Confesso-me espantado quando leio que a Prisa/Media Capital, na sua ânsia de agradar ao PS e ao governo, teria acabado por escolher um “timing” incorrecto para o fazer, como se ambas as administrações fossem compostas por adolescentes inexperientes ou gestores politicamente virgens. Não o são, claro: compõem-nas pessoas altamente competentes e experimentadas, tanto nos negócios como na política (Cébrian foi durante muito tempo íntimo do PSOE), que não podem dar-se, e não se dão, a devaneios deste género. A questão é bem outra.
Pondo de parte as várias teorias da conspiração que sempre aparecem (bom, mas as bruxas...), o que pode explicar uma tal decisão? A gestão e a tecnocracia “pura e dura”? Sim, mas talvez não só. Vejamos...
Do lado da gestão sabemos que a Prisa terá assumido pesados compromissos financeiros em função de um empréstimo de 1.950 milhões concedido em Maio deste ano e que se vencerá em Março de 2010. Sabemos também que necessita de uma injecção de capital na ordem dos 300 milhões até Outubro e que pretende vender alguns dos seus activos. Ponto. Nada de muito surpreendente, portanto, que a administração pretenda sanear rapidamente a empresa, terminando um programa, que, apesar das audiências, poderia contribuir para “desvalorizar” o seu activo TVI no mercado, assim tornando a sua venda menos atractiva. A dupla Moniz/MMG, em termos de venda desse activo e do tradicional perfil da Prisa em termos de informação, fazia claramente mais parte do problema do que da solução. MMG terá sido apenas o preço a pagar pela Prisa para JEM fazer da TVI uma estação de televisão de sucesso.
Era assim tão mau o “timing”? Bom, em termos de gestão já concluímos que não. Pelo contrário, era algo que urgia e o tempo de decisão terá sido o correcto. E em termos políticos? Em primeiro lugar, face à urgência de resolução do problema principal, estes terão sido, talvez, conscientemente desvalorizados, considerados como um mal menor e sem influência decisiva naquele que terá sido definido como o principal objectivo do grupo em função dos compromissos financeiros assumidos e da estratégia empresarial definida. Em segundo lugar, ganhando o PS as eleições, provar-se-ia que o afastamento de JEM/MMG não teria sido assim tão gravoso para o partido, e uma vez ambos fora de cena nada poderia obstar então a um bom relacionamento entre a Prisa/Media Capital e um futuro governo dirigido por José Sócrates. E ganhando o PSD as eleições? A Prisa poderia sempre invocar que teria tido nessa vitória uma significativa quota-parte de responsabilidade, não existindo assim qualquer razão para um mau relacionamento ou estabelecimento de qualquer mal-estar entre esta e um futuro governo Ferreira Leite.
Raciocínio rebuscado, este? Francamente não me parece... Estando de fora e sem acesso a qualquer informação privilegiada, até me parece que fará, senão todo, pelo menos algum sentido. “Vale”?
Pondo de parte as várias teorias da conspiração que sempre aparecem (bom, mas as bruxas...), o que pode explicar uma tal decisão? A gestão e a tecnocracia “pura e dura”? Sim, mas talvez não só. Vejamos...
Do lado da gestão sabemos que a Prisa terá assumido pesados compromissos financeiros em função de um empréstimo de 1.950 milhões concedido em Maio deste ano e que se vencerá em Março de 2010. Sabemos também que necessita de uma injecção de capital na ordem dos 300 milhões até Outubro e que pretende vender alguns dos seus activos. Ponto. Nada de muito surpreendente, portanto, que a administração pretenda sanear rapidamente a empresa, terminando um programa, que, apesar das audiências, poderia contribuir para “desvalorizar” o seu activo TVI no mercado, assim tornando a sua venda menos atractiva. A dupla Moniz/MMG, em termos de venda desse activo e do tradicional perfil da Prisa em termos de informação, fazia claramente mais parte do problema do que da solução. MMG terá sido apenas o preço a pagar pela Prisa para JEM fazer da TVI uma estação de televisão de sucesso.
Era assim tão mau o “timing”? Bom, em termos de gestão já concluímos que não. Pelo contrário, era algo que urgia e o tempo de decisão terá sido o correcto. E em termos políticos? Em primeiro lugar, face à urgência de resolução do problema principal, estes terão sido, talvez, conscientemente desvalorizados, considerados como um mal menor e sem influência decisiva naquele que terá sido definido como o principal objectivo do grupo em função dos compromissos financeiros assumidos e da estratégia empresarial definida. Em segundo lugar, ganhando o PS as eleições, provar-se-ia que o afastamento de JEM/MMG não teria sido assim tão gravoso para o partido, e uma vez ambos fora de cena nada poderia obstar então a um bom relacionamento entre a Prisa/Media Capital e um futuro governo dirigido por José Sócrates. E ganhando o PSD as eleições? A Prisa poderia sempre invocar que teria tido nessa vitória uma significativa quota-parte de responsabilidade, não existindo assim qualquer razão para um mau relacionamento ou estabelecimento de qualquer mal-estar entre esta e um futuro governo Ferreira Leite.
Raciocínio rebuscado, este? Francamente não me parece... Estando de fora e sem acesso a qualquer informação privilegiada, até me parece que fará, senão todo, pelo menos algum sentido. “Vale”?
cinismo por cinismo (ou realismo, para quem for mais sensível) até me parece mais simples aceitar que os custos do afastamento da MMG foram pura e simplesmente considerados baratos por parte do arco PS - PRISA face ao potencial problema de ter em plena campanha eleitoral a MMG a lançar bombas todas as semanas, que mesmo que fossem disparates ou meias verdades (que são sempre pelo menos meias mentiras) iriam centrar permanentemente o tema das discussões e tornar-se num incómodo crescente na altura menos conveniente...
ResponderEliminarcarlos
Caro anónimo: 2 notas.
ResponderEliminar1. Não me parece ainda se possa falar de arco Prisa-PS. o fastamento do grupo Prisa do PSOE é, desde há uns tempos, uma realidade. Logo...
2. Penso que MMG foi perdendo a credibilidade e, hoje em dia, já só falará para os fiéis. Conheço mtªa gente (à esqª e à dirtª) que não votará PS e que já não lhe dava, ou nunca deu, qualquer credibilide. Aliás, o próprio ruído da campanha eleitoral iria acabar por abafar o ruído de MMG a não ser que esta pusesse no ar algumas notícias efectivamente credíveis e graves para José Sócrates e para o PS. E estas, se as tivesse, já as tinha posto no ar.
Esta é a minha opinião, mas... vale o que vale.Infelizmente, vamos chegar ás eleições sem nada de concreto neste caso, o que é pena.
"credibilidade" e não "credibilide". As minhas desculpas.
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