terça-feira, outubro 11, 2011

Dinamarca - Portugal: o meio - campo

Ok, a defesa, com a possível excepção de Bruno Alves, foi composta por elementos que mal alcançam uma envergonhada mediania. Mas atenção, já vimos mais ou menos esta cena também com Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe e Fábio Coentrão: principalmente nos jogos "fora", contra equipas da 2ª linha europeia mas rápidas e agressivas, pressionantes e com capacidade atlética juntando a isso uma técnica acima do razoável (as Dinamarcas, Polónias e Suécias deste mundo), o meio-campo da selecção portuguesa não consegue mandar no jogo, circular a bola, criar desequilíbrios no ataque e ser eficaz nas transições defensivas. Cria assim uma "folga" e o à vontade suficiente para a defesa e meio-campo contrários poderem subir no terreno, e desprotege a sua própria defesa possibilitando os médios contrários apareçam sem marcação junto dos seus avançados. Digamos que os médios não marcam nem se desmarcam.

Pois... "mostrem-me um bom meio-campo e eu mostro-lhes uma boa equipa".

13 comentários:

  1. Anónimo11:04 p.m.

    Caro JC

    A selecção está como o país...de rastos.

    Cumprimentos

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  2. Acho que Bruno Alves sempre fez parte da mediania, só que jogava em Portugal num clube em que tudo lhe era permitido...
    A falta de Ricardo Carvalho não explica tudo, agora a forma como saiu talvez explique bastante. A vaidade, a arrogância, pagam-se caros!

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  3. Demasiado generoso, meu caro. O Rolando em dois jogos vale 5 golos, só que na própria baliza. E nenhum dos outros tem lugar numa equipa com o mínimo de ambições.
    Por isso, talvez não seja pior não irmos ao Europeu, onde neste momento não temos condições para ser mais do que figurantes.

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  4. Anónimo12:24 p.m.

    Lembro que, no último apuramento (Campeonato do Mundo), fora esta mesma Dinamarca que igualmente suplantara Portugal, relegado ao “play-off”.

    Todavia, chegada ao Mundial, a Dinamarca ficaria pela fase inicial, ao contrário de Portugal que sempre lograria passar à fase seguinte, entretanto travado pelo futuro campeão do mundo com um discutível golo em “off-side”.

    O conjunto actual é mais fraco em termos colectivos e individuais embora conte com um treinador bem mais competente que o anterior. Estou em crer que, se Paulo Bento pegasse na equipa desde o princípio, a história teria sido diferente.

    Em todo caso, nada está perdido. As receitas de bilheteira e direitos televisivos do “play-off” vão dar mais um conforto aos cofres da FPF e gerar mais uns prémios de jogo. Além disso, um campeonato europeu sem Ronaldo ( a indiscutível estrela maior do futebol europeu) teria muito a perder, seria como uma Copa América sem Messi.

    Mesmo que seja para se ficar pela fase inicial, Portugal que ainda se encontra no “top tem” mundial, deve marcar presença. O que eu lamento é que alguns dos jogadores da selecção sub-20, vice-campeões do mundo, ( por exemplo, todos os seus defesas ) não tenham lugar nas equipas nacionais, estas transformadas num entreposto de aclimatização de jogadores exóticos pertencentes a fundos externos, rodando e melhorando as suas comprovadas aptidões para um futuro ingresso na selecção.

    Uma palavra para as excelentes exibições de Rui Patrício ( salvou de uma goleada), Nani ( sempre a remar contra a maré) e Ronaldo ( um golaço a compensar uma exibição sofrível, fosse ele mais cedo e as coisas podiam mudar).

    JR

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  5. 1. A Grécia está bem pior e a sua selecção apuraou-se sem dificuldade.
    2. Dylan e Queirosiano: Lá estão vocês c/ a defesa. Claro que o único que tem lugar numa selecção c/ ambições será, vamos lá, Bruno Alves. Mas como tento explicar, o problema está, fundamentalmente, num meio-campo s/ andamento, ofensivo e defensivo, para aquele tipo de futebol. Falta um bom "pivot" defensivo,que cubra o adiantamento dos laterais, passar Meireles para "8" e ter Moutinho em forma apresentável. E defesas-laterais que saibam recuperar nas transições defensivas. E, claro, nenhuma equipa pode ser eficaz quando nenhum dos avançados pressiona. O único que o costuma fazer é Hugo Almeida. Vejam uma coisa: No Man. Únited, Rooney pressiona, libertando um pouco Nani dessas tarefas. No Madrid, Di Maria sabe pressionar, libertando Cristiano. Enfim...

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  6. JR. Deixe lá isso dos jogadores sub-20. a maioria deles nunca atingirá a maioridade futebolística e não será por culpa dos clubes e dos estrangeiros. A selecção tb beneficia - e mtº - dos jogadores portugueses que actuam no estrangeiro. E, voltando aos sub-20, nos seniores o ritmo e intensidade de jogo são outros. Veja quantos jogadores da selecção de Riad atingiram estatuto acima da mediania enquanto seniores: 3 ou 4. Faltam a esta selecção jogadores de qualidade e, mesmo que vá à fase final, o seu limite normal serão os 1/4 de final, se tudo correr bem (no Europeu não há 1/8 final).

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  7. Acho que me expliquei mal, e de maneira insuficiente.

    Falei na defesa porque é má demais para uma equipa com um mínimo de pretensões (curioso como entre o jogo com a pobre Islândia e o dia de ontem os comentadores teciam loas ao matacão que se arranjou para defesa esquerdo...)

    Mas o problema é mesmo mais estrutural do que aquilo que o JC aponta: há frequentes observações de que o Ronaldo e o Nani não rendem muito (ou não rendem o mesmo que nos seus clubes) a jogar pela selecção. A verdade é que bons jogadores precisam de um mínimo de apoio qualificado para poder brilhar. E nós temos muito poucos jogadores bons.

    Criou-se em Portugal a ideia de que somos uma potência do futebol, mas a verdade é que até 2000, salvo erro, raramente púnhamos os pés numa fase final de qualquer coisa. Ou seja, pretendeu-se fazer de uma conjuntura (passageira por definição)uma verdade absoluta, em vez de se realizar que vivemos durante 10 anos da conjugação excepcional de um grupo de jogadores que não corresponde à generalidade do nosso futebol.

    Parece-me que o que está a acontecer é o regresso à realidade, que começa por irmos jogar o play-off com potências da nossa estatura, como o Montenegro ou a Turquia.

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  8. Anónimo1:07 p.m.

    Dos sub-20 vice-campeões do mundo haverá certamente alguns que atingirão maturidade.

    Riad ou o posterior campeonato do mundo sub-20 ganho em Portugal sempre revelaram valores como Figo, Rui Costa, Jorge Costa, Vítor Baía, João Pinto.

    A diferença é que estes jogadores passaram desde logo a jogar nas melhores equipas nacionais ao passo que os actuais vice-campeões são relegados, em regra, para equipas menores ( a título de exemplo, o Genéve recém-primodivisionário na Suiça ).

    Aliás, quantos jogadores das respectivas escolas ou nacionais são titulares regulares nos três grandes ?

    Atente-se também ao que está a acontecer ao Arsenal e ao Liverpool depois de se transformarem em equipas das "nações unidas" e à consequente "performance" da selecção inglesa, o que levou as autoridades inglesas a imporem critérios de aquisição de jogadores.

    Compare-se esta situação com o Barcelona e até o Real e talvez por aqui se compreenda porque a selecção vizinha é campeã do mundo e europeia.

    Cumprimentos.

    JR

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  9. Queirosiano: totalmente de acordo c/ a sua análise.
    JR: Os jogadores que cita (c/ excepção de João Pinto que esteve nas duas e nunca fez carreira a alto nível internacional, são todos de Lx (Baía não foi a nenhuma pq P da C não deixou). Já agora, Rui Costa tb esteve emprestado ao Fafe( de nível bem inferior ao Geneve), Jorge Costa ao Penafiel e Marítimo e por aí fora. Mesmo joão Pinto este no Atlético de Madrid B. Sobre o proteccionismo que me parece advogar, veja, p.f., aqui a minha opinião: http://eusouogatomaltes.blogspot.com/2011/08/futebol-proteccionismo-e-seleccoes.html
    Cumprimentos
    .

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  10. Anónimo2:04 p.m.

    Não se trata de bacoco ou puro e duro proteccionismo mas sim de critérios de aquisição a exemplo dos impostos aos clubes ingleses baseados em itens identificadores de qualidade obrigatórios para os não nacionais o que tendencialmente favorece a sustentabilidade e continuidade produtiva das escolas de formação.

    E fosse só os ingleses, também na grande nação farol do neo-liberlismo nos seus hiper profissionalizados desportos e ligas super competitivas. Controlo de qualidade dos participantes de um espectáculo desportivo é diferente de proteccionismo.

    O oposto será deixar os clubes terem a rédea solta para se deixarem capturar por fundos de terceiros cujos objectivos e lógica é substancialmente diferente daqueles.

    Se há coisa que o actual estado do mundo nos ensina é que a total liberalização ou desrregulação desmedida não conduz aos idílicos resultados preconizados por Adam Smith a coberto de uma benemérita “mão invisível”, bem por contrário pode conduzir ao desastre. E o desporto profissional como realidade económica não escapa a isto.

    JR

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  11. Mas eu não defendo a desregulação, caro JR. Mas não é legalmente possível limitar aos clubes a contratação de jogadores comunitários. Em Inglaterra, tal só vigora para os extra-comunitários. E qual a diferença, para a sua afirmação, entre um jogador formado em Portugal jogar num clube português ou estrangeiro? Ou os jogadores portugueses não beneficiam tb com o mercado comunitário? Não é bem melhor, para todos, jogar no Cluj ou no Anartosis Famagusta do que no Feirense ou Penafiel? Ou não é bem melhor para Nolito ou Witsel jogarem no SLB do que no Barça B ou Standard? Não é bem melhor para as selecções terem jogadores a actuar no Madrid, Atlético ou Man. United? Ou, no caso dos sub-21 e 20, a actuarem no Cercle Brugge ou no Servette do que serem dos plantéis dos melhores clubes portugueses e nunca jogarem? Ou jogarem na Liga de Honra? A regulação no futebol - que tenho defendido neste "blog" - não passa por aí, mas por medidas do tipo "Fair-Play Financeiro" e, no limite, criação de tectos salariais ou que se aproximem de qualquer coisa que acabe por funcionar como o "draft" da NBA. Nunca por discriminação por via da nacionalidade, que vai contra os princípios fundadores e vigente na UE e que em nada beneficiaria o futebol português.Mais: o futuro é a fusão das ligas nacionais e, no limite, a criação de uma liga europeia.
    Cumprimentos

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  12. Anónimo8:40 p.m.

    Rendido ao esclarecimento.

    Cumprimentos

    JR

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  13. Mande sempre, meu caro!

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