quarta-feira, novembro 30, 2011

"When I woke up this morning" - original blues classics (30)

Robert Johnson - "Love In Vain"

PS 0 - PR 1

Esta direcção do PS conseguiu uma rara habilidade... Depois de tanta confusão, para trás e para a frente, de tanta declaração de voto, individual e colectiva, de tantas propostas, ou propostas de propostas, e negociações que houve ou nunca chegou a haver e assim sucessivamente, quase aposto, singelo contra dobrado, que poucos ou até mesmo nenhum cidadão eleitor consegue associar algumas pequenas mudanças no OE, num sentido favorável aos contribuintes, com a actuação do partido, da sua direcção ou do seu grupo parlamentar. Daí a necessidade de ter tido que se pôr em bicos de pés. Quem ganha? Aquele senhor lá de Belém e, apesar da quadra natalícia, claro que não me estou a referir a José ou a Jesus.

segunda-feira, novembro 28, 2011

O "derby": o que vi e agora testemunho

Não posso ser testemunha do que não vi ou do qual não tenho relatos ou informações oriundas de fontes fidedignas. Por isso, e para tentar terminar, o que posso dizer sobre os infelizes acontecimentos do Estádio da Luz em função do que realmente vi ou me foi dado a conhecer e que reputo de relato imparcial? Bom... vejamos.
  1. O SCP a tentar fazer um caso da cedência de bilhetes, já sabendo que nunca poderia ter acesso aos 10.000 solicitados.
  2. Um SLB que disponibilizou o número de bilhetes legal, mas nunca deveria ter montado uma rede de e para protecção dos adeptos do SCP pois tal me parece contrário àquilo que é a essência do espectáculo e deveriam ser os objectivos da indústria. E isto, mesmo tratando-se de uma estrutura de última geração, utilizada em alguns dos principais estádios do mundo e aprovada pela LPFP.
  3. Uma direcção do SCP que tentou explorar o assunto da rede até à exaustão, tendo por isso também grande quota-parte de responsabilidade no ambiente gerado.
  4. Durante o jogo, a que assisti na 1ª fila do 3º piso, sector 26 da Bancada MEO, não muito longe dos sectores onde estavam localizados os adeptos do SCP (o meu lugar é no enfiamento da linha limite de uma das grande-áreas e os sportinguistas estavam colocados atrás da baliza desse mesmo lado), só consegui ver a tal rede após algum esforço, e por saber ela lá estava, o que prova que a visão de quem se encontrava no seu interior não seria assim tão afectada pela sua existência. Além disso, nunca me apercebi de que o sector se encontrasse sobrelotado - e olhei para lá repetidamente -, nem de qualquer facto anómalo durante o jogo. Confirmo, sim, muitos dos adeptos entraram tarde, já com o jogo a decorrer há bastante tempo. Mas também devo dizer que, infelizmente, tal é habitual e recorrente em jogos deste tipo. Uma situação a rever, já quem paga bilhete tem direito a ver e a participar em todo o espectáculo.
  5. Vi um jogo correcto, leal, por vezes até bem jogado, disputado com intensidade e mal arbitrado. Também uma equipa do SCP melhor do que nos últimos anos. Por isso, digamos também que sofri que nem um doido pelo meu "Glorioso".
  6. Saí um ou dois minutos depois do jogo acabar, pelo que só vi o incêndio na televisão, quando cheguei a casa (23h).
Agora, por favor, não arranjem "fait-divers" e punam mas é os responsáveis pelos desacatos e quem de direito pague os prejuízos causados. E se houve algo mais de irregular ou de pouco ético (considero a entrada tardia de adeptos, desde que por responsabilidade alheia [PSP, SLB, LPFP etc] um atentado aos seus direitos enquanto espectadores) que se investigue e se tirem as devidas ilações para o futuro. 

Zarzuela (4)

"Luisa Fernanda", de Federico Moreno Torroba - Final

Perguntas à direcção do SCP


Só isso? Não deveria antes condenar energicamente o sucedido, assumir desde já o pagamento dos prejuízos causados e colocar-se à disposição das autoridades para ajudar a identificar os responsáveis pelos desacatos? Ou fazer apelo às suas origens aristocráticas é só para o que dá jeito? Ai que o visconde está a dar voltas no túmulo!...

Ora expliquem-me - ou de como me apetece por vezes responder à grande demagogia com uma pequenina dose da mesma...

Ora expliquem-me lá, bem explicadinho, quem, em Portugal, viveu acima das suas possibilidades nos últimos anos:
  1. Os 700 e tal mil desempregados?
  2. Os reformados com reformas para as quais descontaram uma vida inteira de trabalho?
  3. Os pensionistas e os beneficiários do RSI?
  4. Os trabalhadores que ganham o salário mínimo?
  5. Os trabalhadores precários?
  6. Os empreendedores que se lançaram na aventura (quase uma odisseia) de fundar e gerir uma empresa (pequena, média ou grande) por meios lícitos e honestos?
  7. Os executivos e quadros que trabalharam 12 e 14 horas por dia para desenvolver e tornar mais competitivas, conseguindo-o, algumas das empresas portuguesas de maior sucesso, até internacional?
  8. Aqueles que pediram um empréstimo para comprar a sua casa ou fazerem umas férias e que, por vezes com sacrifício, o pagaram integralmente?
  9. Os que tentaram dar aos filhos uma educação melhor do que a que tinham tido?
  10. Os proprietários urbanos que recebem rendas ridículas?
  11. Mesmo muitos políticos que se dedicaram com devoção à causa pública?
Pois... se alguém viveu acima das suas possibilidades não me parece terem sido estes (e já são muitos). O problema é que serão essencialmente estes que terão agora de viver abaixo daquilo a que, legitimamente, teriam direito.

Diz que é uma espécie de teoria da conspiração

  1. O SCP pediu ao SLB 10.000 bilhetes para o jogo de sábado, sabendo de antemão ser tal pedido impossível de satisfazer.
  2. O SLB cedeu o número legalmente exigido, salvo erro 3.500.
  3. Pelo meio houve a cena da "rede", uma má decisão do SBL que alguns membros da direcção do SCP aproveitaram como oportunidade para acicatar os ânimos.
  4. Fácil entender que as queixas de alguns directores do SCP sobre as alegadas condições em que ficaram instaladas as "claques" do SCP já estariam preparadas como corolário do que afirmo nos três pontos anteriores: "branco é, galinha o põe"
  5. Claro que acabou tudo da forma que vimos, daí resultando um provável esfriamento das relações entre os dois clubes e os dois presidentes, que se tinham aproximado em função das próximas eleições para a FPF (mas não só).
  6. Agora digam lá quem perde e quem ganha? Obviamente perdem os que no SCP advogam entendimentos e um bom relacionamento institucional com o SLB, talvez com Godinho Lopes à cabeça. Quem ganha? Esse mesmo, o do costume, e aqueles que dentro do SCP representam a linha estratégica de subordinação ao FCP adoptada nos últimos anos
  7. Espero Luís Filipe Vieira e a direcção do SLB não caiam na esparrela e tentem manter um adequado relacionamento institucional com o nosso tradicional rival.

domingo, novembro 27, 2011

Stalag Fiction (7)

Fado - Património Imaterial da Humanidade (11)

O primeiro fado com registo conhecido

Manuel Pedro dos Santos ("Baiano")

Gravação de 1902 incluída na série de programas "Fado Maior", emitida pela TSF entre 2005 e 2006

O chamado "derby" em 10 pontos 10

  1. A táctica. Sabendo que a qualidade do SCP nas alas impediria o SLB de utilizar com sucesso um dos seus princípios de jogo fundamentais (sair a jogar através de Maxi e Gaitán) e não sendo o SLB muito forte a sair a jogar através de Javi ou, até, de Witsel, mais ainda quando as equipas de Domingos são normalmente muito fortes na "pressão alta", Jorge Jesus optou, e disse-o na conferência de imprensa, pelo passe longo, o que implicou a entrada de Cardozo (muito bem a segurar a bola e esperar o avanço dos médios) e a saída de Rodrigo. Como, por esse motivo, as bolas paradas poderiam ser fundamentais, quer a atacar quer a defender (o perigo Oniewu), optou pelo físico de Jardel em vez do melhor jogo e da maior rapidez de Miguel Vítor. Começou aí a ganhar o jogo (e contra mim falo pois teria preferido Miguel Vítor).
  2. Pelo que digo no ponto anterior, o SCP teve mais bola, mas apenas pelo contraste entre dois modelos e não por ter sido superior (seja lá o que isso for em futebol). Até à expulsão da Cardozo, foi pois uma posse de bola, em certa medida, ilusória, pois, como disse, resultou muito de modelos de jogo contrastantes. Tanto que o SLB, apesar disso, teve mais oportunidades de golo: uma bola no poste e outra na trave e duas oportunidades com Cardozo e Rodrigo isolados frente a Rui Patrício (muito bem, este). Em contraste, a melhor oportunidade do SCP (Elias) resulta de uma desconcentração infantil de Artur. Digamos que enquanto Cardozo esteve em campo o 2-0 esteve sempre mais perto do que o 1-1.
  3. Percebe-se porque Capel saiu de Espanha. Aquele estilo de touro a arrancar de cabeça baixa, embora útil em algumas equipas e campeonatos de, digamos, segunda linha europeia, já não se usa no grande futebol. Mas nos jogos contra adversários mais fracos, poderá ser útil ao SCP. 
  4. Um árbitro sem categoria. Desde o início do jogo que decidiu semear cartões amarelos a torto e a direito e a expulsão de Cardozo, apesar deste se ter posto a jeito, é uma decisão ridícula num jogo deste nível. Um árbitro que não soube gerir o jogo, bom para apitar nos distritais.
  5. Um grande capitão sem braçadeira (com as devidas licença e vénia ao senhor Mário Esteves Coluna). Jávi Garcia. Onde metia pé ou cabeça a bola era sua. Deu o exemplo. Marcou o golo. Temos sucessor para Luisão, e com vantagens. 
  6. Fico à espera quem de direito (LPFP?), e como medida de carácter pedagógico, informe a opinião pública da pena a que foram condenados os energúmenos que deitaram fogo à bancada do Estádio da Luz. Será que poderão voltar a entrar num recinto desportivo?
  7. Quando ouvi os primeiros comentários (cerca das 23h), se não tivesse estado no estádio e soubesse o resultado diria o SCP tinha ganho o jogo... Um pouco de contenção e vergonha na cara talvez não fosse má ideia, já que pedir à grande maioria dos comentadores para perceber de "bola" é manifestamente um exagero.
  8. Mas digamos que esteve no Estádio da Luz o melhor SCP dos últimos anos. Mas ficaram a 4 pontos sem ainda terem jogado com FCP e SCB, adversários directos.
  9. Em contraste, o SLB jogou fora contra dois deles (FCP e SCB) e empatou, ganhando ao SCP em casa. Faz a sua diferença, mesmo em relação ao último ano em que foi campeão (perdeu em Braga e no Porto).
  10. Conforme eu tinha previsto, a tal rede de protecção foi má ideia e deu mau resultado. E será sempre má ideia, mesmo que o resultado no curto-prazo possa ser aceitável. Alguns responsáveis/irresponsáveis do SCP, com a conivência da comunicação social, acicataram os ânimos? Sim, claro, mas tal seria de prever no triste panorama do futebol indígena.

sexta-feira, novembro 25, 2011

A rede

Não contesto que a tal rede de protecção das e às claques visitantes que o SLB, à semelhança das que existem em muitos estádios europeus, decidiu colocar no Estádio da Luz tenha, de facto, alguma eficácia local. Mas, em termos gerais, o que tenho a certeza é que, tal como acontece com aquelas marchas das claques enquadradas pelas polícias a caminho dos estádios e os anúncios tonitruantes sobre os "jogos de alto risco", apenas contribuirá para criar um clima de tensão e guerra latentes de que o espectáculo e a indústria em nada beneficiarão. Talvez fosse bem melhor olharem para os estádios ingleses e para a organização da Premiership e aproveitarem daí os bons exemplos, num país que já foi, em tempos, pátria do "hooliganismo".

"ab origine": esses originais (quase) desconhecidos... (24)

"My Prayer" (Georges Boulanger - Jimmy Kennedy)
A 1ª versão cantada (originalmente era um tema apenas instrumental da autoria de Boulanger) pela Glenn Miller Orchestra - 1939

A bem conhecida versão dos Platters (1956)

Os "cocktails" Molotov

Aquela história do lançamento de cocktails" Molotov (ou coisa do género) contra umas repartições de Finanças, salvaguardadas as diferentes amplitudes, tem qualquer coisa de parecido com as provocações dos esquadrões SA contra sindicalistas, sociais-democratas e comunistas durante os períodos de ascensão e consolidação do nazismo. Novos tempos, velhos métodos.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Ainda a eficácia da greve geral

Uma vez mais... Não me lembro de alguma vez os portugueses terem tido tantas razões para se sentirem irritados, injustiçados, revoltados e com tão fortes argumentos para lutarem contra algumas medidas do governo. Contra a paralisia de uma União Europeia que os condena ao empobrecimento. Em favor do Estado Social, tantas vezes aquilo que distingue a civilização da quase-barbárie. Em favor de serviços públicos competentes e eficazes, pagos com impostos suportáveis. Só que não entendo qual a eficácia de uma greve geral da qual os mais pobres, os que já são penalizados por viverem nos subúrbios e terem de utilizar os transportes públicos em longas deslocações para os seus empregos, os que não têm dinheiro para terem os seus filhos no ensino privado e recorrerem, quando necessário, aos hospitais e médicos privados, saem prejudicados. E, como todos antecipadamente sabemos, uma greve geral sem qualquer eficácia para forçar uma mudança, pois não é alguma desorganização que um dia de greve nos organismos públicos e em algumas, muito poucas, empresas privadas possa provocar no país que muda o que quer que seja. Confesso não entender... mas só posso desejar-lhes boa sorte.

À atenção de CGTP e UGT

O sucesso ou insucesso de uma greve geral não se mede pelo número elevado ou escasso dos que a ela aderem. Nem sequer, a não ser que seja esse o seu objectivo último, como acontece nas greves gerais revolucionárias, pela sua capacidade para paralisar um país ou região. Mede-se, ou deverá medir-se, como um pouco tudo na vida, pela sua adequação e capacidade para atingir os objectivos a que os seus promotores se propõem. Caso os objectivos enunciados pelas centrais sindicais para esta greve geral sejam efectivamente os verdadeiros (gostaria de pensar que sim), acho que CGTP e UGT deveriam reflectir um pouco sobre isto.

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (4)

John Lennon & Paul McCartney por Joe Cocker
"With A Little Help From My Friends"

quarta-feira, novembro 23, 2011

PSD: luta entre gerações ou luta ideológica?

Divergindo de José Medeiros Ferreira, digo que só aparentemente podemos considerar as divergências entre os sectores "cavaquista" e "passista", no PSD, como uma luta entre gerações. Como, quer queiramos quer não, a política e a ideologia ainda estão, mesmo que disfarçadamente, no "posto de comando", o que se passa é uma luta entre a ala cristã-democrata conservadora, personificada por Cavaco Silva e Ferreira Leite, e a radical de direita, pretensamente ultraliberal e admiradora do "reaganismo" e do "thatcherismo". Não deixa de ser interessante...

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (9)

Uma greve geral irrelevante

Gostava de acreditar que a greve geral de amanhã teria alguma influência, mesmo que reduzida, na resolução da crise do Euro e da dívida, e que poderia contribuir, de algum modo, para dar um novo fôlego à União Europeia. Infelizmente, tal parece-me ainda mais longínquo do que me sair o Euromilhões esta semana - a mim, que até nem jogo. Bom, mas já não seria mau se obrigasse o governo a reflectir sobre algumas das suas decisões mais gravosas, principalmente aquelas que podem pôr em causa alguns dos elementos fundamentais do Estado Social, mas também sobre a estratégia de empobrecimento que parece ser a sua e aquela que a Alemanha e a ideologia política dominante destinam aos países periféricos. Mas, verdade verdadinha, alguém acredita nisso? Pois, o drama é mesmo este: depois de algum estardalhaço, sobretudo mediático, momentâneo e de ser cumprida burocraticamente por todos os do costume, tudo ficará como dantes, nem melhor nem pior, o que condena a greve geral de amanhã, acolhida pela maioria dos portugueses com um condescendente e compreensivo encolher de ombros, à irrelevância política. 

Calculo que na Madeira este seja o próximo passo...

terça-feira, novembro 22, 2011

Man. United - SLB e Domingos Paciência

O que me apetece dizer sobre o jogo de Manchester? Nada de análises técnicas muito rebuscadas, excepto que nenhuma equipa portuguesa (e não só) consegue jogar e fazer circular a bola a um ritmo e com uma intensidade semelhante ao Manchester United. Apetece-me dizer, isso sim, e parafraseando Domingos Paciência, que ter sorte dá muito trabalho. Exemplos? Se não estivessem três jogadores do SLB na área Phil Jones não teria necessidade de fazer autogolo; e se a equipa não pressionasse alto Bruno César não ganharia aquela bola que está na origem do golo de Aimar. Não é assim, Domingos? O que está certo para uns tem de estar certo para outros...

Ai era o trauma de Weimar?

"A Alemanha só quer um euro que seja estável (nota do GM: leia-se "forte"). E um euro estável exige inflação baixa. Pelo que é incompatível com BCE a imprimir moeda para financiar Estados." - Wolfgang Schaeuble, Ministro das Finanças da Alemanha.

Quem ainda pensava que a obcessão da Alemanha com o controlo dos preços tinha algo a ver com algum trauma causado pela hiperinflação dos tempos da República de Weimar tem aqui neste texto do Ministro das Finanças alemão Wolfgang Schaeuble o melhor desmentido e, simultâneamente, a mais clara explicação sobre o actual conflito de interesses que, em torno do Euro, opõe a Alemanha e os chamados países periféricos. A ler com muita atenção (ah!, e onde Schaeuble fala em "euro" façam favor de ler "marco").

Val Lewton (4)


"The Seventh Victim", de Mark Robson (1943)

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (8)

segunda-feira, novembro 21, 2011

À atenção dos adeptos da redução salarial

Não é apenas uma efectiva diminuição dos salários que é recessiva. O simples facto de quem trabalha por conta de outrem, quer no Estado quer no sector privado, saber que em qualquer altura o seu salário pode ser reduzido, ou ter grandes probabilidades de ser obrigado ao desemprego com redução significativa dos seus rendimentos, contém em si mesmo, principalmente em economias em que o crédito tem uma função relevante, enorme potencial recessivo, fomentando a poupança e penalizando demasiado o consumo. Portanto, não é apenas por pressão dos sindicatos ou razões de ordem e coesão sociais que a diminuição de salários não é habitual, ou até nem é constitucionalmente permitida, e o desemprego obriga a indemnizações e à atribuição de um subsídio nos países mais desenvolvidos e com economias mais sofisticadas. Tal releva também, e muito, da necessidade de manter essas economias a funcionar.

Fado - Património Imaterial da Humanidade (10)


Maria da Conceição: "Mãe Preta" (letra original não censurada)

O PS e o IVA dos "blédina"

Se esta crise tem algum aspecto positivo, alguma utilidade, é permitir introduzir alguma racionalidade nas taxas do IVA. Por exemplo, alguém me diz qual a razão daqueles boiões de comida para bebé, normalmente utilizados apenas aqui e ali, numa emergência (nenhum bebé que seja um consumidor intensivo de tal coisa pode crescer saudável), estarem, até agora, na taxa intermédia do IVA? Ou porque razão a restauração beneficiava da mesma taxa? Bom, neste último caso podem dizer-me que o aumento do IVA para a taxa normal, acontecendo neste momento, é uma medida (mais uma) recessiva. Certo, o momento é péssimo; mas pena é ninguém ter ousado antes, quando o país ainda crescia, enfrentar o "lobby" do sector. Podem ainda contrapor que a concorrência de Espanha também mantém um IVA a taxa mais favorável, e que a restauração é, de facto, um sector com uma grande componente turística, logo exportadora. Mas alguém, no seu perfeito juízo, acha que o aumento de uma dezena de pontos percentuais no IVA dos restaurantes e ofícios correlativos terá sério impacto no turismo? Enfim... estranho é um PS à deriva ou muito mal pilotado vir cavalgar a onda populista, a puxar à lagriminha ao canto do olho, no caso do IVA dos "blédina" e fazer o papel de ponta de lança da corporação restauracionista no IVA do caldo verde, das bifanas e do arroz de pato. Perante o descalabro que por aí vai na UE e no país, não tem mesmo nada mais sério com que se preocupar?

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (7)

domingo, novembro 20, 2011

O Chelsea de Villas-Boas

Faltam jogadores ao Chelsea para se assumir como candidato ao título numa Premiership onde só City e United parecem poder ser campeões. Da "espinha dorsal" dos tempos de Mourinho, Didier Drogba e Frank Lampard, ambos com 33 anos, estão no fim das suas carreiras e John Terry fará 31 daqui a semanas. Acresce que Fernando Torres, habituado ao futebol de bloco baixo e "contra-ataque" de "outsiders" como o Atlético e o Liverpool de Rafa Benitez, é um erro de "casting" para quem é candidato e tem muito pouco espaço. Também para aquele futebol feito de demasiadas "cavalgadas". Malouda também já vai nos 31 e, assim, resta Juan Mata, o único capaz de criar desequilíbrios quando Ramires se tem de preocupar mais com a conquista da bola. Desde a saída de Mourinho que no clube de Fulham Road parece não existir uma política de contratações coerente com um modelo de futebol que se tinha mantido mais ou menos inalterado. Villas-Boas tenta fazer evoluir o futebol do Chelsea no sentido de um modelo em que a posse e circulação de bola tenham um maior protagonismo, e por isso contratou Mata. Mas é curto: parece existir alguma incompatibilidade entre o modelo pretendido por Villas-Boas, o "heritage" de Mourinho e as características da maioria daqueles jogadores.

Country Life (15)





Dyffryn House & Gardens (Wales)

Duarte Lima: a propósito do comentário de um leitor...

Num comentário a este "post" sobre a - quanto a mim - questionável decisão de colocar Duarte Lima sob prisão preventiva (uma vez mais: não está em causa a minha opinião pessoal - muito negativa - sobre o arguido), um leitor mostra-se de acordo com tal decisão alegando que "esta gentalha julga-se acima da lei e imune à aplicação da mesma"(sic). Dois comentários meus, já que a opinião deste leitor parece reflectir um estado de espírito maioritário na sociedade portuguesa:
  1. Se ninguém pode nem deve estar acima da lei, também não pode estar "ao lado" ou "abaixo" dela. E isto é tão óbvio que nem deveria ser necessário sublinhá-lo.
  2. É exactamente em virtude de decisões judiciais discricionárias, que demasiadas vezes não têm em conta apenas os factos e a aplicação estrita da lei mas razões de outra ordem (políticas, corporativas e por aí fora) que muitos se julgam "acima e imunes à lei". Discricionariedade por discricionariedade, até pode ser que, por razões de momento que pouco ou nada têm a ver com os factos e alegados crimes pelos quais se é indiciado, empenho daqui e "cunha" de acolá, conjuntura corporativa favorável a que se é alheio e assim sucessivamente, alguns possam julgar poder safar-se "passando entre os pingos da chuva", isto é, aproveitando-se das circunstâncias do momento serem beneficiados directa ou indirectamente por elas, ou até pela sua capacidade para se "movimentarem" com sucesso. Nessa altura, quando Duarte Lima (este ou um qualquer outro) for beneficiado por uma decisão tanto ou mais arbitrária como parece ser o caso desta, talvez o prezado leitor não manifeste tanto seu regozijo. 
Estamos conversados?

sexta-feira, novembro 18, 2011

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (6)

A "habilidosa" prisão de Duarte Lima

Ponto prévio: não tenho qualquer simpatia pela figura e personalidade de Duarte Lima. Mais, é alguém que, pelos seus carácter e percurso, me é particularmente antipático. Desde sempre. Mas quer-me parecer que a decisão do juiz Carlos Alexandre pela sua prisão preventiva terá bem mais a ver com o crime de homicídio, por provar, pelo qual é acusado no Brasil do que com aqueles, alegados, que levaram à sua constituição como arguido em Portugal. No fundo, uma "pequena" habilidade lamentável, que não honra a justiça portuguesa, para ultrapassar a impossibilidade constitucional da sua extradição.

"Alice in Wonderland" by Sir John Tenniel (16)

Father William somersaulting in the door

quinta-feira, novembro 17, 2011

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (5)

Caro Jürgen Kröger: "boa" era a sua tia!

Bem ou mal - para o caso pouco ou nada interessa - os portugueses elegeram no início deste Verão um parlamento onde o PSD, liderado por Pedro Passos Coelho, detém a maioria. Para conseguir formar um governo com apoio maioritário, o PSD decidiu coligar-se com o CDS, constituindo-se como governo legítimo da nação. É assim em democracia.

Como governo legítimo do país compete-lhe prestar contas dos seus actos aos cidadãos, tendo estes o direito de lhes exigir todos os esclarecimentos necessários sobre a governação. Tal é feito fundamentalmente no parlamento, perante e a solicitação dos deputados eleitos por sufrágio popular. Quer isto dizer que o governo tem um mandato para negociar com terceiros todos os actos que julgue necessários ao governo do país, devendo ser ele, e apenas ele e não qualquer outra entidade, a explicar aos que o elegeram, sempre que ache tal necessário ou a isso seja solicitado, a actividade em curso referente à governação.

Exactamente por isso, porque assim entendo a democracia, estou de acordo com os que afirmam deveria a "troika" abster-se de falar directamente aos portugueses. Muito menos de "mandar palpites" sobre questões de governação, sejam elas correctas ou incorrectas, tenham elas mais adeptos ou detractores. É com o governo e/ou com as entidades e instituições que este indicar que devem os representantes do FMI, BCE e UE entender-se; é ao governo que devem comunicar as suas ideias, discuti-las, analisá-las e é a este e ao parlamento que compete aprová-las ou rejeitá-las, em nome dos que o elegeram. Se assim tivesse sido não estaríamos agora a assistir a este triste espectáculo de ver o governo legítimo do país, a reboque de tudo e todos, discutindo uma hipotética e idiota desvalorização dos salários, que, pelo menos para já, não passa de uma mera opinião atirada para o ar por um ou vários burocratas da dita "troika" (a opinião do governo parece ser "nim"); se assim acontecesse não estaríamos agora colocados em cheque perante os nossos concidadãos gregos, que connosco partilham a cidadania europeia (ou o que resta dela), por via das afirmações idiotas de um burocrata cretino de nome Jürgen Kröger que, qual capataz valorizando a qualidade dos seus escravos, acha que "Portugal não é a Grécia porque há estabilidade e as pessoas são boas" (quereria dizer "dóceis"?).

Por muito que as opiniões dos representantes do FMI, BCE e UE possam refletir ou encontrar eco correspondente nos desejos e ideias do governo (ou deverei dizer do Ministro das Finanças?), por muito relevantes que possam ser para a governação do país (e são-no), pelo menos por enquanto (e veremos quanto dura este "enquanto") para o bem e para o mal existe um governo legítimo, eleito pelos portugueses, e é este que deve prestar contas aos eleitores pelos actos governativos e será a ele que os cidadãos devem exigir esclarecimentos. Pelo menos enquanto não pudermos também eleger quem substitua "Frau" Merkel, o que já tarda. 

Sem papas na língua...


Fernando Ulrich, Presidente do BPI, no Congresso da CIP

quarta-feira, novembro 16, 2011

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (4)

Duque, Fernandes e Torres

Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso será de opinião que uma das incumbências principais do serviço público de televisão, numa democracia, deveria ser fomentar e dignificar o debate de ideias na sociedade, sejam elas no campo político ou em qualquer outra área da actividade dos cidadãos. Mas principalmente na política, que, no fundo, sobreleva todas as outras. Ao pretender banir esse debate do serviço público de televisão, a nível nacional, e ao querer transformar informação em propaganda nos canais internacionais, os proponentes de um tal Grupo de Trabalho para a Comunicação Social mais não fazem do que serem coniventes com o "ovo da serpente" totalitário que amaldiçoa a divergência a sobrevaloriza o consenso, agindo como catalisadores dos que atribuem à política e aos políticos a responsabilidade de todos os males do mundo. Nada de espantar, já que parece estar "au gôut du jour" se considerarmos o desrespeito pelo voto popular na formação dos diversos governos europeus ditos "tecnocráticos". Nenhuma surpresa, se nos lembrarmos que Fernandes e Torres são originários da área ideológica mais do radical marxismo-leninismo e que a actividade mediática de Duque, Fernandes e Cintra Torres, verdadeiros comissários políticos da oposição à direita dos governos PS anteriores, se esgotou, nos últimos anos, em demasiadas e demasiado primárias acções de propaganda. 

Nota: continuo a afirmar que, por princípio, nada tenho contra a privatização da RTP. 

O exemplo de Paulo Bento - e outros.

Mourinho, Cristiano Ronaldo e Paulo Bento são aquilo que a maioria dos portugueses não são - e detestam: trabalhadores, rigorosos, donos de alguma arrogância, pessoas que falam directo e com clareza, que exprimem as suas ideias com simplicidade, senhores de si e das suas convicções. Gente, no caso de Cristiano e Paulo Bento, que não deixam confundam as suas origens humildes com a obrigação de humildade nos seus comportamentos. Talvez por isso sejam bem sucedidos. Não sei se essa maioria dos portugueses já percebeu... 

terça-feira, novembro 15, 2011

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (3)

As capas de Cândido Costa Pinto (74)

Capa de CCP para "Dez Dias de Mistério", de Ellery Queen, nº 73  da "Colecção Vampiro"

O que eu penso sobre o jogo da selecção...

Sejamos claros: desde que foi implementada a regra dos golos "fora" como factor de desempate e, mais ainda, a partir do momento em que as diferenças entre equipas começaram a estreitar-se que um resultado de 0-0 "fora de casa", desde que não exista um abismo entre as duas equipas, deixou de ser um bom resultado. Não permite à equipa que o conseguiu entrar no jogo seguinte em vantagem e concede um enorme benefício ao adversário que consiga marcar. Sejamos ainda mais claros: a selecção portuguesa entra hoje em campo com um menor número de probabilidades a seu favor, pois enquanto à Bósnia a vitória ou qualquer empate com golos a qualifica e o empate sem golos não a elimina, Portugal, que não tem um "ponta de lança" digno desse nome,  precisa sempre de ganhar, nem que seja no desempate por "penalties". E todos estamos lembrados que há dois anos, contra uma Bósnia (uma espécie de protectorado internacional) considerada inferior a esta, a vitória portuguesa foi apenas por 1-0 e com todos os santinhos a ajudar.

Que quero dizer com isto? Que se fosse um adepto fervoroso da selecção portuguesa - que não sou, embora simpatize com Paulo Bento e torça por Portugal - estaria de "pé atrás". E com eles bem afastados, para não perder o equilíbrio. 

segunda-feira, novembro 14, 2011

"Restless"****


"Restless", de Gus Van Sant (2010)

Tinha todos os ingredientes para se tornar numa lamechice intragável, de fazer chorar as pedras da calçada e conseguir ensopar lençóis. E, no entanto, falando sobre a dor, a morte e a perda, é um dos mais belos e revigorantes filmes que me foi dado ver ultimamente. Nada que puxe à lágrima, mesmo que apenas ao canto do olho, mas algo que nos obriga a um sorriso de partilha permanente. Depois de "Elephant" e "Paranoid Park" Van Sant regressa aos adolescentes. E com eles ao seu melhor.

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (2)

António José Seguro e o "Barómetro"


Conclusão: no fundo, no fundo, uma maioria dos portugueses acha que António José Seguro é... boa pessoa.

domingo, novembro 13, 2011

The Raj (5)




 "King of the Khyber Rifles", de Henry King (1953) 

Manifestações de militares e democracia

Por muito que existam razões ideológicas de fundo - e outras - que me distanciem do actual governo - e existem em número suficiente -, existe uma, essencial e inultrapassável, que me separa de concordar com manifestações de militares, por muita razão que lhes possa assistir: a defesa da democracia e do Estado de Direito, para mim incompatível com tal tipo de acções. Encolher os ombros e condescender perante manifestações da militares contra ou a favor de qualquer governo legítimo e democraticamente sufragado, por muito que possamos simpatizar ou antipatizar com os visados nessas suas acções, constitui pois, em minha opinião, o primeiro passo para capitular perante o desrespeito e a subversão das mais elementares regras que definem o Estado de Direito Democrático e ter deste uma concepção puramente instrumental. É passo que não dou e barreira que não transponho.

sábado, novembro 12, 2011

sexta-feira, novembro 11, 2011

Estudantes, pensionistas e o desconto no "passe social"

Qual a efectiva função do "passe social" nos transportes urbanos e suburbanos? Bom, em primeiro lugar, baixando o preço por viagem e permitindo um número ilimitado de viagens por um preço fixo, fomentar a utilização do transporte público em detrimento do transporte individual, premiando quem o faz e gerando assim racionalidade e "poupanças" em outras áreas: ambiente, combustíveis, fluidez do tráfego, organização das cidades, etc,etc. Mas como quem utiliza maioritariamente os transportes públicos também são os mais pobres, os detentores de menores recursos, o Estado financia também assim, através do incentivo que constitui o "passe social", quem mais necessita de apoio. Por último, ao fazê-lo, aligeira também a pressão dos trabalhadores sobre as entidades empregadores (públicas e privadas) no sentido de um aumento de salários correspondente à diferença entre o custo dos títulos de transporte "avulsos" e o valor, mais baixo, do passe social. Existe, portanto, uma racionalidade indiscutível ligada à existência do chamado "passe social", que, quanto a mim, na sua essência, faz todo o sentido manter e aprofundar, inclusivamente penalizando o acesso e circulação dos transportes privados nas zonas urbanas e transferindo assim recursos para o financiamento dos transportes públicos, o que permitiria manter o custo dos títulos de transporte a preços razoáveis.

Mas, em função do que acima se disse de forma resumida, a questão que agora se levanta será a seguinte: faz sentido que estudantes e pensionistas  beneficiem de uma discriminação positiva (desconto de 50%) nos "passes sociais"? Bom, estamos perante casos diferentes, embora as conclusões o possam não ser. Se um estudante é necessariamente um utilizador intensivo de transportes públicos, não o é mais do que um qualquer trabalhador que tenha de se deslocar diariamente de sua casa para o local de trabalho. Mais: enquanto os trabalhadores que utilizam maioritariamente os transportes públicos são, de um modo geral, os de menores recursos, tal não acontece com os estudantes, pobres e ricos utilizando-os de modo muito semelhante. Parecer-me-ia bem mais sensato que os recursos do Estado gastos com tal desconto fossem, neste caso, utilizados para premiar com financiamentos tais como "bolsas de estudo", refeições a preços reduzidos, comparticipações e afins, os estudantes que deles efectivamente necessitassem.

Já quanto aos pensionistas, que não são trabalhadores activos e, portanto, não têm de se deslocar diariamente para o seu local de trabalho, não me parece o "passe social" cumpra a função principal para o qual foi criado: beneficiar os utilizadores intensivos de transportes públicos, premiando o seu uso, e, com isso, gerar benefícios económicos e de bem estar globais. Neste caso, o desconto de 50% no "passe social" terá apenas uma função puramente social, como complemento da pensão a que têm direito, e a muitos nem sequer compensará a sua compra se a preço não reduzido. Uma vez mais, seria bem mais racional que o valor correspondente a esse benefício fosse para eles transferido por via de um aumento das respectivas pensões mais baixas.  

O "choradinho" do relvado e a fruta de antanho

Já estou farto do "choradinho" do relvado, do ambiente hostil e do clima, assuntos que me fazem voltar ao tempo em que a selecção portuguesa "levou" cinco da URSS por causa da... falta de fruta (não sei qual, se a vegetal se a carnal de Pinto da Costa). Ou do futebol e mentalidade "pequeninos" de José Maria Pedroto. Com três jogadores do Real Madrid (um deles o segundo melhor jogador do mundo e o melhor goleador europeu), um do Manchester United, outro do Chelsea, um considerado essencial na conquista da Liga Europa pelo FCP e outro de um tal Zenit que cilindrou o mesmo FCP em São Petersburgo, o que a selecção portuguesa de futebol tem mesmo de fazer é conseguir o apuramento. Mesmo com um guarda-redes que "tem dias" (infelizmente, não se arranja melhor), um lateral que gosta de tentar ser expulso a cada lance que disputa e um jogador de meio-campo (acho que vai jogar) que, de lento, é bom para ir buscar a morte. Depois... depois deixem lá serem os bósnios-herzegovinos a queixarem-se do que lhes apetecer. 

"The Day The Music Died" - the real Buddy Holly story (1)

quinta-feira, novembro 10, 2011

Portugal e a Europa

Ao contrário de Espanha, que teve um império europeu e, ao longo da sua História, foi quase sempre uma potência continental a ter em conta, Portugal nunca foi verdadeiramente um Estado europeu e, exceptuando pequenos períodos e de forma marginal,  nunca se envolveu de forma determinante nos conflitos que edificaram aquilo que é a Europa de hoje em dia. Claro que Aljubarrota pode - e deve - ser considerada como um episódio da Guerra dos Cem Anos; houve as invasões de Napoleão, uma guerra mais travada por ingleses em solo luso do que outra coisa qualquer; e  tivemos ainda o CEP, um exército composto por camponeses analfabetos que desconheciam qualquer tipo de estrutura organizativa, sendo que muitos deles nunca tinham visto sequer um automóvel, que lá se desenrascou como pôde (e pôde mal), nos campos da Flandres, naquela que foi a primeira guerra da era industrial. Encostados entre aquilo que viria a ser a Espanha e o mar, a expansão fez-se primeiro para os campos de cereais do norte de África e, depois, para as rotas marítimas das sedas e especiarias e para o ouro do Brasil.

Derrubado o Império pelos ventos da História, Mário Soares, um político culto e cosmopolita, na sua essência mais um europeu do que um português, abriu ao país as portas da Europa, um pouco contra a vontade, ou pelo menos com a desconfiança, de uma boa parte de um empreendorismo sempre muito pouco empreendedor e órfão do proteccionismo do Estado Novo. Esses "empreendedores", ou, para ser mais correcto, uma sua maioria, os verdadeiros velhos do Restelo do século XX, encontraram então no conforto do Estado "cavaquista" e no aconchego dos "fundos estruturais" um novo modo de vida, algo que os governos seguintes, salvo pequenas, honrosas e insuficientes excepções, não tiveram vontade e coragem de mudar.

São agora os portugueses, perante uma crise global da zona euro que tornou os problemas de alguns Estados mais agudos, postos perante a eventualidade de falharem o "seu" projecto europeu, que não é mais do que a oportunidade de estarem onde nunca estiveram e participarem onde nunca o tinham feito: no centro e na construção da velha Europa. Caso tal venha a acontecer, será sem dúvida um dos maiores fracassos da História de Portugal, condenando o país ao empobrecimento e a uma melancólica existência periférica. Mário Soares, um português felizmente bem maior do que o mesquinho país onde nasceu, não merece esse destino. Infelizmente, acho não se poderá dizer o mesmo da maioria dos seus concidadãos

Urban Lavender - News


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quarta-feira, novembro 09, 2011

Giallo (8)


"Schizoid" (aka "Lizard in a Woman's Skin"), de Lucio Fulci (1971) 

Frau Merkel e as políticas domésticas...


Muito bem, estou de acordo. Mas então vamos lá eleger um parlamento europeu de onde saiam o primeiro-ministro e governo europeus, um senado com representação igualitária de cada Estado e um colégio eleitoral que eleja o presidente da União. E isto só para começar, está bem? 

Robalos e pão-de-ló

Robalos e pão-de-ló, não sendo de desmerecer (longe disso) como "good will offers", dão bem ideia do baixo nível de sofisticação dos intervenientes do tal processo "Face Oculta". É o Portugal provinciano e pequenino, saloio, primitivo, em todo o seu esplendor. Cá por mim, que se quero robalos ou pão-de-ló trato de os ir comprar, já sabem: umas garrafitas de Romanée Conti ou de Noval Nacional 1963, uns bilhetitos para Wimbledon ou para o Festivais de Salzburgo ou Bayreuth, umas latitas de caviar Beluga ou, para os mais abonados, um Jaguar XK150 (também pode ser um XK120, um pouco mais em conta), serão sempre muito bem-vindos. Se, por acaso, se quiserem ficar pelo pão-de-ló (enfim... compreende-se) é favor não esquecerem uma caixita de Château d'Yquem a acompanhar. Vale?  

terça-feira, novembro 08, 2011

"ab origine": esses originais (quase) desconhecidos... (23)

Donovan - "Universal Soldier" (Buffy Saint Marie)
Gravação de Agosto de 1965

O original de Buffy Sainte Marie (1964)

"Preto de merda"? Ou mais prosaicamente "queixinhas" e "mariquinhas"?

Toda a vida os jogadores de futebol se insultaram dentro de campo, mesmo sendo amigos cá fora: preto de merda", "amarelo pudim", "azul cueca", "filho da puta", "cabrão", "estás a aqui a jogar e a tua mulher está lá em casa a f.... com outro", "a tua mulher tem uma ganda c...", bem ou mal (digamos que mais mal do que bem, mas o mal é relativamente inofensivo) sempre fizeram parte do jogo. O "grande capitão" Mário Esteves Coluna (daqui lhe faço uma vénia) era "useirio e vezeiro" e contava-me um dia, aqui há uma dezena de anos, o António Simões (o"rato atómico") que o bom do Mário ameaçava os adversários que marcavam o "miúdo" Simões com frases do género. "oh meu filho da puta, bates no miúdo e eu f...-te. Lembro-me também de o meu pai me contar uma "cena" com Fernando Peyroteo, jogador correcto e o grande goleador dos cinco violinos, em que este, sem ninguém perceber bem porquê, foi expulso por ter acertado valente "directo" num adversário. Mais tarde veio a explicação: acho que o tal adversário (não me lembro quem) terá passado o jogo todo a insultar Peyroteo com as tais frases do tipo: "estás aqui a jogar e a tua mulher", etc, etc, etc. Peyroteo fartou-se a zás... que se fazia tarde.

Vem isto a propósito de ver agora o jogador Alan, do SC Braga, vir queixar-se por Javi Garcia lhe ter alegadamente chamado "preto de merda" (ou teria sido de "mierda"?). Pela sua atitude, não vou dizer o jogador Alan (que tal como Ruben Micael parece ter aprendido bem e depressa a escola do FCP) mereça mesmo o insulto que atribui a Javi Garcia. Mas depois da cena da época passada e da atitude deste ano, "palhaço", "sacana",  "cobardolas", "queixinhas" ou "mariquinhas" são o mínimo a que faz jus. Aqui ficam pois os insultos, com os votos de que para personagem deste calibre, em vez de jogar futebol, talvez fosse bem melhor ir para casa brincar com a pilinha.  

segunda-feira, novembro 07, 2011

Abstenção violenta?

Abstenção violenta? Bom, à falta de melhor explicação acho deve ser como o moderno "Wrestling", ou como a "luta livre americana" ("catch as catch can") do velho Parque Mayer (contam-me), do Tarzan Taborda contra e Saludos(?) ou do Jaimery contra o Zé Luís: odeiam-se, são todos "maus como as cobras", contorcem-se e fazem esgares, aquilo é um "estardalhaço do caraças", mas vai-se a ver e é tudo a fingir e ninguém se magoa. No fundo, "ele" até há umas claques... Mas ninguém leva a sério e todos sabem é só para entreter o "pagode"...

História(s) da Música Popular (189)

Johnny Rivers - "Sweet Smiling Children"

Jimmy Webb (VI)

Último tema do álbum "Rewind" e também deste capítulo de "História(s) da Música Popular dedicado a Jimmy Webb, devo dizer é dos temas de Rivers e Webb de que menos gosto. Por isso mesmo e também porque muito pouco há a dizer, aqui fica sem mais palavras.

domingo, novembro 06, 2011

S.C. Braga - SLB

  1. O SLB conseguiu esta época em Braga e no Porto (no estádio de S. Roque da Lameira) os melhores resultados das épocas Jorge Jesus: dois empates. A tal não será alheio o maior equilíbrio da equipa com a entrada de Witsel e, hoje, com a inclusão de Amorim. Mas...
  2. Se a primeira parte pouco interessa por motivos alheios ao jogo, o penalty cometido por Emerson acontece quando o S.C. Braga, depois de três "apagões", começava já a ter mais posse de bola perto da baliza do SLB. Emerson foi ingénuo, mas a responsabilidade é de quem o contratou e o fez titular (não, não estou a falar da história de Capdevilla, mas da incapacidade do SLB conseguir ter um lateral-esquerdo à altura).
  3. Alguém percebeu porque Jorge Jesus alterou a estrutura da equipa ao intervalo? Eu não, e se Gaitán, apesar de, aqui e ali desequilibrar, se esquece que joga numa equipa, havia Nolito e Bruno César, o que permitiria manter Witsel, o único jogador que sabe sair a jogar "lá de trás", na sua posição habitual. Jesus emendou mais tarde, mas "não havia necessidade"...
  4. O golo caiu do céu aos trambolhões (valha-nos que tinha acontecido o mesmo com o do adversário), pois o S. C. Braga, sem ter criado grande perigo, teve mais bola e foi mais consequente que o SLB na 2ª parte. Para variar, o SLB teve dificuldades em pegar no jogo, insistiu demais nas jogadas individuais, de "um para um", mostrou falta de concentração e falhou muitos passes. Já vimos "este filme" antes; aliás, começa demasiadamente a parecer um filme "em pescadinha".
  5. Enfim... cumpriu-se a primeira-parte do meu plano: conseguir um "pontito" em Braga. Mas vamos ter de jogar bem mais para cumprir a segunda: ganhar ao SCP.

Specialty records (7)

Little Richard - "Lucille"

A caminho de um governo de "unidade nacional" dirigido por Belém?

Percebe-se agora bem melhor talvez se aproxime do seu fim a estratégia iniciada com o empolamento dos "casos" das alegadas escutas a Belém e do Estatuto dos Açores. Depois de se pensar - e talvez bem - que o objectivo do Presidente da República seria minar e destruir o governo de José Sócrates para colocar no seu lugar um governo do PSD dirigido por um "cavaquista" (Manuela Ferreira Leite), sendo os "casos" citados apenas o primeiro passo nesse sentido, Pedro Passos Coelho terá sido o imprevisto pauzinho na engrenagem que impediu tal desiderato. Desistência? Nem pensar... Pensando em Cavaco Silva, "é cena que não lhe assiste" Analisados os factos, tiradas as respectivas conclusões e perdida essa batalha, a Presidência da República decidiu-se por uma autêntica OPA sobre o Partido Socialista, tendo como condição sin qua non o afastamento ou neutralização do grupo mais próximo de José Sócrates e a eleição de António José Seguro e como objectivo último a constituição de um governo de "unidade nacional", de facto ou de jure, sob a tutela efectiva de Belém. Como se pode depreender dos sinais, já tudo menos ténues, é isto que efectivamente está em jogo no actual momento político. Digamos que não compro a ideia, nem sequer gratuitamente ou por um qualquer valor simbólico, mas tiro-lhe obviamente o meu chapéu.

sábado, novembro 05, 2011

"Shindig" - Sixties superstars (4)

1. The Kingsmen - "Louie, Louie"
2. Sir Douglas Quintet - "She's About a Mover"
3. Roy Head - "Treat Her Right"
4. Olympics - "Good Lovin'"

sexta-feira, novembro 04, 2011

Saucy (6)

O futuro próximo do meu SLB

O meu "Glorioso" vai ter que fazer, no mínimo, quatro pontos nos dois próximos jogos do campeonato, assim distribuídos: um no jogo com o S.C. Braga (o jogo é "fora" e o S.C. Braga é apenas um "outsider" e não um adversário directo: perderá muitos pontos até final) e três contra o SCP (jogo em "casa" contra um adversário directo). Se os conseguir, com esta distribuição (ganhar em Braga e empatar em casa com o SCP não seria a mesma coisa), torna-se, em minha opinião, o principal candidato ao título, apesar do FCP ter a vantagem de jogar alguns jogos contra autênticos clubes-satélite (atenção ao que se possa passar em Olhão...).

Importante também conseguir passar aos 1/8 de final da Champions League e o FCP apenas conseguir qualificar-se para Liga Europa. Porquê? Para além da diferença de receitas e prestígio entre as duas competições (e isto é o óbvio, para além de que vitórias geram vitórias), o SLB (ou qualquer outra equipa portuguesa) dificilmente ultrapassará os 1/8 de final da CL e, no limite, conseguirá chegar aos1/4 de final. Ficará então "livre" da sobrecarga europeia, enquanto SCP e FCP terão de disputar a Liga Europa que tem mais uma eliminatória e onde, com adversários mais acessíveis, poderão chegar mais longe, o que os obriga a um maior desgaste.

Nestes próximos jogos (SCB, SCP, Man. United e Otelul) jogar-se-á também muito do futuro de Jorge Jesus (e de Vieira) no clube. Espero estejam ambos cientes disso e evitem "asneirar"...

"Les uns par les autres" - os melhores "covers" de temas tornados famosos pelos seus autores (3)

Jacques Brel por Scott Walker
"Amsterdam"

O voto do PS

Não me parece a decisão de voto do PS no Orçamento de Estado para 2012 (abstenção em vez do voto contra preferido por sectores importantes do partido) tenha grande significado. Aliás, não é, neste caso, o voto "contra" ou "a favor" que define, em última instância, o modo como o partido está na e faz oposição. Tal definir-se-ia, muito mais, pela sua capacidade, ou incapacidade, de se constituir como alternativa estratégica global à política de "empobrecimento" do executivo de Passos Coelho e de "austeridade seguida de mais austeridade" dominante nas instâncias europeias. Uma vez assumida esta opção estratégica, algo que o PS não quis ou não pôde fazer, a opção parlamentar entre a abstenção ou o voto contra poderia assumir contornos puramente tácticos, podendo, nesse caso, essa abstenção táctica ser defendida apenas como uma necessidade de manter os compromissos assumidos, a contra-gosto e assumidamente contra-natura, com a assinatura do MoU e, em simultâneo, manifestar a sua independência e distanciamento para com a política governamental. Para perceber melhor o que digo e confirmar a autonomia das instâncias - estratégica e táctica - que refiro, basta ver como o PSD optou pela viabilização do OE do corrente ano - abstendo-se - não deixando, contudo e apesar desse seu voto, de se apresentar e ser percepcionado pelos cidadãos como oposição acérrima e alternativa política e de governo a curto-prazo.

Se tal opção (conjugação de uma estratégia de oposição global e inequívoca com o voto táctico abstencionista) seria, penso eu, facilmente entendível pelos portugueses, já conciliar a situação actual de ausência de uma estratégia clara de alternativa à política do governo de Passos Coelho com o voto contra no Orçamento de Estado me pareceria algo bem difícil de explicar, e muito menos de entender pelos eleitores. No fundo, e fazendo recurso à sempre colorida e expressiva linguagem tauromáquica, tal não passaria nem deixaria de ser visto como um "derrote" de manso.

quinta-feira, novembro 03, 2011

A esquerda radical e a crise grega

Já deu para perceber que a esquerda radical, nela se incluindo alguns sectores minoritários do PS, tem da crise grega a mesma visão moralista que frau Merkel tem dos "PIGS" "irresponsáveis e gastadores" do sul da UE: "os gregos é que os têm no sítio - Papandreou tornou-se uma espécie de herói de banda desenhada em luta contra as potências do mal -, não têm medo do povo e estão a lixar a Merkel e o Sarkozy, o que é bem feito porque foram eles, apoiando a ganância dos banqueiros, que (n)os meteram nisto".

 Independentemente das responsabilidades que todos possamos atribuir a Merkel e Sarkozy, pouco importa a essa esquerda radical, como de costume, que a Grécia recorra a um estafado instrumento - o referendo - dos populismos plebiscitários, frequentemente suporte de regimes autoritários e musculados, e que possa arrastar consigo, para um qualquer abismo desconhecido, toda a bem sucedida História europeia dos últimos 70 anos. Quanto pior melhor -  não é assim? - mesmo que o "prémio" seja apenas a pírrica e mais do que duvidosa vitória moral do "nós tínhamos ou não tínhamos razão? Vão-se mas é lixar!

Urban Lavender news - Christmas & Fall/Winter 2011

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Grécia: the mouse that roars

"The Mouse That Roared", de Jack Arnold (1959)

"A Economia de Fenwick está na bancarrota, pois o vinho, seu único produto de exportação, sofre a concorrência de um produto similar mais barato criado nos Estados Unidos da América, seus antigos importadores. Então a governante do país, a Duquesa Gloriana XII, é convencida pelo primeiro-ministro "Bobo" Mountjoy a declarar guerra aos americanos, com o único propósito de perder e depois conseguir financiamento para a "reconstrução", numa referência satírica ao Plano Marshall. 

Mountjoy incumbe o atrapalhado Marechal Tully Bascomb de liderar a força de ataque, que invade Nova Iorque munida de arcos e flechas. A invasão é completamente ignorada pelas autoridades americanas, pois a declaração de guerra de Fenwick(que anteriormente havia sido até motivo de riso para o ministro americano das relações exteriores) se extraviara no meio da papelada diplomática. Em Nova Iorque, todos estão ocultos sob abrigos subterrâneos por causa do teste de uma nova bomba superpoderosa. Sem ninguém para combater, os 22 arqueiros vagueiam pelas ruas e por mero acaso encontram o cientista responsável pelo desenvolvimento da bomba e sua filha, sequestrando-os e levando-os com o poderoso artefato para Fenwick, juntamente com alguns oficiais do exército americano.

Ao retornar ao país Bascomb conta à incrédula Duquesa sobre a mudança de planos e que Fenwick havia "vencido a guerra". De fato, ao saber que a poderosíssima Bomba "Q", capaz de destruir todo um continente, estava em poder do diminuto e quase desconhecido país, as autoridades americanas vêem que não lhes resta alternativa a não ser render-se a Fenwick.

O país, por fim, acaba impondo aos Estados Unidos algumas sanções, como o pagamento de um milhão de dólares e a retomada do mercado americano para seu vinho, além do completo armistício mundial."

quarta-feira, novembro 02, 2011

SLB: e do lado esquerdo?

Confesso, já que Jorge Jesus tem de mexer na defesa preferia que o fizesse só de um lado, mantendo Maxi na direita. Mas, perguntarão: e quem jogaria então do lado esquerdo? Pois, essa é que é a pergunta de um milhão de dólares, e como não sou treinador do meu "Glorioso" nem vejo os treinos no Seixal, não arrisco uma resposta.

A solidariedade do "Gato Maltês" para com o "Charlie Hebdo"

Papandreou: "all or nothing"

Ao recorrer ao referendo, Papandreou joga o jogo do "tudo ou nada". Se vencer, terá condições políticas únicas para implementar as medidas de austeridade impostas e, principal e preferencialmente, cria desde já, com o simples anúncio desse referendo mas ainda mais se o vencer, condições únicas para renegociar com a UE numa posição de vantagem e chantagem políticas; se perder, arrasta consigo, num cataclismo de proporções inimagináveis, os "maus da fita": a Europa e a zona euro, fruto das hesitações, contradições e conflitos de interesse político dos seus dirigentes.

Digamos que não o acompanho no jogo - até pelas minhas posições de princípio contra as democracias plebiscitárias - mas tiro-lhe desde já o meu chapéu.  

terça-feira, novembro 01, 2011

Sou adepto desde pequenino!...

"Shindig" - Sixties superstars (3)

1. The Turtles - "It Ain't Me Babe"
2. The Byrds - "Feel A Whole Lot Better"
3. The Gentrys - "Keep On Dancin'"

Correia de Campos e o possível voto "contra"


Com toda a admiração que tenho por Correia de Campos (aqui o defendi, e à sua actuação, enquanto Ministro da Saúde do primeiro governo de José Sócrates), o PS não se pode tornar porta-voz político e partidário de quaisquer corporações, por muita razão que lhes assista - e, no caso da restauração, até nem acho seja esse o caso - ou por muitos votos que essa atitude possa angariar. Se o PS e Correia de Campos decidirem votar ou pugnar pelo voto "contra" o Orçamento de Estado de 2012 - e têm muitas razões para tal - devem fazê-lo tendo por base uma oposição global à política de "empobrecimento" (Pedro Passos Coelho, dixit) que ele (O.E.) consubstancia, bem como às dúvidas que o corte salarial dos funcionários públicos lança sobre o futuro papel do Estado e sobre a possibilidade de uma sua qualquer reestruturação feita "com pés e cabeça". Caso contrário, ficará prisioneiro dessas mesmas corporações e, no futuro, arrisca-se a provar-lhe o veneno. Nada que Correia de Campos já não tenha experimentado, daí a minha estranheza.