No muito que se tem falado, nos últimos dias, sobre a "grande distribuição", esta é normalmente apresentada como o todo poderoso "lobo mau" que explora os indefesos "capuchinhos" na figura dos "pequenos e médios" fornecedores. Desculpem o talvez exagero, mas tem sido mais ou menos assim. Como já disse - e repito - existe uma situação de oligopólio no lado na "grande distribuição que lhe confere um poder desproporcionado perante muitos desses fornecedores, algo que os governos deveriam ter em atenção e regular mas que compete também a esses fornecedores minorar através da criação de associações e grupos. Mas convém também dizer, em abono da verdade, que nem sempre tal dicotomia, entre o poderoso comprador e o quase indefeso fornecedor, é verdadeira: muitos dos principais fornecedores da "grande distribuição" são grandes empresas, uma maioria agrupada na associação Centromarca e muitas delas multinacionais bem mais poderosas do que Sonae ou JM juntas, com marcas que a "grande distribuição" não se pode dar ao luxo de ignorar ou delas prescindir. Exemplos? Procter & Gamble (Gilette - quase monopolista no mercado de lâminas de barbear - Duracell, Tampax, etc), Colgate-Palmolive, Beiersdorf (Nivea), Nestlé (Sical, Nespresso, Chocapic, Cérélac, etc), LOréal (em parte detida pela Nestlé), Unilever, associada à JM (Vaqueiro, Knorr, Becel, Lipton, OMO, CIF, Lux, Rexona, Olá, Skip e dezenas de outras), Danone, Pescanova, Central de Cervejas (pertencente ao grupo Heineken), Unicer (com ligações à Carlsberg e incluindo as águas das Pedras e Vidago) e tantas outras. Vale a pena continuar?
Pois... nem tudo o que luz é oiro e nem tudo o que balança cai, e os accionistas e executivos destas grandes companhias devem estar nestes últimos tempos "a encher a barriga de gozo" por verem uma boa parte da esquerda e outro tanto da boa consciência moral nacional a agirem em sua defesa.
O problema é mesmo moral, JC. Estou ciente de todas essas coisas. Mas mais que o que aponta que é importante, está o constante tom de provocação que o Soares dos Santos tem adoptado em relação às leis do país, que tem "furado" constantemente por serem leis cheias de...buracos. Se tivermos em conta que a JM e a Sonae têm sensivelmente 80% do mercado, está bem de ver em que mãos isto tudo está.
ResponderEliminarPor mim, e como não posso fazer mais nada, faço questão de não gastar um cêntimo nem num, nem noutro.
Caro JC
ResponderEliminarA análise está (em parte) correcta... mas quando se fala em produtores nacionais e pequanos produtores o pensamento vai, na maior parte dos casos, para os pereciveis. E as marcas brancas que vão ganhando cota de mercado, a pontos de há alguns tempos atrás a Nestlé ter "ameaçado" ir embora ?
Um dos problemas, para além das margens esmagadas também tem a ver com prazos de pagamento e artimanhas usadas por quem domina, para as dilatar ainda mais.
Cumprimentos
Vic: não simpatizo c/ Soares dos Santos, nem concordo c/ uma boa parte das suas intervenções políticas (sim, são políticas). Não gosto deste estilo de empresário, ponto. Mas isso não me pode impedir (e não impede) de analisar o tema de acordo com aquilo que penso e sem estar sempre a ver ASS nas minhas análises. Certo? é isso que tento fazer, separando o agente da instituição.
ResponderEliminarCaro anónimo: Certo quanto ao que diz sobre os pequenos fornecedores. Mas digo desde o início destas minhas análises que a situação oligopolista da "grande distribuição" é, de facto, um problema. Mas, para além de não se poder meter tudo no mesmo caldeirão e mexer, com a falta de rigor correspondente, os tais pequenos fornecedores tb se podem associar. Veja o que se passa c/ as cooperativas leiteiras, que conseguiram poder. E a produção de leite é mesmo um dos melhores exemplos de pequenos produtores.
Cumprimentos