suspeita, sucessão de erros de arbitragem.

No fundo, a equipa atingiu o seu patamar na competição, o seu limite de competência perante um adversário habitué destas fases decisivas da Champions League. E esta não é a Liga Europa, e  muito dificilmente alguma equipa portuguesa conseguirá ultrapassar, pelo menos nos tempos mais próximos, os 1/4 de final da prova. Falta um jogo e costuma dizer-se que "enquanto há vida há esperança"? Sim, mas a equipa já fez a sua obrigação e será bem melhor que comece agora a pensar nos dois Sportings. É a vida...

Pasquins

Nos salazarentos tempos da ditadura a censura proibia se falasse em suicídio. Por isso, com mínimo destaque nas páginas interiores, lá se liam por vezes títulos do género "da janela a rua" ou "colhido mortalmente por um comboio", que toda a gente sabia o que queriam dizer. Agora, ainda antes de qualquer conclusão sobre o que terá causado a morte daquele adolescente em Lloret del Mar, fala-se despudoradamente, nas primeiras páginas dos jornais, em álcool e droga. Há mesmo gente cuja falta de respeito por vivos e mortos bem merecia merecia o castigo de viver em ditadura...

O SLB e a (não)rotação de jogadores

Está agora por aí muito na moda dizer que as dificuldades sentidas pelo SLB nesta altura da época (e das duas anteriores) se devem à ausência de rotação de jogadores (não) efectuada por Jorge Jesus. Devo dizer que, se Jesus tem algumas responsabilidades na queda de produção da equipa quando a época já vai alta, estou em desacordo tal se deva à não rotação de jogadores, quando o poderia fazer. Em primeiro lugar porque existem deficiências na formação do plantel que não permitem essa rotação se faça sem perdas importantes de eficácia (desnecessário citar quais). Mas, mais importante ainda, se verificarmos o que se passa, por exemplo, no Real Madrid, uma das duas melhores equipas europeias e dirigida por um treinador com qualidade acima de qualquer suspeita, e com um plantel com muitas soluções, verificaremos que, em condições normais, isto é, sem lesões ou castigos (verdade que têm tido ambos de sobra...), a rotação é apenas um pouco maior do que no SLB. Na defesa, Arbeloa, Pepe e Sérgio Ramos, em princípio e salvo as tais lesões e castigos, jogam sempre. Varia o defesa-esquerdo, entre Coentrão e Marcelo. Como "pivots defensivos, Xavi Alonso tem lugar cativo, rodando depois Khedira e Lass. Mais para a frente, sendo Cristiano inamovível, haverá alguma rotação entre Higuín e Benzema, Kaká e Özil, havendo por vezes lugar para Callejón e, muito mais raramente, Granero. E está feito, com excepção dos poucos jogos contra equipas menores na Taça do Rei.

Quanto a mim, o que acontece no SLB é bem outra coisa: adoptando um modelo de jogo que privilegia a rapidez, as transições supersónicas, a jogada individual "a romper", a necessidade frequente de recorrer ao jogo directo e que tem sempre a baliza contrária nos olhos, a equipa sofre um desgaste bem maior do que as que fazem da posse e circulação de bola, do jogo de "tabelas" e desmarcações, o seu modelo fundamental, sabendo gerir o jogo e "descansar com bola". Mais ainda: sofrendo a equipa muitos golos com este modelo de jogo, mesmo nos jogos em casa, raramente consegue ter o jogo controlado, permitindo-se então fazer baixar o ritmo de jogo e ao seu treinador efectuar algumas substituições em jogadores-chave sem risco de uma reviravolta deitar tudo a perder. Este parece-me ser, de facto, o problema estrutural da equipa que está na origem do abaixamento de forma nos finais de época. Acresce o "pequeno" pormenor que, não sendo a equipa o Real Madrid (por exemplo), tem de jogar sempre os jogos da Champions League no limite, o que, convenhamos, também em nada contribui para um menor desgaste. Talvez não fosse má ideia a direcção e equipa técnica do meu clube pensassem um pouco sobre este assunto. 

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (9)

Bob Dylan pelos Walker Brothers - "Love Minus Zero/No Limit"
Original de Dylan incluído no álbum "Bringing It All Back Home"(1965) e versão dos Walker Brothers no seu  1º álbum, "Take It Easy With The Walker Brothers"(1965)

segunda-feira, março 26, 2012

TGV, governos e incumprimentos contratuais

Quando os governos assumem determinado tipo de compromissos contratuais, com entidades nacionais ou internacionais, não o fazem em seu nome próprio, muito menos dos partidos ou ministros que o compõem, mas em nome do Estado português. Foi exactamente isso, quer concordemos ou não com a construção da linha de alta-velocidade Lisboa-Caia ou com a oportunidade de a levar por diante na conjuntura actual, que o governo anterior, legitimamente (repito: legitimamente), fez, ficando o Estado português responsável pelo respectivo cumprimento. Tendo dito isto, claro que o actual governo da república tem também toda a legitimidade para, em nome desse mesmo Estado, rescindir tal contrato, desde que se disponha a cumprir com as cláusulas de rescisão e arcar com as respectivas consequências, incluindo o pagamento das indemnizações previstas. 

Mas o problema não é apenas esse. A questão é que, com esta sua atitude, o governo actual está aqui a introduzir um precedente que pode vir a revelar-se grave quando da celebração de futuros contratos nos quais o governo da república seja parte. É que, a partir de agora, passamos a estar também em presença do que poderíamos chamar um sentimento de desconfiança de uma das partes, tornando-se difícil determinar a quem negoceia com o governo qual o grau de aleatoriedade dos contratos assinados, isto é, se não poderão vir a ser objecto de rescisão sempre que os governos seguintes professem outro tipo de ideias ou assumam opções diferentes. Pois, mas dir-me-ão que para esses casos, e semelhantes, os contratos prevêem as tais indemnizações compensatórias. Certo, mas temos de concluir que os negócios proveitosos não só pressupõem a existência de confiança de ambas as partes, como indemnizar é diferente (muitas vezes bem diferente, até porque existem valores não tangíveis) de cumprir com o acordado, e a partir de agora quem negoceia com o Estado não deixará de estar "de pé atrás" e prever ainda mais fortes penalizações para o caso, que passou a ser provável, de incumprimento contratual. Para um governo que se diz identificado com o funcionamento dos mercados e o mundo empresarial, não deixa irónico.    

Frivolidades ou "coisas de gajo" - "dress codes" (12). Meias

Usar meias da mesma cor (ou tom) das calças é o que vemos e lemos em todos os manuais de roupa para "gajo": cinzentas para fatos cinzentos, azuis escuras para fatos da mesma cor e castanhas para fatos "beije", aqueles de Verão. Ah!, claro, também azuis escuras ou cinzentas para os "mil raias" de verão, de cores semelhantes. Ok, isto é "o dado", mas não será demasiado "toujours la même chose", isto é, tem de ser mesmo assim?  Claro que não.

Por exemplo, e cingindo-nos por enquanto aos fatos, é não só absolutamente aceitável como um pouco mais criativo usar meias azuis escuras com fato cinzento desde que se esteja a usar uma camisa azul-clara (ou sendo esta cor a dominante) com uma gravata a condizer. E se usar um lenço de bolso onde predominem cores semelhantes (mas nunca igual à gravata), melhor fica. Ou seja: sendo o cinzento uma cor neutra é possível "construir" uma outra cor dominante combinando camisa, gravata e meias azuis. O mesmo se pode dizer quando falamos de uma camisa verde-clara, lisa ou de riscas. Ou, outra hipótese ainda, cor de rosa ou com riscas "bordeaux", nestes casos combinando com meias também "bordeaux" e, considerando a hipótese de o fato ser suficientemente informal (flanela cinzenta, por exemplo) para o permitir, sapatos também dessa mesma cor. Mas, claro, estas excepções não se aplicam quando a camisa é branca ou "beije".

Já com "blazer" e casacos de "tweed", que permitem "pullovers" ou "cardigans" de lã por debaixo do casaco, a questão é bem outra. Digamos que sem "pullover" ou "cardigan", é melhor seguir uma regra básica: se estivermos a usar calças cinzentas de flanela ou sarja, meias cinzentas ou da cor dominante do casaco, embora no caso dos "tweeds" "pied de poule" ("houndstooth") ou "shepherd's check", por exemplo, combinar camisa, gravata e meias com uma das cores do casaco, mesmo que a não dominante, seja também interessante. Se vestirmos um "pullover ou cardigan", é não só bem possível como fica bastante bem usar meias da mesma cor, mesmo que estas sejam encarnadas, amarelas, verde alface e assim sucessivamente. Isto para meias de cor uniforme, já que com meias "argyle", mais adequadas a "tweed" do que a "blazer", mais interessantes com calças de bombazina do que de flanela ou sarja, o melhor é dar largas à imaginação e ao bom gosto, desde que, no fim do dia, tudo combine. Confuso? Olhe que não, olhe que não...

200 países, 200 anos, 4 minutos - Riqueza e esperança de vida no mundo

Do programa "The Joy of Stats", da BBC 4
( os meus agradecimentos ao Tiago Miranda)

PS: um silêncio ensurdecedor

Apetece-me colocar aqui um daqueles contadores de dias e horas do inenarrável Rui Santos com a seguinte frase:

Já passaram quase 24 horas desde que Pedro Passos Coelho propôs ao PS a introdução de um limite ao endividamento na Constituição e António José Seguro ainda não respondeu com um rotundo e definitivo "NÃO". 

É pouco tempo? Dada a natureza do assunto e da pergunta acho até demasiado. Pelo contrário, onde se deveria ter colocado de imediato à disposição do PSD e do governo para negociar - na indispensável reforma da organização administrativa do território - o "NÃO" foi célere. Sabemos porquê, mas assim vai (muito mal) o Partido Socialista.

sábado, março 24, 2012

SLB: um comunicado

No futebol, como na política, tudo o que parece é; e independentemente de eventuais razões que o meu clube possa ter para se queixar de erros de arbitragem, este comunicado tem todo o ar de documento destinado a afastar o foco das críticas dos sócios e adeptos da direcção e equipa técnica do clube (os únicos que podem resolver os problemas) e de as canalizar para terceiros, que dificilmente os resolverão. Seria bem melhor que Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus olhassem para dentro e procurassem aí respostas para os principais problemas que a equipa de futebol tem defrontado e tido dificuldade em resolver. Exemplos? Deixo algumas, mas mais haveria.
  1. Porque tem claudicado a equipa mais vezes do que seria desejável nos jogos com os seus adversários directos do campeonato português (FCP e SCB)? Mesmo no ano em que foi campeã, nunca conseguiu vantagem no conjunto dos confrontos directos.
  2. Porque jogou toda a época anterior com um guarda-redes pouco ou nada fiável?
  3. Porque, também na época passada, a equipa apresentou quase sempre uma estrutura desequilibrada?
  4. Porque perdeu três jogos consecutivos em casa com o FCP?
  5. Porque não foi capaz, na Liga Europa da época passada, de eliminar o SCB?
  6. Porque chega sistematicamente a esta altura chave da época em aparente perda?
  7. Porque, no jogo com o FCP para o campeonato, Jorge Jesus acumulou erros que davam para perder vários jogos?
  8. Porque não conseguiu o clube contratar um defesa-esquerdo fiável?
  9. Qual a razão da falta de consistência de Gaitán e do "déficit" de forma daqueles a quem compete o papel de rompedores/desequilibradores no ataque da equipa?
  10. Qual a razão para a frequente falta de cabeça da equipa, manifestada em alguns jogos importantes?
  11. Porque, em cinco jogos consecutivos fora de casa (15 pontos), para o campeonato, conseguiu apenas 8 pontos e ficou em branco em três deles?
  12. Porque, nesses cinco jogos, marcou apenas um golo de "bola corrida"? (Gaitán em Paços de Ferreira).
Como disse, haveria mais, e muitas tenho-as feito neste "blog" ao longo do tempo. Era bom que pudesse ter respostas concludentes, mas tenho pouca ou nenhuma esperança.

The Beatles first live performance on the Ed Sullivan Show on the 9th February 1964.

sexta-feira, março 23, 2012

SLB: uma vez mais sem rompedores e sem cabeça

Mais uma vez, uma equipa sem cabeça, à qual não bastando os problemas criados pelo adversário ainda resolveu criar outros a si própria com o lance de que resulta a expulsão de Aimar. Nos últimos jogos "fora" nunca conseguiu convencer, mesmo quando ganhou (Feira e Paços de Ferreira) com mais suor, coração e alguma sorte do que com bom futebol e cabeça. Alguém consegue ser campeão assim?

Aliás, o problema tem sido sempre o mesmo: a enorme dificuldade em criar desequilíbrios na frente contra equipas que jogam com um bloco muito baixo e com as linhas muito juntas. Gaitán tem sido quase inexistente, Bruno César não é um rompedor e Nolito só aparece a espaços. Acaba por ser Maxi, um defesa, o melhor rompedor da equipa; uma equipa que consegue ter bola, mas sem resultado práticos: zero golos em Guimarães, Coimbra e Olhão. Na Feira um auto-golo e um "penalty"; em Paços de Ferreira um golo de livre e, vá lá!, outro quando conseguiu de facto romper.

Aliás, a equipa tem vindo a perder rompedores de ano para ano: Ramires (que também equilibrava a equipa defensivamente), Di Maria, Salvio e Coentrão. Sem eles e com um "ponta de lança" como Cardozo, este modelo de transições rápidas defrontará sempre este tipo de dificuldades em jogos semelhantes.

Os "indignados" e o PCP

Não fossem as bastonadas da PSP em alguns militantes do "Movimento 15 de Outubro", no Chiado, e o tema principal  das discussões no dia de hoje teria sido o relativo fracasso da greve geral da CGTP, deste modo remetido para segundo-plano. Caso para a central sindical agradecer os desmandos dos "indignados" e a falta de profissionalismo e de proporção da PSP no controlo da situação. Caso também para constatar que, pelo menos desta vez, o "radicalismo pequeno-burguês" e o "aventureirismo esquerdista" deram algum jeito ao PCP. Um dia teria de acontecer...

quinta-feira, março 22, 2012

A PSP e a Plataforma 15 de Outubro

Já não é a primeira vez que a PSP oferece de mão beijada à Plataforma 15 de Outubro aquilo que esta parece tão afanosamente procurar. Já devia também ter chegado a altura desta mesma PSP saber resolver situações como a de hoje com maior grau de profissionalismo, evitando o triste espectáculo gratuitamente oferecido e de caminho respeitando quem, simpatizante ou não dos manifestantes, exerce no local a sua profissão. É isso que se tem de exigir a quem compete manter a ordem num estado civilizado e democrático. 

Grand Prix (2)


A greve (2)

CGTP acusa Governo e patrões de pressão para não se exercer direito à greve

Desculpem lá qualquer "coisinha", mas o normal num estado democrático, e desde que dentro da lei, não é governo e patrões pressionarem os trabalhadores para não fazerem greve e os sindicatos actuarem junto dos seus filiados e simpatizantes em sentido contrário? Não é assim - repito: desde que respeitando a legalidade e os respectivos direitos - que as coisas saudavelmente se processam? Se calhar, há qualquer coisa que me está a escapar, mas não me parece.

A avaliação das escolas

Diz o "Público" que na avaliação externa das escolas, no parâmetro "Liderança" 53.6% foram classificadas com "Bom" e 33.8% com "Muito Bom". Para quem é mau em contas, isto dá um total de 87.4% classificadas com "Bom" ou "Muito Bom". Acresce que 70% das escolas obtiveram a classificação de "Bom" no parâmetro "prestação do serviço educativo". Se isto correspondesse a qualquer realidade, estaríamos no melhor dos mundos, claro.

Espero a partir de agora todos percebam para que servem as quotas e aceitem que sem a sua introdução não existe qualquer possibilidade de uma avaliação honesta do que quer que seja.

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (30)

"Luglio": o original do italiano Ricardo Del Turco (1968)

"Somethig Is Happening": a conhecida versão inglesa dos Herman's Hermits (1968)

A greve...

Pelo que já me foi dado ver, esta greve geral, suscitando a indiferença ou uma compreensão distanciada da maioria dos portugueses e afectando apenas áreas muito circunscritas da economia e do país, arrisca a transformar-se num "boomerang", tornando-se arma de arremesso político nas mãos daquele contra o qual foi decretada - o governo - e voltando-se contra os seus promotores, fragilizando-os e isolando-os. Nada que não se esperasse, claro, por isso me interrogando qual a sua utilidade. E não vale a pena a CGTP invocar as dificuldades de mobilização, pois também tal era mais do que expectável. Não ter tido em conta essas dificuldades, isto é, não ter levado em consideração as condições concretas do momento, chamava-se em tempos "aventureirismo", e o PCP, o verdadeiro promotor desta greve, sempre foi dele feroz crítico. Mudam-se os tempos...   

Entre uma greve geral aventureira e um pacto social capitulacionista, assim vai o movimento sindical em Portugal... Depois queixem-se.

quarta-feira, março 21, 2012

"Só Dylan é Dylan" - homenagem a "Em Órbita" (8)

Bob Dylan - "She Belongs To Me"
Do álbum "Bring It All Back Home" (1965)

Televisões e futebol

Em tempos critiquei neste "blog" os comentários aos jogos de futebol transmitidos pela SportTV. É de toda a justiça realçar que as coisas mudaram, e hoje em dia os comentários da estação se pautam, normalmente, pelo rigor e sobriedade desejáveis. Ainda bem, porque se trata de um canal pago - e por sinal muito bem pago - e especializado. Mais ainda, "Resultado Final", o programa da estação às segundas-feiras à noite, é o único programa sobre futebol emitido pelas televisões portuguesas que não ofende as inteligências dos telespectadores e tenta contribuir para a compreensão do jogo. Muito graças a Pedro Henriques (muito bem!) e Luís Freitas Lobo, é certo, mas também por via de uma apresentação sempre sóbria do seu "pivot" que, se a memória me não falha, é Rui Miguel Mendonça - e se me falha, ainda bem, pois é mais uma prova da sobriedade com que o programa é apresentado.

Nos antípodas estão os jogos transmitidos pela SIC, como o SLB-FCP da Taça da Liga. Apesar de Joaquim Rita (ontem, o comentador) ser tudo menos um ignorante em matéria futebolística e de lhe reconhecer o esforço para dar dignidade à transmissão, a narração - ou relato - de Paulo Garcia (acho é este o seu nome) roça a indigência, mais preocupado com a divulgação dos programas da estação e com um estilo que remete para o trauliteiro "O Dia Seguinte" e similares do que com o que realmente de importante se passa em campo. Aliás, devo dizer que gostaria de ver FPF, LPFP e comissão de árbitros solicitarem reuniões com os três principais canais de televisão (RTP, SIC e TVI) no sentido de pedirem a introdução de alguma moderação e bom senso no formato e conteúdos dos seus programas sobre futebol. Não sou ingénuo, e sei que aos clubes tal não interessa e também que a questão das audiências conduziria a tentativa ao fracasso; mas o gesto ficaria como um sinal dado ao público do futebol pelas instâncias que o dirigem. Quixotesco? Talvez... Mas que se lixe! 

A execução orçamental e as explicações de Miguel Frasquilho

Não sei se as explicações de Miguel Frasquilho referentes à execução orçamental dos dois primeiros meses do ano correspondem ou não à realidade. Mas o facto é que me parecem fazer sentido, o que nestas coisas é sempre meio caminho andado para que lhe possamos conceder, pelo menos desta vez, o benefício da dúvida. Até ver...

Mas fica-me uma outra dúvida: porque se comparam apenas os valores "reais" de Janeiro e Fevereiro de 2012 com os valores "reais" de igual período do ano passado e não, e também, o "executado" dos primeiros dois meses deste ano com os valores orçamentados para o mesmo período? Tal não nos daria uma ideia bem mais clara da consonância ente o "real" e o "estimado" permitindo que o governo anunciasse como corrigir, nos meses seguintes, eventuais desvios existentes?

Bom... nas empresas é assim que se faz, o que torna tudo bem mais transparente e eficaz. O Estado não procede assim?

Nursery Rhymes (6)

"Ding Dong Bell"

terça-feira, março 20, 2012

O putativo candidato Seara

Alguém me dá uma boa razão para os "alfacinhas", mesmo os filiados no PSD, elegerem como presidente de câmara um personagem (Fernando Seara) que se entretém, às segundas-feiras à noite, a discutir com outros seres semelhantes, em alta berraria, se a falta foi ou não foi cometida dentro da área e se o jogador X estava ou não um centímetro adiantado, limitando o debate sobre futebol a uma espécie de caricatura entre e para mentecaptos? O que o putativo candidato faz, nessas noites de segunda-feira, não é, por si só, revelador de uma personalidade incompatível com o exercício da mais nobre das actividades de cidadania (que é a política) e não constitui um péssimo exemplo que desprestigia todos os que a ela se dedicam? É que Fernando Seara não é empresário têxtil, cirurgião, calceteiro marítimo ou carpinteiro de "toscos": é, desde há muito, político profissional, actividade sujeita a avaliação pelos cidadãos para tal não sendo indiferentes os seus comportamentos públicos. É conhecido, e como tal será um bom trunfo eleitoral para o PSD? Bom, se tal predicado passou a ser decisivo na nomeação de um candidato, triste exemplo se dá ao país...

Nota: Já agora, e no caso da sua candidatura se confirmar, pergunto-me quantos daqueles passam a vida a desancar nos políticos não se disporão agora a votar em Fernando Seara e não deliram com as as suas tristes figuras de "entertainer" televisivo. Haja paciência...

Les (pas si) Belles Anglaises (especial) - Foyle's cars

Wolseley 14/56 (1936-1938)

Wolseley 14/60 (1938-1941)

segunda-feira, março 19, 2012

"Velvet Goldmine" (11)


Teenage Fanclub & Donna Matthews - "Personality Crisis"
Da banda sonora do filme "Velvet Goldmine", de Todd Haynes (1998)

O objectivo do PS

Sabendo que será quase impossível obter uma maioria absoluta em próximas eleições legislativas, que alianças com o PCP e o BE estão, felizmente, fora de questão e que as condições nunca serão de molde a permitir um governo minoritário, o PS definiu o seu objectivo: voltar ao governo em coligação com o PSD, quer após as próximas legislativas, quer antes dessas eleições através de um governo tripartido (com PSD e CDS) por iniciativa do Presidente da República. É este objectivo, tanto ou mais do que o facto de ter assinado o MoU, que enreda o partido numa teia, obrigando-o a uma estratégia de quase colagem à chamada ala cristã-democrata do PSD e de não hostilização de Cavaco Silva, assim dificultando a afirmação por António José Seguro de uma linha política autónoma e distintiva que o fortaleça e ao partido. 

O paradoxo é que é também essa dificuldade em definir e assumir uma linha política e ideológica autónoma que irá dificultar a vitória ou a obtenção de um resultado positivo nas eleições de 2015, afastando o PS do poder. Como dizia o velho Vasco Santana no "Pátio das Cantigas", "cruel dilema"!

Nomeações...

Confesso que me estou nas tintas para o facto do governo de Passos Coelho ter efectuado mais ou menos nomeações do que o de Sócrates, e inversamente. Quantas pessoas nomeou e qual a percentagem a que tal corresponde quando comparado os números com as nomeações em igual período do executivo anterior. Para mim, a política é muito mais do que estes "fait divers", e não me importaria nada, mesmo nada, que o actual governo, o anterior ou outro qualquer nomeassem uma infinidade de consultores, assessores e até umas vivandeiras e uns rapazes bem parecidos para lhes tratarem de todas as necessidades desde que a isso correspondesse uma efectiva melhoria e eficácia da qualidade da governação (sim, eu sei que estou a exagerar, mas assumo-o como um protesto pela falta de paciência). Até porque, em termos de efectiva poupança, sabemos onde as opções por governos, administrações e direcções pequenas têm conduzido este governo (ou conduziriam qualquer outro com idêntica opção). Portanto, quero um governo que, dentro da legalidade, nomeie quem achar necessário para desempenhar com eficácia as suas funções, e em futuras eleições e no dia a dia da minha actividade saberei pedir que prestem contas do que fizeram ou deixaram de fazer. 

Mas, infelizmente, é destas coisas que se vai fazendo o jornalismo outrora de referência, e para tal coisa talvez não fossem precisas licenciaturas em comunicação social mas apenas uns rapazes e raparigas que soubessem consultar o Diário da República e depois fazer umas contas da mais elementar aritmética. Pois, o tal "saber ler, escrever e contar" salazarento. E depois queixem-se!...

domingo, março 18, 2012

Vichy (2)


"Midsomer Murders"

O tema tal como o podemos ouvir no genérico da série

Tema original de "Midsomer Murders" - intérprete: Celia Sheen

"Midsomer Murders" é talvez, na minha nada modesta opinião, a melhor série de TV a ser emitida actualmente em Portugal (FOX Crime, sábados pelas 21.30h com repetição aos domingos pelas 18.45h). Este é o seu tema musical, aqui interpretado por Celia Sheen, com a curiosidade de ser tocado com recurso a um Theremin, um instrumento electrónico inventado em 1928 por um cidadão russo de nome Leon Theremin. De notar não existir qualquer contacto físico entre o solista e o instrumento e também o facto de o Theremin ter sido utilizado por Bernard Herrman na banda sonora de "O Dia Em Que A Terra Parou" (o original de 1951, dirigido por Robert Wise) e por Miklós Rózsa em "Spellbound", de Hitchcock.

sexta-feira, março 16, 2012

Skiffle (6)

Bob Cort Skiffle Group - "The Six Five Special"

Frivolidades ou coisas de gajo" - "Dress codes" (10). Fato "Príncipe de Gales"


Bom, cada vez se vê menos gente vestindo um fato "Príncipe de Gales"; nada de muito relevante, já que cada ver se vê menos gente vestindo um fato que se preze. Mas, de facto (e não "de fato"), o padrão "Príncipe de Gales", de que gosto particularmente, tem um grave problema: é mais formal do que um fato de flanela cinzenta quando usado sem gravata, com camisa "button down" e sapatos de camurça, mas bem menos formal do que um fato azul escuro, um "risca de giz", "olho de perdiz" ou coisas desse género. Principalmente se usado com uns "monkstraps" ou "brogues" de camurça, que é o que de direito lhe "pertence", embora uns "brogues" pretos picotados também não lhe caiam demasiado mal. Mas são os sapatos de camurça, principalmente os "cor de mel", que mais fazem "luzir" uma fatiota "Príncipe de Gales". 

Portanto, é um fato que acaba "por não ser carne nem peixe", embora, por exemplo, permita uma enorme variedade de gravatas de seda, desde as regimentais às "paisley" e similares, passando por lisas, de malha de seda, às bolas, como as pessoas "estarolas", e às pintas, como as pessoas distintas. E, claro, sempre com camisas "cutaway collar" com punhos duplos, lisas: azuis claras se o padrão tiver riscas dessa cor (como na foto) ou cor de rosa se esta for a cor da tal risca. Mas esqueçam os gordos e barrigudos: é coisa que não lhes assenta bem.

Já agora: o padrão chama-se originalmente "Glen plaid", mas foi popularizado pelo Duque de Windsor enquanto Príncipe de Gales, daí o nome pelo qual é conhecido. Enfim, algo de bom tão sinistro personagem teria de nos legar, já que quanto ao resto se limitou a ser simpatizante nazi, abandonar os seus deveres de rei e ser posto "com dono" por Stanley Baldwin, que não descansou enquanto o não viu fora do trono. Ah!, mas a sua abdicação forçada também nos legou uma rainha que, não sendo eu monárquico, reconheço sabe cumprir com os seus deveres de Chefe de Estado. Nos tempos que vão correndo, convenhamos que já não é nada mau...

quinta-feira, março 15, 2012

Grand Prix (1)


Nem tudo o que luz é oiro...


As palavras são de Mira Amaral, talvez o nome mais mediático do "lobby" do nuclear em Portugal e foram ditas a propósito da demissão de Henrique Gomes, ex-Secretário de Estado do actual governo. Significa isto, e sabendo que a EDP tem desenvolvido competências reconhecidas na área das energias renováveis e  alcançado uma posição de destaque internacional nesta área, que nem tudo o que luz é necessariamente oiro, o maniqueísmo nunca é bom conselheiro e é preciso muito cuidado ao analisar o que se passa com a política energética do governo, demissões e admissões incluídas. E, claro, e acima de tudo, é preciso não fazer o papel de "idiota útil" e estar atento a quem diz o quê e sobre quem. É que, conta a história, a bondosa avózinha pode muito bem ser o lobo mau.

História(s) da Música Popular (196)


Cliff Richard - "My Feet Hit The Ground"

Cliff Richard - "High Class Baby"

British Rock & Roll (VII) - Cliff "rocker" (2)

È melhor passar à frente de "Schoolboy Crush", o lado "B" da primeiro "single" de Cliff e um original de americano Bobby Helms. Sem história, portanto. Mas o seu segundo "single", editado em Novembro de 1958, tem no lado "A" mais um original de Ian Samwell que vale bem a pena e chegou a #7 do "hit-parade", cimentando a posição de Cliff Richard como líder do "rock" britânico: "High Class Baby". Mas a vida tem destas coisas e, assim, devo dizer prefiro bem o lado "B" do mesmo "single", "My Feet Hit The Ground", também um tema de Samwell, neste caso em colaboração com alguém (Joseph Seener) que desconheço quem seja ou o que mais fez na vida. Ah!, parece que assinou também mais um ou outro tema de Cliff de parceria com Samwell, mas isso é já outra conversa.

O Chelsea, Villas-Boas e uma entrevista de Juan Mata


Esta entrevista não teve a atenção que merecia e, no entanto, foi Juan Mata (é ele que fala), insuspeito pois chegou ao Chelsea pela mão de Villas-Boas, quem melhor pôs o dedo na ferida da gestão do ex-treinador do FCP: é, no mínimo, imprudente, para não dizer ingénuo ou estúpido, chegar a um clube e querer, de uma penada, mudar a sua cultura e o seu conceito de futebol, circunstância agravada por nem sequer ter querido, ou tido oportunidade de, fazer mais do que pequenos ajustes no plantel. Mas o assunto sugere-me ainda mais alguns comentários:

  1. O modelo de jogo perfilhado por Villas-Boas, privilegiando a posse e circulação de bola e a pressão muito alta, um pouco à semelhança de como o FCP de Vítor Pereira jogou em Manchester e na Luz, era de todos conhecido. Deveria também sê-lo da direcção do Chelsea e de Abramovich. Ao não ter em conta tal incompatibilidade com aquele modelo de "futebol de estivador" (e digo-o sem qualquer intuito pejorativo), de grandes correrias e muito jogo directo, perfilhado pelo Chelsea dos últimos anos, Abramovich cometeu mais um erro, dos muitos que carrega sobre os ombros.
  2. O recado serve bem para muitos outros clubes: nos tempos actuais, quando se contrata um treinador contrata-se também uma ideia e um modelo de jogo e, em muitos casos, também um modelo de gestão do futebol. Por exemplo, Mourinho não descansou enquanto não conseguiu gerir todo o futebol de Real Madrid de acordo com as suas ideias e concepções. Mas Mourinho tem outro "peso" (e mesmo assim as coisas não foram fáceis), não mudou radicalmente o modelo de jogo da equipa (fez apenas alguns acertos e equilibrou a equipa defensivamente) e teve carta branca para alterações profundas no plantel. E, mesmo assim, só tarde percebeu que uma equipa com os pergaminhos do Madrid não pode jogar contra o Barça com as mesmas armas que deram a vitória ao Inter, sem que tal não revoltasse a "afición".
  3. Claro que me estou a lembrar também do meu SLB. Um dia que Jorge Jesus saia, quaisquer que sejam as razões, há que garantir que se contrata uma equipa técnica que, em termos gerais, não afronte a cultura do clube nem altere radicalmente o modelo-base de jogo que se tem vindo a cimentar e ganhou raízes nos últimos anos (e não só). Alguém que entenda também o respectivo modelo de negócio. Bom exemplo do que digo foi a contratação de Eriksson no início dos anos 80 do século passado, embora essa contratação tivesse sido quase fruto do acaso. Só conseguiu mudar o que estava caduco porque entendeu a cultura e o modelo de futebol do clube, que vinha da grande equipa nos anos 60, e perfilhava princípios idênticos. 
  4. Os jogadores mais antigos do Chelsea revoltaram-se contra Villas-Boas por serem "sacanas", "filhos da puta" ou "mal formados"? Provavelmente não, mas apenas porque se sentiam desconfortáveis num modelo de jogo pouco talhado à sua medida e às suas características. Ontem, por exemplo - e isto apesar de eu achar que o plantel está envelhecido e é de qualidade inferir aos de City, United e Spurs - a equipa voltou ao tal "futebol de estiva" e marcou três golos de jogo directo ou de bola "parada" (o próprio "penalty" nasce de uma jogada pelo ar), futebol que é, de facto, o seu. E foi ver a festa que fizeram...

quarta-feira, março 14, 2012

Hammer (5)


"Prehistoric Women", aka, "Slave Girls" (1967)

A propósito de uma demissão...

A demissão do Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, tem pelo menos um mérito: mostrar aos mais crentes ou distraídos que não é a razão (se é que a tem) "que faz andar o mundo"; que não basta ter umas ideias, mais ou menos justas ou correctas, sobre determinada matéria para se ser um bom governante. É preciso algo mais: ter noção da relação de forças existente, a cada momento, e saber negociar e criar as condições políticas para que essas ideias possam ser, total ou parcialmente, implementadas. Normalmente, é muito isso que distingue técnicos e académicos de políticos e, por exemplo, Maria de Lurdes Rodrigues, sem relevante experiência política anterior, também provou do mesmo veneno no primeiro governo de José Sócrates. 

E não adianta culpar "lobbies", partidos e etc, pois aqueles representam interesses legítimos, a política é exactamente a arte de saber geri-los e, em democracia, os partidos a forma institucional fundamental da sua representação. E é bom que tenhamos consciência que em ditadura todos estes processos se desenrolariam mais ou menos de forma idêntica, mas fora do nosso escrutínio e sem que pudéssemos fazer quaisquer escolhas eleitorais em função da opinião formada. 

José Sócrates ainda vende...

Título do DN:  "Inquérito ao BPN inclui gestão de Sócrates".

Lê-se o texto da notícia e afinal percebemos que esta se refere à comissão de inquérito parlamentar, pedida pelo próprio PS, à "gestão e alienação do BPN", o que inclui o período, durante os governos presididos por José Sócrates, em que a gestão do banco foi da responsabilidade Caixa Geral de Depósitos. 

Pelos vistos, o nome de José Sócrates continua a vender bem, e fora eu o antigo primeiro-ministro e já teria exigido "royalties" por cada vez que o meu nome fosse citado em títulos de jornal. Mas quando é o próprio Presidente da República a dar o exemplo...

Já agora: este anti-socratismo militante arrisca a tornar-se tão ridículo como o culto quase-religioso a Sá Carneiro pelas suas "viúvas militantes" ou tão patético como a actuação daquele grupo de patuscos promotores das sucessivas comissões de inquérito ao caso "Camarate". Será que não aprendem?

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (8)

Bob Dylan pelos Them, de Van Morrison
"It's All Over Now Baby Blue"
Primeira gravação de Dylan em 1965 (álbum "Bring It All Back Home")
 Versão dos Them de 1966

terça-feira, março 13, 2012

Vichy (1)


Um bando de burgessos...

  1. Para quem ainda tinha dúvidas ou andava distraído, o tal "alargamento" vem lembrar que o futebol português é dirigido por um conjunto de autarcas de província, um bando de burgessos quase analfabetos a quem importa apenas o poder imediato, pouco se preocupando com a sustentabilidade das instituições que dirigem. É preciso é apresentar "obra feita" ou manter o clube na 1ª divisão a curto prazo, pouco importando se a rotunda tem alguma utilidade, que a autarquia fique na bancarrota ou o clube caia nos distritais para de lá mais não sair. O problema é que o povo local pouco ou nada aprende com os casos de Boavista, Salgueiros, Farense e "tutti quanti".
  2. Seria altura dos principais clubes portugueses, autenticamente parasitados por este tipo de gente e de clubes, tomarem uma atitude de força para acabarem com o recreio. De facto, que interessa a SLB, FCP, SCP e, até, VSC e SCB, perderem o seu tempo jogar contra Feirenses, Paços de Ferreira, UDL e quejandos, que nos jogos entre si mal conseguem arregimentar mil pessoas? O ideal, de facto, seria a UEFA autorizar a fusão de ligas nacionais, mas não sendo tal possível (nem a formação de uma liga autónoma), pelo menos para já, seria bom que os principais clubes portugueses conseguissem chegar a uma qualquer plataforma de entendimento que pusesse estes "fora da lei" na ordem. Espero que à FPF e ao Conselho Superior do Desporto sobrem alguma dose de bom senso e de decência. Mas a esperança é reduzida.

Jornalismo de águas turvas

Título do "Público" on-line: "Sarkozy supera pela primeira vez Hollande nas sondagens". Esquece o "Público" de titular que tal se passa apenas numa primeira volta e que, lendo o corpo da notícia, se percebe que numa segunda volta a vantagem de François Hollande, segundo a mesma sondagem, é de nove pontos percentuais. Ou seja, parece que Sarkozy, nessa primeira volta, se limita a conseguir pescar nas águas turvas de Marine Le Pen, para onde tem lançado o anzol. Para o título do "Público", "pormenores" sem qualquer importância, pois claro...

segunda-feira, março 12, 2012

As capas de Cândido Costa Pinto (75)

Capa de CCP para "Encontro em Tânger", de Laurence Wilkinson, nº 108 da "Colecção Vampiro"

Deve o SC Braga assumir a candidatura ao título?

O SC Braga assume a sua candidatura ao título? Na nossa imprensa desportiva parece andar toda a gente muito preocupada com isso. Não faz qualquer sentido essa preocupação.

Os objectivos das equipas são definidos no início da época, dotando-se dos recursos financeiros, humanos e outros para que tais objectivos sejam alcançáveis. Depois, são revistos em Janeiro, em função do que se passou desde esse início de época e da projecção da situação existente no momento. Em função disso, SLB, FCP e SCP definiram como seus objectivos serem campeões, no caso do SCP erradamente pois dificilmente o seu orçamento e uma análise rigorosa da situação tornariam esse objectivo exequível. 

O SC Braga, e correctamente em função das condições existentes, internas e externas, definiu como seu objectivo qualificar-se para as provas europeias, talvez mesmo conseguir o terceiro lugar e o acesso à Champions League através da respectiva pré-eliminatória, o que tudo leva a crer, no mínimo, alcançará (terá falhado entretanto outros objectivos, Taça de Portugal e Liga Europa, mas isso não vem agora ao caso). Redefinir agora os objectivos fixados e assumir-se agora como candidato ao título o que mudava? Iria reforçar o seu orçamento, o que nesta altura de nada lhe serviria? Reforçar o plantel, o que não pode fazer? Contratar nova equipa técnica, o que seria ridículo? Ou seja, assumir-se como candidato ao título teria significado nulo, para além de permitir uns títulos e manchetes sensacionalistas na imprensa. Claro que o SC Braga não alinha nisso. E faz muito bem.

"Empty Bed Blues" - best of good time mommas (10)

Martha Copeland - "Black Snake Blues"

domingo, março 11, 2012

Um retrato do seu treinador...

Esta equipa do meu "Glorioso" é demasiado o retrato fiel do seu treinador: muito frenesim, grande agitação, mas menos "cabeça" do que seria desejável. Para já, vão valendo Artur e a quantidade de boas opções disponíveis para o ataque. Hoje, acho que também Nossa Senhora de Fátima deu uma mãozinha. Enfim... se e quando tiver de consultar o  cardiologista, já sei a quem devo mandar a conta.

O "prefácio", António José Seguro e a assessoria de Belém

Ora vamos lá imaginar que, para além da vingança mesquinha pura e dura e da tentativa de inverter o seu decréscimo de popularidade, Cavaco Silva, com as acusações a José Sócrates no seu "prefácio", tinha em mente colocar em dificuldades a chamada "ala socrática" dentro do PS e, assim, facilitar a estratégia de António José Seguro de aproximação a um "bloco central" liderado, de facto, por Cavaco Silva e nele se integrando os seus fiéis dentro do PSD (Ferreira Leite e por aí fora). Falhanço rotundo: não só obrigou Seguro a vir em socorro dos"socráticos"(vamos chamar-lhes assim por comodidade), como o resultado é exactamente o oposto: coloca Seguro e a sua estratégia em sérias dificuldades para se imporem dentro do PS. De caminho, ainda deu azo a que um "socrático" (Pedro Silva Pereira) brilhasse na TVI24, estabelecendo para com Miguel Relvas, o seu homólogo no actual governo, um contraste penoso para este último. Digamos que ou Cavaco é demasiado maquiavélico, ou a sua inteligência política é diminuta.

Já agora... Este último "caso", mas também todos os anteriores que não se ficaram a dever ao pouco à vontade do actual Presidente da República perante os improvisos, a começar pelo das alegadas "escutas", levam-me a perguntar qual o grau de preparação dos assessores de Belém. É que os erros acumulados são tão infantis que, das duas uma: ou esses assessores são, em si mesmo, muito maus; ou Cavaco Silva é mesmo incontrolável e "faz o que lhe dá na real gana", dispensando os conselhos da assessoria. Mas se assim é, já era tempo de terem existido demissões. Ou não será assim?

London Public Houses (8)






The Princess Louise
208 High Holborn, Holborn, London WC1V 7BW
Tel :020 7405 8816

"The Princess Louise has been carefully restored to her original Victorian layout thanks to Yorkshire brewer, Samuel Smith. They have bucked the trend and gone for restoration instead of refurbishment, they have lavished a fortune on their flagship London pub; which has not been merely spruced up, but completely rejuvenated and she looks magnificent. The most notable change are the 'new' discreet cubicles, removed several decades ago, but now replaced, their polished hardwood frames show off brilliant, sparkling etched and cut glass panels.

Named in honour of Queen Victoria's fourth daughter, she was built in 1872 and refitted in 1891 by architect Arthur Chitty. He employed the finest craftsmen of the age; tiles by Simpson & Sons; glasswork by Morris & Son and joinery thought to be by Lascelles. Every inch of wall is covered in the finest cut and gilt mirrors, beautifully decorated tiles, richly ornate plasterwork and highest quality joinery. Even the toilets are a work of art. This huge pub is a testament to the skills of those Victorian craftsmen.

There are a mere handful of London pubs that can be called gems, the Red Lion, The Argyll Arms, the George Inn, for example, but the Princess Louise now shines brighter than ever. This treasurehouse is irreplaceable and it seems inconceivable that there were once plans to pull this exquisite pub down. It is Grade II* listed". 

Vale a pena estar atento

A Miúda - "Com Quem Eu Quero"

Na monotonia da falta de qualidade geral da música popular portuguesa dos últimos, digamos, dez anos, e depois daquilo que foi o relâmpago chamado Adiafa, com "Meninas da Ribeira do Sado" - que não passou de disso mesmo, do clarão de um "one-hit wonder" - talvez apenas os Deolinda terão valido, e continuem a valer, um olhar mais atento. Estou a excluir daqui o fado, evidentemente, embora a qualidade dos chamados novos fadistas também esteja a ser demasiado empolada pelo tradicional exagero mediático.

Pois estava eu posto neste sossego quando este "Com Quem Eu Quero", de uma tal Miúda que desconheço quem seja, fez soar umas campainhas. Para já, apenas isso, embora tenha tudo para se transformar, pelo menos, num "one-hit wonder". Mas talvez pelo facto de me ter soado a qualquer coisa com algumas vagas semelhanças com António Variações e a uma "Canção do Engate" no feminino, diz-me que é bem conveniente estar atento. É que o primeiro impacto que Variações me causou, quando vi e ouvi pela primeira vez "Estou Além" num programa de TV, não foi muito diferente do que agora senti. Vou estar mesmo muito atento e se me desiludir... paciência.  

sexta-feira, março 09, 2012

O semi-presidencialismo e a inimputabilidade do Presidente

Um dos problemas da nossa arquitectura constitucional e do seu semi-presidencialismo, com a força e legitimidade que uma eleição por sufrágio directo e universal conferem ao Presidente da República, é que este, durante os seus mandatos, não responde perante ninguém, limitando-se a ser julgado pelos eleitores caso se apresente a reeleição. Ao contrário do governo, não responde perante a Assembleia da República nem, através dela, é obrigado a prestar contas aos cidadãos cada quinze dias. Como não se apresenta ao eleitorado em nome de nenhum partido, muito menos faz parte dos seus orgãos dirigentes, não tem de sujeitar-se, em termos programáticos, ideológicos e doutrinários, ao controlo deste(s). Como não governa, não vê a sua actuação política balizada pelo poder de organizações da chamada "sociedade civil", tais como sindicatos, associações empresariais e grupos representativos de ideias, ideais e interesses legítimos com as quais os governos têm sempre de negociar.  Tal coisa, se lhe juntarmos o temor reverencial que o cargo parece exercer sobre uma parte da sociedade, em grande parte fruto da eleição directa e por sufrágio universal, permite ao Presidente da República dizer todos os disparates que lhe vêm à cabeça, fazer todas as asneiras inimagináveis sem que as as respectivas consequências vão mais além do que uma queda de popularidade nas sondagens. É esta, quanto a mim, a verdadeira fonte da sua inimputabilidade, algo sobre o qual constitucionalistas se deveriam debruçar. Assim como está, com esta arquitectura constitucional, o Presidente da República arrisca a transformar-se num elemento disfuncional do regime. Pior ainda quando o cargo é ocupado por alguém como Cavaco Silva, um homem longe das qualidades políticas e pessoais mínimas que o cargo deveria exigir.

Histórias(s) da Música Popular (195)

Cliff Richard - "Move It"

British Rock & Roll (VI) - Cliff "rocker" (1)

Bom, há quem diga que "Move It" (Agosto de 1958 e tema escrito por Ian Samwell, guitarrista do primeiro "backing group" de Cliff na era que precede Hank Marvin, Jet Harris e etc) é o primeiro disco de rock n' roll britânico a ser editado. Exagero, claro, e já vimos por aqui que não terá sido bem assim, embora seja seguramente um dos primeiros. Certo e sabido, foi o lado "A" do primeiro "single" de Cliff Richard (esteve para ser o "B") e o seu primeiro êxito (#2 no UK). 

Cliff é um dos muitos produtos da chamada "british skiffle craze" e do 2i's Coffee Bar, do Soho londrino. E, tal como aconteceu com Elvis Presley, a sua carreira como "rocker" e émulo britânico de Elvis foi relativamente curta, mas igualmente bem sucedida. No fundo, dura os anos de 58 a 60, meia dúzia de "singles" (talvez um pouco mais), igual número de EP's e, basicamente, um álbum e parte de outros dois. Ah!, e dois filmes: "Serious Charge" e "Expresso Bongo", ambos de 1959. Por muito que doa a muito boa gente que prezo, a partir daí Cliff adere ao "show business" e ao modelo "ídolo da juventude", em musicais de qualidade mais do que duvidosa e música ligeira "do antigamente". Desinteressante.

Mas é exactamente por prezar a carreira de Cliff Richard enquanto "rocker" - até pela influência que teve em Portugal - que abro aqui esta secção no capítulo dedicado ao "british rock & roll", onde tentarei passar os seus temas mais importantes desta fase, não esquecendo os Shadows. Ou melhor, os Drifters, nome pelo qual eram conhecidos nessa fase e que abandonaram para evitar confusões com o grupo norte-americano com o mesmo nome

Já agora, nem Hank Marvin, nem Jet Harris, nem nenhum outro dos futuros Shadows se fazem ouvir nesta gravação de "Move It": o primeiro disco de Cliff em que isso acontecerá será o seu quinto "single" ("Living Doll"/"Apron Strings"), já em Julho de 1959. Para a História deste primeiro "single" de Cliff Richard ficam associados o próprio Ian Samwell, Terry Smart e alguns músicos de estúdio.

Um desastre!

Conto os dias que faltam para nos vermos livres deste senhor.
Parlamentarismo, rapidamente e em força, se faz favor.

quinta-feira, março 08, 2012

Rúben Amorim e os empréstimos

  1. Jorge Jesus é o treinador do SLB. Tem contrato até Junho de 2013 e poderá mesmo renová-lo se treinador e entidade patronal nisso acordarem.
  2. Rúben Amorim é jogador do SLB com contrato, se não estou em erro, até Junho de 2014, tendo-o renovado até esta data de livre vontade e por acordo com o clube. Por ter entrado em litígio com a sua entidade patronal, esta, depois de o suspender, condescendeu, para não prejudicar o jogador, em emprestá-lo ao SC Braga até Junho do próximo ano. É provável que a sua entidade patronal (SLB) lhe pague mesmo uma parte do ordenado.
  3. Agora, o jogador diz recusar-se a voltar ao SLB enquanto Jorge Jesus for treinador do clube, o que significa que tenciona, nessas circunstâncias, não cumprir o contrato a que se obrigou, ao mesmo tempo que tece considerações, no mínimo, desestabilizadoras e desrespeitosas sobre a sua entidade patronal - que, mais a mais, revelou ter para com ele respeito e consideração. 
  4. A pergunta que deixo é a seguinte: pode o SLB permitir-se a este tipo de atitudes por parte de um seu empregado? Deve, caso Jorge Jesus deixe entretanto o clube, autorizar o jogador Rúben Amorim a voltar a jogar pelo SLB? Apesar do empréstimo do jogador, que autoridade disciplinar tem o SLB sobre ele? Suficiente para, caso exista razão provada para tal, poder mesmo mandá-lo regressar ao clube e rescindir o contrato que liga ambos?
Pois... este parece-me ser mais um problema (apenas mais um) levantado por esta "salganhada" dos empréstimos. O que tem a direcção do meu clube a dizer sobre isto? E a LPFP? Assobiam ambos para o lado?

Giallo (9)


"La Bambola di Satana" (aka "Satan's Baby Doll"), de F. Casapinta (1969)

Frivolidades ou "coisas de gajo" - "dress codes" (10)

Barbour Beaufort waxed jacket
Barbour Tweed Jacket
Husky
Quando aqui falei do "loden" salientei o facto de ser pouco prático para quem viaja de carro, pelo demasiado espaço que ocupa e por se tornar desconfortável para o "despe/veste" de quem tem de entrar e sair muitas vezes do automóvel. A pergunta que se deve pôr será pois esta: então qual a alternativa para quem viaja de carro nos dias frios e húmidos, necessariamente vestido de modo mais ou menos informal? Bom... pois aqui estão: o "husky", os célebres "encerados" em que a Barbour é especialista e casacos semelhantes de "tweed". São quentes, razoavelmente impermeáveis (principalmente os "encerados"), ocupam pouco espaço, têm normalmente bolsos grandes que permitem ter sempre à mão aquelas pequenas coisas que gostamos de transportar connosco em viagem, podem ser usados por cima de um "pullover", camisola, casaco de "tweed" ou até de "blazer" e, muito importante em todos os tempos e ainda mais nos de crise, o seu preço é razoável (principalmente o do Husky)  e bem cuidados duram uma vida. Uma outra vantagem têm, especificamente, os "encerados" da Barbour: podem ser re-encerados em casa com a cera original, uma esponja e o recurso a um simples secador de cabelo. E, se não tiver paciência para tal e o casaco começar a romper, aqui e ali, basta deixá-lo na loja da "El Caballo", representante em Portugal da marca, para encerar e pôr uns remendos (o meu tem mais de vinte anos, já foi remendado mais do que uma vez e da última paguei €35 para encerar e remendar). Por esta razão, recomendo sempre a Barbour no caso dos "encerados". Quanto aos outros, existem várias opções, incluindo, no caso do "husky", uma marca exclusiva do El Corte Inglés a preço mais do que razoável. 

Claro que também são bem úteis no "dia a dia" da cidade, aos fins de semana, para levar para a "bola" e para quem não é obrigado a vestir-se sempre de modo formal (fato e gravata). "Value for money", pois claro. 


quarta-feira, março 07, 2012

A Loja Real convida


O PR e os patrocínios do Ministério Público

É mais do que óbvio que o patrocínio de umas tantas empresas, sejam elas quais forem, ao congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, coloca em causa, de facto, a sua independência, um dos princípios básicos do Estado de Direito e da Constituição da República. Neste aspecto, nada tenho a acrescentar ao que em relação a este assunto se tem dito e escrito, excepto que se em vez de empresas tivessem sido o senhor José dos Anzóis ou Manel da Burra, o problema seria idêntico. Mas deixo uma pergunta: não jurou o Presidente da República defender a constituição? Não protestou, veementemente, quando da questão do estatuto dos Açores, por achar os seus poderes constitucionais estavam a ser postos em causa? Alguém lhe ouviu agora emitir uma opinião num assunto que reputo bem mais grave? Alguém sabe que providências tomou para evitar (pelo menos) que casos semelhantes se repitam? Que acha o senhor Presidente sobre a existência e actuação de tal sindicato? Não sabemos... Mas também algum jornalista já se lembrou de lhe perguntar ou algum deputado ousou levantar o problema na Assembleia da República? Que eu desse por isso... NÃO. Ia dizer que é pena, mas é muito mais e pior do que isso.

The Roulette Years (15)


Tiny Tim & The Hits - "Doll Baby"

O ministério de Nuno Crato

Se querem um verdadeiro retrato das prioridades deste governo, olhem, por favor, para o Ministério da Educação: total capitulação perante os poderosos sindicatos do sector e nenhuma verdadeira reforma que possibilite melhorar a qualificação dos professores, a formação dos alunos e, no geral, a capacidade competitiva dos portugueses. Surpresa? Nenhuma: então o objectivo assumido não é mesmo o empobrecimento? Volta, Mª de Lurdes. Por mim, nunca te acusei e desde sempre estiveste perdoada.

terça-feira, março 06, 2012

Só podia mesmo dar certo...

Pois, a diferença entre um jogo pessimamente gerido e um outro muito bem gerido pode bem ser esta: o caminho que medeia entre a derrota e a vitória. E atenção, a gestão do jogo não se limita ao que um treinador faz durante os 90'; começa muito antes, no modo como se prepara a equipa para entender o jogo do adversário e ultrapassar os problemas que este lhe irá colocar. Desta vez, contra o Zenit, Jorge Jesus pensou muito bem e fez tudo ainda melhor. Só podia dar certo, provando também, ao contrário do que costuma dizer a crítica, que Aimar, muito útil em certas circunstâncias, não é assim tão essencial para a equipa ganhar os grandes jogos. 

Já agora e a "talhe de foice"... Tenho ouvido e lido por aí que no SLB-FCP "Vítor Pereira surpreendeu Jorge Jesus com o modo como a sua equipa entrou em campo". Duas notas: 

  1. Se surpreendeu, isso aconteceu apenas por distração ou estupidez de Jorge Jesus, pois o FCP tinha jogado exactamente da mesma maneira em Manchester.
  2. Mas alguma equipa digna desse nome entra em campo preparada apenas para uma única ideia de jogo do adversário sem ter sido instruída para cenários de jogo alternativos? Se sim, então estamos mesmo perante um caso grave de incompetência de um treinador e equipa técnica. Se não, e os jornalistas e comentadores acham que sim - que há lugar a esse tipo de surpresas - então a incompetência muda de protagonistas e transfere-se inteirinha para os jornalistas e comentadores que assim pensam.