terça-feira, maio 31, 2011

O poder judicial e os debates

A obrigatoriedade, decretada pelos tribunais, de estender os debates eleitorais a todos os partidos concorrentes às eleições legislativas, na prática, inviabilizando os debates televisivos, é apenas mais um episódio da luta do poder judicial contra a impropriamente chamada "classe política" e, principalmente, o poder legislativo. Só isso explica o absurdo da decisão judicial.

Frivolidades: sugestão para quando estiver esconjurado o perigo "pepinês"


Uma das minhas sanduiches favoritas é esta de salmão com pepino. O pão tem de ser de centeio, alemão, de preferência do que se vende na panificadora junto aos Alunos de Apolo. Depois barre com mayonnaise e junte-lhe fatias de salmão fumado e rodelas de pepino cortadas muito fininhas. Atenção: as rodelas de pepino têm mesmo de ser cortadas muito finas (as da foto estão demasiado grossas), quase da espessura do carpaccio. Acompanhe com um bom espumante Murganheira ou um arinto de Bucelas - Prova Régia, por exemplo.

História(s) da Música Popular (182)

Harpers Bizarre - "The 59th Street Bridge Song ("Feelin' Groovy)" (Paul Simon)

Harpers Bizarre - "Anything Goes" (Cole Porter)

Sunshine Pop (VI)

Inicialmente conhecidos por um "cover" do tema de Simon & Garfunkel "The 59th Street Bridge Song (Feelin' Groovy)", que atingiu o #13 nos "charts" americanos em 1967, os Harpers Bizarre (Santa Cruz, CA) adaptaram de seguida à moda "sunshine pop" duas versões de clássicos americanos assinados por Cole Porter e Glenn Miller. Estamos a falar dos mais do que célebres "Anything Goes" e "Chattanooga Choo Choo", nenhuma das versões tendo conseguido tornar-se grade êxito. De qualquer modo, não desgosto desta adaptação do tema de Porter, até talvez a preferindo à versão da canção que Paul Simon e Art Garfunkel incluiram no seu álbum "Parsley Sage Rosemary and Thyme", o terceiro das suas vidas.

Mas de uma coisa podemos estar certos: falar de "sunshine pop" exige uma passagem por estes Harpers Bizarre, tal como também exigirá, numa próxima oportunidade, se fale dos Fifth "Up, up And Away" Dimension. Que será, também, uma boa oportunidade para fazer a agulha para Jim Webb.

50 anos, já!

Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus (1960-61) - 31 de Maio de 1961
Wankdorf Stadium - Berna
S. L. Benfica 3 - F. C. Barcelona 2

Prisão preventiva

Com a conivência de políticos e orgãos de soberania e fruto da habitual falta de coragem política de ambos para se oporem às corporações e ao populismo mediático, a prisão preventiva está a transformar-se em Portugal numa espécie de condenação e cumprimento de pena sem acusação formal ou julgamento. Pior, numa condenação e pena ditadas por julgamento e sentença "populares", pela demagogia mais rasteira com origem na conjugação de interesses entre "media", magistratura e o securitarismo ideológico de uma extrema-direita ainda difusa mas que assim vai vendo desbravado o seu caminho. Deste modo, e dia a dia, se vai colocando uma pedra sobre o túmulo que há-de enterrar de vez os direitos, liberdades e garantias e com eles o Estado de Direito Democrático. Muitos democratas sinceros (ainda os haverá?), por via dos interesses do momento, lá vão embarcando na histeria mediática do "povo da SIC" e no barco do poder judicial corporativo. Quando derem por isso, já terão passado de algozes a vítimas. Será tarde; muito tarde.

Nota: como já disse, nem sempre tenho estado de acordo com o actual bastonário da Ordem dos Advogados, principalmente face a algumas das suas afirmações e comportamentos que ultrapassam a barreira do populismo. Mas não quero deixar de saudar, uma vez mais, a coragem das suas últimas afirmações sobre a prisão preventiva. Num dia, que espero nunca chegue, em que seja necessário defender, em última instância, o Estado de Direito Democrático saberei com quem contar. 

segunda-feira, maio 30, 2011

As "palavras de ordem" da campanha

Confesso-me farto de ouvir "palavras de ordem" idiotas e inócuas, que nenhum objectivo propõem, tais como "é J, é D, é JSD", "é bloco, é esquerda, é Bloco de Esquerda" ou ainda (ouvi hoje) "É Pedro, é Passos, é Passos Coelho". Que tal voltarem a coisas mais substantivas e mobilizadoras, tais como "nem mais um só soldado para as colónias", "o povo está com o MFA", "os ricos que paguem a crise", "Portugal é do povo, não é de Moscovo" ou mesmo o velhinho, mas porventura ainda muito apreciado por certas bandas, "viva a classe operária"!?

Experimentem lá; não custa nada!

Novidades da "Urban Lavender"


Great Flowers Design this Season

"The Tree of Life"

Ora vamos lá esgotar os adjectivos...

Pomposo, cheio de presunção, a piscar todos os olhos (os da câmara, claro!) ao misticismo e com uma metafísica de pacotilha, o último de Malick é um filme para basbaques que se deixem embasbacar. Na música seria um daqueles inenarráveis álbuns dos MoodyBlues pós-Denny Laine (tipo, "To Our Childrens, Childrens, Children" ou "In Search of the Lost Chord") e na metafísica e religiosidade não desdenharia ser assinado por Laurinda Alves na sua defunta revista do "Público". Chega ou querem que dê mesmo bola preta?

O júri de Cannes já nos habituou a tudo, enfim... Se até a Michael Moore...!

"Glorious 39" (11/11 - Final)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

domingo, maio 29, 2011

Um juiz incompetente e em busca de protagonismo

Tal como previa, confirma-se a decisão de prisão preventiva para os jovens de 16 anos (repito: dezasseis) envolvidos numa cena de violência sobre uma rapariga de 13 anos se fica a dever a uma cedência à demagogia populista mais rasteira do "povo da SIC", dominante em "fóruns de opinião", "caixas de comentários" e redes sociais. Acrescento agora, ainda a ânsia de protagonismo fácil de um juiz incompetente. Outra coisa não se pode concluir do despacho em que se alega a "intranquilidade e alarme social", que o caso terá provocado, como causa para a prisão preventiva. Estamos conversados sobre a Justiça portuguesa, se tal fosse ainda necessário.

Nota: estou muitas vezes em desacordo com Marinho Pinto. Mas por vezes, como neste caso, só posso respirar de alívio por ter sido eleito bastonário pelos seus pares.

Final da Champions League (5) - Apreciação final

Ao contrário do que aconteceu o ano passado na final de Madrid, a nossa reportagem correu benos bem. Problemas com a saturação das redes de telemóvel e "Internet" em Wembley impediram uma mais eficaz reportagem em tempo real, o United, ao contrário do F. C. Internazionale, perdeu e assim só hoje este "blog" consegue apresentar uma pequena reportagem fotográfica do evento. Recorde-se que este "blog" foi talvez o único aqui do rectângulo a estar presente nas duas últimas finais da Champions League, a enviar uma reportagem directamente de Amsterdam no dia da final do último Mundial, entre a Holanda e e Espanha, e a estar presente no O.M. - SLB da época passada, no Vélodrome.

Sobre o jogo de ontem, pouco mais há a dizer: a superioridade do Barça foi total e desta vez sem o recurso às habituais "facilidades" da arbitragem, como aconteceu na eliminatória de há dois anos contra o Chelsea de Guus Hiddink ou este ano contra Arsenal e Real Madrid. Faltam jogadores de classe pura ao United (só Rooney e Van der Saar é muito pouco, já que Giggs está no fim da carreira) e o colectivo lá vai chegando para as encomendas na Premiership e na maioria dos jogos da CL. Mas é manifestamente insuficiente contra o Barça, como o seria também contra o Real Madrid actual, perante o qual este United também não teria qualquer "chance". Se o Barça é, neste momento, superior a qualquer outra equipa, só o Real Madrid de José Mourinho poderá actualmente ter argumentos para, aqui e ali, conseguir aproximar-se. E pronto!, para o ano há mais.

Final da Champions League (4) - o bilhete do nosso enviado especial

Final da Champions League (3) - Reportagem fotográfica do nosso enviado especial




sábado, maio 28, 2011

Final da Champions League (2) - do nosso enviado especial

Alguns problemas com o funcionamento da "net" no estádio. Primeira impressão do nosso enviado-especial, transmitida por telemóvel, salienta a excelência do novo Wembley. Às 19h, adeptos do Barça ainda em maioria.

Final da Champions League (1) - do nosso enviado especial

Primeira nota directamente de Wembley para o "Gato Maltês" às 18.50h:

Adeptos do ManU cantam "o'shea is better than messi, la la la la"

Agressão e vídeo: prisão preventiva?

Alguém me explica porque ficaram em prisão preventiva dois dos jovens envolvidos na agressão e publicação de um vídeo sobre essa mesma agressão a uma rapariga de 13 anos? Haveria perigo de fuga que tal justificasse? Hipótese de continuação da actividade criminosa ou possibilidade de dificultar a investigação? Não estaremos, uma vez mais, perante uma inqualificável cedência da Justiça ao populismo mais rasteiro e ao estardalhaço mediático? Para ficar mais descansado, gostava de saber das justificações do juiz.

Nota: Para que não restem quaisquer dúvidas, não estou a defender os autores da agressão e filmagem e considero o que se passou como um acto grave que deve ser julgado e punido de acordo com a lei. De notar, contudo, que a prisão preventiva não tem carácter punitivo e ainda se aguarda julgamento do caso.

Hoje é dia de Champions!

sexta-feira, maio 27, 2011

"Glorious 39" (10/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

O SLB e Júlio César

Não vou acrescentar mais ruído ao que por aí já se ouve e lê sobre as transferências de Júlio César e (talvez) Roberto, bem como sobre os respectivos pagamentos. Por enquanto, demasiadas manobras de informação e contra-informação. Quando achar possa existir algo de mais concreto sobre o qual valha a pena pronunciar-me, não deixarei de o fazer. Até lá... cautelas e caldos de galinha.

Janis Martin, Barbara Pittman e Wanda Jackson (7)

Wanda Jackson - "Tongue Tied"

Os políticos nos seus tempos de lazer

Não costumo ver aquelas reportagens sobre a vida privada ou os tempos de lazer (apesar de tudo, são coisas diferentes) dos políticos: é coisa que não me interessa ou interessa quase nada. Não tenho qualquer intenção de ser amigo de nenhum deles e as minhas opções eleitorais não são por tais razões ditadas. Querem um exemplo? Seria bem capaz de ir beber umas imperiais, comer uns tremoços e dar uns gritos pelo "Glorioso" com Jerónimo de Sousa ou beber um bom vinho, comer um excelente jantar e discutir uns livros com Manuel Alegre. No entanto, nunca votei no PCP ou em Alegre enquanto candidato a PR. 

Mas, por um acaso, vi por estes dias, à vol d'oiseau, pequenos excertos de reportagens de Fátima Campos Ferreira sobre os tempos de lazer, embora em campanha, de Paulo Portas e Francisco Louçã, e algo me chamou a atenção: enquanto Paulo Portas manifestava total à vontade e uma personalidade idêntica em ambos estes tempos da sua vida enquanto político, um pouco como sempre acontecia também com Mário Soares, a incomodidade e desconforto de Louçã, como se aí, e não nas "arruadas" e comícios, estivesse verdadeiramente a representar, chegaram a chocar-me. Questão de personalidade? De timidez? De educação? Talvez um pouco, admito-o, embora tal me leve também a concluir que os grandes políticos intuitivos das democracias, tal como os grandes cavalheiros, sejam aqueles, como Soares, Churchill ou, salvaguardadas as enormes distâncias, Portas, que se sentem à vontade em quaisquer situações e assumem na política a sua personalidade "civil". Mas pergunto-me, e voltando ao caso de Louçã mas lembrando-me também de Cunhal, se não estará aí também reflectida a dificuldade dos revolucionários, principalmente dos "marxistas-leninistas", em assumirem uma vida para além dessa sua função de "revolucionar" o mundo...   

quinta-feira, maio 26, 2011

"Glorious 39" (9/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

O "Gato Maltês" na final da Champions League

Como já vem sendo habitual, o "Gato Maltês" terá um seu enviado-especial na final da Champions League, em Wembley, no próximo sábado dia 28.
Como é óbvio, o enviado-especial do "Gato Maltês" torcerá pelo Man. United, mas estará acompanhado por um fanático "cu". 

Passos Coelho e a IVG

Pedro Passos Coelho, se o PSD for governo, nada terá a ganhar em ressuscitar o referendo sobre a IVG. Dividiria o seu próprio partido e, com grande probabilidade, arriscar-se-ia a perder o referendo, com todas as consequências previsíveis para si e para o PSD. Além disso, está, com as suas infelizes afirmações de hoje, a esbater a imagem de "liberal" que se tem esforçado por apresentar e a abrir a porta da sua candidatura e de um seu eventual futuro governo a uma maior influência da direita ultra-católica e ferozmente conservadora. É uma "caixa de Pandora" que deveria manter fechada, não escancarando o partido à influência de personagens ridículas como Isilda Pegado e outras. É que nem o CDS de Paulo Portas ou o PSD da católica Ferreira Leite se tinham lembrado até hoje de propor tal retrocesso civilizacional.

Como alguém dizia há pouco no "twitter", na ausência de Catroga, colocado a bom recato, será mesmo preciso quem assuma o seu papel?

Mourinho e Valdano: muito mais do que um "choque de personalidades"

Os problemas entre José Mourinho e Jorge Valdado, com o despedimento deste último que, recorde-se, teoricamente era seu superior hierárquico, vão muito mais longe do que a vitória do português sobre o argentino, do comandado sobre o comandante. Eles remetem para as estruturas organizacionais dos grandes clubes de futebol profissional e, mais concretamente, para a definição de funções de um treinador e a necessidade ou não de existência, nessa mesma estrutura, de um "director desportivo", "director geral" ou como lhe quiserem chamar.

Sejamos claros... Com o perfil dos grandes treinadores actuais, que em muito transcende o do antigo praticante com jeito para a função e assenta numa preparação adequada, muitas vezes universitária, e a evolução do futebol em termos científicos, o treinador de futebol tende a transportar consigo uma ideia de organização, um modelo de jogo, princípios de actuação bem definidos. Já não é mais o rapaz com jeito a quem se entregava um grupo de jogadores contratados pelo presidente ou pelo chefe do departamento de futebol para "armar" (era assim que se dizia) uma equipa. É, normalmente, um conhecedor dos mercados e transformou-se num gestor do futebol profissional do clube que o contrata, o que tem como consequência que uma parte significativa deste perfil coincida com o do director desportivo, transformando-se tal coisa numa fonte de potenciais problemas. Essa situação agrava-se ainda mais nos clubes de regime presidencialista, isto é, em que o presidente-dono não é um mero "Chairman" mas tende a assumir as funções de um efectivo CEO. Ninguém está a ver, por exemplo, Pinto da Costa ou Roman Abramovich a funcionarem com um "director desportivo", ou Mourinho, Arsène Wenger, Alex Ferguson, Hiddink ou, até, o neófito André Villas-Boas a aceitarem de bom grado a tutela de um "director desportivo" (O Barça de Guardiola é um caso muito particular). Quando muito, fará sentido nos clubes de "investidores" (e só nesses) em que o presidente é um mero "Chairman", como acontece no modelo organizativo tradicional do UK, a existência de um "director geral", verdadeiro CEO que entrega ao "manager" (é este o nome dado ao treinador principal nos clubes ingleses) a gestão do "core business "do clube: o futebol.

É portanto tudo isto - o modelo organizativo - muito mais profundo do que um mero choque de personalidades entre Mourinho e Valdano, que está em causa no Real Madrid e nos grandes clubes que têm o futebol profissional como actividade principal. É também tudo isto que está em causa no meu clube quando, depois de, num gesto contra-natura em função da personalidade de LFV e apenas para sua salvaguarda, Rui Costa foi nomeado "director desportivo" e depois esvaziado de funções quando da contratação de Jorge Jesus e a assunção por parte de LFV de um modelo presidencialista, mais à sua medida. Com um pequeno senão, contudo: Nem LFV nem JJ têm perfil, conhecimentos ou características para assumir a condução do futebol profissional do clube. Os resultados estão á vista.

quarta-feira, maio 25, 2011

"Glorious 39" (8/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

As "arruadas" e a Volta a Portugal em bicicleta

Por razões profissionais (trabalho de consultoria para um dos patrocinadores), acompanhei, aqui há uns anos, duas Voltas a Portugal em bicicleta. Para quem não sabe, a Volta a Portugal, principalmente nos locais das chegadas, é lugar privilegiado de distribuição de brindes, "gadgets", promoção e exibição de marcas várias. E tanto faz o que se oferece e a marca em questão: "marcha tudo" (t-shirts, bonés, algo que faça barulho, etc) desde que seja bem visível na televisão já que nos locais da chegada, com sorte, raramente estão mais do que uns poucos, escassos, dois ou três milhares de pessoas. Como dizia uma vez, dirigindo-se a uma promotora, uma velhota colocada junto à meta, "ó menina, é para a minha Bánéssa que tenho lá em casa".

Lembrei-me disto ao ver na televisão as tais "arruadas" da campanha eleitoral; e, confesso, não me parece possa existir grande diferença. Na rua, os acompanhantes são escassos; mas passeiam-se umas bandeiras, faz-se muito barulho, presumo se distribuam uns brindes a quem os colecciona de todos os quadrantes para todas as Bánéssas do mundo, distribuem-se uns beijos para dar um ar de intimidade, de "querido líder" ou líder muito querido, e logo, nos telejornais, vê-se como resulta e até pode ser que resulte bem.

E também pode ser que, tal como acontece na Volta a Portugal, esta exibição se destine a aumentar a notoriedade da marca ou, neste caso, do partido. Mas, para além de estranhar de estranhar o facto de partidos com ideologias diferentes (diria, "posicionamentos") e até antagónicas utilizarem os mesmos métodos (as tais "arruadas" copiadas a um "papel químico" que as novas gerações desconhecem), custa-me a entender de que modo este tipo de práticas uniformizadas pode influenciar o voto, até porque me parece não ser a notoriedade o principal problema dos partidos junto do tal eleitorado indeciso (nem este seja homogéneo). Mas pronto, prefiro pensar que se calhar estou enganado.

Songs of the WW II (17)

"Panzerlied"

terça-feira, maio 24, 2011

"Glorious 39" (7/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

Os partidos políticos e os indecisos

Quando falamos de indecisos e da necessidade dos partidos os "convencerem" neste final de campanha eleitoral, estamos exactamente a falar de quê e de quem? De gente pouco educada e politizada, ou com formação, ideias e ideais políticos consistentes? Dos que hesitam entre o voto no BE ou no PS? Idem entre o PSD e o CDS? Nos que oscilam entre a abstenção e o voto num partido? Entre o voto branco ou nulo, a abstenção ou o voto de protesto num pequeno partido? E em que distritos/círculos eleitorais? Com que perfis "psicográficos"? Mais alguma coisa? Estamos - acho eu - perante um mercado que me parece suficientemente complexo e "segmentado" para merecer abordagens diferentes consoante as situações.

Assim sendo, será que PS e PSD (principalmente, estes) estão a levar tal coisa em consideração e a ser eficazes conseguindo ter os discursos mais adequados a cada um dos segmentos em questão, aproveitando os canais de comunicação ideais? Ou não estarão antes, com referências a Hitler e Drácula, paquistaneses transportados em autocarros e denúncias de casos que mais parecem não o ser, a tratar tudo por igual, tipo "mass market", dirigindo-se apenas a um segmento e assim atirando para a abstenção muitos dos tais indecisos? Enfim... acho que talvez os partidos políticos andem a tratar este tema com pouco cuidado e, deste modo, a esbanjarem recursos sendo pouco eficazes.

Talvez fosse bom trocarem algumas impressões sobre o assunto. Talvez.

Frivolidades: as "praires"


A propósito da vieiras gratinadas e congeladas vendidas no "Pingo Doce", manifestava-me no mesmo "post" contra o facto de ser quase impossível encontrar à venda as ditas frescas, aqui pelo rectângulo. Para ser mais verdadeiro, é coisa que nunca vi. Mas pior, muito pior, é sendo eu um fanático por bivalves (ostras, ameijoas, berbigão, ""cadelinhas, o que vier à "rede"), que prefiro comer crus, com ou sem limão (quando criança e adolescente, se lá por casa se compravam ameijoas ou berbigão ficava imediatamente proíbido de chegar perto da cozinha e ainda hoje, na praia, se calha descobrir uma "cadelinha" enterrada na areia, toca logo de a abrir e comer, deixando um pouco admirados os presentes), nunca ter visto por cá à venda aquele que é, para mim, o melhor de todos eles: praires. Isso mesmo, praires! Confesso, em abono da verdade, nem sequer saber com tal se chama em português, se é que se chama mesmo alguma coisa. Por isso, quando me dá para perguntar, lá tenho de me limitar a descrever, em linguagem mais ou menos cifrada, de que animal marinho se trata. Pouco importa: ficam todos a olhar para mim como se vissem marciano e nunca tive qualquer sucesso. 

Bom, pois aqui está a respectiva fotografia, como o devido pedido a todos, leitores e fellow bloggers para  se virem por aí à venda qualquer coisa com este aspecto, "vivinhos da silva", façam favor de reportar que o "Gato Maltês" agradece. E, já agora, se a quantidade for suficiente para mais do que um, comprem, abram com uma "faca de ostras", ou algo semelhante, e comam com ou sem uma gota de limão.

"Só Dylan é Dylan" - homenagem a "Em Órbita" (7). Bob Dylan faz hoje 70 anos

 

Bob Dylan - Sad Eyed Lady Of The Lowlands .mp3
Found at bee mp3 search engine
Bob  Dylan - "Sad Eyed Lady of the Lowlands".
Do álbum "Blonde On Blonde" (1966), o meu favorito de Dylan e, para mim, um dos cinco melhores de sempre da música popular anglo-americana.

segunda-feira, maio 23, 2011

Eleições em Espanha: ainda a herança da guerra civil?

O que é curioso salientar ao efectuar uma primeira e necessariamente apressada leitura dos resultados eleitorais em Espanha, é a conclusão de que o PP apenas consegue um crescimento de 1.5pp (de 36 para 37.5%), apesar da participação eleitoral ter passado de 63.3 para 66.2%. É o PSOE que perde 7.5pp, mas para os pequenos partidos de esquerda, nacionalistas e votos brancos e nulos.

O que tal coisa parece confirmar é que, ao contrário do que acontece em Portugal, não existe quase nenhuma transferência de votos entre a esquerda e a direita; um centro político que ora vota mais à esquerda ora o faz mais direita, consoante as circunstâncias, dando a vitória a um ou outro dos maiores partidos.

Nada de demasiado estranho e que já não se soubesse: estamos ainda, de certa maneira e de modo adaptado aos dias de hoje, perante o velho e radical quadro político herdado dos tempos da Espanha da guerra civil, opondo uma aliança entre a esquerda republicana e as autonomias, por um lado, e a direita conservadora, centralista e católica, por outro.

"ab origine": esses originais (quase) desconhecidos... (11)

"When You Walk In The Room": a bem conhecida versão dos ingleses Searchers da composição original da norte-americana Jackie DeShannon (1964)

O original de Jackie DeShannon, desde sempre, e ainda hoje, a minha interpretação favorita (1963)

Nota: existe uma bem conhecida versão de Agnetha Fältskog, dos ABBA. Se quiserem manter-se saudáveis, recomendo não oiçam.

"Glorious 39" (6/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

domingo, maio 22, 2011

Lição de fim de época

Terminada a época com a conquista do quarto dos cinco títulos em disputa pelo FCP, um deles europeu, prova-se, como por mais de uma vez tenho afirmado, que só com um plano de médio prazo, a três/cinco anos, é possível ao SLB começar a contestar, de forma sustentada e consistente, a superioridade portista alicerçada ao longo de mais de trinta anos. Apontar todos os anos à conquista de um título "já", esporádico, mais do interesse de dirigentes efémeros do que do clube, constitui enorme erro que o meu "Glorioso" tem vindo a pagar bem caro.

"Black Mask" (13)

O "slide"

Frequentei o COM do SMO (descodifique-se, Curso de Oficiais Milicianos do Serviço Militar Obrigatório), não muito tempo antes do 25 de Abril; portanto, ainda em plena guerra colonial. Como é fácil de imaginar, a preparação era relativamente dura, pois estava em causa a formação de futuros oficiais para comando de tropas num dos teatros de guerra então existentes. Mesmo assim, quando da execução de exercícios que teoricamente comportavam um maior risco ("pórtico", "slide", "galho" e outros cujo nome já não recordo), a preparação era cuidada, rigorosa e acompanhada de muito perto pelos instrutores de cada pelotão, no meu caso Aspirantes do Quadro Permanente (profissionais acabados de sair da Academia Militar). Esse cuidado chegava ao ponto desses exercícios ("slide" e um outro que consistia em atravessar uma improvisada ponte feita com cordas) serem efectuados sobre uma das pequenas lagoas existentes na Tapada de Mafra, o que sempre permitia algum amortecimento no caso de queda, e de alguns desses exercícios apenas serem obrigatórios para as especialidades de combate (nunca fiz o "slide", por exemplo). Aliás, um colega (na tropa dizia-se "camarada")  teve mesmo uma vez de se deixar cair, por avaria do "slide", e depois ainda de mergulhar novamente para... procurar os óculos! No fundo, um oficial miliciano era "bem" escasso e a sua preparação custava muito dinheiro ao governo da ditadura. Por isso mesmo, era bom que não morresse antes de cumprir integralmente a sua função, até porque morte de um soldado-cadete durante a instrução, apesar do regime censório existente, era sempre uma "carga de trabalhos" para o regime.

Tudo isto vem a propósito da recente morte de uma rapariga de dezoito anos quando fazia o "slide" no dia de "não sei bem o quê" (acho que da Defesa Nacional). A pergunta que fica é como é que o exército autoriza tal coisa a rapazes e raparigas sem qualquer preparação prévia para o efeito? Que brinquem aos "índios e cowboys", vejam como funciona uma G3, façam uns jogos de "paintball", entrem dentro de um tanque de guerra, ainda enfim: as FA lá têm de se esforçar para "venderem o seu peixe" que esta vida está mal para todos. Agora que realizem algumas actividades radicais, de risco, desnecessárias e sem preparação específica para o efeito, tal já me parece ridículo e um risco desnecessário; e como o que pode correr mal arrisca-se mesmo a correr mal...

Espero agora que o Estado e o exército português assumam, sem hesitações, todas as suas responsabilidades e saibam mostrar-se à altura das circunstâncias depois de terem falhado naquilo que era essencial: proteger a integridade física de quem é colocado sob a sua responsabilidade.

Ainda DSK e a justiça americana: um filme.

Para os que exultam, em nome da igualdade entre ricos e pobres perante a justiça (só é pena não se lembrem desse mesmo igualitarismo em outras ocasiões e temas igualmente importantes...), que, para mim, não está nem nunca esteve em causa, sugiro ser bastante pedagógico dedicarem duas horas da sua vida a verem este clássico de Franklin J. Schaffner, de 1968. Não acredito mudem de opinião: a sua formatação (mais do que formação) ideológica está tomada, tem mais a ver com outras questões, bem mais vastas, e, no fim do dia, "malagueta no cú dos outros não arde"; mas uma pequena sensação de desconforto não deixará de os percorrer, aqui e ali, se humanos ainda forem. Vale?

Mais alguma informação sobre o filme no "blog" do meu amigo "Rato Cinéfilo".
"Planet of the Apes", de Franklin J. Schaffner (1968)

sábado, maio 21, 2011

Frivolidades: as vieiras gratinadas do "Pingo Doce"

O "Gato Maltês" não acha Alexandre Soares dos Santos especialmente bem educado nem concorda com muita coisa do que ele diz, mas como, salvo crime ou ofensa grave, fornecedor de "vinhos e petiscos" serve para isso mesmo, para lá comprarmos o que gostamos a preços convenientes, vem elogiar as vieiras gratinadas que se vendem congeladas nos supermercados "Pingo Doce". É só chegar a casa, pôr no forno e servir como entrada ou prato principal, neste último caso com acompanhamento a condizer (costumo fazê-lo com pequenas e adocicadas ervilhas cozidas). Ah, e com um bom vinho branco (que tal um "encruzado" do Dão?) a acompanhar. Prático e saboroso.

Pena, pena mesmo é ser quase impossível encontrar as ditas vieiras frescas neste desgraçado país. Bom, mas bem vistas as coisas, nesse caso talvez Angela Merkel se lembrasse de vir dizer tal seria injusto e teríamos de nos abster...

"Shindig" - Motor City Magic (3/3)

1. The Four Tops - "It's The Same Old Song"
2. The Supremes - "Stop! In The Name Of Love"
3. Marvin Gaye - "Can I Get A Witness"

O debate e a vitória de Passos Coelho na sondagem

Penso que pela primeira vez se realizou ontem em Portugal uma sondagem destinada a "medir" o impacto de um debate político entre candidatos a primeiro-ministro junto do eleitorado, algo que já por mim (e certamente por outros) tinha sido sugerido para não ficarmos apenas com o "achismo" de comentadores, jornalistas, politólogos, "bloggers" e ofícios correlativos. Neste caso, os resultados da sondagem deram a vitória a Pedro Passos Coelho, o que confirma a opinião da maioria que assistiu ao debate incluindo a daqueles que, estando porventura mais próximos do campo ideológico do PS, conseguem ter o distanciamento suficiente para uma análise com alguma independência.

Tendo em atenção que a grande maioria dos espectadores (conforme aqui afirmei) apenas tem capacidade para apreender e recordar dois ou, no máximo, três elementos fundamentais de cada debate e que assumem importância decisiva para o modo como formam a sua opinião (para além do seu posicionamento ideológico, claro) elementos genéricos tais como "empatia" e "simpatia", "imagem", "comportamento", etc, quais teriam sido, em minha opinião, as razões fundamentais para a vitória de Passos Coelho?  Bom... vamos lá tentar um exercício do tal "achismo" embora, neste caso, já saibamos quem ganhou"".

Penso que talvez pela primeira vez, desde o início da campanha, Passos Coelho conseguiu passar a mensagem de uma mudança, talvez mesmo de um corte, mas efectuado e comunicado de forma tranquila e segura, conseguindo afastar os fantasmas do ultra-liberalismo de Carrapatoso, do estilo radical e trauliteiro de Catroga, da imagem de estudante-marrão de Moedas, dos disparates e da antipatia de Leite de Campos ou da imagem burgessa de Relvas. Conseguiu ser firme, mostrou-se pouco hesitante (a TSU foi o calcanhar de Aquiles mas José Sócrates não esteve aqui melhor), surpreendeu positivamente quando se esperaria o contrário (e isso sempre favorece quem o consegue, tal como acontece com os "tomba-gigantes da Taça) e terá projectado uma imagem de "refreshment" face a um José Sócrates já demasiado conhecido, mais nervoso do que é hábito e insistindo nos três ou quatro temas habituais desde o início da pré-campanha: se focar o discurso político, fundamentalmente, em três ou quatro pontos simples ajuda a passar a mensagem - tal como aqui tinha afirmado - esses temas, pela sua repetição durante um período já demasiado longo e de grande exposição mediática, revelam algum cansaço e transmitem um sinal pouco inovador. E foi essa a imagem essencial que José Sócrates "passou": cansaço, na imagem e no discurso, num país ele próprio também já cansado e sobrecarregado de preocupações. Assim sendo, e se nada de muito extraordinário acontecer nas próximas duas semanas, bem me parece que Pedro Passos Coelho terá ontem assegurado a vitória do PSD no próximo dia 5 de Junho.

sexta-feira, maio 20, 2011

"Glorious 39" (5/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

Os guarda-redes do SLB

A confirmarem-se as notícias que têm saído na imprensa desportiva (never know...), parece-me finalmente correcta a política seguida pelo meu "Glorioso" em relação aos guarda-redes: um, com um custo razoável (Artur Moraes) e, de algum modo, mesmo não sendo um guarda-redes de topo, consistente, já experiente e conhecedor do futebol europeu e português e com experiência nas competições da UEFA; outro (Moreira) oriundo da "formação" do clube, com uma boa relação com os adeptos e já com experiência e valor suficientes para poder ser opção em qualquer altura; e um jovem promissor (Oblak), que poderá ter uma ou outra oportunidade em alguns jogos menos complicados da Taças da Liga e de Portugal. Só não entendo porque demorou tanto tempo e se gastou tanto dinheiro!

quinta-feira, maio 19, 2011

"Glorious 39" (4/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

DSK, democracia e igualdade

Vamos lá ser claros: o que está em causa no caso DSK - que, convém lembrar mais uma vez, é inocente até condenação por tribunal competente - não é o facto de Strauss-Kahn, enquanto director do FMI e político influente, dever ter direito a um tratamento preferencial que resguarde a sua imagem, bom nome e reputação. O que está em causa é o tratamento vexatório a que todos - repito, TODOS - os detidos em condições semelhantes, condenados ou não, são sujeitos pela lei penal dos USA, que não salvaguarda a sua intimidade e imagem. Quer se trate do DSK ou do "serial killer" condenado pelos crimes mais abjectos. Não se pretende, portanto, abrir uma excepção, mas generalizar uma regra de decência e de salvaguarda dos valores mais essenciais definidores do Estado de Direito Democrático.

Lembrei-me de escrever isto depois de ler o artigo de Pedro Lomba e uma pequena nota de Helena Matos no "Público" de hoje, demonstrativos de que o caso parece estar a tornar-se mais numa abjecta guerra política de trincheiras e menos numa oportunidade para defesa dos valores do humanismo, da igualdade e da democracia.

A SEDES e a Moral

Abomino gente que gosta de ostentar uma sua auto-atribuída superioridade moral, que, como costumo dizer, parece gostar de mostrar "urbi et orbi" carrega aos ombros o pesado fardo das virtudes do mundo. Normalmente, assumem para com este um certo distanciamento, uma atitude de pessimismo militante e "nojo" que lhes permite mostrar estão "limpos" dos pecados mundanos; mas, desse "pedestal" onde se colocam, não se coibindo de fazer ouvir as suas homilias, de lançar o seu anátema sobre os "pecadores" não raramente assumindo as suas opiniões quase forma e conteúdo de premonição bíblica com direito a castigo divino para os hereges e não-crentes.

Foi nisto que se transformou a SEDES - uma associação que há 40 anos assumiu um papel intelectual e socialmente importante e teve acção de algum relevo na queda da ditadura de Marcelo Caetano - sob a direcção "plano-inclinadista" de Campos e Cunha, Henrique Neto e Medina Carreira. Por mim, acreditem, tenho pena.

quarta-feira, maio 18, 2011

O programa eleitoral do PSD: um bom programa apenas mal explicado?

Ao longo da minha vida profissional, nas áreas de gestão e marketing empresarial, de cada vez que me apresentavam uma nova campanha de publicidade e se propunham explicá-la a minha resposta era invariavelmente a mesma: não vale a pena; se eu, que sou um profissional do sector e estou aqui concentrado no assunto, não a conseguir perceber, o consumidor, que é ignorante na matéria e a vê de relance e sem prestar atenção, não a entende com certeza.

Bom, tenho-me lembrado disto a propósito do programa do PSD, a cuja qualidade se tecem louvores mas do qual se diz muitas medidas precisam de ser melhor explicadas. Discordo: a partir do momento em que tal explicação se torna necessária, há que concluir que alguma coisa está mal na própria concepção do programa, quer ao nível da clareza da sua redacção, quer no que diz respeito ao próprio conteúdo das propostas que podem não ser as mais adequadas à conjuntura e à necessidade serem facilmente aceites pelos seus destinatários, sejam, os eleitores aos quais se pretendem dirigir. Acresce que, se no caso da publicidade os "media" utilizados se limitam a reproduzir a campanha tal qual ela foi concebida, no caso de um documento como um programa político os "media" funcionam como intermediários, seleccionando e publicando notícias, com maior ou menor destaque, em função dos seus interesses comerciais, políticos, etc. Mais ainda: tendendo cada um a reagir ao que outros publicam, em amplificadoras ondas sucessivas...

Penso que foi nestas duas áreas que o PSD falhou na concepção do seu programa. Por um lado, não teve em conta, na elaboração das suas propostas, a conjuntura e o tipo de eleitores aos quais o programa se destinava ou, tendo levado tal em consideração mas não querendo abdicar de alguns pressupostos demasiado ideológicos, acabou por optar por uma redacção confusa, que abriu caminho a uma ainda mais nefasta desconfiança e à subsequente necessidade de explicação; e quando um assunto não é claro cada qual tende a explicá-lo à sua maneira, aumentando a confusão. Por outro, terá ignorado ou menosprezado o papel de intermediação dos "media" - mesmo de uma sua maioria mais favorável - com uma agenda e interesses próprios e relativamente autónomos e sempre demasiado interessados na polémica, na contradição e no soundbite que geram audiências.

Em resumo, penso que, ao contrário do que é voz comum, não estamos perante um programa bem elaborado e estruturado, o que o pressupõe adaptado às circunstâncias e conjuntura, mas sim de um documento originário de um PSD politicamente inexperiente que, de tanto se querer mostrar diferente quando apenas precisava de ser cauteloso e assumir um certo "low profile", acabou por brincar de aprendiz de feiticeiro. Até que ponto irão as consequências é o que veremos no dia 5 de Junho.

Bernardo Marques (18)

Ilustração de Bernardo Marques para a capa do magazine "Civilização" (Janeiro de 1930)

"Glorious 39" (3/11)



"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

terça-feira, maio 17, 2011

Um PS vencedor e um um governo PSD/CDS?

Ganhem o PS ou o PSD as eleições, uma coisa começa a parecer evidente: dificilmente PSD e CDS não terão maioria absoluta, e nesse caso parece claro que nem o PS, mesmo que vença, conseguirá formar um governo não minoritário, nem existirão razões suficientemente fortes para Pedro Passos Coelho ser afastado da presidência do PSD.

Claro que tal não significa não venha a ser o PS o partido inicialmente chamado pelo PR para formar governo; mas perante a impossibilidade de tal se concretizar, não restará alternativa a Cavaco Silva a não ser aceitar uma coligação maioritária PSD/CDS, que ambos (e, já agora, eventualmente também o PR) evitarão se estenda aos socialistas. Resta saber até que ponto um governo sem representação do partido mais votado poderá, apesar de maioritário, estar em posição de governar nas actuais circunstâncias. Não me parece.

Perante isto, compete agora ao PS evitar uma maioria absoluta PSD/CDS. Para tal, nas próximas duas semanas e meia terá de evitar que as perdas do PSD "escapem" apenas para o CDS. Tarefa que me  parece bem complicada.

(A propósito de DSK) Histórias simples (ou nem tanto assim) de sexo e sedução...

Como já disse, não sei se Dominique Strauss-Kahn é ou não culpado dos crimes de que é acusado e só tribunal competente poderá decidir tal coisa em função das provas e testemunhos apresentados. Mais: para se julgar da sua culpabilidade ou inocência, e conforme já afirmei em resposta ao comentário de um leitor, o facto de ser conhecido pela sua fama de "mulherengo" e já ter estado envolvido em casos de assédio sexual nada prova no caso presente, até porque assédio sexual, por muito que seja condenável, é uma coisa e violação ou tentativa de violação são coisas muito diferentes e bem mais gravosas.

Tendo dito isto, imagine agora que está num hotel com colegas de trabalho e um(a) dela(e)s trata de se introduzir no seu quarto, seduzindo-o(a)? Ou que, a meio da noite, lhe telefona para, sob um qualquer pretexto ou mesmo com convite explícito, se encontrarem num dos quartos? Outro exemplo: está muito bem em casa e alguém que não conhece telefona-lhe combinando um "blind date" tendo como objectivo, mais ou menos explícito, o sexo. Ou que, no seu local de trabalho, um(a) colega o(a) convida insistentemente para sair com objectivo idêntico? Não chega? Está num hotel de luxo, fora do seu país, vai a sair do seu quarto, situado num dos muitos andares do edifício, e alguém no corredor lhe pergunta se aceita companhia. Exagero? A quem nunca aconteceu?

Agora imagine que, num desses casos, você aceitou a sedução ou a oferta de sexo e, quando tudo parece estar a correr no melhor dos mundos, o (a) seu (sua) parceiro(a), de repente, por qualquer razão, premeditada ou não, se arrepende, começa a debater-se, a dizer que "não quer" e, eventualmente, acaba a acusá-lo(a) de tentativa de violação?

Enfim, concluirá que o mais sensato seria nunca ter aceite, mas quando chegar a essa conclusão talvez já seja tarde, esteja metido(a) num enorme sarilho e esteja ultrapassado o prazo para arrependimentos. End game.

"Pet Sounds" - 45 anos

The Beach Boys - "Pet Sounds"
The Beach Boys - "Caroline No"

Sou pouco dado a efemérides e muito menos a "rankings". Mas o Ié-Ié acabou de me lembrar que se assinalam exactamente hoje os 45 anos da edição daquele que é considerado por muitos o melhor álbum de sempre da música popular anglo-americana. Bom, como sou pouco dado a esses absolutismos não direi "o" melhor, mas "Pet Sounds", dos Beach Boys, está, para mim, seguramente, entre os cinco primeiros, e  de todos esses cinco aquele que juntamente com "Blonde On Blonde", de Bob Dylan, me dá mais gozo ouvir ainda hoje. Como não o saberia dizer melhor, deixo aqui, com todas as vénias, aquilo que Pedro Freitas Branco deixou escrito num comentário do Ié-Ié, para além de duas faixas do referido álbum: o instrumental "Pet Sounds", que dá o nome ao disco, e a sua última faixa e uma das minha favoritas, "Caroline No".  

"Nunca antes de "Pet Sounds" um LP de música Pop formou um todo artístico tão coerente e consistente, tão belo e complexo. Aquilo que Brian Wilson, com pouco mais de 20 anos, conseguiu captar no momento "Pet Sounds" foi a verdadeira essência do sentimento Rock - onde se mistura uma certa melancolia adolescente com o desejo de transgressão (rebeldia). Brian foi ao fundo da questão. Como ninguém. E isso lhe custou a sanidade. Musicalmente, como afirmou George Martin numa homenagem no Radio City Hall, o jovem Brian, em "Pet Sounds", fez sozinho o trabalho dos Beatles e do seu produtor. Compôs, orquestrou, cantou, tocou, e produziu..." (Pedro Freitas Branco  - músico)

"Glorious 39" (2/11)


"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

segunda-feira, maio 16, 2011

"Kiss and jail"

Como é óbvio, Dominique Strauss-Kahn é inocente até prova em contrário deduzida por tribunal competente. Ponto final: os tribunais esclarecerão o assunto.

Tendo dito isto, não sei se conhecem aquele conceito "kiss and tell", corrente no UK, em que uma rapariga é paga para se envolver sexualmente com alguém "famoso" para depois vir contar como foi para os tablóides. Pois esta história de DSK parece-me ter alguns contornos semelhantes, só que em versão "hard core". Ou melhor, "kiss and jail".

PPC o "mais africano"? E então?

Francamente, não vejo onde esteja o problema de Passos Coelho se considerar "o mais africano de todos os candidatos", uma vez que passou grande parte da infância em Angola e casou com uma guineense de origem. Por ser branco, loiro e de olho azul? Bom, existem muitos africanos (em Cabo Verde, por exemplo) de olhos claros e o Boers sul-africanos, brancos de origem europeia, principalmente holandesa, definem-se a si próprios - e não vejo porque não o possam ou devam fazer, apesar do seu tradicional reaccionarismo - como "Afrikaners".

Podemos achar incorrecto que PPC diga que sua filha é africana quando é uma genuína europeia com raízes africanas negras pelo lado materno, ou que as suas afirmações se destinem exclusivamente à "caça ao voto" (mas quem não o faz?); mas haverá com certeza muitas e melhores razões (ao nível do discurso político, por exemplo) para criticar o presidente do PSD e candidato a primeiro-ministro. Será bem melhor e mais saudável irmos por aí.

Espero bem é que nas críticas que tenho lido não exista, mesmo que mal camuflada, qualquer ponta de preconceito rácico.

História(s) da Música Popular (181)

Spanky and Our Gang - "Sunday Will Never Be The Same"

"Sunshine Pop" (V)

Para mim, um dos indiscutíveis hinos do "summer of love" e da "sunshine pop" é este, relativamente pouco conhecido em Portugal, tema dos Spanky and Our Gang, de Elaine ("Spanky") Mc Farlane, que atingiu o #9 exactamente em Julho desse ano (1967).

O grupo só não será um típico "one hit wonder" porque dois seus outros singles ("Lazy Day", nesse mesmo Verão, e "Like To Get To Know You", um ano depois) alcançaram igualmente um relativo sucesso. Mas, claro, ficaram para todo o sempre conhecidos especialmente pelo seu tema emblemático.

Uma curiosidade: Elaine McFarlane acabaria por substituir Cass Elliot numa versão tardia (final dos anos 80) e nada recomendável (infelizmente, vi "ao vivo") dos Mamas & The Papas, que também incluía Scott "Let's Go To San Francisco" McKenzie e uma filha de John Phillips, Laura MacKenzie Phillips. A evitar...

"Glorious 39" (1/11)



"Glorious 39", de Stephen Poliakoff (2009)

domingo, maio 15, 2011

Dominique Strauss-Kahn e uma notícia abjecta


Confesso não entender muito bem o que se quer dizer, ou pior, insinuar, com este texto que o "Público" on line hoje publica. Deixo duas sugestões:
  1.  A primeira que os "ricos" são todos uns devassos, uns imorais e uns criminosos sexuais em potência, e por isso não admira que um deles ande aí pelo mundo a tentar violar empregadas de hotel.
  2. A segunda que um director do FMI não pode andar de Porsche (ou será apenas de Porsche Panamera?) e, ao contrário do presidente dos USA, comprar fatos no Georges ou qualquer outro local onde tenha de despender um valor acima de $7 000.
Mas o que entendo muito bem é que esta é uma notícia abjecta, que um jornal como o "Público", pelo menos no contexto existente, não deveria publicar.

Hoje, pelas 23.34h, na RTP1 - Quem não viu, faça favor.

"A Love Song For Bobby Long", de Shainee Gabel (2004)
c/  Scarlett Johansson e John Travolta

1ª Liga: classificação e orçamentos

Ao contrário do que aconteceu na época passada, em que O SC Braga conseguiu o segundo lugar e o FCP não foi melhor do que terceiro, esta época a classificação dos seis primeiro clubes da 1ª Liga  portuguesa segue exactamente a respectiva ordenação no "ranking" dos orçamentos. Nas provas de regularidade - por pontos - como o são as Ligas, onde todos jogam contra todos em "casa" e "fora", essa tende a ser, aliás, cada vez mais a regra, independentemente das diferenças pontuais serem ou não rigorosamente proporcionais às dos orçamentos respectivos. Em condições normais (isto é, sem o recurso a outro tipo de influências) grandes treinadores e/ou fortes estruturas organizativas, "sorte" e "azar", incluindo com uma ou outra decisão das equipas de arbitragem, limitam-se a definir, aqui e ali, as excepções.

sexta-feira, maio 13, 2011

Ópera não é só música para operários (8)

Wolfgang A. Mozart - "Die Entführung aus dem Serail"

Welche Wonne, welche Lust

Alguém se lembra do programa eleitoral do PS?

Com um programa eleitoral cinzento e sem propostas polémicas ou controversas, mais parecendo uma manifestação de intenções suficientemente vagas na sua formulação do que um verdadeiros conjunto de medidas a aplicar caso venha a ser governo, o PS conseguiu esta coisa verdadeiramente extraordinária, à qual me apetece desde já tirar o chapéu: tendo sido o primeiro partido político a apresentar as suas propostas eleitorais, não ver esse mesmo programa ser objecto de qualquer discussão mediática, limitando-se jornais, TVs, rádios e blogosfera a focar as suas discussões no programa do PSD e em algumas das controversas e polémicas propostas por ele apresentadas. Se o objectivo era mesmo este - e admito o fosse e o PS possa tirar dessa estratégia alguns benefícios eleitorais -  conseguiu alcançá-lo na plenitude, no que terá sido bastante ajudado, pois claro, pelas inolvidáveis prestações mediáticas do, até agora, grande animador da pré-campanha, Eduardo Catroga.

Nota 1: no debate Sócrates-Louçã, que me lembre, vi pela primeira vez o primeiro-ministro em dificuldades num debate, entrevista ou qualquer outra prestação mediática. Pareceu-me acusar algum cansaço.

Nota 2: o "blogger" esteve fora de serviço quase 24h. Voltou agora e, para já, "roubou-me" os dois "posts" de ontem. Veremos se voltam.

quinta-feira, maio 12, 2011

A bandeira do Parque Eduardo VII

De cada vez que passo no Marquês de Pombal - e passo muitas - penso em escrever isto; mas, por uma ou outra razão, acabo sempre por deixar para outra circunstância. Fica para hoje.

Acho que foi Santana Lopes (who else?...) o da ideia de hastear aquela gigantesca bandeira pátria no alto do Parque Eduardo VII, o que, para começar, seria já razão para demonstrar uma enorme falta de criatividade e espírito inventivo, uma vez  que tal mais não é do que copiar a igualmente enorme bandeira de Espanha existente na Plaza Colón. Só que se existe uma lógica para esta prática espanhola, bem me parece ela está completamente ausente da cópia portuguesa. Vejamos...

Madrid tornou-se capital (era pouco mais do que uma aldeia de transumância), no centro da Península, com o Império Espanhol e como seu símbolo, e Colón (Colombo) é sem dúvida o expoente máximo da expansão ultramarina de Castela e Aragão. Aliás, o dia da chegada de Colombo à América é mesmo celebrado em Espanha como Dia da Hispanidad (feriado nacional). A Plaza Colón e a sua bandeira, à sombra da qual se pretende se acolham as nações do antigo Império, é, pois, o símbolo dessa mesma Hispanidad numa Madrid que sempre pretendeu simbolizar o centralismo num Estado multinacional como sempre foi a Espanha imperial e é hoje a Espanha das nacionalidades. É esta a lógica, e seria melhor talvez compreendê-la antes de "macaquear" uma ideia... Esta ou qualquer outra.

Tendo disto isto, não me parece esta lógica, concordemos ou discordemos dela, se possa aplicar a Portugal, e se alguma razão (não vejo qual) pudesse existir para que que se hasteasse bandeira semelhante, copiando Espanha, ela deveria então estar ali para os lados de Belém, na Praça do Império (por exemplo), e não no alto de um parque com nome de rei do rival Império Britânico. Simpático, mulherengo, bon-vivant e primo dos últimos reis de Portugal (eram todos eram Saxe-Coburgo); mas sem nada mais que justifique lhe ponham lá um mega-símbolo da República, do país e da "ditosa pátria", que é expressão que me causa engulhos.

Nota: para quando a retirada daqueles enormes "outdoors" publicitários da Praça Marquês de Pombal, perfeitamente desajustados no local? (Como têm normalmente propaganda partidária, espero não me acusem de promover a censura...).

quarta-feira, maio 11, 2011

R&B from the Marquee (4)

R&B from The Marquee
Alexis Korner Blues Incorporated - "Everything She Needs"

"Licht und Schatten" - o expressionismo alemão no cinema (9)

"Die Nibelungen" (1ª parte - "Siegfried"), de Fritz Lang (1924)




Sobre o IVA reduzido

Peço imensa desculpa mas sou teimoso, principalmente quando acho tenho razão. Mesmo arriscando-me a ser politicamente incorrecto, continuo a pensar que fazer justiça social através das taxas de IVA reduzidas me parece um perfeito disparate, pois subsidia mais ou menos igualmente ricos e pobres. Ou será que os ricos só se alimentam de caviar, trufas do Piemonte e foie gras e não comem pão, esparguete, arroz, leite e ovos? (acho que o "Barca Velha" também paga IVA reduzido, ou não integrará a categoria de "vinhos comuns"?).

Parecer-me-ia bem mais eficaz e justo que a diferenciação fosse feita quer através do aumento proporcional das transferências sociais (rendimento social de inserção, subsídio de desemprego, abono de família, etc), quer do desagravamento do IRS para as classes de mais baixos rendimentos e/ou um aumento do salário mínimo.

O problema, o verdadeiro problema, é que quem normalmente se propõe fazer desaparecer os escalões mais baixos do IVA só se lembra da primeira parte da questão, esquecendo as compensações. Não é assim, Dr. Catroga?

terça-feira, maio 10, 2011

Debates eleitorais e respectiva análise

Acho vale a pena, em tempo de legislativas, recuperar dois "posts" deste "blog" sobre debates eleitorais e sua análise escritos a 29 e 30 de Dezembro de 2010 a propósito das eleições presidenciais.

Country Life (11)




Doddington Hall - Cheshire

Ainda a Taxa Social Única (TSU)


Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus

A pergunta que se deve fazer é porque é que depois de uma época muito negativa e após a comunicação de ontem de Luís Filipe Vieira o SLB se arrisca a iniciar a época com um treinador fragilizado? Bom, em primeiro lugar os benfiquistas estão, segundo parece, demasiado divididos quanto ao assunto para que LFV arrisque uma ruptura, principalmente perante as recentes movimentações da corporação (Villas-Boas, Domingos, Paulo Bento) saída em defesa de  um dos "seus"(JJ). Em segundo lugar, existe a questão da indemnização, embora eu arrisque que, tendo o seu peso, está longe de constituir o principal travão. Mas, mais importante que as duas anteriores e talvez constituindo mesmo a questão-chave, no SLB, ao contrário do que acontece com o FCP que tem uma "bolsa" de treinadores com percurso ou ligação ao clube aos quais pode sempre recorrer (Domingos, Jorge Costa, etc), não existe, de momento, uma alternativa credível, suficientemente conhecedora do clube, que não signifique começar tudo de novo, do zero, com todos os riscos daí inerentes. Mantendo Jorge Jesus mas retirando-lhe poderes, LFV fragiliza-o e ao grupo, mas ganhará algum tempo para preparar uma solução de alguma continuidade no caso de uma previsível saída futura do actual treinador no final ou durante a próxima época.

Arriscado? Sem dúvida; mas face ao leque de opções existente, apesar de tudo talvez a de menor risco para LFV.

Nazi Exploitation (13)

"Prisoner Of Paradise" (1980)

Eduardo Catroga no "Prós & Contras"

Tinha dito aqui que algumas das propostas incluídas no programa eleitoral do PSD, concorde-se ou não com elas, possíveis ou impossíveis de implementar, poderiam, no curto-prazo, ser capazes de inverter, ou estancar, a tendência decrescente do partido revelada pelas últimas sondagens. Tinha dito, repito, já que depois da desastrosa prestação de Eduardo Catroga no "Prós & Contras" de ontem (mais uma) começo a duvidar tal se possa vir a concretizar. Crispado, "contra tudo e contra todos", por vezes a roçar a má-educação ou mesmo a grosseria, Catroga mais parecia, por vezes, o "camarada" Américo Duarte, primeiro deputado eleito pela UDP, ou o tempo de antena de um partido extremista radical nos idos de 70 do século passado, do que um professor universitário com bem sucedida carreira de gestor no sector privado e dirigente (de facto, embora não de jure) de um partido do "arco governamental" que pode bem vir a nomear o próximo primeiro-ministro do governo português. Pior: deixou que o debate se centrasse num tema (a redução da TSU) que, além de controverso e um pouco esotérico para muitos eleitores, pelo modo pouco claro como é abordado no programa eleitoral do PSD se presta facilmente a um contra-ataque do PS, agitando este a possibilidade do aumento de impostos a que porventura tal medida obrigará. Como que para confirmar tal radicalismo, acabou a apontar para o "dossier" que continha o programa eleitoral do PSD quase como um guarda da revolução agitava o "livrinho vermelho" de Mao Tse Tung. No meio de tudo isto, bastou a Silva Pereira assumir um certo "low-profile" responsável e a António Pires de Lima (que deve ter cerca de menos vinte anos de idade do que Catroga) adoptar uma atitude quase paternalista de quem se mostra agastado com os devaneios radicais e um pouco irreflectidos do filho imaturo e nem sempre demonstrando a boa educação porventura recebida. Quando tudo parecia indiciar um 2 contra 1 (Catroga e Pires de Lima contra Silva Pereira), o bom do ex-assistente de Economia de Empresa (se bem me lembro...)da minha velha escola acabou por ficar sozinho contra o mundo e sujeitar-se a que Pires de Lima invocasse a amizade entre ambos para com mais autoridade o criticar. Um desastre!

Para concluir, quer-me bem parecer que ao adoptar o discurso e comportamentos do anti-sócratismo mais primário e radical, de uma algo reduzida mas visível e barulhenta "vanguarda" activista anti-Sócrates, o PSD estará a tomar a nuvem por Juno e, em vez de alargar o seu leque de apoiantes, arrisca-se a afastar de si um número elevado de potenciais eleitores. Como ainda não viu isto é para mim insondável mistério.   

segunda-feira, maio 09, 2011

Da muito discutida Taxa Social Única

Sim, eu sei que é de um candidato a deputado pelo PS e que, em função disso, na opinião de Maria João Avillez não pode ser isento. Mas independentemente disso, é o melhor texto que já li sobre a redução da Taxa Social Única. Escreveu-o o João Galamba, no "Jugular". Porque é inteligente, merece destaque.

John "Walker" Maus (1943 - 2011)

The Walker Brothers - "Love Minus Zero" (Bob Dylan)

Um dueto de John "Walker" Maus e Scott "Walker" Engel (c/ Gary "Walker" Leeds na bateria) numa composição de Bob Dylan que será sempre também dos Walker Brothers. Um dos meus temas favoritos de um grupo que sempre fará parte da minha pequena galeria de "monstros". Três álbums indispensáveis em anos sequenciais: "Take It Easy with The Walker Brothers" (1965), "Portrait" (1966) e "Images" (1967).

Depois disso, John, sem a voz profunda de barítono de Scott, não teve a bem sucedida carreira a solo deste último - que se embrenhou, e bem, no universo de Brel -, dos pouco casos em que músicos da "década prodigiosa" (Paul Simon e Marianne Faithfull terão sido outros) conseguiram evoluir e não ficar presos aos circuitos de "nostalgia". Pouco importa... Já tinha feito o suficiente: os Walker Brothers são daqueles a que volto sempre com a mesma melacolia e recolhimento com que os ouvia no velho "Em Órbita". Devo-lhes um pouco do que sou hoje.