quinta-feira, setembro 27, 2012

As capas de Cândido Costa Pinto (83)

Capa de CCP para "O Imenso Adeus", de Raymond Chandler, nº 101 da "Colecção Vampiro"

3 comentários:

  1. Com uma brilhante tradução do Mário-Henrique Leiria.
    Haja alguma coisa que atenue os desesperados dias que vivemos.
    Não resisti: fui à estante e pateceu-me deixar o final de "O Imenso Adeus"

    "- Eu estive nos comandos. Eles não aceitam tipos feitos de algodão em
    rama. Fui ferido e o trabalhinho que os médicos nazis me fizeram não
    teve muita graça. Sinto-lhe as consequências.
    - Eu sei Terry. Vocé, sob muitos aspectos, é um tipo muito simpático. Eu
    não estou a julgá-lo. Nunca o julguei. Simplesmente vocé já não existe.
    Já deixou de existir há muito. Está bem vestido, todo perfumado e tão
    elegante como uma prostituta de cinquenta dólares.
    - Isto faz parte do disfarce - respondeu-me quase desesperadamente.
    - Mas vocé diverte-se, não diverte?
    A boca torceu-se-lhe num sorriso amargo. Depois encolheu os ombros
    expressivamente, à latina.
    - Claro que me divirto. Tudo quanto hoje existe é teatro. Não há mais
    nada. Aqui - e bateu no peito com o isqueiro - não há nada. Eu estou
    pronto, Marlowe. E já o estava há muito. Bom, parece-me que não há mais nada a dizer.
    Ele levantou-se. Eu leventei-me. Ele estendeu a mão esguia. Eu
    apertei-a.
    - Até à vista, Sr. Maioranos. Gostei muito de o conhecer, apesar de o
    nosso contacto ter sido tão breve.
    - Adeus.
    Ele voltou-se, atravessou o escritório e saiu. Fiquei a ver a porta
    fechar-se. Ouvi-lhe os passos afastarem-se no corredor que predendia ser
    de mármore. Tornaram-se cada vez mais fracos até que deixei de os ouvir.
    Mas continuei à escuta. Porquê? Seria que eu esperava que ele parasse de
    repente e voltasse para trás e falasse comigo até que eu deixasse de me
    sentir como me sentia? Mas ele não voltou. Foi a última vez que o vi.
    E nunca mais vi nenhum dos outros - excepto os polícias. A esses, ainda
    não se inventou um processo de lhes dizer adeus."


    Um abraço

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  2. gin-tonic3:28 p.m.

    Caramba! Já tinha desesperado de ver a capa do Cândido Costa Pinto de “O Imenso Adeus” do Chandler. Na última do Costa Pinto que publicaste estive para fazer a observação, mas varreu-se-me…
    Já tudo dito sobre a tradução, eu acrescentaria: soberba tradução do Mário-Henrique Leiria.
    Já que entraram no campo das citações, não resisto a esta, que me dá sempre um imenso gozo. E para não fugir à tradição, cada vez que pego no livro volto a relê-lo.
    O João Bénard da Costa já não sabia quantas vezes tinha visto o “Johnny Guitar”. Também não sei quantas vezes li “O Imenso Adeus”:

    “Gosto dos bares à tardinha, logo que abrem. Quando ainda há ar fresco e limpo e tudo está luzidio e o tipo do bar dá a última olhadela aoa espelho para verificar se a gravata está direita e o cabelo bem liso. Gosto das garrafas arrumadas nas prateleiras do fundo e dos copos bem brilhantes e da sensação de antecipação que se tem. Gosto de ver o homem misturar a primeira bebida da tarde e pô-la no bar com o pequeno guardanapo bem dobrado ao lado. Gosto de a saborear sem pressa. A primeira bebida sossegada num bar sossegado – é estupendo!
    Eu concordei.
    - O álcool é como o amor. O primeiro beijo é mágico, o segundo é intenso e o terceiro é rotina. Depois só resta despir a rapariga.
    - E isso é mau?” – perguntei-lhe.”

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  3. Thanks, Gin-Tonic. E na 3ª feira lá estaremos.

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